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História Garotinho mau - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Capítulo 8


Acredito que nossos defeitos deveriam ser aplaudidos de pé já que nossas qualidades são criticadas.

New Orleans 

09/26 

Eles dizem que vão nos proteger, amar e respeitar acima de tudo, mas então um deslize, um descuido, a escolha de ser diferente e eles já nos tratam como diferentes, dizem que somos egoístas e que não os entenderemos porque somos jovens, mas talvez saibamos mais do que se imagina.

Amar é doloroso, aceitar é difícil, mas aí estamos nós, dia após dia admoestando à todos o que somos, quem somos e como queremos ser. Acontece que crescer nos parte ao meio, parte nosso coração e o tempo leva consigo nossa melhor versão. Gumball conhecia bem aquela situação, crescer lhe custou muito, tirou as forças que ele já nem tinha mais, ou nem sabia que tinha, sempre machucando a ferida que nunca cicatrizava. Ele perdeu a mãe, perdeu sua irmã, perdeu a si mesmo e agora, perdera seu pai, o homem que ele tanto admirou e jamais cogitou a ideia de abandoná-lo, não seria justo com os anos que o mais velho dedicara a si; mas agora a situação era outra. Seu coração estava despedaçado, suas esperanças pareciam evaporar. Tudo em seu corpo latejava. Era hora de erguer a cabeça outra vez, do jeito que a vida lhe ensinara.

Agora, enquanto arrumava suas coisas na casa de sua irmã, ele prometia a si mesmo que faria tudo diferente, jamais faria as mesmas escolhas de seus pais, ele seria melhor do que seu pai jamais fora.

Bonnibel disse que iria embora dentro de um mês, que iria lhe mandar dinheiro todo mês até que pudesse arrumar um emprego para sustentar-se sozinho, claro, Marshall fora contra, para variar. Marceline mal conseguira ficar ali por muito tempo, o amor de sua vida estava partindo outra vez e isso era demais para o seu coração ferido. Bonnie prometeu vim lhe visitar, mas, que promessa é essa mais vazia que o próprio ego?

A rosado sugeriu que seu irmão viesse consigo, mas ele não conseguiu responder àquele pedido de imediato, não seria capaz de abandonar Marshall Lee, ainda mais com o bebê em seu ventre.

Eles não perceberam, mas lhes faltava coragem para encarar a verdade: o final daquela história estava chegando ao fim.

- Eu não quero que você vá. – Marceline murmurou chorosa. - Não, de novo não, eu não suportaria isso outra vez. – disse magoada.

- Marcy, por favor, eu prometo vim te visitar sempre que...

- Visitar? Visitar, Bonnibel? – gritou enfurecida. Suas lágrimas caiam como cascatas rigorosas. - Por que fez isso? – questionou soluçando.

- Fiz o que? – perguntou sem paciência.

- Me iludiu, voltou, veio atrás de mim, me prometeu, fez juras, planos e agora diz que está partindo? Me prometendo visitas? – a morena cobriu a própria face, chorando compulsivamente.

Bonnibel encarou sua amada com o coração partido. Enfim sua máscara de durona havia se rachado. Tudo em seu corpo doía, principalmente seu coração. Bonnibel Bubblegum era uma egoísta e reconhecia isso, mas não conseguia admitir, pela primeira vez, ela se viu com outros olhos, ela se viu como uma covarde. Abandonara seu irmão, o amor de sua vida e tantas outras coisas, ela fugiu, fugiu da realidade preferindo viver como uma covarde a ter de enfrentar seus problemas. Talvez Ela não fosse tão diferente de seu pai no fim das contas.

- Eu não consigo ficar. – murmurou atraindo a atenção da morena para si outra vez.

- Como assim? – questionou entristecida.

- Minha mãe morreu aqui, meu pai destruiu a minha melhor versão e... – a rosado abraçou o próprio corpo, fechando com forças seus olhos, engolindo a vontade de se descabelar. - Eu fugi, fugi como uma gatinha assustada, abandonei você e o Gumball nesse inferno sem nem pensar duas vezes. – disse abrindo os olhos, liberando mais e mais suas lágrimas grossas. - Deixei para trás as duas pessoas que mais me amavam nesse mundo, pelo menos é o que eu acho. – sorriu sem humor, desviando seus olhares. - Eu deixei vocês para trás e nem se quer me importei com os seus sentimentos, apenas pensei em mim mesma, querendo que vocês entendessem meu lado sem nem ao menos precisar me esforçar para entende-los de volta.

