História Fullmoon - Capítulo 23


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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Mark, Youngjae, Yugyeom
Tags Got7, Jackbam, Jackbum, Jackson, Jaebum, Jaeson, Jinbam, Maldição, Markbam, Markjin, Markjinbam, Markson, Puppysoul, Werewolf
Visualizações 165
Palavras 3.690
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá~
Então, dificuldades a parte, espero que vocês estejam prontos para este capítulo e.e
Ontem eu enfim terminei de escrever Fullmoon completamente, revisei, revisei e revisei e estou satisfeita com o final, mas isso não evitou que eu chorasse demais. Este é o 23 e ela termina no 27, chegamos a uma contagem regressiva então.
Obrigada pelos comentários lindos, muitas aqui estão comigo desde o começo e outros pegaram o bonde andando e se tornaram presentes na vida dessa fanfic, obrigada e obrigada outra vez, sem vocês Fullmoon não existiria.
Okay, ainda não é um adeus, mas ainda assim quis agradecer!
Por favor deem uma olhada nas notas finais, é importante!
PS: Nalua, obrigada por não me matar meu xero <3

Capítulo 23 - Súplicas que desbotam na chuva


Fanfic / Fanfiction Fullmoon - Capítulo 23 - Súplicas que desbotam na chuva

 

“Sentia dor, sentia falta de ar, seu quarto girava. Sua pulsação acelerada o fazia mais e mais aterrorizado, como se pudesse sentir várias vezes seguidas a ponta afiada daquela adaga perfurar seu corpo. Antes de ceder para a inconsciência em dor, Jaebum vislumbrou a sombra de alguém a sua frente e como ele se curvava em dor e desespero, uma revivência daquele momento de dor.

Jaebum via a si mesmo morrendo”.

 

— Não, — o ruivo resmungou entre dentes, tentando de toda forma que podia suportar as dores. — eu não vou ceder, eu não vou deixar que você tome meu lugar.

Era insuportável, Jaebum lutava contra a pressão em sua cabeça e a vontade de deixar seu corpo cair inconsciente. Apesar da intensa dor em sua cabeça e abdômen, se obrigou a permanecer lúcido, ou o tanto que podia, sacudindo a cabeça tirando de seus olhos e mente a imagem de si mesmo sangrando. Morrendo.

Prendeu um grito agonizante de dor ao que se obrigou a levantar da cama. A chuva desabava pesadamente do lado de fora e a noite parecia ter chegado mais cedo, pois o negrume já cobria a floresta. O ruivo fitou a janela e então a adaga no chão sentindo nojo daquele objeto, quase não conseguindo suprir a vontade de jogá-lo o mais longe de si.

O desespero o fez cambalear descalço para fora do quarto no ímpeto de procurar ajuda, alguém, Jiaer.

Até mesmo Bambam ou Mark, havia urgência em ver qualquer um dos três, dentro de si rugia a dor e a sensação de que somente eles conseguiriam apaziguar aquele tormento. A dor o cegava e o desejo quase insano de estar perto deles vencia qualquer medo. Qualquer dúvida. Pelo menos era o que ele achava.

Apoiou-se na porta do quarto vendo a sua frente o corrimão de proteção do corredor para o andar de baixo. Vozes alteradas repentinamente inundaram a casa como se uma discussão estivesse acontecendo. A mistura de dor e de seu desespero fizeram lágrimas grossas rolar pelo seu rosto. Precisava de alguém senão sucumbiria ao desejo de seu corpo de se desligar e Jaebum não queria isso, ele precisava manter-se forte, acordado, pois o medo de que alguém viesse e tomasse o seu lugar era enorme.

As vozes aumentaram de tom tornando-se gritos que para o ruivo, por conta de sua confusão mental e dor, eram incompreensíveis. Conhecia aquelas vozes, sabia que sim, e por conta disso se curvou sobre o próprio corpo, forçando-se a mais alguns passos até que estivesse completamente apoiado ao corrimão e seus olhos, com esforço, tentaram focalizar na movimentação abaixo de si.

