História Friends || Louis Tomlinson (revisão) - Capítulo 168


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Categorias One Direction
Personagens Louis Tomlinson
Tags Amizade, Amor, Ciume, Clichê, Comedia, Concluída, Drama, Drogas, Ficção Adolescente, Longfic, Louis Tomlinson, One Direction, Romance, Terminada
Visualizações 44
Palavras 3.844
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 168 - Volta


Fanfic / Fanfiction Friends || Louis Tomlinson (revisão) - Capítulo 168 - Volta

TAYLOR

Eu demorara um tempo para perceber que estava livre de qualquer coisa, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Era o que eu acreditava, na verdade. Eu não estava presa no vício em drogas. Eu não estava presa (entre aspas) na Orence. Eu não estava presa em sentimentos de inferioridade. E aquilo era como voar e sentir a luz do sol jorrar em suas costas.

Sensação de liberdade total.

Quando pus os meus pés fora da Orence, senti vontade de correr para que o vento batesse em meu rosto. No entanto, eles (mamãe, Jane e Arthur) se assustariam caso eu fizesse aquilo, porque achariam que eu estaria fugindo de novo.

Assim, resolvi não arriscar.

Mas aquilo também não importou, afinal de contas, era um dos dias mais felizes da minha vida. Eu havia passado cinco meses dentro de uma clínica para viciados, e achara que não conseguiria. Eu pensara em fugir dali várias e várias vezes. Eu pensara em me matar. Mas nada daquilo aconteceu e, sem que eu percebesse, me vi dando uma chance para mim mesma. Segui as recomendações de todos e lá estava eu, sorrindo até mesmo para os postes das ruas, junto com a minha família e amigos. Ver o olhar de todos sobre você, com um ar de orgulho era a coisa mais linda e maravilhosa de todas.

Mamãe, principalmente, estava quase chorando de emoção – assim como eu. Eu estava orgulhosa de mim. Orgulhosa mesmo. Eu me sentia merecedora da vida. Eles também estavam muito satisfeitos, e aquilo era tudo o que eu queria e precisava. Eu havia feito tudo do jeito errado, com a colaboração de uma pessoa em específico – a qual eu preferia não comentar – e eles eram dignos do meu melhor. Eles mereciam toda a minha vida. Estavam ali porque acreditaram que eu iria suportar todas as coisas, e eu os amava.

Quando cheguei em casa, vi um monte de balões em forma de corações pregados na escada, nas mesas e nas cadeiras. Fiquei surpresa e lisonjeada. Também vi pessoas que eu não imaginaria que estariam lá. Uma loira que mais parecia uma modelo da Victoria’s Secret (e me era bem familiar) e uma garota da minha estatura, morena e que me lembrava Jack, de alguma maneira.

— Seja bem-vinda, meu bem! — alguém exclamou, alegre. Era Claire, que estava próxima de um bolo de chocolate, mas que logo voou para cima de mim, literalmente, com todo aquele cheiro de flores que eu tanto sentira falta, suas saias grandes e estampadas e os cabelos ondulados e curtos. Naiara, vestida como se fosse sair para jantar, com um vestido rodado de cor verde que ficava acima de seus joelhos – elegante e simples —, estava logo atrás dela e sorria como nunca. — Que saudades!...

— Que surpresa! — exclamei, sem conseguir imaginar outra coisa para falar.

— Todos nós não pudemos comemorar o seu aniversário da forma como havíamos planejado, minha flor — mamãe explicou, pondo as mãos sobre o meu ombro —, e então acoplamos tudo, entende? Feliz aniversário de novo, e seja bem-vinda.

— Nossa...

— Estamos muito contentes que tenha voltado, Taylor — disse Naiara, vindo até mim e me dando um abraço apertado. — Você fez falta para todos nós.

Sorri para ela e corei, envergonhada com a recepção.

— A casa dos Hampton não é a casa dos Hampton sem você, querida — disse Claire, me dando um montão de beijos na bochecha.

