História Fury- Norminah - Capítulo 4


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Laurinah, Laurmani, Normally, Norminah, Trolly
Visualizações 243
Palavras 6.423
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Científica, Romance e Novela
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aqui estou eu novamente, qualquer duvida sobre a fic podem falar comigo no Twitter @DinahstyKordei
Boa leitura

Capítulo 4 - Capítulo 3


Dinah pov


Dinah olhou a mulher Nova Espécie com frustração. Sabia que fazer amizade com eles seria uma tarefa difícil, mas não fazia ideia de quando eles pretendiam tornar isso possível. Nenhuma delas foi amigável com ela. Era um grupo fechado, mas não com Dinah. Esperava poder esconder suas mágoas. Ajudá-las tornou-se sua missão na vida, seu único propósito, e elas se recusaram a permitir isso até agora.

— Será que alguma de vocês gostaria de aprender a cozinhar? Posso ensiná-las ou posso mostrar para vocês a tonelada de dvds de culinária que possuo. — Olhou de um rosto para outro. — Tenho certeza que algumas de vocês estão cansadas das refeições fornecidas pela cafeteria NE. Gosto de cozinhar. É bom aprender e todo mundo adora comida.

Ninguém das três dúzias de pares de olhos que a observava falou. Dinah suspirou.

— Eu juro, não sou o inimigo. Estou aqui para ajudar vocês a aprender habilidades de vida e para ajudá-las a se integrar na sociedade. Quero ajudar você em tudo o que vocês precisam. Eu realmente gostaria que vocês me permitissem fazer isso.

O silêncio desconfortável parecia não ter fim. Os ombros de Dinah caíram numa derrota momentânea.

— Tudo bem. Talvez vocês precisem de mais tempo para me conhecer. Se vocês precisarem de alguma coisa, por favor, me avisem. É para isso que estou aqui. Oh, eu fiz alguns bolos eu os coloquei dentro da geladeira, por favor, coma-os. 

Dinah saiu da sala antes de permitirem ver sua depressão. Assim que ela saiu de vista ouviu vozes femininas, reforçando a vontade de chorar. Todo mundo ficou em silêncio quando entrou no quarto, mas voltaram a conversar logo após ela sair. Não podia ignorar a possibilidade de que poderiam odiá-la. 

Recusavam-se a falar com ela, exceto quando precisavam e não pareciam querer sua ajuda. Tinha que dar aulas obrigatórias apenas para ensinar-lhes conceitos básicos, tais como usar os aparelhos em casa. As perguntas foram poucas como de costume, mas percebeu que algumas delas tinham memórias incríveis. Elas reteriam a informação e, em seguida ajudariam as outras que tiverem dificuldade.

Pensava em se demitir, mas tinha sido assegurada por um dos membros do conselho que as mulheres rejeitariam qualquer um que aceitasse esse emprego. Não era uma delas, simples assim, e sendo apenas uma humana comum, fez com que os Novas Espécies não confiassem nela. Foi aconselhada a dar-lhes tempo e se lembrou de que fazia apenas duas semanas.

Duas semanas de inferno, resmungou em silêncio, e foi para seu apartamento. Se fosse embora, porém, não tinha para onde ir, não havia nenhuma vida para voltar, depois de cortar todos os laços com seu passado. A própria ideia de pedir a seus pais para viver com um deles até ela voltar a andar com seus próprios pés ameaçou dar-lhe uma enxaqueca.

Seus pais discutiam sobre tudo, mesmo vivendo separados, e depois, pedia-lhe para escolher um dos lados. Ambos foram radicalmente contra seu próprio divórcio, a única coisa que eles concordavam, e ainda permaneciam em contato com seu ex-marido.

A faziam passar tempo com ele, com suas tentativas equivocadas e irritantes de uni-los. Preferia saltar em um poço com cobras do que voltar para a vida que um dia já teve. Não ligava para casa por uma razão e com certeza não queria para passar por tudo aquilo de novo. Os pais dela estavam irritados com ela, o que significava que, finalmente, lhe deram paz, algo que não faziam desde seu divórcio, quando tinha dez anos de idade.

Sua nova vida consistia em seguir em frente e ajudar as pessoas com problemas reais, coisas que queria fazer com os Novas Espécies. Eles eram importantes para ela e precisavam de pessoas que se importavam ao seu lado. Ela definitivamente se importava.
Dinah trocou de roupa rapidamente, colocou suas calcas, uma camiseta regata e tênis de corrida. 

Precisava de ar fresco e algum tempo fora do dormitório, certa de que não sentiriam sua falta. Tentou não sentir auto piedade. Ela assumiu o trabalho que a manteria ocupada e talvez fosse gratificante. Em vez disso, sentiu solidão e depressão. Enfiou o MP3 player na parte da frente do sutiã junto com sua carteira de identidade já que não tinha bolsos.

Deixou o quarto e começou a se aquecer enquanto esperava o elevador. Dinah olhou para o relógio quando deixou o prédio do dormitório e avaliou o céu escuro lá fora, com apenas algumas estrelas cintilantes. Virou-se e olhou as janelas para espiar as mulheres que estavam sentadas no sofá rindo juntas na sala de estar. Não conseguia ouvir o que diziam, mas a dez mulheres que espionou pareciam felizes.

