História Game of Winx - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones), Winx Club
Personagens Aisha, Bloom, Darcy, Flora, Icy, Layla, Melisandre, Musa, Personagens Originais, Roxy, Selina, Stella, Stormy, Tecna, Tritannus, Valtor
Tags Clube Das Winx '-', Fadas, Game Of Thrones, Got, Magia, Winx, Winx Club
Visualizações 28
Palavras 5.676
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Antes de tudo, queria me desculpar pela demora em postar o capítulo, mas semana de Enem fica meio difícil.

Neste capítulo, tem palavras em outra língua, na língua dos Dothrakis, mas serão sempre traduzidas, ou por mim ou pelos próprios personagens.

GLOSSÁRIO-
• Dothrakis: Povo nômade de Essos
• Khal: Líder dos Dothrakis
• Khalasar: Acampamento dos Dothrakis
• Baía dos Escravos: Região de Essos onde o sistema escravocrata prevalece e há grande tráfico de escravos
• Corvos: Apelido que os patrulheiros recebem

❤️ Boa leitura ❤️

Capítulo 5 - The Wall


Fanfic / Fanfiction Game of Winx - Capítulo 5 - The Wall

The Wall

Essos – Norte

O novo mapa, e finalmente com as localizações corretas, estava nas mãos de Hagen, que seguia com seu cavalo branco de manchas marrons. Atrás do homem, dois cavalos os seguiam, estes sendo montados por Mike (que parecia já ter superado a dor do golpe, apesar de nada ter comentado) e Bloom, que não estava acostumada a segurar as rédeas do animal e contava com a ajuda da prima, sentada atrás da ruiva com as mãos encima das da mesma, a ensinando como guiar o cavalo.

— Tão incompetente que mal consegue montar o cavalo sem ajuda. – Mike debochou da garota que lhe lançou um olhar de ódio.

A jovem suspirou profundamente e segurou com força as rédeas do animal, como forma de conter sua raiva. Hagen voltou seu olhar para trás, sem dizer nada, apenas esperando para ver qual seria a reação da garota. O mesmo fez Daphne, que continuava segurando suas mãos e sentiu o forte aperto.

— Você não é a melhor pessoa para falar sobre montaria, Mike. – a ruiva provocou vendo as sobrancelhas do loiro arquearem. – Tantos anos e oportunidades, mas até hoje mal consegue colocar uma sela direito.

— Não fale assim comigo, sua bastarda nojenta. – o homem quase se desequilibrou do cavalo enquanto falava. 

Hagen abriu a boca para contestar a fala de Mike, porém Bloom o encarou como se dissesse que não era necessário e que ela poderia lidar com ele sozinha, o mesmo entendeu e assentiu com o olhar.

— O que disse? – seus olhos azuis se tornaram de certa forma frios e apáticos, assim como sua voz, o que espantou um pouco o loiro.

— Você ouviu bem. – novamente, quase caiu do cavalo ao responder a garota, era tão mal cavaleiro que não conseguia falar e montar ao mesmo tempo.

Desejava do fundo de seu coração descer do animal, empurrar o homem que tanto detestava, apontar o dedo em seu rosto e gritar que era a rainha dos 7 reinos e ele jamais deveria a tratar assim de novo. Mas havia prometido a si mesma que seria madura e guardaria este segredo, pelo menos até a chegada de sua vingança merecida.

— Mike, Mike... Não aprende nunca. Não aprende a andar a cavalo e não aprende que me confrontar não é uma boa ideia. – sorriu de canto – Não vai querer outro ferimento nos seus países baixos.

O rosto do loiro avermelhou com o comentário, enquanto Hagen e Daphne se olhavam sem entender ao o que a ruiva havia se referido. Mike balbuciava palavras, porém pela primeira vez que ofendia Bloom, havia ficado sem seus grotescos “argumentos”. A menina esboçou um sorriso de satisfação com a situação.

— Ouçam. – a loira falou mudando o rumo da conversa.

— Que som é esse? – Bloom perguntou se referendo aos gritos ritualísticos e tremores na terra.

— São os Dothraki e seus tambores. – Hagen respondeu – Chegamos.

Apesar da certa distância, já era possível ver o grande acampamento e suas centenas de cabanas, que por sua vez abrigavam milhares de pessoas, a maioria usava poucas roupas, pinturas tribais espalhadas pelo corpo, longos cabelos e festejavam ao som de gritos e tambores. Alguns homens mais fortes e armados estavam montados nos cavalos rodando em círculos, algumas mulheres dançavam de mãos dadas e todos juntos ecoavam gritos, não de agonia ou medo, gritos de felicidade.

