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História Gatos: Fiéis ou Traiçoeiros? - Capítulo 27


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Notas do Autor


Boa leitura, gente♡ (◡‿◡✿)

Capítulo 27 - Expectativas


Fanfic / Fanfiction Gatos: Fiéis ou Traiçoeiros? - Capítulo 27 - Expectativas

*Kuroo on*

Ver Hanabi com aquele cara me deixa extremamente aborrecido. Quanto mais os vejo juntos, mais penso no que Kenma disse - a possibilidade de ela realmente gostar de mim - parece ficar cada vez mais longe.

Como agora não estamos mais nos envolvendo, eu poderia muito bem ficar com outras pessoas e até mesmo tentar esquecer isso. Mas isso só seria possível se ela não tomasse conta da - maioria - dos meus pensamentos... Ela é a primeira coisa que penso assim que acordo e a última ao dormir. 

Só durante esse meio tempo em que não estamos mais juntos, tive várias oportunidades de me envolver com outras garotas. Inclusive, Madoka, uma das meninas que me relacionei há um tempo, veio me convidar para ser o par dela no baile e a mesma estava muito grudenta. Obviamente não a distratei e muito menos fui grosseiro, mas assim como as outras, neguei educadamente aos convites.  Mesmo querendo me distrair e tentar esquecer um pouco do que tem acontecido, para mim, realmente não faria sentido sair com alguém e não dar a pessoa a atenção necessária. 

Mas eu realmente não senti vontade em momento algum. Como se eu não visse graça em mais ninguém, só nela. 

Como se nenhuma delas pudessem substituir Hanabi... E realmente não podem. 

Como pode? Com tão pouco tempo do término, sem falar com ela com a mesma frequência de antes, sem seus toques carinhosos e, as vezes, um tanto agressivos, eu sentir tanta falta. É como se eu estivesse vivendo uma abstinência dela e não soubesse por onde começar para me sentir minimamente melhor. Parece exagero, mas é realmente assim que me sinto. A saudade que sinto de cada coisa que vivemos, mesmo que não tantos momentos, parecem me corroer mais e mais. 

De todas as pessoas que me relacionei antes, em alguns casos saí machucado, em outros senti demais, mas nada se compara a tudo que senti e ainda sinto por Hanabi. De longe, ela é um dos sentimentos mais intensos que já senti. 

Eu já tinha certeza de tudo o que sinto, realmente gosto dela. Só não sabia nem tinha noção do quanto. 

A semana já não estava lá essas coisas por conta de tudo que tem acontecido entre mim e Hanabi. E para piorar, ontem, quando cheguei da escola, presenciei uma das piores cenas para mim. Depois de muitos anos sem brigas nem conflitos muito sérios, meus pais se desentenderam e dessa vez pareceu sério. Tudo isso junto foi como um soco forte na boca do meu estômago.

Durante um certo período da minha infância, a relação dos meus pais estava muito instável e eles acabaram se separando por um tempo. Por conta disso, eles decidiram morar em casas diferentes e eu fiquei com o meu pai na casa dos meus avós. E lá, acabei conhecendo Kenma, que foi meu vizinho enquanto morei lá.

Com toda essa situação cheia de conflitos entre pais, separação e toda essa história, querendo ou não, os filhos sentem e absorvem muita coisa. E comigo não foi diferente disso, e demorou um tempo para eu me adaptar àquilo. No começo, assim que mudei, me senti péssimo e incapaz de fazer novas amizades. E comparado ao que eu sou hoje, dificilmente acreditam quando digo que fui uma criança tímida e quieta. 

Mas felizmente, nessa mesma época, comecei  a frequentar a casa de Kenma, que se tornou um dos meus melhores amigos e descobri minha paixão por vôlei. Sempre jogamos os videogames dele, porque eu era tão tímido a ponto de não falar com ele sobre vôlei nem mesmo o chamar para jogar. Depois de um tempinho de amizade, me senti a vontade e na primeira abertura que ele deu, o fiz praticar o esporte comigo. 

Quando percebi, já estava viciado no vôlei e Kenma me pedia para falar sobre qualquer outra coisa que não fosse isso. Só de lembrar das caras e bocas que ele fazia quando estávamos no comecinho dos treinos, eu rio. Era hilário. 

