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História Garota má - Capítulo 6


Escrita por: e AngelClark


Capítulo 6 - Não confio em ninguém


Fanfic / Fanfiction Garota má - Capítulo 6 - Não confio em ninguém

Narrado por Megan

Assim que Jimin foi embora, fui pra sala e ao mexer no meu celular, vi a mensagem que Taehyung com a resposta correta da questão que eu havia lhe pedido cola, porém Jimin pegou no flagra.

Eu havia mandado o áudio ao Taehyung lhe pedindo cola às seis e trinta e seis da tarde e ele me respondeu às nove e vinte da noite. Eu odeio pessoas que não me respondem na hora mensagens urgentes e importantes.

Agora eu não preciso mais, né?

Vinte minutos depois...

Conseguiu fazer sozinha?

Depois de minutos, ele me respondeu e eu fiquei encarando aquela mensagem quando optei em deixá-lo no vácuo de propósito, pra ele ver como é bom.

Nesse momento, uma outra mensagem foi enviada pra mim. Eram dois vídeos que Jungkook me enviou. Um visivelmente fazia tempo, pelo menos um ano ou mais, era eu destratando uma garota na escola. Eu lembro que eu azucrinava tanto aquela menina que ela saiu da escola e eu até cheguei a sentir saudades.

No outro vídeo era eu em uma boate, completamente louca, depois de ter colocado uma balinha na língua. Aquela bala me deixou completamente louca, a experiência mais louca que já tive e Jungkook gravou.

Assim que os vídeos foram enviados pra mim, ele me mandou a seguinte mensagem:

Jeon Jungkook: Se você se separar de mim, eu mostro isso para o seu papaizinho. Tá avisada. 

Nojento.

Jeon Jungkook: As provas contra você eu já tenho.

Jungkook, presta atenção. Você não gosta de mim, eu não gosto de você. Nós não nos gostamos, então pra que seguir com esse relacionamento ridículo?

Jeon Jungkook: Porque só vai acabar quando eu disser que acabou. Não acabou ainda. Tirou a idéia de me deixar? Diz que não e eu encaminho esses vídeos para o seu pai.

Não faz isso! Eu fico com você. Meu pai nunca vai olhar na minha cara quando ver as coisas que eu faço nesses vídeos. Ele não pode nem sonhar. Ele é tão... Politicamente correto. Eu vou continuar contigo, mas por favor... Sério, não vá ficar com essas garotas justamente no colégio. Seja mais discreto. Só isso que eu te peço. 

Jeon Jungkook: Tudo bem... Eu vou parar de te "trair"

Não foi isso que eu disse. Só falei pra ser mais discreto quanto a isso.

Jeon Jungkook: Você quer que eu fique te traindo?

Assim que ele perguntou por mensagem, eu fiquei confusa. Se ele não me traísse, eu não teria o direito de fazer o mesmo.

Jeon Jungkook: Por que?

Perguntou de novo, quando percebeu que eu não estava respondendo e só visualizando suas mensagens.

Não é que eu quero que você fique me traindo, pra mim tanto faz, sabe? Nosso relacionamento vai continuar sendo aberto.

Jeon Jungkook: Como assim relacionamento aberto? Você está ficando louca? 

Da mesma forma que você pode, eu também posso...

Jeon Jungkook: Ok, Megan, vou fingir que acredito que você tenha ficado com alguém. Eu sei que você não ficou com ninguém esse tempo todo e tá falando só pra me irritar. Mas eu finjo que acredito.

Como pode ter tanta certeza disso?

Jeon Jungkook: Eu duvido que algum cara teria coragem de ficar com uma namorada minha. Eles gostam muito da própria vida, você também gosta demais da sua vidinha de "Abelha-rainha" que você tem, que deixando bem claro você só conquistou graças à mim. Você não seria nada, se não fosse por mim! E você sabe disso! Por isso eu sei que você não tem coragem de ficar com ninguém, além de mim e também sei que não ficou.

Ah, sim.

Resolvi nem prolongar aquele assunto, se não eu daria muita bandeira. A real é que é melhor pra todo mundo deixar ele pensar o que quiser.

