História Fresco como menta - Capítulo 1


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Categorias Seventeen
Personagens Lee Jihun "Woozi", Soonyoung "Hoshi"
Tags Hozi, Seventeen, Soonhoon, Wooshi
Visualizações 9
Palavras 4.096
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Capítulo Único


 As férias de verão nunca foram bem aproveitadas por Lee Jihoon. Todas os anos, quando chegava o dia de virar a folha do calendário para o mês de julho, significava que deveria começar a fazer as suas malas, comprar alguns livros novos e procurar os seus óculos de sol perdidos no guarda-roupa, pois uma longa viagem de carro para a praia o aguardava.

 Obviamente, esse ano não foi diferente. No dia dois, sem falta, estavam os Lee à caminho do litoral. Os pais, felizes, cantavam uma música junto a uma voz famosa que soava pelo rádio, enquanto a filha mais nova tentava arriscar alguns versos, com seu coreano ainda inexperiente. Já Jihoon estava praticamente desmaiado por culpa do remédio para enjoos.

 Não é uma cena estranha, levando em consideração que se repetia todos os anos, na mesma época. Não que Jihoon odeie a viagem ou a sua família, na verdade, só odeia viajar de carro e a ideia de passar um mês inteiro na praia. Tanto que sempre passava esses dias isolado no quarto, sob o ventilador e se entupindo de limonada com bastante gelo, tentando se refrescar. Detalhe: com as cortinas fechadas.

 Sem eufemismos, a partir do momento que consegue sentir paz deitado em sua cama da casa de férias, não se importa nem um pouco por não ter continuado na cidade, no apartamento que morava, podendo sair para encontrar com os seus amigos. Afinal, conseguiu encontrar esse seu jeito especial de se sentir confortável.

 Hoje, então, tudo não passa de uma rotina.

 Porém, inesperadamente, quando chegaram à adorável casa de veraneio, os Lee são surpreendidos por um vazamento terrível, exatamente no quarto de Jihoon. Sua cama, os móveis, as paredes e o chão estavam um total desastre, e foi difícil do rapaz esconder a sua chateação.

 Um quarto provisório foi montado na sala, com algumas almofadas e lençóis. A pior parte, entretanto, não era a dor nas costas ou o calor por não ter mais um ventilador, mas o fato de não haver uma cortina que impeça o sol de cutucar os seus olhos às cinco da manhã. Era de entristecer qualquer um.

 E, bem, todos os seus planos foram arruinados. Não que fossem planos, já que não chegava a planejar nada, pois repetia as mesmas ações anualmente há quase uma década. Mas, de toda forma, ainda eram especiais.

 Infelizmente, perdeu a possibilidade de dormir até às dez da manhã, se concentrar para ler os seus livros, ficar deitado a maior parte do dia; enfim, descansar da forma que prefere.

— Estou começando a ficar depressiva por te ver sentado na cadeira da cozinha com esse rosto triste, filho — certo dia, em sua segunda semana de férias, sua mãe comentou.

— É porque eu estou triste mesmo, mãe — respirou fundo, deitando sobre seus braços e batendo a cabeça na mesa propositalmente. — Eu só queria o meu quarto de volta.

— Você sabe que ainda vai demorar algum tempo até a reforma acabar. Não posso fazer nada para te ajudar, desculpe — suspirou, enchendo mais uma vez o copo do filho com limonada, tentando ajudá-lo a se sentir melhor. — Por que você não vai dar uma volta na praia?

— Sozinho? Eu nem gosto de areia — ergueu o olhar para a adulta, assistindo-a a mexer nas louças sobre a pia. — Não tem graça.

— Você não precisa necessariamente ficar na areia, filho. Por que não vai até o cais?

— Porque é longe — fez um bico.

— Não é longe! — cruzou os braços, olhando para Jihoon, indignada com o que acabou de ouvir. — São cinco minutos de caminhada.

— Cinco minutos só se for correndo.

— Tudo bem, talvez não cinco, mas, no máximo, dez minutos! Vale a pena, levando em consideração que você pode passar bastante tempo lá. Leve algum dos seus livros.

— Não sei — respondeu, um pouco amargo.

 Porém, no fim, acabou indo de qualquer jeito.

