História Friends || Louis Tomlinson - Capítulo 169


Escrita por:

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Categorias One Direction
Personagens Louis Tomlinson
Tags Amizade, Amor, Ciume, Comedia, Drama, Drogas, Ficção Adolescente, Longfic, Louis Tomlinson, One Direction, Romance
Visualizações 29
Palavras 5.250
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 169 - 169 - Ele


Fanfic / Fanfiction Friends || Louis Tomlinson - Capítulo 169 - 169 - Ele

Era o grande dia.

Já deveria ter acontecido há dois meses atrás, na verdade, mas mamãe não queria casar enquanto eu estivesse na Orence.

Ela fez questão de adiar tudo.

E era quase a hora.

Pela manhã acordei com alguém me sacudindo. Resmunguei alguma coisa, que esqueci segundos depois, e continuei com os olhos fechados.

— Taylor, você está morta, é isso? — Fiquei muito atordoada com aquela voz e achei que, durante o meu sonho, eu tivesse voltado no tempo, pois aquela era a voz de Claire e, geralmente, acontecia quando ela ainda trabalhava para mamãe. O problema era que ela não trabalhava mais para a minha mãe, portanto... — Se não me responder, vou sair gritando por aí!

— Credo, é claro que eu não estou morta — eu disse finalmente, e então olhei para ela. — Mas o que diabos você está fazendo aqui?

— Ora, hoje é o grande dia, esqueceu? — ela berrou, perplexa. — Sua mãe está lá no quarto e quer saber se você não quer ir a uma sessão de massagens junto com ela.

— Sessão de massagens? — Meus olhos brilharam e eu me vi manhosa naquela linda manhã. Sessão de massagens... Ora, ora, que sonho era aquele? — Isso é coisa de gente chique.

— Nós somos gente chique, bobinha. — Ela apertou a minha bochecha e tirou o cobertor de cima de mim. — Agora, levante e vá se arrumar.

Quando fiz o que eu tinha que fazer dentro do banheiro, vesti uma roupa confortável e desci a escada, empolgada.

Encontrei mamãe na sala conversando com suas madrinhas e amigas, que provavelmente haviam chegado ali de madrugada. Elas resolviam tudo para ela, aliás, para que tudo saísse perfeito e organizado.

— Bom dia! — exclamei, sorrindo.

— Bom dia, querida — mamãe me cumprimentou depois que todas me responderam. — Está pronta?

— Estou, é claro. — Quem não estaria pronta para espairecer em uma sala de massagem? — Parece até que você não dormiu hoje, hein...

— Cacetada...

— Eu lhe aconselhei várias e várias vezes — Anna, que era a segunda mais conhecida por mim ali (Diana estava em primeiro lugar), disse, dando um tapa na própria testa. — Ela não conseguiu relaxar.

— Fiquem calmas, garotas — Diana disse enquanto segurava uma xícara de chá. — Vai dar tudo certo.

— Como diabos você queria que eu relaxasse?! — mamãe perguntou, e então todas começaram a falar ao mesmo tempo.

Mamãe xingava mais do que eu já havia visto alguma vez na vida. Ela estava nervosa e dava para perceber de longe. Realmente precisava de uma massagem.

— Tânia, é melhor você ir logo — Claire recomendou enquanto cerrava as próprias unhas, totalmente despreocupada. — Se você não estiver mais calma quando voltar, vamos precisar adiar o casamento.

— Adiar? De novo? — Mamãe se assustou. — Deus me livre. — Então ela pegou a minha mão, as chaves do carro e lá fomos nós.

Enquanto íamos no carro ao som de Bastille como música de fundo, pensei no que eu queria conversar com ela sobre convidar duas pessoas que eram mais do que importantes para mim.

— Mamãe? — comecei e dei uma olhada para ela. — Você...

— O que foi? — perguntou ela com a boca cheia de chocolate. — Não diga isso para elas, está bem? — Ela deu uma olhada para o chocolate. — É o nosso segredo.

— Pode ficar traquila — eu disse, rindo. — Mas quero pedir uma coisa a você.

— Pedir o quê? — quis saber ela, distraída com o trânsito.