Felizes por eu não estar lá, pensou sombriamente. Murmurou um xingamento quando virou de costas. Nunca foi uma corredora, até que se mudou para Homeland. Atividade física a ajudava a lidar com o seu tédio. Começou a correr devagar ao longo da calçada. A área do parque se estendia por uma boa distância ao longo das paredes protegidas pelos guardas. 

Dinah procurou o MP3 no sutiã para aumentar o volume da música até estourar em seus ouvidos. Cantou junto com a música e, recentemente, vinha escutando heavy metal para combinar com seu humor. Correu ao longo do caminho até se afastar das paredes e foi em direção a um grande lago. Gostava de correr ao lado da água. 

Dinah acelerou por um bloco inteiro, quando chegou na lagoa começou a cansar. Parou para se alongar, inclinou-se para tocar os dedos dos pés, e depois se esticou. Pelo canto do olho viu um movimento. Virou-se, na esperança de ver um outro corredor, mas não viu ninguém. Franziu a testa. Podia jurar que tinha visto alguém.

Dinah balançou a cabeça e deixou pra lá. Imaginou que o vento movendo as copas das árvores atraiu sua atenção. Estendeu os braços para cima e torceu o corpo em várias posições para soltar os músculos. Seu corpo doía quando corria, mas queria ficar em forma. Com vinte e nove anos parecia ser um bom momento para fazê-lo.

Ela sorriu, sabendo que seu ex-marido teria um ataque cardíaco se a visse agora. Já foi mais do que um pouco acima do peso. Tornou-se uma pessoa quase totalmente diferente depois do amargo divórcio causado por uma traição, um marido verbalmente abusivo que acreditava que era patética o suficiente para acreditar em tudo o que ele falava. Estava errado. Não era nenhum capacho, nunca ficaria com alguém que não soubesse amar, e terminara o casamento, apesar dos protestos de Christopher .

Transformou completamente a sua vida depois que ela testemunhou em primeira mão o sofrimento, enquanto trabalhava na instalação de teste. Dezenove quilos mais leve e livre do seu ex, estava muito mais bonita. Riu. Na verdade perdeu cento e dezenove quilos indesejados já que Christopher foi responsável pelos cem. Seu corte final de seu passado foi escapar de seus pais depois que tentaram lhe convencer a trazer ele de volta. O inferno ainda não congelou, ela pensou com um sorriso.

Os cabelos da nuca de repente arrepiaram. Seus membros congelaram enquanto olhava ao redor do parque. Paisagistas haviam plantado muitas árvores, transformando a área em uma mini floresta em torno da água. Uns poucos bancos de jardim tinha sido estrategicamente colocados e os edifícios foram localizados nas bordas exteriores do parque. Poderia apenas ver os topos deles de onde estava. Estudou a escuridão mais uma vez, a sensação de estar sendo observada crescia.

Dinah tirou seu MP3 player da blusa e apertou o botão "off". Tentou ouviu atentamente o barulho, mas não ouviu nada estranho. Colocou a música de volta, quando um grunhido suave a fez saltar. Um cão? Olhou por cima do ombro para verificar o ambiente novamente.

Havia alguns guardas patrulhando Homeland com cães, mas estavam sempre presos na coleira. Guardas de segurança estariam de olho, se uma das unidades caninas estivesse nas proximidades. Uma súbita vontade de voltar para o dormitório a possuiu.

Dinah deu alguns passos, mas ouviu outro rosnado, mais perto desta vez. Seu corpo ficou tenso. Examinou a área novamente para procurar a fonte do ruído, enquanto jogava para trás do pescoço os fones de ouvido e segurava o aparelho de música bem firme. Esperava que um dos cães não estivesse se soltado. Eles eram grandes, selvagens, e bem treinados para defender a propriedade. A tratariam como se fosse um intruso.

— Olá? — Sua voz se elevou. Esperava que um segurança respondesse. — Tem alguém aí? 


Normani pov 


Normani estava observando o dormitório das mulheres, onde Dinah vivia e a via através das janelas de vidro do primeiro piso. Trabalhava com as mulheres e estava orgulhosa delas quando não deram a mínima para ela, até que viu a tristeza no rosto dela. Doeu-lhe testemunhar sua dor. Não deveria se importar com isso, mas se importou.

Ficou surpresa quando a viu sair do edifício sozinha, afastando-se da segurança. Ela não percebia o perigo que ela representava? Que a estaria observando? Seus instintos de sobrevivência não gritavam dizendo que ela estaria perto?

Obviamente, até pouco tempo ela não a seguia e a observava tão facilmente ir lentamente para o parque, onde a área isolada quase a implorou para se aproximar. Então ela parou como se estivesse esperando por ela. Inalou seu perfume no vento e gemeu quando seu corpo reagiu. Queria estar mais perto dela, mais do que a sua respiração podia chegar e isso a irritou. Ela era sua inimiga.

