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História Garoto Errado - Capítulo 3


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Notas do Autor


Tentei fazer um capítulo maior, espero que gostem ❤️

Capítulo 3 - Capítulo 02


P.O.V Karlinhos

 

E quando me viro, meu olhar se encontra com o de um garoto com o olhar que transmitia uma calma enorme. Senti que conhecia ele de algum lugar e, por um momento, me senti de volta em casa. Seus cabelos eram pretos assim como o tom de sua pele, e como todos os alunos, estava devidamente uniformizado.

 

    - Na verdade, sim, preciso. O meu “guia” tinha mais coisas pra fazer. - Falo num tom de sarcasmo.

   - É, eu vi, e entendo sua raiva. Poucos ainda conseguem conviver com o Christian desde o que aconteceu ano passado.

 

Sigo o garoto de olhar singelo por um dos corredores e percebo que não sabia o nome do meu hospedeiro e nem o de ninguém, tirando o da mãe do Christian e do motorista. E nem o que poderia ter acontecido ano passado, o que me faz ficar mais confuso ainda.

 

- Aliás, meu nome é Elvis. O seu é?

- Carlos Daniel, mas todos me chamam de Karlinhos.

Essas são as informações que te deram?

- Sim, sim. - Respondo enquanto o entrego os papéis. Ele olha com atenção o que está escrito e continuamos a caminhar.

- Então... o que aconteceu ano passado pra ter feito ele ficar tão idiota assim? - O indago. Isso ainda matuta na minha cabeça

- O irmão dele foi encontrado morto. Não sei muito bem as circunstâncias. Na verdade, ninguém sabe. Christian não gosta de tocar nesse assunto com ninguém.

 

Sinto um peso na consciência pela minha escolha infeliz de palavras, e pela impressão que tomei dele. Ainda assim, nada justifica sua ignorância para com os outros. O compreendo, mas não o perdoo.

 

- Aqui, esse é seu armário. Já sabe a senha?

- Vinha decorando no caminho. - Dou um sorriso de leve. Guardo minhas poucas coisas e pego o necessário pra minha primeira aula.

- Pode ser muito acaso, mas sua primeira aula é minha primeira aula também. - Diz ele, de forma tímida, como se esperasse que eu dissesse algo.

- Então, vamos? - Falo sorrindo para mostrar simpatia.

 

E seguimos juntos para nossa primeira aula. Gostei desse garoto. Tenho a impressão de que seremos bons amigos.

 

Chegamos a sala. Ao entrar, me deparo com Christian em uma das mesas da frente, cercado dos mesmos trogloditas que o levaram há alguns minutos. Nos entreolhamos de uma forma desconfortável, mas logo desvio o olhar. Não quero papo.

 

Sigo com Elvis até duas carteiras vagas entre duas pessoas no meio do canto esquerdo da sala, que parecem ser amigos dele.

 

- Karlinhos, esses são meus amigos, Breno e Thais. Galera, Karlinhos. Aluno novo.

- E aí - Os dois falam, simultaneamente.

 

Sento com frente a Thais e Elvis senta atrás de Breno.

 

- Intercambista, né? Achei legal essa iniciativa da escola de trazer pessoas de outros países. Mais oportunidades de fazermos amizade. - Breno fala, sorrindo e piscando pra mim. Não vou mentir, a beleza e o charme dele me chamam atenção de uma forma que demoro alguns segundos pra responder.

- Sim, é, bem legal. A escola parece bem legal também. Fácil de se perder, mas legal. - Abro um meio sorriso.

- Só parece mesmo. Isso aqui é um inferno. Vai ter sorte se sair daqui vivo. - Thais entra na conversa e não sei se ela está falando sério ou não, mas o jeito que ela fala isso me assusta um pouco.

- Olha, não liga pra Thais. Ela é... especial. - Breno fala na tentativa de suavizar o clima. Enquanto isso, é atingido por Thais com uma bolinha de papel.

- Sem eufemismos. Eu sou estranha mesmo. E quer saber? Gosto disso. - Ela rebate, parecendo não estar nem aí.

 

Ok, gostei deles também. Definitivamente seremos amigos. Conversamos a maior parte da aula e o tempo parece passar tão rápido que o recreio chega sem que eu perceba.

 

- A gente vai na frente pra ver se acha algum lugar ainda, se incomoda? - Indaga Elvis.

- Não, não. Podem ir. Onde é o refeitório mesmo?

- Direto pela esquerda. No fim do corredor você encontra o portão. 

