História Friends - Capítulo 1


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Jean Kirschtein, Marco Bott
Tags Eremin, Fanficsotaconda, Jeanxmarco
Visualizações 26
Palavras 4.715
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


SOCORRO EU SOU MUITO VACILONA AAAHHH!! PRECISEI POSTAR SEM AS NOTAS AAAHHHH!!!

Bom, mais calma, aqui vai, a fic veio do grupo Otaconda do face depois de um joguinho de imagens, eu peguei esse lindo casal, pq bem, quase não tem fics fuffly deles xD

Enjoy ~

Capítulo 1 - Plaquinhas


“É a final do campeonato nacional e os jogadores estão a todo vapor!”

"É uma disputa árdua para os dois times! O time da casa Legion, três vezes campeão do nacional e os Titan Squad, um time surgido do lugar mais remoto da cidade de Gifu, agora compete aqui em Tokyo uma vaga para o que será o internacional de basquete! A pressão está a toda para os meninos de Gifu, liderados pelo treinador Levi Ackerman, uma lenda viva do basquete masculino!”

— Armin vem logo! O jogo voltou! - Marco gritou para o corredor.

— Já estou indo!

“Faltando apenas vinte minutos para o fim do último tempo, a tensão está no ar e o armador da Titan Squad está visivelmente preocupado. Com o placar de 100 x 97 para Titan Squad.”

Eren apareceu na tv, o castanho estava curvado, os joelhos flexionados usando a gola da camisa para secar o suor do queixo.

— O EREN TÁ NA TV! - Mikasa aumentou a voz ao ver o irmão.

— Já vou! - a cabeça do loiro apareceu na porta da cozinha que era ligada a sala por um curto corredor.

O loiro voltou para sala correndo, segurando um balde de pipoca a tempo de ver o namorado como foco das câmeras da emissora que transmitia o jogo ao vivo. O loiro sentiu as bochechas corarem e seus olhos azuis não desgrudaram da tela, totalmente hipnotizado. Sasha o tirou do mundo das fantasias já de braços abertos pedindo a bacia, o loiro a estendeu antes de se sentar ao lado de Mikasa.

— O que eu perdi? - perguntou meio afoito, olhando da amiga até Marco a sua direita.

— Não muita coisa. - Annie respondeu, a loira estava deitada no sofá, escorando em Sasha, uma bochecha cheia assim como a mão direita.

“A bola foi passada! O Lançador Jean Kirschtein se posio-Oh não ele foi marcado.”

“É Shads, os time adversário não está para brincadeira!”

Jean apareceu e Marco prendeu a respiração, o castanho segurava a bola e a expressão de ódio pintou o rosto suado. Marco fitou os olhos raivoso do amigo. Apenas o som da bola e dos tênis secos raspando na quadra era ouvida, o relógio digital marcava mais doze minutos de tempo. O castanho fazias movimentos ameaçadores sendo sempre bloqueado. É muita pressão, você é o Lançador, Jean! Pense!

As palavras pareceram atravessar seu cérebro e a tv chegando até o castanho, Jean se moveu para o lado quicando a bola, o camisa 6 do outro time o parou, sentindo o camisa 7 atrás de si Jean procurou por Eren logo aparecendo em seu campo de visão gritando alto para passar a bola. Os olhos ágeis visualizaram rapidamente o campo, vendo Connie e Bertholdt marcados, assim como Reiner.

“Parece que Kirschtein está sem saída! Ele terá que passar a bola ou arriscar uma cesta de três pontos faltando apenas cinco minutos para o fim!”

Marco estendeu o braço para o lado, não tirando os olhos da tv, seus dedos sentiram a vasilha quase vazia da pipoca, pegando uma porção considerável na mão direita.

— Porra cara de cavalo se mexa!! - Ymir gritou e todos se sobressaíram, até Sasha que balançou o pote estendido, deixando cair alguns milhos na cabeça de Christa. A morena pediu desculpa e a loira apenas riu. Mikara revirou os olhos e Annie chutou a cabeça de Ymir que estava sentada no chão a sua frente junto com Christa.

Vamos Jean! Marco pediu apreensivo, seus dedos amassando os milho sem notar.

Jean se moveu.