— Ela também não é a mesma sem você — eu disse, sem conseguir parar de sorrir. — Senti a sua falta, Flor do Dia. — E ela quase chorou ali mesmo, emocionada. — Ah!, vocês fizeram um bolo para mim...

— Eu não parava de pensar nesse bolo, porque está bonito... — ouvi Jack comentar, se aproximando do bolo e recebendo um leve chute na perna (um chute de Jane Collin, é claro). — Mas ele é de Taylor, é claro, e eu só vou provar caso ela deixe.

— Pode comer o quanto quiser — eu disse, muito sincera. Jane se aproximou daquelas duas garotas rapidamente e as empurrou com o quadril, porque os seus braços estavam ocupados. — Hã, olá...

— Eu não via a hora de apresentar Taylor a vocês — disse Jane, excitada e com uma Elisa risonha no colo. — Taylor, esta é Julia Mayson — ela apontou com a cabeça para a garota morena, que parecia tão simpática quanto a loira familiar —, ela é a irmã de Jack, sabe? — Fiz cara de quem havia entendido e permaneci de olho nas duas, ignorando o fato de Claire estar agredindo Jack por causa das suas beliscadas no meu bolo de chocolate. — E esta é Wandy Evans, a nossa amiga. Ela é... bom, ela é a ex-namorada de Jack. Provavelmente você se lembra dela, certo? — Jane pigarreou, mas não pareceu incomodada. Fiz cara de quem havia entendido novamente e fiquei balançando a cabeça para frente e para trás, surpresa demais para falar alguma coisa.

— Olá, Taylor — a garota loira e chamada Wandy falou, e então me abraçou, me deixando mais surpresa e sem jeito. As pessoas que não me conheciam geralmente não agiam daquela forma comigo, porque era algo mais parecido com o desprezo ou com o ignorar de algo que pode ou não ser útil na Terra. Era só um dar de ombros para Taylor Hampton, sem ligar em respondê-la ou lhe dar atenção. Eu até já havia me acostumado com aquilo, aliás, passando a dar de ombros também. — Ah, eu estava tão ansiosa para conhecê-la melhor. A situação com Jack... aquela situação com Jack, lembra? — ela cochichou esta última parte —, não me deu uma visão muito boa de você, mas eu a entendo. Agora é diferente. Jan e Lou falaram tanto de você, que eu simplesmente já me sinto como se nos conhecessemos há mais tempo. O que vocês passaram me deixou indignada, Taylor, aquela garota é mesmo uma vagabunda!... Eu não sabia que algo como aquilo ainda acontecia em um mundo moderno como esse e...

— Wandy, cale a boca — pediu Julia, envergonhada com a tagarelisse de sua amiga. — Caramba, você não pode esperar um momento?

— Ah, desculpe — Wandy corou e eu sorri, mais sem graça ainda —, é que eu estou revoltada, você me entende? Eu fico triste por você...

— Como assim “triste”? — perguntei, instantaneamente.

— Vamos mesmo falar disso agora? — Jane quebrou o clima estranho que se prostou ali e todos logo mudaram de assunto, me fazendo várias perguntas sobre a Orence. Logo esqueci do acontecimento e me deixei ser levada pela emoção de estar de volta para a minha casa, aonde eu vivera momentos incriveis ao lado de pessoas que eu amava, mesmo que não fosse o meu primeiro lar. Era a minha casa, para onde eu sempre voltava depois de frustrações ou alegrias. Eu estava de volta e pronta para voltar a traçar uma nova história, com os mesmos personagens, com as mesmas emoções..., mas com objetivos diferentes para um futuro.

O meu futuro.