- Certo. - Respondo enquanto guardo minhas coisas. Me levanto pra ir e, por acaso ou azar, me bato com Christian na porta.

 

P.O.V Christian

 

Não tenho interesse em fazer amizade, mas também não é legal ter esse clima chato entre a gente. Afinal, vamos morar na mesma casa. De um jeito ou de outro teremos que no mínimo trocar algumas palavras, então decido quebrar esse gelo que se instalou.

 

- Olha... Carlos... - Começo a falar, mas não sei se consigo encontrar as palavras certas. Vou falar do jeito que me vier a mente. - Quero pedir desculpas por hoje mais cedo. Fui rude demais e não te dei oportunidade de me conhecer melhor.

 

Ele abre o que eu penso ser um meio sorriso, o que me faz... desestabilizar? Mas que merda?! 

 

- Mas eu quero deixar claro minhas intenções aqui. Não tenho interesse nenhum em fazer amizade com você. Só estou pedindo desculpas para termos uma convivência no mínimo tolerável, afinal, vamos dividir até o quarto. Percebi que fez amizades aqui, então, pelo menos na escola, cada um no seu canto, ok? - Completo, com uma expressão séria. Não quero que ele note. Não quero que ninguém perceba minhas fraquezas.

 

P.O.V Karlinhos

 

Incrível. Ele não consegue se manter amigável por um segundo.

 

- Tudo claro pra mim. - Respondo da mesma forma que ele me disse aquelas palavras que, de certa forma, me machucaram. Mas não vou deixar ele ver minhas fraquezas.

 

Seguimos para o refeitório. Obviamente, ele acelera os passos pra que não sejamos vistos juntos. Babaca.

 

Chegando perto, percebo que Thais estava parada no caminho.

 

- Você viu, não foi? - Pergunto, envergonhado pela situação.

- Vi. E isso não é jeito de se tratar alguém, principalmente se você tá morando e dividindo quarto com esse alguém. Mas relaxa, a gente resolve isso. - Ela pisca, maliciosamente. Ela ainda me dá um pouco de medo.

 

Entramos no refeitório juntos e pegamos uma bandeja. A comida parece ser realmente boa. Essa cidade não cansa de me surpreender.

 

- Aqui, gente! - Breno grita, do outro lado do salão. Seguimos o chamado e vamos até a mesa que eles conseguiram pegar. De frente a turminha de trogloditas. Só pode ser brincadeira.

- Bom, Karlinhos, como você pode ver, como todo clichê americano, nossa escola é dividida em panelinhas. Mas diferente dos clichês, pra se entrar num grupo aqui é mais questão de afinidade. Eu acho. A não ser que você faça alguma atividade extracurricular. Você é obrigatoriamente parte do grupo da sua atividade.

- Entendi. Tipo meu agradabilíssimo hospedeiro jogador. - Falo, ironicamente.

- Exato. - Breno responde, entrando na onda.

- Mas, eu não entendo... Vocês mal me conhecem. Por que fui escolhido pra sentar com vocês? - Pergunto em tom de brincadeira, mas a dúvida é verdadeira.

- Não sou intercambista, mas também não sou daqui. Quando cheguei aqui estava tão perdido como você quando te vi. Thais e Breno me ajudaram a me adaptar. Vi uma chance de fazer o mesmo por você. Me vi em ti, de certa forma.

- Não sei nem o que dizer. - Sorrio. - Vocês realmente são uns amores. Obrigado, eu acho.

- Ei, somos amigos agora. Não precisa agradecer.

 

Nos olhamos sorrindo por um tempinho, até que Breno percebe Thais armando uma arapuca.

 

- Thais, você não vai fazer isso. - Breno a tenta impedir por meio da conversa, em tom sério.

- Já fiz. - Diz ela, atirando um pouco de purê no Christian usando a colher como catapulta. Não acredito que ela fez isso mesmo.

 

- Quem de vocês foi? - Ele se levanta e vira pra trás, furioso.

- Eu. - Thais responde, com atitude. - E o que você vai fazer quanto a isso?

 

Christian enche a mão e joga parte de seu purê nela também.

 

- GUERRA DE COMIDA! - O pessoal no refeitório grita, em uníssono. Acaba que o refeitório inteiro começa a atirar comida por todos os cantos. Por ser atingido, entro no meio também. O barulho toma conta, até que ouvimos uma voz ressoar do portão.

 

 

- Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?!

 


Notas Finais


E é isso por enquanto. Até a próxima, espero que gostem, vou tentar postar um capítulo novo logo 😉❤️


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