 A resposta que deu não era definitiva, só foi motivada pelo seu estado de desânimo no momento. No dia seguinte, às sete da manhã, sentiu que estava no seu limite de ficar olhando para o azulejo de galinhas da cozinha, então, após comer o seu café da manhã, enfiou-se em roupas frescas, se encheu de protetor solar, escolheu um dos seus livros e saiu.

 É um tanto vergonhoso o fato de que, mesmo viajando todos os anos para a mesma cidade litorânea, não conhece a maioria dos bares, restaurantes, lojas e até mesmo os habitantes. São tantas poucas pessoas, e mesmo assim não sabe o nome de nenhuma delas, embora elas saibam o seu. Cada vez que alguém o cumprimentava, dava um sorriso envergonhado e acenava.

— Bom dia, Jihoon!

— Ah! Bom dia… É… Bom dia.

 Esses diálogos com certeza entraram para a sua lista de diálogos mais vergonhosos que existem.

 O cais era um lugar que não visitava há alguns anos, mas não estava sendo de todo ruim ir vê-lo sozinho às oito da manhã. Embora o sol estivesse extremamente quente para o horário, o vento fresco compensava, pois trazia o aroma gostoso do mar salgado.

— Pelo menos aqui não tem cheiro de peixe — sussurrou enquanto prestava atenção em quais madeiras iria pisar para andar pela plataforma já desgastada. Estava em desuso há quase três anos.

 Decidindo não ir muito longe, sentou-se quando chegou à metade. Ao invés de puxar o livro de dentro da sua sacola, Jihoon permaneceu algum tempo parado, de olhos fechados, sentindo o toque suave do vento em sua pele e ouvindo os sons calmos da água do mar. Estava viajando, para valer.

 O quente da luz do sol em contato com a sua pele não durou muito, pois algo a cobriu. Não havia árvores ou construções por perto para que isso acontecesse, então foi obrigado a abrir os seus olhos para descobrir quem estava bloqueando a sua dose diária de banho de luz.

— Você vai ter uma insolação se continuar aqui parado desse jeito — foi o que o rapaz em pé atrás de si disse.

 Nunca havia o visto antes. Ele estava debruçado para a frente, com as mãos na cintura, o que acabava por ocasionar a sombra. Usava um chapéu de praia, porém, nada de óculos escuros.

— Eu te conheço? — perguntou, incomodado com a aproximação.

— Não — franziu o cenho. — Preciso te conhecer para dizer que pode pegar insolação?

— Bem… Acho que sim.

— Tanto faz. Agora que já conversamos, acho que podemos nos considerar conhecidos — balançou os ombros, totalmente despreocupado se a sua frase poderia ser vista de maneira rude aos olhos de terceiros.

 Deu a volta no corpo de Jihoon, largando os seus chinelos sobre as tábuas de madeira e sentando-se na mesma posição que ele, com as pernas suspensas no cais. A água do mar estava clara, e era bonito observá-la.

— Você não vem à praia com muita frequência, não é?

— Na verdade, eu venho todos os anos.

— Mesmo? Não parece…

— Eu não vou pegar insolação, só estou sentado aqui há cinco minutos.

— Cinco minutos? Acho que você se perdeu no tempo… Já são quase vinte desde que você se sentou aqui. Além de que, essa sacola não me parece indicar que você pretende ficar aqui por menos de uma hora.

— Você estava me vigiando? — seu tom de voz demonstrou como ficou assustado com a ideia, mas o outro deu uma risada baixa e o cutucou no braço, apontando então para o lado onde ficava a areia.

 Lá, havia uma pequena construção de madeira sob coqueiros. Os bancos altos em frente ao balcão e algumas latas de bebida indicavam que provavelmente se tratava de um quiosque.

— Eu estava sentado ali. Na sombra.

 Um “ah” mudo saiu pela boca de Jihoon, e ele não sabia mais o que deveria dizer.  A única coisa que pôde fazer foi continuar balançando os seus pés no ar, alternando o olhar entre os seus próprios e os alheios, tão próximos.

— Que bom que você veio para cá. Eu já estava ficando doido — novamente, quem continuou a falar foi o homem de chapéu. — Ninguém mais frequenta essa praia, nem os pescadores. Desde que inauguraram aquele shopping do outro lado da cidade, aqui sobraram só as moscas. As praias de lá são bem mais badaladas, sabe? — o uso do termo fez Jihoon dar risada. — Por que veio para cá? Estava entediado?