Mike olhava com certo repúdio em relação a cultura daquele imenso povo, que diversas vezes já chamou de selvagens. Hagen não esboçava nenhum tipo de expressão, pois já estava acostumado as “estranhas” celebrações dos Dothraki. Daphne tinha um brilho no olhar, fascinada com a diversidade que seus olhos contemplavam. Bloom emanava preocupação, não havia conversando com Sor Hagen e sua prima sobre o casamento, quem iria se casar? O Khal foi prometido à herdeira do trono e ela era a herdeira, não Daphne.

— Vamos, eles estão nos recepcionando. – o mais velho guiou os demais até o vasto acampamento.

— Espero que meu Dothraki não seja tão ruim. – Daphne brincou se referindo a linguagem daquela população, muito diferente da língua comum.

— Garanto que seu Dothraki é ótimo, milady. – Mike tentava bajular a loira, que pouco se importava com o mesmo.

O grupo continuou, quando três homens Dothraki os recepcionaram a cavalo, como forma de guiar a noiva, provavelmente uma ordem do Khal. Os três tinham a pele bronzeada, cabelos compridos, pinturas e pouca roupa que deixava a mostra o corpo musculoso que esbanjavam, provavelmente eram guerreiros.

Khal endee kee or se, ham dulhan aur usake saathiyon ko hamaare khalasar. – o homem se comunicou com o grupo na língua Dothraki, e Hagen, o que melhor havia entendido, assentiu com a cabeça.

— O que ele falou? – perguntou Mike, que desconhecia a língua Dothraki e não desejava aprender por a considerar primitiva.

— Que o Khal, líder deles, está em uma expedição, mas eles irão nos guiar até o centro do Khalasar para que aguardemos. – o mais velho respondeu sem muita paciência.

Khalasar? – desta vez, foi Bloom que perguntou.

— É o nome dado a junção dos acampamentos deles. – Daphne respondeu calmamente – Os Dothraki são nômades e vivem viajando, porém quando descansam, eles unem os acampamentos e foram um único e enorme chamado Khalasar, que é para onde vamos.

— Quanta paciência para explicar para esta daí. – o loiro não perdeu a oportunidade para debochar da garota.

— “Esta daí” sabe mais da língua Dothraki com apenas quinze anos, do que você em sua vida inteira. – a ruiva colocou uma expressão de desgosto em seu rosto enquanto respondia a provocação.

— Para que eu iria aprender uma coisa primitiva e selvagem dessas? Isso combina mais com você, sua– o homem não pôde terminar sua frase, pois foi interrompido por Hagen.

— Vamos parar e seguir logo estes homens, não acham que eles sejam muito pacientes. – de fato, os guerreiros Dothrakis, que não entendiam a conversa dos estrangeiros, não exibiam uma boa expressão.

Assim, o grupo seguiu os nativos sem descerem dos cavalos, adentrando no acampamento, ou melhor, no Khalasar. Enquanto cavalgavam lentamente, olhares de curiosidade os rondavam. Provavelmente eles sentiam certo estranhamento com a aparência dos estrangeiros, de olhos e pele clara. Porém, a maior parte dos olhares eram voltados para Bloom e Daphne, o povo tentava descobrir qual deles seria a noiva do poderoso Khal, sendo que nem ao menos elas duas sabiam.

Ham pahunche. – o homem Dothraki falou “Chegamos” enquanto abria a porta da grande cabana localizada no centro do Khalasar.

— Desçam dos cavalos, vamos entrar. – Hagen passou os comandos para os demais, enquanto descia do animal.

— Onde eles ficarão? – a ruiva perguntou descendo do cavalo com cuidado, fazendo com que seu vestido azul de tecido fino encostasse na areia quente.

— Provavelmente com os outros cavalos deles. – Daphne respondeu enquanto fazia o mesmo que a prima.

— Eles vão comer nossos cavalos, do jeito que são selvagens. – Mike aproveitou para debochar da cultura daquelas pessoas novamente.

— O único selvagem que vejo aqui é você. – Bloom o encarou friamente.

— Deve ser porque você se identifica com esses primitivos. – o loiro esboçou um sorriso, acreditando que a garota nada responderia.

— Melhor do que me identificar com um ser feito você. – a jovem respondeu, para a surpresa de Mike, que teve seu sorriso desfeito.

— Que seja! – desceu do cavalo sem jeito, fazendo o animal relinchar – Vou tirar água dos joelhos, fiquem vocês aí com esses bárbaros.