Eu beijei o Jimin, mas pensando bem foi só um beijo sem muita importância, Jungkook não precisava saber desse detalhe e é bom que ele continue pensando assim. Isso é vantajoso para mim.

Ele tem mesmo que pensar que eu sou "fiel", até porque adoro uma briga, amo uma desavença menos quando é entre eu e Jungkook porque eu sempre perco. Então não tem graça. 

Não vale a pena arrumar briga com Jungkook se eu sei que eu sempre vou perder, ele que tem as cartas na manga contra mim. Querendo ou não, eu estou na mão dele. 

Jeon Jungkook: Se eu descobrir que você está com alguém além de mim, eu acabo com você. Eu te mato, Megan. Eu estou falando sério, eu mato você e o filho da puta.

Engoli um seco.

Me erra. Vou dormir, tchau.

Bloqueei a tela do celular e ao ficar pensando, resolvi faltar no colégio amanhã. Sem chance de encarar Jungkook amanhã, depois de tudo que aconteceu, e como se nada tivesse acontecido.

[...]

– Pai e mãe, posso faltar amanhã? – perguntei, sentada em minha cadeira na mesa de jantar.

– Eu vou deixar só porque hoje você me deu um susto desmaiando no colégio, mas o Jimin vai passar aqui amanhã, novamente, pra continuar as aulas e te passar o que você vai perder amanhã... Aliás, como foi com ele hoje? — perguntou meu pai.

– Ah... Foi muito legal... — menti. — Ele é uma pessoa muito legal, gente boa, um cara paciente, melhor pessoa. — Forcei um sorriso – Sabe o que ele me disse, pai?

– O que?

– Que eu não precisava dessas aulas, pois não tenho problemas em matemática, nem física ou química... Ele disse que você está gastando seu dinheiro por nada – Eu disse e ele começou a rir.

– Eu adoro esse seu jeito de inverter a situação. — Meu pai riu. — Não adianta, Megan, eu tenho certeza que ele não falou isso e não vou dispensar ele, não adianta... Ele me disse, por rede social, que você quebrou o celular dele e eu depositei uma quantia boa na conta dele pra ele comprar outro celular. Eu não vou demití-lo. Pode fazer o que quiser, está decidido.

— Que saco. — Expirei, frustrada, irritada e ele riu.

Assim que terminei minha refeição de jantar, subi pro meu quarto, escovei os dentes e me preparei pra dormir numa boa porque eu faltaria no dia seguinte.

No dia seguinte, acordei meio-dia, ou seja, só tem eu e os empregados na casa porque meus pais saíram pra trabalhar. Depois de tomar meu café da manhã sozinha e resolvi passar a tarde toda de pijama e assistindo série trancada no meu quarto. Sem ninguém para me infernizar, ninguém para me tirar do meu sossego, mas antes de começar a maratonar minhas séries favoritas, eu fiquei deitada na cama fitando o teto do meu quarto pensando em um jeito de me livrar do Jungkook que não envolvesse enfrentá-lo, afinal seria um tiro em meu próprio pé. Vou ter que seguir o conselho da Regina e virar a pessoa mais insuportável do mundo pra ele, até que ele se canse de mim.

Liguei a TV, me cobri com o Edredom e coloquei em minha série favorita. Eu estava em paz, na minha zona de conforto, ninguém estava me azucrinando naquele momento, ninguém estava me infernizando, tinha como aquele dia ficar melhor?

— Que isso, Megan?

Jimin entrou no meu quarto e eu o encarei perplexa com sua audácia de entrar no meu quarto desse jeito. Aliás, o que ele veio fazer aqui?

Sua visitinha inusitada custou toda a minha paz.

Eu havia me esquecido completamente que ele viria hoje, por isso nem tirei o pijama. Estava com a cara lavada, cabelos sem pentear e ele é a primeira pessoa do colégio que me vê sem um pingo de maquiagem.

 Sabe bater na porta não? — indaguei, irritada, levando minhas mãos até meu rosto lavado e sem nenhum tipo de maquiagem. — Ah, que droga! Eu esqueci dessas porcarias de aula. Merda. Não passei maquiagem, sai daqui.

