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História Gaymers - Capítulo 3


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Notas do Autor


AYoooo vortei
eu queria postar na sexta, mas eu to arrumando minhas tralhas pra me mudar, enfim, eis me aqui atrasada mais ainda aqui
Agradeço os comentários e favoritos que vcs tem dado e espero que aproveitem esse capítulo também

Capítulo 3 - O tal do jogo da descoberta


Chan Yeol estava deitado na cama, esparramado depois de um dia cansativo em que não havia energia em seu corpo nem mesmo para jogar, só queria dormir um pouquinho. Era estranho como sua faculdade, mesmo não tendo muitas matérias, conseguia sugar tudo de si.

 

Olhava para o teto, quando foi surpreendido pelo som de notificação no celular. Ele tinha um palpite sobre quem era e pegou o aparelho com um pequeno sorriso. Ele adorava esperar as mensagens de Baek Hyun pela noite, mesmo que tivessem passado o dia conversando. 

 

Mas diferente do que estava pensando, daquela vez, era uma notificação do chat do jogo que estava viciado nos últimos tempos. E quem tinha mandado era outra pessoa que também o fazia sentir coisas estranhas. CandyB era seu apelido. Chan Yeol não tinha a menor ideia sobre como tinha pegado intimidade tão fácil com a pessoa do outro lado da tela, só sabia que era uma delícia poder conversar com ele durante os jogos ou quando estava de bobeira em algum dia aleatório.

 

CandyB o lembrava da forma como Baek Hyun o tratava com atenção, mas era um pouco mais cauteloso, talvez polido, talvez político. Ele experimentava suas palavras com cuidado, mesmo que suas respostas fossem rápidas. Como se estivesse testando sua própria capacidade e Chan Yeol achava engraçadinho. 

Era simplesmente ridículo que estivesse com um crush em um colega de jogo que ele nem sabia a identidade, somente a personalidade pela forma de falar. Se dissesse que aquilo era paixão, era mentira, mas ele se empolgava de uma forma ímpar quando jogava ou quando abria o jogo porque era divertido ver a pessoa ainda em fase de aprendizagem. 

 

Vira e mexe, Chan Yeol ajudava o jogador a se situar melhor dentro do jogo, até facilitando atalhos para que ele pudesse aprender. A pessoa também parecia ser recíproca em relação ao início daquela amizade, já que sempre o procurava não somente para eventuais consultas, mas para jogar conversa fora. 

 

Quem sabe quando tivessem mais intimidade, pudessem trocar contatos para conversar fora dali. Chan Yeol sabia que a pessoa era de Soul pelo IP do computador, mas de onde era especificamente e quem era ainda era um mistério que ele preferia ter mais intimidade do que já tinha para desvendar. E, se pudesse apostar, ele acreditava que em pouco tempo aconteceria. Ele realmente gostaria de conhecer alguém tão compatível com sua personalidade. 

 

Havia comentado de forma superficial com Baek Hyun sobre isso e o amigo também comentou que tinha conhecido alguém legal no jogo, mas o assunto se dispersou porque eles queriam comentar sobre as inúmeras atividades da faculdade que teriam que fazer por ser fim de semestre. Reclamar da faculdade nunca era demais. 

Suspirou, voltando para a realidade, já com a aba do chat aberta e deu mais um sorriso. CandyB era doce assim como seu user, talvez doce num sentido de ter sempre uma resposta divertida e educada, embora ainda fosse na linguagem jovem que universitários sempre usam. Era realmente alguém que Chan Yeol definiria como ímpar e ele esperava do fundo do seu pequeno coração emocionado que não fosse uma farsa do outro lado da tela, nem alguém com más intenções. 

Entretanto, boa parte de suas apostas e expectativas dizia que não porque não tinha respostas suspeitas, ou como ele mesmo gostava de dizer, respostas que enganam. Estava esperando o momento certo para comentar com seu melhor amigo sobre a pessoa do jogo, mas não sabia ao certo se deveria dizer que supunha ser um garoto, afinal, eles nunca haviam falado sobre isso de forma aberta se o assunto fosse eles mesmos e sabia que Baek Hyun desconfiava de sua sexualidade, ou pelo sabia que o próprio Park não era tão hetero quanto dizia ser.

