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História Frozen Love-Jelsa - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo dois


Por onde eu devo começar? Ah que tal pelo começo? É uma boa. Cerca de duzentos e noventa anos atrás eu encontrei cinco pessoas que podiam me ver, nossa como eu fiquei feliz por finalmente poder conversar com alguém além dos animais das florestas e os seres de gelo e neve que eu criava. Eles chegaram a mim e disseram que estavam me procurando há vinte e seis anos, mas nunca me acharam porque eu sempre estava em constante movimentação pelo mundo. Eu nunca ficava em apenas um lugar por muito tempo. Eles me propuseram algo que eu não podia negar, eu ia ter um lugar para ficar e pessoas para conversar é claro que eu aceitei, eles me disseram que eu ia ter que servir aos guardiões de primeira ordem e aceitar tudo o que o Homem da Lua pedisse para fazer. Eu dificilmente fazia algo que o Homem da Lua pedia, mas acho que ele entendia o porquê e nunca me punia por isso.

Neste momento eu estou ignorando completamente o plano que North e Bunny estão fazendo para eu os trazer para a sede. Eu já tenho meu próprio plano e se tudo ocorrer como eu quero que ocorra em três talvez quatro dias eu esteja de volta na sede.

-Você entendeu Jack? –North me pergunta me olhando como se soubesse que eu não estava prestando atenção.

-Claro que eu entendi. –eu digo meio nervoso e ao mesmo tempo tentando não deixar o meu nervosismo não transparecer. North odeia quando eu não presto atenção nas explicações dele.

-Então nos fale um pouco sobre o plano.

-Vou invadir a sede e usar o pó dos sonhos do Sandy. Assim que eles apagarem eu trago eles pelo portal do globo. –eu fico apreensivo. Eu só ouvi algumas palavras do tipo “Sandy”, “invadir” e “globo” então eu improvisei na resposta.

-Quase. Pontos pelo esforço. Agora presta atenção mesmo. Você vai voltar para lá e tentar convencê-los de serem guardiões, se toparem eles vem por vontade própria caso contrário você vai apagar eles com a areia dos sonhos. Você disse que eles são barra pesada né? –eu assinto– Então caso haja resistência não hesite em nos chamar e nós te ajudaremos. Não deixe que isso tome altas proporções, apenas os traga para a sede.

-Pode deixar. Eu vou e volto como uma lebre. –faço um gesto com a mão usando dois dedos, como se eu estivesse correndo.

-Sem gracinhas Jack. Isso é coisa séria.

-Tá bom, tá bom. –eu falo sem animo algum. Qual é Jack Frost sem gracinhas não é Jack Frost.

Eu saio da sala do globo e vou em direção ao arsenal. Esse local é onde treinamos e aprimoramos nossas habilidades de luta. É um local grande com várias prateleiras com armas mágicas que são impossíveis de ferir humanos, há vários duendes e Yetis organizando e limpando tudo que há nessa sala. Eu vou para a minha prateleira preferida a de “travessuras” onde tem diversas bombinhas que soltam cores, fumaça ou até mesmo um clarão de luz que te deixa cego por alguns segundos; além dessas bombinhas têm farinha, ovos mágicos que foram dados pelo Coelhão e muitas outras coisas. Digamos que quando eu os vi pela última vez, não me despedi e nem disse que ia me tornar um guardião de primeira ordem eu apenas fui. Então eu meio que fui um filho da puta com eles, mas também não quero apanhar (mesmo merecendo e muito). Conhecendo eles do jeito que eu conheço certeza que eu vou ter me ferrar muito antes de termos a oportunidade de conversamos.

Quando eu saio dessa enorme sala, eu vejo Tooth me esperando com um semblante interrogatório.

-Jack, antes de você ir podemos conversar? Por favor.

-Claro, sobre o que?

-Sobre o que você disse na sala do globo. –eu abaixo o olhar, querendo evitar esse assunto. Olha se tem uma coisa que acaba com o humor de Jack Frost essa coisa se chama passado.

-Eu falei muitas coisas na sala do globo, pode ser mais especifica? –eu tenho soar brincalhão para ela não notar que estou nervoso. Odeio falar sobre coisas que me doam.

-Sobre sua história com a Rainha das Neves e sobre o porquê você é incapaz de amar. –ela diz com um tom de preocupação e pena em sua voz, o que me deixa um pouco mais nervoso, odeio que sintam pena de mim.

-Tooth. –suspiro pesadamente. –Esse assunto é doloroso para mim, não me traz boas lembranças apenas o medo e o desespero que eu senti naquela época.

-Se você nunca falar sobre seu passado com alguém isso vai doer mais, você vai se remoer mais e talvez até morra por dentro. “Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.” Jack, por favor, se abra pra mim e me deixe te ajudar a superar o quer que te aflija.