Abriu a boca disposto a chamar a atenção, seus olhos embaçavam por diversas vezes por conta das lágrimas de dor, contudo, por conta da discussão que se seguia no hall algo, uma frase fez sua mente despertar quase que por completo, o fazendo diminuir a pressão das dores psicológicas sobre si e prestar completa atenção no que acontecia ali.

— Você não me ouviu, Kayee?! Ele não é o Chang, ele vai morrer por nós!

O silêncio de dentro do casarão foi quebrado assim que a porta da frente foi escancarada, o baque da madeira batendo na parede ecoou e fez com que as paredes da mansão tremessem pelo estrondo. O corpo magro e ferido de Jinyoung foi lançado no chão frio do hall pelas mãos de Jooheon, que exalava raiva em seu rosto.

Não tinha como se controlar, a situação vivida a poucos instantes trouxera o pior do lobo marrom a tona, toda a raiva contida durante séculos parecia ser exalada ao seu redor como uma aura negra e mortal. Jinyoung encarou o avatar do lobo mais forte a sua frente, entendia os motivos de seu igual, mas ao contrário dele seu pesar se mostrava de outra forma.

— Onde está ele? Jiaer já teve tempo de o esconder? Eu sinto o cheiro dele, da covardia dele!

Sabia que Bambam e Mark já haviam levado o corpo, talvez até retirado as jovens presas do mais novo, sabia também que de todos somente ele e Mark estavam sem ferimentos e isso era o que tornava a raiva extrema do Lee ainda mais densa: o filhote morrera, todos estavam feridos e somente ele estava sem nenhuma mácula externa.

O cabelos castanhos caíam molhados sobre o rosto de Jooheon, o corpo também molhado estava ferido, sujo e sangue podia ser visto em suas roupas, em suas mãos. Nenhum ferimentos podia ser visto em seu corpo, mas por dentro ele sentia-se sangrando, morrendo, exatamente como o lobinho que estivera sem vida em seus braços a poucos estante.

Ele tremia, podia sentir cada músculo de seu corpo tenso implorando para que voltasse a forma de lobo. Tudo que sentia parecia muitas vezes pior, pois seus sentimentos se ampliavam por conta do estado emocional de Jiaer e o do lobo mais velho era ampliado por toda a matilha. Isso deixava seu corpo quase ao estado de explodir, sem controle, o grande lobo marrom agora era somente ira em seu ser.

Precisava extravasar, precisava encontrar o culpado, sua mente atormentar já tinha um em mente, e por isso Jooheon estava ali no casarão, já que não pudera matar Hodong, ele descontaria naquele que deveria ter impedido tudo aquilo.

— Jooheon, você não pode obrigá-lo a isso.

O riso de escárnio, quase insano, pode ser ouvido, então o lobo marrom se virou encontrando Mark, tão molhado e sujo quanto a si, o encarando com olhos amarelos, raivosos. Viu-o correr para perto de Jinyoung o ajudando a se levantar, uma tensão de ira estava instalada no local, os três lobos se olhavam como se a qualquer momento pudessem se atacar.

— Foda-se, não importa mais, vocês irão carregar mais mortes nessa noite. Não esqueça disso Mark, o responsável pela morte dele foi você!

— Ninguém é culpado de nada, Jooheon!

A voz de Jiaer surgiu da porta, o loiro assim como Bambam, que viera junto, estavam como os outros três, completamente molhados e sujos. Era palpável a tristeza e revolta de todos eles, os rostos traziam tensão e Jooheon sentia seu interior gritar, contorcer-se desejando liberdade e sangue.

Por conta do instinto da matilha, eles haviam saído, buscando encontrar o lobo marrom, já que uma sensação alarmante de perigo os acometera no início daquela tarde. Com a chuva, haviam se encontrado na floresta a borda a da fazenda de Hodong. Não somente os quatro do covil dos lobos fizeram sua busca pelo grande marrom, como os mais novos, pressentindo algo, também apareceram.

Buscaram pelo ninho de Jooheon, contudo, foram pegos pelos caçadores da fazenda e durante a perseguição conseguiram atingir um dos lobos. Ao repensar sobre tudo isso, Jiaer quis sufocar a agonia que o consumia. Havia um mistos de sentimentos e emoções que o tinha consumido desde que entrara naquela floresta mais cedo e essas sensações somente faziam crescer a cada momento ao que absorvia as que vinham de sua alcatéia, principalmente Jooheon.