— Lembra daqueles dois amigos que lhe apresentei na Orence? — eu disse, meio receosa. Eu não sabia direito se ela havia gostado dos dois.

— A garota hippie e o garoto com uma pinta na bochecha? — Ela me olhou com um ponto de interrogação na testa.

— Exatamente.

— O que tem eles?

— Eu gostaria mesmo que eles fossem para o casamento — expliquei, me encolhendo no banco. — Quero que eles estejam comigo, sabe?, assim como Jane e os outros.

Ela ficou em silêncio, mas não pareceu tão incomodada. Apenas pensava em alguma coisa.

— Bom, querida — mamãe suspirou —, você também deveria ter dito isso para as meninas. Elas é que estão tomando conta disso para mim.

— É que a sua permissão é mais importante — eu disse, mais calma com a calma dela. — Tenho que saber o que você acha.

— Por mim, tudo bem — mamãe deu de ombros e balançou a cabeça no mesmo ritmo da música. — Vou ter a oportunidade de conhecê-los melhor.

— Você vai gostar deles. — Eu sorri, aliviada.

Eles eram ótimas pessoas. Helena não dava uma boa impressão na primeira olhada por conta do seu estilo, mas ela era um anjo e dava mais do que recebia. Mamãe iria perceber isso ao longo da noite. A sinceridade de Helena também assustava, mas aquilo era só questão de costume. Jane, às vezes, passava dos limites como qualquer um, e mamãe gostava dela tanto quanto gostava de mim, portanto não era um problema.

Samuel era lindo e mamãe havia dado uma boa olhada nele quando os dois haviam se conhecido. Ela sequer imaginava que ele gostava da mesma fruta que ela, e eu me divertia com aquilo. Ele era o tipo de homem para quem você poderia contar coisas que geralmente só as mulheres sabiam, e eu tinha certeza que mamãe iria adorá-lo, tanto quanto eu o adorava.

[...]

As horas se passaram rápido. As massagens também, que me ajudaram tanto que eu quase flutuei como uma nuvem. Meus músculos se aliviaram total e plenamente. Mamãe também pareceu ficar mais calma e já conversava direito com as moças da massagem – pois ela fora rude e desnecessária.

Ela teve aquele dia que toda mulher precisava e merecia, com direito a sessões de limpeza de pele e disso e daquilo, unhas feitas, pernas feitas, outras coisas a mais, muitas coisas a mais.

Todas nós comemos algo saudável inspecionado por Claire, Diana, Naiara, Anna, Denia, Susan e Lauren, as mulheres mais agitadas que eu já vira na vida. Na verdade, sendo mais precisa, a única pessoa mais sã e controlada ali era a Sra. Tomlinson.

E aquele dia passara tão rápido que eu já me via dentro do quarto de minha mãe, a vendo dentro daquele seu vestido enorme, todo rendado e com mangas longas.

Provavelmente ela era a mulher mais linda do mundo. Tudo em si combinava perfeitamente. Seu cabelo. Sua maquiagem. Seu vestido. Estava tudo maravilhoso e eu estava quase chorando ali mesmo, de tanta emoção. Qual mulher não sonhara com aquilo algum dia?

Era a felicidade pura.

O quarto não estava muito cheio por pedido de Diana. Ela, Claire, Anna e Lauren eram as madrinhas e estavam com vestidos iguais. Estavam lindas e deslumbrantes, mas só havia duas delas ali, pois as outras duas precisavam estar na igreja antes de todos. Os seus vestidos eram longos e lisos, de um roxo meio escuro. Seus cabelos se encontravam em um coque baixo e lateral. A maquiagem era básica, porém linda. Seus buquês estavam em minhas mãos e Tiago segurava o buquê da minha mãe como se segurasse um bebê.

— Que horas nós vamos? — ele perguntou, ansioso. — Já passam das cinco e todos já devem estar lá, mãe.

— É normal a noiva se atrasar, querido — Anna falou, andando de um lado para o outro. — Todo casamento é assim.

— Se o noivo atrasasse, iriam achar que é errado — revidou Tiago, mas estava fazendo aquilo só para irritar, pois ele era daquele jeito mesmo.

