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História Friends, Not Dating - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


#NeoZoneChallenge e #NeoZoneTrack4
Este capítulo corresponde ao Track 04 - Sit Down

Não, hoje não é sábado, mas é um diga especiaaaaaaaaal. Estou tão feliz e hyped com o comeback /VÃO DAR STREAM A PUNCH) que decidi postar um capítulo hoje. AAYEEEE WE BALLIN'

Capítulo 4 - T01E04: Talk is Cheap


Fanfic / Fanfiction Friends, Not Dating - Capítulo 4 - T01E04: Talk is Cheap


T01E4
SIT DOWN
“TALK IS CHEAP"
2016

Estava numa espiral de café, trabalho e livros quando o bartender bonito reapareceu na minha vida. Eu já tinha eliminado todo aquele... episódio da minha memória, atirando-o para aquele canto recôndito da minha mente onde guardo os eventos embaraçosos. Até já tinha feito as pazes com Doyoung, eliminando qualquer razão para continuar a pensar naquela noite. Mas eis que dei por mim com toda a minha investigação espalhada numa das mesas da biblioteca da faculdade, dividido entre o pânico e o sono,  quando alguém se sentou na cadeira vazia à minha frente. 

Levantei os olhos, num misto de surpresa e indignação. A última pessoa que eu esperava encontrar era Johnny Seo, o primo americano de Mark Lee —  também conhecido como o-bartender-que-me-deu-um-fora. Vinha vestido de preto e tinha um boné dos Chicago Cubs, que claramente não se deu ao trabalho de remover depois de entrar num espaço fechado. Presos na gola da t-shirt, tinha os óculos de sol, e por alguma razão todo aquele look ficava-lhe tão bem que dei por mim a pestanejar de choque. Encarei-o por mais tempo do que deveria, a tentar processar a presença daquele homem (gloriosamente bonito) à minha frente. E ele encarou-me de volta, com aquela sua expressão vazia de emoções, pestanejando esporadicamente. 

— Hm, olá? — perguntei por fim, quando aquela competição de olhares se prolongou muito além do socialmente aceitável. 

— Olá. — respondeu ele, casualmente. — Jaehyun, não é? — Acenei com a cabeça, perguntando-me se era uma pergunta retórica ou se estava a falar a sério.  — Não esperava encontrar-te aqui. 

Acho que fiquei alguns segundos em silêncio, o meu cérebro a processar aquela situação. Era algum tipo de cantada? Que raio ele queria dizer com aquilo? Por fim, decidir agir normalmente, como se não tivéssemos uma espécie de história (extremamente constrangedora). E daí se ele tinha destruído o meu ego há algumas noites atrás?

— Certo. Mas eu estudo aqui. — respondi. — O que é que tu fazes aqui?

— Eu estudo aqui. — encolheu os ombros, daquela forma descontraída que eu começava a associar à sua personalidade — Mas nunca pensei que tu fosses uma pessoa de Letras. 

Eu juro: naquele momento, comecei a questionar a minha sanidade ou até mesmo se estaria acordado.  Porque aquele momento tinha de ser um sonho, certo? Daqueles muito estranho e confusos, que não fazem sentido.

— Eu literalmente estudo Tradução. — semicerrei os olhos, incapaz de evitar um tom ácido nas minhas palavras. As sobrancelhas dele ergueram-se, demonstrando surpresa. 

— Não sei porque é que estou surpreendido, mas estou. — confessou, aparentemente imune ao meu tom —  Tu tens ar de alguém de Desporto ou, sei lá, Medicina. 

— Porquê? 

— Quando eu te conheci, naquela noite, parecias um fuckboy. — recostou-se na cadeira, como se estivesse a falar do tempo e não da sua primeira impressão de mim — Até agias como um. 

— Vou ter de agradecer ao Yuta pelo meu outfit e ao álcool pela minha atitude nessa noite. Mas sabes que é errado julgar as pessoas dessa forma, certo? — fiz um esforço para não soar irritado, mas acabei por soltar a besta passiva-agressiva em mim. Johnny não pareceu afetado. 

— Sei, mas normalmente não me engano. No entanto, parece que desta vez errei. Não que haja algo de errado com fuckboys. Cada um faz o que quiser com a sua vida. — encolheu novamente os ombros — Apenas não é o tipo de gente que quero perto de mim. Portanto, ainda bem que não és um. — deu um sorriso enviesado, a beirar o arrogante, e dei por mim a antipatizar cada vez mais com aquele rapaz — Dá-me o teu telemóvel.

— Dou-te o quê? — a minha voz subiu duas oitavas no final da pergunta e rapidamente vi a bibliotecária lançar um olhar irritado. 

— O teu telemóvel. 

Johnny comportava-se e falava como se fosse o dono do mundo. E olhando para mim daquela forma, com uma expressão descontraída que não combinava com a sua atitude grosseira, eu comecei a duvidar se ele não seria, de facto, o dono do mundo. Por isso, contra todos os meus ideias, deslizei o meu telemóvel sobre a mesa, na direção dele. Não sei porque é que o fiz. Mas quando me dei conta, já ele estava com o aparelho na mão e a digitar algo. 

— Pronto. — anunciou momentos depois  — Já tens o meu número.

Estendi a mão para que me devolvesse o aparelho, mas ele deu-me um sorriso enviesado e afastou o telemóvel de mim. Ergueu um indicador e, nem dois segundos depois, ouviu-se o toque distinto de Man in the Box. Claro que Johnny era um fã de Alice in Chains. Tudo nele gritava que era esse tipo de pessoa. Desligou imediatamente o som e só então me devolveu o meu telemóvel, com um sorriso conhecedor e ligeiramente pomposo.

