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História Fuck! 17 again! - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite, meus cheiros!
Como vocês estão? Espero que saudáveis e de quarentena!
Não subestimem esse vírus, por favor!!!! Se cuidem, eu sei que é difícil e existem realidades diferentes e em boa parte delas, no nosso país, quarentena é praticamente um 'privilégio', pois é complicado falar de direitos trabalhistas em um governo como esse que tá pouco se fodendo se você precisa por comida na mesa hoje.
Deixando minha indignação e militância de lado, vamos ao capítulo:
Eu realmente gostei muito de escrevê-lo, foi uma experiência divertida e demorada, já que eu iniciei ele há algum tempo e finalizei ele há umas duas semanas, mais ou menos.
Enfim, espero que aproveitem, boa leitura pessoal!

Capítulo 3 - Quarta dimensão e pequenos buracos de minhoca


Capítulo 3 

 Quarta dimensão e pequenos buracos de minhoca. 

 

— Então, você está me dizendo que talvez saiba me ajudar a ter Jungkook de volta?

 

 

Jimin sentiu um peso em sua cintura quando abriu os olhos naquela manhã. Ele se sentia cansado e seu corpo estava mais pesado que o normal. Mas quando ele finalmente enxergou o quarto ao seu redor, seu coração pesou mais do que qualquer outra coisa, sua cabeça doeu instantaneamente. Desejou não ter acordado naquela manhã. Havia se passado um tempo desde que ele se encontrou no passado e aquilo não parecia melhorar. No meio do dia as coisas fluíam e aconteciam, era mais fácil, ele se acostumava, mas as manhãs sempre eram difíceis e as noites vazias. 

Ele respirou fundo e sentiu o peso se mexer. Taehyung havia pegado no sono junto ao milhares de papéis rabiscados e os post-its largados pelo lençol. Eles passaram a noite conversando sobre formas de Jimin voltar para o seu presente e continuar com Jungkook. O Kim tinha uma teoria, mas tudo era vago, nada era muito sólido. 

Ainda assim, era uma chance. 

Jimin se levantou e caminhou até o banheiro para tomar seu banho matinal. Estava cansado de pensar, mas não era como se pudesse fazer sua mente dar uma pausa. Ele e Taehyung passaram a madrugada toda pensando, pensando e, bem...  pensando. Suas referências eram ridículas, todas provinham de filmes de viagens no tempo e livros de ficção científica. Com exceção de buracos de minhoca, quarta dimensão e vapor quântico, todas de Stephen Hawking, a grande inspiração de Kim Taehyung. 

— Bom, Stephen Hawking acredita que viagens no tempo possam ser possíveis, sabia? Aquela parada da quarta dimensão. — O Kim apontou, deixando Jimin perplexo. — Ah… Como posso explicar? Ele considera possível três formas de viajar no tempo que possam ser possíveis. Uma, se trata da quarta dimensão, por exemplo, quando você toma um caminho para ir até determinado lugar; você vai ‘pra frente, eis uma dimensão; você vira ‘pra esquerda ou direita, uma dimensão. E a terceira, é quando você desce ou sobe um determinado relevo. A quarta, que é a chave de todas, é o tempo no qual você leva para fazer o percurso. Essa quarta dimensão é a mais abordada por filmes que envolvem máquinas de viagem no tempo. Eles relatam abrir uma brecha nessa quarta dimensão, no tempo em que você leva ‘pra fazer algo. 

Jimin suspirou, era péssimo em física e não estava entendendo porra nenhuma, para falar a verdade. 

— A outra forma, também muito famosa, trata-se dos buracos de minhocas, que estariam em escalas menores do que as atômicas, a matéria ‘vira”, o que os físicos podem chamar de vapor quântico e tal... Stephen acredita que nada seja completamente sólido, liso e imperfeito, tudo tem um pouco de rugas e buracos, e essas pequenas imperfeições teoricamente poderiam nos levar á algum lugar do tempo, mas é muito contraditório pois existem diversos paradoxos dos quais não conhecemos e etc. No entanto, Stephen acredita que seja possível esticar esses buracos de minhocas até que alguém consiga passar por eles. 

— Desde quando você entende algo de física quântica, Taehyung? — Jimin perguntou, sentindo a cabeça doer por todo o papo nerd do seu melhor amigo. 