 Ah, francamente, que frescura. — disse ele. — Você disse que eu já te espiei nadar pelada, então tecnicamente você acha que eu te vi pelada, então já que na sua cabeça eu te vi pelada, por que você está com vergonha se eu te ver sem maquiagem?

 Olha aqui, me lembra disso não, tá?! — esbravejei e Jimin retirou minhas mãos do meu rosto e o encarei. Ele estava sentado na beirada da minha cama.

— Para com essa frescura. Você sem maquiagem não é muito diferente de você com maquiagem. — disse ele e eu estreitei meu olhar, o fitando suspeitosamente.

— Você está mentindo.

— Eu já te vi sem maquiagem antes, Megan. Quando você estava na trilha, você estava sem maquiagem nenhuma. — disse ele. — Vai por mim, não tem muita diferença.

 Tá, sei. — fingi que acreditei.

 Vamos logo estudar que quanto mais rápido começarmos, mais rápido a gente termina. É muito difícil te suportar, sabe? Você é muito insuportável, eu te detesto, você quebrou meu celular... Mas o dinheiro que o seu pai paga é muito importante pra mim.

— Eu acho que você não entendeu, meu dia foi o seguinte: Acordar meio-dia, tomar café da manhã, voltar pro quarto, escovar os dentes e deitar aqui pra ficar vendo série em inglês, eu nem tirei o pijama, nem almocei... Vem outro dia. Ou melhor, nem vem.

— Não posso. Seu pai me disse pra ser hoje porque você faltou. Ele insistiu que fosse hoje porque você faltou pra eu te passar o que você perdeu.

 Jimin... — Juntei minhas mãos e o encarei pedinte. — Me dá uma trégua. — pedi.

 Não. — respondeu. — Colabora, vai.

 Eu estou com tanta preguiça de levantar hoje! — Fitei o teto, estressada. — Por que eu tenho que ser eu, Deus? Justo hoje que eu estava achando que eu teria paz.

 Como você é boba. Não seja tão dramática! — Riu e eu me levantei. — Você fala como se eu fosse horrível.

 Você é péssimo. — retruquei.

Fui em direção a penteadeira e penteei meus cabelos rapidamente, enquanto sentia o olhar de Jimin atrás de mim, o fitei pelo reflexo do espelho da penteadeira e dei uma risada. Jimin estava sentado na beirada da minha cama totalmente confortável apoiando-se no colchão com as mãos para trás.

— Por que você tá rindo? — indagou, confuso. — Quarto legal esse seu, hein.

 Gostou? — perguntei, fitando-o pelo reflexo no espelho.

 Gostei.

 Sabe quem arquitetou essa casa?

 Não. Quem?

 Tom Wright. — respondi, enquanto penteava meus cabelos. — Conhece?

 Não. — respondeu e eu forcei um sorriso, bem forçado.

— É claro que você não conhece. Cultura é pra poucos. As únicas coisa que você entende é de número, em como me irritar e espiar mulher pelada nadando.

— Eu já falei que eu não espiei... Ah, você acredita no que quiser também.

Virei-me de frente pra ele e o fitei inexpressiva. Aproximei dele sem desviar nossos olhares, me abaixei ficando a altura de seu rosto e o fitei quase colando nossas faces.

Me aproximei como se eu fosse beijá-lo, seus olhos fitaram meus lábios achando que eu realmente iria fazer isso, mas apenas me estiquei para pegar meu hobby esquecido no colchão atrás de sí.

Jimin pareceu ficar estático naquele momento, ficou completamente tenso, sua respiração ficou até irregular e eu sorri.

Ok, talvez eu tenha provocado um pouquinho demais.

— E-estou te esperando na sala — gaguejou e eu assenti, sorrindo.

Se levantou completamente vermelhinho, saiu do meu quarto e eu voltei a me deitar. Fiquei alí, fitando o teto e criando coragem pra levantar.

[...]

Quarenta minutos depois...