E sem sombra de dúvidas, por conta dessa série de coisas que me aconteceram, melhorei bastante e mudei na mesma intensidade e proporção. Sinto, de verdade, que fui capaz de me tornar uma pessoa melhor. Tanto é que agora sou capitão do time.

Um ano ou dois depois disso tudo, eu realmente não lembro bem, meus pais resolveram voltar e nos mudamos para onde moramos hoje. Lembro até hoje de como me senti quando os vi juntos novamente... Foi como uma criança ganhando um presente. Tirando todas as brigas, quando eles estão bem um com o outro, em sintonia, é algo realmente lindo de se ver. 

E é exatamente por conta disso tudo, que fico bastante  preocupado quando o assunto são eles dois. Presenciar uma briga deles, depois de tanto tempo e com eles se dando tão bem até então, foi um susto, porque eu não esperava nem um pouco por isso. Eu não gosto de vê-los tristes, afinal que filho gosta de ver os pais assim? Tem pessoas que lidam melhor e não absorvem tanto, mas eu sou totalmente o contrário. Mesmo não parecendo, eu suporto e sinto muito as coisas. Só não gosto de expô-las tanto... Nunca gostei muito de demonstrar minhas fraquezas e talvez isso seja um defeito. 


 


Já era sexta-feira e por não ter tido uma noite de sono muito boa, acabei acordando um pouco tarde. Me arrumei o mais rápido que pude e fiquei aliviado por já ter café da manhã pronto. 

— Bom dia, Tetsurou. - meu pai disse enquanto eu descia as escadas.

— Bom dia, pai. - disse indo para a cozinha e percebi que minha mãe já não estava mais em casa. — Minha mãe já saiu? 

— Sim, ela precisava resolver algumas coisas antes de ir trabalhar. - ele disse calmo enquanto tomava o conteúdo de sua caneca. — E não esquece de pegar o bentō que ela separou para você. - ele comentou e logo peguei o pote e o guardei na mochila. 

Será que eles já se resolveram e eu me preocupei à toa? Bom, espero que sim. 

— Filho... Me desculpe por ontem. - meu pai disse num tom melancólico. — Tinha muito tempo que eu e sua mãe não brigávamos... Imagino que tenha sido um choque para você. 

Meu pai é muito mais calmo e aberto que minha mãe, mas eu realmente não esperava que ele fosse se desculpar ou algo assim. 

— Tudo bem. Só não gosto de ver vocês dois assim... Então tratem de se resolver logo. - disse com um sorriso e percebi que ele se alegrou. 

Terminei de arrumar as minhas coisas, me despedi de Pakum e Neko, e quando estava prestes a fechar a porta, meu pai falou comigo novamente.

— Obrigado, filho... Talvez eu esteja realmente muito focado do trabalho e esquecendo das coisas ao meu redor. - ele disse pensativo e eu ri. — Boa aula, Tetsurou.

— Obrigado, até mais tarde. - disse gentil e um tanto confuso com a fala dele.

Então será que era isso? Apesar de eu vê-los bem juntos algumas vezes, em outros momentos vejo minha mãe muito sozinha... E esses momentos são justamente os que ele está fazendo algo relacionado ao trabalho. Bom, que seja. Só espero que eles se resolvam logo. 

Eu já absorvi demais os problemas deles. Sou filho deles, mas há assuntos que não cabem a mim tentar resolvê-los e muito menos ocupar minha mente com isso. Espero que eu consiga manter essa meta de não saturar a minha mente com tantos pensamentos até o final do dia. 

Peguei o celular para mandar mensagem para Kenma e avisa-lo que não daria para irmos juntos, porque eu estava claramente atrasado e percebi o tanto de mensagens que ele já havia me mandado. Bom, pelo menos ele não me esperou e provavelmente já deve estar na escola. 

Eu definitivamente odeio atrasos e ficar esperando. Ainda bem que hoje terminam as provas e amanhã é sábado.

Cheguei à estação e me senti aliviado pelo trem já estar lá... E de longe, em meio a tantas pessoas no local, vi a dona da maioria dos meus pensamentos. Como sempre, ela estava linda e seu semblante estava relativamente melhor e mais vivo do que nos últimos dias. Sorri bobo enquanto a observava e quase perdi o trem. 

Pensei bem se iria sentar perto dela, mas achei melhor não. Provavelmente ambos nós iríamos ficar como da última vez que ficamos sozinhos, ela com fones e claramente sem graça e eu calado. Bom, se fosse para ficar esse clima incômodo entre nós, preferi ficar sozinho e deixá-la assim também. 