— Mas é errado — Diana disse, fazendo uma coisa ali e outra acolá com a maquiagem de mamãe.

— Isso é uma injustiça — Tiago continuou, e então saiu dali, levando consigo o buquê.

— Fez bem não termos gastado com um maquiador — ela mudou de assunto —, isso está ótimo, não está?

— Está perfeito — Anna concordou, olhando mamãe de perto. — Onde conseguiu fazer isso?

— Tenho um certificado — respondeu a outra, empinando o nariz —, mas era apenas um hobby.

— Acho que já está na hora de irmos — eu avisei, olhando para o relógio da cabeceira de mamãe.

— Cacetada... — mamãe murmurou e olhou para todas nós, nervosa com tudo. — Eu pareço bem?

— Parece que vai vomitar a qualquer instante — respondi, sincera —, mas continua linda como eu nunca havia visto. — E eu estava falando sério. Não era qualquer mulher que continuava bonita estando enjoada.

— Vamos lá, respire — todas nós falamos para mamãe. — Isso. Só faça isso e pronto, está bem? — As duas mandaram beijos no ar para ela e pegaram os seus buquês da minha mão.

Logo, só mamãe e eu estávamos no quarto.

— Está na sua hora — avisei, me sentindo meio desconfortável com o salto que usava, tamanha era a falta de costume. Meu vestido era rodado, com a parte de trás mais longa do que a da frente. Ele tinha uma cor lilás e era tomara-que-caia. Em volta da minha cintura havia desenhos de flores, a parte que eu achara mais bonita e, envolta dos meus ombros, havia um babado liso e muito simples, que dava um ar mais clássico. O vestido era um presente de Natal que mamãe havia me dado enquanto eu estava na Orence. Jan o sugeriu e também me presenteara com os saltos pretos e de tamanho baixo. — Está feliz?

Ela olhou para mim com os olhos brilhando, e não precisou responder. Era claro o que ela sentia. Seus olhos diziam tudo. Logo, me certifiquei cem por cento quando vi o seu sorriso.

— Muito. — Então ela veio até mim e me abraçou. — E estou mais feliz ainda porque está aqui comigo.

— É onde quero estar — falei —, e sempre vou estar.

Nos olhamos e sorrimos uma para outra. Percebi que ela iria chorar de novo e logo fiz uma careta.

— Eu não vou saber refazer o trabalho que a Sra. Tomlinson fez — avisei, levantando as mãos —, então é você quem decide.

— Minha nossa — ela fechou os olhos, abanou o próprio rosto e respirou fundo. — Tudo bem, vamos lá.

A única pessoa que estava lá embaixo era Tiago, que logo se aproximou para entregar o buquê de mamãe. Os dois se abraçaram e nós seguimos para o carro que Diana havia alugado.

A ida até a igreja foi cheia de risadas, tudo isto por conta de Tiago, que era o responsável por fazer a nossa mãe rir (e não chorar). A igreja de Greenwich não era longe de casa e ficava na frente de uma fonte de água. Geralmente ela ficava cheia de pombos, o que fazia tudo ficar mais bonito. Só que, além do pombos, consegui perceber (e não ver, por conta da miopia-suspeita) dois corpos familiares.

Franzi o cenho e fiquei olhando para aquelas duas pessoas, enquanto mamãe saía do carro com a ajuda de Tiago.

— Mas que por...

— Taylor, o que está esperando? — Claire, que estivera do lado de fora da igreja, perguntou ao colocar a cabeça dentro da janela.

— Quem são aqueles dois perto da fonte? — eu quis saber enquanto saía do carro com a ajuda dela e pegava a minha bolsa. — Não consigo enxergar, está muito embaçado.

— Você precisa fazer um exame de vista — Tiago se intrometeu. — Está claro que ali são pombos.

— Ora, é você quem precisa de exames — eu disse depois de revirar os olhos. Porém, assim que olhei para a fonte de água, não vi mais os dois ali. Na verdade, eles andavam na minha direção. E, aos poucos, fui conseguindo enxergar. — Porra, vocês vieram!