O homem saiu se esbarrando em um dos soldados Dothrakis que apenas lhe encarou e se colocou de forma intimidadora, fazendo Mike apressar seus passos para se afastar logo do local.

Após isso, os três entraram na grande cabana feita de madeira e com o teto coberto por palhas. Por dentro, era aquecida e iluminada por tochas fixadas nas paredes, possuía poucos espaços para entrada da luz solar, com exceção de furos no telhado. O chão era forrado com um grande tapete circular, evitando o contato das pessoas com a areia.

Ham aapako abhee ke lie akela chhod denge, jald hee Khal Andy aaenge. – o guerreiro Dothraki disse se retirando junto de seus dois companheiros e deixando o trio sozinho.

“Iremos deixar vocês a sós, em breve o Khal Andy chegará”, Bloom traduziu mentalmente e as últimas palavras ecoaram em sua mente.

— Precisamos decidir. – Bloom disse séria cortando o silêncio do ambiente e ganhando a atenção de seus companheiros.

— Decidir o quê? – Hagen questionou sem entender.

— Sou eu que devo me casar com Khal Andy. – os demais arregalaram os olhos – Ele foi prometido à herdeira do trono de ferro e essa pessoa sou eu.

— Bloom, você é jovem demais para tomar uma decisão dessas. – Daphne segurou a mão da prima com delicadeza – Sabe que além de um casamento, você precisaria dar um herdeiro à ele.

— Você mal fez dezesseis anos... – o homem completou o argumento da loira.

A ruiva respirou fundo antes de argumentar com seus companheiros. Ela não queria ter de se casar, mas sabia que precisava arcar com o peso que seu nome e legado carregava.

— Se eu quiser conquistar aquele trono, precisarei de um exército, e os Dothrakis são muito guerreiros. – desviou o olhar para o chão – Além de que, duvido que um Khal vai gostar de ter uma promessa feita a ele sendo descumprida. Ele foi prometido à herdeira e deve se casar com ela, no caso, eu.

O silêncio predominou na cabana após os argumentos da ruiva. Daphne e Hagen reconheciam o sentido nas palavras da garota, apesar da dificuldade de ambos em entregarem Bloom tão jovem para se casar com um total desconhecido. Não haviam pensado nisso quando fizeram a promessa com o Khal.

— Você está certa. – Hagen suspirou – Poderíamos sermos mortos por “mentir” para um líder Dothraki.

— Bloom... – Daphne tinha os olhos marejados enquanto encarava a prima.

— Eu consigo Daphne. – colocou uma das mãos no rosto da loira – Você já fez tanto por mim, mas agora é minha vez.

Antes que Daphne pudesse dizer algo para a ruiva, o som da grande porta de madeira sendo aberta invadiu o ambiente. Não era Mike que havia a aberto, mas sim a figura que Bloom tanto esperava conhecer. Khal Andy, ou apenas Andy, tinha dois guerreiros ao seu lado, era talvez o homem mais forte que a garota já havia visto. Esperava que fosse mais velho, porém o homem não aparentava ter mais de vinte. Cabelos curtos, provavelmente para o diferenciar dos demais, pele bronzeada e pinturas corporais. Olhos castanhos que encontraram os azuis de Bloom, que desviou o olhar sem perceber o sorriso que o moreno tinha em seu rosto ao perceber a beleza de sua futura noiva.

...


Essos – Meeren (Sul)

As marcas nas paredes úmidas e gélidas mostravam quanto tempo havia se passado desde que haviam sido sequestradas e trancafiadas naquele lugar. Sete marcas, sete dias. Há uma semana, Tecna e suas fiéis companheiras, Digit e Kara, não viam a liberdade que a luz do sol e o ar fresco emanavam.

A ruiva estava deitada na única cama que havia ambiente, encarando o teto há mais de meia hora. Digit encarava a lata de metal que servia de penico para as três. Tecna examinava a fechadura em busca de alguma falha que ela podia usar para fugir.

— Já faz quantos dias...? – Kara quebrou o silêncio com sua voz fraca, justo ela, que costumava gritar tanto com suas amigas em seus dias de ouro.

— Sete... Uma semana... – Tecna respondeu a amiga sem muito ânimo.

Há uma semana atrás, Lady Tecna Zenith e suas companheiras andavam pelas ruas de Meeren, quando foram sequestradas por traficantes de escravos, muito comuns na região. Desde então, foram mantidas em cárcere.

— Quando eles vão dar água ou comida de novo? – Digit falava com certa dificuldade – Nós trouxeram aqui para nos verem morrendo?