Mesmo parecendo melhor, certamente ela ainda não deve estar cem por cento bem. E apesar de eu sentir falta e querer falar com ela, não tomarei nenhuma atitude inconveniente ou algo assim para que ela se sinta mal ou que a atrapalhe nesse momento em que ela está precisando realmente ficar sozinha e pensar. 

Consegui chegar a escola a tempo, faltavam uns dez minutos para aplicação das avaliações. Só de pensar que aquelas eram as últimas do semestre e que logo depois eu iria treinar, já ficava mais relaxado. 

Também não pude deixar de reparar em todas as decorações para o baile de amanhã... Realmente superou as dos anos anteriores. Isso porque é apenas a parte externa da escola, que não precisa de tantos adornos e ficou muito bonito. Confesso que até estou curioso para ver como ficou a quadra principal, que é onde acontecerá o baile.  

— Você tá bem, Kuroo? - Hiyori me perguntou confusa.

— Sim, por quê? - perguntei sem entender a preocupação.

— Você tá acabado, cara. - Yaku disse rindo e eu cruzei os braços, irritado. 

Eu até poderia não estar tão bem, mas dizer assim tão na cara também não é legal, né? 

— É sério, olha as suas olheiras. - Hiyori disse esticando o braço segurando um espelho pequeno.

É... Eu não tinha notado que estava com a aparência tão abatida. Me arrumei tão rápido, que mal me olhei no espelho. 

— Cara, se você quiser conversar, pode falar comigo... Ou com a Hiyori. - Yaku disse apontando para ela e a mesma afirmou com a cabeça. — E eu tenho quase certeza que isso tem a ver com a Hanabi...

— Sim. Reparei que ela tem andado com outro garoto... Vocês terminaram?? - Hiyori perguntou inocentemente, mas mal ela sabia que estava tocando na ferida. Que merda! 

— Relaxem, eu estou bem. Só não consegui dormir muito bem. - disse tentando os despreocupar. — E, sim, Hiyori, não estamos mais juntos. Mas isso não vem ao caso. 

Disse direto e acho que eles entenderam o recado. Eu realmente não estava afim de conversar no momento e fiz questão de deixar isso claro. 

O professor entrou na sala e iniciou a aplicação das provas. Depois de uns quinze minutos resolvendo as questões, comecei a sentir uma enxaqueca terrível. Tentei concluir tudo para sair dali o mais rápido que podia e acabei conseguindo. Fui um dos primeiros a sair da sala. 

Fui para o pátio e fiquei esperando os garotos.  Aos poucos o local se enchia dos alunos que acabavam as provas e nada dos meninos. Acabei pegando no sono e logo depois de uns míseros dez minutos de soneca já estavam me gritando. 

— Kuroo, acorda! - Lev gritou.

— Ele tá babando! - Tora disse gargalhando enquanto o resto dos garotos riam. 

Realmente não entendo o porquê de eles falarem tão alto. Ainda mais a essa hora da manhã. 

— Será que da para diminuir o volume? Vocês são sem noção... - disse coçando os olhos.

Eles continuaram rindo e eu apenas relevei... Afinal eu já tinha motivos o suficiente para ficar aborrecido. 

Lanchamos todos juntos e enquanto não dava o horário do almoço, usamos um pouco da academia da escola. Já tinha um bom tempo que não frequentávamos lá, porque nossos últimos aquecimentos tem consistido em exercícios específicos para o treino, e também porque muitos outros clubes de esporte estavam ocupando na maior parte do tempo. 

— Ai... Acho que vou parar por aqui. - Kenma disse gemendo de dor por conta do esforço e eu ri. 

— Cara, você só levantou a barra umas 5 vezes! - Tora disse rindo e como sempre, gritando. Mas o que ele falou é verdade.

— Kenma, tenta levantar pelo menos mais umas 7 vezes. - disse gentil e ele fechou a cara. — É bom você manter a forma para poder ver o tampinha da Karasuno amanhã, né? 

— Cala a boca, Kuro! - Kenma respondeu revoltado. 

Bom, já que ele não tinha tanta motivação e só de ouvir o nome do anão ele fica todo elétrico, nada melhor do que motiva-lo assim, certo? 