Baek Hyun nunca tinha sido radical em relação a muitas coisas, Chan Yeol era até um pouco julgador demais por isso, já que atribuía a característica de usar roupas alegres a um tipo de pessoa que parecia ser mais tolerante. Talvez seu melhor amigo se encaixasse demais nessa situação e o Park assimilasse as pessoas dessa forma em sua primeira impressão. 

Daquela vez, a notificação em seu celular não era um convite para jogo, mas CandyB queria ter um papo diferente. Já estavam se acostumando a fazer isso com certa frequência. Eram bastantes diretos, pedindo para jogar sem enrolação, ou então puxavam assuntos de forma aleatória, quando não queriam falar sobre o jogo e os flertes já aconteciam há mais de uma semana. Não necessariamente todos os dias, mas estavam se sentindo mais confortáveis com aquilo. 

Da última vez, tinha ido dormir quase três da manhã, morto de cansaço depois da melhor homenagem que tinha feito em meses para alguém. E o pior de tudo é que Chan Yeol nunca sequer havia visto a pessoa do outro lado da tela se não fosse por uma mínima foto em que mostrava parte do peito e dos ombros. Ainda tinha vez em que acordou completamente suado e duro durante a madrugada depois de um sonho estranho em que seu parceiro de jogo era Baek Hyun e ele saía do lugar ao seu lado para se ajoelhar no chão e pagar o melhor boquete de sua vida mesmo com uma boquinha meio inexperiente. Chan Yeol não sabia nem como encarar o amigo no dia seguinte, felizmente, só conversaram por mensagem. Tinha certeza que se o visse pessoalmente naquele dia, iria agir da forma mais estranha possível.

As coisas estavam lentamente saindo de seu controle e ele esperava que o rapaz com quem conversava não fosse um maníaco nem nada do tipo, isso estava vindo à sua mente com mais frequência do que gostaria. Seria uma desilusão colossal, além de um perigo gigantesco. Se tudo desse certo, quem sabe não poderiam sair qualquer dia?

Se contasse aqueles flertes, poderia voltar a dizer que estava tendo uma vida sexual ativa depois de milênios, se exagerasse mais um pouco poderia dizer que nem sabia mais o que era sexo. E tudo o que queria era que pudesse afogar o ganso com uma pessoa legal e bonita. Ele compartilhava a opinião de Baek Hyun, mas nunca tinha, de fato, percebido. 

 

“Está cansado?” CandyB

 

“Um pouco, não vou mentir. Estudei pra caralho hoje, vei.” Wuotalaifu

 

“Sei lá a vida do estudante é meio desumana” CandyB

 

“Isso é verdade. Mas vale a pena pelo canudo” Wuotalaifu

 

“Será mesmo?” CandyB

 

“Você tá falando igual meu melhor amigo. Ele diz que estudar vale a pena, mas não adianta se for algo que você faz só para se encaixar na sociedade” Wuotalaifu

 

“Eu acho exatamente a mesma coisa” CandyB

 

“Vocês se dariam bem” Wuotalaifu

 

“Ele joga?” CandyB

 

“Sim. Quer dizer, eu acho que sim.” Wuotalaifu

 

“Quem sabe a gente não pode jogar junto também qualquer hora?” CandyB

 

“Ele é meio banana para jogo, adora jogar, mas demora a pegar o jeito. E é o rei da cagada” Wuotalaifu

 

“Eu sou meio assim também.” CandyB

 

“Mas você literalmente acabou de começar, bicho, não acho que possa ser tão comparativo assim” Wuotalaifu

 

‘A gente também podia sei lá tentar chamar ele pra nossa conversa? Deu vontade de fazer isso” CandyB

 