Ela rosnou, lutando contra a fera dentro de si suplicando pelo controle. Seu lado humano sabia que ela era limitada. Fora uma informante, ajudou o seu povo. Foi a razão pela qual ela estava na instalação de testes, mas seu lado animal queria se aproximar para tocá-la e reivindicar. Essa verdade a assustou.

Recusou-se a seguir seus instintos. Ela a havia traído depois dela ter confiado que nunca faria nada que pudesse prejudicá-la. Independentemente de suas razões para trabalhar para Mercile, não justifica o que fez para ela, ou a raiva com que viveu, sabendo o preço que suas ações lhe custou.

Treinou seus homens para controlar seus instintos animais e precisava fazer o mesmo, dar o exemplo, e ficar no controle. Tinha responsabilidades para com os Espécies, mostrar-lhes que há vida fora das instalações de testes e que eles não eram apenas animais criados pela Mercile, que havia colocado insultos em suas cabeças durante toda a vida. Dinah era a prova viva disso, porém, ela tinha uma fraqueza – ela.
Ela olhou ao seu redor na escuridão, como se pudesse senti-la. A fera em sua alma uivou para ir até ela, levá-la e tocá-la.

 Lutou contra o impulso, mas depois moveu-se até ela, independentemente da sua vontade. Mais uma vez perdeu o controle quando se tratava dela. Apenas não conseguia resistir ao seu cheiro, o forte desejo de olhar em seus olhos e ouvir sua voz.

Raiva fervente atravessava o seu lado humano, enquanto seu lado animal se revelava em pura luxúria ao som de sua voz doce e tentadora. Lutou contra si mesmo novamente quando inalou seu medo, queria protegê-la, mas também era necessário aterrorizá-la para mandá-la o mais longe dela possível.


Dinah pov 


Um movimento mais uma vez chamou a atenção de Dinah.

 Engasgou quando Normani saiu de trás de uma árvore a sete metros de distância. Seu corpo inteiro reagiu à visão da mulher, alta, atraente, e a sensação de perigo que irradia dela. Engoliu em seco, a respiração aumentou e o medo a fez entrar em choque. Não ouviu um cão rosnando. Isso veio dela. Normani tinha feito aquele som assustador.

Seus longos cabelos sedosos caíam sobre seus ombros e seios, livre assim como ela parecia estar naquele momento. A roupa preta que usava abraçava seus ombros largos, braços musculosos impressionantes, e delineava sua cintura. 

Um ar de perigo emanava dela quando o seu olhar escuro parecia fixar nela, varrendo seu corpo inteiro devagar, e um grunhido suave saiu de dentro de sua garganta. Sua mandíbula ficou tensa, seus músculos se enrijeceram, aparecendo, mesmo sob a luz fraca.

Deu um passo a frente, mas como um movimento predatório do que como uma mulher se moveria, avançando lentamente para ela. Seu olhar baixou para suas coxas musculosas, bem desenhadas em sua calça preta apertada, por todo o caminho até seus sapatos pretos. Irradiava força e sexualidade e ela engoliu em seco. 

Seu coração acelerou, a respiração aumentou, e seu corpo tornou-se consciente de como era puramente atraente.
Ninguém nunca a afetou da forma como ela afetava. Avançou mais um passo, o movimento quase sedutor, e percebeu que se vestiu para se misturar na escuridão, como se tivesse a intenção de se esconder, mas lhe permitiu vê-la aparecendo em luz suficiente para revelar sua presença para ela somente.

Normani considerou seu silêncio agora, seu olhar fixado em seu rosto enquanto a estudava, jurou que viu um olhar faminto em seus belos traços. Colocou para fora a ponta rosa de sua língua para molhar seu lábio inferior, olhando para ela como se fosse algo proibido, mas tentador, seus olhos escuros estreitaram como se ele pudesse ler sua mente. 

Queria beijá-la, ansiava por saber como seria a sensação dela tocá-la novamente, mas não seria desta vez, não com raiva. Claro que isso não iria acontecer. Ela a odiava.

— Oh merda — sussurrou, mas depois falou mais alto. — Olá, ah, Normani. Boa noite para uma corrida, não é?

Ela não disse nada, mas deu mais um passo antes de parar. Seu terror cresceu. Elas estavam sozinhas e ela jurou matá-la. Não podia chamar os guardas da patrulha para ajudar, não estavam à vista.

Um rosnado baixo saiu de seus lábios separados quando deu mais um passo em sua direção. O desejo de fugir aumentava em Dinah, mas não saiu do lugar, tinha lido relatos de que os Novas Espécies eram muito rápidos.

 Seu DNA alterado, dependendo com qual animal foi combinado, era responsável por isso. Normani, obviamente, tinha sido misturado com os caninos e certamente poderia caçá-la se fugisse. Não tinha certeza se deveria gritar, poderia tentar conversar para sair dessa situação assustadora, ou só esperar que não a machucasse. Aproximou-se mais.

— Você sabe o que eles nos treinaram para fazer, a fim de nos mostrar para seus investidores? — Sua voz saiu dura, fria e assustadora.

Teve de limpar a garganta, que queria se fechar com o medo.