Era um ciclo sem fim, pensou observando o mais novo que tinha os olhos travados em si. Como se tivesse paralisado, não por medo, mas por raiva e tensão.

— Oh, não? Posso enumerar os culpados nos meus dedos, Kayee. Todos, os antigos e os novos, principalmente aqueles que continuam perpetuando esse erro. Eu jurei te seguir, te proteger, proteger a todos nós, mas ano após ano, século após século eu vi um a um morrer pela cobiça dos outros  — havia mágoa e raiva na voz dele, todos podiam sentir. — Nós aguentamos, não é? Nós seguimos e então a nossa grande esperança nasceu.

O riso sem humor foi dito, Bambam observava com atenção os gestos sarcásticos vindo do rapaz ao centro. Aos poucos todos eles foram se acerca do de Jooheon, de forma que o mesmo, se tentasse, não conseguisse escapar.

— Aquele covarde ali em cima que vocês tanto escondem de mim não vai ser capaz de ajudar ninguém agora, Kayee, nem mesmo Bambam será capaz de o fazer nos libertar. E por causa disso, dessa passividade que vocês envolveram aquele covarde, perdemos Amber!

A tensão estava ainda ali, e a raiva também, era perceptível a qualquer um deles, que se tornavam agitados a medida que sentiam a agitação e ira vindo do lobo marrom. Jooheon que tinha os olhos tão dourado como todos ali naquele momento, sentia que seria capaz de explodir de ódio, de rancor, de mágoa. Queria um culpado para descontar o que sentia.

— Amber, Kayee! Aquela que você viu crescer, aquela que nos tomou como filhos! Ela não conquistou a liberdade, ela está tão presa e perdida como nós! Agora eles vieram atrás de Yugyeom e o mataram também! Depois qual de nós será?

Gritou raivoso, somente sua voz sendo ouvida naquele momento, apesar da urgência em o deter as palavras de que ele jogava contra Kayee, Mark e Bambam refletiam profundamente nos três, que de todos daquela alcatéia, eram os que sentiam o fardo de forma mais pesada. Ainda assim deixaram que Jooheon falasse, que desabafasse o que achava necessário, manter ele ali, mesmo dizendo tudo aquilo e os ferindo, era melhor do que se estivesse atacando Jaebum, ou pior, sendo caçado outra vez lá foi.

— Quem será o próximo? Hein, Bambam? Será Youngjae? Eu? Você? Tao disse que iremos nos libertar em breve, eu quis acreditar nele, mas como posso vendo todos os meus irmãos morrerem? Como posso acreditar que aquele resto do Chang irá nos ajudar de alguma forma?

Um clarão cortou o céu escuro do lado de foi iluminando o hall de entrada do casarão, logo em seguida uma trovoada soou mais alta que as anteriores indicando que a chuva pesada estava se transformando em uma tempestade. Um uivo de lamento soou longe sendo seguido por outros dois.

— Está ouvindo não está? Isso machuca vocês tanto quanto me destrói? — Jooheon olhou suas mãos sujas de  sangue. — Sou eu que vivo lá fora! Sou eu que vivencio o perigo a cada dia, eu que corro todas as noite para proteger os que estão longe do covil! Vocês temem? Vocês estão sofrendo? Pois eu também, não foi vocês que tiveram o sangue dos outros em suas mãos a cada morte, não foi vocês que viram nosso filhote cair morto aos seus pés!

As palavras machucavam, o acontecido recente consumia suas mentes, destruíam seus corações, o peso da morte do mais novo, de mais um igual, indo antes do momento que eles tanto aguardavam, o medo de mais um deles seguir o mesmo caminho, um após o outro, até que não restasse ninguém mais.

— Yugyeom... Eles nos tiraram nossa criança e vocês querem que eu espere a nossa libertação? Vocês querem que eu seja passivo e não ataque quem está nos caçando? — Jooheon negou com a cabeça, seus olhos ainda estavam presos em suas mãos ensanguentadas. — Eu estou cansado de esperar, cansado de depender de alguém que não sabe ou finge não saber do que precisa fazer.

