História Garoto de Grife ( 2jae ) - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink, EXO, Got7
Personagens Baekhyun, BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Jisoo, Lisa, Mark, Park Jimin (Jimin), Youngjae
Tags 2jae, Bambam, Lisoo, Mark, Youngjae!bottom
Visualizações 78
Palavras 6.705
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Cross-dresser, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Uma Linda Mulher


"Linda Mulher , do tipo que eu quero conhecer, venha comigo querida e seja minha esta noite”. (Pretty Woman - Roy Orbison)

~ ♥ ~

Quando o táxi parou no nosso destino , eu fui obrigado a admitir que o hotel parecia mesmo um palácio e que lá dentro poderia ocorrer de fato, uma espécie de baile real.

O Seul Palace era incrível. Eu nunca tinha visto um lugar tão bonito.

Meus olhos correram por todo o lobby do hotel, assim que o adentramos. A porta de entrada era composta por madeira escura e vidro. Uma bancada de mármore branco ficava logo ao lado, onde atendentes distintamente uniformizados recebiam as pessoas. Logo á frente estava um sútil conjunto de degraus de mármore também branco cobertos por uma elegante tapeçaria marrom. No alto da escada, uma mesa marrom sustentava um vaso elegante ornamentado por rosas vermelhas.

- Sejam bem vindos ao Palace , senhores. - Um dos homens que trajavam uniforme branco foi o primeiro a se pronunciar ao nos ver.

- Somos convidados da recepção de Im Jaebum. - Baek falou e entregou os nossos convites ao rapaz.

O jovem de cabelos louros analisou os papéis por alguns instantes e por fim nos dirigiu um sorriso.

- A recepção está acontecendo no Golden Room e no salão Nobre, senhores . Desejam que eu os leve até lá? - Ele lançou um sorriso na minha direção e eu olhei para os meus próprios pés, totalmente embaraçado.

- Não será preciso. Obrigado. - Baekhyung respondeu polidamente e começou a entrar no hotel.

Jimin e eu o seguimos.

- Você sabe andar aqui? - perguntei assim que me vi próxima á ele.

- Claro.Já vim aqui com os meus tios, lembra-se? - Baek sussurrou.

Eu tinha me esquecido completamente dos tios ricos de Baekhyung. Eles eram um casal bem humorado que vivia fazendo viagens para os cantos mais exóticos do planeta em busca de aventura. Baek já tinha nos levado á casa deles algumas vezes, eram ótimas pessoas. E como eram de classe alta, era óbvio que conheciam um lugar como o Palace.

- Se você já veio aqui, porque ficou empolgado como se fosse a primeira vez? -Ouvi-me perguntando.

- Porque quando eu vim era uma reunião em que só haviam caras que podiam ser meus avós. - Ele fez uma careta. - Agora é diferente. Terão muitos homens bonitos e ricos por metro quadrado.

Eu soltei uma gargalhada e Jimin me acompanhou enquanto caminhávamos.

Nós entramos em um elevador e Baek apertou o botão que nos levaria para o segundo andar. No momento seguinte eu me vi adentrando o imponente Salão Nobre.

Eu não conseguia decifrar o que eu sentia. Era um misto de admiração, medo e porque não, certa raiva.

Admiração porque eu nunca tinha visto nada igual na vida. O lobby do hotel foi completamente apagado da minha mente quando eu contemplei os dois lustres de cristal gigantescos e as doze colunas que sustentavam o salão todo talhado em piso de mármore.

O lugar exalava luxo e requinte. Condizia com o nome. Uma pequena multidão glamorosa se espalhava pelo salão, distintamente vestida e cercada por garçons e garçonetes que traziam e recolhiam taças de modo a deixar o local impecável. Na verdade, o local e as pessoas davam a impressão de impecáveis.

O que me fazia temer que por algum deslize eu pudesse ser descoberto.

E por último, tinha a pontinha de raiva. Raiva por achar injusto ver que alguém podia gastar centenas e até milhares de reais em festas de uma noite, enquanto eu era obrigado a trabalhar em dois empregos para conseguir manter as coisas mais estáveis em casa.

- Esse lugar é incrível. - Jimin sibilou ao meu lado.

- É hoje que eu vou encontrar um milionário para me salvar dessa vida difícil. - Baek sorriu animado.

- Baek, eu disse para você parar de assistir á filmes de sessão da tarde. Essas coisas de milionários que aparecem para salvar garotas pobres só acontecem em Uma Linda Mulher. - adverti e os dois riram.

- O que é que tem? Eu posso muito bem me tornar a versão coreana de Uma Linda Mulher. - Baek jogou os cabelos se fingindo ofendido.

- Você? Como a Júlia Roberts? Mas nem se nascesse de novo! - Jimin gargalhou e eu a segui.

Baek fez um bico, mas também não resistiu e começou a rir. De repente, ele soltou um gritinho animado:

- Ai meu Deus! Alguém me segura! Não, não me segura não! É o Park Chanyeol ali?! Eu preciso ir lá. - Baek começou a caminhar, mas eu o barrei:

- Baek, não acho que isso seja uma boa ideia. É melhor não chamarmos muita atenção e ficarmos perto um do outro.