— Na verdade não. A maioria dos arquivos foram destruídos quando as instalações de testes das Indústrias Mercile foram invadidas. Eu não tinha permissão para acessar essas informações quando eu trabalhava lá.

— Caçar — ela rosnou. — Eu me destacava naquele treinamento. Era a melhor dos protótipos. Eles nos ensinaram como fazer as coisas para vender suas drogas, para mostrar exemplos vivos do que os seres humanos poderiam se tornar se eles comprassem seus estúpidos remédios e pílulas.

Dinah percebeu que seu futuro parecia questionável naquele momento. Normani a odiava e falava de uma maneira que ela sabia que poderia ser mortal. Não conseguia encontrar as palavras certas, não sabia como resolver a situação. Ela deu mais um passo na direção dela. Merda, merda dupla, ela pensou freneticamente. Iria alcançá-la com apenas mais alguns passos.

— Não tive escolha naquele dia — deixou escapar. — Eu matei Jacob para protegê-la, mas se soubessem que fiz isso, não teriam me permitido sair. Só queria salvá-la. Eu nem sequer queria matá-lo.

— Você contou a alguém o que ele fez comigo ou como você permitiu que eu sofresse por aquilo que você fez?

— Não — balançou a cabeça. Tinha muito medo de dizer ao seu responsável que interferiu, certo de que ficaria irritado, já que foi de encontro as ordens diretas de não fazer nada para tornar qualquer pessoa em Mercile suspeita. Matando um técnico para proteger um Nova Espécie teria feito isso definitivamente. Suas palavras se aprofundaram. Sofreu?

— Você estava muito envergonhada do que fez?

Ela hesitou.

— Você não tem ideia de quanto. Eu...

— Você disse aos guardas que eu o matei — ela rosnou, cortando-a. — Você manchou minhas mãos de sangue. Não tente negar.

Lágrimas quentes de arrependimento ameaçaram derramar, mas piscou rapidamente e elas voltaram.

— Eu... — engoliu em seco. — Não tive escolha. Não achava que eles iriam matá-la ou nunca teria acusado você de ter matado Jacob. Você tem que acre...

— Acreditar em você? — Seu olhar escuro estreitou e um som perigoso emanou do fundo de sua garganta. — Te excitou me ver sofrer, saber o tipo de crueldade que você faria de mim.

Como ela sabia que eu estava excitada? Não se atreveu perguntar, mas não estava prestes a mentir para ela, considerando que lhe devia demais para fazer isso. Seus lábios selaram. Não sabia como explicar porque reagiu tão fortemente a ela, porque não poderia justificar. Foi errado seu corpo responder a uma mulher naquela circunstâncias.

— Não foi porque você sofreu ou por eu ter planejado espetá-la com a agulha. Tinha que fazer parecer que ele morreu ao tentar injetar-lhe, tornar a estória acreditável. Sinto muito.

— Eu estou surpresa que você não está tentando menti.

Dinah ergueu o queixo para encontrar seu olhar irritado.

— Você está certa. Meu corpo reagiu ao estar tão perto de você. Não tenho nenhuma justificativa. Tudo o que posso fazer é pedir desculpas. Sei que foi imoral e me sinto muito culpada. Você é... — Ela hesitou, prestes a dizer-lhe o quão atraente a achava. — Você estava nua e não pude deixar de notar, apesar das circunstâncias horríveis. Sinto muito.

A mandíbula de Normani ficou tensa. Ela podia ver suas feições claramente agora que apenas alguns metros os separavam.

— Você estava trabalhando para as Indústrias Mercile. Você estava lá para encontrar provas incriminatórias? Você gostou do que o técnico fez a mim? —Ela rosnou para ela, mostrou os dentes afiados, e avançou para mais perto. — Você se excitou quando ele me machucou e planejava me estuprar? Você ganhou a confiança dos outros Espécies quando andava em suas celas até que eles não rosnassem para você também? Você se sentiu atraída pela aparecia não ameaçadora deles? Você permitiu que eles fossem culpados por coisas que você fez? — Sua narina estava queimando e ela rosnou no fundo do seu peito. — Quem mais você traiu?

Dinah recuou com suas acusações cruéis, como se a tivesse atingido fisicamente.

— Não! Você foi a única que tive que fazer isso. Tentei encontrar provas suficientes para um juiz emitir um mandado. Como se atreve! Eu coletava amostras, escrevia relatórios, mas não tinha acesso a qualquer um dos arquivos mais antigos que pudesse provar sua existência lá embaixo. Todos os dias nos revistavam antes de sermos autorizados a sair. Não conseguiria transportar uma câmera para provar o que diabos estavam fazendo a qualquer um de vocês ou que você não era apenas um boato. Você faz ideia de como era terrível para mim passar pela porta principal até o elevador a cada turno. Sempre me perguntei se eu nunca veria a luz do dia se descobrissem que eu espionava para a polícia. Eles teriam me matado. Os demais funcionários conversavam e avisavam-me o que aconteceria, se Mercile suspeitasse que alguém iria se voltar contra eles. Eles me alertaram que eu acabaria desaparecendo e meu corpo jamais seria encontrado.