— Megan, você morreu? — perguntou Jimin, entrando no meu quarto e assim que percebeu que eu nem levantei da cama, ele ficou visivelmente irritado. Respirou fundo, passou as mãos nos seus cabelos de puro nervoso e eu sorri. — Paciência, paciência, paciência... — Repetiu a sí mesmo, como um mantra pra tentar manter o controle. — Não perde o controle, Jimin... Paciência. — murmurou para sí mesmo e eu fiquei com vontade de rir.

 Perde a paciência, Jimin! Perde o controle! Perde! — Sorri, no intuito de irritá-lo.

— Olha aqui, menina, não tira a pouca paciência que estou tendo contigo. 

— O que eu mais quero é que você perca a sua paciência. Escute ainda o que eu te digo, você ainda vai surtar e me bater. Pode apostar. E então, eu vou chegar no meu papai com um olho roxo e vou dizer: Papai, Jimin me bateu. — Sorri e ele começou a rir.

— Você é cínica assim sempre? — perguntou ele e eu continuei sorrindo. — Mas eu não vou mesmo. Eu não perco a cabeça nunca e não bato em mulher.

— Escuta o que eu estou te dizendo, você ainda vai perder o controle e vai dar na minha cara. — Olhei nos seus olhos e ele riu. — O que eu mais quero é que você perca a paciência.

— Pena que nem tudo que a gente quer a gente pode ter... — Sorriu. — Sai dessa cama, anda!

— Sabe... Não estou afim. — O provoquei, sorrindo.

— Você é extremamente infantil, Megan. — Ele disse e eu continuei sorrindo.

— Sim, eu sou. — Sorri

— Ah, que saco! Sai logo daí! Que saco! Por que você é assim? É retaliação? — perguntou e eu ri — Eu quero dinheiro. Preciso trabalhar...

— Quando eu te ofereci dinheiro pra calar a boca, você não aceitou, mas pra ganhar dinheiro em troca de me infernizar você aceita, não é?

— Não, Megan. Existe uma grande diferença entre ganhar dinheiro trabalhando e ganhar dinheiro se vendendo, eu escolhi trabalhar, ganhar meu dinheiro por merecer, entendeu?

— Não! Eu não entendo as coisas que você diz! Ah, que inferno! Pra mim dinheiro é tudo igual, foda-se se você trabalhou ou não, o importante é ganhar! Nossa, quanto mimimi chato. Dinheiro é dinheiro e pronto, eu hein! Não vem com esse papo de samaritano pra cima de mim. 

— É... Desisto de tentar te explicar... Você não entenderia. — Suspirou. — Sai daí, vai...

— Eu não quero sair da cama! — resmunguei. — Por que você não me explica enquanto eu estou deitada? Por que temos que sentar em uma mesa? Por que eu tenho que estudar? Por que, Jimin?

— Porque se você não estudar, você não vai aprender e vai continuar tirando zero em tudo. — respondeu, como se fosse óbvio

— Por que a gente não nasce sabendo? Por que a gente precisa estudar pra saber?

— Porque... Sei lá, cara, você faz cada pergunta... — disse e pensou na resposta. — Porque se a gente nascesse sabendo de tudo, a vida seria sem graça, o bom da vida é você aprender coisas novas, é dizer: "Nossa, eu consegui fazer isso!", mas você nunca vai sentir essa sensação se continuar na cama, deitada. Você quer aprender? — Assenti. — Então, levanta daí! Não vai conseguir nada na sua vida deitada aí, assistindo série! A vida não é isso não, Megan

— Jimin?

— Hm?

— O que você faz quando você quer aprender, mas não quer estudar? — perguntei, dessa vez sem maldade nenhuma, sem tentar ser engraçada e ele começou a rir. 

— Você pega o livro e bate com ele na cabeça, foi assim que eu aprendi as coisas que sei hoje — Ele falou sério, pra você leitor lendo com certeza não acreditaria, mas ele falou de um jeito que parecia tão verdade que se ele falasse "Papai noel existe" eu acreditaria, não que eu seja ingênua – longe disso –, mas o jeito que ele falou parecia verdade mesmo e eu acreditei. 