— Vê se você levanta isso direito, Lev! - Yaku chamou a atenção dele e o mesmo só sabia gemer de tanto de esforçar. 

— Vocês não acham que estão pegando um pouco pesado com eles? - Kai perguntou. 

— Sinceramente? Não. Esse é só o mínimo para se começar. Se eles não fizerem, vai ser pior lá na frente. - Yaku o respondeu e eu concordei. 

— Vou lá fora encher minha garrafinha. Querem que eu encha a de vocês? - os ofereci e apenas Lev e Shibayama me deram suas garrafas. 

Tirando Lev e Kenma, que ainda não têm força o suficiente para fazer os exercícios, o resto dos garotos estão indo muito bem. Acredito que daqui algum tempo eles vão pegar o jeito... Afinal eles não tem culpa. Lev nunca havia malhado braços, por incrível que pareça. E como estávamos a algum tempo sem usar os aparelhos, Kenma acabou perdendo o jeito e a resistência.

Assim que terminei de encher as garrafas, minha dor de cabeça voltou e dessa vez com tudo. Na verdade ela nem tinha ido embora, estava mais fraca e eu estava apenas relevando. Parece que agora ficou bem pior.

Bom, espero que isso passe logo, porque não posso deixar os garotos aqui e ir embora. Até porque sou o capitão do time e isso seria péssimo...

Quando saí do bebedouro, pela segunda vez no dia, avistei Hanabi de longe perto da entrada do dojô. Mas dessa vez ela estava com aquele cara e eles pareciam ainda mais próximos... Ambos estavam se abraçando. E como ela estava com uma blusa de manga curta, percebi na hora que ela não estava usando a pulseira que eu havia dado a ela no dia em que saímos juntos... Mais um motivo para eu me sentir péssimo e pensar no quão tolo eu sou em ainda ter esperanças. 

Minha cabeça ferve só de vê-los assim ou só de pensar em ambos juntos. Eu realmente sinto ciúmes dela e odeio admitir isso... E o mais angustiante de sentir tudo isso é que não posso fazer nada a respeito.

— Se continuar parado aí, eles vão te reparar. - Kou disse e eu tomei um susto. 

Ele estava sentado num banco junto de Hiyori bem próximo a mim. E eu fiquei tão distraído em meio a tantos pensamentos - torturantes - que nem os percebi ali. 

— Você devia ir pra casa, Kuroo... - Hiyori disse num olhar preocupado e Kou mexeu a cabeça concordando.

— Hiyori, eu já disse a você que estou bem. Só não consegui dormir direito. - respondi o mais gentil que pude. 

— Cara... Sabemos que não é só isso. - Kou disse sério. — Você não precisa esconder... E não faz sentido você treinar, se esforçar até não poder mais, sendo que não está bem o suficiente para isso. 

— É verdade, mas o que posso fazer se sou o capitão do time? Não posso deixar os garotos assim. - disse cansado. 

— Você sabe que isso não é desculpa. Todos entenderiam se você dissesse que não está bem e precisasse ir embora. - ele disse sincero.

— Concordo... - Hiyori disse.

Acho que nunca vi tantas pessoas preocupadas comigo em um dia. Chega a ser um pouco irritante, mas... por outro é algo que me conforta, porque mostra que todos se importam. 

— Beleza... Se eu não melhorar, vou embora. Obrigado pela preocupação. - agradeci e saí andando. 

Fui sério e direto, porque já estava sem paciência para escutar tantas coisas e a maioria ser verdade... e isso me irritar.

— Ela gosta de você, idiota! Tá na na cara... Se anima, porque amanhã tem o baile! - Kou gritou e só ouvi Hiyori o mandando calar a boca depois. 

Sorri bobo com o comentário e segui. Quem dera que fosse isso mesmo, porque realmente não parece. 

E tudo o que Kou falou em relação aos treinos é verdade... Todos entenderiam se eu contasse a verdade e fosse embora. Mas eu não quero aceitar isso justamente porque quase nunca acontece e... Talvez isso passe logo e eu possa treinar normalmente. 


 


Já estávamos todos almoçando e nada da dor de cabeça ir embora. Talvez não seja só o meu emocional que esteja me afetando assim, porque está muito frio também... Talvez eu esteja num princípio de gripe ou resfriado. 

Conversamos sobre o baile, o nacional de vôlei, que estava por vir e percebi que todos estavam muito animados. 