Seu corpo se virou para a esquerda na direção de Eren, os braços estendidos segurando a bola. O camisa 6 moveu-se junto preste a bloqueá-lo quando subitamente o castanhos flexionou os joelhos e pulou. O movimento foi súbito para todos, menos para o camisa 7 aparentemente prevendo o movimento pulou junto. As costas de Jean colidiram contra o peito do homem e a próxima coisa que Jean viu foi o chão.

O som agudo do apito soou pela quadra e pela sala de estar dos adolescentes.

“E é falta para o camisa 7 da Legion!”

Marco voltou a respirar e seus pulmões queimavam pela falta de ar. Jean era ajudado por Reiner e Eren a se levantar, o sorriso pequeno que se formou em seus lábios antes da mão esquerda a cobrir. Ymir xingou Jean de vários nomes que o moreno não ouviu.

O árbitro entrou em campo, o placar congelou e a bola quicou até o pé de um dos reservas.

“O treinador Ackerman está muito quieto! Isso não parece boa coisa, Hannes!”

Mikasa se inclinou até o controle e aumentou o volume.

A figura de Levi ocupou a TV, sentado no banco e braços cruzados. O semblante sempre sério estava mais leve e isso levou um sorriso aos lábios de Marco. Ele sabe que Jean fez de propósito, agora ganharam lances livre faltando cinco minutos e quatro pontos de diferença.

Imagens apareceram no telão pendurado acima da quadra, mostrando a cena da falta; Jean se movimentando para um lançamento durante o tempo que fora bloqueado, o zoom foi dado no pé do moreno a imagem congelou. Marcos inspirou fundo e sorriu largo, o pé de Jean permanecia atrás da linha de três pontos.

“O Ala-armador Jean Kirschtein, número 5 da Titan Squad ganhou o direito a três lances livres.”

— ISSO CARA DE CAVALO!

— Shhh!! - todos se viraram para Ymir.

Christa riu e pediu desculpa pela namorada. Armin olhou para Marco e sorriu, ambos ansiosos.

“O jogadores se posicionaram! É muita tensão para um lance livre que pode acarretar em um rebote, se o Kirschtein acertar os três lances, empatam com a Legion e vão para a prorrogação.”

Ambos os times formara linhas na laterais, deixando um espaço no meio, onde Jean se posicionou atrás da foul line, a bola voltou a quicar no chão, Jean a segurou e respirou fundo, o silêncio reinou na sala e na quadra. Os joelhos flexionam e as íris negras não desgrudaram da cesta, Jean esticou as pernas e pulou, jogando a bola para frente, voltando a tocar os pés no chão. Marco arregalou os olhos na cesta, vendo a bola entrar sem muita dificuldade.

100 x 98

— Boa Jean! - Christa aumentou a voz, mas logo tapou a boca com a mão. — Desculpa. - pediu envergonhada.

— Tudo bem Christa, agora fica quietinha. - pediu Annie, amigavelmente.

— Com ela vocês não gritam né? - Ymir se virou para os amigos.

— Ninguém consegue gritar com a Christa, é tipo gritar com um filhote de cachorrinho, impossível. - Sasha pontuou e todos concordaram

— Ahh que engraça-

— Ele vai lançar! Cala a boca! - Annie usou a mão para bater na cabeça da morena.

Ymir massageou a nuca e resmungou.

A atenção foi para TV, Jean fez os mesmo movimentos anteriores e lançou, a bola caiu certeiro na cesta, atravessando o aro de metal sem muita dificuldade.

100 x 99

Aplausos e gritos foram ouvidos da plateia, Jean suspirou forte e se preparou para outro arremesso.

“É o lance final faltando apenas três minutos para o fim, Kirschtein precisa acertar essa cesta, podendo entrar para a prorrogação.”

Jean bateu a bola e fechou os olhos, Marco apertou os braços.  

“O Ala e Ala-Pivô Reiner Braun e Bertholdt Fubas se preparam para um possível rebote!”

A voz do locutor soou baixa, sentindo a tensão daquele momento.

Jean quicou a bola mais um vez antes de lançá-la. A bola voou e naquele momento todos se calaram, o aro de metal foi atingido mas a bola não mergulhou direto, dessa vez rodando pelo aro até cair do lado de fora.

— REBOTE!!!

Marco foi o primeiro a gritar, logo veio os amigos e a plateia pela TV.

