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História From the Edge - Interativa - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


hey hey
SIM, a história não morreu, só estou passando por uma parte bem ruim da minha vida e isso tem me afetado de forma que eu não consigo escrever, mas, graças, consegui voltar. Entretanto, sendo franco, não posso prometer que isso não venha a acontecer novamente.
Mas, isso é irrelevante agora. O capítulo está quase pronto, e decidi postar um teaserzinho, o primeiro parágrafo mais especificamente, só pra dizer que ainda estou vivo kmskdksjd
Btw, não se surpreendam se houver alguma mudança ou diferença deste parágrafo pra sua versão final, quando o capítulo estiver finalizado.
Todos os personagens que tenho vão aparecer neste capítulo, então podem ficar ligados. Enfim, eis, espero que gostem!

Capítulo 4 - Prelúdio de um Combate


 

Um soco seco, bem no nariz do demônio, foi o suficiente para arremessá-lo para a árvore, caindo junto com ela com um estrondoso e ecoante rugido, atravessando toda a clareira. As manoplas de Xiang brilhavam na escuridão, cintilando, como se sob o olhar de uma forte luz. Estava envolto numa selvagem Aura laranja, por completo o cobrindo, seus olhos azuis agora um fortíssimo dourado.
De repente, movimento; Desviou para o lado num salto, bem à tempo de desviar de um chute em queda de outro yaoguai. Não teve tempo de pensar, pois num segundo depois, ele jogou-se para ele, atravessando a imensa nuvem de poeira que fez com sua queda, lançando uma onda de ataques imparáveis. Um soco pela esquerda, depois um chute pela direita, um gancho, pulou, dando um chute giratório; Seus ataques eram incansáveis, a cada vez que um golpe seu era defendido, queimaduras, iguais às que receberia diante da luz solar, marcavam suas mãos e pés; A grande arma de Xiang, seu Fengshen Quan, que incendiava os demônios como se fossem tocados pelo Sol. Sua velocidade e força sobrenaturais facilmente sobrecarregariam um homem normal, mas, não eram o suficientes para vencer a milenar arte marcial e seu praticante. Desviou de um soco, e desferiu um próprio, certeiro, na testa do oponente. Ele cambaleou para trás, e sua cabeça explodiu, lançando gotas de sangue ao redor, enquanto seu corpo esvanecia.
Movimento - um farfalhar dentre as folhas de uma árvore. Não conseguiu desviar à tempo, bloqueando o ataque agarrando as mãos do yaoguai, lançando-o para trás dele. Aterrissou numa cambalhota, rápido o suficiente para ver outro demônio agarrar-lhe o pé no meio do salto; Antes de cair no chão, recebeu um soco no queixo que o jogou para longe. Deslizando pela terra, conseguiu cair em pé, logo entrando numa postura de luta, um punho perto do rosto, e o esquerdo estendido. Franziu o cenho ao olhar para frente; os yaoguai estavam aparentemente discutindo, aos socos, qual deles iria tê-lo como presa. Cerrou os dentes. Aqueles não eram demônios normais… quantos humanos devem ter matado para ficarem fortes como agora? Vinte? Trinta? Sim, pelo menos trinta... Sentiu a raiva e ódio crescerem dentro de si, sua Aura acompanhando-os em tamanho, cada vez mais selvagem e fulminante. Descarregou sua fúria num único grito.
-Miàn duì nǐ de dírén!!¹ - Berrou em sua língua natal, esbravejando para que encarassem-no em vez de esconder-se sob o manto feral de animais. Tomou impulso, e disparou para cima deles, em menos de um piscar de olhos, já estando perto suficiente para desferir um soco num deles, e, girando o corpo, um forte chute no outro, que conseguiu defender-se à tempo, uma dolorosa queimadura aparecendo no braço que usara de escudo. Saltou novamente, desferindo outro chute giratório na direção contrária; acertando somente um, o que foi para longe com seu soco desviando, aterrou com uma mão e um rápido salto mortal para trás deu-lhe espaço para respirar. Os dois demônios investiram para cima dele, uma barragem de golpes ininterruptos, rápidos como o bote de uma serpente, imprevisíveis como um homem insano. 