- Eu só vou dizer um oi. Afinal viemos a essa festa para nos divertirmos não é? -Ele se soltou de mim. - Fiquem aqui e esperem por mim, eu já volto. Não sumam, por favor. - Baek implorou e se afastou de nós.

Agora só estávamos Jimin e eu. Mas não foi por muito tempo:

- Jae, eu preciso ir ao banheiro. Acho que bebi refrigerante demais antes de sair. Fique aqui e espere pelo Baek, eu volto já.

Antes que eu pudesse abrir a boca para protestar, ele se virou e sumiu no meio da multidão.

Droga! Eu tinha sido abandonado pelos meus melhores amigos num salão cheio de pessoas desconhecidas. Aquilo não estava saindo como o planejado.

- Champanhe, senhor? - Uma mocinha loura de uniforme preto e sorriso simpático me ofereceu uma taça.

Sorri de volta para ela antes de aceitar sua oferta.

- Está fazendo um ótimo trabalho... - Procurei ler o pequeno crachá em sua blusa. -Sana. Obrigado.

A garota que devia ter aproximadamente uns vinte e dois anos, como eu, ficou surpresa com o meu elogio, mas depois sorriu.

- O senhor é muito gentil. - Ela retribuiu a minha simpatia e então saiu, deixando-me sozinho mais uma vez.

Suspirei e voltei os olhos para o caminho que Jimin tinha seguido, na esperança de vê-lo, mas fui decepcionado. Então passei a estudar atentamente a arquitetura do salão, enquanto o comparava mentalmente com outras obras clássicas.

Tudo havia sido muito bem projetado, concluí. Quem teria sido o arquiteto?

A decoração era impecável e o lustre de cristal foi o primeiro a atrair a minha atenção. Logo depois detive meus olhos nas mesas ornamentadas por vasos também de cristal com rosas das mais diversas cores. Sobre elas estavam também finas iguarias que eu nunca tinha visto.

Foi então que escutei o som da risada de alguém e me virei automaticamente. Observei então um grupo de pessoas, a certa distância de mim, rindo todos ao mesmo tempo enquanto um homem fazia gestos com a mão, provavelmente contando uma piada. Não pude evitar sorrir com a energia do rapaz. Ele parecia realmente feliz.

Tirei meus olhos do rapaz quando minha atenção foi capturada pelo vaso de rosas na mesa de petiscos á minha frente. Caminhei até lá e não consegui resistir ao impulso de tocar as flores. Eu nunca tinha visto ramalhetes tão perfeitos. De repente, tive uma sensação estranha. Como se alguém estivesse me observando.

Acalme-se, Youngjae. Isso tudo é coisa da sua cabeça. Respire e aproveite o seu champanhe.

Eu era mestre em me dar bons conselhos, mas não conseguia seguir nenhum deles, porque a sensação de incômodo foi crescendo no fundo do meu estômago, deixando-me cada vez mais nervoso.

Levei à taça de champanhe a boca e deixei de me concentrar nas flores para passear os olhos pelo salão á procura de Jimin e foi quando eu percebi que não estava sendo paranóico. Do outro lado do recinto, pouco afastado de um outro grupo de pessoas, um homem trajando um smoking preto fitava-me com interesse. Ele parecia ter pulado de algum catálogo de modelos. Era um verdadeiro deus grego, como Jimin costumava dizer. Tinha cabelos negros e eu não podia distinguir a cor dos olhos, mas eu sabia que eram intensos porque estavam fazendo toda a minha pele se arrepiar em resposta.

Fiquei subitamente preso no olhar do estranho, sem conseguir esboçar qualquer reação. Até que para o meu desespero, o homem tomou meu olhar contínuo como uma permissão para que ele se aproximasse e começou a caminhar na minha direção.

Fiquei confuso e nervoso. Tudo o que eu menos queria era chamar a atenção de alguém naquela maldita festa!

Tomado pelo pânico, eu comecei a procurar uma rota de fuga. Avistei um espaço entre algumas pessoas que conversavam atrás de mim.

Deixei a taça de champanhe na bandeja de um garçom que se aproximava. Então virei às costas e comecei a andar naquela direção.

Passei pelas pessoas rapidamente e de repente me vi em outro salão. Esse tinha uma cúpula dourada descendo do centro do teto. Também tinha uma pista de dança com o chão iluminado e um palco próximo a ela.

Olhei para trás e não voltei a enxergar o estranho de olhos intensos. Suspirei aliviado enquanto me concentrava na banda que para a minha surpresa tocava "I'm in the mood for love" de Rod Stewart, uma música de 1935. Sorri. Era bom saber que eu não era o único a apreciar coisas antigas.

- Fugindo de alguém? - A voz grave soou ao meu ouvido e eu dei um pequeno pulo de susto.

Virei-me rapidamente para me deparar com o deus grego. Ele tinha um sorriso malicioso nos lábios. Os olhos eram de um preto profundo e de perto ainda mais intensos. Não consegui nenhuma resposta plausível para lhe dar.

- Confesso que estou impressionado. Geralmente as pessoas correm para mim e não o contrário. - Ele deu um sorriso presunçoso e seu olhar atrevido desceu pelo meu corpo.