— Jaebum, el...

— Pare de o defender! — gritou, interrompendo Jiaer, olhos dourados e ambarinos se encarando com raiva, se medindo agitadamente. — Desista Kayee, ele não é o Chang! Ele não vai se sacrificar por você, não vai morrer por nós, não importa o quanto você, Mark ou Bambam digam o contrário!

— Jooheon, pare, você nã...

— Você não me ouviu, Kayee?! Ele não é o Chang, ele não vai morrer por nós!

— Você não tem como assumir isso como certeza, jovem Heon.

Jooheon deixou sua atenção se pega pela senhora parada ao lado da porta. A postura firme e o rosto sério encaravam de igual para igual o rapaz que rosnou irritado por aquela presença, por se sentir coagido por ela. Enquanto os outros, mesmo que alertas com o grande marrom, mostravam seu pesar pela morte do mais novo, já ela, Jooheon constatou, quase se entregando ao ímpeto de estraçalha-la em sua forma de lobo, ela parecia não se importa.

— Vocês ficam ouvindo essa bruxa, — ele disse irônico voltando-se completamente para a recém chegada. — e ficam rodeando esse covarde, enquanto todos nós vamos morrendo um por um. Eu já desisti, eu vou fazer do meu jeito.

Ao dizer isso, o rapaz transformou-se em um grande lobo de pelos marrom avermelhados e saltou, fugindo de Mark, que havia se transformado também, passando pela porta e correndo para o meio da escuridão. Mark foi o primeiro a segui-lo de perto, logo o lobo negro seguia pelo mesmo caminho. Um uivar desesperado soou longe, após tiros ecoarem floresta a dentro. Jiaer entendendo aquele chamado, desapareceu assim que voltou a sua forma de lobo, perdendo-se na tempestade.

Pavor. Era o que Bambam sentia naquele momento ao ver um por um se transformar e correr. Aquela não era uma noite qualquer, ele pressentia isso. Caminhando para fora do casarão, parou ao lado de sua mestre, o pra ir agora dividindo lugar com ansiedade e raiva. O xamã se aproximou dela, enquanto seus olhos permaneciam presos nos contornos escuros da floresta e seus ouvidos aos uivos que não se findava-se, assim como os tiros.

— Por que está aqui? — Questionou, precisava saber antes de partir como os outros, ela lhe devia aquilo.

— Porque preciso fazer o que você me pediu antes —  Ergueu a frente dos olhos de seu antigo aprendiz a bolsa de couro que haviam compartilhado naquele dia mais cedo.

Os olhos alarmados de Bambam foram da senhora a sua frente para dentro do casarão, foi então que percebeu Jaebum parado ao lado da escada, o olhar perdido no rosto contorcido em medo. Virou-se decidido a entrar e ir de encontro a ele, porém foi impedido pela mão dela em seu braço.

— Vá, não os deixem sozinhos. — ela encarou o céu escuro que desaguava em tempestade — Haverá uma lua vermelha antes do amanhecer, Kunpmook, e será a última.

A mensagem por trás da fala dela foi completamente entendida pelo tailandês, que virou as costas para Jaebum e sem hesitar mais, também transformou-se em lobo seguindo o rastro deixado pelos outros.

— É para isso que eles precisavam de mim? Sacrificar? Eu preciso morrer? Eles querem que eu morra? A chave de tudo então era isso?

“Então ele tem que se ferir, sacrificar, de boa vontade, e ciente do que está fazendo”

— Eu sou um sacrifício? Preciso morrer para que eles vivam? Esse é o motivo por terem me mandado para cá? Eles sabiam desde o começo?

Não.

Jaebum sentiu seu corpo ser tomado por uma agitação diferente, as dores que anteriormente o acometera tinham desaparecido, somente seu senso de urgência, de sobrevivência, o arrebatava agora. Sentia-se como na primeira lua cheia que havia passado ali, o medo de morrer, o pânico que vinha do desconhecido lhe tomando por completo.