— Sei lá, passo muito tempo na internet, sabe como é, e eu até gosto dessas paradas. — O Kim deu de ombros. 

— Tá, mas o que isso nos leva? 

— Bom, tudo isso nos leva à  viagens ao  futuro. Viagens ao passado é uma coisa completamente diferente que envolve paradoxos e tal, mexe com toda a linha temporal então não é algo que os cientistas gostam de discutir. 

Jimin se lembrou da conversa que tiveram ontem à noite e relaxou sua postura enquanto a água caía sobre seu corpo. Digamos que a presença dele ali era completamente impossível já que: 1) Não havia criado uma máquina para viajar no tempo; 2) Muito menos tentado esticar um buraco de minhoca em algum objeto e passado por ele; 3) Ele realmente não queria ter viajado no tempo. 

No fundo, Jimin de alguma forma estranha, sabia porque estava ali, e Taehyung havia descoberto: 

— É, não chegamos em lugar algum… — Jimin disse, pegando mais uma pipoca da tigela posta sobre sua mesa de estudos. 

— Jimin… — Taehyung murmurou enquanto enfiava uma mão cheia de pipoca na boca, ao mesmo tempo em que ajeitava a armação grossa do óculos sobre o rosto.

— Hum? — o Park respondeu, observando o lápis HB posto atrás da orelha do amigo, como se este fosse um gênio ou um detetive maluco, tanto faz. 

— Você tinha me dito que quando brigou com Jungkook, você falou uma frase muito pesada, da qual se arrependeu muito de ter dito… Qual foi a frase? 

— Eu disse que… Bem, eu disse… — Jimin respirou fundo, finalmente havia entendido onde Taehyung queria chegar. — Eu disse que desejaria nunca ter o conhecido. 

— Puta Merda! — Taehyung esbravejou, ao mesmo tempo que levantou os braços ‘pro alto. — É ISSO! 

 

Quando Park Jimin saiu do banheiro com uma toalha enrolada em sua cintura, Taehyung esfregou os olhos, suspirando. 

— Noite produtiva — disse com uma voz completamente sonolenta. 

O loiro esboçou um sorriso. Após a fatídica descoberta da noite passada sobre o que teria acontecido para que Park Jimin voltasse ao passado, nada como horas fazendo teorias de como voltar para o futuro (ou, seu presente) e pegar no sono assistindo algum filme idiota sobre viagem no tempo. 

De acordo com nosso teorista favorito, Kim Taehyung, Jimin desejou algo e o universo fez o papel de lhe entregar o desejo, o fazendo voltar até o passado dando lhe a opção de não conhecer Jeon Jungkook. O que, por mais louco que parecesse, fazia muito mais sentido do que a ideia de buraco de minhocas e vapor quântico. Taehyung comentou ter saído com uma garota que era meio bruxa, se é que isso fosse possível, mas nas condições de Jimin, ele não poderia ficar escolhendo ou julgando. 

O plano consistia em: visitar a garota bruxa e obter uma resposta que milagrosamente resolvesse tudo. É, não era de fato um bom plano, mas era tudo que eles tinham. Era uma manhã de sábado e Jimin e Taehyung saíram tomando café em garrafas térmicas, pois não queriam se atrasar ou correr o risco da garota não estar em casa quando fossem visitá-la, por isso optaram pela parte da manhã. 

— Qual é a da história de ser bruxa? E como você sabe disso? — Jimin indagou, bebericando seu café mais quente do que o esperado, o que o levou a fazer uma careta por uma pequena e leve queimadura na língua. — Ela é wicca ou algo assim? Ou você só supôs que ela fosse uma bruxa? 

— Sei lá, ela mexe com, qual o nome daquele negócio de cartas mesmo? Tarot? É, isso, tarot! Para fazer isso precisa ter um dom, né? — Taehyung murmurou pressionando os dedos na garrafa quentinha. 

— Taehyung você é um inútil! Ela só lê cartas, não significa que ela seja uma bruxa, seu imbecil! — Jimin chocou a palma de uma de suas mãos com sua testa. 

— De qualquer forma, não é só isso, eu sei lá, ela consegue… Como posso explicar? Ler as pessoas, parece que ela descobre o que você está pensando, é meio estranho, mas irado! — o amigo respondeu, dando de ombros. 