“O flerte, você diz, né? Eu não sei se ele toparia, na verdade, eu acho que ele não reagiria bem. Mesmo ele conhecendo tudo sobre mim, essa é a única parte que me amedronta. Eu sei que ele entenderia, mas eu sinceramente ainda tenho medo disso, de as coisas ficarem estranhas e eu não quero perdê-lo. Às vezes, ele é meio quadradão” Wuotalaifu

 

“Se isso te trás experiências ruins, a gente não precisa comentar sobre” CandyB

 

“Eu acho bom porque eu não tive pessoas para conversar sobre, então, não é exatamente uma coisa ruim” Wuotalaifu

Os dois jogadores estavam experienciando naquelas conversas confortos que nunca tiveram antes. A liberdade de poder se abrir e falar sobre suas próprias inseguranças sem se sentirem julgados. Aquele assunto era algo que realmente gostaria de comentar com Baek Hyun. Nem que fosse falar que estava conhecendo uma pessoa nova e que se sentia muito confortável com ela, mas não sabia como abordar o tópico sem se entregar completamente.

Quando viu, já estava procurando o contato de Baek Hyun para ligar para o amigo e fazer algo que não faziam há muito tempo. Não era um problema se fizessem visitas um para o outro no fim da quarentena, certo? Poderia não ser um churrasco com toda a turma, mas dois era melhor que um e foi pensando nisso que iniciou a chamada.

 

“Baek?”

 

“Fala, vei, aconteceu alguma coisa? Tá meio tarde.”

 

“Tava pensando, quer vir pra cá fim de semana? A gente pode inaugurar o fim da quarentena com churrasco”

 

“Topo demais. Que horas?”

 

“Eu passo aí na sua casa meio dia e a gente vai andando”

 

“Chan Yeol, seu pai mora no cu de judas, Chan Yeol, se for pra andar eu vou de uber”

 

“A gente vai pela sombra”

 

“Até parece que eu caio nesse papo furado seu, seu merda”

 

“Esteja pronto, eu te aviso”

E foi dessa forma que lá estava Baek Hyun com sua blusa rosa pastel, calça azul bebê e tênis branco, além de um chapéu marrom porque não havia outro no guarda-roupa que o impedisse de se atrasar. Estava com uma mochila de roupas também porque sua única certeza aquele dia era que iria dormir na casa de Chan Yeol, então era bom que estivesse preparado se não quisesse entrar em uma das roupas quentes do Park a noite.

O referido vinha logo atrás, praticamente colado em suas costas e observando a paisagem enquanto caminhava com calma. Eles de fato estavam indo a pé e embora não fosse tão longe, mas era uma boa caminhada, daquelas que gostavam de fazer no outono ou na primavera quando o dia era frio ou o sol não queimava seus rostos, como era o caso. Não era isso que preocupava Baek Hyun no momento, o que mais atormentava os pensamentos do outro garoto era a carne que comeria em pouco tempo. Seu estômago se agitava só de pensar e Chan era um bom churrasqueiro.

Ficaria na piscina bebendo cerveja, ouvindo música, comendo carne e jogando conversa fora até não aguentar ou algum vizinho reclamar, era o sábado perfeito. De repente, seus pensamentos foram interrompidos pelo amigo, que parecia meio hesitante. Ele sabia quando Chan queria falar algo, mas estava com vergonha ou com medo.

— Desembucha. Não sou obrigado a aguentar essa sua cara de otário. 

— Eu queria te contar um negócio aí.

— Fala, ué, a gente nunca teve disso, Chan Yeol.

— Eu conheci uma pessoa legal pela internet. Sei lá, parecemos meio almas gêmeas.

— Isso foi tão gay, cara, mas paixão é isso, deixa a gente boiola.

— Eu não tô apaixonado, só empolgado por conhecer alguém novo e tão parecido. 

— Crush de amizade, normal. 

— Que seja, mas depois te mostro pra você ver. Não tem foto, mas você vai ver que é igualzinho seu jeito.

— Você acabou de dizer que tem crush de amizade em mim, Chan Yeol.