Depois de um tempo, aos poucos a mesa esvaziava com os garotos indo se trocar para o treino e no final acabou sobrando apenas eu, Kenma, Yaku e Kai.

— Agora que somos só nós aqui, você pode começar falando o que está acontecendo. - Yaku disse sério e direto.

Não me surpreendi, porque já tinha estranhado só eles três permanecerem ali. 

— Somos seus amigos e queremos te ajudar... Tá escrito na sua testa que você não está bem. - Kai disse calmo e os outros dois concordaram.

—  Sim... E acredito que agora não se trate só da Hanabi... Senão você estaria lidando um pouco melhor. - Kenma disse sério. 

— Vocês são rápidos... Relaxem, que eu vou ficar para o treino, ok? - respondi pondo a mão na testa tentando conter a dor que ainda não fora embora. 

— Desse jeito? Cara, você definitivamente não vai ficar. Tenho certeza que Naoi e o treinador Nekomata vão entender, então pare de bancar o fortão só porque você é o capitão. - Yaku disse direto e pude entender que era um verdadeiro esporro. 

— As vezes você é um verdadeiro idiota, Kuro. - Kenma disse rindo junto de Kai. 

— Para de rir, Kenma! - o repreendi irritado.

— Então comece a falar logo! - os três disseram juntos e levei um susto com a sincronia. 

— Tá... - respondi desanimado e logo comecei todas as explicações. 

Como os três são as pessoas que mais sou próximo ali, eles já sabiam do que havia acontecido na minha infância e dos conflitos dos meus pais, principalmente Kenma. Portanto fiz um breve resumo da última discussão que presenciei entre meus pais e expliquei como me sentia. 

E em relação a Hanabi, esclareci melhor as coisas a Yaku e Kai, que não sabiam tanto sobre a situação. 

— É, até que foi bom botar isso tudo pra fora... - disse aliviado.

Até senti uma melhora na dor de cabeça. Não estava mais tão intensa quanto antes.

— É, você tem que parar de guardar as coisas assim pra você. - Kai disse e os garotos concordaram. 

Realmente... Geralmente não tenho problemas em expor como me sinto ou dizer tudo o que penso sobre algo. Mas quando diz respeito ao meu emocional, dificilmente exteriorizo.

— E, cara, relaxa. Tenho certeza que vai dar tudo certo. - Yaku disse me acalmando. — Se seus pais se separarem, o que é uma possibilidade, você vai ter que ser forte e estar preparado. Você pode gostar de vê-los juntos, todos os filhos gostam... Mas as vezes um pode não fazer bem ao outro, sabe? 

— Entendo, você tá certo... - o respondi cabisbaixo, mas realmente tinha o compreendido.

Yaku saberia melhor que qualquer um ali como me dar conselhos em relação a esses assuntos, porque o mesmo passou por isso. Ele não absorve as coisas tanto como eu, mas segundo ele, a separação dos pais foi um tanto difícil sim, mas em pouco tempo ele conseguiu superar. 

— E segundo Kenma, você tem chances com a Hanabi... Então se eu fosse você, não desistiria tão fácil assim e tentaria algo amanhã! - Kai disse animado e Yaku e Kenma mexeram a cabeça afirmando. 

Eles realmente sabem como me animar. 

— Quem disse que eu desisti? Só estou num momento em que eu realmente não posso fazer nada. - disse entediado. 

— Er, é verdade. Mas isso não é motivo pra você ficar desanimado dessa forma. Olhe para mim, Kuro. Até eu estou animado para amanhã! - Kenma disse com um brilho nos olhos e foi impossível não rir da cara dele.

Ele estava claramente apaixonado. 

— Do que vocês estão rindo? - Kenma perguntou com a cara fechada e o ignoramos.

O anão da Karasuno já tinha o meu respeito por ser quem ele é e ter umas jogadas insanas, porém muito boas. Agora tem mais ainda, porque vejo o quão bem ele faz ao Kenma e quanto ele conseguiu o mudar. De uma forma boa, é claro.

Conversamos um pouco mais e logo terminamos nosso almoço. 

— Vou com vocês na quadra e vou avisar aos treinadores que não vou ficar. - disse me levantando da mesa. 

— Não precisa, pode deixar que vamos explicar tudo a eles. Mete o pé e vai descansar! - Yaku disse irritado. 