— Nós trouxeram para nos usar de escravas, mas para isso, teremos que estar vivas. – Tecna jogou seus longos cabelos para o lado enquanto falava – Então logo irão nos alimentar.

— Escravas... Provavelmente seremos vendidas como putas para escravistas da Baía dos Escravos. – Kara passava a mão nos seus cabelos ruivos, que agora se encontravam sujos.

— Menos você, lady Tecna. – Digit encarou a amiga.

— Por que acha isso? – levantou a sobrancelha sem entender.

— Você fala quase vinte línguas, nunca que irão te usar apenas de puta. – respondeu de forma fria – Diferente de mim e da Kara.

— Eles nem devem saber disso. – a morena encarou o chão frio com seus olhos azulados.

— Não seja tão boba, milady. – a ruiva levantou a cabeça para falar – Eles sabem que você é uma Zenith, e todos os Zeniths são... Tipo você, sabe? “Letrados, estudados”... Inteligentes.

— Graças a essa fama de minha casa, de sermos tão “intelectuais” e pouco guerrilheiros, somos alvos fáceis destes traficantes de escravos. – Tecna desabafava sobre um problema que sua família enfrentava há gerações.

— O que eu mais admiro na sua família, milady, é o fato de vocês serem contra essa escravidão maldita. – Digit falava com certa emoção devido seu passado.

— Devemos lhe lembrar, milady, de que foi vossa família que nos salvou de virarmos escravas. – Kara sorria enquanto dizia.

— O que não adiantou muito pelo visto, olhem onde estamos. – Tecna quebrou o sentimento se nostalgia positivista que plainava no ar.

— Podemos estar aqui agora, mas pelo menos não passamos nossa vida inteira aqui. – a ruiva rebateu.

— Graças a vossa casa, milady. – a dama de companhia continuou o que a companheira dizia.

— Eu sonho que um dia... – Tecna suspirava enquanto falava – Essos abandone a escravidão, que nem Westeros fez. Que Meeren, Yunkai e Astapor deixem de serem conhecidas por serem as cidades dos escravos e que nenhuma pessoa tenha que pisar em uma cela como essa injustamente.

Essos, diferente de Westeros, ainda mantinha a cultura da escravidão. O Sul de Essos, onde a casa Zenith reside, tinha um local cujo nome era “Baía dos Escravos”, pois suas principais cidades (Meeren, Yunkai, Astapor) sempre viveram na base da escravidão. A família Zenith era contra estes atos desumanos, porém não eram grandes guerreiros, o que os tornou alvos dos Lordes Escravistas. Apesar do perigo, a família de Tecna há gerações ajuda na libertação de escravos e apoia o fim deste sistema.

— Quem sabe um dia, isso se torne realidade. – a fala de Kara veio acompanhada de uma risada triste, que fora interrompida pelo som da porta sendo aberta, o que fez as três levantaram no susto.

O rangido da porta de ferro enferrujado sendo aberta chegava a ser ensurdecedor, mas não tanto quanto o som das batidas dos corações das jovens, que temiam o pior. Amedrontadas, deram as mãos para tentarem transmitir segurança uma para as outras. A porta se abriu e a figura de um homem vestindo uma armadura e de rosto coberto surgiu.

— Você! – o sujeito de voz grossa apontou para Tecna – Venha.

— O que você quer? – a morena juntava o pouco da coragem que tinha para o questionar.

— Apenas obedeça e venha logo, não estou com paciência para putas hoje. – falou de forma grotesca e fria.

A garota permaneceu parada, sentia que deveria seguir o desconhecido pela sua própria segurança, mas o medo a havia paralisado.

— Tsc! Que merda, já disse que estou sem paciência. – aproximou-se da jovem e de forma indelicada a puxou pelo braço com força.

A morena soltou um gemido de dor, enquanto Kara e Digit gritavam para que o guarda a soltasse, o mesmo pouco deu ouvidos e saiu com Tecna da cela, batendo a porta com força e deixando as duas damas de companhia com um receio no peito.

O estranho continuou arrastando a garota pelos corredores daquele local, que a mesma nunca havia visto na vida, subindo diversas escadas, o que levou à conclusão de que elas estavam presas em algum tipo de calabouço subterrâneo. Ao chegar no “destino” o homem abriu uma porta, entrando em uma sala onde haviam outros sujeitos, estes de vestes nobres, todos eram homens.

— Pode deixá-la aí. – um desconhecido, que estava no meio de todos os outros, parecia ser algum líder, ordenou e o “guarda” soltou o braço de Tecna.

A morena caiu no chão com o impacto, repousando a mão na marca vermelha que o indivíduo havia deixado.