— Se era assim, então como você escondeu as provas?

Calor floresceu em seu rosto.

— Você realmente quer saber?

— Quero. — Ela rosnou.

— Eu as engoli.

Suas feições clarearam por um segundo e, em seguida, franziu a testa.

— Não entendo. 

— Tive que fazer amizade com alguns dos médicos, o que levou tempo. Não tinha acesso a qualquer coisa vital, mas eles tinham. Cuidadosamente ganhei sua confiança, tornei-me muito próxima de uma médica que se parecia a mim, e troquei jalecos com ela durante o almoço. Roubei seu cartão chave, comecei a usar meu cabelo do jeito que ela fazia, dobrava minha cabeça quando passava pelas câmeras de segurança e quando ia ao seu escritório. Vi seu código algumas vezes e gravei para ter acesso ao seu escritório. Tinha um mini pen driver para dados que meu responsável me deu para copiar arquivos. Eu o engoli. Tantas coisas poderiam ter dado errado.

Ela a olhou, franzindo a testa.

—Tinha certeza que iam me pegar se os guardas soubesse que estive no escritório e me matariam. Você não faz ideia de como me sentia aterrorizada saindo de lá e orando para que eu pudesse trocar os casacos de volta sem ela descobrir. Foi nesse dia também, sabe. — Fez uma pausa. — A última coisa que queria fazer era chamar a atenção com essa maldita coisa dentro do meu estômago, sabendo o quão importante era entregar ao meu responsável, mas ainda tentei te salvar, independentemente do risco para mim ou para as provas. Você quer ouvir como é doloroso ter que vomitar algo do tamanho de um polegar? Não foi fácil de engolir, em primeiro lugar. Estava disposta a permitir-lhes operar-me para recuperá-lo, se vomitar não funcionasse. Estavam com medo que os ácidos do meu estômago iriam destruir as evidências se demorassem muito tempo.

Continuou com uma cara feia por alguns segundos.

— Você me enganou também. Isso é o que você faz. — Sua boca pressionou em uma linha firme. — Você mentia para as pessoas e depois as trai. Você não é melhor do que os monstros que criaram e escravizaram meu povo.

Dor atravessou seu peito com as suas palavras duras, seguido rapidamente por raiva. Ela tinha matado alguém por ela e arriscado sua vida para libertar o seu povo.

Que se dane.

— Não quis feri-la de maneira alguma. — Fez uma pausa. — Mas vou te dizer uma coisa. Salvei sua pele Normani. Você ainda está viva por causa do que fiz. Você estaria morta se eu não tivesse entrado em sua cela e parado aquele idiota. Você teria morrido acorrentada a um piso sendo abusada por aquele filho da puta apenas meros dias antes de ser libertada. Se isso é imperdoável para você, que pena. Mantê-la viva se tornou a minha principal prioridade.

— Você disse que me odiava. Você me chamou de bastarda inútil e queria que eu soubesse disso. Nunca esqueci o que disse.

Dinah ficou boquiaberta com ela.

— Não.

— Eu estava lá deitada de costas, indefesa e você se afastou de mim para tirar o sangue do técnico para esfregá-lo em meus dedos. Você sussurrou aquelas palavras odiosas para mim.

Começou a compreender e sabia que a cor voltava ao seu rosto.

— Eu não estava falando com você. Estava falando a Jacob! Eu o odiava e ele era um filho da puta pelo o que fez com você.

— O homem estava morto. Não minta para mim. Você falou essas palavras odiosas para mim.

— Não. — Balançou a cabeça freneticamente, seu olhar no dela. — Eu juro, eu estava falando com ele. Esperava que ele pudesse me ouvir no inferno, que é onde ele está por todas as suas más ações, que soubesse como eu me sentia a respeito dele.
Normani franziu o testa, estudou suas feições, e permaneceu em silêncio.

— Essa é a verdade.

— Quer saber a pior parte, quando você entrou na minha cela? — Sua voz profunda se tornou gelada. Seu corpo inteiro ficou tenso visivelmente.

Ela apenas balançou a cabeça e o medo voltou. Raiva emanava de seus olhos. Pareciam mais escuros do que se lembrava, mas estava pior no parque do que dentro da sala de conferências semanas antes.

— Ainda posso sentir seu toque em mim. Você me acalmava. Você me salvou e eu acreditei que não iria me causar qualquer dano. Na verdade, até gostava de sentir suas mãos no meu corpo. Fecho meus olhos e a memória de você está gravada lá. — Deu mais um passo. — Lembro de você fugindo depois do que fez, deixando-me confusa e com dor. A agulha que você enfiou na minha pele doía menos do que a dor em meu coração.

— Sinto muito. Não passa um dia sem que isso não me assombre. — Fez uma pausa. — Fiz isso para salvar sua vida. Você sabe o que Jacob pretendia fazer com você, mas eu o impedi. Tinha que encontrar uma maneira de sair com as evidências. Sinto muito. A última coisa que queria fazer era machucá-la mais. Não queria te incriminar pelo assassinato ou espetá-lo com a agulha, mas tive que fazer parecer convincente o suficiente para eles me deixarem sair de lá.