[…]

Nos dois dias e meio que fiquei em casa me acostumando novamente com a nova vida que eu tinha sem as drogas, fiquei ocupada o bastante pensando em coisas que Samille e os meus outros amigos da Orence haviam me sugerido para voltar a ativa. Peguei o meu celular no quarto de mamãe e me atualizei nas minhas redes sociais e nas notícias sobre Greenwich, Londres e o resto do mundo. Tudo parecia estranhamente bem em alguns lugares. Havia algo de errado em um lado, que me fazia balançar a cabeça negativamente e fazer um bico; mas havia algo de certo em outro lado, que me fazia balançar a cabeça positivamente, aliviada por ver que ainda existiam pessoas boas do outro lado do mundo. Também fiz modificações em meu quarto com a ajuda de Naiara e Tiago. Empurrei a cama para um lado. Puxamos o guarda-roupas para outro lado. Tirei a poeira de um canto ali e acolá. Pus mais adesivos de corações aonde não se devia. Joguei algumas roupas foras e organizei as que continuaram comigo em minha longa jornada.

Mais tempo e eu continuava tão agitada como antes, sem conseguir ficar parada em um sofá ouvindo o som da televisão. Logo, resolvi me mexer mais. Interagi com as amigas de mamãe, que eram tão alegres quanto ela por causa do casamento. Fiz comentários sobre o seu vestido de noiva. Fiz comentários sobre as suas histórias do Chá de Langerie. Fiz comentários sobre o local da festa. Fiz comentários sobre os seus convidados. E me frustrei por ter perdido toda a diversão de arrumar a situação junto com mamãe. Mas busquei não pensar no motivo de aquilo ter acontecido, e vi que já não tinha nada para fazer de novo.

De novo.

Tudo em um dia só.

E aquilo parecia não passar.

Estava tudo devagar naquela parte do bairro...

Ou era eu estava que rápida demais nos pensamentos?

Me voltei para o sofá novamente, ouvindo risos e mais risos das mulheres na cozinha. Era quinta-feira à noite e eu estava jogada no sofá mais uma vez. Conversava com Jane por mensagens instantâneas, mesmo que ela demorasse quase dez minutos para mandar uma resposta de volta. Eu não a culpava, é claro, e entendia perfeitamente. Assim, resolvi fazer limpezas no meu celular enquanto esperava a sua resposta sobre o que eu poderia vestir no dia do casamento de mamãe. Entrei na minha galeria e dei uma olhada nas últimas fotos que eu tirara no celular, entre o mês de março e o mês de abril do ano passado.

O meu coração se encheu de algo que doera no começo, assim que cliquei na última das fotos. Fora o dia em que papai levara Tiago e eu para o passeio de barco; o dia em que ele havia nos dado um adeus. Os meus olhos logo se encheram de lágrimas e eu senti falta dele de novo. O seu sorriso brilhava na foto. Os seus olhos brilhavam acompanhados de rugas devido a idade. Até mesmo o peixe que estava nas mãos dele e na de Tiago parecia contente com o momento.

Parecia há tanto tempo, mas era somente há alguns meses atrás. Eu achava que todo final de semana poderia revê-lo, pensando que as coisas ficariam em seu devido lugar. E eu sequer imaginava algo como a sua perda.

Rapidamente busquei me acalmar devido a tristeza que começava a me possuir e tentei usar os conselhos de Samille em relação àqueles momentos.

O que você está sentindo, Taylor?

Era saudades.

Saudades de papai.

“Pense na felicidade e na paz que ele sentiu quando foram vê-lo. Pense no que bem maior dentro de você” a voz de Samille sussurrava dentro da minha cabeça, muito singela. “Lembre do amor que ele compartilhou com vocês dois. Você continua a mesma pessoa, querida, só que de um jeito bem melhor. Não se preocupe, viu?, chorar não está errado” os seus olhos se fixavam nos meus, que já estavam molhados e vermelhos “e isto mostra o quão vivo ele está. O seu pai está vivo dentro de você, Taylor. O seu sorriso é o sorriso dele, as suas lágrimas são as lágrimas dele, todo o amor que você sente pela sua família e pelos seus amigos está entrelaçado com o amor que ele sente por você, entenda isso. Ele esteve ao seu lado e sempre vai estar.”