Reiner e Bertholdt pularam junto com os adversários. Jean e Connie correram para o lado contrário da quadra, Eren correu pela lateral.

— PEGA A PORRA DESSA BOLA BERTH! - Annie pulou no sofá e gritou.

Bertholdt pousou no chão com a bola e mãos levando a multidão aos gritos, o Ala-Pivô jogou o pé para frente e pisou com força no chão, girando o quadril e lançando a bola para frente, em um claro movimento de boxe, Annie sentiu orgulho.

“EREN!”

Mikas segurou o braço de Armin, ansiosa.

O Ala correu, tendo o time adversário no encalço, quando o capitão adversário o bloqueou frontalmente, Eren jogou a bola para o lado, sendo rapidamente segurado por Connie.

— Vai amor!! - Sasha lançou o balde de pipoca pra  cima e se levantou no sofá.

Ninguém pareceu ligar com a chuva de pipoca, todos focados na TV.

O Armador do time não ficou muito tempo com a bola, quicando cinco vezes antes de ser bloqueado e lançando para lateral oposta de Eren.

O jogadores da Legion pararam e pareceu não entender o movimento não calculado.

O armador é o organizador, o “cérebro” da equipe. É ele quem normalmente leva a bola da defesa para o ataque, observa o tipo de defesa da equipe adversária e escolhe a jogada ou movimento necessário para superá-la, através de códigos pré estabelecidos pelo técnico.

Todos sabem que cada  movimento do Armador é bem calculado e deve ser bem  pensando.

Então foi uma surpresa imensa quando a bola pareceu ser lançada para o público, sem objetivo.

“Parece que o Armador da Titan Squad, Connie Springer perdeu o juízo faltando um minuto para o fim!”

— Calem a bocas seus idiotas! Meu namorado é um gênio! - Sasha pegou algumas pipocas e tacou na TV.

Annie puxou a morena para sentar, Mikasa virou a cabeça e pediu silencio.

— Jean! - Marco se sobressaiu quando viu o melhor amigo o amigo surgir de lugar nenhum, já no ar Jean pegou a bola e lançou na posição, a fazendo voar para a cesta do adversário, os gritos e falatório cessaram na hora. Marco sentiu os pulmões pararem de funcionar e a tensão subir. A bola, ao contrário do lance  livre não rodou pelo aro, caindo direto atravessando a rede tocando o chão.

O placar congelou e um alto som ecoou da TV.

100 x 103

— ELE CONSEGUIU!!

Os gritos e falatório voltaram mais altos, a imagem de Jean comemorando apareceu, o castanho gritava enquanto era envolvido pelos companheiros.

“E os Titan Squad passaram pro Internacional!! No último segundo Jean Kirschtein surpreendeu a todos com uma cesta de três  pontos!”

Marco abraçou Armin, ambos comemorando aos gritos, Sasha se levantou balançando os braços em uma dança estranha. Mikasa tirou o cachecol e rodou no ar, feliz.

Christa se agachou na frente de Ymir e a beijou, Annie balançava as pernas e gritava, feliz.

Marco olhava a TV e viu os amigos mudaram a expressão de felicidade para choro, Bertholdt se juntou ao time e ergueu os amigos nos longos braços, Reiner puxou Connie e colocou o Armador facilmente nos ombros, gritando pela quadra.

Era fácil ver o time adversário parado e todos cabisbaixo, um lamento mudo.

“É uma pena para a Legion, o três vezes campeão foi um adversário assíduo para o Titan Squad!”

“Foi um jogo violentos e difícil para nossos meninos, agora eles vão se cumprimentar os adversários e prevemos muita comemoração por parte do nosso time!!”

A câmera ampliou a  imagem, levando toda quadra, os times se posicionaram em linhas horizontais, ambos os times se curvaram e um “Muito obrigada pelo jogo” foi dito entre soluços por parte do adversário.

“Pulamos para o comercial e voltaremos logo mais com uma breve entrevista com o time vencedor.”

O volume da tv foi abaixada e imagens de carros com música tomou a tela, mas nenhum dos adolescentes ligou.

— Eu não acredito que eles ganharam!! - Christa disse entre sorrisos.

— Vou buscar mais pipoca. - Marco se levantou e pegou a bacia jogada.