Me aproximei deles a fim de abraçá-los. Estava contente demais com a presença dos dois e havia esquecido até das minhas preocupações.

— Achou mesmo que eu iria perder o casamento da sua mãe? — Helena disse e então cumprimentou mamãe, que havia corado. Ela usava um vestido que mais parecia uma cortina (por isso chamara a minha atenção ao longe) e o seu decote era a única coisa que mostrava que aquilo era realmente um vestido. Seus cabelos estavam soltos e os seus olhos brilhavam. Ela parecia ótima e saudável. — É bom ver você, Tay!

— Por que não avisaram que já haviam chegado? — eu quis saber olhando para Samuel, que estava tão bonito quanto eu lembrava dele. Seu terno era de um roxo quase preto, o que me deixara mais surpresa, pois percebi que não havia mais ninguém tão ousado quanto ele. E mais: ele havia colocado um brinco na orelha. Com certeza chamava a atenção de qualquer garota (ou garoto).

— Claire nos convidou para entrar quando dissemos que conhecíamos você — ele respondeu enquanto sorria para nós duas —, mas Helena quis conhecer os pombos daqui, não é?

— Eles são legais — ela disse, dando de ombros. Eu ri dos dois e então foram apresentados novamente.

Depois de um papo muito (mais muito) rápido, resolvemos nos apressar em relação ao casamento.

Tive que entrar em um dos quartinhos da igreja à pedido de Denia, pois eu seria a dama de honra que levaria as alianças. No começo, ainda na Orence, achei que não merecia algo como aquilo, mas mamãe insistiu e eu não fui capaz de dizer não. Afinal, o casamento era dela e ela colocava até mesmo Neil para entregar suas alianças, caso quisesse.

Fiquei sozinha dentro do quartinho espiando o casamento. Consegui ver tudo de camarote e lembrei dos dias da minha infância naquela igreja. Eu parara de ir às missas e de rezar nos meus quinze anos. Me senti uma ingrata. Aquilo era o mínimo que eu deveria fazer pelas coisas boas que haviam acontecido comigo; por Deus não ter me abandonado. Se bem que, pelo que o padre dizia, nós mesmo éramos a casa do Senhor, mesmo que a igreja fosse um símbolo maior.

Fiquei naquela reflexão até o momento do pajem e a daminha entrarem e jogarem pétalas de rosas pelo tapete vermelho. Tudo muito emocionante e lindo. Logo, depois que terminaram, mamãe já entrava na igreja. Um som suave passou a tocar e fiquei encantada. Era Pacific do Sleeping at Last. Me senti surpresa com a ousadia de mamãe em sair do tradicional para algo mais novo. Imaginei que até mesmo os pombos próximos da fonte haviam olhado para ela, pois ela estava radiante. Os olhos de Arthur lá na frente não saíam dela e ele sorria como nunca. Aprovei aquilo e sorri junto com ele. Ela era a minha mãe e eu estava orgulhosa dela.

Tiago era o responsável para entrar no altar com ela e, pela primeira vez na vida, ele ficou comportado.

Dei mais uma olhada nos convidados à procura de um outro alguém. Vi Jane, que estava linda como sempre. Usava um vestido rodado com pérolas na gola. Ele era de um vermelho escuro e combinava com os seus olhos. Seu cabelo estava preso em um coque e ela parecia estar chorando. Jack estava do seu lado com um manto rosa nos braços. Provavelmente era Elisa que dormia no meio de toda a cerimônia. Ela podia, é claro, e fiquei com vontade de ir até ela para lhe dar um beijo. Julia, a irmã de Jack, também se encontrava perto deles, com sua simpatia pairando no ar. Do lado de Jane estava a Sra. Rose, que também me surprendera com o estilo, pois o seu vestido era um dos mais elegantes ali. Todos eles estavam em umas das primeiras fileiras do lado esquerdo. Sam e Helena se encontravam um pouco mais atrás. Maggie, Peter e um cara bonito também faziam parte dos convidados, é claro. Minhas tias estavam por ali e sorriam para a minha mãe, junto com todas as minhas primas e primos que eu sequer falava direito. Suas colegas e os seus colegas de trabalho, amigos e primos também se encontravam na lista de mamãe. Eu conhecia quase todos eles, mas não a maioria das pessoas que estavam do lado direito, convidados do Sr. Roberts. Provavelmente era toda a sua família e amigos, pessoas que minha mãe deveria conhecer.