— Levante-se. – o homem de cicatrizes no rosto e cabelos grisalhos falou e com certo receio, a menina se levantou – Muito bem, Tecna Zenith.

— Sabe quem eu sou? – perguntou enquanto encarava o chão.

— É claro, eu que ordenei que lhe trouxessem até mim. – se aproximou da garota, que deu um passo para trás.

— Por quê? Quem é você? O que quer comigo? – Tecna deu mais um passo enquanto falava.

— Muitas perguntas, lady Zenith. – parou de se aproximar – Sou Lorde Darkar e sua família tem incomodado meus negócios faz um tempo.

— Você chama escravidão e tráfico de negócios? – levantou a cabeça e encarou seu rosto pela primeira vez, tinha cabelos grisalhos e cicatrizes.

— Se me dão lucro, são negócios. – respondeu e os demais homens da sala riram com ele.

— Seu... – a jovem fez uma cara de nojo para seu sequestrador.

— Não adianta nada me ofender. – voltou a se aproximar da garota – Eu queria muito ter você em meus negócios.

— O quê? – arqueou uma de suas finas sobrancelhas.

— Soube que você fala cerca de vinte línguas, sabe o quanto pagam aqui na Baía dos Escravos por uma tradutora? – alguns homens no fundo cochicharam “muita grana” como resposta.

— E minhas damas de companhia? O que elas tem a ver com isso?

— Por azar estavam contigo na hora do “sequestro”, mas posso vendê-las facilmente como putas. – Darkar riu debochado e Tecna sentiu seu rosto formar uma cara de brava.

— Eu nunca vou traduzir algo para seus amigos porcos escravistas. – a garota bateu o pé com força no chão e apontou um dedo no rosto do Lorde.

Os homens da sala que até então riam, calaram-se ao perceberem a expressão nada agradável que havia se formado no rosto de Darkar.

— Ora Tecna... – tocou numa mecha do cabelo comprido da garota – Logo, você vai entender como as coisas funcionam aqui.

— Me solte! – o Lorde puxou a mecha de cabelo e Tecna soltou um gemido de dor.

— Você não precisa desse cabelo para traduzir, não é mesmo? – encarou os olhos azuis da moça que já se encontravam com algumas lágrimas – Peguem a navalha.

— NÃO! – a morena tentava se soltar, porém o estranho segurou seus braços com força – Parem!

Enquanto era segurada pelo Lorde, outros dois nobres cortavam os longos cabelos castanhos da jovem. Às vezes cortavam sua pele com a lâmina, sem nenhuma dó ou preocupação, fazendo com que um pouco de sangue escorresse pela sua cabeça. Aos poucos, as lágrimas e as mechas de cabelo caiam no chão, e a autoestima de Tecna se esvaia junto.

— Perfeito. – largou a morena de agora fios curtos que caiu no chão apática – Espero que tenha entendido.

Darkar chamou um guarda para que devolvesse a lady de volta a cela e saiu, sendo seguido pelos demais lordes que soltavam risadas ao ver o estado da menina. Tecna encarava o chão, sem o mesmo brilho nos olhos que possuía, sobre seu colo e no chão estavam suas mechas do cabelo que tanto gostava. De fato, ela havia entendido. Havia entendido que precisava escapar deste lugar, antes que o pior acontecesse e que fosse vendida como escrava, assim como suas amigas.

...


Westeros – A Muralha (Extremo Norte)

Os ventos gélidos acompanhados de tímidos flocos de neve marcavam sua presença atravessando as torres negras, que apesar de protegidas pela grande Muralha de Gelo, ainda sofriam com os efeitos do frio extremo do Norte de Westeros. A massa de gelo que compunha a muralha era pesada e resistente, feita especialmente para impedir a passagem de seja lá o que estiver do outro lado.

Nesta muralha congelada, viviam os Patrulheiros, membros da Patrulha da Noite, conhecidos como Corvos, devido as vestimentas negras que usavam para suportar o clima do local. A “Patrulha da Noite” era um tipo de guarda criada pela coroa, composta apenas que homens que tinham como objetivo proteger o Norte de Westeros e impedir a passagem de “selvagens”, como eram chamados os povos que viviam no além da Muralha.

Porém, nem todos os guardas serviam como protetores por livre e espontânea vontade, afinal, poucos em sã consciência largariam tudo que tinham para viver em meio ao gelo cercado de desconhecidos e sem a presença de uma única figura feminina para os “alegrar”. A maioria dos patrulheiros eram criminosos, que ao invés de serem mortos ou mutilados, preferiam se unir à Patrulha até o resto de suas vidas, como forma de pagar pelos seus crimes.