Seus pés agiram automaticamente ao caminharem em direção a escada, uma das mãos foi ao bolso e de lá tirou a chave do carro. Sua mente em estado catatônico repetia a mesma palavra que saia de seus lábios.

— Não, não, não, não.

Sua mente estava em branco, tão absorto em seu desespero para fugir daquele lugar não olhou, sequer notou, a senhora Lee parada ao lado de fora do casarão, na chuva. Seus pés seguiram para seu carro enquanto sua mente, em completa desordem, inundava-se de pensamentos que faziam o ruivo sentir vontade de dar meia volta e jogar-se contra a parede.

Não vou morrer, não quero morrer. Aberrações, monstros, eu estou perdido, tenho que sair daqui. Eu estou louco, eu enlouqueci. Não, não, não, não, não. Eu não nasci para isso, tudo é um pesadelo, nada disso existe.

— Jaebum.

Ela chamou, e os pés do Im travaram a um passo de seu carro. A chuva caía pesadamente e o céu era iluminado por raios e relâmpagos de forma constante. Ele não virou-se para ela, apenas fechou seus olhos com forma, sibilando palavras de forma rápida

— Você estava com Bambam, você trabalha na biblioteca e me disse aquelas coisas. — ele soltou rapidamente, seus olhos ainda fechados negavam-se a fita-lá. — Eu não vou ouvir você! Você quer que eu morra, todos querem, eu não vou ficar aqui.

Assim que disse a última frase abriu seus olhos e deu mais um passo em direção a seu carro, ignorou todos os sentimentos que vinham e tomavam seu ser, não queria pensar em nada, em nenhum dos outros. Queria somente estar longe dali, longe o suficiente para poder respirar, pensar, viver.

— Jaebum.

— Para de me chamar! Eu não quero ouvir! Eu não quero saber quem eu sou ou o que eu fui, eu tenho o direito de viver como eu quiser! — Gritou já sentado no banco, as portas estavam fechadas, todas elas, ele tinha certeza! Então por que a voz dela soava tão perto, tão aterrorizantemente perto?

Seus olhos continuavam a se negar olhar para ela, enquanto sua mão tateava às cegas para dar partida no carro. Ele tinha que fugir, correr, se esconder.

— Aqui, você sabe o que tem aqui dentro, não sabe? Eu sei que sim. Você saberá o que fazer com isso quando o momento certo chegar.

Seu nível de pânico elevou-se mais ainda ao olhar de canto de olho para o lado e ver pousado no banco ao lado aquela maldita bolsa de couro. O carro estava trancado! Gemendo assustado, Jaebum não esperou mais nenhum segundo sequer. Se era insano de sua parte tentar dirigir naquela situação, mais insano parecia para si continuar em um lugar onde todos queriam que ele morresse.

Com pressa e velocidade, guiou o carro para fora dos limites da propriedade de Wolfs Lair, e além dela, a medida que via no velocímetro o ponteiro subir de nível cada vez mais rápido.

Você está fugindo.

A frase ecoou em sua cabeça entre o branco que sua mente havia se tornado, os pensamentos atormentados ainda estavam ali, mas de alguma forma aquela voz conseguia se destacar. Jaebum queria a ignorar, ele sabia a quem ela pertencia, mas não iria ceder, era insanidade demais aquilo tudo. Ele não poderia existir.

Volte Jaebum, os ajude.

Sacudindo a cabeça fechando os olhos, logo os abrindo, a chuva caia fortemente e o farol alto do carro mal conseguia iluminar alguma coisa a frente.

Kayee precisa de você.

— Me deixe em paz, por favor, este não sou eu, isso não sou eu. — Sua voz saia baixa, rouca, desesperada, seus olhos ardiam pelas lágrimas de medo que insistiam em querer sair.

Seus filhos precisam de você.

— Não são meus filhos, pare, por favor, pare.

É seu dever, Jaebum.

— Me deixem em paz! —  Gritou dessa vez, quase perdendo o controle do carro.

Jaebum, por que está fugindo?

Resolveu ignorar, fingir que não o ouvia. Não queria pensar naquilo, no motivo, pois somente o deixava mais e mais assustado.

Jaebum, do que está fugindo?

