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História Game of Youtube - Capítulo 1


Escrita por: perrevi

Notas do Autor


Olá!
Eu tinha parado de escrever essa Fic em julho do ano passado, resolvi reescrever os capítulos e mudar algumas coisas.

Essa história também está no Wattpad, mas não recomendo ler ela lá. Como eu estou reescrevendo a história, muitos capítulos estão desatualizados, então leiam por aqui por enquanto.

Capítulo 1 - Onde todos se encontram


Fanfic / Fanfiction Game of Youtube - Capítulo 1 - Onde todos se encontram

Aquele era apenas o começo da longa jornada de Kim. Seus pés  descalços estavam cheios de lesões, sangrando conforme pisavam no chão,  o nobre vestido azul que foi dado por sua mãe naquela manhã se encontrava completamente destruído, tendo a região abdominal tomada por sangue que escorria até as pernas, resultado de um grave ferimento na barriga. Logo atrás da Watergold, em uma planície verde até onde os olhos enxergavam, estava seu lar, agora em ruínas. Um enorme castelo de pedras cinzas com inúmeras janelas quebradas, portas arrombadas e sangue inocente  manchando o chão era sua última lembrança que parecia fazer sentido, mesmo sabendo os riscos não pode conter sua angústia, ela parou no meio do caminho e olhou para trás, observando o fogo violentamente consumir sua casa, torre por torre, carbonizando consigo todas lembranças  felizes de Kim.

Não podendo mais ficar se torturando voltou a fugir, aquela não era hora para ficar em luto. Correndo o mais rápido que podia, decidiu se esconder na Floresta Leste, Kim fechou seus olhos com força e começou a rezar para os Deuses.

-Não me deixem morrer ainda, não me deixem morrer nas mãos daquele monstro... –Suplicou respirando fundo, fazendo um enorme esforço para que suas lágrimas não a distraíssem–...me salvem para que eu consiga me vingar .

- Taberna do Davi Jones- Algumas horas antes.

Era um dia incomum na capital, pois a festa da colheita -a maior celebração do Leste - estava prestes a acontecer. Suas terras eram de maioria inférteis e haviam poucas chuvas durante o ano, contudo naquele pequeno período de três meses quando o Deus da colheita abençoava o solo, o mundo virava de ponta cabeça , encontrando abundância na agricultura e trazendo fartura para os cidadãos.

Os aventureiros mais jovens gostam de viajar para a capital nessa época, pois muitos comerciantes se instalam para comprar mantimentos, fazendo os itens mágicos transbordarem como água

Lucas tocava algumas músicas populares com sua flauta transversal, como era a manhã de preparações para o festival, não haviam muitos espectadores na taberna e as poucas pessoas que perambulavam pelo local eram alguns bêbados que desmaiaram na noite passada. Não que o rapaz quisesse estar ali, por azar do destino acabou sendo roubado três dias atrás, quando colocou os pés na cidade. O "bondoso" ladrão o deixou apenas com as roupas do corpo e sua flauta, que estava escondida dentro do casaco, dinheiro era uma necessidade que ele precisava suprir, ou teria que dormir em um estábulo novamente.

-Garoto pode parar de tocar...-Davi Jones o dono do estabelecimento fez um gesto com a mão para Lucas se aproximar –Olha pega essas moedas e vaza daqui sua música é uma merda.

O bardo abriu sua boca para rebater aquele homem anêmico, mas pegou suas seis moedas de prata e saiu do estabelecimento recitando mentalmente todos os palavrões que conhecia.

As ruas estavam agitadas, várias pessoas andavam de um lado para o outro com roupas coloridas e adornos na cabeça, alguns soldados do rei vigiavam a população com suas armaduras brilhantes, sem muita cautela ou preocupação, estavam empolgados demais para isso.

Lucas colocou seu capuz sem saber o que fazer. Havia apenas um objeto dentro de sua mochila que ele realmente queria, mas se recuperasse o restante também seria de grande ajuda

Determinado, resolveu buscar algumas informações no mercado sobre o ladrão. Em uma das maiores ruas da cidade estava localizado o "Mercado Dadaísta" muito famoso entre os cinco reinos, várias lojas tanto físicas quanto ambulantes se estendiam até o final da rua, a olho nu poderiam ser contados mais de sessenta estabelecimentos.

Ele fez algumas perguntas simples para os vendedores que deram respostas vagas, muitos deles nem olharam na cara do rapaz ao saberem que ele não tinha dinheiro. Quando se dirigiu até um vendedor ambulante que usava diversos panos em seu rosto, percebeu um item incomum no pulso do homem, o amuleto que sua irmã.

-Onde você conseguiu esse objeto? –Perguntou já ao lado do vendedor, que deu um pulo ao perceber que o bardo estava em seu lado.

O homem largou suas mercadorias, que ao tocarem no chão se transformaram em pó, uma técnica de ilusão muito comum usada por caloteiros, e saiu correndo.

-Eu vou te pegar seu desgraçado filho da puta! –Ameaçou, seguindo o rapaz.

