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História Garoto Ecótono - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


OLHA SÓ QUEM VOLTOU! 😆

Boa dia, boa tarde, boa noite para quem esta lendo isso aqui.

Enfim, coisas boas e coisas ruins acontecem e cabe a nós lidar bem com os altos e baixos da nossa vida. Com os meninos a mesma coisa. É a vida.

Tenham uma boa leitura :)

Capítulo 8 - Confusões e Beijos


Como surgiu Julian? O conhecia pelos rumores.

Estudante de Direito e mecânico como o pai. Nunca fechava negócio até o cliente ter certeza do que queria. Prático e direto, Julian conseguia ser um excelente quebra galho, até os professores falavam bem dele. Então percebeu em um dia qualquer que Dante era amigo de Julian que poderia lhe ajudar, mas não sem algo em troca. Dois favores numa tacada só e ele quem efetuaria o ataque. O que Julian poderia querer dele, Ari ainda não sabia, conquanto sabia que Dante ainda precisava de alguém e ele era esse alguém. Fim de jogo.

Sua caminhonete estava um estrago. Não suportava olhar para ela por dias. Gina cedeu a garagem da própria casa para Ari manter o que sobrou guardado e longe de olheiros. 

Pensou em Dante pela enésima vez e sentiu um aperto no peito. Não falava com ele há dois dias e por um momento cogitou mandar mensagem, mas ao invés disso ligou.

_ Finalmente. Achei que tivesse morrido. _ sua voz estava rouca, Ari não deixou de pensar na sua gripe.

_ Como você está? _ ouviu ele se remexer na cama.

_ Eu que pergunto isso. Você está melhor? Queria ter te ligado antes, mas não queria ser invasivo.

Um momento de silêncio se instalou.

_ Estou...melhor, eu acho. _ falou por fim. Ele não chorou mais depois do dia da briga. _ E quanto a você? Sua voz está horrível.

_ Bem, tenho tomado canja e outros caldos para aquecer a garganta. Me recuso a tomar xarope. Aquilo é horrível demais. E vem cá, a sua mãe não tem como me fazer ficar melhor? O que ela ia fazer comigo mesmo?

Ari sorriu ao se lembrar.

_ Ela ia te fazer tomar chá. A vai por mim, em três dias você fica bom. Contudo devo dizer que ele não é tão apreciável quanto a comida e ao xarope que sua mãe te dar.

Dante ponderou um pouco.

_ Por favor, traga a receita. Não aguento mais ficar com a garganta dolorida. _ declarou e tossiu, tentando rir.

Conversaram até onde Dante conseguiu ter voz e Ari disse que na manhã seguinte levaria o chá milagroso para a sua pessoa e trataria de outro assunto com Dante. Já estava na hora de chamar Julian.



~



Julian esperava encontrar um motor pifado, fios desgastados, freio solto e coisas assim, mas não foi isso que concluiu ao ver a caminhonete de Ari aos farrapos. Dois terços detonada. Levaria um bom tempo até consertá-la por completo. Os rapazes reunidos se entreolharam e Dante inspirou profundamente, mas foi Ari quem perguntou:

_ Quanto tempo? _ Julian olhou para a parte da frente do automóvel, depois olhou para o chão e para Ari.

_ Até o outono, mais ou menos.

Ari pensou no tempo que levaria. Talvez quatro meses ou mais. Dependeria muito.

_ Pode ser menos se eu conseguir convencer o meu pessoal a me ajudar. Vai demorar, mas vai por mim, ela vai ficar inteirinha, nova como se estivesse saído da concessionária.

Outra questão ainda rondava sua cabeça e Ari se tencionou um pouco.

_ E quanto vai custar?

A pergunta deixou tudo em silêncio, Julian se endireitou, abrindo um sorriso e Ari ergueu uma sobrancelha.

_ Tudo o que quero você já conseguiu.