Peguei o livro de matemática que Jimin deixou sobre minha cama, bati fraco com ele na minha cabeça e Jimin começou a gargalhar alto. 

— Ok, dessa vez eu fui idiota, confesso. — Dei algumas risadas enquanto via ele rir — Como você conseguiu falar de um jeito tão real que me fez acreditar? — perguntei, incrédula — Se você falasse que Fada do Dente existe desse jeito eu acreditava. 

— Não sei... — Riu — Acho que eu sou um bom mentiroso convincente quando eu quero. Vamos logo, Megan! Teve matéria nova hoje e eu tenho que te passar. Eu entendi o que você está fazendo, está querendo me enrolar.

— Eu quero aprender, mas eu estou com preguiça, explica o que você tem que explicar aqui mesmo.

— Com você deitada?!

— Qual o problema? Eu vou aprender menos se eu não estiver deitada? — perguntei e o deixei sem palavras. — O que importa no estudo é absorver o conteúdo, e não a posição que você está.

— Como eu vou ver onde você está errando com você deitada?

— A cama é gigante, Jimin! Cabe vários de você aqui. Cabe vários de nós aqui.

— Você está sugerindo o que? Que eu deite aí? — perguntou, com os olhos arregalados e eu assenti, normalmente.

— É, qual o problema? Mas também se quiser ficar aí em pé igual uma múmia, você que sabe.

— É melhor não, hein! — Sorriu malicioso.

— Olha, eu também sou do tipo que pensa em muitas besteiras, mas dessa vez eu não estou pensando em nada, só não quero levantar. 

— Sei... Não está pensando em nada. — Estreitou o olhar e sorriu maldoso. 

— Eu estou comprometida. — Mostrei minha mão com o anél pra ele. — Nem se eu quisesse eu poderia pensar em bobagens... — Pisquei.

— Você ainda não terminou com esse cara? — perguntou, incrédulo. — Você curte sofrer?

— Terminei, mas voltei de novo. É complicado. — respondi cabisbaixa, lembrando-me da minha situação.

— Não é complicado nada. É só você chegar nele e falar: "Olha, querido, não dá mais, tá?" e sair de perto. Pronto. Quando um não quer um relacionamento, dois não ficam nele.

— É, mas nesse caso eu quero. — menti, pra não dar bandeiras. 

— Mas aquele idiota te tra... — disse indignado, mas parou no meio da frase — Isso não é da minha conta. — ele disse, sério, retirou seus sapatos, se deitou ao meu lado, colocou o caderno em seu colo e começou a me explicar o que teve hoje.

Jimin começou me explicando física e química no início e no final, resolveu focar em matemática. No começo, eu até estava prestando atenção, só que quando eu me dei conta, eu estava focando na televisão ao mesmo tempo que ele explicava. Essa era a melhor parte da série. Estava na melhor parte da série quando o vilão foi desmascarado, quando de repente a tela da televisão ficou preta.

— Porra, Megan! — gritou, raivoso, após desligar a televisão, chamando minha atenção.

— O que? Por que desligou? Estava na melhor parte.

 Porque você não presta atenção!

 Estou prestando atenção.

 Sei. Vou fingir que acredito. — ironizou.

 Que foi, hein? Eu escuto com ouvido e não com os olhos. Eu escuto você e vejo a tv ao mesmo tempo! — eu disse, em seguida tentei pegar o controle de sua mão, mas ele não permitiu. — Jimin, me dá! Eu estava prestando atenção! — gritei. — Eu estou falando sério, me dá esse controle! — Consegui pegá-lo, mas Jimin segurava com força. — Me dá! Que saco! Como você é chato! Eu estava prestando atenção sim! Irritante! Eu não estou acreditando que meu pai vai me obrigar a te aturar todo dia!

— Atura ou surta. 

— Jimin, eu estava prestando atenção! Mas que inferno! Me dá esse controle! — Puxei o controle, mas ele não soltou. 

— Ah é? Então sobre o que eu estava falando?

Desviei de seu olhar pra olhar o livro em sua mão e tudo que eu vi foram malditas fórmulas, números e letras das quais naquele momento não entendi nada.