Ela deu mais um passo.

— Nada disso importa — ela rosnou. —Tudo o que me lembro é o que você fez. É tudo o que importa. Eu jurei que se visse você novamente te mataria com minhas próprias mãos. — Quase a tocou quando parou centímetros de distância. — Corra, se tiver um cérebro em sua cabeça. Estou lutando para manter o controle e não tenho ideia de qual lado de mim vai ganhar. Nunca se esqueça que eu sou parte animal.

Normani esperava que ela seguisse seu conselho. Ela podia ver o medo de Dinah em suas expressivas feições delicadas. Odiava perceber as linhas perto da boca, mostrando que sorria com frequência. Questionou-se como seria ouvir a risada dela. Nunca teve motivo para sorrir até ganhar sua liberdade. Seu lábio inferior tremeu um pouco de preocupação, mais cheio do que o superior, e sentiu um desejo enorme de chupá-los.

Depois seu cabelo lhe chamou a atenção. Era tão diferente do dele, com sua aparência bronzeada e cachos indisciplinados. Parecia ter uma textura macia, cheiro de morangos, emolduravam seu rosto, fazendo sua estrutura óssea parecer frágil.

Mulheres dos Novas Espécies são drasticamente diferentes da minha pequena humana. Ela congelou, percebendo que a chamou de sua. Ficou Indignada. Sempre pensava duas vezes em confiar em qualquer humano. Eles nos causaram dor sempre que tiveram chance. 

Especialmente ela. Tinha acabado de admitir ser uma mentirosa hábil. Por tudo o que sabia, tudo o que acabou de dizer pode ser só para ganhar sua simpatia.

Ela seria condenado se lhe desse a chance de traí-la novamente. E ainda a ideia dela ser sua a confundiu. O intestino apertou, seus dedos coçavam para tocá-la e tinha o desejo louco de dizer algo para aliviar seu medo. Droga, percebeu com nojo, eu quero fazê-la rir só para ver seu sorriso. Foi insano e errado. Seus pensamentos e emoções ficavam em conflito quando se tratava dela e isso a fazia queimar de raiva. Dinah parecia ter se tornado uma grande manipuladora e ela não queria fazer parte disso novamente.

Normani tentou se concentrar no presente. Tinha seu inimigo na frente de seus olhos e tinha a oportunidade de finalmente dar o troco em pelo menos uma pessoa que o tinha machucado. Até agora não teve a oportunidade de virar o placar. Os piores criminosos não haviam sido presos para serem punidos por aquilo que fizeram, enquanto outros fugiram. E essa mulher estava diante dela como sua única saída.
Seu coração batia de forma irregular e a imagem da última vez que ela ficou com ela depois que a traiu enchia sua mente. Essa lembrança veio com tanta força que cambaleou para trás com o golpe das emoções que sentiu. Ela saiu tão apressada que deixou a porta aberta e se chocou contra a parede na pressa para vê-la sendo punido pelo o que fez a ela.

O animal dentro dela gritou para agarrá-la. Correntes já não a detinham e as drogas já não deixavam seu corpo imóvel. Ficou tensa, cada músculo enrijeceu, e a viu voltar um passo. Inalou bruscamente - seu medo era tão forte que podia sentir o gosto. Isso fez seus instintos gritarem para cobri-la, protegê-la, mesmo que ela a enfurecesse por causar-lhe esse efeito. Rosnou, enquanto lutava contra suas emoções.

Ela era o inimigo, mas queria desesperadamente tocá-la. No segundo em que se virou e correu, ela saltou para frente, correndo atrás da mulher que ela mais queria do que qualquer outra coisa que já desejou em sua vida. Não havia nada que pudesse fazer para parar o seu animal interior.

Mais uma vez ela perdeu totalmente o controle. Dinah sentiu-se empalidecer enquanto olhava as cruas emoções nas feições de Normani. A boa intenção que a fez ficar parada se dispersaram quando viu seu olhar feroz, ouviu o seu rosnado. Virou-se e correu para longe em pânico.

Normani fechou a distância entre elas. Terror a fez correr mais rápido. Seu MP3 player escorregou de seus dedos apavorados, caindo na calçada um segundo antes dela a agarrar por trás.

Dinah abriu a boca para gritar, mas caiu na grama antes que pudesse fazê-lo. Seu corpo pesado tirou o ar de seus pulmões. Jogou seus fones para longe. Conseguiu soltar-se. Dinah sugou o ar antes que ela a agarrasse de novo e seu peso aumentou em cima dela quando Normani a virou de costas.
Seu grande corpo a prendeu firmemente contra a grama úmida. Tentou empurrá-la, mas ela não se moveu. Suas palmas das mãos inutilmente empurraram contra o peito de aço.

 Gemeu de medo quando se deparou com sua raiva furiosa. Dentes caninos brilharam centímetros acima de seu rosto na luz fraca.

Suas mãos suavizaram quando segurou seus braços, erguendo-os rapidamente por cima da cabeça, e prendeu seus pulsos com uma de suas mãos. Cerrou os dentes, ainda mostrando os dentes que pareciam presas caninas, e rosnou profundamente de dentro de seu peito. Vibrou contra seu corpo com o som aterrorizante que fez.