— É. Acha mesmo que acreditaríamos que você só iria falar com eles e não ia treinar? - Kai disse semicerrando os olhos e Kenma riu. 

Isso nem tinha passado pela minha cabeça, eu realmente ia embora, porque estava exausto física e emocionalmente. Mas se bem que não seria uma má ideia continuar aqui e treinar, já que a dor de cabeça melhorou quase que completamente...

— Kuro, nem pensa nisso. Vai embora logo. - Kenma disse me empurrando ao me ver cogitando a possibilidade do que Yaku havia falado. 

— Até amanhã. - Kai se despediu.

— Até amanhã! Vê se aparece com uma roupa bonita e toma um banho... Você tá fedendo. - Yaku disse rindo.

Como assim eu estava fedendo? Será que não tomei banho direito por conta da correria? 

— Ah, cara, vai se ferrar! Tchau. - me despedi e logo segui meu caminho para casa. 

De coração partido e me sentindo um pouco culpado por não ficar para o treino, fui para casa. 

Fui muito burro por não ter desabafado e conversado com os garotos antes. Agora me sinto muito melhor e eles até conseguiram me deixar mais animado para amanhã. E realmente não sei o que seria de mim sem eles aqui para me apoiar.

Depois de uma curta caminhada, quando estava entrando na estação de trem, fui abordado novamente por Madoka... Espero que ela não venha com o mesmo papo de antes. Eu, de fato, não estou afim de sair com nenhuma outra garota que não seja a Hanabi. 

— Oi, Tetsu! - ela disse me abraçando e por educação, retribuí ao abraço.

— Oi... Já disse que não gosto que me chame assim, Madoka. - disse me afastando dela. 

— Poxa, mas é só uma forma carinhosa de chamar você. - ela disse enquanto enrolava uma mecha de cabelo. — Tem certeza que não quer ir ao baile comigo? Você está sozinho e até parece meio abatido... Posso tentar te animar! 

Ela provavelmente estava carente e como não viu outra opção, tem tentado se reaproximar de mim. Madoka não é uma pessoa ruim, senão eu nem teria me envolvido com ela no passado... E não vi maldade na fala dela.

Talvez não seja ruim uma companhia para amanhã. 

— Tá... Tudo bem. Mas saiba que não estou afim de ficar com você novamente. Vamos apenas como amigos, beleza? - disse sincero e ela pareceu entender. 

— Fechado! Eu realmente só quero uma companhia, sabe? Não achei ninguém interessante e vi que você estava sozinho, daí resolvi te chamar. - ela disse apoiando a mão no queixo e fazendo uma expressão pensativa. — Se bem que antes você estava com aquela judoka, né? O que houve??

Se tem um defeito nela que me irrita profundamente, com certeza é o excesso de curiosidade. 

— Madoka, até amanhã. A gente se encontra às 22:00 na porta da escola. - me despedi o mais gentil e educado possível.

— Até! Vê se vai bonito, porque eu vou estar linda! - ela gritou sorrindo quando eu já tinha me distanciado um pouco. 

— Você sabe que eu estou sempre apresentável. - disse me virando para trás e sorrindo. 

Espero que neste baile ela não faça besteira como no do ano passado. Ela e mais um pessoal resolveram levar bebida para o baile e o resultado foi péssimo: eles quase destruíram uma parte da decoração e quase foram expulsos. Bom, se tentarem algo desse tipo de novo, vou fazer questão de ficar bem longe. 


 


Cheguei em casa e me senti aliviado por não ter presenciado outra briga. A casa estava muito tranquila e nem parecia que meus pais tinham se desentendido recentemente. 

Meu pai estava na cozinha e minha mãe na sala vendo Tv. Os cumprimentei e eles também ficaram assustados com o meu estado... 

— Filho? Por que você está assim? Tá doente? - minha mãe perguntou preocupada. — E o treino? Não ficou hoje? 

— Mãe... Calma, uma coisa de cada vez. - disse pondo a mão na cabeça enquanto assimilava ao que ela dizia. — Estou bem, só não o suficiente para treinar. Fica tranquila, tudo bem? 

Disse calmo e acho que ela ficou mais tranquila. Realmente não há necessidade de tanto desespero.

— Vou fazer um chá pra você, Tetsurou! - meu pai gritou da cozinha. — Aquele que sua vó fazia! 