— Você estava falando de... — Pensei. — Matemática, ora! Dá o controle!

— Não vou dar!

— Ah, então vai se fo... — Me interrompeu.

— Olha o palavrão! — Riu e eu respirei fundo.

— Ah, quer saber?! Sou fina demais pra gastar minha saliva contigo.

— Não parecia naquele dia, já que tinha gasto bastante saliva comigo. — disse ele e eu ergui uma sobrancelha, perplexa. Ele sorriu debochado.

— Não me lembra disso não, tá? Vou reformular minha frase. Sou fina demais pra gastar palavras contigo. — disse, dando ênfase em "Palavras". 

Jimin ficou me encarando por alguns segundos, inexpressivo, mas logo desviou o olhar para o livro e continuou explicando o que o professor passou hoje e eu suspirei irritada, revirando os olhos. 

O que eu faço pra ele parar ou desistir de vez dessa ideia?

Eu já não sabia mais o que fazer.

• Irritar - Não deu certo.

• Pirraçar - Não deu certo.

• Dramatizar - Não deu certo.

— Jimin?

O interrompi, enquanto ele me explicava e ele parou pra me fitar. Eu contei até três na minha cabeça antes de enquadrar seu rosto e tomar seus lábios pra mim, esmagando-os nos meus e pegando-o de surpresa.

A minha intenção inicial era fazê-lo me empurrar e ele sair correndo dalí, envergonhado, falar que o que eu fiz foi uma falta de respeito e que nunca mais irá me dar aula e blá blá blá... Mas não foi bem isso que aconteceu.

Eu senti que ele ficou surpreso no início, porém não demorou muito pra corresponder, rendendo-se a mim, o que eu realmente não esperava que ele fizesse.

Pela minha maldita surpresa, sua boca cedeu passagem pra mim, fazendo minha língua entrar em contato com a sua. Eu realmente não esperava por essa.

Jimin deixou o livro de lado, se deitou completamente na cama e seu braço livre enroscou na minha cintura colocando-me completamente por cima de seu corpo. Guiou uma de suas mãos até a parte de trás da minha cabeça, cravando seus dedos em meus cabelos.

Pra minha surpresa, ele estava colocando mais intensidade nisso enquanto eu apoiava meu antebraço no colchão, sem interromper o beijo.

O clima estava esquentando e o pior eu estava gostando, senti as pontas de seus dedos na minha pele, no pequeno espaço que tinha entre minha calça do pijama e a barra da blusa. Senti seus dedos subindo pra cima, fazendo a barra da blusa subir pela minha pele, com a intenção de retirá-la.

Era pra ser apenas um selinho, afinal achei que ele me empurraria antes que se intensificasse, mas exatamente o que eu tinha receio de que acontecesse, aconteceu. Eu me empolguei quando senti seus lábios junto aos meus pela segunda vez, e eu não consegui fazer com que nossas línguas não se encontrassem. 

Eu me empolguei demais, foi como se tudo a nossa volta tivesse sido desligado e eu queria aproveitar aquele momento ao máximo. Porém, eu tive que interromper, porque as coisas já estavam saindo do controle.

Mas quando eu iria me afastar, no segundo seguinte, senti suas mãos em meu rosto, o trazendo em sua direção e voltando ao ósculo, sem se importar com nada. 

Quando suas mãos começaram a subir minha blusa, passaram tantos flashbacks horríveis na minha cabeça, tudo de uma vez que eu parei bruscamente de beijá-lo e caí com tudo deitada ao seu lado. 

— Sai daqui. — eu disse, fitando o teto.

— O que? — perguntou, incrédulo, sem entender. — Por que? Eu hein! O que aconteceu? Você me beija do nada e depois me manda embora? Você é maluca? O que aconteceu?

Não iria falar nada da minha vida para ele, não sou tão louca. Não confio em ninguém pra falar sobre o meu passado, então pensei na primeira resposta que eu poderia dar.

— Não dá não... Eu não posso fazer isso, eu... Eu não consigo. — Comecei a chorar. 