— Por favor, não me machuque — ela ofegou.

Moveu seu peito de cima um pouco, o suficiente para deixá-la respirar. Dinah aspirou mais ar. Seus olhos procuraram os dela por algum motivo e se perguntou o que ela queria ver. O que quer que tenha descoberto o fez xingar suavemente. Largou seus pulsos e de repente com um salto ficou de pé. Dinah ficou deitada na grama olhando para ela em choque por deixá-la ir. Sofria com seu tratamento grosso e seu coração disparou.

— Levante — ela ordenou severamente.
Dinah teve de lutar para se levantar. Não era graciosa, com certeza, mas levantou-se. Queria fugir de novo, mas não teve força.

— Eu te disse que sinto muito. O que mais você quer de mim? — Aproximou-se para olhar nos seus olhos estreitos. — Faço o que for preciso para me desculpar com você, basta dizer as palavras. Vou fazer de tudo para melhorar as coisas entre nós.

Normani observava enquanto ela se aproximava, mas permaneceu em silêncio e aguardando. Sua mão de repente agarrou suavemente seu pescoço. Dúvida se transformou em pânico quando Dinah percebeu que seu aperto não lhe causou dor, algo estranho estava acontecendo com ela. Suas duas mãos agarraram freneticamente o pulso dela. Ela usou sua mão livre para tirar os dedos dela da sua pele.

Os joelhos de Dinah entraram em colapso, mas Normani não permitiu que caísse, ao invés disso segurou-a com suas garras em sua garganta. Tentou gritar, mas nada saiu. Ela olhava em seus olhos enquanto ela silenciosamente o implorava para parar. 

Algo em seu olhar cintilou e de repente soltou seu dedos para envolver o braço em volta da sua cintura. Puxou-a com força contra o seu peito e abraçou-a enquanto sua cabeça abaixava ao seu ouvido.

— Não lute contra isso — respondeu asperamente.

Não lutar? Sua mente gritava em terror. Ela sabia que estava ficando azul. Sua visão ficou irregular e a voz dela parecia distante. Dinah empurrou contra seu peito, mas Normani nunca desviou o olhar de seus olhos assustados. A escuridão ameaçou possui-la, mas lutou, querendo viver.

Ela jurou que ia me matar e ela vai. Eu realmente não acreditei que ela realmente fosse fazê-lo.

Normani soltou sua garganta no instante em que o corpo de Dinah se agarrou contra o dela e puxou-a deixando mais apertado o contato entre elas. Agora que ela tinha parado de restringir o fornecimento de sangue para seu cérebro, ela relaxou nela, inconsciente e respirando com facilidade. Ela escolheu o método mais seguro, mais rápido de derrotá-la. 

Ela teria lutado mais e mais se ela tivesse feito outra coisa. Desta forma, não foi machucada, apenas dormia pacificamente contra ela. Inalou profundamente, esfregou o nariz na garganta dela e gemeu. Cheirava tão bem que queria despi-la, deixar ambas nuas, e esfregar sua pele com a pele dela.

Um cão latiu longe e Normani levantou a cabeça. Seu olhar percorreu o parque, os instintos em alerta instantâneo. Patrulhas da Guarda estariam perto em breve. Sabia a rotina deles desde que manteve um olhar atento sobre os seres humanos que pensavam que estavam no controle total de Homeland. 

Eles não tinham ideia de que Normani e Lauren secretamente conspiravam para acelerar o processo de assumir o comando de suas próprias vidas treinando seu povo para fazer os trabalhos dos seres humanos. Os humanos pensaram que seria necessário muito mais tempo para aprenderem a serem independentes, mas estavam errados.

Ela olhou para o topo da cabeça de Normani, com o rosto pressionado contra o peito, e depois levantou-a suavemente em seus braços, e entrou na escuridão para se esconder. Seria um desafio levá-la para sua casa, mas estava determinada o suficiente para desistir.

Ela podia muito bem ser uua assassina. As Indústrias Mercile o treinou para lutar, mas nunca foram capazes de controlá-los. Os Espécies se recusaram a prejudicar outros do mesmo, independentemente das ordens que lhes forem dadas. Mercile queria prova de sua competência usando como evidência o que as drogas de sangue poderiam fazer. Se tivesse a oportunidade de atacar seus captores, simplesmente os mataria, embora eles não devessem. Os guardas tinham sido cruéis, brutais e Normani havia atacado alguns deles quando relaxavam o suficiente para cometer um erro.

Mercile Industries associaram DNA animal aos seus genes e deram-lhes inúmeras drogas, mudando mais do que suas aparências. Seu olfato aumentou à medida que envelhecia, havia se tornado mais forte, seus reflexos são mais rápidos do que de uma pessoa normal, e seus instintos, às vezes, comandava sua mente.

Foi difícil controlar a raiva que às vezes sentia, mas aprendeu a ter paciência ao longo dos anos, pelo menos, a maior parte. Olhou para Dinah e franziu a testa. Ouviu e escutou cada palavra falada entre os médicos e funcionários enquanto eles faziam os testes nele. Tudo o que ouviu lhe ensinou as diferenças entre os seres humanos e os Novas Espécies.

