História Garoto da capa vermelha - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Chapeuzinho Vermelho, Lobo Mau, Personagens Originais
Tags Boyxboy, Chapeuzinho Vermelho, Conto, Lobo, Oneshot, Yaoi
Visualizações 87
Palavras 1.761
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Shonen-Ai, Sobrenatural, Steampunk, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Canibalismo, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Primeiramente eu gostaria de agradecer a linda e maravilhosa Yue pelas fanarts utilizadas como capa aqui e no Wattpad, obrigada mona, love ya ❤

Eaí povo, faz tempo que não posto :')

Aqui vai mais uma rodada de oneshot, espero que gostem~

Capítulo 1 - Na floresta, o culpado


Fanfic / Fanfiction Garoto da capa vermelha - Capítulo 1 - Na floresta, o culpado

Era uma vez um jovem rapaz nobre e órfão conhecido em seu vilarejo por sua doçura e gentileza. Humilde, vivia sozinho em uma simples cabana de madeira, afastado de ganâncias.

Em um dia particularmente gelado, o jovem decidiu ir à venda que ficava nas profundezas da floresta, pois ele, assim como os demais vilões, sabia que lá os preços eram mais baixos.
Ao preparar-se, vestiu uma calça colada preta, uma blusa de manga comprida abotoada branca rendada com um colete de couro marrom escuro por cima que era fechado por três fivelas de prata e calçou suas botas de cano longo de camurça marrom escuro afiveladas. Por fim, mas não menos importante, afivelou na altura dos ombros sua comprida capa vermelha. Colocou o capuz escondendo parte de seu rosto e saiu da cabana com suas chaves.

Atravessou poucos caminhos até a trilha na floresta. Começava a nevar e a terra batida já era pintada de branco quando adentrou o matagal. Os únicos sons que podiam ser ouvidos eram as machadadas dos lenhadores e seus próprios passos.

O caminho era longo, dando-lhe a visão privilegiada dos pinheiros tendo seus galhos tingidos pelo branco das finas camadas de neve fofa que também se espalhava pelo chão.
Com calma, percorreu todo o percurso, vendo a grande cabana de madeira com um letreiro escrito à mão "Mercador".

Adentrou o local, pegando uma cesta de vime trançado que usou para guardar alguns pães e vinhos, junto à duas taças de vidro, uma vez que as suas tinham quebrado. Pagou tudo e ganhou de cortesia um pano com estampa xadrez de branco e vermelho para cobrir a cesta.

–Não vá ainda, senhor, a nevasca está muito forte

Aconselhou o vendedor, recebendo um aceno positivo em resposta. O jovem rapaz da capa vermelha sentou em um banco, esperando horas e horas até que a neve parasse, permitindo que apenas o frio continuasse a reinar.

Com sua cesta em mãos, saiu do lugar.

Seguia tranquilamente o caminho de volta até reparar: o resto da trilha estava coberta por uma camada grossa de neve. Tentou lembrar de como ela continuava, mas após alguns passos todas as árvores pareciam iguais e sequer sabia se andava na mesma direção de antes.

Estava perdido no meio da floresta gélida e começava a escurecer.

Perambulava na expectativa de acertar a rota, entretanto, parou ao ouvir o som metálico de correntes. Curioso, seguiu o ruído.

Conforme se aproximava, viu um rastro de sangue manchar o branco da neve e mais à frente ouviu o barulho de uma besta feroz. Seguindo-o, viu o animal que causava tanto estrondo: um grande lobo selvagem com algo entorno de dois metros de altura, sua pelagem era negra e seus olhos amarelos intensos e ameaçadores. Estava com uma coleira ligada à uma fortíssima corrente de aço presa à algo que a neve cobria e que o impedia de sair dali.
O animal tentava desesperadamente libertar-se e no processo deve ter machucado o pescoço, pois essa era a fonte do sangue anterior.

Ele parecia estar só, seja lá quem o prendera ali já tinha ido embora.

O coração bom do nobre da capa vermelha se aqueceu, aquela criatura sofria diante de seus olhos, tinha que ajudá-lo!
Com cuidado, andou até entrar no campo de visão do lobo, mas não chegou perto a ponto de conseguir ser atingido pela raiva do mesmo.

–Ei...