Mas ainda assim, Xiang mostrava-se mais apto; Agarrou o braço de um, sem seguida, do outro, e com um único movimento, arrancou-lhes de seus corpos. Gritaram de dor, ainda mais quando foram acertados com seus membros soltos na cara, seu sangue pintando a grama verde como tinta carmesim. Suas manoplas brilharam com sua Aura, agora bem mais presente na região de seus punhos. Tal como se pegassem fogo, ele posicionou uma em frente ao coração, reta, em posição de oração, e outra na cintura, numa postura do cavalo do wushu tradicional de sua terra. Preparou-se - 
-Fengshen! - E lançou seu ataque - Tiān Quán!²
Num piscar de olhos, acompanhado de um cegante flash, quase um raio, seu soco lançou-se; o vento agitou-se, convergindo para o centro do impacto antes de expirar para seu derredor, seu sabor quente e força sobrenatural características erébicas como um cérbero, agitando as copas das árvores e chamuscando a grama próxima.
Não acertou seus oponentes diretamente, mas a pressão no ar que seu soco gerou foi o suficiente para estraçalhar os demônios, além de queimar o terreno num cone crescente, até uns dez metros dele.
Quando cessou, pouco restava de seus inimigos senão alguns pedaços que já sumiam com o vento naquela fumaça etérea. Suspirou, sua Aura, junto com sua Concentração Total, sumindo. Encarou os punhos, o sangue dos yaoguai indo embora junto com seus corpos, deixando-o somente sujo, em vez de empoeirado e ensopado. 
Vitória. O sabor suave de uma vitória incontestável era agradável, principalmente quando contra demônios como aqueles. Eles eram fortes… Uma pena terem sido transformados. 
Uma brisa macia soprou-lhe os cabelos, balançando suas roupas como se convidando-as para um balé. 
A sensação pós batalha era… reconfortante. Saber que estava vivo, que conseguiu superar seus inimigos, era um sentimento que já estava acostumado, mas que nunca deixou de felicitar-se com. 
Novamente, deixou o ar escapar por sua boca. Sentia uma presença detrás de si, nos arbustos. Inspirou com calma, expirando novamente num padrão já deveras familiar para ele, e, em segundos, estava rodeado por sua Aura laranja. Virou-se, e saltou para onde presumia que o dono da presença estava. Socou somente as folhas, destruindo suas donas e algumas árvores próximas, desnudando mais ainda a clareira que estava. Sem onde se esconder, pode ver o demônio que o observava de lá, e seu coração de repente quase saltou por sua boca. O tempo parecia parar por completo; Senão fosse por um treinamento intensivo, teria prendido o fôlego; Cabelos pretos despenteados, caindo por baixo dos ombros, um bonito, mesmo que imundo e rasgado, kimono florido… Saiu da postura de luta, atônito e de olhos arregalados.
-S… Shui… - Balbuciou. Ele olhou para os lados, boquiaberto. Estava mais tenso ali do que lutando contra os demônios. Suas mãos trêmulas juntavam-se, entrelaçando os dedos, subindo e descendo, o que fazia quando estava nervoso. A Aura laranja começava a tremelicar, como fogo perdendo a força. 
-Sh… Shui… -Disse, mais uma vez, à beira de lágrimas. Deu um passo para frente, levantando as mãos.
Mas, como o quebrar de uma janela, a realidade veio súbita e sem aviso, socando-lhe de volta ao mundo real. Quando percebeu, estava sem chão, voando, encarando a lua acima de si. via gotículas de sangue salpicarem sua visão, como borboletas rechonchudas. 
Balançou a cabeça. Aquela não era Shui. Claro, não podia ser ela. Faltavam-lhe as feições macias, suaves e redondas, além de ser mais alta do que ela, e não ter a pequena cicatriz em sua orelha esquerda… Só agora, após reanalisá-la em sua mente, já sofrido um ataque, que pôde ver o quão errôneo estava. Seu cérebro estava pregando peças de mal gosto, enganando-lhe daquele modo.