Ele apoiou seu cotovelo no colchão pra poder me olhar nos olhos, enquanto eu estava completamente deitada e seu olhar demonstrava preocupação e confusão, ele enxugou algumas de minhas lágrimas, mas aquilo não fez eu ficar menos desconfiada em relação à ele. 

— Por que?

— Não é justo com o Jungkook. — menti.

— Por que você gosta dele?

— Sei que ele pode ser muito cruel às vezes, mas...

— Então por que gosta dele?! — perguntou, indignado. — "Mas" nada! Não passa pano para as atitudes dele, não! Como você pode gostar de um ser daque...

— E você?! Quem é você pra falar alguma coisa?! — eu disse, o interrompendo.

— O que?

— Olha... Tem coisas boas e ruins em todo mundo. O JungKooK é só... — Pensei em uma forma de defendê-lo. Na verdade é muito difícil defender uma pessoa como o Jungkook. — Ele é só mais direto nesse aspecto.

— Ele está traindo você! — exclamou, irritado.

— O que? — Franzi o cenho.

— Droga! — Passou a mão em seus cabelos, irritado. — Eu não queria me meter nisso, mas você é corna, entendeu?

— Vai embora — Me levantei da cama, dei a volta por ela, peguei seu braço e o caderno e o puxei pra se levantar — Sai do meu quarto, anda!

— Hoje você está insuportável! — disse ele, com a voz elevada e eu o empurrei pra fora do quarto e antes dele entrar fechei a porta e a tranquei. Desmoronei no chão do quarto com as costas apoiadas na porta e ele começou a socar a madeira da porta insistentemente, aquilo era horrível. — Eu estou tentando te ajudar, sua maluca! Vou contar pro seu pai ouviu?!

— Pode contar! Estou nem aí, tá?! Você acha que eu sou criança?! — eu disse, alto e enxuguei minhas lágrimas.

— Você está chorando? — perguntou, completamente confuso, por trás da porta

— Sai daqui! — disse, tentando disfarçar a voz.

— Você está bem? — perguntou, parecia preocupado, enquanto eu engatinhava até debaixo da cama pra pegar a garrafa de Soju que eu escondia alí. Com ela na mão, eu voltei onde eu estava e apoiei minhas costas na porta — Megan?

— Eu estou bem, depois a gente conversa. Vai embora. 

Depois que eu disse isso, não o escutei mais, o que significa que ele havia desistido e assim virei a garrafa de bebida alcoólica na minha boca enquanto chorava lembrando dos piores momentos da minha vida.

Sim, eu sou alcoólatra e ninguém sabe disso. Eu não sou do tipo que mente pra sí mesmo querendo acreditar que não tem esse problema, mas eu sei que eu tenho. A bebida tem o poder de apagar meus problemas e traumas, porém ninguém precisa saber desse meu "Vício".

Me levantei quando terminei de beber a garrafa toda. Eu queria ir pegar mais na despensa. Destranquei a porta do meu quarto e quando abri, Jimin quase caiu pra dentro do meu quarto.

Ele ficou esse tempo todo sentado no chão e com as costas apoiadas na minha porta. Eu achei que ele já tivesse ido embora e quando eu vi que ele ainda estava aqui, eu fechei a porta imediatamente quando ele tentou entrar.

Tranquei rápido.

 Megan! — resmungou, batendo na porta. — Abre essa porta!

 Não! Vai embora! Achei que você tinha ido embora!

— Abre a porta!

— Não! — gritei, desabando, sentando no chão. 

 Então eu vou ficar aqui, sentado, de campana! — disse, decidido. — Uma hora você vai ter que abrir!

Estávamos sendo separados por uma porta. Afinal, nós dois estávamos com as costas apoiadas nela.

Não confio em ninguém, nem em meus pais. Não confio nem em mim, por isso não conto minha vida pra ninguém. Ninguém. 


Notas Finais


Se vocês quiserem ajudar a história e as autoras de vocês, comentem, galera. Não fiquem de fantasma não, é super chato e desmotivador isso, ainda mais pra alguém que está recomeçando e repostando uma história.
Comentem o que acharam e eu estou ANSIOSISSIMA pra ler. Obrigada a todos. ❤


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