— Espero que também esteja orgulhoso de mim — sussurrei, mais calma, e então suspirei. Limpei as minhas lágrimas e me vi sorrindo para o celular. Decidi que iria imprimir todas aquelas fotos e que as colocaria da parede do meu quarto. Eram várias, aliás. Havia papai com Tiago e os peixes. Papai com Tiago e as varas de pesca. Eu e ele, abraçados. Haviam os peixes, que realmente pareciam sorrir – eu não estava brincando, não. Havia até mesmo uma foto que eu não sabia que haviam tirado de mim – provavelmente Tiago havia feito aquilo. Eu estava de costas para a câmera e olhava para o horizonte sobre o lago cheio de peixes. Os raios solares batiam na lente da câmera e deixavam a foto mais viva ainda. Alguns fios do meu cabelo voavam e, um pouquinho mais na frente, um peixe havia sido capturado, no momento em que pulara da água. Era uma linda fotografia e eu fiz questão de colocá-la em minhas redes sociais.

[…]

No dia seguinte, acordei pensando naquelas fotos. Pela manhã, depois de tomar o café matinal com mamãe, Tiago e Naiara, fui até uma lan house próxima para imprimir as fotos. Eu estava saltitante como uma gazela, mas infelizmente estava frio e com neblina, portanto não consegui passar tanto tempo lá fora. Fiz o que eu tinha que fazer, paguei o homem que imprimiu as fotos para mim e fui até uma loja de movéis para casa. Escolhi cinco molduras diferentes e levei só três – porque a mesada não era muita coisa para as outras ideias que eu tinha em mente.

E resolvi ir mais adiante.

Passei em uma floricultura e comprei uma coroa de flores. Peguei um taxi e fui parar no Greenwich Cemetery. Encontrei o túmulo de papai e passei quase uma hora lá, conversando com ele, lembrando dele e pensando nele. Não era mais um sentimento de perda. Agora eu sabia que ele estava lá comigo e que estava feliz.

Não fiquei triste.

Quando voltei para casa, era quase uma hora da tarde. Para o meu espanto, dei de cara com uma recepção de pessoas. Havia a minha mãe com as suas amigas e algumas madrinhas, juntamente com o meu irmão e os seus amigos, assim como Jane e a sua turma. Ao longe, vi Arthur falando no celular. E fiquei olhando para aquilo, sem saber o que falar ou o que pensar. Minha testa se enrugou quando percebi que mamãe estava, na verdade, aflita. Os seus olhos estavam vermelhos e ela parecia que iria chorar a qualquer momento. Todos ficaram calados me observando e mandando olhares para as sacolas em minhas mãos.

— Taylor — a voz de Jane soo ao longe, e então ela se aproximou de mim —, está tudo bem? — E ela também parecia preocupada.

— Está tudo ótimo — eu respondi, óbvia. — Por que estão com essas caras? — perguntei, olhando para os outros na sala de estar. — Mamãe?

Ela não falou nada e, como se não fosse mais capaz de se segurar, caiu no choro. Arthur se aproximou dela já sem falar ao telefone, me mandou um olhar de compreensão e a levou para a cozinha. Mantive um ponto de interrogação no rosto e as pessoas ali baixaram as suas cabeças, como se estivessem envergonhadas.

— Viram? — falou Jack, segurando Elisa. — Eu disse que não havia nada de errado.

— Como assim não havia nada de errado? — eu quis saber, já impaciente e incomodada. Olhei para Jane e vi os seus olhos tristes. Aos poucos, fui entendendo toda a situação. Fiquei ofendida e decepcionada.

— Você não atendia aos telefonemas e...

— Isto aqui são só molduras e fotos — eu falei, muito séria. — Eu estou perfeitamente bem. Não vou mais poder sair de casa agora?

— A sua mãe disse que você avisou que voltaria logo — continuou Jane, e estava mais corada do que todo o mundo ali —, e você não atendeu a nenhum de nós. Eu...

— Se não atendi, foi porque eu não vi — a interrompi, sincera. — Caramba, eu estive ocupada, mas não andei fazendo nada de mais.