Marcy franziu o cenho, aproximando-se de sua amada em passos cautelosos.

- Então por que não pode fazer diferente agora? Não consegue ver? Está fazendo o mesmo de alguns atrás, talvez até pior, pois dessa vez está olhando dentro dos meus olhos de se despedindo da pior forma. – murmurou segurando o queixo da outra entre seu indicador e o polegar. - Eu te amo, Bonnibel, mas não posso esperar para sempre esperando que você entenda como retribuir esse amor da forma correta. – disse antes de lhe dar ás costas e sair porta à fora, batendo a matéria com força contra o batente.

- Marcy. – a rosada soluçou caindo de joelhos contra o assoalho de seu quarto. - Me perdoa, perdão por ter sido tão covarde.

Mas a morena já partira há muito.

A covardia costuma ser o nosso pior defeito, mas com toda certeza precisa ser aplaudida pois sem os covardes jamais existiriam os corajosos.




- Acho melhor você ir ver como ela está. – Gumball disse assim que ouviu a porta da frente bater com força.

- Parte daquela briga envolve nós dois. – Marshall murmurou após um suspiro. - Eu não sei como vai ser daqui para frente, Bubba, está ficando cada vez mais difícil encarar os fatos. – o moreno lhe deu um selinho demorado e logo partiu em busca da irmã.

Ele tinha razão, as coisas enfim fugiram de seu controle. Seu pai enlouqueceu, sua irmã partiria em breve e sua cunhada acabara de sair chorando do apartamento.

Gumball respirou fundo, caminhando para fora de seu quarto, indo na direção do quarto de sua irmã, onde a mesma ainda chorava sentada no chão. O rosado suspirou triste e aproximou -se do corpo da garota, puxando-a para um abraço.

- Não importa o que eu faço, sempre acabo afastando todos de mim. – Bonnibel murmurou chorosa. Gumball sorriu cabisbaixo.

- Eu ainda estou aqui. – murmurou acariciando-lhe seus cabelos.

- E eu não entendo como. – a rosada brincou, encarando seu irmão mais novo. - Você se parece demais com ela. – murmruou sorrindo de canto. - Não importava o que acontecesse, ela jamais abandonaria aqueles que amava.

Bubba sorriu timidamente retomando o abraço fraternal.

- Vai ficar tudo bem, você vai ver. 

Bonnibel jurou ter ouvido a voz de sua mãe ali nos braços de Gumball. O rosado era a cópia fiel da mulher, até na forma em confortá-la com palavras carinhosas. Era estranho, mas tão bom tê-lo ali consigo. Ao menos alguém que entendeu sua forma doentia de agir em relação à seus próprios monstros.



Três semanas mais tarde

13:36.a.m 

Bonnibel enfim havia depreendido seu projeto, era hora de ir. Gumball ajudou na hora de arrumar suas malas, ele os levaria até o aeroporto e depois voltaria para casa. 

Nas últimas semanas Gustavo não havia dado sinal de vida, nem ele e muito menos Marceline, Gumball até perguntou a Marshall algumas vezes sobre o estado da morena, ele disse que ela estava bem, apenas não queria sair de casa, ele disse também que aconteceu o mesmo quando Bonnie foi embora pela primeira vez. Partiria o coração dos rapazes assistir suas irmãs naquele estado e não poderem fazer nada para melhorar a situação. Gumball tentou algumas vezes, arrastou sua irmã para o Shopping, cinema, mas o que realmente animou a rosada fora comprar as roupas de seu sobrinho. Bubba adorou ver o sorriso de sua irmã outra vez, a garota gargalhava enquanto escolhia entre diversas peças; Marshall disse que ficou com ciúmes, mas a verdade é que ele também estava feliz em ver sua cunhada sorrindo. Ao menos alguém estava bem.

Agora eles estavam ali, despedindo-se.

- Me liga quando chegar lá. – Gumball pediu, apertando sua irmã nos braços. - Manda foto, diz que está bem e não se esqueça de comer, por favor, não quero ter que ir pessoal à New York te fazer comer.

