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História Garotas Perdidas - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Roxie é uma personagem que criei anos atrás, primeiro como "coadjuvante" em um dos meus contos mas gostei tanto dela, que escrevi alguns contos protagonizados por ela e este é um dos meus favoritos. Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Garotas Perdidas - Capítulo 1 - Capítulo Único

Era madrugada de inverno quando a vampira Roxie estava sentada sobre um vaso sanitário com a tampa fechada em um fétido banheiro de rodoviária, se sentia ruim por aquele ser o lugar onde conseguiria seu alimento, estava "caçando", e considerando o tempo desde a última vez em que se alimentou não estava podendo exigir muito. Como de costume Roxie calçava coturnos de vinil repleto de fivelas e spikes, uma jaqueta de couro com o logo da banda "sisters of mercy" nas costas, óculos escuros largos no rosto, luvas de dedos cortados nas mãos e recentemente mudara o penteado permitindo o cabelo crescer mais e pintando uma franja de púrpura, seguia no estilo punk/motoqueira. A luz dali era fraca, a lâmpada parecia próxima de queimar... Mas era o suficiente para se poder ler rabiscado nas paredes daquele cubículo todo tipo de desenho pornográfico e propostas de sexo casual, telefones e tudo o mais que permitisse o contato, inclusive um "agendamento" que se encerrava dizendo "esteja aqui as 02 da manhã da sexta-feira" e logo abaixo uma seta que apontava para um furo com mais ou menos 5cm de diâmetro entre os cubículos, o que seria um "glory hole" improvisado. Roxie enfiou a mão em um dos bolsos da jaqueta e sacou um relógio digital de vidro rachado e sem a pulseira, com alguns pingos de sangue seco. Faltavam poucos minutos... Enfim ouviu a porta se abrir, se fosse o tarado realmente ele possuía uma pontualidade britânica. Os passos seguiram ultrapassando a porta de Roxie e entrando na vizinha, sim, devia ser ele. A vampira fez um "humhum" pigarreando pra confirmar a presença, teve como resposta duas batidinhas do outro lado. Já carregando a voz de sensualidade disse:
-Siiiiim?
 O homem sussurrou surpreso do outro lado:
-M-Minha nossa, uma mulher! Que sorte. Você deve ser uma vadia muito louca pra estar aqui.
 Mesmo entre toda aquela imundície Roxie podia sentir o cheiro daquele homem... Podia ouvir o coração dele acelerando... As pupilas dela se dilataram e suas presas se destacaram, sua sede estava quase fazendo com que ela perdesse a razão. Ela sussurrou de volta:
-Não tô aqui pra conversa, vamos logo e me mostra o que tem aí... Tô morrendo de sede.
 Ele obedeceu inserindo o seu membro enrijecido no furo, Roxie o acariciou e o sentiu crescer ainda mais em sua mão, sentiu o calor, o sangue correr preenchendo tudo. Disse:
-Você gosta disso, ´né?
-Adoro...
-Você deve se sentir muito macho, muito "homem" tendo um negócio desses...
 Com um movimento ela sacou uma balisong da jaqueta, girou a lâmina e a ergueu dizendo:
-Tirando isso, o quê lhe resta?
 Com um golpe veloz e limpo Roxie o decepou fazendo o sangue jorrar e um grande sorriso se abrir entre seus lábios vermelhos, antes que o homem pudesse recobrar o fôlego e gritar as garras vampiras atravessaram a madeira e lhe arrancaram a garganta, como um vulto Roxie caiu sobre ele o devorando.
 Pouco depois ela sentia seu estômago preenchido ferver como um caldeirão, o calor se espalhar por seu corpo, seu coração bater mesmo que vagaroso. Recobrando a razão percebeu que o homem que acabara de matar era o senhor que cuidava ou ao menos deveria cuidar da limpeza do banheiro, o que explicava a pontualidade. Ela o trancou no cubículo e saiu por cima, aquilo atrasaria um pouco o encontro do corpo. Vaidosa se olhou no espelho manchado, suas bochechas já começavam a se corar, quase parecia humana. Lavou o sangue do rosto e se sentando em sua Harley retomou a estrada.