Ninguém falou mais nada e eu saí dali, rapidamente.

Eu não esperava por aquilo. Não esperava que as pessoas voltassem a achar que eu poderia sair para me drogar mais uma vez. Eu sequer pensara na possibilidade. Tudo fora pensando em papai e nas fotos que tínhamos juntos. Logo, resolvi ignorar todos lá embaixo e pus as coisas que eu comprara sobre a cama, junto com as fotografias.

O meu mural de fotos estava quase vazio. Havia fotos minhas quando pequena ao lado do meu irmão. Havia fotos da minha mãe nos seus dezessete anos. Realmente estava quase vazio, e eu havia imprimido várias fotos para o meu mural justamente para enchê-lo de coisas boas. Logo, peguei a minha caixinha de alfinetes e comecei a grudar as fotos do dia da pesca. Ouvi alguém abrir a porta do meu quarto, mas apenas continuei com o meu trabalho.

— Taylor... — E era Jane. — Podemos conversar sobre aquilo?

— Eu já os entendo — eu disse, sem olhar para ela —, mas isso não me impede de ficar triste e irritada.

— Sinto muito — murmurou Jane, sincera —, mas ficamos preocupados com você.

— Eu acabei de voltar de uma clínica de reabilitação! — exclamei, e então olhei para ela —, como ainda podem pensar que eu poderia voltar a fazer a mesma coisa que me levou até lá?

— Desculpe, só que é mais difícil do que parece — disse ela, culpada e encolhida. — A sua mãe tem medo, Taylor. Eu ainda tenho medo... 

Tirei os olhos dela e fitei as fotos no meu mural.

— Eu também — murmurei, evitando pensar nos dias em que me vi presa naquilo. Logo, para ajudar a deixá-los de lado, voltei ao meu trabalho e continuei pregando as fotos. No meio delas, contudo, vi alguém que ainda não havia visto desde que eu voltara da Orence. Eu também havia imprimido fotos dele. Uma era de nós dois e outra era somente ele, deitado no gramado do Greenwich Park enquanto sorria de algo no celular. Peguei aquelas duas fotos e continuei as observando. — Vocês falaram algo para ele? 

Ela se aproximou e olhou as fotos.

— Não, eu pedi para que não dissessem nada.

— Ótimo, porque seria péssimo para nós dois.

— Desculpe por isso — disse ela, novamente. — Jack ainda tentou dizer alguma coisa, mas não demos ouvidos. Ele e Louis andam mais próximos, entende?

— Louis... — Tirei os olhos das fotos e olhei para Jane. — Você não me contou nada sobre ele nos meses que se passaram. Ele está bem?

— Hã... — Ela pareceu indecisa. — Sabe, eu não acho justo que eu seja a responsável por contar o que aconteceu a cada um de vocês. São vocês os responsáveis por isso. Eu não sou a melhor pessoa.

— Mas...

— Por favor, Taylor, não insista — ela implorou, juntando as duas mãos na frente do peito. E é claro que eu não entendi nada daquilo.

— Ele está bem, não está?

— Tudo o que eu posso falar é que ele não perdeu nem uma parte do corpo — ela falou, se afastando de mim e dando uma olhada no meu mural. — As coisas estão em seu devido lugar, você vai ver.

— É só que... — A nossa última conversa encheu a minha cabeça, juntamente com a visão dos dois juntos. Ele e Marly. — Eu estou receosa e em dúvida.

Jane olhou para mim, confusa.

— Como assim? — perguntou ela, nervosa. Coloquei as fotos sobre a cama e resolvi não colocá-las no mural. Eu não sabia o que seria de nós dois, portanto não poderia criar expectativas. — Você não vai falar com ele?

— Eu quero — respondi, convicta —, mas o meu maior objetivo é pedir desculpas. Eu não sei como ele vai reagir e tenho medo de saber o que ele ainda sente. E se ele não me perdoar pelo que eu fiz? Há esta possibilidade, certo? E eu não pensei direito no que fazer caso ele não me perdoe. Não vou viver direito com isso, estou falando sério.