Porém acompanhar o ladrão não era tão fácil, ele saltava entre as caixas que estocavam os mais variados itens e fazia acrobacias muito bem treinadas, sem contar que se disfarçava bem entre a multidão. O ladrão parou apenas quando correu para uma rua sem saída por engano, ficando frente a frente com Lucas que chegou esbaforido logo em seguida.

-Uau, você realmente me pegou...-Constatou sarcasticamente dando alguns passos para trás, levando sua mão sutilmente até a cintura, onde uma pequena lâmina sem cabo estava escondida entre suas vestes e cinta.

-Acho bom você devolver minhas coisas, ladrãozinho de merda! –A irritação que o bardo sentia estava quase o cegando. O amuleto no pulso do ladino era na verdade um pingente sem qualquer propriedade mágica, mas para Lucas aquilo representava esperança.

-Por que faria isso? Pelo o que eu vejo você é só um idiota carregando um graveto–Seus dedos já tocavam a lâmina, agora só precisava esperar o momento certo para atacar.

O rapaz levou com calma até seus lábios sua flauta, tocando uma melodia acelerada enquanto olhava fixamente para o ladrão, entre todos os panos e roupas surradas, apenas seus curiosos olhos castanhos estavam a mostra.

Em poucos segundos diversos ratos começaram a surgir cercando os dois, todos hipnotizados pela melodia repetitiva, antes mesmo de lançar sua lâmina, mais de cem ratos de esgoto avançavam em direção do ladrão. O mesmo começou a andar para trás, não havia nenhum objeto que ele pudesse usar para escalar as paredes ou jogar naqueles animais grotescos.

-Parem aí! –Ordenou uma voz grossa que se aproximava.

Um guarda real apareceu como uma sombra e ficou encarando os dois por alguns segundos embasbacado, não acreditando em seus olhos. Ele tirou sua espada da bainha e foi na direção de Lucas, acreditando ser o errado na história. Assustado, Lucas mudou a melodia e os ratos viraram na direção do homem subindo por suas penas e mordendo todo seu corpo,  gritos começaram a chamar atenção de todos que estavam por perto e diversos curiosos se aproximavam.

Sem opções, parou de tocar, e logo avistou o ladrão correndo para longe, sem nem hesitar o seguiu.

Floresta Leste

Karen vagava angustiada pela floresta, os humanos estavam comemorando um Deus idiota por conta do trabalho de suas irmãs. As Ninfas sempre usaram sua magia para que os humanos não morressem de fome dando momentaneamente, vida a terra. Eles retribuíram aquilo associando a algum Deus inventando e aleatório.

Maíra sua irmã mais velha não entendia o porquê de Karen se importar tanto com aquilo, mas é devido aos humanos que as ninfas não podem deixar suas floresta, um antigo pacto selado com magia antiga impede qualquer criatura feérica ter contato com humanos, caso acontecesse, tal criatura seria exilada para sempre. Os dias da pequena ninfa sempre eram os mesmos, ela ansiava emoção e aventura, mas o máximo de emoção que encontrava era quando algum esquilo gordinho ficava preso no topo das árvores.

-Socorro... –Uma voz feminina e distante ecoou como um sussurro pelo local.    

A ninfa logo correu até a direção da voz, que parecia mais e mais fraca, logo encontrou desmaiada entre alguns arbustos uma humana de cabelos vermelhos e vestido azul.

Sem pensar suas vezes correu na direção oposta, era proibida de fazer contato direto com humanos, porém o sentimento de responsabilidade falou mais alto, não importava quantas regras quebrasse, ajudar alguém é mais importante que qualquer tradição.

-Quem é você? - Perguntou com medo, ela segurava um galho com as duas mãos que havia achado pelo caminho, tentando se proteger de um possível ataque. Nunca esteve tão perto de um humano em toda vida.

A mulher murmurou alguma coisa indecifrável.

Karen começou a cutucar a garota que estava de bruços com o galho, percebeu um líquido vermelho saindo de seu corpo.

-Que tipo de seiva é essa?

Ela jogou o galho para longe e virou a mulher que estava cheia de feridas cobertas pela estranha seda, sua respiração estava diminuindo, Karen podia analisar a alma das pessoas e a alma dessa mulher estava sumindo.

-O que eu faço? O que eu faço? –Disse se levantando e andando em círculos, ela deveria ajudar a fêmea daquela raça? Seu clã ajudaria caso a levasse até ele?

-Volta aqui seu merda! –Outra voz que falava o idioma humano se aproximava, dessa vez Karen pegou o graveto e apontou para onde a voz estava.

Dois humanos estavam se aproximando, um deles usava vestes negras e o outro segurava um graveto.

-OI COM LIÇENCA!  –Gritou Karen sem pensar balançando o galho, porém, os dois não pareciam ter escutado – EU PRECISO DE AJUDA, TEM UMA DE VOCÊS AQUI E EU NÃO SEI O QUE DEVO FAZER!

Lucas virou seu rosto na segunda vez, avistando um tipo de ninfa baixinha de cabelos rosas e pela clara pular de um lado para o outro segurando um galho torto, ele andou até sua direção hesitante, não queria desistir, mas sabia que nunca iria ganhar do ladrão em uma corrida.