Bonnie sorriu, retribuindo o abraço caloroso.

- Não se preocupe, prometo ligar toda semana. – respondeu afastando-se alguns centímetros para que pudesse olhar nos olhos do mais novo. - E você vai me prometer me deixar informada sobre tudo em relação à meu sobrinho. Quero foto dos ultrassons, vídeos da sua barriga crescendo e um convite para o seu casamento com o Marshall. – a mais velha brincou deixando seu irmão vermelho como um morango.

- Por favor, Bonnie, não apresse as coisas. – pediu coçando sua garganta. - Enfim, eu irei te mandar fotos e vídeos de todas as consultas, prometo. – sorriu carinhoso.

- Ótimo, vou ligar para Íris também, quero saber tudo sobre os trigêmeos. – a rosada bateu palminhas, sorrindo animada.

Gumball sabia que por trás de toda aquela animação existia uma pontada de tristeza, conhecia bem a dor de sua irmã.

- Você vai ficar bem? – Bubba questionou após um suspiro.

A rosada desfez seu sorriso aos poucos, respirando fundo.

- Não é a primeira vez que tenho que lidar com as consequências da minha covardia, Gumball. – murmurou apertando seu casaco. - Eu vou ficar bem.

Bubba negou com a cabeça, preocupado com a saúde mental de sua irmã.

- Ok, acho que sabe o que está fazendo. – o rosado deu de ombros, desistindo daquela ideia. - Me dá mais um abraço? – questionou divertido. A rosada sorriu cabisbaixa, colando seus corpos em outro abraço apertado. - Você vem me ver quando tiver bebê, não é mesmo? 

- Irmão, eu estarei aqui quando você estiver no oitavo mês. – respondeu zombeteira.

Gumball assentiu, revirando seus olhos.

- Vou sentir saudades.

- Eu também. – a rosada segurou suas lágrimas, evitando ao máximo demonstrar sua fraqueza ao irmão.

O abraço se partiu quando soou a última chamada para o vôo de Bonnie.

Seus olhos percorreram todo o aeroporto uma última vez, pedindo mentalmente que aquele não fosse o fim, não outra vez. Ela precisava ir, mas seu coração não conseguia simplesmente aceitar aquele fato e subir no avião, não, algo o prendia naquela cidade, sua outra metade. Ela ainda vagava por ali e ele não seus capaz de deixá-la para trás sem se partir em milhões de pedaços.

- Bom... – Bonnie comprimiu os lábios, sorrindo entristecida. - Acho que é isso. – murmurou chorosa. Gumball sabia o que ela precisava no momento, ele sentia o mesmo em relação à Marshall, mas duvidava sobre a sua capacidade de ir morar em outra cidade e deixar o moreno para trás. ‐ Vejo você em alguns meses, Gum. – respondeu arrumando suas bagagens.

- Até logo, Bonnie. – disse abraçando o próprio corpo em um abraço.

A rosada acenou e lhe deu as costas, andando em rumo a sua outra vida. Seu coração doía dentro de sua caixa torácica, uma dor latente se alastrava por todo seu corpo. Eram tantas razões que a impediam de ficar iam além de amar e querer. Ela ainda era tão jovem e talvez aquela fosse só mais uma escolha irrisória que a faria se arrepender quando fosse mais velha. Quando olhasse para trás e sentisse a dor de mil facas penetrando seu coração por saber que abandonou quem mais amara. Ela não estava sendo capaz de cumprir a promessa que fizera a Marceline, ela estava partindo.

De uma coisa Bonnibel tinha razão, seria incapaz de esquecer Marceline Abadeer.


Gumball permaneceu ali, parado, encarando sua irmã até que ela tivesse sido engolida por completo pela multidão.

Um suspiro escapuliu por entre seu lábios. Era hora dele voltar para casa também.

O rosado ia virar-se quando alguém o pegou de supresa com um abraço por trás. Gumball iria gritar quando a pessoa tapou sua boca e o virou para si.

- Olá, Bubba. – Marshall sorriu travesso enquanto encarava o namorado que mantinha uma expressão surpresa.

- Marshall. – Gumball exclamou indignado após tirar a mão do namorado de sua boca. - O que faz aqui? 