Como pôde se distrair assim?? A saudade era tanta que alguém minimamente parecida já lhe causava aquela reação? Será que estava tão sem esperanças ao ponto de querer ver coisas que não são reais para seu conforto? Enquanto era arremessado, em sua mente, martelava-se por ter cometido tão grave falha ao seu ver; Não só ver miragens de Shui, mas reagir de tal maneira que ficou totalmente aberto à um ataque. 
Inaceitável. Estava desonrando a vida de Shui ao tão levianamente tratar a sua. Cerrou os dentes, levantando uma pequena nuvem de poeira ao aterrissar. Se ela estivesse lá, teria com certeza dado-lhe um forte cascudo por confundí-la.
Mas, Shui não estava lá. E ela jamais estaria com ele novamente se morresse antes de alcançar seu objetivo. 
Fechou os punhos, de repente furioso consigo mesmo. Uma rápida olhadela em seu ombro revelou os três cortes que passeavam em diagonal até o peito. Só não havia morrido por pura sorte; se o yaoguai quisesse, poderia ter mirado num ponto fraco enquanto estava distraído. 
Para sua surpresa, ela não atacou outra vez; deu um grito, tentando escapar correndo para dentro da floresta. O artista marcial estalou a língua. Até em suas fileiras, haviam covardes entre os yaoguai. Destes, pouco caso fazia, morriam sem muita resistência. Antes que pudesse perdê-la de vista, em um segundo e tanto já estava na frente dela, com uma mão agarrando sua garganta. A yaoguai se contorcia, tentando desesperadamente gritar por socorro. Quem a ajudaria? Outros demônios? Os Caçadores? Sentia pena de algo tão… incapaz. Seus olhos acastanhados, quase saltando de suas órbitas, lacrimejando em pânico. Arranhava sua manopla com suas garras afiadas, não fazendo nada senão à ela mesma, queimando ainda mais sua pele. Xiang conhecia aquele olhar tênue, de choque absoluto e agonia profunda suficiente para perder-se. Já partilhou daquele olhar muitas vezes. Não mas, entretanto; agora, estava mais forte. E ela era fraca. Não duraria muito contra os outros caçadores. Considerando suas possibilidades, estaria fazendo-a um favor, dando-a uma morte rápida. Era um graveto incerto, um apertar mais intenso e ela se partiria como um coração decepcionado. 
Então, por que simplesmente não quebrava seu pescoço e terminava logo com isso? Talvez, suas lembranças de sua irmã mais nova naquele momento o suavizaram. Ela sempre quis ser mais compreensiva com os yaoguai, afinal… Provavelmente, o fato de sua aparência a lembrar-lhe ainda estava mexendo com ele. Estalou a língua novamente. 
Apertou seu pescoço com um pouco mais de força, e ele sumiu dentro de sua mão, a cabeça e o corpo caindo em lugares diferentes. 
Novamente, ele suspirou, de repente sua ira sumindo para dar lugar à uma inesperada fadiga emocional. Olhou para as estrelas, tão distantes e divinas. Por alguns segundos, quase sentiu-se em Yangtzé, que poderia, com alguns minutos de caminhada, ir para sua casa e deitar-se, mas a sensação familiar logo dissipou-se ao ver que aquele não era o céu que cresceu debaixo. Era o céu japonês, longe de sua casa.
Começou uma caminhada à procura de um bom lugar para tratar do ferimento. Mesmo tentando manter sua cabeça limpa, não podia deixar de fazer-se um único questionamento.
-Quando… -Começou, seu olhar estóico por pouco não vacilando. - Quando foi a última vez que eu hesitei diante de um inimigo…?
Xiang sabia da resposta. Por isso se incomodava com ela. Sabia do exato e único momento em que hesitou numa luta. 
Não eram boas memórias, com certeza. 