 Aquele momento era o que mais lhe dava prazer: seguia sozinha pela rodovia que naquele ponto era pouco iluminada, o farol de sua moto irrompia pela escuridão revelando o asfalto preto e úmido como o céu noturno, avançando naquela velocidade sentindo o vento no rosto sacudindo seus cabelos Roxie sentia como se fosse uma estrela cadente rasgando os céus. Porém seu momento foi arruinado por algo que conhecia bem: um carro policial. De início tentou ignorar mas ligaram a sirene se aproximando, olhou com o canto dos olhos e viu o policial bigodudo fazendo sinal para que encostasse. Parou no acostamento. Não era necessário mas os dois policiais desceram, o bigodudo de barriga protuberante e um rapaz. O do bigode disse naquele tom de ironia:
-Boa noite, mocinha!
 Sem disfarçar o aborrecimento na voz Roxie respondeu:
-Boa noite, senhor oficial...
 O policial mais jovem olhou Roxie de cima a baixo, ficando com os olhos em suas pernas de meias arrastão:
-Belíssima noite, por sinal... Tá com frio não, minha filha?
-Vocês querem ver os documentos?
 O mais velho respondeu:
-Sim. Mas também desça da moto, precisamos revistar você.
 Bufando de raiva ela obedeceu, entregou os documentos. O policial deu uma olhada breve dizendo:
-Seu nome é... Margareth? Você não tem cara de Margareth.
 Em um dos documentos Roxie estava mostrando a língua com um piercing e maquiagem borrada no rosto, somente um idiota não perceberia que aqueles documentos eram falsos. Quando se tem 54 anos com aparência de 18, documentos falsos são necessários. Encarando Roxie sabendo que ela com certeza infringia a lei de alguma forma e que iria "punir" ela por aquilo o policial seguiu dizendo:
-Pra quê os óculos escuros durante a noite? Você "não tem colírio" é? Tire eles.
 Rangendo os dentes Roxie obedeceu, fazendo graça o policial pegou os óculos e colocou no próprio rosto mas aquilo não escondeu o pequeno susto que ele levou ao ver os olhos da vampira brilharem como vagalumes numa luz verde como fogo fátuo toda vez que a luz do giroflex batia ali. A vontade de Roxie era hipnotizar aquele velho e mandá-lo embora mas ele estando de óculos escuros seria arriscado e hipnoses incompletas sempre acabavam em desgraça.
 Ele deu um passo para trás e disse:
-De costas... Coloque as mãos na moto. Isso, afaste os pés.
 Quase rosnando Roxie obedeceu, o outro policial disse:
-Vendo ela assim nessa posição... Mil coisas passam pela minha cabeça.
 Os dois começaram a rir mas foram interrompidos por um chamado no rádio, o mais novo entrou no carro e se sentou para ouvir enquanto o mais velho dizia a Roxie:
-Realmente não entendo como uma jovenzinha assim que nem você anda assim solta por aí... Não tem medo?
-Medo do quê?
-Dos "homens maus".
-Tipo vocês dois? Não, não tenho medo.
-Então... Deveria ao menos ter respeito.
-Você não faz ideia do quanto tô sendo respeitosa, tiozinho. Não abuse.
 Ele colocou as mãos nos ombros dela e as deslizou até a cintura, pegou seu quadril por baixo da jaqueta e foi apalpando seu corpo até subir aos seios, dizia:
-Quem define o quê é abuso e o que deixa de ser aqui sou eu, mocinha.
 Conforme ele se movimentava a balisong de Roxie caiu de sua jaqueta juntamente com um revólver prateado, vendo aquilo ela murmurou:
-Puta merda... Quem procura acha.
 O policial saltou para trás assustado e sacando sua arma, tudo aconteceu bem rapidamente. Roxie reagiu de imediato pois não queria e nem podia ser levada pra delegacia pra explicar o porte das armas, e isso porque no bagageiro tinha bem mais. Veloz ela avançou se pondo fora da mira dele, com um golpe quebrou o braço do velho ao meio e ele efetuou alguns disparos involuntários, na mesma velocidade cravou as garras no rosto dele e o derrubou arrebentando seu crânio no capô do carro. Quando se deu conta o outro policial já estava fora do carro lhe mirando uma escopeta, quase que a queima-roupa disparou no peito de Roxie que foi lançada para trás, de braços abertos caiu no asfalto, seus seios estavam expostos e crivados pela munição... Parecia estar morta. O policial parecia desesperado, ainda mirando olhou para o parceiro morto e todo o sangue que corria pelo carro já empoçando.
-Mas que porra foi essa!!? Ninguém vai acreditar nessa merda...