- Eu tinha uma tarefa à cumprir. – respondeu sorrindo, deixando o rosado confuso. - Era isso ou ela me enlouquecia. – disse indicando a morena atrás de si.

- Marcy? – Bubba entoou surpreso. A morena estava ali com uma mochila grande na costas. - O que faz aqui? O que vocês fazem aqui?

- Ela cometeu um erro, Gummy, mas eu não estou disposto à deixá-la partir tão fácil assim. – a morena sorriu ladina balançando uma passagem apenas de ida para New York.

Gumball sorriu ainda surpreso.

- Oh meu Deus. – o rosado pôs as mãos em frente a boca outra vez. - Você precisa correr, o avião já vai...

- Eu sei, eu sei, eu vi os horários. – a morena suspirou jogando seu cabelo para trás. ‐ Vejo vocês dois em breve, seus manés.

Marceline mandou um beijo rápido para os dois e correu na mesma direção que Bonnie fora.

- E se ela não conseguir? – Gumball questionou a Marshall Lee, permanecendo com o olhar fixo nas costas da morena que sumia conforme adentrava aquela balbúrdia de pessoas.

- Ela pega o próximo. – respondeu dando de ombros. - Olha para mim, Bubba. – pediu segurando o queixo do rosado entre seus dedos. - Nada é impossível quando se corre atrás, meu amor.

O rosado sorriu timidamente, enlaçando o pescoço do namorado.

- Então vamos torcer para que Marceline corra como a velocidade da luz. – disse sorrindo.

- Ela vai conseguir. – murmurou apertando sua cintura. Gumball sorriu e assentiu, segurando na nuca do moreno, o puxando para si.

- Você conseguiu. – murmurou contra seus lábios. - Ela consegue.

Gumball perdera o medo de demonstrar carinho em pública há muito, Marshall o ensinou a amar e isso lhe abriu muitas portas, mas principalmente, a de jamais abaixar a cabeça para os infelizes outra vez.



Marcy tinha certeza de que devia milhares de desculpas as pessoas daquele aeroporto, principalmente porque parecia que ela tinha esbarrando na grande maioria, mas nada a impediria de entrar naquele avião, nada a impediria de ser feliz outra vez, nem que para isso ela precisasse ser corajosa por si e por Bonnibel. Afinal é para isso que serve um relacionamento, não é? Entendermos um ao outro e dar a mão quando ele, ou ela, estiver com medo, quando disser que não consegue mais segurar o peso de seu mundo nos ombros, o outro deve estar lá para dizer que tudo bem, eles iriam segurar aquela barra juntos.

Quando se conheceram, eram totalmente o oposto uma da outra e foi isso que as encantou, tiveram de ralar para ter o amor uma da outra. Infelizmente alguém as roubou isso, esse tempo que perderam uma com a outra e Bonnie não soube enfrentar seu medo, ela fugiu, fugiu com o seu medo e deixou para trás um coração partido. Mas agora, Marceline havia entendido, ela tinha medo e mesmo assim voltou para tentar reatar o que elas tinham, isso já era coragem o suficiente para provar que o que elas tinham era real, vivia e tinha força o suficiente para crescer.

Por isso, por todas as razões do amor, ela reuniu toda sua coragem ao medo de ficar sem o seu amor e correu atrás de sua felicidade.

Bonnie estava sentada no fundo, afastada o suficiente para chorar a viagem toda sem incomodar e sem ser incomodada. Marceline a buscava com os olhos, ainda ofegante de sua corrida maluca contra o tempo, foi quando seu olhar encontrou o da rosada. A morena sorriu meio sem jeito e caminhou até ela, que ainda a encarava atônita.

- Marceline? – questionou incrédula.

- Chega para lá, Jujuba, eu fico na janela. – disse guardando sua mochila no compartimento de bagagens.

- O que... O que faz aqui? Como? – A rosada continuava parada no mesmo lugar, sem conseguir acreditar no que seus olhos viam, talvez sua mente estivesse lhe pregando uma peça de muito mal gosto, apenas isso.

- Eu não poderia deixar você partir outra vez, Bonnie. – murmurou sentando-se ao lado da rosada. - Você foi covarde para partir e eu fui covarde em deixar você ir, mas, dessa vez, eu decidi ser corajosa por nós duas. – disse entrelaçando seus dedos.