Era uma quantidade equilibrada de pessoas, mas continuei nervosa por precisar andar aquele caminho todo até o altar.

Passei os olhos pelos convidados novamente e olhei na direção de Maggie, à procura de quem eu desejava ver.

Mas ele não estava lá.

E por que não estava lá? Talvez tivesse se atrasado, resolvi acreditar.

Diana estava próxima do altar e, às vezes, mandava olhares para onde Louis deveria estar. Ela também percebera aquilo.

Deduzi que, provavelmente, Jane sabia onde ele estava, mas eu não poderia simplesmente sair dali e ir até ela perguntar onde Louis havia se metido.

Quando Tiago entregou mamãe para Arthur, ouvi algumas risadas, até mesmo dele. Revirei os olhos porque com certeza era Tiago fazendo piada mais uma vez, mesmo sem poder falar nada. Às vezes ele me surpreendia.

Todos sentaram e o padre começou a falar. Dei outras olhadas para a porta da igreja e para onde Maggie estava. Não vi nadinha. Até que, depois de um tempo (e de muito nervosismo da minha parte), Denia deu uma saída discreta e veio me avisar que a hora de entregar as alianças havia chegado. Era a minha vez de agir. Logo, arrumei o vestido e olhei para as alianças dentro daquela caixa cheia de flores.

Dei um suspiro e passei a andar de fininho, sem que me percebessem.

Onde ele estava, afinal?

Fui para o começo do caminho com a cabeça baixa, quase morrendo de vergonha, pois todos os olhares se prostaram em minha direção. E então (não muito rapidamente) comecei a andar. Só que aí eu precisei olhar para a frente, é claro, pois era o casamento da minha mãe e eu queria aparecer linda nas fotos.

Pus os olhos na minha mãe lá na frente. Ela parecia estar chorando e sorria enquanto olhava para mim. Eu sorri também e então me senti mais confiante para continuar. No entanto, parecia ser mesmo ironia do destino, ora!, pois, logo naquele momento (naquele exato momento!) vi um Louis se aproximar de Jane e dos outros. No começo eu achara que havia ficado paranóica e que a minha mente havia o projetado ali, afinal, ele estava a coisa mais linda de todas, mesmo que ele já fosse a coisa mais linda de todas, e todos sumiram da minha vista, e eu vi somente ele, com aquela seriedade maravilhosa, aqueles olhos maravilhosos, aquele cabelo maravilhoso, e aquele tudo maravilhoso. 

E não. Não era coisa da minha cabeça. Não era paranóia. Não era um sonho lúcido. Não era loucura. 

Era ele.

E ele estava atrasado, mas havia chegado bem em cima da hora. Em cima da minha hora. E era realmente ele...

E daí eu fiquei congelada.

Congelei mesmo, a respiração quase parando.

E ele estava brilhando. Estava brilhando? É, ele estava brilhando, sim. Parecia um anjo. O meu anjo.

No entanto, uma coisa apitou na minha cabeça (em um futuro próximo eu soube que era alguém chamando por mim, discretamente) e todos na igreja se prostaram na frente dos meus olhos novamente.

Louis parecia tão sem reação quanto eu, pois olhava direto para mim e sequer cumprimentara os outros. Ele estava congelado como eu, como se visse apenas a mim.

E eu gostei daquilo.

Provavelmente, deduzi em meus pensamentos futuros, fora aquele olhar que me deixara tão paralisada. Havíamos passado tempo demais longe um do outro, sem nos olhar, sem nos tocar, sem dialogarmos. Era como se fosse uma energia que acabara de chegar depois de um blackout. E tudo se iluminava. Seus olhos brilhavam. Meus olhos brilhavam. E permanecíamos olhando um para o outro. Eu tinha perdido o controle dos meus sentidos.