 Recebe um aceno de cabeça como resposta.

— Também. Aqui é o lugar mais perto de casa para vir andando.

— Por que não estou surpreso de descobrir que você é do tipo preguiçoso? Acho que tenho um radar para essas coisas.

— Levando em consideração que venho para a praia todos os anos e mesmo assim ainda não aprendi a tomar cuidado para não pegar insolação, fica meio claro que eu não saio muito de casa.

— Talvez eu não tenha um radar, então.

 Depois de tantas frases trocadas, o Lee finalmente se sente confortável o suficiente para também fazer um questionamento:

— Você mora por aqui? Já que sabe tanto sobre o movimento da praia.

— Podemos dizer que estou ficando aqui por um tempo — balança os seus ombros. — Isso não é importante agora. Mas, então. O que acha de comprar uma água e ajudar esse pobre funcionário de uma venda quase falida?

 Jihoon semicerrou os olhos.

— Veio conversar comigo só para tentar me vender alguma coisa?

— Talvez — sorriu de um jeito um tanto travesso, mas a sua risada demonstrou que era apenas uma brincadeira. — Só estava entediado e resolvi vir conversar com você. Aqui é realmente morto.

 Mesmo um pouco desconfiado, Jihoon cedeu e comprou uma garrafa d’água gelada. De fato, durante o tempo que esteve na praia, não viu nenhuma pessoa transitando por ali, nem mesmo nas casas mais próximas. Todas pareciam estar vazias e fechadas.

 Um tanto deprimente.

 Não trocou mais palavras com o outro rapaz. Enquanto ele permaneceu sentado na banqueta ao seu lado, observando o oceano, Jihoon continuou a beber a água em pequenos goles, em silêncio.

 Estava surpreso, não poderia negar. Porém, essa surpresa era consigo mesmo. A timidez é o seu pior problema, e ficou estupefato por ter conseguido conversar por tanto tempo com alguém completamente desconhecido. Por esse motivo, quando acabou a sua bebida, jogou a embalagem no lixo e saiu sem se despedir. A sua cota de coragem já havia se esgotado.

 Chegou em casa mais cedo do que pretendia, e o que lhe restou foi tentar encontrar um novo lugar na casa para descansar, mas o quarto dos pais era realmente quente e a varanda era descoberta. Seria impossível dormir sob o sol quente do meio-dia.

 E, tristemente, pelos dias seguintes, voltou a ficar sentado na cadeira da cozinha.

 Seus pais e a irmã mais nova se divertiam, saindo para mergulhar na água do mar e visitar algumas lojas, enquanto ele ficava contando as horas até o fim do dia chegar.

 Da forma mais clichê possível, agora, os seus pensamentos não eram mais compostos somente pelo sonho do dia que teria o seu querido quarto de volta. O menino com quem conversou no cais começou a assombrar a sua cabeça.

 Gostava de pensar que isso estava acontecendo por culpa de estar quase ficando louco de tédio, e sua mente apenas estava procurando algo diferente para se entreter.

 Em um dos dias que estava sozinho em casa, após os pais e a irmã terem entrado no carro e saído rumo a um pequeno show que teria do outro lado da cidade, Jihoon decidiu que talvez seria bom sair novamente. A sua intenção não era voltar ao cais, porém, foi para lá que suas pernas o levaram.

 Sem surpresas, encontrou o rapaz sentado no quiosque, bebendo água de um coco distraidamente. Quando notou a sua presença, o sorriso que abriu foi tão brilhante quanto o Sol (ou pelo menos foi isso que Jihoon pensou).

 O lugar era mesmo vazio. Não havia nenhuma alma viva além dos dois, igual ao outro dia.

 Dessa vez, ao invés de precisar pagar para consumir alguma coisa, ganhou um coco fresco.

— Já reparou que não sabemos o nome um do outro?

 Jihoon parou de beber a bebida gelada, lambendo os seus lábios. Esse era um fato que ainda não tinha parado para pensar.

— Eu-

— Kwon Soonyoung! — o funcionário do quiosque disse alto, mal reparando que havia interrompido o Lee. — Um nome bonito, não acha?

 A única resposta que o mais baixo foi capaz de dar foi um aceno de cabeça, concordando.

— E o seu? Será que o seu nome consegue competir com o meu?

— Hum… É Lee Jihoon.

— Oh… — ficou sério repentinamente, fazendo uma careta pensativa.