 Depressa ele voltou para o carro, iria usar  rádio quando viu os faróis refletirem naqueles malditos olhos verdes. Tossindo Roxie se colocou de pé, cuspiu algumas esferas do tiro juntamente com uma boa quantia de sangue. Ele ergueu a arma mirando de dentro do carro mesmo porém como uma assombração Roxie desapareceu. Quase que ao mesmo tempo o carro foi atingido por uma poderosa pancada na lateral, o policial imaginou que algum outro carro bateu ali mas gritou ao se deparar com o rosto raivoso de presas destacadas de Roxie, com um grito de fúria ela se abaixou e com as próprias mãos virou o carro com tamanha força que ele seguiu capotando para fora da estrada e caindo através do terreno que descia até um pequeno rio, o carro parou virado para baixo na beira da água. O policial sobrevivente se arrastou para fora do carro muito debilitado, por todo seu corpo ferimentos e pedaços de vidro ainda cravados. Erguendo os olhos viu uma silhueta grande "voar" em sua direção, mais de cinco metros acima do chão. "Aquilo" caiu pesado sobre o carro num estouro ensaguentado, era o corpo de seu parceiro que fora lançado até ali pela força sobrenatural da vampira que já deslizava pela colina com seus coturnos. Seus passos farfalhavam  a grama, o homem já chorava com a aproximação de sua algoz, que ironizou dizendo:
-"Vendo você assim nessa posição... Mil coisas passam pela minha cabeça." Eu já me alimentei hoje mas você me fez perder muito sangue. Preciso repor. Então, se não se importa.
 Sem mais nada dizer ela tomou aquele homem em seus braços e lhe cravou os caninos no pescoço lhe drenando, ele virou os olhos e empalideceu. Ela jogou o corpo sobre o do velho como um boneco de trapos. Lambeu os lábios ensanguentados e vasculhando a jaqueta encontrou um maço bem amassado de cigarros também sujo com o sangue, pegou o isqueiro e acendeu um cigarro... Lançou fumaça pela boca e também pelos pequenos furos no peito e costelas que já se fechavam. Ateou fogo no carro usando a gasolina e olhou a si mesma de cima a baixo avaliando o estrago... Era hora de sair logo dali. Porém seu sexto sentido lhe alertou... As chamas se refletiram em outro par de olhos. Um cão se aproximava, era preto, muito grande. Ele rodeou Roxie mantendo certa distância até sumir por detrás do carro, dali se ergueu uma mulher.
 Esta parecia ter cerca de 30 anos de idade, cabelos longos e pretos, usava óculos e roupas sociais, parecia um tipo de secretária ou executiva, pele extremamente lívida e olhos amarelos como âmbar, assim como os do cachorro que desaparecera. Polida ela se curvou ligeiramente cumprimentando Roxie:
-Boa madrugada, senhorita.
 Um pouco confusa Roxie olhou para os lados... Sabia que o cão na verdade era aquela mulher transformada, era uma vampira. Disse apenas:
-Hum... Oi? Eu já tô de saída, sabe...
-Você pode ir, depois de resolvermos um certo problema.
-Que problema?
-Você matou estes homens, se alimentou de um deles.
-E?
 Dando alguns passos a mulher deu meia volta de braços abertos, como se mostrasse tudo ao seu redor:
-Este lugar pertence a mim, Wanessa. Você caçou aqui sem minha permissão.
-Se esse for o problema eu te devolvo um humano, pode ser?
 Wanessa lhe penetrou com o olhar, suas pupilas dilataram. Aquela vampira parecia estar a muito tempo sem se alimentar e ver sangue em sua frente parecia estar lhe levando a um frenesi e Roxie podia sentir isso:
-Não é necessário. O pagamento deve ser feito em sangue.
 Roxie ainda estava ligeiramente ferida, desanimada disse:
-Porra... Você tinha que aparecer logo agora que eu tô toda fodida?
 Veloz como um vulto negro Wanessa avançou sobre Roxie que se esquivou da mesma forma, num rápido rastejo ela passou por dentro do carro tombado caindo do outro lado, quando se virou deparou-se com Wanessa que pulou por cima das chamas e caía sobre ela com garras e presas destacadas, porém estava nas mãos de Roxie a escopeta usada pelo policial, deitada ela ergueu a arma e disparou, o baque foi suficiente para jogar Wanessa para trás a fazendo cair dentro das chamas. Guinchando de fúria e dor a vampira correu como uma verdadeira aparição demoníaca, seu corpo e cabelos em chamas. Se erguendo Roxie disparava a arma mas a vampira flamejante se movia veloz demais pelo chão na tentativa de apagar o fogo, até que finalmente se lançou para dentro do rio desaparecendo.