Ouvi alguns cochichos e eu sabia que estava pagando o maior mico, mas não me importei. Por quanto tempo eu havia esperado por aquilo? Ele era o amor da minha vida e estava ali, lindo de morrer. Em pé naquela igreja, várias imagens se passaram na minha cabeça e eu acabei lembrando que ele estava irritado comigo. Irritado comigo porque eu fora uma trouxa.

Mas ele estava mesmo irritado?

Não era o que parecia para mim, mas eu resolvi não criar expectativas.

Eu não sabia quanto tempo aquilo havia durado. Poderiam ter sido meros segundos para os que haviam nos visto, mas, para mim, fora algo lento e esquisito. Era como se fosse a cena de um filme, avançando-se muito, muito devagar.

Aliás, Louis voltara a si mais primeiro do que eu quando alguém lhe cutucou, e então ele percebeu a confusão que eu estava causando. Logo, deu algumas olhadas discretas para os outros e foi nesse momento que eu consegui puxar a minha cabeça para outras coisas. Olhei para o espaço onde eu estava, buscando ao máximo ser imperceptível, e vi que eu realmente estava assustando a todo mundo, até mesmo o padre. O meu cérebro só voltou a funcionar, no entanto, quando olhei para Louis de novo e percebi os seus lábios se mexendo. Eu estava lenta naquela hora, mas consegui decifrar algo como “continue andando”.

Olhei para a minha mãe e ela estava estática, com medo de que eu fizesse algo fora do planejado. Só que eu logo me recompus e voltei a andar de novo, de olhos nela para que aquela segurança voltasse a me abraçar novamente.

— Me desculpe mesmo — eu disse, sentindo o rosto arder como se estivessem jogando pimenta nele. Sorri para ela de um jeito “apenas me ignore e volte ao seu casamento” e fiquei ali perto, com as mãos envolta da caixinha com as alianças. A verdade era que eu estava mais preocupada com o peso nas costas e a tremedeira nas minhas mãos. Louis estava me olhando. Ele estava mesmo me olhando... — Sério, e-eu estou bem.

— Está mesmo, querida? — Arthur perguntou, preocupado assim como mamãe e dando algumas olhadas para onde eu estava olhando antes.

— S-sim — assenti freneticamente. — Continue, senhor, por favor. — Olhei para o padre, desesperada.

Ele não demorou para pegar a minha mensagem, pigarreou e logo voltou para a cerimônia, com um ar de “eu nunca vi ninguém mais louco”.

O momento de Arthur e mamãe trocarem as alianças continuou e, quando eles já estavam com as alianças em seus dedos, me retirei dali sem olhar para lugar nenhum, apenas para o chão.

Segui para a primeira fileira, onde estava Tiago e alguns dos meus tios e primos, e fiquei lá, quieta.

Tudo foi voltando ao normal aos poucos – menos eu que ainda estava sem o controle das emoções –  e a cerimônia do casamento foi chegando ao fim. As pessoas já não me olhavam estranho e eu me sentia mais confortável. Tentei não olhar para atrás para ver o que Louis estava fazendo e continuei seguindo o fluxo.

Logo, quando menos percebi, já estavam me empurrando para fora da igreja para batermos palmas e jogarmos arroz enquanto mamãe e Arthur saíam para o carro dele (que, como em todo casamento, estava com aquelas latinhas e flores).

Eles iriam trocar de roupa para a festa do casamento.

Primeiro que eu não falara com Louis e sequer conseguira lhe ver por conta do tumulto. Todos deveriam seguir para o local da festa e estavam ansiosos e contentes. Fiquei seguindo a onda de Claire, que buscava deixar tudo perfeito e organizado.

Cada um tinha um meio de transporte ou compartilhava carona com quem precisava. Claire foi uma das últimas a sair para ter a certeza de que não sobrara ninguém.

Eu fiquei junto com ela porque não estava conseguindo pensar direito.

Ela estava do meu lado, como se tentasse buscar alguma coisa que estivesse de errado. E eu fiquei ali, tendo um devaneio. Olhei para a fonte e vi uma figura de roupa rosa bebê.