Sua confusão ficou amostra e Julian bateu no seu ombro ao passar por ele e Dante olhou para o amigo em busca de respostas. Conversariam mais tarde e Julian não escaparia de Dante nem a pau. Ari olhou para Dante que também se encontrava mais para outro mundo que ali, ele abriu um sorriso tímido e chegou mais perto de Ari, eles tinham quase a mesma altura. O vento entrava pela garagem fazendo uma varredura, refrescando seus corpos e Ari relaxou um pouco ao ter Dante ao lado, ao se lembrar disso, sentiu-se um idiota. Ele era o idiota da dupla. Não que Dante precisasse saber do detalhe.

Sentiu Dante tocar seu cotovelo, o chamando.

_ Gina fez limonada. Vem, vamos entrar e acertar as coisas com calma com Julian.

Saíram da garagem, rondando a casa e encontram Julian se deliciando com a bebida feita por Gina, essa que bloqueou o celular para servir seus convidados. Conversaram por mais um tempo, acertando coisas como documentos do veículo, o que precisava ser feito, se tinha que renovar alguma coisa. Ari garantiu que deixou tudo organizado para que Julian só trabalhasse tranquilo. Julian não ficou por muito tempo e os deixou para voltar a faculdade, acompanhado por Gina que consegui uma carona na belezinha de Julian. Ele tinha uma moto maravilhosa, Dante sabia disso.

Ficaram a sós na varanda da casa da amiga de Ari, sentaram-se lado a lado. Graças a mãe de Ari, Dante se encontrava inteiro de novo e cheio de fôlego, passou-se poucos dias desde o incidente na faculdade, restando aos dois um tempo separados, pensando do que fariam e Ari falou enquanto olhava a vizinhança ao redor:

_ Meu irmão me deu aquela caminhonete. O mínimo que tenho que conseguir é ter ela de volta. Inteira.

Dante ouviu com pesar o breve desabafo do amigo e não soube o que dizer. Ele puxou a barra na camisa do amigo que o olhou. O machucado no lábio tinha sarado, deixando somente pele seca recebem curada. Sentiu um frio no estômago e desviou o olhar. Ficaram ali até se aconchegarem um no outro, deixando a tarde passar por eles, tentando não pensar em nada. Até o nada os assustava.



~



Não conseguia conter a emoção que floresceu dentro de si.

Ele observava seu trabalho com tanto orgulho que sentia vontade de beijar alguém forte de tão feliz que se encontrava. Esperava beijar só uma boca em específico se ela aparecesse na sua frente. Ele mordeu o lábio inferior, teclando uma mensagem para Daniel, declarando ter finalizado seu trabalho e o queria na sua casa o mais rápido possível.

Os quadros com o perfil de Ari estavam finalmente prontos. Ele sentia que ia chorar de felicidade. Ele chegou mais perto, apreciando cada detalhe da tinta e dos traços. Passou a mão pelo rosto da pintura, pelos olhos bem quentes e curiosamente intensos e turvos, pela ponte do nariz e por fim a boca. Imaginou traçar bem aquela boca com a ponta de seus dedos, quão macios seriam? Despertaria nele cócegas? Agitação? Desejo? Iria explorá-lo como dizia sua imaginação?

Começou a sentir um calor característico e tratou de espantar seus pensamentos, ouvindo a campainha tocar.

Daniel ficou tão estático ao ver as pinturas que largou as compras no chão, olhando boquiaberto para Dante que se continha no batente da porta, ouvindo as aclamações do amigo. Agora só precisava avisar algumas pessoas para dar início a exposição.


~


O dia tinha começado e dois corpos se encontravam boiando na piscina da universidade.

Não tinham aula pelos primeiros tempos, o que era pura coincidência, então concordaram em passar um tempo nas águas cheia de cloro e frias em pleno verão de El Paso. Dante só faltava dormir sobre a água, ouvindo os pequenos barulhos de Ari se locomovendo. Apreciava por completo os sons da água sob os movimentos de Ari, esse que brincava vez e outra com o corpo de Dante, o cutucando.

Tinha uma questão a ser resolvida e Dante logo falou:

_ Terminei os meus quadros.

O que significava muitas coisas. Como a entrega deles para serem expostos, contar a Ari que seriam mostrados para um público maior, sua nota final para por fim deixar a faculdade e claro o término de seu acordo com Ari.