 Depressa Roxie correu até sua motocicleta e se sentando colocou a escopeta nas costas entre o pescoço e a jaqueta, dando partida retomou a estrada.
 Passou por uma ponte seguindo por um trecho onde se podia ver bem aos arredores da estrada o rio escuro, Roxie ia com cautela quando viu um pouco atrás aquele cão sair por entre as árvores rosnando e correndo em uma velocidade sobrenatural, haviam muitas falhas em seus pelos e seu corpo estava encharcado, seus olhos injetados de sangue rubro e suas presas já não cabiam mais na boca. Roxie rangeu seus dentes pontiagudos e a luz esmeralda de seus olhos se acentuou:
-Puta merda... Ela não desiste.
 A motoqueira sabia que se não matasse aquela outra vampira ela não teria paz, aquela perseguição não teria fim, mesmo se o dia irrompesse as duas morreriam ou iriam parar para retomar na próxima noite, era assim que funcionava. Numa cena que relembrava "exterminador do futuro" Roxie sacou a escopeta de suas costas e se virando disparou com apenas uma das mãos carecendo precisão, o cão saltou e se desfez no ar em uma revoada de morcegos, o problema de Roxie se multiplicara em várias dezenas. Ela acelerou e efetuou mais alguns disparos que só fez dispersar alguns morcegos e derrubar poucos que sumiam como fumaça, logo se viu totalmente cercada pelos morcegos e seus guinchos enxergando apenas aquela infernal nuvem preta, sem visão acabou indo para a beira da estrada batendo um tronco caído, a moto capotou e seu corpo foi lançado muitos metros a frente, batendo as costelas em uma das árvores ela caiu. Não houve muito tempo para se recompor, sentiu aquela conhecida dor lancinante entre o pescoço e o ombro: agarrada a suas costas na forma humanoide Wanessa já lhe drenava o sangue. Numa demonstração de extrema fúria e acima de tudo tenacidade Roxie se colocou de pé com a outra vampira presa a seu corpo como um carrapato, levando uma das mãos sobre o ombro ferindo mais a si mesma Roxie conseguiu colocar os dedos por baixo dos dentes de Wanessa e começou a forçar a abertura do maxilar, Roxie sentiu os dentes dela trincarem o que a forçou a soltar ou teria a mandíbula desligada do crânio. Se jogando para trás a motoqueira bateu com força o corpo de Wanessa em uma das árvores fazendo folhas secas caírem sobre, rebatendo Roxie conseguiu se desvencilhar dos braços e pernas de sua oponente. Assim que tocou os pés no chão Wanessa foi atingida por um sonoro soco, seu rosto foi deformado e o mais incrível: sua cabeça foi deslocada em meia volta deixando sua face ligeiramente para trás. Era uma visão perturbadora: aquela mulher antes bela parecia agora um zumbi que confuso se mantinha de pé tateando as árvores ás suas costas enquanto que com a outra mão "procurava" o rosto não conseguindo acreditar no dano que lhe foi causado, seus olhos foram completamente esmagados. Agora com um sorriso Roxie disse enquanto apanhava um par de socos-ingleses da parte de trás de sua calcinha:
- Não é a primeira vez que enfrento um outro vampiro e nem vai ser a última... Todos vocês sempre possuem truques diferentes de um pro outro. Mas até hoje nunca encontrei outro vampiro com a porrada mais forte que a minha. E diferente da maioria de vocês, me recuso a me servir do sangue sujo de outro amaldiçoado. Chegou sua hora, vai morrer definitivamente em "seu território".
 Ela desferiu uma série veloz e potente de socos que praticamente moeram o corpo de Wanessa contra a árvore, Roxie parou somente quando o tronco robusto arrebentou e caiu erguendo uma imensa nuvem de poeira. Estava coberta de sangue e vísceras mais uma vez, passou a mão no rosto tirando o excesso e parou pra "admirar" a destruição que causara. O que para muitos parecia ser extraordinário para ela era algo muito parecido com rotina. Encerrando a noite ela recuperou a motocicleta, se banhou no rio e se escondendo na floresta dormiu em um buraco que cavou com as próprias mãos e escondeu entre as folhas juntamente com seu veículo. Na noite seguinte retomou seu caminho sem destino, inevitavelmente deixando uma trilha de morte por onde passava.



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