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História Fumaça e Segredos (HIATUS) - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Capítulo IV - Alquimistas



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You're brave, darling, use that. 

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O trabalho no escritório era cansativo, tediante, estressante, podia perceber isso na postura da mãe.Ganhara peso desde que o marido a abandonou com o filho pequeno e as despesas da casa, agora era mais difícil ver seus sorrisos brilhantes.


Mas ainda existiam.Quando o filho corria pela casa brincando de ser herói, quando puxava a barra de sua saia e pedia permissão para ir brincar com os amigos.


O garoto contou que estava com os amiguinhos quando aconteceu.Diz que não se lembrava de muito, apenas de mãos fortes e grosseiras o agarrando e o grito desesperado de sua mãe, então tudo ficou escuro.


Quando acordou, não estava mais em casa.


Preso à uma cadeira, homens com máscaras estranhas iam e vinham, trazendo agulhas e ferramentas.O garoto conta que sentia substâncias estranhas entrarem em seu corpo logo antes de cair em um sono profundo.Não se lembrava de nada depois, exceto uma voz insistente que dizia:


— Desperte, One for All. 


Gun Head pareceu entrar em um pequeno transe, remexendo algo em sua mão sem parar. 


— Foi ele quem me trouxe a razão de novo. — Murmurou. — Seu coração era puro, dava para sentir mesmo do outro lado do vidro em que eu o monitorava.Muitos deles eram puros assim. 


"Comecei aos poucos, entrando em contato com algumas crianças com mais disposição e trocando informações.Logo, quando já tinha ligação com mais de um terço delas, coloquei em prática o plano de fuga. — Seu foco se fixou na garota presente no recinto. — Não teríamos ido muito longe sem a cooperação de todos e o sacrifício de muitos.Com o estardalhaço que iniciei na sala de máquinas, a jovem Ochako e mais alguns mutantes conseguiram evacuar o máximo possível de vítimas.Ela voltou para me salvar, infelizmente já era tarde demais.Conseguiram me retardar ao aplicar uma das injeções bizarras em mim."


— Tudo estaria perdido se não fosse a segunda distração: Um garoto extremamente resistente que conseguiu abalar as estruturas da sede. — Ochako sorriu, todas as peças se encaixando em sua cabeça. 


Kirishima parecia estar seguindo o mesmo caminho, uma parcela de compreensão e esforço dominado sua face, como se estivesse tentando com afinco se lembrar de algo. 


Já Katsuki... 


— O garoto...está morto? 


Gun Head parou de remexer o objeto em sua mão e a abriu, revelando um chaveirinho com um #1 de metal.Katsuki o reconheceu imediatamente. 


— Não sei dizer. — O homem respondeu. — Mas sei seu nome, ou melhor, apelido.Ele queria que eu o chamasse de Deku. 


O loiro passou a mão pelo cabelo espetado, respirando profundamente.Estava certo de que era ele, o que se perdeu à tantos anos.Ainda estava vivo?Katsuki poderia salvá-lo assim como ele o salvou? 


— Eu...conversei com ele. 


Katsuki se virou para Uraraka, incrédulo.Então se arrependeu de não ter trago o assunto do menino de cabelos verdes a tona antes, já que tantas fontes de informação estavam ao seu redor sem saber. 


— Ele dizia que era chamado assim por ser inútil, mas o convenci de que havia outro significado. 


— "O que nunca desiste." — Katsuki completou em um eco de seus pensamentos. 


Sentia um nó fechando sua garganta, sufocando com verdades inegáveis.Era sua culpa Deku ter estado naquele lugar, era pra ter sido ele. 


Uma mão grossa apertou seu ombro e Katsuki quase pode sentir o peso em sua consciência evaporando.Quase.


— Senhor Gun Head, temos que verificar. — Kirishima disse com firmeza. — Se existe a chance de ter sobreviventes, precisamos repetir nosso primeiro feito e salvá-los!


— Não é tão fácil, agora eles de alguma forma conseguem controlar os experimentos para fins próprios. — Respondeu Gun Head. — Mas... 


— Mas? 


— Não é impossível. 


Assim que as palavras saíram de sua boca, Uraraka e Kirishima se levantaram em um pulo, atentos.Katsuki demorou um pouco mais que eles para identificar o que estava errado, levando-o a pensar que o sexto sentido também era mais aguçado nos mutantes. 


Estava quieto lá fora, sem rugido de máquinas, sem veículos barulhentos e estalos de motores.A mais perfeita paz. 


— Temos que ir! — Uraraka advertiu, partindo para o segundo cômodo em disparada. 


Kirishima, por instinto, se postou entre Katsuki e a única forma de entrar no esconderijo.Seus braços endureceram como rochas, prontos para parar qualquer ataque. 


— Katsuki Bakugou. 


O loiro se virou para Gun Head, aguardando.Ainda sentia náuseas pelas descobertas recentes, mas sabia que não era hora de se distrair. 


— Tome, isso pertence a você — Gun Head estendeu o pingente com o #1. — Kacchan. 


A última prova que precisava para confirmar a verdade.Ele estava lá, Gun Head e Uraraka entraram em contato com ele e agora estavam ali.Katsuki quase riu do destino e suas trapaças, mas sua atenção foi desviada para outra coisa. 