Bonnibel sorriu liberando algumas lágrimas, dessa vez de alegria. A rosada levantou os dedos da morena, beijando-os com carinho.

- Eu amo você. – disse entrecortada.

A morena sorriu, beijando seus lábios.

- Eu também te amo. – murmurou contra sua boca. - E é bom que você saiba que quando chegarmos em New York a primeira coisa que vamos fazer é falar com os meus pais, estou com saudades deles.

A rosada assentiu, a puxando para um abraço apertado.

- Meu Deus como é bom ter você aqui comigo. – Bonnibel exclamou atacando seus lábios outra vez.

A cena era tão surreal que a rosada não tinha outra reação senão beijá-la o máximo que seus pulmões suportassem.





14:09.a.m 

Gumball e Marshall tiveram uma breve discussão no estacionamento do aeroporto, tudo para decidir em que veículo iriam. No fim das contas, Gumball conseguiu convencer o moreno de que fossem ambos em seus respectivos veículos, claro, não agradou em nada o moreno, mas no fim ele teve de corroborar.

Os rapazes foram para o apartamento de Bonnie, à partir de agora de Bubba, onde eles pretendiam passar o resto da tarde.

- Então agora elas vão morar juntas? – Marshall questionou atirando-se no sofá.

- Sim. – respondeu dando de ombros enquanto retirava seus tênis.

- Por que não podemos fazer o mesmo, Bubbs? – o moreno questionou rolando um bico infantil.

O rosado revirou os olhos caminhando em direção à cozinha, onde ele pretendia pegar algum doce.

- Gumball. – o moreno exclamou indignado, o seguindo pelo corredor. - Você não me respondeu. – disse com o mesmo tom infantil de antes.

- Ah, Marsh, eu não tenho uma resposta para essa pergunta, eu só não sei se seria uma boa ideia, sabe? – questionou pegando alguns caramelos na geladeira. - Eu morei a vida toda com o meu pai e agora vou sair direto para a casa de outro homem? – entoou sentando-se na bancada onde seu namorado estava recostado.

- Eu não sou igual àquele homem, Bubba. – respondeu chateado.

- Eu sei que não é, Marshall, mas já parou para pensar no meu lado? – perguntou pondo um dos doces na boca.

- Não. – respondeu frugal cruzando seus braços acima do peito. - Me explica o seu lado.

- Você esteve livre a vida toda, experenciou muito mais coisas que eu, sempre foi dono das próprias escolhas. – respondeu após um suspiro. - Eu nunca tive isso, sabe? Eu fui protegido a vida toda e agora que me livrei disso, eu queria beber um pouco da minha liberdade.

- E você acha que morando sozinho vai conseguir se sentir mais "libertino"? – questionou fazendo aspas no ar. Marshall riu sem humor. - Se é o que você acha, tudo bem. – deu de ombros, lhe dando as costas. - E só para você saber, eu nunca morei sozinho, sempre morei com os meus pais, depois com a Simone e o Simon, depois fiquei com a Marcy, eu não conseguiria deixar a minha irmã sozinha. – o moreno bufou, bagunçando seus próprios cabelos, ainda de costas.

Gumball encarou o moreno de costas e suspirou, descendo da bancada onde estava sentado. O rosado deixou os doces de lado e caminhou na direção do namorado, o abraçando por trás.

- Você é muito protetor. – resmungou próximo a nuca do moreno.

Marshall sorriu, segurando as mãos de Gumball sobre seu abdômen.

- Sou, é extinto. – respondeu virando-se na sua direção. - Você me pediu um tempo para resolver seus problemas, bem, eles já estão resolvidos, o que falta agora é você encarar o fato que a única coisa que falta para sermos felizes é você dizer que sim. – sussurrou contra a boca do menor.

Gumball gargalhou, assentindo.

- Tudo bem, persistente. – sussurrou de volta, sorrindo alegremente.

- Você ainda não viu nada. – disse abraçando sua cintura, o trazendo para si em um abraço possessivo. - Eu quero você, Bubba Gumball.

- E eu quero você, Marshall Lee. – murmurou encaminhando sua mão pelo cabelo do moreno, o puxando com certa força.

Lee sorriu malicioso, erguendo o rosado em seu colo num ato tão abrupto que o próprio Gumball ficara surpreso. Marshall o levou para sala entre um beijo e outro. O moreno deitou seu corpo no sofá, ficando por cima de si.