— Vá rápido que eles vão ser entrevistado!! - Mikasa ajeitou o cachecol no pescoço novamente.

Marco cortou o corredor com passos largos, deixou a vasilha no balcão e abriu o armário debaixo da pia, pegando dois pacotes de pipocas e colocando-os no micro-ondas.

— Marco! Voltou!

— Já vou! - disse  pro corredor, colocou dois minutos no relógio e apertou o botão iniciar. Voltou a andar pelo corredor, pegando a bacia vazia.

“Voltamos agora com Petra Ral que está agora com o Armador Connie Springer.”

Marco entrou na sala e viu o amigo baixinho ao lado da entrevistadora. Se escorou na parede e abraçou a vasilha, Mikasa aumentou o volume.

“Obrigado Hannes. Estou aqui com o Armador Connie Springer”

A loira se virou para o jogador que ofegava e sorria sem parar, o loiro acenou para câmera e colocou as mãos na cintura, Sasha resmungou algo feliz que Marco não ouviu.

“Connie, a última jogava foi muito arriscada, como sabia que seu companheiro iria estar lá?”

Petra passou o microfone para o loiro que segurou agradecendo.

“Bom,” sorriu e riu um pouco. “Eu sinceramente não fazia a  mínima ideia que Jean estaria lá. Todos esperam que o Armador conheça seu time e o time adversário, eu conheço meus amigos e confio cegamente neles, eu não sabia quem aparecia lá na última hora, mas sabia que alguém aparecia e confiei nisso, por sorte foi o Jean que é lançador, porque se fosse o Reiner nós teríamos perdido feio, ele é péssimo em arremessos.”

A fala arrancou risadas da entrevistadora e de quem assistia, Reiner passou por trás e deu um tapa na nuca do amigo. Connie virou o rosto e xingou o loiro.

“Bom Connie, sabemos que amanhã é dia dos namorados e vocês voltam para casa, tem alguém especial te esperando?”

A loira corou, visivelmente constrangida.

“Na verdade eu tenho sim hehehehe” o Armador coçou a nuca e corou. “Sasha!” o loiro pegou fez um coração com os dedos “Estou levando um enorme saco de batata pra você!”

— Own! Ele é tão atencioso! - Sasha colocou as mãos no peito e suspirou.

Todos na sala riram e Marco ouviu o micro-ondas apitar avisando o fim do cozimento.

O moreno se virou para o corredor quando ouvir a fala da entrevistadora ser cortada.

“Parece que estão ansioso para o 14 de Fevereiro e nossos jogadores não estão di-”

“Armin!!” Eren  apareceu do nada, empurrando Connie e segurando o microfone. “Ei! Eu sei que você está assistindo e eu sinto sua falta, te amo loiro eu vou voltar amanhã e me espera no aeroporto!”

Todos na riram e Armin corou, escondendo o rosto nas mãos. Marco tirava o amigo envergonhado e ria baixo, Ymir bagunçou os cabelos de Armin.

“Eu vou levar um present-”

“Marco!!” Jean empurrou o rosto do Ala e ocupou a TV.

Marco endireitou a postura já sabendo o que viria, Jean havia adquirido essa mania de usar qualquer meio de comunicação para se gabar do quanto ele era bom no basquete, sempre pontuando suas melhores jogadas para o melhor amigo.

“Marco! Eu sei que você está assistindo, e eu quero que saiba que nós nunca fomos amigos! Eu nunca te considerei um amigo, eu me apaixonei por você no momento que te vi chorando e com catarro no nariz, eu sei que roubei seu Voltron mas foi porque eu fiquei em pânico! Marco Fubas eu te amo, te amo desde que nos beijamos naquele celeiro, você quer namorar comi-Ai ai Treinador, isso dói.”

A cabeça do Lançador pendeu pro lado, com uma mão puxando sua orelha, Eren riu um pouco até ser puxado também, agora pela bochecha, a câmera seguiu ambos os jogadores que era puxado por Levi pra longe.

“Bom… é um dia de muitas revelações, nós voltaremos daqui a po-”

A jornalista sumiu da tv deixando a imagem preta. Marco desviou o olhar da tela para os amigos. Mikasa segurava o controle fitando-o, assim como todos.