De início fiquei lisonjeado quando percebi a admiração nos olhos dele, mas a arrogância na voz e a impertinência nas suas palavras, não deixaram espaço para nada além de indignação dentro de mim:

- Eu não estava correndo de você. - Minhas palavras saíram mais ácidas do que eu queria.

O sorriso dele se alargou e ele capturou uma das minhas mãos.

- Verdade? - Os olhos escuros brilharam provocantes e sua voz estava carregada de ironia. - Perdoe-me se tive essa impressão, cavalheiro... Qual o seu nome? - Ele levou minha mão aos lábios e beijou-a fazendo minha pele queimar ao seu toque.

- Youngjae. - respondi ainda preso no seu olhar intenso, mas me arrependi um segundo depois. Não devia ter falado meu nome verdadeiro.

- Prazer, sou Im Jaebum.

Senti minha garganta ficar seca.

Por Deus! Eu estava diante do convidado de honra da festa. Minhas mãos ficaram geladas e uma nova onda de nervosismo voltou a crescer no fundo do meu estômago. Era agora. Ele descobriria que eu tinha invadido a festa dele.

Procurei rapidamente uma desculpa para me livrar dele:

- Fico feliz em conhecê-lo, senhor Im. - tentei falar sem gaguejar e puxei a mão que ele prendia. - Mas preciso encontrar meus amigos agora.

- Então você veio acompanhada dos amigos. - Ele pareceu satisfeito com a informação.

Eu me indaguei o porquê e compreendi um instante depois que para ele, isso significava que eu estava livre e que poderia continuar ali flertando comigo.

Droga, droga, droga! Eu devia ter mentido e dito que estava com algum homem.

- Eu vim sim. - sorri amarelo. - Agora se me der licença... - Virei-me para sair.

Nesta hora, as luzes do salão diminuíram e Rod Stewart foi substituído por Michael Bolton, na sua melhor performance de "When a man loves a woman".

- Acho que você não vai conseguir encontrar ninguém agora. - Jaebum sussurrou ao meu ouvido atrás de mim. Então se colocou na minha frente. - Que tal me dar o prazer da sua companhia na pista de dança?

Ele sorriu sedutor e eu senti meus joelhos tremerem. Porque ele tinha que ser tão bonito? Aquilo e Michael Bolton dificultavam o meu raciocínio lógico.

- Eu não sei dançar. - Menti rapidamente.

- Eu também não sou nenhum dançarino, mas nós só vamos nos balançar de um lado para o outro.

Jaebum sorriu, mas seu sorriso não chegou aos olhos e as esferas escuras brilharam de maneira á denunciar que ele não aceitaria um não como resposta. Suspirei e lancei um olhar derrotado na direção dele.

- Uma música. - cedi.

Ele sorriu, agora parecendo realmente achar a situação divertida.

- Tenho certeza de que será o suficiente.

Ele colocou a minha mão na sua e me puxou em direção à pista de dança. Quando chegamos ao local, ele envolveu-me pela cintura, prendendo meu corpo ao dele e obrigando-me a apoiar as minhas mãos nos ombros dele.

Nossa proximidade logo fez o meu coração acelerar e eu me concentrei em fitar o colarinho engomado dele para fazer minha pulsação normalizar.

- Você mentiu. - Ele falou de repente.

- O que? - repliquei confuso. Já teria ele tomado conhecimento da minha condição de impostora?

Os olhos escuros buscaram os meus.

- Mentiu sobre não saber dançar. - Os dedos dele acariciaram a minha cintura. - Você parece saber muito bem o que está fazendo.

Senti meu rosto queimar por ter sido descoberto e desviei meus olhos dos dele, voltando a fitar seu colarinho. Jaebum riu baixinho e seu peito tremeu.

- Minha aparência é assim tão assombrosa , senhor Youngjae? - Ele sussurrou e eu senti os pelos da sua barba por fazer tocarem o meu rosto. Seu perfume era uma fusão de notas desconhecidas para o meu olfato, mas ainda assim indiscutivelmente arrebatadoras. - Ou era apenas saudade impetuosa dos amigos?

Mais uma vez a voz dele estava carregada de presunção e ironia. Minha língua não se conteve dentro da boca:

- O senhor considera a ironia uma espécie de charme?

Para a minha surpresa ele soltou outra risada rouca. Depois me puxou para mais perto, se é que era possível. Suas mãos fizeram um caminho ousado pelas minhas costas . Fazendo com que um arrepio percorresse todo o meu corpo.

- Você tem sempre uma resposta na ponta da língua, não é? Gosto disso. - Senti quando ele raspou os lábios no meu pescoço e arfei. -Também gosto desse seu cheiro maravilhoso.

- Isso... Isso não está certo. - protestei, mas não reconheci minha voz.

Ela parecia meio grogue.

- Está tudo certo,my dear. - Os lábios de Jaebum tocaram a minha orelha. -A começar por essas suas curvas fantásticas que estão me levando á insanidade. - O tom aveludado da voz confundia todas as minhas fibras nervosas.