Chamou-o conseguindo atrair os olhos furiosos da criatura que rosnou ameaçadoramente em resposta.

–Quem fez isso contigo?

Perguntou mais para si mesmo do que para o animal. Decidiu dar mais alguns passos em sua direção, ouvindo o rosnado tornar-se mais alto.

–Eu não vou te machucar...posso tirar essa coleira de ti

Seu tom era suave afim de acalmar a besta.

–O que você acha? Posso te soltar?

O lobo ainda se mexia agitado, mas parecia um pouco mais sereno. O rapaz pensou nisso como uma concessão e, tomando precauções, aproximou-se até que pudesse alcançar o arco metálico que o envolvia pelo pescoço.

Tateou-o em busca de um feixe ou algo do gênero e acabou sentindo um relevo estranho. Na lateral da coleira havia um "Lobo mau" escrito de forma rápida e profunda, provavelmente feito com uma faca.
Mais para baixo estava o buraco da fechadura, o rapaz aproveitou que tinha uma chave extra e tentou abrí-la, entretanto, não funcionou.

–Se eu conseguir afinar a ponta talvez dê certo

Murmurou pensativo. Procurou ao redor e achou uma pedra, com ela poderia modificar o objeto.
Com algumas pancadas conseguiu que o atrito estreitasse a ponta.
Tentou novamente e a coleira foi aberta, libertando o lobo agoniado.

O jovem garoto da capa vermelha esperava que o animal fugisse com toda a sua velocidade ou que tentasse atacá-lo, mas nada disso aconteceu. O lobo encarou-o com seus olhos brilhantes, andando ao seu redor enquanto o cheirava, depois parou à sua frente abaixando a cabeça no que julgou ser um agradecimento mudo.

Sua mão moveu-se sozinha quando tocou o focinho do animal, recebendo um aproximar de cabeça em resposta, como se permitisse o carinho.

–Como devo chamá-lo? "Lobo mau"?

Ouviu um rosnado em retorno.

–Certo, talvez...Inugami?

Tentou, não recebendo réplicas.

–Se não lhe incomoda então já serve

Sorriu e só então lembrou do machucado de Inugami, que ainda sangrava.

–Sua ferida, ...posso tratá-la?

Indagou, recebendo um uivo em resposta. Isso causou certo estranhamento em si, como um lobo poderia entender o que estava dizendo?

Procurou sua cesta, largada no chão quando encontrou o lobo, e dela pegou uma das garrafas de vinho.

–Isso vai doer, mas a esterilizará

Avisou, abrindo a garrafa e jogando o líquido na ferida. O lobo uivou alto sentindo a ardência, assim que parou, encarou o rapaz com raiva.

–Desculpe, era necessário

O jovem nobre deu um meio sorriso assustado, se fosse atacado, não teria chances contra um ser daquele tamanho. O animal virou a cara decidindo esquecer o feito, contudo, logo algo chamou sua atenção, um barulho de passos aproximando-se.
Inugami encarou o humano ao seu lado, considerando se deveria levá-lo consigo.

Optou por fazê-lo, abaixando o suficiente para que subisse em suas costas e correndo em seguida.
Correu e correu, passando por caminhos de pedras e troncos caídos tendo como finalidade não deixar rastros para aquele que o prendera.

A luz aos poucos deixava o céu, trazendo a escuridão.
O rapaz chegou à conclusão de que não conseguiria voltar à vila naquele mesmo dia.

O lobo deitou-se encostado à uma árvore e o jovem da capa vermelha fez o mesmo, mas encostado à si.

–Está com fome?

Perguntou enquanto pegava de sua cesta um pão para cada um deles. Deu uma mordida no seu e estendeu o outro ao animal que o engoliu por inteiro.
Continuou comendo até acabar, depois acomodou-se e, com o calor que emanava o lobo atrás de si, dormiu.

Era cedo quando acordou, encontrava-se deitado na neve enquanto Inugami rondava a área, protegendo-o.
Levantou rapidamente, repetindo o lanche com o lobo. Pouco foi o tempo que tiveram de paz até que algo chamasse a atenção do animal novamente.

Um grunhido foi a maneira de informar o humano de que deveria seguí-lo. E ele o fez. Andando cautelosamente ao seu lado, chegaram ao que parecia ser uma armadilha.