— O que diabos você está fazendo? – o garoto de longos cabelos cutucou o amigo com as pernas, o mesmo se encontrava deitado no chão frio usando sua capa como coberta.

— Dormindo, você é cego? – o moreno respondeu de forma grossa sem encarar o mais alto.

— Daqui a pouco é a iniciação de um novo patrulheiro. – ajoelhou-se perto do homem deitado do chão enquanto falava – Precisamos estar lá com os outros para fazer o juramento, ou Codatorta vai nos punir.

— O Saladin não deixaria ele te punir, você é a putinha protegida dele. – mantinha os olhos fechados enquanto falava, mas imaginava o rosto de desaprovação que o mestiço fazia ao ouvir tal frase.

— Para de falar merda e levanta Riven. – levantou-se esperando que o companheiro fizesse o mesmo, até que ambos ouviram o som de sinos – Está ouvindo? São os sinos, a iniciação vai começar.

— Você é um bosta mesmo, Helia. – fez o mesmo que o amigo e se levantou – Vamos logo para essa merda.

— Já sabe quem é o novo membro? – Helia perguntou enquanto ambos caminhavam juntos em direção ao pátio onde ocorreria a cerimônia.

— Ou um ladrão de pão que teria a mão cortada, ou um estuprador ou um bastardo burguês. – riu enquanto fazia suas apostas sobre a identidade do novo patrulheiro – Só sinto pena dele ter que vir para este deserto de neve.

— Vocês falam daqui como se fosse um inferno. – recebeu uma levantada de sobrancelha de Riven.

— E não é? – debochou – A única coisa que muda entre aqui e o inferno é o clima.

— Eu me sinto honrado de estar aqui protegendo Westeros. – Helia havia escolhido servir a patrulha por pura vontade, mesmo sem ter cometido crime algum, uma raridade.

— Protegendo de quem? Uns selvagens saqueando aquelas aldeias minúsculas que ninguém dá a mínima? – questionou com um pouco de raiva na voz.

— Acho que você deveria se lembrar que provavelmente eu já fui um selvagem. – o mestiço abaixou a cabeça.

— Para de drama. – deu um tapa no ombro do amigo – Você era uma criança e por sorte, foi encontrado e não teve que crescer com aqueles selvagens.

— É... – somente Riven e Saladin sabiam do passado de Helia, que um dia quando criança fez parte dos dito cujos “selvagens”, até ser resgatado pela Patrulha, por este motivo, o rapaz decidiu a servir como forma de agradecer pelo o que haviam feito no passado.

— Acredite, ter sido um selvagem mirim é menos pior do que ter fudido uma selvagem. – Riven brincou com a história de como havia vindo parar na Muralha, após ter sido acusado de se envolver com bruxas.

— Ela não era bem uma selvagem, estava mais para bruxa. – Helia riu.

— O que só piora a minha situação. – tentava se lembrar da mulher com quem esteve uma única noite, Darcy, nem ao menos sabia que era uma bruxa e mesmo assim, hoje estava sendo punido por se envolver com alguém feito ela.

— Sabe onde ela está hoje? – o mestiço se referia à bruxa.

— Espero que em alguma fogueira amarrada, por causa dela que vim parar nesta merda. – cerrou os punhos controlando a raiva. – Mas eu não tinha como adivinhar que ela era uma bruxa. Não sabia nem que era crime fuder bruxas.

— Na verdade o crime é se envolver com magia negra e acho que transar com bruxas está relacionado. – o rapaz de cabelos longos respondeu ouvindo um sonoro “Foda-se” de seu amigo em seguida.

No momento em que os dois chegaram no pátio, já havia uma grande aglomeração de outros homens, todos com as mesmas vestimentas pretas que representavam a Patrulha. No centro, se encontravam Saladin e Codatorta, os líderes da guarda, junto dos homens se encontrava um tímido garoto ruivo, provavelmente o novo membro.

— Patrulheiros. – Saladin gritou tendo como resposta o silêncio do pátio que respeitava a presença do mais velho – Hoje tenho o prazer de anunciar que temos um novo irmão: Timmy Tarly, que veio se juntar a nós por livre e espontânea vontade.

Alguns olhares confusos e cochichos baixos se espelharam pelo ambiente, era anormal alguém decidir ir para a Patrulha da Noite, ainda mais se você fosse um nobre, o que o sobrenome e aparência do rapaz aparentavam.

— Como nossa tradição diz, iremos fazer o juramento sagrado da Patrulha, aquele que nenhum patrulheiro ousa descumprir. – o idoso dizia e os homens ficavam em postura para recitar o tal juramento.