Senti o sangue subir para a minha face diante do elogio dele e não ousei levantar o rosto resistindo ao impulso de me virar para ele. Então tentei me concentrar nas pessoas que estavam ao nosso redor.

Fiquei surpreso ao perceber que a maioria delas estava nos observando.

Ele é o homenageado da noite Youngjae , o que você esperava? Fique calmo.

Mas ainda assim eu não pude evitar o leve tremor que se espalhou pelo meu corpo. Eu não costumava chamar atenção e gostava disso. Mas como eu poderia não chamar atenção se estava dançando com o dono da festa ?

Minhas mãos começaram a ficar geladas.

- Fique calmo. - Jaebum pareceu notar meu nervosismo e afagou a minha cintura na tentativa de me acalmar.

Não funcionou.

- Todos estão olhando. - balbuciei.

- Claro que estão my dear. Você é um dos homens mais bonito da noite. -Senti quando ele voltou a aproximar seu nariz do meu pescoço. - Os homens a olham porque o desejam e as mulheres porque estão com inveja.

- Com inveja? - Virei-me para fitá-lo.

- Sim. Porque todas elas gostariam de estar onde você está agora.

Voltei a olhá-lo perplexo. Ele realmente se achava a última Coca-Cola do deserto, mas o que me deixou irritado foi o fato de que ele, muito provavelmente, estava certo.

- Você sabe o que dizem sobre o ego de um homem, senhor Im?

Jaebum desviou seus olhos dos meus lábios e os pousou nos meus.

- Não sei senhor Youngjae, mas percebo que está muito afoito para me dizer. - Seu olhar brilhou em desafio e me instigou a prosseguir.

- O ego inflado é o pior inimigo que alguém pode ter, pois é o princípio da decadência de um homem.

Eu o vi arquear sua sobrancelha esquerda em sinal de surpresa e depois sorrir divertido.

- Sou obrigado a discordar do senhor. - Jaebum voltou a acariciar minhas costas e eu tive de me esforçar para me concentrar em suas palavras. - Considero o ego como algo benéfico. Todos gostamos de ser admirados e isso aumenta nossa consideração por nós mesmos. Além disso, no fundo faz bem adorar que nos invejem ou até mesmo odeiem. Ninguém perde o seu tempo invejando o feio ou odiando o fraco.

Foi a minha vez de ficar surpresa. Jaebum não era apenas bonito, percebi que era também inteligente e perspicaz. Fiquei mal- humorado.

Era injusto que uma só pessoa reunisse tantas qualidades. Não pude evitar a minha amargura:

- Sem dúvida, foi um bom argumento, senhor Im. - Ele assentiu com a cabeça. - Mas ainda sim ouso sugerir que mantenha seu ego na coleira. Nunca se sabe quando ele pode avançar e morder alguém.

Jaebum arregalou os olhos diante da audácia das minhas palavras e por um segundo eu acreditei que ele finalmente terminaria a dança e me deixaria em paz, mas para o meu azar ele começou a rir e me apertou ainda mais contra si.

- Será que estou tendo mais uma impressão errada, ou estou dançando com a única pessoa do salão que não me aprova?

Senti-me subitamente culpado. Eu nem devia estar ali, muito menos julgando alguém que eu mal conhecia. Que direito eu tinha?

Fitei os meus pés, envergonhado, pela minha atitude grosseira.

Jaebum aproximou seus lábios da minha orelha mais uma vez:

- Você não precisa se preocupar com isso, my dear. O único a morder aqui sou eu e só o farei se você me pedir.

Suas palavras e seu tom de voz ousado arrepiaram a minha pele. E eu fiquei irritado ao notar o quanto tinha gostado daquilo. Eu precisava dar um fim àquela dança.

- Isso foi muito atrevimento da sua parte! - tentei me afastar dele, mas foi em vão. Ele era mais forte e me manteve em seus braços.

- My dear, você ainda não tem ideia do quão atrevido eu posso ser. -Suas mãos desceram para o meu quadril e acariciaram-no sutilmente.

- Jaebum... - ofeguei o nome dele numa falha tentativa de protesto, mas o formigamento que seu toque causava na minha pele me fez perder o foco temporariamente.

- Você está contrariando boa parte das minhas expectativas, Youngjae. - Ele confessou enquanto descia sua boca pelo meu pescoço. - Mas eu não posso negar o quanto estou me sentindo atraído por tudo isso.

Senti quando seus lábios depositaram um beijo na curva entre meu ombro e o meu pescoço e arfei em seus braços mais uma vez. Ele sorriu contra a minha pele e eu abaixei a minha cabeça envergonhado, porque estava claro que a atração era mútua. Meu corpo respondia á ele antes que eu pudesse me impedir de fazê-lo.

Jaebum deixou de tocar o meu quadril e segurou o meu queixo. Então ergueu meu rosto, obrigando-me a fitá-lo:

- Acho que já encontrei o que eu estava procurando.

Os olhos escuros se prenderam nos meus e ele aproximou sua boca da minha. De repente, as luzes do salão voltaram a brilhar e eu me lembrei da minha situação. Eu era um impostor na festa dele. Ali não era o meu lugar. Jaebum e eu não combinávamos realmente.