— O quê…?

— O seu nome é mais bonito do que o meu — fez um bico, como se estivesse chateado de verdade. — Mas não o culpo. É claro que você precisaria de um nome bonito para combinar com o seu rosto.

 O rosto de Jihoon aqueceu ao ouvir a frase. Estava sendo chamado de bonito? Por um cara como Soonyoung?!

— Por que de repente você começou a falar besteiras? — pôs as mãos em sua face, tentando esconder a cor avermelhada da pele das bochechas.

 Poxa, estava realmente envergonhado.

 Ao invés de se sentir mal ou acanhado pela reação de Jihoon, o funcionário do quiosque riu, bem alto. A sua gargalhada causou uma sensação gostosa no interior do Lee, que se encantou mais uma vez com o quão lindo o sorriso alheio conseguia ser.

 Parecia tão perigoso.

— Hoje está mais quente do que ontem — suspirou, deitando seu corpo sobre as tábuas de madeira, cobrindo o rosto com o chapéu.

 Por saber que não estava mais sendo observado, Jihoon pôde respirar aliviado. Deu alguns tapinhas em seu próprio rosto, tentando recuperar os seus sentidos; não é possível que seja tão sensível assim a elogios.

— Não tenho certeza… — respondeu o comentário aleatório sobre o clima, mas não sabe se, sinceramente, as suas palavras diziam respeito a isso ou ao que estava sentindo.

— Deveríamos mergulhar.

— Eu não trouxe roupa extra — sua resposta veio tão rápido que chegou a surpreender o outro.

 Os seus batimentos cardíacos não paravam de acelerar, e cada vez que Soonyoung abria a boca parecia piorar. Queria fugir.

— Tudo bem. Talvez um outro dia? — disse, incerto.

— Certo — balançou a cabeça, concordando.

 Imediatamente, Jihoon procurou pelas suas coisas, se levantando de maneira desajeitada. Correu para o lixo mais próximo para jogar o seu coco fora. Ao se virar e se deparar com o Kwon tão perto de si, quase tem um infarto.

 Não percebeu que havia sido seguido.

— Volte mesmo, em? — ao passo que as palavras saem de sua boca, retirou o chapéu de praia da sua cabeça, colocando-o sobre os fios de cabelo do mais baixo, que paralisou. — Você está indo embora na hora mais quente do dia. Tome cuidado com o sol.

 Soonyoung, ainda não satisfeito em testar até onde iria os limites de Jihoon, aproximou-se do seu rosto perigosamente, ao ponto de conseguir sentir a respiração alheia, desregulada. O Lee sentia que aqueles olhos negros conseguiam enxergar através da sua alma.

 Porém, tão rápido quanto aquele clima se formou, se desfez, pois o causador da discórdia se afastou, sorrindo travesso. Piscou um dos seus olhinhos para Jihoon, não fazendo ideia do quão atraente a cena se pareceu.

 Foi dessa forma que essa tensão entre Jihoon e Soonyoung nasceu.

 Obviamente o Lee voltou a visitar o cais inúmeras outras vezes, tornando-se a sua tarefa diária. O praiano adorava chegar o mais perto que podia de si, testando os seus limites em todas as brechas que percebia. Embora a timidez fosse uma barreira grande, cada tijolinho dela parecia cair a cada vez que se deparava com a imagem única de Soonyoung.

 E, bem, se o aroma do mar era delicioso, Jihoon não sabia nem mesmo qual palavra poderia usar para descrever o quão bom era o do Kwon. Cada vez que seus corpos se aproximavam, perguntava-se se era real alguém ter um cheiro tão bom.

 Tão calmo. Tão fresco. Como menta.

— Jihoon-ah? — a voz despertou a sua atenção.

— Sim?

— No que está pensando?

 Não sabe o que responder.

 Estavam deitados na areia da praia, sem nenhuma proteção que os impeçam de estar em contato direto com o chão. E, mesmo que odiasse as partículas minúsculas e grudentas, Jihoon não se importava nem um pouco por estar tão próximo delas.

 Estava inseguro, mas acaba respondendo o inesperado para o momento:

— Em você.

 Então foi a vez do Kwon de ficar sem jeito. Não esperava ouvir algo do tipo. Sentiu as suas estruturas se abalaram, e não viu outra solução a não ser disfarçar:

— O que acha de nadarmos hoje?