Não adiantava, a voz continuava, a cada segundo, questionando, pedindo, sentia seu peito doer, seus olhos arderem, queria sumir, ir para longe. O medo ainda estava presente no seu corpo, mas aos poucos a noção do que estava fazendo o acometia, e então vinha o desespero de se sentir arrependido.

— Por que estou fazendo isso? — Se questionou e balançou a cabeça, a estrada de terra completamente lisa fazia o carro derrapar, Jaebum não sentia mais tanto controle sobre o carro ou sobre si e o que estava fazendo.

Você se fez uma promessa.

— Eu prometi ajudá-los, — gritou frustrado, seu pé afundando no acelerador cada vez mais, a raiva agora sendo mais um dos sentimentos que começava o dominar. — mas eu não consigo, eu não consigo fazer isso, eu...

Trincou os dentes, prendendo mais um grito de desespero, se sentia ansioso, com raiva, frustrado e ainda com medo. Entretanto, nada mais no pânico anterior corria em seu corpo, porém isso não o fazia parar, apenas celebrar mais e mais enquanto apertava fortemente o volante.

— Eu não posso.

Você pode.

— Não!

Nós podemos.

A voz parecia cada vez mais ganhar força dentro de sua cabeça a medida que soava cada vez mais alta.

Ele está vivo por você, Jaebum. Eles estão.

— Não, não!

Ele faria o mesmo por você. Você sabe, você sente.

— Não… — Respondeu sem forças, seus olhos liberando lágrimas não mais de pavor, mas de arrependimento.

Você quer voltar.

— Por que eu voltaria? — fungou tentando dominar o carro que em alta velocidade ainda seguia para longe do casarão. — Eu deveria voltar?

Ele se entregou a você, ele permitiu que você o visse, que você soubesse por conta própria. Isso é amor, Jaebum, você sabe.

— Não, ele não me ama, nenhum deles, era você o tempo todo. Somente você — soltou cansado, seus olhos molhados já não podendo distinguir nada através do para brisa ofuscado pela chuva incessante.

Você sabe que não é verdade.

— Eu não posso, deixe-me ir.

Jiaer te ama.

Permaneceu em silêncio, o encontro com a pista asfaltada estava próximo, Jaebum sabia, logo estaria na pequena cidade e então na rodovia de volta para Seul.

Kayee te ama.

Continuou em silêncio, seus dedos tornaram-se brancos de tanta força que exercia sobre o volante.

Você o ama?

— Amo! — gritou, se rendendo para então perdeu o controle do carro. — Droga!

Ao gritar desistindo de fugir, Jaebum pode distinguir entre as gotas pesadas e constantes da chuva um contorno no meio da estrada, o lapso do susto de atropelar alguém fez com que, mesmo ainda em alta velocidade, pisasse no freio com toda força, jogando o volante para o lado. As rodas, que já se mantinham com pouco controle, derraparam travadas pelo freio fazendo o carro rodopiar na estrada repleta de lama e barro e girar até o barranco.

Como num piscar de olhos, Jaebum se reconheceu naquela aparição, para logo em seguida não ver mais nada em meio a chuva. O carro desgovernado girou até o limite do barranco, pendendo sem contenção para a descida e capotando em direção a floresta fechada. Grito após giro, Jaebum solto dentro do automóvel, foi arremessado para fora do mesmo quando a porta se abriu.

Seu corpo rolou barranco abaixo semiconsciente, e sem controle de seus movimentos colidiu contra uma árvore batendo a cabeça contra uma pedra, não conseguiu gemer de dor, pois se sentia de alguma forma anestesiado. Seus olhos, ainda mais embaçados, fecharam-se e em meio aquela floresta, naquela tempestade, Jaebum se tornou imóvel. Desacordado.


Notas Finais


Eita.
He, hehe, hehehe rindo de nervoso pq não se se vcs vão bater no Jaebum ou em mim @@
Bebes, deem uma olhada na nova long que eu comecei, é a que ganhou aquela votação que fizemos um tempo atrás, lembram? Por favor, Deem amor a Danger Days como vocês amam Fullmoon <3
https://www.spiritfanfiction.com/historia/danger-days-13822191
Até semana que vem <3


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