Além disso, eu não estava gostando nada das minhas reações e nem de perceber como eu perdia o controle da situação perto dele. Isso nunca havia acontecido antes, nem mesmo com Jay.

- Preciso ir. - afastei-o de mim e fiz menção de deixar a pista de dança, mas ele me deteve pelo punho:

- Sinto muito, mas eu não posso permitir. - Sua voz soou autoritária e seu toque era possessivo.

O que? Como assim? E desde quando ele tinha alguma autoridade sobre mim? Nem ele e nem homem algum teria. Eu não queria um homem me controlando e me dizendo o que fazer, como aquele monstro que um dia eu chamei de pai fazia com a minha mãe para depois bater nela quando as coisas não saiam da forma que ele queria.

- Sinto muito, mas eu não acho que precise da sua permissão, senhor Im. - puxei meu braço bruscamente. - Com licença.

Jaebum pareceu estupefato diante da minha reação. Mas depois eu vi seus olhos lampejarem em sinal de irritação. Não esperei para vê-lo surtar.

Retirei-me da pista de dança certo de que eu estava louco. Tinha acabado de dar um fora no convidado de honra da festa, que por acaso era podre de rico e lindo de morrer. Quantas pessoas no mundo teriam essa chance e quantas fariam uma burrice semelhante?

Tentei não pensar muito enquanto atravessava o salão em busca dos meus amigos desertores. Não demorei muito encontrá-los.

Baek conversava animadamente com um jovem de pele pálida e de sorriso gentil. Notei que era o mesmo rapaz que estive observando contar uma piada no início da festa. Ele parecia interessado nele, mas pude notar que os olhos do homem estavam em Jimin, que nem parecia enxergá-lo assentado em um estofado branco.

- Jae! Estávamos preocupados! - Baek falou assim que me viu. Oh, sim. Com certeza estavam. - Olha Jae, este é Kim Yugyeom. - Baek prosseguiu, fazendo as apresentações.

O rapaz se adiantou e puxou a minha mão para aperta-la:

- Prazer, senhor Youngjae. - Um sorriso maroto brincou nos lábios dele e novamente tive o sentimento de empatia.

- É um prazer, senhor Kim. - Virei-me para Jimin. - Acho que não estou me sentindo bem. Vou voltar pra casa.

- É sério Jae? - Jimin pulou do sofá. - Eu vou voltar com você então.

- Não é preciso, Minnie. Eu posso voltar sozinho. Vocês podem continuar a aproveitar a festa. - Não era justo tirá-los da recepção tão cedo. Os dois duas estavam muito animados quando saímos de casa e eu não queria ser inoportuno.

- Eu não vou deixar você ir sozinho. - Jimin protestou.

- Minnie, eu me viro. Não se preocupe.

- Não me venha com esse "não se preocupe". Eu me preocupo sim. Vou embora com você. - Ele se virou para Baekhyun. - Você pode ficar se quiser Baek.

Baek fez um bico. Provavelmente porque não queria ficar sozinho.

- Eu posso levar vocês para a casa, garotos. - Yugyeom se ofereceu e se prontificou ao lado de Jimin.

Ele o olhou parecendo enxergá-lo pela primeira vez.

- Não será preciso, Yugy. Eu posso levar Youngjae para a casa, assim ninguém precisa deixar a festa. - A voz de Jaebum soou atrás de mim e eu me virei na mesma hora.

Ele me deu um sorriso predador e eu senti meus joelhos vacilarem mais uma vez. Parecia que as minhas tentativas em afastá-lo tinham surtido efeito contrário. Jaebum tinha um brilho de obstinação no olhar, como o de um caçador diante do alvo.

Merda! Eu tinha ferrado com tudo.

Jimin olhou de Jaebum para mim, esperando uma explicação. Com a minha visão periférica, percebi o choque no rosto de Baek.

- Vocês já se conhecem, Jaebum? - Yugyeom foi o primeiro a se manifestar.

- Tive o prazer a pouco. - Jaebum se aproximou de nós e parou á minha frente. - Você quer mesmo ir embora, my dear?

Agora eu estava sem saída. Se eu falasse que tinha desistido, Jaebum ficaria no meu encalço pelo restante da festa e poderia entender aquilo como um consentimento meu para as propostas que brilhavam no seu olhar. Por outro lado, se eu fosse embora sozinho com ele, pelas reações inusitadas que eu estava tendo, poderia facilmente, acabar cometendo alguma loucura.

Senti um pouco de suor brotar nas raízes dos meus cabelos. Eu sabia que essa festa não ia terminar bem.

Jaebum pareceu notar meu embaraço e um sorriso irônico surgiu nos seus lábios. Agora ele estava se divertindo ás minhas custas. Era melhor passar pela tortura de ir embora e me livrar dele de vez. Convenci-me. Eu era forte. Não seria um par de olhos escuros que me deixariam caidinho, não mesmo.

De repente, lembrei-me de que ele não podia me levar embora, ou descobriria toda a nossa farsa. Porque como um suposto socio poderia morar na periferia de Seul?

Lancei um olhar desesperado para Jimin. Ele entendeu na hora:

- Jae, antes de você ir embora, pode vir até o toalete comigo?