-Eu... eu não sei. –eu estou confuso, o que ela disse faz sentido, mas eu não posso me abrir e simplesmente despejar todo sofrimento e angústia para cima dela. Eu e a Rainha tivemos um bom passado até ela sumir do mapa, temos muitos assuntos inacabados e eu temo que eles continuem inacabados pelo resto de minha vida imortal. –Não posso, não consigo. Isso não é apenas meu para eu contar. Eu sinto muito Tooth.

-Tudo bem Jack, eu entendo. Ainda posso te fazer uma pergunta? –aceno que sim com a cabeça. –Ok. Você também disse que não pode amar, por quê?

-É mais complicado ainda. Eu sofri uma maldição há duzentos e vinte e seis anos atrás. Uma mulher se aproximou de mim, ela era linda com cabelos negros e olhos verdes esmeraldas, uma pele muito branca e estava sempre sorrindo. Nós nos aproximamos, ficamos juntos por algum tempo e ela se aproveitou da minha vulnerabilidade por estar apaixonado e me amaldiçoou. Ela recitou o feitiço e tudo que eu já senti ou poderia sentir em relação ao amor foi tirado de mim, a mulher dizia que amar é uma fraqueza. E hoje eu realmente acho que amar é sim uma fraqueza. –quando eu termino de falar eu vejo Tooth com o famoso olhar de pena e seus olhos estão marejados.

-Jack não diga isso. Amar é a coisa mais incrível que alguém pode experimentar aquele sentimento de frio na barriga e o coração sempre acelerando quando você chega perto de alguém. Você nunca tentou procurar um contra feitiço para desfazer essa maldição? –ela pergunta esperançosa que chega até dar pena de falar o que eu vou falar.

-Entenda uma coisa, essa maldição foi e sempre vai ser a melhor coisa que eu sofri na minha vida. Desde o dia em que ela me fez isso, eu sou mais forte e mais poderoso. E não existe nada que pode quebrar essa maldição, ela até deixou algumas palavras soltas sobre como tentar acabar com essa maldição, mas eu estava caído no chão me agonizando de dor e não consegui ouvir. –eu poderia dizer toda a verdade, mas acho que se ela tiver esperança sobre algo que eu já desisti há muito tempo isso vai doer demais em mim quando essa esperança não nos levar a lugar algum. –E espera aí. Como você sabe de todos esses efeitos sobre estar apaixonada? Por acaso já se apaixonou ou está apaixonada? –eu pergunto claramente tentando desviar desse assunto doloroso e pelo visto surtiu efeito, pois ela está bem corada. –Não acredito. Por quem? Não me diz que é o Bunny? –eu pergunto zombeteiro e com total sarcasmo em minha voz.  Mas ela não nega e apenas fica mais nervosa e meio pensativa.

-Jack não é pelo Bunny que eu tenho sentimentos ok? É por um... um doutor? Isso por um doutor que... trabalha no hospital... que... que eu visitei uma vez. –ela diz toda se enrolando nas palavras e gaguejando, eu não acredito em nada do que ela acabou de dizer, mas eu tenho uma missão para fazer e esse papo já se estendeu demais então por hora eu vou me dar por vencido.

-Ok então. Tooth o papo foi bom foi legal, mas eu preciso ir. Quando eu voltar eu vou descobrir por quem você está apaixonada.

-Jack você nunca o viu antes, ele é doutor. E lembre-se que quando você estiver pronto para falar sobre seu passado eu vou estar por aqui. –eu aceno com a cabeça, dou-lhe um beijo na testa cheia de penas. Eu nunca vou estar pronto para falar sobre o meu passado com ela, dói como se eu estivesse sendo despedaçado ou apunhalado com facas no meu coração.

Despeço-me de todos e parto para a sede dos guardiões de segunda ordem. A sede fica a meio dia de distância do Polo Norte até o Sul da América do Sul. Eles ficam no Brasil mais especificamente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Na verdade eles não gostam de se apegar a lugares e nem pessoas que não podem vê-los então sempre estão rodando o mundo.

Quando chego à cidade eu os procuro em todos os lugares abandonados e não os encontro, vou para uma área mais florestada e ainda sim sem sinal deles. Mas que merda. Passam-se horas e nada de localizá-los, estou começando a achar que eles estão fugindo de mim. Eu continuo andando pelo local mais arborizado até que eu simplesmente desisto, e me sento no chão.

-Ah qual é, onde quatro pessoas invisíveis poderiam se esconder? –eu pergunto para mim mesmo com a consciência de que eu não teria respostas.

-Não estamos nos escondendo, você que não sabe nos procurar. –eu viro para trás e eu vejo a origem dessa voz doce. Merida, com seu típico sorriso se mostrando superior. – Qual é Frost, depois de mais de duzentos e noventa anos de amizade e você ainda não sabe rastrear os “amigos”? – ela diz debochando de mim por saber que ela sempre foi e sempre será a melhor rastreadora.