Jimin começou a questionar a longa caminhada que eles estavam fazendo. Talvez Taehyung só fosse um adolescente idiota que passava muito tempo no computador e aquilo não adiantaria de nada, talvez sua amiga fosse apenas uma garota que curtia tarot e sabia tirar cartas e só. Ele odiava com todas as suas forças o termo talvez por isso. A dúvida o perturbava; prefere sofrer por uma certeza fria e vazia do que ser torturado por uma duvida incessante. 

Em torno de alguns minutos, eles encontravam-se na frente da casa da garota. Ela morava em uma parte mais afastada da zona urbana, onde os terrenos eram maiores e havia uma quantidade considerável de árvores em volta. Jimin não costumava andar por esses lados da cidade, por isso, apesar de todo o drama, ali era uma parte desconhecida ‘pra si. A área onde a garota vivia era realmente grande, e a casa tinha um aspecto antigo, uma linha tênue entre rústico e vintage. 

Taehyung olhou para ele e deu de ombros, batendo na porta. Jimin se sentiu mais apreensivo ainda, e se não adiantasse de nada? E se Taehyung fosse um completo babaca e a garota apenas gostava de tirar tarot? Céus, porque deixou-se levar pela versão doze anos mais nova do idiota do seu melhor amigo? 

A porta se abriu e uma garota de cabelo longo comprido e uma expressão de pouco caso encarou os dois garotos postos sobre a entrada da casa. A menina estreitou os olhos quando viu Taehyung, fazendo uma cara de poucos amigos, arqueando as sobrancelhas e espremendo os lábios. Não demorou muito para que a porta fosse batida com força na cara do Kim e do Park. 

— Kim Taehyung… — Jimin o amaldiçoou. 

— Digamos que não tivemos um fim muito bom… — Taehyung murmurou dando de ombros. 

— Eu vou matar você! — o Park disse, socando o ombro do melhor amigo. 

— É sempre um risco que corro, sabe como é. — Brincou o mais alto. 

Jimin tocou na porta mais uma vez, e uma voz o respondeu, com tom de poucos amigos: 

— Eu não quero saber o que vocês querem, não estou interessada em nada que Kim Taehyung esteja no meio. 

Jimin bufou, encarando Taehyung com raiva. 

— Qual o nome dela mesmo? — sussurrou. 

— Yeri — Taehyung respondeu. 

Jimin suspirou e balançou a cabeça, desacreditado daquela situação toda. Assim que conseguisse voltar para sua realidade, trataria de dar um tapa na cara de Jeon Jungkook por fazê-lo passar por tudo isso. 

— Yeri, ah, bem… Meu nome é Jimin e, apesar de ser amigo do Taehyung, eu juro com todas minhas forças que não tenho nada a ver com o que quer que ele tenha feito com você, eu nem mesmo faço ideia do que ele fez, para ser sincero. Ah… bem, então, eu preciso mesmo da sua ajuda, tipo, de verdade e nesse instante, eu estou realmente desesperado! — Jimin balbuciou as palavras tentando encaixá-las, mesmo sabendo que tudo havia soado completamente confuso. 

A resposta dele viera como um silêncio que não denunciou nenhuma prévia de término. 

Jimin suspirou novamente e Taehyung colocou as mãos nos bolsos do jeans. 

— Yeri, por favor… Vamos lá, eu fui um babaca, mas o Jimin é incrível e não merece o que ele está passando e você talvez seja a única pessoa que pode ajudar…Você é meio bruxa e tal’... — o Kim voltou a falar. 

A porta voltou a se abrir, desta vez devagar. A expressão da garota não era pior do que a anterior. 

— O que disse Kim Taehyung? — ela perguntou, tinha fogo nos olhos. — Que diabos você tem na cabeça? 

Jimin bateu a palma da mão contra a testa, puxando Taehyung pelo braço. 

— Me desculpe  incômodo, Yeri. De verdade, nos perdoe — Jimin murmurou envergonhado, afastando um Taehyung resmungão da casa da garota. 

Era óbvio que não daria certo, tratava-se do trambiqueiro do Kim Taehyung. Onde raios Jimin estava com a cabeça? Suspirou. Tudo aquilo o cansava ainda mais, ele só desejava ir de encontro com a colcha macia de sua cama e as panquecas da mãe. Queria dormir e nunca mais acordar também, se fosse possível. Mas antes que desejasse mais alguma coisa, suplicou que sua mente calasse a maldita boca, pois seus pensamentos estão lhe saindo como armas carregadas ultimamente. 