O moreno não soube respirar, seus pulmões puxaram e expeliram ar automaticamente, ele não soube dizer quando deu um passo para trás e andou pelo corredor até a cozinha, nem soube responder ao chamado de Armin, não soube dizer como seu corpo apertou o botão do microondas que não parava de apitar. Entretanto, Marcos sentiu suas pernas dobrarem o levando ao chão, sentiu suas bochechas corarem tão forte a ponte de senti-las queimarem, seu coração bater tão rápido que parecia explodir a qualquer momento para fora do peito.

Ele ouviu Armin agachar ao seu lado perguntando se estava tudo bem, Marco sabia que assentiu em resposta, mas não soube dizer quando seus lábios se repuxaram e um sorriso largo nasceu, muito menos no alívio que se instalou em seu peito.

X

A primeira vez que Marco conheceu Jean foi aos sete anos em uma briga.

Algumas crianças mais velhas zombavam o moreno pelas sardas que pintavam seu rosto, era novo no primário Saint Rose e mal havia chegado e já queria ir embora, infelizmente foi encurralado ao caminhar para o refeitório, cinco garotos mais velhos o empurraram no muro e passaram a fazer chacotas e ofensas sobre seu rosto.

O pequeno garoto de sete anos juntou toda sua coragem que cabia em seu pequeno corpo, segurou seu Voltron fortemente e preparando a voz gaga para retrucar quando seu melhor amigo, que naquela época não passava de um garoto franzino e menor se pôs a frente com um pedaço de graveto em mãos.  Seus olhos brilharam e o choro esquecido quando Jean se virou e espantou os garotos grandes aos berros. Marco soube naquele instante que havia feito um novo amigo, nada mal para o primeiro dia.

Só que não.

Logo após o pequeno Jean o salvar dos valentões, Marco estava com os olhos brilhantes e preste a agradecer quando o mesmo graveto que foi usado para afastar as crianças foi apontado para seu pequeno rosto sarnento e um “Eu quero seu Voltron pra mim.” foi dito em alto e bom tom. As esperanças de ter feito um novo amiguinho caíram por terra assim como seu brinquedo novo.

Marco ficou cabisbaixo o dia todo, vendo Jean brincar com seu Voltron como se nada houvesse acontecido. O sinal do recreio bateu e o pequeno se levantou do murinho e bateu as mãozinhas nos suspensórios, limpou as lágrimas das bochechas, fungando sempre que via Jean com seu brinquedo e se divertindo com mais dois garotos. Seus pézinhos o levaram até a caixa de brinquedos usados que ficava a disposição das crianças, até mesmo nas aulas. Bolas muchas, bonecas descabeladas e bebês de plásticos com cabeça trocadas, sua escolha foi um power ranger verde quase inteiro e desbotado, faltando metade do corpo. Marco se virou com os brinquedos da caixas, usando os bebês como grande monstros e seu power ranger como o herói do dia, em alguns minutos ele estava rindo e esquecido de seu outro brinquedo. Ele nunca fora uma criança de se apegar muito as coisas então fora fácil se entreter com pedaços que havia na caixa.

Quando a brincadeira se elevou a um nível de destruição da cidade feita com blocos de montar e caixas vazias, seu Voltron apareceu magicamente ao lado de um prédio feito com giz de cera e uma caixa de papelão.

Jean estava parado ao do brinquedo, seus olhos fitavam a mini cidade com curiosidade.

— Você… quer brincar? - Marco esticou o power ranger e sorriu largo.

Jean acenou e esticou o Voltron, alegando que ainda era dele, mas que emprestaria a Marco. E não demorou muito para que os dois interagirem.

A amizade surgiu depois de algumas brincadeiras, mas Marco nunca teve seu Voltron devolvido. Ele via o brinquedo em cima da cabeceira do quarto se Jean sempre que visitava a casa do amigo. Anos depois o destino foi a estante junto com vários outros activo figure que Kirschtein passou a colecionar.

Voltando apenas a suas mãos quando fizera quinze anos e Jean disse que seu presente. Ele havia esquecido meu aniversário por causa dos treinos, eu não me importei, mas sabia que Jean achava uma afronta. Ele nunca esquece meu aniversário.