— Eu não trouxe roupa extra — a mesma desculpa de tempos antes se repetiu. Mas, dessa vez, a sua voz não soou como a de quem estava negando o convite.

 Os rapazes se sentaram na areia, e, sem vergonha nenhuma, Soonyoung escorregou a sua mão até a de Jihoon, puxando-o consigo até se levantarem e caminharem em direção à água, ainda usando as suas respectivas roupas.

 O contraste entre o gelado do mar e os seus corpos quentes trouxe-lhes arrepios, mas não mais fortes do que quando o Kwon puxou o Lee para o seu peito.

 O mais baixo estava ofegante. Nunca estiveram tão próximo antes, principalmente as suas bocas. E, como se fossem dois ímãs, eles se aproximaram, pois já havia se tornado impossível resistir àquela maldita atração que sentiam um pelo outro.

 Sem precisar pensar no que deveria fazer, Jihoon apenas se deixou levar e prendeu as suas pernas em torno do tronco alheio, não entendendo como foi capaz de resistir por tanto tempo àquele corpo.

 Eles se beijaram por incontáveis minutos. Não com segundas intenções, mas com melhores do que elas.

 Jihoon se sentiu tão apaixonado, tão vivo. Foi quase um crime se separarem, pois seus corações reclamaram aflitos dentro do peito.

 Toda aquela valentia e fervor de antes foram quebrados assim que se afastaram. Não apenas Jihoon se envergonhou, mas Soonyoung também. Não imaginava que gostaria tanto assim de beijar alguém, e os sentimentos fortes que o dominaram não queriam dizer que coisa boa viria por aí.

 No caminho inteiro de volta para casa, Jihoon não se importou por estar todo molhado e chamando atenção de qualquer alma que trombasse com ele pela rua. Agora tinha algo novo para ocupar os seus pensamentos, e a experiência inédita com o Kwon rendeu muita falta de sono, de apetite e de paciência. Tornara-se ansioso.

 Não conseguia parar de se perguntar sobre o que o outro estava pensando: o que achou do beijo, se estava arrependido, se sentia alguma coisa… Se gostaria de repetir. Era incrível a capacidade de Jihoon de criar tantos se em sua mente.

 Sentia-se angustiado para voltar ao cais, mas também sentia-se amedrontado do que se seguiria quando chegasse lá. Se fosse ignorado ou simplesmente dispensado, não imaginava o tamanho da decepção que sentiria.

 E, talvez, justamente por esse impasse de ir encontrar-se com o praiano ou não, a vida resolveu fazê-los se encontrarem inesperadamente.

 O Lee nunca saia, e a sua mãe nunca fizera questão disso. Porém, em um sábado, ela se animou, dizendo que deveria levá-lo a uma feira de livros que descobrira alguns dias atrás. Incrivelmente, conseguiu convencer o filho a ir.

 Enquanto folheava um exemplar de um autor que nunca ouviu falar na vida, Jihoon percebeu a presença de uma pessoa parada em sua frente, do outro lado da mesa nas quais os livros eram expostos. Quando ergueu o olhar, se deparou com o rosto do dito cujo, soltando uma exclamação surpresa.

 Soonyoung demorou a perceber, apenas erguendo seu olhar quando terminou de ler a sinopse que segurava nas mãos. A sua reação fora parecida com a do Lee, mas, diferente dele, foi capaz de dar um sorriso fechado, quase tímido.

— Inesperado, não?

— Alguma hora a gente acabaria se esbarrando por aí…

— Já que você havia dito que sai de casa de vez em nunca… Não achei que isso aconteceria tão cedo.

 Os rapazes trocaram olhares, ambos tentando controlar suas respirações para não deixar exposto o quão nervosos se sentiam por simplesmente estarem ali, um de frente para o outro — consideravelmente longes, levando em consideração o acontecimento da última vez que se viram.

 Diferente da cena que imaginou tantas vezes, o comportamento de Soonyoung estava acanhado. Ele agia de maneira cuidadosa, já que estava pensativo.

 Ou tudo podia ser minhoca da cabeça de Jihoon.

 Queria mostrar uma atitude diferente, dizer que não era apenas um gato assustado, mas o máximo que pôde fazer foi abrir um sorriso forçado. Bem, pelo menos o ato valeu a pena, já que causou risos no Kwon.