"A noite chega, e agora começa a minha vigia. Não terminará até a minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão para vir."

E assim, todos juntos, os patrulheiros e o recém chegado Timmy fizeram o juramento que muitos detestavam, pois o mesmo significava que eles deveriam abdicar de tudo que um dia tiveram ou teriam: títulos, terras, esposas. Descumprir tal juramento poderia acarretar na punição de morte por enforcamento.

— E a partir deste momento, você é um Patrulheiro da Noite. – o ruivo levantou a cabeça com as palavras do mais velho que lhe entregou o manto preto que todos usavam – Irei lhe indicar alguns companheiros para que lhe guiem em sua primeira missão.

A maioria dos homens do pátio neste instante abaixaram a cabeça temendo serem escolhidos por Saladin, pois os mesmos preferiam passar seu tempo longe das perigosas missões no além da Muralha.

— Sr. Atari. – Codatorta disse encarando o moreno que o encarava de volta com ódio no olhar – Creio que você seja uma boa escolha para guiar o novato.

— Então será Riven Atari. – Saladin sorriu de canto – Escolha algum companheiro para ir com vocês dois na missão.

— Escolho Helia. – o rapaz disse recebendo uma encarada mortal do amigo de imediato – Você acha que eu vou nesta merda sozinho com esse garoto?

— Você me paga, Riven. – o mestiço murmurou baixo.

— Podem voltar às suas atividades. – Saladin falou se retirando do pátio junto de Codatorta.

O ruivo, ainda desorientado com o novo ambiente, caminhou até Helia e Riven, provavelmente pois eram as únicas figuras com quem ele tinha uma conexão até o momento, mesmo que fosse por causa de uma missão que ainda nem ocorreu.

— Pra-prazer, sou Timmy Tarly. – estendeu a mão para cumprimentar os dois.

— Nós já sabemos, todo mundo ouviu o Saladin anunciando. – Riven revirou os olhos sem apertar a mão do garoto.

— Perdão... – o ruivo ia abaixando a mão quando Helia segurou para o cumprimentar.

— Prazer em te conhecer. – o mestiço sorriu soltando a mão do garoto – Este rabugento é Riven Atari e eu sou Helia Snow.

— Snow...? – o rapaz demonstrou inocência em perguntar sobre o peculiar sobrenome do jovem.

— É nome de bastardo nortista. – Riven respondeu sem muita delicadeza, como sempre.

— Na verdade, eu não tinha nenhuma família, então fui criado em uma aldeia. Adotei Snow como meu sobrenome. – diferente de seu amigo, Helia demonstrava maior gentileza em explicar a origem de seu nome.

— Perdão, eu não sabia. Desculpe pela intromissão. – o garoto abaixou a cabeça encarando o chão envergonhado.

— Tudo bem, foi só uma pergunta. – Helia acalmou o ruivo com sua serenidade.

Em alguns instantes, o silêncio tomou posse da conversa, até que Riven fez um comentário para quebrar este clima desagradável:

— Então... Tarly? Você não é um nobre do sul? – Riven questionou e novamente os sobrenomes entraram em pauta.

— Sim, mas meu pai não me aprovava como herdeiro, por eu ser “frágil”, de acordo com ele. Então ele me fez servir a Patrulha para que meu irmão mais novo virasse o herdeiro. – o ruivo coçou a cabeça enquanto falava, demonstrando seu visível desconforto.

Praticamente ao mesmo tempo, os olhos escuros de Helia e Riven arregalaram ao ouvirem a história de Timmy. Nenhum dos dois imaginavam que o garoto aparentemente tão simpático teria um passado deste. Antes que pudessem dizer alguma coisa, Codatorta se aproximou do trio.

— Snow, Atari e Tarly, já tenho a missão de iniciação. – encarou os três com seriedade – Preparem-se, separem os cavalos e as roupas de frio, porque vocês vão atravessar a muralha.

...

Acampamento do Povo Livre/ Selvagens – Além da Muralha (Extremo Norte)

Enquanto os Patrulheiros viviam atrás da grande muralha de gelo, haviam aqueles que tinham como abrigo o além da Muralha, o verdadeiro Norte de Westeros. Eles eram chamados de selvagens, talvez por serem nômades, porém eles se denominavam de Povo Livre, pelo fato de não serem submissos a coroa ou lorde algum.

O Povo Livre era composto por diferentes grupos, que viviam na maior parte do tempo juntos como um único povo. Porém, alguns grupos eram mais individualistas e tomavam ações sozinhos, como por exemplo, saquear aldeias e vilarejos, o que apenas prejudicava a visão que as pessoas de Westeros tinham sobre eles e aumentava o estigma de que eram selvagens.

