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História Galáxias Metastáticas - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Em ti, encontrei o universo


 

Taehyung despertou naquela manhã com os raios solares infiltrando-se pelas frestas da janela de madeira pintada de azul-celeste. Apreciava o detalhe de aquela cor se assemelhar ao céu limpo que vinha com os dias quentes de verão. Sua vida era assim, de fato: simplicidade sobre simplicidade. Não havia nada extraordinário nela ou no próprio Taehyung, que vivia dia após dia perseguindo o estio e pintando o cosmos. Crescera muito com os anos que se passaram, mas nunca deixou de procurar pelo seu universo até achá-lo nos olhos de Jeongguk. 

Ah, aquele garoto de íris supernova que fazia, do seu coração, um Big Bang. Sabia que, por mais que observasse o tempo todo, jamais conseguiria contar todas as estrelas daqueles orbes mais vastos que o universo observável. Nas noites frias em que o Jeon enrolava-se no edredom branco de casal, tinha a impressão de enxergar auroras boreais passeando pelo seu corpo. Todas essas constatações talvez soassem um pouco estranhas quando ditas em voz alta, mas Taehyung era apaixonada por astronomia, física e por Jeon Jeongguk. 

Em meio aos devaneios matutinos, sentiu os dedos do namorado resvalarem lentamente sobre seu rosto imóvel, subindo até encontrarem o mullet desgrenhado que mantinha. Percebeu quando o carinho cessou e o outro aninhou-se contra seu peito, soltando lágrimas doloridas e silenciosas que caíam como tinta preta sobre Taehyung, manchando-o pouco a pouco, formando um buraco negro supermassivo em seu coração – em seu cerne, em seu centro. Então, a realidade caiu sobre si, devorando tudo o que havia ao seu redor, inclusive os próprios fótons que tanto amava. Engolindo, também, seu próprio pranto. 

— Não chora, meu amor. Não deixa as coisas dolorosas com antecedência, ainda temos algum tempo. – O Kim sussurrou num sopro leve contra os fios alheios que cheiravam a xampu infantil. 

— Como você consegue estar tão calmo, Taehyung? Como eu posso ficar calmo sabendo que você tá morrendo e não existe nada que eu possa fazer pra mudar isso? – Jeongguk soltou entre soluços contidos e muxoxos magoados. Não saberia lidar com a falta do outro: não era suposto ele partir tão cedo assim. 

— Eu sempre vou estar com você, Gguk. Sempre vou fazer parte das suas memórias e ninguém pode tirar isso de você. Nossas noites sempre serão suas, assim como nossos amanheceres. Você sempre vai ter contigo o amor que eu nutri e carreguei. – Taehyung secou com os dedos longos cada uma das lágrimas alheias. Não havia pranto que curaria seu câncer metastático, que frearia-o pra não alcançar seus pulmões e que voltaria pra época em que ele não tinha um sarcoma. Não existia mais hipótese pro seu estágio IV e era tudo uma questão de dias até fechar os olhos e não os abrir mais, mas os orbes brilhantes de Jeongguk continuariam cintilando manhã após manhã, mantendo a chama do Kim acesa aonde quer que ele fosse após morrer. Porque Jeon Jeongguk era um universo à parte, e Taehyung sabia que sempre estaria vivo ali. 


Notas Finais


Eu nunca sei bem o que falar nas notas, mas aprecio interações e as respondo com todo carinho do mundo.


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