— Você quer tomar alguma coisa? Acho que essa careta é por sede.

— Pode ser — suspirou, desistindo de fazer pose.

 E, dessa forma, os rapazes foram parar nas mesas externas de uma loja de bebidas em frente ao mar.

 Não poderiam reclamar. Estava quente, mas não suficiente para que escorresse suor. Estava ventando, mas não o suficiente para que seus cabelos entrassem em seus olhos. Estavam no meio de outras pessoas, mas não o suficiente para atrapalhá-los.

 O olhar afiado de Soonyoung sobre o mais baixo era muito tentador, e não demorou muito tempo até que soltasse algum comentário constrangedor enquanto tentava paquerá-lo, levando-os a perceber o quão ruim era fazendo isso.

 Deram boas risadas em uma conversa que durou um pouco mais de trinta minutos, já que o praiano precisou sair correndo para ir ao banheiro, e, quando voltou, o Lee já havia se encaminhado para o carro da mãe.

 Foi a primeira vez que se encontraram em um lugar comum, sem ser aquele cais abandonado, sob o sol escaldante. Sentiram saudades da privacidade que tinham na praia abandonada, porém, foi bom como se sentiram como pessoas normais. Como se tivessem algo normal.

 Alguns dias após esse encontro surpresa, a reforma do quarto de Jihoon ficou pronta. Era o momento perfeito para que aproveitasse sua última semana na cidade da maneira que fez nos anos anterior: trancado. Entretanto, agora lhe era estranho pensar em um dia que não iria caminhar pela areia para ir visitar Soonyoung.

 É… A sua paixãozinha estava começando a render uma dor de cabeça.

 Da forma mais inteligente que conseguiu raciocinar, Jihoon percebeu que não ganharia nada se ficasse matutando o assunto. Preferiu ignorar, e fez isso do melhor jeito: se distraindo nos lábios alheios.

 Não sabia como era possível ser tão bom e hipnotizante beijar alguém. Não mentiria para si mesmo, caso Soonyoung não correspondesse aos seus beijos, ficaria arrasado. O sentimento da reciprocidade é simplesmente deslumbrante.

 — Eu estou indo embora amanhã — contou, sem rodeios, certa vez em que estavam sentados na areia.

 O Kwon o olhou, espantado. Não estava esperando pela tristeza que o atingiu ao ouvir a frase. Segurou a mão do mais baixo, forte, mas não respondeu.

 Eles não trocaram mais beijos naquela tarde, embora Jihoon tenha ficado horas por lá, muito mais tempo do que o normal. Permaneceram na areia, então, no quiosque, e, por fim, no cais, balançando suas pernas no ar, como da primeira vez que se encontraram.

 Quando o Lee se mexeu para juntar as coisas e se levantar, o Kwon lhe fez um gesto doce, deixando um selar na sua testa. Tal ato quase fez com que desmoronasse, já que não havia reparado até o momento o quão afetado estava com a possibilidade de não ver mais o praiano.

 Já de costas, andando de cabeça baixa, estava a ponto de chorar. Contudo, o seu pranto foi interrompido por uma mão agarrando a sua com força, puxando-o para uma caminhada lado a lado.

 Jihoon não estava entendendo nada.

— Acho que eu devia comprar um celular.

Em? Por que isso de repente?

— Todo mundo tem um na capital, não? E eu preciso dar um jeito de falar com o meu… Hum… Com o meu… — simplesmente travou, implorando aos céus que Jihoon percebesse o que estava tentando dizer.

— Não entendi.

 Oh, céus!

— Preciso de um jeito para te encontrar quando eu voltar para a capital, Ji — suspirou.

 Pronto. O que ouviu foi o suficiente para que as emoções transbordassem os seus olhos.

— Você está falando sério?! — perguntou, com o tom de voz descontrolado.

— É claro que estou! — sorriu grande, não aguentando a felicidade em seu peito ao ver Jihoon quase saltitando de alegria em sua frente. Precisou apertá-lo em um abraço. — Eu não seria capaz de só te deixar ir assim. O quiosque do meu tio não é tão importante. Eu tenho prioridades.

— E eu sou a sua? — deu um suspiro apaixonado, se aconchegando melhor nos braços alheios. — Porque eu te faria a minha, eu só preciso de um sinal.

— Você já tem todos os sinais do mundo para isso. O que está esperando?



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