-Ferrugem! Bom te ver também. Vejo que sua língua continua afiada. –eu a chamo pelo o apelido que eu dei e ela fica furiosa.

-O que você quer? Sabe que é proibido de falar comigo ou qualquer outro dos guardiões esquecidos. –eu aceno olhando levemente para baixo, mas logo depois volto a encará-la.

-Eu preciso falar com vocês e com os outros. –ela me olha com um olhar indecifrável e se vira para ir embora. – Meri não me faça ter que apelar. Eu sempre te venci nisso, não me faça ter que ganhar de novo só para você me ouvir. É importante caralho! –eu grito, cansado de seguir ela pelo mato.

-Não sei o que você quer, mas vá embora. Deixou de ser bem vindo quando partiu sem deixar detalhes para se tornar um “subornador de crianças” e ainda por cima não se despediu. –eu sempre disse que os guardiões eram “subornadores de crianças”, mas isso foi antes de eu me tornar um.

-Eu mereci isso e mereço também toda a ignorância de você e dos outros, por favor, me deixa explicar. –ela me olha como se estivesse travando uma batalha interna entre me deixar explicar ou me dar um soco. Ela vem chegando mais perto de mim. Mais perto. Mais perto ainda. Ela me dá um soco em cheio em meu nariz. –Ai. Porra Merida!

-Você mesmo disse que merecia toda nossa ignorância, não vejo porque não merecer alguns socos. E eu aceito o desafio. –eu a olho com um olhar de deboche e superioridade, ela nunca me venceu e sabe que eu sempre mudo minhas técnicas. –Se eu vencer você some e não volta nunca mais, não vai pensar em nós e muito menos tentar nos achar novamente. Caso você ganhe lhe daremos a chance de falar o que quiser.

-Feito. Mas se eu ganhar você vai ter que admitir que eu seja incrivelmente incrível e sou melhor do que você em quase tudo. –eu digo convencido de que vou ganhar e ela me olha relutante e por fim acaba cedendo e acena em positivo.

-Vamos.

Merida me conduz até duas grandes árvores que tem alguns galhos se entrelaçando em si, mas essas árvores mal se tocam. Ela bate na árvore da direita e os galhos começam a se juntar, cruzando e entrelaçando mais do que já estavam e começam a mostrar uma figura.

-Isso é um portal? Como vocês conseguiram magia para essas coisas? –pergunto totalmente surpreso.

-Muita coisa mudou desde sua última vez aqui. –ela diz ríspida e grossa.

-Antes de entrarmos eu quero saber uma coisa. Posso?

-Fala logo picolé. –eu fico surpreso por ela me chamar de picolé, ela me deu esse apelido. Pensei que depois de tudo o que eu fiz, ela nunca mais fosse me chamar assim. Tomara que ela me perdoe, tomara que todos me perdoem.

-A Rainha deu mais notícias sobre onde ela possa estar atualmente? –eu digo meio aflito. Ainda não acredito que ela se aliou ao Breu. Ainda preciso investigar isso mais a fundo saber realmente o que a fez mudar de lado e saber por que nos abandonou.

-Sim, mas vamos entrar logo. Digamos que tem mais três pessoas que querem muito te matar, além de mim é claro. Eles ainda não sabem que você está aqui, mas nossa vontade de te matar existe desde o dia em que virou um guardião de primeira ordem. –ela me olha como se realmente quisesse me matar, aposto que ela quer, pena que não pode.

-É claro. –eu digo sarcasticamente soltando uma risada. –você não muda nunca né? Sempre querendo matar alguém, sempre tentando se provar superior, sendo a Merida forte e independente de sempre.

-Olhe como fala comigo, ainda posso desfazer nosso acordo. E só para sua informação eu quero matar aqueles que me aborrecem, eu não tento me provar superior. Não é só porque eu sou melhor que você em várias coisas não significa que eu seja uma exibida. E vamos logo seu saco de gelo ambulante.

Quando ela termina a frase entra correndo no portal, e eu não fico para trás fazendo o mesmo que ela. E quando eu entro eu vejo rostos familiares e alguns desconhecidos. Esse lugar é incrível.

-Jack? –ela diz totalmente surpresa. –Mas que porra você está fazendo aqui seu imbecil de merda? Não sabe que não é mais bem vindo aqui? E Meri, porque entregou a localização de nosso esconderijo para o idiota aí? –ela diz se apressando nas palavras com o rosto vermelho, claramente um sinal de estresse e fúria.

-Bom te ver também, Anna. Sentiu minha falta? –eu pergunto fazendo a minha melhor expressão de provocação e pelo visto surte efeito, ela fica mais vermelha e mais furiosa ainda. Ah como é bom estar de volta. 


Notas Finais


Próximo capítulo terça as 17h.

Cuidem-se e fiquem em casa se possível❤


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