Os ósculos iam se intensificando com base de seus movimentos ousados quando de repente Bubba empurrou Marshall para o lado, o jogando no chão.

- Aí, Bubba, qual o... – Marshall calou-se no momento em que vira o rosado levantar-se como um foguete e correr na direção dos quartos. - Gumball? – Lee levantou-se rapidamente, seguindo o mesmo caminho que o namorado, ouvindo-o gemer baixinho.

Gumball estava ajoelhado ao pé do vaso, no banheiro do corredor, vomitando tudo que comera no almoço e café. Marshall fez uma breve careta, acariciando as costas do namorado, fazendo o possível para não olhar diretamente naquela direção.

- Droga de caramelo. – praguejou baixinho enquanto dava descarga.

- Está melhor? – questionou o ajudando a levantar.

O rosado negou, apoiando-se na pia para poder lavar o rosto e a boca.

- Minha cabeça está doendo. – murmurou manhoso, massageando a própria testa.

- Vou te levar para a cama. – afirmou o pegando no colo. Gumball escondeu seu rosto na curvatura do pescoço de Marshall, respirando fundo o cheiro do moreno, como algum tipo de calmante.

Marshall o levou para seu quarto, onde ambos sentaram-se na cama.

- Parece que alguém não gosta de caramelo. – Marshall brincou, levando sua mão na direção da barriga de Gumball, acariciando o lugar com a ponta de seus dedos.

O rosado sorriu nasalado, negando com a cabeça.

- Uma pena, eu amo caramelo. – murmurou rolando um bico em seus lábios.

- Bubba, você gosta de tudo que tem açúcar. – constatou rindo.

- Calado. – praguejou cobrindo a maior parte de sua face com um braço.

Marshall sorriu abertamente com uma ideia. O moreno deitou-se na altura da barriga no namorado, erguendo a camiseta do mesmo para ter livre acesso a pele levemente elevada. Marshall deitou-se no meio das pernas de Gumball, ainda acariciando aquela área.

- Oi, bebê, sabia que você deixou o papai enjoado outra vez? – o moreno dera início a uma conversa com a barriga do rosado, que corou bravamente com o ato, mas ainda sorriu tímido. - Pelo jeito você vai puxar alho de mim, eu também não sou muito fã de doces, que dizer, seu pai é uma exceção. – Gumball lhe deu um tapa na cabeça, ouvindo o moreno rir baixinho. - Eu estou ansioso para te conhecer, filho, te contar histórias, te mimar, assim como faço com o seu pai. – Bubba sorriu ainda mais, levando seus dedos na direção das madeixas negras do outro, acariciando do jeito que ele gostava. - Eu amo vocês, sabia? E não vejo a hora de te ver correndo por aí, enlouquecendo a todos.

Gumball gargalhou, ouvindo atentamente a conversa entre pai e filho, sentindo seu coração aquecer de uma forma que há muito não acontecia.

Era ali o seu lar, não naquela casa, não naquela cidade, mas sim nos braços de Marshall Lee.






Dois meses depois.

Eles venderam o apartamento de Bonnibel e a casa onde Marshall e Marceline moravam juntos, e compraram uma casa, grande o suficiente para oito pessoas, com um jardim belíssimo, onde Gumball gastava boa parte de seu tempo. O rosado havia enfim encerrado sua faculdade, agora ele poderia começar a trabalhar, assim como Marshall, que enfim parecia ter engraçado em algo com o seu diploma de músico. O moreno agora trabalhava em uma gravadora com seu amigo, Finn.

Gumball já estava com quatro meses e eles não poderiam estar mais ansiosos para descobrir o sexo do bebê, Bonnie e Marcy viriam no próximo fim de semana, também cobertas de novidades. Aparentemente Marceline estava adorando viver com Bonnie, a rosada a tratava como uma princesa, sem falar que era ótimo estar perto de seus pais outra vez.

Íris, os esperava em seu consultório, como de costume, sua barriga já estava bem visível, mesmo estando no quinto mês, ela parecia estar no nono graças aos trigêmeos. Jake não poderia estar mais pilhado.