— Taylor — Jane pôs uma das mãos no rosto, frustrada com aquela minha confissão —, você não precisa ter medo de nada, entendeu?

— Preciso, sim — revidei, triste. — Eu sei o que eu fiz a ele, e lembro muito bem das coisas que ele me disse quando conversamos pela última vez. Lembro das respostas que ele pôs no questionário de Samille. Eu pensei até na possibilidade de não termos mais nada, se quer saber. Ele vai fazer faculdade, eu vou voltar a estudar em outra escola, vamos ter mais responsabilidades e sequer vamos conseguir nos ver direito. — Suspirei e peguei as fotos em que havia Jane. — Talvez eu não seja a pessoa certa para ele, é isso.

— Você está sendo muito artificial — ela falou, meio desesperada, então puxou o meu braço e me fez encará-la. — Não consigo acreditar que tenha dito isso.

— Eu não estou sendo artificial, estou sendo compreensiva.

— E isso foi tão fácil assim?

— Não! — exclamei, lembrando das noites em que eu passara lamentando e chorando no quarto da clínica. — Muito pelo contrário. Você não quis me dizer o que ele passou nos dias em que fiquei na Orence, e eu não sabia o que pensar, tinha apenas as memórias de nós dois brigando debaixo de toda aquela chuva.

— Mas isso não significa que ele tenha esquecido de você, Taylor — disse Jane, rápida. — Olhe — ela interrompeu o que eu iria falar, ansiosa —, não pense em mais nada disso até o dia em que tiver a certeza do que ele resolveu fazer, entendeu? 

— E qual vai ser a diferença?

— A diferença é que você não vai estragar isso de novo — respondeu ela, irritada. — Eu estive presente na maior parte do relacionamento entre vocês dois e eu sei o que sentem um pelo outro. Vi quando tudo foi saindo dos trilhos e também quando começou a voltar ao normal. Não posso deixar que isso acabe assim, entendeu? Você não pode deixar que isso acabe assim, Taylor. Não faz sentido duas pessoas se deixarem mesmo se amando.

— Mas eu não acho que ele ainda me ame.

— Você não sabe disso.

— Eu sei, sim.

— Não sabe! — E ela parecia prestes a explodir, como se fosse contar alguma coisa que eu não sabia. — Espere um pouco mais e não pense nisso agora.

— Mas...

— Espere um pouco mais e não pense nisso agora — repetiu Jane, séria —, por favor.

Fiquei quieta, olhando para ela e pensando na sua reação. O que ela e Louis haviam conversado enquanto eu estive fora? O quê?...

— Tudo bem — resolvi dizer, voltando ao meu trabalho —, eu não vou pensar em mais nada.

— Ótimo — disse ela, aliviada. — Ótimo...

Mudei logo de assunto perguntando sobre Anny Collin, a sua mãe, e como as coisas andavam entre elas. Eu também ficara admirada com a mudança brusca de situação entre as duas. Eu não lembrava do dia em que Jane havia falado bem de Anny. Muito pelo contrário, porque eram apenas mágoas, mágoas e mágoas... Contudo, naquele momento, fora diferente. Muito diferente. As duas haviam voltado a se relacionar e Jane parecia bastante bem com aquilo – até aliviada, como se tivesse esperado pelo perdão há muito tempo.

E aquele assunto continuou até olharmos para o mural, quase completo. Estava cheio de fotos nossas. Havia Jane, havia mamãe, havia Tiago, havia até mesmo Neil, Claire também, o meu pai... Mas faltava alguém e eu não impedi Jane quando esta colocou as fotos de Louis ali. As fotos que eu havia imprimido dele e de nós dois.

Fiquei olhando aquilo.

Estava errado?

Talvez.

Não.

Não, não estava errado.

Ele fazia parte da minha vida.

Ele era a minha vida.


Notas Finais


Eeee ❤❤❤ brigada pelo incetivo de vocês, meus amores. Vocês não imaginam o quanto me deixam feliz ❣


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