Jimin voltou ‘pra casa e ignorou Taehyung pelo resto do dia. Preferiu ignorar o ocorrido, quer dizer, fora muita idiotice sua pensar que o Kim realmente pudesse ter uma boa ideia. Estava deitado em sua cama, comendo salgadinhos que deixam os dedos engordurados e com um tom alaranjado feio. Assistia algum seriado antigo e ignorava todos os SMS que recebia. 

Sentia falta de Jungkook. Sentia falta do sorriso de coelho dele, das brincadeiras idiotas que só tinha consigo, do carinho no pé que ele fazia em si. Gostava dos abraços de urso, do jeito competitivo dele e do fato de ser sempre o melhor em todas as brincadeiras. Sentia falta do jeito orgulhoso e cheio de si escondido pela timidez do maior. Estava tão distraído e confuso durante esses dias que não se deu conta do principal, daquilo que verdadeiramente o levou ali; a falta que sentia da pessoa que possivelmente mais amava no mundo. 

— Que inferno! — exclamou para o quarto vazio. 

Sem que notasse, algumas lágrimas quentes rolaram por suas bochechas cheias. Estava cansado e deprimido. Park pegou no sono como uma criança. Ele sonhou com Jungkook, pasta de amendoim e kimchi. Seus sonhos costumavam não fazer sentido, e ele gostava de tirar proveito desta peculiaridade para conversar com Jungkook e formular teorias malucas. O mais novo sempre pensava em pelo menos seis coisas impossíveis antes do café da manhã — que era, ironicamente, quando Jimin contava seus sonhos. 

Jimin acordou com o barulho de pequenas pedras atingindo o vidro de sua janela. O barulho lhe parecia tão distante que ele não sentiu vontade em esforçar-se para ver do que ou quem se tratava. Estava embalado em colchas macias, seu corpo estava aquecido e e agora se sentia menos pior do que quando se deitara. Levantar não estava em suas opções, não mesmo. 

O barulho persistiu e Park fez uma prece, pedindo para que todos os deuses tivessem um pingo de piedade de sua pobre alma amaldiçoada. Não era possível que ele não pudesse ter um segundo de paz. Se arrastou até a janela, abrindo a cortina com cara de poucos amigos, e observou Jung Hoseok abrir gradativamente seu sorriso largo e encantador. 

— Hey, vim te buscar para a festa — o garoto sussurrou. 

‘Ah, claro, a festa de Chaeyoung… Como eu poderia esquecer?’ Jimin pensou. 

— Ah, sim, sim.. — respondeu, a voz sonolenta o denunciando. 

— Você nem lembrava da festa, não é? — Hoseok perguntou com uma expressão mista de chateação e divertimento. 

Era óbvio que não lembrava, estava deprimido demais para pensar em festas, Jimin só queria chorar até se desmembrar. 

— Claro que eu lembrava, Jung! Só pensei que fosse mais tarde… — balbuciei. — Vou me trocar rapidinho, tem certeza de que não quer entrar? Você sabe que pode né… 

— Não, estraga todo o charme e o romance e aquele lance de namorar escondido, Park — Hoseok respondeu, fazendo o menor rir. 

Jimin saiu da janela e praguejou até sua última geração. 

“Destino, eu realmente não tenho um segundo de paz?!” — pensou Jimin, enquanto caçava uma roupa boa o bastante para quebrar o coração de Hoseok  e se apaixonar mais uma vez por Jeon Jungkook. 

Como uma resposta implícita, seu celular vibrou sobre o cômodo ao lado da cama, uma mensagem de Taehyung brilhava na tela: 
 

Jimin…

Acho que fizemos uma besteira enorme!

...

 

Sim, Park Jimin, você realmente não tem um segundo de paz. 


Notas Finais


Gostaram do capítulo?Pois bem, apoiem uma escritora de quarentena!
Favoritem, comentem e divulguem!
Considero comentários um fator muito importante por se tratar de um feddback, o que eu valorizo MUITO!
É isso galera, até o próximo!
Se mantenham saudáveis, lavem bem as mãos!
Beijos, beijos!


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