- Claro Minnie! - Falei louco para fugir da situação.

- Com licença, senhores. - Jimin puxou a minha mão e num instante eu me vi entrando no toalete masculino:

- Como você conseguiu atravessar o caminho do dono da festa com mais de duzentas pessoas nesse salão? - Jimin falou depois de se certificar de que estávamos sozinhos no banheiro.

- Azar? - repliquei.

- Agora o cara tá interessado em você e quer te levar para a casa, Júlia Roberts! -

Jimin tentou parecer irritado, mas sua comparação entre mim e a Júlia Roberts fez com que nós dois começássemos a rir.

- Eu sabia que não devia ter vindo. Eu sabia que isso não ia dar certo. -comecei a caminhar pelo banheiro, nervoso.

Jimin se sentou no estofado luxuoso situado na área externa do toalete.

- Calma, nós precisamos pensar. - Ele passou as mãos pelos cabelos. De repente seus olhos negros brilharam. - Os tios ricos do Baek! Eles estão viajando, não estão?

- Acho que sim. Daegu dessa vez. - respondi.

- Claro! Você dá o endereço da casa deles perto do Hapjeong.- É Minnie, mas e quando chegar lá? O que eu faço?

- O Baekhyun não está cuidando da casa deles? Ele te dá às chaves e você finge que a casa é sua. - Jimin sorriu satisfeito com a solução que encontrara.

- Mas como vamos falar com a Baek? Ela não está aqui.

De repente, Baek adentrou o banheiro.

- Vocês nem para me esperar, hein? - Ele reclamou.

- Me diz que você está com as chaves da casa dos seus tios no bolso, por favor, Baek. - Jimin saltou na frente de Baek .

- Eu estou sim. Pensei que fosse mais fácil passarmos a noite lá hoje. É mais perto. - Ele enfiou a mão no bolso e retirou um chaveiro elegante de lá.

- Ótimo. Entregue ás chaves a Youngjae . Entregue também o celular dele. Jaebum quer levá-lo para casa e precisamos manter essa farsa pelo menos até o fim da recepção. - Jimin se virou para mim. - Me informe assim que chegar.

Baek concordou e me passou as chaves e o telefone. Segurei ambos com as mãos trêmulas.

- Agora vamos voltar para a festa. Baek , nós vamos ficar aqui no Palace mais um pouco para não gerar desconfianças. - Jimin segurou as minhas mãos. - Agora você Jae, tome cuidado. Jaebum não parece o tipo de homem com quem se brinca. Encontre um jeito de se livrar dele.

Concordei e então nós três saímos do banheiro.

Quando voltamos para o salão, Jaebum e Yugyeom estavam sentados no estofado antes ocupado por Jimin.

- Resolveram o problema, meninos? - Yugyeom dirigiu um sorriso malicioso para Jimin.

- Tive que dar alguns apertos, mas resolvi. - Jimin provocou Yugy e os olhos castanhos dele lampejaram.

- Já se decidiu my dear? - Jaebum voltou seus olhos para mim e se levantou.

- Já sim. Vou embora. - Sorri confiante.

Ele sorriu de volta e então se aproximou de mim.

- Será um passeio interessante. - Jaebum passou o braço pela minha cintura. - Eu os vejo depois meninos. Até logo Yugy.

Jaebum  acenou para os outros e saiu me conduzindo por entre os convidados. Não demorou muito para que nós chegássemos ao lobby do hotel. Quando alcançamos à calçada, uma limusine preta nos aguardava.

- Senhor Im, senhor. - Um homem uniformizado nos cumprimentou e abriu a porta do automóvel.

Jaebum abriu passagem para que eu entrasse primeiro. Eu assenti e deslizei para o outro lado do carro, na esperança de que ele entendesse meu gesto sutil, mas ele o ignorou e sentou próximo á mim.

Eu me senti nervoso quando me vi dentro do carro com Jaebum ao meu lado. Passei as mãos pela minha  calça social  subitamente desconfortável enquanto calculava quanto tempo nós gastaríamos para chegar à minha casa .

- E onde o belíssimo cavalheiro mora? - Jaebum me perguntou. Seu rosto estava perigosamente perto do meu e seus lábios estavam puxados num sorriso malicioso que eu já reconhecia como sua marca registrada.

Precisei de toda a minha concentração para respirar:

- Em Hapjeong. - Dei a ele o endereço.

Jaebum finalmente se afastou, me dando um pouco de espaço e repassou o que eu havia dito para o motorista. Depois ele apertou um botão e uma barreira negra subiu á nossa frente dividindo o carro e deixando o homem uniformizado fora da minha visão.

- Assim está melhor. - Ele me puxou pela cintura, colando nossos corpos.

- Jaebum... - Comecei a protestar, mas ele me interrompeu:

- Adoro ouvi-lo pronunciar o meu nome dessa forma. - Senti o nariz dele roçar a pele do meu pescoço e depois seus lábios depositaram um beijo na região abaixo da minha orelha.

Tive de cravar as unhas no banco de couro do carro para não levá-las aos cabelos dele. Céus! Eu não era assim! O que aquele homem estava fazendo comigo?