O Acampamento deste povo era enorme, talvez só perdia para os dos Dothrakis. Diversas mulheres, crianças e homens de diferentes origens conviviam juntos, tudo graças ao líder do Povo Livre, Ho-Boe, que conseguiu juntar diversos grupos rivais e os tornar aliados em prol de uma mesma causa.

Sentada em um pedaço de madeira, uma garota de pele pálida e longos cabelos negros, como o céu ao entardecer naquela região, afiava com uma pedra a ponta de um objeto que parecia uma flecha. Ao seu lado, algumas crianças com roupas de frio feitas de pele de animais brincavam com a pouca neve que havia no chão, pelo fato de o inverno ainda não ter chegado.

— Musa! – uma criança a chamou – Onde está seu pai?

— Ele saiu em expedição, querida. – respondeu calmamente enquanto afiava as flechas.

— Por que você não foi junto? – a menina perguntou.

— Porque eu sou a única filha dele e é em mim que ele confia para liderar o acampamento na ausência dele. – Musa explicou serenamente para a criança, porém não sentia verdade em suas próprias palavras.

— Obrigada Musa! – a menina saiu para brincar com os demais.

A filha de Ho-Boe, a filha do grande líder. Porém, isso significava algo na vida de Musa? Seu pai nunca chamou a garota para as missões que fazia, talvez por preocupação com a mesma, porém a jovem se sentia menosprezada, pois era uma grande guerreira e gostaria de poder provar isso.

Desejava um dia liderar este acampamento, mas por mérito próprio e não por hereditariedade. Porém, para isso acontecer, ela precisava ultrapassar seus limites. Nunca havia ido em uma expedição até a Muralha, nunca havia lutado contra Patrulheiros, mas ela certamente já estava pronta para isso.

Afiou a sua última flecha e levantou-se para testar a arma. Com o arco em mãos e os olhos focados no alvo pendurado na árvore em sua frente, posicionou a flecha recém-afiada. Respirou fundo e contou até três, sempre fazia isso antes de lançar as flechas.

“1... 2... 3...”

No meio. A flecha acertou o centro do alvo para a alegria da garota. Ia atirar outra, até que ouviu uma voz familiar a chamar.

— Musa! – Tune vinha correndo junto de Cherie.

— O que houve? – a arqueira perguntou enquanto via as duas ofegantes, provavelmente vieram de outro lado do acampamento.

— Eu conto. – Cherie praticamente gritou – Então o que aconteceu foi–

— Não! Eu conto, eu que sou a responsável pela comunicação neste acampamento. – Tune interrompeu a outra.

— Você sempre fala, deixa eu falar só uma vez. – Cherie fez cara de choro.

— Mas essa é a minha função. – Tune rebateu.

— Contem logo de uma vez. – Musa disse já estressada com a picuinha das duas, que sempre competiam por coisas fúteis.

— Eu estava em um vilarejo próximo e ouvi uma conversa de que a Patrulha da Noite iria receber um novo membro. – a de cabelos claros comentou.

— E eu com isso? – Musa ia virando as costas até que Cherie a puxou de volta.

— Sempre que eles recebem um novo membro, fazem uma expedição para o além da Muralha. – Cherie explicou enquanto segurava o pulso da amiga.

Os olhos da mestiça logo arregalaram e uma ideia brilhante e perigosa surgiu em sua cabeça.

— Seria uma ótima oportunidade para capturar alguns deles. – sorriu de forma maliciosa – Finalmente uma chance de provar para o meu pai.

— Provar o quê, Musa? – Tune perguntou.

— Que eu sou uma guerreira e que posso ser tão líder quanto ele. – disse pegando suas flechas – Se preparem, vocês vêm comigo.

A jovem estava obstinada a provar para o seu pai e também para o resto do Povo Livre (principalmente os homens guerreiros) de que era digna o suficiente de se tornar a líder daquela nação. Os Patrulheiros que se preparassem, pois Musa não iria brincar em serviço.


Notas Finais


Capítulo MUITO grande, mas é porque no começo tem vários núcleos na história, porém com o tempo eles vão se juntando e vai ficar mais fácil de escrever.

Eu já mencionei isso uma vez, mas lembrando que personagens de cabelos de cores não naturais tiveram as cores substituídas por castanho ou preto. Exemplo: Tecna, Riven, Musa.

Irei tentar postar com maior frequência, espero que tenham gostado e qualquer dúvida estou disponível ❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...