-O que está acontecendo? – Perguntou.

A ninfa apontou para uma mulher ensanguentada, dando vários passos para trás.

Lucas se ajoelhou ao lado dela, passou seus dedos sobre as feridas que estavam muito mais profundas do que aparentavam, o forte cheiro de sangue já estava impregnado no ar.

-Fada –Disse se virando para a garota que o olhava com medo – Preciso que você encontre o outro cara que estava comigo, ele está com os meus remédios.

Karen o olhava perplexa, era estranho ver homens com pelos em seus rostos, sem contar que suas feições eram muito mais grotescas.

-Entendeu o que eu falei? –Perguntou com urgência.

Karen balançou a cabeça e correu para longe.

Ao analisar o corpo da mulher, o bardo notou que além das feridas existiam diversos hematomas e queimaduras profundas, quando desceu seu olhar para os pés, teve que se aguentar para não vomitar: Estavam em carne viva.

--

Orochi parou em um riacho ofegante, aquele homem era muito mais persistente do que ele imaginava. Olhou rapidamente para o pingente no qual o bardo parecia tão interessado, teve vontade de jogá-lo para longe por alguns segundos, o calor em seu corpo só aumentava então tirou os panos que cobriam seu rosto podendo respirar com tranquilidade.

Olhou para trás algumas vezes não entendo o porquê de o Bardo ter desistido, mas resolveu não questionar, ele se ajoelhou na beira do riacho e começou a jogar água no rosto.

-Humano...-Chamou uma voz fininha.

O ladino olhou para cima e avistou uma garota com orelhas pontudas, deu alguns passos para trás assustado, nem sabia dizer que criatura era aquela.

-Mais que porra é essa?

Karen o olhou confusa.

-A fêmea humana precisa de ajuda...-Afirmou apontando para uma direção de onde veio.

Orochi sorriu rapidamente e começou a correr para o lado oposto, não precisava de uma baboseira sem sentido para piorar seu dia, porém parou quando sentiu algo entrelaçar suas pernas. Karen controlou os galhos das plantas ao redor e começou a arrastar o homem.

--

Kim estava mais tranquila devido a melodia que o Bardo tocava, ele sabia que aquilo apenas aliviada a dor e em poucos minutos a garota morreria devido á hemorragia.

-Qual é o seu nome? –Perguntou parando de tocar por alguns instantes, a garota abriu seus olhos com dificuldade, entretendo não saia voz alguma, sangue começou a escorrer como água por sua boca, fazendo a mesma se afogar.

Lucas voltou a tocar a música assustado, era a primeira vez que iria vez alguém morrer na sua frente, seus dedos tremiam a cada acorde.

-Humana?

Karen olhava a seiva crescer cada vez mais, pela expressão do flautista não deveria ser algo bom.

-Me larga sua piranh...mas que merda é essa?

Lucas logo levantou e começou a revirar os bolsos do ladrão que pareceu entender ao avistar a garota ensanguentada, mas mesmo assim teve relutância ao ser tocado.

-Seiva vermelha...-Karen tocou pela primeira vez no líquido escuro, era viscoso e quente.

Lucas não estava achando nada nos bolsos sem ser moedas ou frascos vazios.

-EU JÁ VENDI AS SUAS TRALHAS RETARDADO! -Confessou agressivamente, mas havia vergonha em seu olhar.

-UMA PESSOA VAI MORRER POR SUA CAUSA !

Karen olhava a mulher fechar os olhos devagar, os dois humanos gritavam como bárbaros, porém não sentia essa energia negativa da garota, realmente queria ajudá-la, então contrariando todas as regras de seu povo decidiu usar a magia milenar.

Colocou suas mãos sobre a barriga da mulher e fechou seus olhos, uma luz rosa emanou fazendo as feridas pararem de sangrar.

-Por que não fez isso antes? – Questionou aliviado.

Karen deu de ombros, preferia não responder.

Os ferimentos mais graves foram estabilizados, mas ainda estavam abertos.

-Temos que levá-la até a cidade –Lucas pegou a mulher com os dois braços, porém a deixou cair logo em seguida, ela era muito musculosa.

Karen imitou o rapaz, segurando Kim sem nenhum tipo de dificuldade.

Orochi que observava a cena calado começou a rir.

-Eu sei de alguém que pode curar essa dai –Ele olhou para Karen que ainda comandava as plantas amarrarem seus pés, ela piscou algumas vezes –Tira isso do meu pé orelhuda.

Mesmo desconfortável, tomou a frente do grupo e começou a andar.

--

Quando estavam no meio do caminho, uma carruagem negra passou na frente dos quatro. Todos se esconderam atrás das árvores.

Um homem de cabelos compridos e barba grisalha saiu do veículo portando um manto negro, com uma raposa em seus ombros e uma espada gigantesca na bainha, escondido por baixo do manto, uma armadura da mesma cor. Quando pisava no chão, ele afundava dois centímetros.

-Esse é o...

-Nando Moura –Afirmou Orochi.



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