Marshall ficava curioso sobre a barriga do namorado pois a mesma não crescia tanto como a de Íris, na verdade ela era bem pequena. A loira explicou que o bebê ainda era muito pequeno e que, possivelmente, ele seria bem pequenino.

- Ansiosos? – a loira questionou em um tom brincalhão. Lady teria de dar uma pausa em sua carreira graças a sua gestação, mas ela prometeu recomendar sua amiga para continuar acompanhando seu trabalho com Gumball, seu nome era Cake. Claro, o rosado já conhecia, era a namorada do seu amigo mais antigo. Ele ficou animado em rever a platinada em breve. - Deixe-me ver onde ele está, esse travesso. – a mulher brincou outra vez, arrancando ainda mais risos dos papais.

Marshall não poderia estar mais ansioso, suas mãos usavam a todo momento, seu estômago parecia ter um nó e ele não conseguia largar a mão de Bubba.

- Olha ele aqui. – murmurou sorrindo. - Ele é bem pequeno para a idade. 

- Lady, por favor, acaba com a minha curiosidade. – Marshall Lee pediu afoito.

- Eu acho que ele vai ser a cara do Gumball. – disse risonha, encarando o rosado que já se debulhava em lágrimas. - Pequeno e fofo.

- É um menino? – exclamou sorrindo. A médica assentiu, arrancando um grito empolgado do moreno. - Ah meu Deus, meu filho.

Gumball riu, enxugando suas lágrimas.

- Amor, liga para as meninas. – o rosado pediu risonho, vendo o moreno atrapalhar-se todo na hora de pegar o celular no bolso.

Lady assistiu aquela cena rindo, Marshall era realmente uma figura.

" - Fala, chato, espero que seja importante. – a voz de Marcy ecoou por toda a sala.

- Marcy, eu vou ser pai, Marcy, aí meu Deus. – o moreno não conseguia esconder sua euforia e animação.

- Você não sabia disso? – perguntou zombeteira.

Gumball revirou os olhos, rindo, pegando o celular da mão do namorado.

- Oi, Marcy. – disse contendo seu choro e euforia. 

- Oi, Gummy, o que você deu para o idiota? Ele está gritando que vai ser pai, ele por acaso perdeu a memória?

- Não é isso. – o rosado riu encarando o namorado. ‐ É que estamos em uma consulta e a Íris acabou de nos dizer que vamos ser pais de um garotinho. – murmurou emocionado.

Um grito agudo cortou a ligação do outro lado.

- Bonnibel, corre, vem aqui. – a morena gritou empolgada. Ao fundo dava para ouvir o som de coisas caindo e alguém tropeçando.

- O que... O que foi? – a voz de Bonnie entoou na conversa em um tom ofegante.

- Vamos ser tias de um menininho. – a morena revelou sorrindo.

Marshall pegou o lenço que Íris o estendera, limpando a barriga durinha de Gumball enquanto as garotas debatiam sobre roupinhas, cor do quarto, entre outras superficialidades.

- Meninos estaremos aí esse fim de semana, eu consegui adiantar a minha folga, podemos passar o Natal todos juntos. – a rosada deu a ideia, sorrindo empolgada.

- Pode ser. – Gumball concordou, sentando-se na maca. - Agora precisamos desligar, até logo.

- Beijos, meus amores. – Bonnie saudou.

- Até logo, chatos. "

Marcy encerrou a ligação e Marshall guardou seu celular outra vez.

- Então, já têm um nome? – a loira questionou sorrindo.

Marshall abraçou o namorado de lado e assentiu.

- Leo, o nome dele vai ser Leo. – Gumball respondeu sorrindo mais ainda.

Íris os elogiou e voltou a sua postura profissional, dando uns esporros em Gumball pelo mesmo ter exagerado nos doces outra vez, isso o causava muitas dores e ele sabia, e mesmo assim insistia em continuar comendo.

Gustavo havia sumido, literalmente, Gumball ouvira das más línguas que ele havia ido embora, até mudara de nome, disse que não queria mais aquela vergonha como seus filhos, então partiu em busca de uma vida diferente, talvez até pior do que a que ele levava. E o que poderiam fazer? Quem não quer ser ajudado jamais aceitara uma mão estendida.