Parecia, ao ter saído da clareira, que finalmente teria algum descanso, mas essa ideia logo perdeu-se ao sentir uma presença maligna, tão sufocante quanto um afogamento. Sentiu-se engolido, como se toda a luz do universo, todas as estrelas que vira, sumissem ao seu redor. O tempo parou novamente, mas somente ele havia sido congelado, imóvel. Estava um silêncio tão ensurdecedor que tinha certeza que ouvia seu coração batendo. Conhecia aquele sentimento - Medo, dos mais profundos, um dos mais antigos e primais medos humanos havia lhe acertado como uma precisa flecha de arqueiro; medo do mais forte, que toda espécie desenvolve para evitar predadores.
Olhou para o lado, depois o outro, em seguida detrás - por onde ele viria? Assumiu sua postura de combate, sua Aura laranja rugindo. 
Onde está… Pensou, seus olhos analisando cada ínfimo detalhe na paisagem que via. Agora! Saltou para cima, aterrissando num galho, bem a tempo de desviar de um golpe de um ser indescritível. Tinha uma presença aterrorizante, como jamais havia sentido antes. Pulou para frente, caindo a cerca de dez metros dele. Mesmo com sua Aura, parecia que o ar ao redor havia significativamente esfriado, o oxigênio parecendo escasso. 
O demônio era, definitivamente, um dos maiores e mais grotescos que já vira. Era grande, e andava com as pernas dobradas, como se estivesse agachado. Seu corpo era malfeito e horrível de se olhar, sua pele negra e sem vida como um pedaço de noite, avermelhando-se onde parecia ser seu peito aberto, costelas amarronzadas dando a volta em órgãos pulsantes, mas a principal razão para a surpresa de Xiang em relação à seu corpo eram as raízes que protuberavam-se por seu corpo, também galhos escapando de sua pele, cheios de folhas, alguns até mesmo com flores em suas pontas. Tinha um braço muito maior do que o outro, podendo encostar no chão com ele, suas mãos gigantescas e garras longas e curvas, cobertos por um pêlo seco e quebradiço, como folhas de um outono distante. Em suas costas, uma massa de ossos e grossas raízes encontrava-se como capilares sanguíneos.
Seu rosto era longo, com ossos e mais galhos levantando-se de sua cabeça como braços retorcidos, veias de sangue rachando-lhe a pele; grandes chifres. Seus dentes eram imensos, talvez piores do que as garras, e tinha um olhar sem vida, frio como um inverno cruel. Os olhos de um predador. 
Era difícil acreditar que aquilo havia sido um ser humano. Devia ter devorado, pelo menos oitenta vidas para estar daquele jeito. Não havia, entretanto, tempo para lamentá-las, pois ele já investia para cima de Xiang. Ele, contudo, permaneceu parado. 
O mundo teve suas luzes apagadas por completo quando ele fechou os olhos e juntou suas mãos, como se estivesse em oração. Derramou todos os seus medos, preocupações, todas as suas incertezas para longe de si. Sua Aura, antes incontrolável, agora assumia um aspecto tranquilo e quieto. 
Não podia esquecer-se de seu objetivo. Não podia morrer. Não ia morrer. Mas, pra isso, tinha que manter-se em cheque; calmo, frio, sob controle. Por isso, quando abriu seus agora dourados olhos, encarando o yaoguai correndo para ele em câmera lenta, não emudeceu-se sob tamanho poder demoníaco. Em vez, assumiu novamente a postura do cavalo, descendo uma mão para a cintura, mantendo a outra reta diante do coração. Como ondas numa poça, sob o delicado toque do orvalho, sua Aura mexeu-se de forma quase invisível, antes de um jorro violento de energia transformar a aparente paz num violento tsunami, selvagem como antes. 
Isso foi logo antes do soco. Moveu seu punho, num movimento já muito familiar à ele, abaixando a outra mão para a cintura.
-Fengshen… -Sussurrou, antes de tudo voltar ao normal. - ...Wánměi Tiān Quán!!!³

 


Notas Finais


¹面對你的敵人
-Encare seu inimigo
²風神天拳
-Punho Celestial do Deus do Vento
³風神完美的天拳
-Punho Celestial Perfeito do Deus do Vento

Espero que gostem, como falei, este é o primeiro parágrafo do capítulo, espero que dê para ter uma ideia aí de como vai ser. Agradeço de coração qualquer feedback que vocês possam me dar!
Até a próxima


~S


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