Ele parou de boiar e foi até a beirada da piscina com Ari no seu encalço.

_ Quando foi que terminou eles? _ Ari sorriu. Seu sorriso era lindo. Dante tinha várias fotos dele tiradas sorrateiras e outras onde se encontravam juntos. Faria coleção delas.

_ Já tem uns dias. Ficaram tão..._ palavras existiam para descrever o que pintou, mas Dante não conseguiu dizer nenhuma. _ Você vai ver.

Ari notou a tensão escondida na alegria de Dante e olhou bem o amigo nos olhos.

_ E o que mais, Dante?

O amigo piscou com a pergunta repentina e não era bobo para saber ao que o moreno se referia. Ele engoliu a saliva, passou a língua pelos lábios. Ele tinha preparado um discurso, contudo nenhuma das palavras feitas o ajudariam muito. Sentiu-se nervoso.

_ Os quadros serão expostos ao público. _ ele queria se afogar ali mesmo. Saiu da piscina, sentando-se na beirada com Ari ainda dentro da água. _ E...eu não te contei que esse é o meu último ano aqui. _ ele sentiu a visão ficar um pouco trêmula. Ari saiu da piscina, sentando-se ao lado do amigo que brincava com os dedos.

Ari não se afetou e soltou uma piada:

_ Pelo menos nisso você não se atrasou. _ empurrou o amigo com o ombro que riu, soltando sua primeira fungada e tentando conter as pequenas lágrimas que teimam em escapar. _ Não chore, vamos continuar juntos. Só porquê não te verei mais por aqui não quer dizer que deixaremos de manter contato.

Aquilo aliviou algo dentro de Dante e ele chorou mais. Sua tensão aos seus olhos agora parecia tão boba. Ele começou a rir ao sentir Ari fazendo-lhe cosquinhas. Eles se jogaram no piso, Dante agora tentando respirar e acalmar seu coração bobo. Ari o cobriu com o corpo, olhando bem as feições recém choro de Dante que fez uma careta e Ari soltou um riso. Nada o preparou para o momento que se seguiu. Milésimos de segundos se passou e Dante conseguiu sentir os vestígios de suco de uva tomado por Ari oferecido por si naquela manhã em sua boca, em sua língua que agora brincava com a sua. Sentiu o cheiro de cloro emanando do corpo que se encostava mais no seu, a água escorrendo por suas peles. Aristóteles apenas o beijou num ímpeto de impulso e agora ambos estavam emanharando as mãos um no outro. Dante tinha suas mãos nos cabelos relativamente grande de Ari, que parou de beijá-lo para deixá-lo pegar fôlego.

Eles ficaram se encarando e Dante começou a rir.

_ Ari, Ari, Ari. _ ele repetiu o apelido do rapaz a sua frente que sentia mil e um pensamentos chocarem sua mente. _ Você por acaso tem fetiche em garotos que choram? É sério. Você vive me surpreendendo.

Quando Ari ia falar algo em sua defesa, Dante o puxou para mais um beijo, este que foi um pouco hesitante, e se seguiu em pequenos selos de segundos. O coração de Ari reverberava tão forte que sentia sua pulsação pelo corpo todo a ponto de ser nauseante.  

Gina tinha razão. Seu irmão tinha razão. O Universo lhe pregou peças mais uma vez e ele se sentia tão confuso. E agora? Ele deixou para responder aquela pergunta com Dante. Coisas pendentes tinham que ser resolvidas na conversa. Os atos já fizeram sua parte e ele só queria continuar com Dante colado em si.

E não. Ele não tinha fetiche por garotos que choravam. Foi apenas porque Dante ficou lindo demais e ele não se conteve. Dante e seus pensamentos. Ele precisava parar de pensar demais, não que Ari fosse a melhor pessoa para dizer aquilo para ele.


Notas Finais


Okay, meu coração palpitou ao escrever essa cena. Eu amo tanto esses dois.
Amo tanto escrever essa fanfic. Vocês não tem noção.

Obrigado por lerem 😘
Até o próximo capítulo.


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