A casa onde o casal morava tinha mais cara de lar e Gumball sentia-se em casa ali, era um lugar incrível de se viver, sem falar nos vizinhos receptivos. Por alguma razão do destino, eles eram vizinhos de Phoebe, a amiga de Bonnie, e ele fora super gentil com o casal na primeira noite, ela os levou uma torta de maçã inacreditavelmente deliciosa. Gumball já pegou amizade com a moça e o seu namorado, Finn, o amigo e ajudante de Marshall.

A vida enfim parecia sorrir para eles.

Marceline e Bonnie chegaram pela manhã e, para a surpresa de muitos, Marcy estava com uma barriguinha linda de um mês e poucos dias. Marshall não acreditou quando vira, sua irmã sempre lhe dissera que nunca iria engravidar. O que as pessoas não fazem por amor? Bonnibel explicou que levou algumas semanas mas ela conseguiu juntar seus ovários com os da Marcy e os conectar a um doador de esperma. Era um grande passo para as duas, um tanto rápido também, mas nenhuma demonstrava arrependimento.

Eles fizeram um chá de bebê para Gumball onde apareceram todos os seus amigos, inclusive Flame, sua esposa Fionna e seu filho de três anos, Blake. Sim, o cara que tentou algo com o Gumball e a garota que um dia fora perdidamente apaixonada por Marshall. O mundo é muito louco mesmo.

No fim do dia Leo já havia ganho roupas para preencher um guarda-roupa inteiro, sem falar na fraldas.

- Precisamos organizar aquela bagunça no quarto dele. – Gumball murmurou exausto.

- Quem sabe amanhã? – Marshall perguntou deitando-se ao seu lado na cama de casal.

O quarto de Leo seria de frente para o quarto do casal, eles preferiram deixar algo neutro, então pintaram as paredes do quarto de azul, próximo a cor do céu, e o cobriram de nuvens. O chão era coberto por um tapete felpudo igualmente azul, assim parecia que o quarto do bebê fora construindo em uma parte do céu.

- Eu acho uma boa ideia.  – bocejou.

- Eu vi o Flame olhando para você hoje. – sussurrou o encarando de lado na cama.

- Credo, Marshall, ele é casado. – o rosado gargalhou incrédulo.

- Isso não o impede de ser apaixonado por você, Bubba. – o moreno bufou revirando os olhos.

- Mas me impede se ser apaixonado por ele. – retrucou, sorrindo ladino. - Eu amo você, bobo, nenhum ruivo sarado vai me roubar de você.

- Eu sei que não, até porque, eu jamais deixaria isso acontecer. – murmurou convicto, lhe roubando um selinho. - Sem falar que temos essa coisinha aqui. – Marshall encaminhou sua destra por sob o tecido de sua própria camiseta no corpo de Gumball, tocando a saliência evidente em sua barriga.

Gumball sorriu assentindo.

- Como será que está o meu garoto hoje? – o moreno questionou, ficando cara a cara com a barriga de seu namorado. Era um costume que ele adotara com o tempo. - Leo, filho? 'Tá acordado? – o mais velhos riram. - Sabia que tinha um cara cantando o seu papai hoje? É, eu também não acreditei quando vi, mas aconteceu. – murmurou chateado, sentindo seus cabelos serem acariciados. - Mas, claro, eu não deixei barato, sempre que conseguia beijava seu pai, ou então abraçava. Sabe como, né? Eu sou um pouco ciumento, você vai entender quando sair dai. – Gumball gargalhou sentindo um beijo ser desferido na lateral de sua barriga. - Papai ama você. – sussurrou como um segredo. - E você também, Bubbs.

- Bobo. – o rosado puxou seu namorado para um beijo. - Vamos dormir, o dia foi cansativo. – murmurou desligado o abajur ao seu lado.

Marshall assentiu deitando-se ao seu lado. O moreno desligou o abajur ao seu lado e os enrolou com um edredom grosso.

- Boa noite, Bubbs. – Marsahll sussurrou, beijando sua testa após abraçar seu corpo e descansar sua mão sobre a barriga alheia.

- Boa noite, Marsh. – o rosado murmurou de volta, aconchegando-se no peito do namorado.



Então foi isso, uma carona que se tornou um flerte, um flerte que tornou-se um namoro e um namoro que deu vida ao amor.







Notas Finais


Gente, eu tô me sentindo Cuber, aquele ser cósmico que conta as cinco histórias.


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