- Você... Você está entendendo as coisas da maneira errada... Jaebum. -tentei me afastar dele, mas seus braços agora rodeavam a minha cintura e eu não consegui me mover.

- É você quem está entendendo errado, Jae. - Ele beijou a parte exposta do meu ombro. - Eu não sou do tipo de homem que desiste.

- Pare... Pare de fazer isso. - Minha voz soou fraca e ele riu.

- Você não parece querer que eu pare my dear. - Ele subiu os lábios para o meu pescoço e suas mãos também subiram pelas minhas costas por dentro da camisa social . - Você é tão macio. Tão quente... Está me tirando o juízo com essa pele.

Ele também estava fazendo o meu juízo descer pelo ralo com aqueles seus lábios quentes, mas eu não podia me esquecer de que o homem  que ele estava vendo era uma farsa. Eu não era nada além de um garoto pobre vivendo uma noite de Cinderela.

- Eu não posso. - Empurrei-o pelo peito, mas ele segurou a minha mão.

- Porque tanta resistência, Youngjae? Eu sei que você também me deseja.

Fitei-o por alguns instantes. Era o homem mais bonito que eu já tinha visto. Seus cabelos negros estavam jogados em um penteado rebelde. O nariz era aquilino e as linhas da mandíbula ressaltavam o rosto másculo dando-lhe um ar de nobreza. Tudo nele exalava requinte e eu me senti muito inapropriado naquele momento.

- Nós não combinamos. - Transformei meus pensamentos em palavras.

- Discordo de você mais uma vez. Veja como estamos atraídos um pelo outro. Não consigo imaginar uma combinação melhor. - Ele beijou acariciou a minha cintura e depois voltou a me envolver nos braços. -Que tal nós mudarmos a rota do Hapjeong ?

Meu coração baqueou ofendido. Que tipo de pessoa  ele achava que eu era para aceitar o convite de ir passar a noite com um cara que eu tinha acabado de conhecer?

O carro parou denunciando a nossa chegada.

- Eu acho melhor eu ir pra minha casa. - Virei-me para abrir a porta, mas Jaebum me impediu:

- Porque você está fazendo isso? É alguma espécie de jogo?

- Não se trata de jogo nenhum. - procurei manter a calma. - Eu agradeço pela sua boa vontade de me trazer em casa, senhor Im, mas eu estou cansado e quero ir para a minha cama. Por isso peço que por favor, me deixe sair do carro. - Finalmente consegui imprimir um tom firme á minha voz.

Jaebum arqueou a sobrancelha e seus olhos me estudaram com visível interesse.

- Tudo bem, my dear. - Ele se aproximou e sussurrou ao meu ouvido. -Pode ir, se quiser.

- Obrigado.

Mas ele continuava com os braços em torno de mim, impedindo qualquer movimentação minha.

- Eu preciso que me solte, senhor Im.

Jaebum riu. Então mordiscou o lóbulo da minha orelha fazendo-me soltar um gemido baixo e inusitado.

- O que você está... O que está fazendo? - Minhas mãos tentaram afasta-lo sem muita vontade.

Ele respirou pesado próximo á minha orelha e finalmente se afastou, segurando o meu queixo logo em seguida.

- Saiba que você não vai conseguir fugir de mim. - Seus olhos estavam nublados e eu enxerguei o desejo latente neles. Para a minha surpresa, fui preenchido por um sentimento inoportuno de satisfação .

- No final, todos fazem o que eu desejo e eu consigo o que eu quero. -

Ele concluiu suas palavras com um olhar dominador indicado que eu estava incluso  no todos.

- Querer nem sempre é poder, senhor Im. - ergui o queixo. Eu não ia ser todos e ceder aos caprichos dele.

- Não para mim, my dear. Eu posso ter o que eu quiser na hora em que eu quiser. É assim que as coisas funcionam no meu mundo. Eu dou as ordens e o restante acata.

- O senhor é muito arrogante! - repliquei irritado pela conversa e tentei me soltar dele mais uma vez.

- É uma das minhas qualidades. - Ele se vangloriou e sorriu.

- Então não quero conhecer as outras.

Jaebum soltou uma gargalhada sonora. O som era belo e harmônico e espantou minha irritação momentaneamente.

- Ah, você vai conhecer, my dear. E tenho certeza de que vai adorar todas elas. - Ele espalmou uma das mãos nas minhas costas  e me puxou contra ele enquanto sorria cheio de malícia. - Mas prefiro que seja num lugar mais apropriado, onde possa chamar meu nome sem nenhum pudor e eu possa descobrir o restante dessa pele maravilhosa.

Jaebum baixou o rosto e beijou a minha clavícula me fazendo ofegar.

-- Não, Jaebum... Não...

- Quase assim, my dear, quase assim.

Ele desceu uma mão para os meus quadris e começou a fazer movimentos circulares com o polegar na lateral das minhas coxas. Eu senti minha respiração pesar com o toque dele.

- Seu corpo trai as suas palavras. - Ele encostou sua testa na minha. - Eu posso fazer você ver estrelas aqui nesse estofado mesmo, mas tenho uma cama bem mais confortável onde nós poderemos ter toda a privacidade possível. - Jaebum traçou meus lábios com o polegar e seus olhos  se fixaram nos meus enquanto sua outra mão deixava o meu quadril para se alojar entre os cabelos da minha nuca. - O fim desta noite já estava escrito desde o momento em que nós tivemos aquela dança, my dear. Você não pode negar isso.