Franzi o cenho devido a miopia-suspeita e tentei ver quem era. Seu jeito era de alguém mais velho e ela estava olhando para a igreja. Na verdade, sendo mais precisa, ela parecia olhar para mim.

— É isso ai — Claire falou por fim, então deu um suspiro e sorriu satisfeita. No entanto, aquele sorriso foi sumindo aos poucos quando ela olhou para os lados e viu que não havia mais ninguém ali. Na verdade, ela foi percebendo que alguma coisa estava errada. — Estou com a impressão de que esqueci de alguma coisa.

— Espere um pouco antes de perceber que estamos sozinhas aqui — pedi, meio tensa ou em choque. — Preciso ter a certeza de quem é que está ali perto.

— De novo?

— Eu não consigo enxergar bem, então...

— Você realmente precisa de uma cosulta — resmungou ela, mas fez o que eu pedi e olhou na direção da fonte. — É uma senhora, e eu não a conheço.

Antes que ela terminasse de falar, eu já estava andando em direção àquela mulher. Tive uma ideia de quem poderia ser, mas fiquei em choque só de imaginar que ela estaria mais perto de mim do que eu sonhava.

E como ela chegara ali, aliás?

— Taylor — ouvi Claire chamar por mim —, volte aqui. Para onde está indo?!

Continuei andando. O coração batucando de tão forte.

Quase fiquei sem ar quando aquela pessoa sorriu para mim. Não me aguentei e chorei de alegria. Eu não imaginava que poderia vê-la de novo tão cedo. Ela me pegara de surpresa.

— Sally — sorri ainda mais e corri para lhe abraçar. — Ai meu Deus.

— Eu disse que lhe procuraria — sua voz saiu abafada no meu ombro. — E você parece ótima, querida. — Ela também parecia ótima, aliás, com um aspecto mais jovial.

— Co-como... — Eu sequer sabia o que dizer ou por onde começar. — Você está aqui mesmo? — Olhei para ela e comecei a tocar o seu ombro e braços.

—  Sim, sim — ela sorriu. — Eu voltei até o lugar onde havíamos nos visto pela última vez. — Fiquei confusa, é claro.

— Mas... — A última vez fora na casa de Louis, lembrei. — Você... você o viu?

— Sim, e falei com ele. — Ela ficou com um ar de quem sabia de alguma coisa. — Louis foi uma pessoa muito gentil.

— Eu não entendo — eu disse, imaginando os dois tendo uma conversa. Eles sequer se conheciam.

— Não tive a intenção de vir aqui, na verdade — falou Sally, meio séria. — Eu não sabia que o casamento da sua mãe seria hoje e voltei para Greenwich a fim de tentar encontrar você. Mas acabei encontrando ele. Pensei que você estivesse lá dentro... com ele — ela ficou me olhando, meio desolada —, mas Louis parecia tão distante que eu resolvi me aproximar. Havia alguma coisa no ar que me deixava triste.

— Hã... aconteceram algumas coisas depois que eu voltei para casa — eu disse, lembrando daquela noite horrível. — Falei com ele, sim, como eu disse para você que faria, só que... — Não continuei e fiquei olhando para ela.

— Ele estava muito magoado para perdoá-la, não estava? — questionou ela, bem baixinho. Eu não respondi, apenas tirei os olhos dela e dei uma olhada na fonte mais a frente, com suas águas cristalinas e os pombos e passarinhos envolta. — Isso não seria fácil.

— Eu sei, mas... — Meus olhos arderam e eu corei, envergonhada. Ela não sabia de nada do que havia acontecido depois daquilo.

— O que houve de errado, querida? — ela perguntou. — Você fez a sua parte e eu tenho certeza que as coisas estão melhores do que antes. Vocês devem ter conversado, certo?

— Ainda não — respondi, baixinho. — Mas não é isso. — Olhei para ela, tentando criar coragem. — É que... é que eu fiz aquilo de novo.

Sally franziu o cenho e ficou em silêncio.

— Eu sabia que era errado, mas eu me senti tão mal que... — Parei de falar. — Me desculpe.

— Você usou drogas novamente? — Seu semblante de tristeza e perplexidade foi o bastante para que eu voltasse a me odiar.