Meus olhos brilharam só de o ouvir dizendo aquilo. Na minha infância, sempre que eu me machucava ou ficava doente, minha vó fazia alguma coisa para que eu melhorasse, e uma delas era o chá. 

Subi, tomei um banho demorado e relaxante, e logo depois desci para fazer companhia a minha mãe. 

Ela estava com uma aparência muito melhor que ontem, mas ainda assim parecia um pouco angustiada.

— Mãe... Você está bem? - perguntei preocupado.

— Estou sim. Não se preocupe, filho. - ela respondeu sabendo ao que eu me referia.

Ela continuou mexendo em seu notebook e eu tentei me segurar ao máximo para não fazer mais perguntas, mas não consegui. 

— Mãe, vocês já conversaram?! - perguntei e ela me olhou sorrindo.

As vezes ela é estranha. Mas não posso falar muito, porque mais da metade da minha personalidade foi herdada pelo lado dela.

— Sim, Tetsurou. - ela disse fechando o notebook. — Eu e seu pai vamos sair para jantar amanhã! - ela completou animada. 

Eles vão comemorar algo? Não entendi.

— Por que vocês vão jantar fora? - perguntei confuso.

— Seu pai me chamou e eu aceitei, né? Ele disse que quer conversar melhor e até pediu desculpas. - ela disse convencida.

Ela definitivamente já estava melhorando. 

— Sério? Acho que me preocupei à toa então... - disse rindo sem graça.

— Tente não absorver tanto dos nossos problemas, filho. Deixe que nós mesmos resolvemos os *nossos* problemas e você ocupar a cabeça com outra coisa. - ela disse enfática.

É realmente o que eu preciso fazer...

— E nós vamos de trem mesmo. Convenci seu pai de andarmos a pé um pouco. — Então você pode pegar o carro e ir com ele ao baile. Só não bate com ele, pelo amor de kami-sama! 

Fiquei mais feliz ainda com essa notícia e no tanto de chão que não vou precisar andar para chegar no baile amanhã. Na verdade nem é tanto, mas provavelmente vou chegar cansado e voltar de carro vai ser ótimo.

— O chá já está pronto, filho. Vem tomar. - meu pai me chamou. 

Assim que bebi o chá, senti um misto de nostalgia e felicidade. Espero que isso me ajude a melhorar, não quero ir ao baile para ficar só uma hora e depois ir embora... Também quero aproveitar e ver a Hanabi.

Depois de ter quase terminado - todo - o chá que meu pai havia feito, subi para o meu quarto e liguei para Madoka. 

Como acho que fui um pouco frio com ela hoje mais cedo e vou poder usar o carro amanhã, resolvi ir buscá-la em casa e irmos juntos ao baile. 

Desci novamente, brinquei com Pakum, que parecia estar mais energético que nunca e minha mãe veio falar comigo novamente.

— Filho... Acho que eu e seu pai vamos dormir fora amanhã. Então, se quiser, pode trazer seus amigos para cá depois do baile. - ela ofereceu e eu não entendi.

— Por que vocês vão dormir fora? - disse jogando a bolinha de Pakum longe para o mesmo ir pegar. 

— Isso já não é da sua conta, né? - ela disse rindo. — Por que não chama aquela garota bonita, em? Vocês vão ao baile juntos? Gostei dela. 

Ela perguntou toda animada e eu tentei ao máximo não demonstrar como ainda me sentia quando o assunto é a Hanabi. 

— Ela é bonita mesmo... - disse rindo. — Mas acho que ela já tem um par. - disse tentando disfarçar que estava claramente irritado.

— Ah, é mesmo? Que pena. Mas tenho certeza que você é muito melhor que ele. - ela disse mais uma vez convencida, mas agora porque se tratava de mim.

Algo bobo, mas que minimamente aumentou a minha moral... Talvez eu esteja realmente muito para baixo para até esse tipo de "elogio" me animar. 

 Bom, que a noite de amanhã seja mesmo agradável. Depois de uma semana tão estressante e cansativa, não só para mim, mas acredito que para o resto do pessoal da escola também, é o mínimo que merecemos. 




Notas Finais


Comentem o que estão achando :)
E pra quem não acompanha o mangá, os meninos realmente malham em Nekoma!! Fiquei chocada quando vi as cenas deles pegando os pesos ksksks


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