Suas palavras me trouxeram de volta á realidade. Ele parecia ter certeza de que eu terminaria na cama dele e eu não estava fazendo nada para provar o contrário. Estava agindo de uma forma que só confirmava as convicções dele. Eu não era assim. Não era do tipo que conseguia ir pra cama com alguém e depois simplesmente esquecer. Aquilo tudo estava sendo um erro.

Os lábios dele atingiram o meu queixo e seus dedos acariciaram a minha nuca. Então ele aproximou sua boca da minha para me beijar, mas eu o detive mantendo minhas mãos espalmadas contra o seu peito:

- Você está enganado. Sempre é possível escrever um novo final. - Tirei a mão dele que já me segurava pela cintura e meneei a cabeça contrariado.

Não devia ter ido aquela festa. Não devia ter dançado com ele, nem devia ter aceitado sua oferta de me trazer em casa. Mas acima de tudo, não devia desejar alguém como Im Jaebum. Eu já havia passado por uma experiência parecida e sabia que nada de bom poderia vir daquilo.

- Isso tudo foi um erro. - murmurei.

Abri a porta e saí do carro rapidamente, mas precisei fazer uma pausa assim que me vi de pé. Minhas pernas ainda tremiam .

Suspirei e depois andei pela calçada com o máximo de dignidade que eu ainda podia ter. Eu podia sentir o olhar dele nas minhas costas .

Mas antes de chegar ao portão, senti uma lufada de perfume masculino e a mão dele se fechou no meu punho fazendo-me virar o corpo.

- Acho que você estava esquecendo algo. - Jaebum ergueu as chaves da casa e balançou-as.

Então ele me estendeu o chaveiro e eu estiquei o braço para pegá-lo, mas ele não me devolveu o objeto e me puxou para os braços dele.

Soltei um gritinho surpreso.

- Eu não vi erro algum aqui, my dear. Vi apenas uma atração intensa entre duas pessoas adultas, mas não vou mais pressioná-lo. Vou deixar que me vença por hoje. Por hoje. - Jaebum salientou com o rosto á centímetros do meu para depois sorrir sedutor. - Mas não pense que estou entregando os pontos. Eu nunca desisto de algo que eu desejo.

Eu segurei a minha respiração e meu coração se descompassou quando ele se aproximou mais e plantou um beijo atrás da minha orelha, em um ponto sensível que eu nem sabia ter.

- Tenha uma boa noite, Jae. - Ele voltou a sorrir malicioso. - Você terá notícias minhas muito em breve.

Jaebum fez com que suas palavras soassem como uma promessa. O sorriso morreu nos lábios dele na mesma hora e sua expressão se tornou séria. Percebi naquele momento que tinha entrado numa grande roubada.

Ele finalmente se afastou e voltou para o carro. Eu não esperei mais e entrei em casa.

Atravessei o jardim e num instante me vi dentro da sala suntuosa da casa dos tios de Baek.

Tranquei a porta da frente e joguei as chaves que eu carregava sobre um dos sofás próximos. Então deixei minhas costas deslizarem pela madeira fria ainda sentindo o meu coração bater acelerado e me sentei no chão.

E agora? Eu não tinha conseguido me livrar de Jaebum como o planejado. O brilho tenaz em seu olhar, na verdade, me fazia suspeitar de que eu tinha piorado a situação.

Ergui o celular que, por sorte, eu tinha conseguido manter na mão durante o trajeto e mandei uma mensagem para Jimin dizendo que eu já estava em casa.

Então caminhei até o estofado á minha frente e me deitei nele. Depois fixei meus olhos no teto de gesso tentando me convencer mentalmente de que não havia sentido nenhum para toda aquela ansiedade que se alojava dentro de mim. Ele não viria atrás de mim.

Qual é Youngjae ? Você não é nenhuma Júlia Roberts de causar alarde pelas ruas de Beverlly Hills e seduzir magnatas!

Fiquei irritado com a pequena expectativa que eu tinha criado em torno das palavras dele.

Não havia a menor chance de eu voltar a vê-lo. Além disso, homens como Jaebum  sempre tinham mulheres e homens  á sua disposição. Ele voltaria para a festa e encontraria outra mulher mais bonita que com certeza aceitaria o seu convite para uma noite na casa dele.

E era melhor que fosse assim. Jaebum não parecia nem de longe o tipo de homem bonzinho e com certeza não entraria na minha vida para me salvar ou coisa parecida, no caso de eu ser mesmo uma Vivian Ward da vida. Ele ainda assim não poderia ser nenhum Edward Lewis e nós dois não estávamos na sessão da tarde.

AE para terminar, eu não precisava e nem queria um salvador. Sabia travar e vencer minhas próprias guerras sozinho.

Sorri satisfeito diante do meu próprio realismo.

Eu não cairia nessa de sonhar com contos de fadas modernos. Não era tolo o suficiente para me idealizar como Uma Linda Mulher.



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