Os humanos não tinham os sentidos que os Espécies possuíam. Eles não podiam enxergar no escuro ou sentir o cheiro deles se estivesse contra o vento. Eles também não possuíam sua audição excepcional. Os humanos não possuem a sua velocidade ou força, a menos que eles recebam drogas.

As alterações dos Espécies eram permanentes, mas as drogas de Mercile não poderia manter os mesmos efeitos nos humanos, a longo prazo. Às vezes, as drogas matavam os voluntários humanos. Eles acidentalmente fizeram os Novas Espécies superiores, mas tratavam como inferiores.

Normani segurou o corpo inconsciente de Dinah em seus braços e levou-a delicadamente enquanto espreitava por entre as sombras. Não fazia ideia do que fazer com ela uma vez que chegasse em casa, mas seu animal interior parecia contente agora que ela a possuía. A mulher dentro dele lutava por vingança. 

Ela disse que faria qualquer coisa para se desculpar a ela e várias possibilidades correram através de seus pensamentos. Realmente não iria machucá-la, não era capaz disso, mas ela poderia pelo menos aprender uma lição ou duas sobre o que ela sofreu pelo seu crime. Uma pequena parte dela esperava que algum tempo a sós com Dinsh iria cura-la da obsessão que ela havia se tornado.

Dinah pov


Dinah acordou confusa no início, até as memórias voltarem com pressa. Sua garganta só estava um pouco dolorida. Estendeu as mãos para tocá-la, mas seus braços estavam presos em alguma coisa. Seus olhos se abriram para olhar um teto branco dentro de uma sala mal iluminada, desconhecida. Levantou a cabeça e olhou ao redor.

O quarto grande continha móveis escuros e um fogo ardia na lareira de canto, a fonte da luz. O barulho da descarga a assustou. Aos poucos ela descobriu que seus braços estavam esticados e afastados acima da sua cabeça, amarrada no pulso com material macio e preto que ligava os lados da cabeceira da cama.

Depois de um breve barulho de água corrente soou, uma porta se abriu ao lado da sala. Normani saiu do banheiro. Ela olhou para seus seios cobertos por um top e sua calça de moletom preta que usava. Seu medo aumentou, vendo seu estado meio despido. Estudou com cautela sua estrutura muscular. Desligou a luz por trás dela, fazendo com que a sala escurecesse novamente, escondendo todos os pequenos detalhes de seu corpo.

— Você está acordada. — Seu tom era suave. Parecia enganosamente calmo apesar das circunstâncias. Foi até a cama. — Bom.

Ela tinha coberto Dinah com um cobertor grosso, macio. Ela olhou para baixo e percebeu que a parte superior do seu peito estava nua e exposta. Moveu a perna contra sua... pele nua. Seu olhar atônito voltou para Normani. Ela parou na beira da cama.

— Tirei a roupa. — Fez uma pausa. — Toda.

— Por quê? — Sua voz saiu rouca de sua garganta seca. Seu medo num maior nível. Por que ela iria trazê-la para sua casa e amarrá-la nua em sua cama? Tinha um sentimento muito ruim e não queria saber a resposta, com certeza seria aterrorizada ainda mais.

— Você sabe por quê. — Moveu-se para o criado-mudo. — Está com sede?

Assentiu com a cabeça. A cama mergulhou quando se sentou na beirada, pegou a garrafa de água, obviamente colocada ali para ela, e depois virou para encará-la. Ela estendeu uma mão para suavemente deslizá-la sob seu pescoço e levantava enquanto trazia a garrafa para seus lábios. Engoliu o máximo que pôde, sem engasgar. Ela se afastou dela, seu toque deixando-a quando colocou a água sobre o criado-mudo.

— Pensei muito sobre o que fazer com você — informou-lhe com a voz baixa. — De primeiro queria matá-la de imediato, mas isso foi antes de saber que você era uma espiã. Não entendia que você estava dentro daquele lugar infernal para salvar o meu povo. — Fez uma pausa enquanto se ajustava para sentar-se de lado e olhar para Dinah. — Agora decidi que você pode viver.

Sua frequência cardíaca diminuiu e um pouco do terror desapareceu.

— Por que estou aqui? Por que você me levou do parque?
Os olhos de Normani se estreitaram.

— Você disse que faria qualquer coisa para se redimir comigo. Eu decidi que você merece alguma punição. — Fez uma pausa. — Também não sei se acredito no que diz. Você é uma espiã, acostumada a mentir, dizendo às pessoas o que você acha que eles querem ouvir para evitar o perigo. Você feriu o meu orgulho, traiu minha confiança, e precisa pagar por isso. Você sabe que eles me fizeram pagar por ter matado o técnico?
Ela se abriu para ela.

— O quê? — Sua mente dava voltas com o que disse. Ah, não. Dor apertou seu coração.

— Eles estavam com raiva por eu ter matado aquele homem. Eles me puniram por aquilo que você fez.



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