Uraraka saia do cômodo adjacente com uma mochila de couro atada as costas e outras duas nas mãos.Seu rosto estava sério, em contraste com o glacê colorido que ainda estava pregado nas bochechas. 


Ela parou no meio da sala, fitando o chão com intensidade.Seu corpo começou a tremer e apertou as alças das mochilas com forças. 


— Me desculpe, sensei. — Sua voz estava embargada, mas fazia esforço para não quebrar. 


— Está tudo bem, Ochako. — Gun Head firmou-se nos braços da poltrona para ficar em pé. 


Seu porte forte era apenas a fachada para a personalidade real.Quando ergueu o braço livre com dificuldade e acariciou a cabeça de Uraraka, a garota não conseguiu se conter e uma lágrima solitária desceu. 


— Sobreviva, Uravity. 


Uraraka fez sinal para os outros dois para que a seguissem.Afinal, a porta da frente era o único meio de entrar somente seu você não tivesse um mutante ao alcance das mãos. 


Atravessado o segundo cômodo, que os dois identificaram como uma cozinha abandonada, chegaram até um monte de entulho.A parte mais degradada da construção. 


— Certo, vocês podem me ajudar. — Uraraka falou.Já parecia um pouco melhor. — Vou aliviar o peso desse grandão e vocês empurram. 


Ela se referia a um grande bloco de concreto posto estrategicamente como uma espécie de porta.Quem quer que fosse invadir, não pensaria em entrar por uma passagem obstruída. 


A não ser que... 


— Para trás! 


Kirishima poderia ser um pouco aéreo as vezes mas, quando sua mente entrava em modo de batalha, era praticamente impossível pegá-lo desprevenido.Quando Uraraka estava prestes a encostar no bloco para ativar seu poder, o ruivo a segurou pela cintura e puxou para trás.Seu corpo se endureceu por inteiro, formando um escudo para proteger à ela e Katsuki. 


Uma luz ofuscante explodiu a saída improvisada, lançando poeira e detritos em todo lugar.Kirishima se manteve firme como um paredão, aparando todos os danos, enquanto Katsuki já começava a se aparar para a luta. 


Um jovem loiro, também de aparência sem vida, surgiu entre a poeira.Seu peito estava nu, vestindo apenas uma calça esfarrada e um amontoado de peças na cintura.O núcleo do cinturão começou a brilhar, e Kirishima já sabia que outra rajada viria. 


Mas não veio.Em um movimento sincronizado de uma dupla com anos de convivência, Uraraka e Katsuki saíram detrás da muralha humana e se colocaram de pé.A mutante tocou as costas de Katsuki, ativando sua habilidade, e o inventor começou a flutuar.No altura perfeita, Katsuki levou as mãos para trás e ativou suas manoplas, criando uma explosão que o atirou como um míssil em direção ao inimigo. 


O mutante não teve tempo de reagir quando Katsuki se impulsiou em um bloco de concreto e rodopiou, ficando de cabeça para baixo.Ativou uma explosão novamente, dessa vez mirando certeiro no cinturão do outro loiro. 


Kirishima fez o que pode ao seu jogar em cima do garoto do laser antes que seu cinturão explodisse.O segundo impacto foi mais forte, jogando o ruivo com força contra o teto.Pedaços da construção começaram a cair, toda a estrutura entrando em colapso. 


Kirishima desacordado estava prestes a colidir com o chão quando Uraraka o segurou pelo pulso, correndo como uma boa fugitiva e agarrando o tornozelo de um Katsuki flutuante no processo.Seria cômico a cena da garota puxando os dois como balões de festa se a situação não estivesse tensa o bastante. 


O mutante do laser não os seguiu, o que confirmou sua suspeita.Foi fácil demais, de certa forma, então não estavam atrás deles. 


Gun Head se sentou novamente, cruzando os braços à espera.Rachaduras começaram a tomar o teto e as paredes, mas não se preocupou.Sabia que o destino o levaria de uma forma ou outra. 


Um garoto surgiu da antiga cozinha, coberto de sujeira e meio trôpego, mas nada que o impedisse de cumprir o que estava sendo obrigado a fazer.Gun Head levantaria novamente e diria ao garoto que estava tudo bem, mas já não tinha forças.Seu último ato de resistência foi arrancar o tubo que o ligava ao cilindro de vidro.


Não vou morrer com seu veneno em minhas veias. 


A luz o cegou por um momento, mas ele pode ver.As memórias de uma garotinha de bochechas fartas arrastando seu corpo para fora dos escombros, a feição preocupada com as mudanças que o corpo do cientista sofriam.Viu a menina um pouco mais velha, se defendendo enquanto ela a ensinava a lutar.Ela sorrindo quando chegou com a notícia de que tinha conseguido roubar algo que tardaria sua morte um pouco.Aquela gentileza para com alguém que vinha do lado inimigo. 


Seria a única coisa que sentiria falta da vida amarga que levou.Seu último ato, desejar que Ochako fosse forte para continuar seguindo e salvar outros como ela. 


A luz cegante o atingiu e tudo ao seu redor pareceu flutuar para longe de seu alcance. 


Uraraka corria com Kirishima apagado no colo de Katsuki sem olhar para trás, nem mesmo quando sentiu o peito se contrair na certeza dolorosa de que seu único amigo estava morto. 





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