O antigo brinquedo, que estava bem conservado depois de todos esses anos agora repousava em sua estante ao lado do computador. E era  para ele que Marco encarava naquele momento. Eu não sei porque estou lembrando disso agora. O brinquedo foi responsável por ambos se conheceram, mas não pela palavras que Kirschtein soltou na TV na noite anterior. Ah sim, ele foi o responsável pelo beijo.

Depois da festa de aniversário, Marco não perdeu a oportunidade de brincar com o melhor amigo. Jean ficou envergonhado por ter esquecido, foi engraçado. Ambos passaram o resto da noite entre bebidas e risadas no celeiro da fazenda. Minha avó insistiu que fosse na fazenda da família e eu não neguei, era grande e espaçoso e poderia levar meus amigos.

Ambos se instalaram no segundo andar do celeiro, onde compartilharam latinhas de refrigerante com vinho dentro. Nós estávamos rindo de algo quando Jean disse alguma coisa sobre estar sendo observado. Eu me virei pra ver o Voltron atrás da gente e quando me virei pra frente… Marco ainda tinha a latinha de refrigerante nas mãos, mas o conteúdo era vinho, assim seus pais não faziam perguntas. O moreno se lembra de não ter mais o gelado do metal em seus lábios, para logo ter algo quente tocando-os. Jean se inclinou e fechou os olhos, já o moreno levou alguns segundos até a imagem de seu melhor amigo inclinado em si sumir e só sentir o beijo com gosto de  vinho reinar. A latinha saiu de sua mão de algum jeito indo tocar os fios claros do amigo, Jean tocou seu braço com os dedos estavam gelados, o beijo começou contido, contudo  no primeiro segundo que som do gemido entrou pelo ouvidos, ambos avançaram no ato. Marco sentiu a língua buscar a sua e seu corpo não fez mais nada além de conseguir contato com o corpo a frente.

O moreno se lembra claramente da sensação do beijo daquela noite, mesmo que o álcool estivesse alto em seu sangue.

Depois do primeiro, não demorou para que um segundo acontecesse, e um terceiro logo depois, um quarto, quinto…

Foram tantos toques trocados depois do primeiro que Marco não sabia mais se eram amigos, ou se havia uma amizade colorida entre eles. Jean parou de sair com garotas e de dar em cima de Christa. Apesar que esse último detalhe fosse mais para provocar Ymir.

O assunto sexo ocorreu meses depois daquela noite, nós fizemos quase tudo, mas era muito difícil de segurarmos a cada vez, foi tão natural, como se estivesse fadado a acontecer. Nos formamos e Jean queria jogar basquete profissionalmente, eu consegui uma bolsa em fisioterapia em Fukuyama e Jean foi para Tokyo jogar. Nós nunca conversamos sobre o relacionamento que tínhamos, isso se era um relacionamento. O moreno fitou o teto e tapou o rosto com o travesseiro da cama onde estava deitado, sentindo as bochechas corar. Nunca cortamos o contato, sempre dávamos um jeito de nos ver, seja online ou em um fim de semana onde poderíamos viajar para Gifu. Em uma das conversas online o assunto de ambos surgiu após Jean contar que uma garota havia se confessado. Eu não sabia o que sentir, um lado meu ficou feliz por ele, mas o outro… O clima ficou pesado e Jean não voltou a tocar no assunto tentando desconversar. Tudo voltou ao normal e garotas e confissões e nosso relacionamento não foi mais discutido. Eu sabia como me sentia em relação a Jean, mas não queria ver.

Marco suspirou e tirou o travesseiro do rosto ao sentir o celular vibrar ao lado.

“Meu voo foi adiado ¯\_(ツ)_/¯, chego em três horas.”

O lábios riram e Marco se levantou olhando pela janela do quarto.

Ele estava decidido.

X

— Será que eles vão demorar a sair? - Sasha segurava uma placa com o nome do namorado com uma mão, enquanto a outra estava entre seus lábios, devorando as unhas.

— Calma Sasha, o avião acabou de pousar. - Armin sorriu e tocou o ombro da amiga, tentando acalma-la, sua própria ansiedade era  palpável.

O estudante de fisioterapia suspirou e continuou a fitar o local de desembarque. Após a mensagem de Jean, Marco avisou os amigos para se encontraram no aeroporto.