— Acabei sofrendo uma... — limpei o rosto e respirei fundo — ... você sabe, uma overdose.

— O quê? — Ela se assustou e ficou me olhando.

— Eu sinto muito...

— Oh, Taylor. — Ela suspirou e me observou. Abaixei a cabeça, envergonhada. No entanto, não ouvi nem um sermão. Foi o contrário, na verdade. Ela levantou o meu rosto e me deu um sorriso confortante. — Olhe... isso já passou, está bem? Foi há muito tempo. Você já está aqui, bem de saúde, por sinal, e é isso o que importa.

— Não fiz mais nada disso — eu disse a fim de lhe confortar da mesma maneira —, eu juro.

— Pronto, melhor ainda — ela me olhou com alívio. — Agora, me diga, o que aconteceu entre você e ele?

— Nada, na verdade — respondi e ela me soltou, confusa. — Depois da overdose, resolvi ir para uma reabilitação. Isso foi em setembro. Eu precisava dar um jeito em mim, uma chance pelo menos. Eu queria que ficassem orgulhosos de mim, que me perdoassem, e não queria magoar mais ninguém. Agora — eu sorri para ela, afastando os pensamentos ruins —, eu estou limpa fazem cinco meses. Voltei da Orence há apenas três dias.

— Oh... que bom, minha querida  — ela parecia feliz de verdade por mim. — Por isso me parece tão bem. — Seus olhos marejaram e ela começou a chorar enquanto sorria.

Sorri também e lhe abracei novamente.

— Eu estou bem — falei, aliviada. — Só preciso resolver algumas pequenas coisas. Mas eu consigo.

— Estou tão orgulhosa de você... — disse ela, o que me deixou mais feliz ainda. Era aquilo o que eu queria ouvir das pessoas. Eu magoara gente demais, e era o mínino que eu deveria fazer.

— Taylor? — ouvi a voz de Claire com um ar desconfiado. — O que está acontecendo aqui, pode me explicar, por favor?

Sally e eu olhamos para ela, sorrindo.

— Esta é Sally — eu disse. — Foi ela a primeira pessoa que me ajudou a sair de todo aquele problema. Eu devo muito a ela.

— Oh — Claire ficou surpresa e se aproximou mais, com os olhos brilhando. — Olá, eu me chamo Claire. Todos nós devemos a você, na verdade.

— Não — Sally sorriu —, vocês não me devem nada. Estão todos bem e isso é o que importa para mim.

— Ela é um anjo mesmo — Claire disse olhando para mim, e então sorriu. — Como chegou aqui?

— Vim no meu carro — ela apontou para o Uno estacionado do outro lado da rua. — Eu não sabia sobre o casamento. Me trouxeram até aqui, de um modo indireto.

Claire ficou olhando para ela com aquele seu ar confuso e cômico.

— De um modo indireto...?

— Louis — falei, sentindo o coração inchar. — Aliás, o que conversaram?

— Ah, eu não vou falar nada — ela cruzou os braços e eu fiquei de boca aberta, pega de surpresa com a resposta. 

— Mas...

— Ele pode responder a essa pergunta.

Que mania era aquela das pessoas sempre me levarem até ele? Sally estava agindo como Jane. Até parecia que se conheciam.

— Sabe, eu também não diria nada — Claire colocou lenha na fogueira. — Você viu como ele estava bonito? Eu não me admirei ao vê-la com aquela cara. 

— Escute, você nos deixou aqui e todos já estão na festa — joguei lhe repreendendo, a fim de mudar todo o assunto. — Mamãe já deve ter chegado.

— Como é? — Ela prestou atenção nas minhas palavras e logo pôs as mãos na cabeça. — Ai meu Deus, eu não acredito que eu esqueci logo disso! Eu estive tão preocupada com os outros e...

— Eu não tenho grana para pagar um blackcab — avisei rapidamente, frustada. — Dê um jeito, você é a madrinha do casamento.

— Não sejam bobas — Sally disse de repente —, eu posso levá-las até lá. Vamos logo, a noiva não deve esperar.


Notas Finais


♥♥♥


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