Havia uma gaiola, precariamente disfarçada, com um grande pedaço de carne crua dentro. Um pouco mais adiante, em um dos galhos de um pinheiro, estava um caçador com uma faca em mãos.

–Espere aqui

O jovem pediu, deixando a cesta no chão e avançando sozinho.

–Senhor, pode me ajudar? Estou perdido

O caçador desceu de seu "esconderijo" andando em sua direção.

–Do que precisa?

Perguntou.

–Estava à caminho da vila, mas a nevasca cobriu a trilha. Pode me indicar a direção?

–O que eu ganho com isso?

–...Gratidão?

–E alguém já chegou à algum lugar só com gratidão? – O homem sorriu, sarcástico. – Suma daqui, moleque

O nobre abriu um sorriso calmo.

–Por favor, senhor, não consigo voltar sozinho

Pediu mais uma vez, recebendo uma ameaça em resposta:

–Eu já disse, suma moleque! Eu tenho um lobo para caçar

Levantou sua faca, balançando-a com o intuito de reforçar suas palavras.

–Espera!

Segurou o braço do homem, que tentou socá-lo em réplica. O nobre esquivou, socando seu olho e chutando sua barriga em seguida, deixando-o no chão enquanto pegava a faca. O lobo apareceu logo depois, rosnando para o caçador.

–O que você está esperando!? Ataque-o!

O homem berrou.

Nesse momento o rapaz teve que tomar uma decisão: atacar o lobo que havia salvado ou atacar o humano aparentemente indefeso que mataria o animal assim que tivesse a chance?

Não houveram dúvidas, o jovem respirou fundo e arremessou a arma em direção ao caçador, matando-o instantaneamente.
Inugami pareceu surpreso, encarando-o com agradecimento antes de ser envolvido por uma luz estranha.

Seu corpo se transformava e quando o resplendor se dissipou, era humano.

Seus cabelos ainda eram negros e seus olhos amarelos intensos. Tinha algumas tatuagens nos braços e no torso, no pescoço havia o machucado que tinha enquanto lobo.
Vestia apenas uma calça de algodão marrom claro e botas pretas.

–Obrigado, você me salvou – O homem disse com um sorriso agradecido. – Há décadas tenho sido mantido de refém no corpo de lobo por esse caçador sádico

–Espera, como isso aconteceu?

O garoto da capa vermelha indagou.

–Não tenho certeza, um dia saí pela floresta e acabei encontrando esse caçador fazendo uma espécie de ritual, quando percebi já tinha virado um lobo e desde então ele me perseguiu, prendendo-me e torturando-me de novo e de novo

–Oh, coitado, e qual o seu nome?

–Ren, meu nome é Ren

Sorriu, um sorriso belo e brilhante.

–Eu sou o Adriel. Você tem algum lugar para chamar de lar, Ren?

O nobre ruivo de olhos azuis sorriu docemente.

–Não mais...

Lamentou.

–Pode vir comigo, moro sozinho na vila

Convidou, recebendo um sorriso tímido.

–Eu adoraria, tem a minha eterna gratidão, Adriel

O ruivo sorriu, retirando a própria capa vermelha e entregando-a ao maior.

–Aqui, está frio demais para andar assim pela floresta

O moreno agradeceu, colocando-a e sentindo logo em seguida o calor da capa aquecer seu corpo.

Para a sorte de ambos, o sol aparecera em um céu aberto naquele dia, derretendo parcialmente a neve e revelando o caminho de volta à vila.

Adriel pegou a cesta e o guiou até sua cabana. Alguns vilões questionaram sobre o novo morador, mas o nobre respondia apenas uma coisa:

–A partir de hoje ele mora comigo

Naquele dia, o ruivo emprestou-lhe algumas roupas. Com os pães restantes, lancharam ao mesmo tempo em que beberam a última garrafa de vinho nas taças de vidro que comprou no dia anterior.

Daquele dia em diante, passaram a conviver, criando uma amizade que evoluía cada vez mais, chegando até a ser mais do que isso.

Mas essa é uma história para outro dia...



Notas Finais


O que acharam? Gostaram?
Comentem suas opiniões, felicidades e injúrias, podemos bater um papo ;)

Tenho mais algumas histórias (inclusive longs) para postar ainda, espero que queiram ler kkkkk

Nos vemos daqui a pouco, até mais~
O/


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