Mikasa estava ao lado quieta, seu cachecol está arrumado a cada minuto. Sasha não parava quieta e Armin não tirava o sorriso do rosto. Annie era a mais controlada, a loira estava de braço cruzados e sua típica expressão indiferente. Ymir e Christa não puderam vir, Ymir não queria deixar Reiner perto da loira.

É normal a ansiedade, eles estão longes já faz seis meses…

O porto de desembarque se abriu e Marco prendeu a respiração, pessoas começaram a sair empunhando malas e travesseiro, homens e mulheres recebiam seus parentes, amantes e filhos, rostos tão diferentes em meio a multidão.

— Connie!! - Sasha foi a primeira a disparar, largando a placa com Armin. A morena correu e pulou nos braços do namorado que segurava um enorme saco de batata frita, levando ambos ao chão.

— Armin! Mikasa!

O loiro que até então ria pela cena dos amigos virou rapidamente o rosto.

O Ala se destacava dos demais por estar acenando com o braço esticado.

— Eren… - Armin suspirou e precisou tirar os óculos para secar as lágrimas que começaram a cair.

Mikasa deu o primeiro passo, puxando o amigo pela mão. Eren recebeu a irmã com um sorriso e um abraço  apertado que demorou alguns minutos merecidos. Armin ficou parado logo atrás e quando os irmãos de soltaram, Marco pode ver Armin secar as lágrimas e arrumar os óculos antes de abrir os braços e receber Eren. O Ala largou as malas e puxou Armin, circulando sua cintura e girando o garoto no ar.

— Eu senti tanto sua falta!

Marco sorriu pela cena ao ouvir Armin rir e apertar Eren nos braços.

Reiner e Bertholdt aparecem logo atrás, Annie parou de bater o pé ao ver os melhores amigos.

A loira, ao contrário dos amigos não saiu do lugar, seus braços se descruzaram e os gigantes se aproximaram.

— Olá Marco! - Berth sorriu ao vê-lo.

— Oi Berth, Reiner. - o moreno sorriu de volta e acenou para o loiro com a cabeça.

— Jean se enrolou com a mala, ele saiu por último.

— Ohh! - O estudante de  fisio escondeu rosto dentro do cachecol, aquele 14 de  Fevereiro amanheceu frio, então o moreno optou por um casaco branco e vermelho esportivo, luvas, calças de moletom e um cachecol preto. — Obrigado.

Marco se afastou para dar privacidade aos três. Seus pés o levou mais a frente, cumprimentando Eren e Connie no caminho. As mãos suavam por baixo das luvas e o moreno as tinha atrás da costas.

As pessoas foram se dissipando e Marco pode ver Jean ao fundo do corredor do desembarque. O castanho tinha os fones pendurado na nuca e balançava a cabeça no ritmo de alguma música.

Marco suspirou e trouxe os braço pra frente, verificando se a placa estava certa.

O lançador olhava para os lados e não pareceu notar o melhor amigo de primeira. Seus olhos estavam fechados aproveitando a música e no segundo que se abriram, Jean travou no lugar. As mãos se elevaram e tiraram os fones dos ouvidos.

Marco sabia que haveria aquela reação, ele conhecia seu melhor amigo bem demais. Jean sempre foi assim, eu sempre precisei tomar a iniciativa, não que seja um problema agora. As mãos mexeram a placa para ter a atenção do castanho.

Jean Kirschtein,

Quando os olhos de Jean desceram, Marco girou as placas entre os dedos, mostrando a parte de trás que havia também algo escrito.

meu namorado.

Marco olhou o rosto do melhor amigo e riu de sua reação, Jean levantava e abaixava olhar, do rosto do moreno até a placa, não acreditando no que lia, a boca se abriu e logo um sorriso apareceu.

Kirschtein largou as malas no chão e se  aproximou com passos rápidos.

— Bem-vindo Je-

Um beijo cortou sua fala, braços circularam seu pescoço e sua placa caiu no chão. Retribuir o abraço não foi difícil, agarrando as roupas do namorado. Namorado. Marco sorriu entre o beijo e finalmente correspondeu ao ato.  

Ambos não se importaram com as pessoa envolta, nem com os celulares gravando Jean Kirschtein, o astro do basquete beijando seu namorado no meio do aeroporto depois de um pedido ao vivo na véspera do dia dos namorados. Meu namorado, que clichê.

 


Notas Finais


Então, o que acharam? ;3


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