— Agora também tenho o teu. — explicou. 

Quando peguei no aparelho, encontrei a página de contactos aberta. Johnny tinha guardado o  seu número sob o nome ‘Johnny Boy (emoji de coração)’. Imediatamente troquei para ‘Johnny Seo’ e guardei o aparelho. 

— Então e o que é tu estudas, génio? — perguntei, desta vez deixando a arrogância envenenar as minhas palavras.

— Desporto. — respondeu, de forma tão natural que, por um momento, acreditei. Mas depois sorriu, e desta vez não foi um sorriso arrogante, e quase me esqueci da minha própria pergunta. — Literatura, na verdade. Mais especificamente, Literatura Clássica. 

— Oh. — soltei, bastante eloquentemente — Então deves ir dormir todas as noites a pensar em Heminghway e Whitman. 

— Estou mais para... acordar a pensar em Jane Austen e dormir a pensar em Emily Brontë. Gosto de valorizar escritores que realmente lutaram por algo. — voltou a sorrir, inclinando ligeiramente a cabeça, e por um momento deixou de parecer aquele estereótipo arrogante que eu já tinha interiorizado. 

— Mas que caixinha de surpresas. — comentei, fingindo indiferença. 

— Eu sei. — levantou-se, e os meus olhos acompanharam os seus movimentos de forma muito pouco subtil — Bem, tenho de ir. Vemo-nos por aí, Jaehyun. 

Acenei em resposta, descrente, e ele afastou-se sem mais palavras. Caminhava com os ombros direitos e em passadas largas, exalando uma confiança que eu invejava e gostaria de ter. Johnny parecia ter tudo o que eu apreciava noutras pessoas, mas algo no fundo da minha cabeça me dizia para ser cauteloso. Não desviei o olhar enquanto se afastava, reparando  em como ele era setenta  por cento pernas e trinta por cento pedaço de mau caminho. 


 

⏪⏯⏩


 

Não esperava receber qualquer tipo de contacto da parte do Johnny, nem muito menos planeava entrar eu em contacto. Por isso, não foi uma surpresa quando, duas semanas depois, ainda nenhum de nós tinha estabelecido qualquer tipo de contacto. Johnny provavelmente pensava que eu iria tomar e iniciativa, mas tendo em conta a minha breve, mas memorável, humilhação no pub, ele estava muito enganado. 

Sim, eu estava curioso quanto a ele. Não, eu não ia sacrificar ainda mais o meu frágil orgulho. Não era um menino bonito — ainda que estupidamente alto e mesmo, mesmo muito charmoso — que me iria desviar do bom caminho para a dignidade.  Mas parecia haver qualquer coisa no universo que nos puxava um para o outro. Porque, eventualmente, Yuta e Mark decidiram marcar uma saída e, sem grande surpresa, Johnny estava na lista de convidados. 

— Jaehyun. — cumprimentou Johnny, com um tom dúbio, quando cheguei ao ponto de encontro. Estava vestido de preto outra vez, e comecei a questionar se isso seria um traço da sua personalidade ou do seu trabalho.  Fingi não reparar na forma como os seus olhos de moveram da minha cabeça até aos meus pés, avaliando-me de forma nada discreta.

— Johnny. — respondi, tentando imitar o seu tom. E fazendo questão de manter o contacto visual.

— Mark! — contribuiu Mark, de forma entusiasmada. Ri-me, e não deixei de reparar que até Johnny soltou uma gargalhada divertida. Uau. Quando se ria, ele nem parecia a mesma pessoa. O seu rosto rejuvenescia e ficava tão leve, os dentes pequenos e direitos dando-lhe um ar semelhante a um pequeno e adorável castor. Mas bastava o sorriso desaparecer e ele deixava de parecer  pequeno ou adorável. 

Naquela noite, fomos ao pub onde ele trabalhava; o Mad Dog estava aberto todos os dias, aproveitando o fluxo de clientes que vinha da Universidade. Isso significava que Johnny só tinha direito a uma folga por semana. Ele iria estar connosco até às vinte e três da noite, e depois entraria ao serviço. Uma parte de mim ficou ansiosa com isso, e não o tipo bom de ansiedade — Johnny atrás do balcão não era uma memória que eu gostasse de recordar. 

Mas a noite correu bem. Johnny mostrou pedaços da sua personalidade em alguns momentos da noite. Olhando para trás, imagino que ele, às vezes, se esquecia que eu estava ali. Quando o DJ decidiu chutar o balde e passou um remix de Crazy Frog, Johnny pulou do seu lugar e fez a dança mais absurda que já vi na minha vida. Todos rimos até ficar sem ar e depois ele voltou a sentar-se e voltou a fechar-se durante os vinte minutos seguintes. A forma como Johnny se libertava, e a seguir se fechava novamente, era algo a que eu não estava habituado — sempre tive amigos que eram extrovertidos ou introvertidos, mas raramente os dois ao mesmo tempo.

Mais tarde, eu viria a descobrir que era a minha presença, em particular, que o fazia fechar-se. Não por ser eu, mas por não me conhecer. Johnny nunca foi tímido, mas sempre foi muito reservado. Extravasava e libertava a sua personalidade quando estava com as pessoas em quem confiava; mas fechava-se num casulo de cautela e prudência quando havia algum estranho por perto. E naquela altura, eu era um estranho para ele. 

Johnny era um mistério que despertava a curiosidade de quem se cruzava com ele. E poderá haver quem argumente que, depois de o conhecer, a curiosidade  morria. Mas não comigo. Quanto mais conhecia Johnny, mais curioso eu me sentia em relação a ele. 
 

 


Notas Finais




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