— Não, né, seu besta, eu já sou seu amigo.

— Não me convenceu.

— E eu com isso, Baek Hyun?

E foi assim que eles passaram o caminho inteiro debochando um do outro.

    ~

Depois de alguns meses, Baek Hyun finalmente entrava na casa de Chan Yeol. Decidiram de última hora que o menor poderia dormir ali, já que o Sr. Park tinha saído para resolver algumas pendências com a ex-esposa. Com a quarentena mal tinham saído de casa e isso significava até mesmo interrupção de seus encontros semanais do antigo clube do gibi.

Era bem maior que o ovo em que vivia sozinho. Era uma típica casa de família em que vivia o melhor amigo e o pai, e a mãe de Chan Yeol das vezes em que ela resolvia ficar lá, o que não era o caso naquele dia e o futuro arquivista tinha feito o favor de checar por mensagem.

O pé direito não era muito alto, o que dava uma impressão de aconchego. Tudo era muito organizado e bonito, como se tivesse sido escolhido e limpo a dedo para estar ali. Existia uma diversidade de tons distribuídos pelos cômodos, todos eles eram sóbrios, contrastando com a vivacidade de cores da decoração. As camas eram recobertas com cobertores brancos, em contraste com as paredes escuras. 

O quarto de Chan tinha paredes vinho e todo o resto era de um cinza puxado para o marrom. Desde a escrivaninha desde o jogo de lençol e as toalhas. Sua cama também era muito macia e Baek Hyun atestou isso ao se jogar de costas e praticamente quicar algumas vezes.

Era bom sair de seu cubículo às vezes e especialmente se fosse para ficar com alguém tão importante quanto Chan. O maior saiu do quarto deixando tudo no mais puro silêncio e o mais velho amava aquele ambiente em que não havia barulhos, estava deitado confortavelmente em algo macio e o cheiro do aromatizador se espalhava pelo quarto se misturando com cheiro de amaciante da colcha. Era uma das coisas que Baek Hyun definia como perfeição. 

A calmaria não durou muito porque logo Chan Yeol entrou no quarto com bermudas nas mãos e algumas toalhas. 

 

— Tá pronto, Baek Hyun? — perguntou animado com um sorriso enorme. 

— Pronto pra que, véi?

— Pra ficar na piscina até a pele enrugar. 

— Só se for agora. — O menor se levantou rápido já tirando a roupa que vestia para colocar a sunga jogada pelo amigo. 

Baek Hyun estava tão aéreo e animado que nem notou o embaraço de Chan Yeol por vê-lo nu depois de muitos anos. Era embaraço misturado com admiração. O Park não via o corpo do colega daquela forma literalmente desde o ensino médio, quando o Byun ainda era um adolescente mirradinho e não aquele homem bem feito que estava a sua frente. 

Os ombros largos, as coxas torneadas, a barriguinha magra mas com alguns pontos muito apertáveis, a bunda bonita, as pernas com alguma penugem assim como sua intimidade, o peito, diferente do resto do corpo não tinha pelo algum. Baek Hyun era bonito de uma forma que Chan Yeol não estava sabendo lidar e justamente por isso olhava tanto. Queria gravar os detalhes porque sabia que provavelmente nunca mais veria um corpo tão bonito em tantos detalhes.

 

— Tá olhando o que? Quer me comer? Ou melhor, quer ser comido? — Baek Hyun cutucou com um tom brincalhão, mas as orelhas e a face coradas do mais alto entregavam que talvez não estivesse brincando tanto assim. Estava completamente desconcertado.

— Tá louco? Dá uma sugada aqui na cabeça da minha rola, porra.

— Tá nervoso por que, Park? É muita areia pro seu caminhão?

— Você não diria isso se provasse.

— Você quer que eu te prove? — O mais velho retrucou já dando risada da situação. Chan Yeol estava sério demais. 

— Eu quero uma cerveja gelada e nadar na minha piscina, anda logo, Byun.

 

Baek Hyun terminou de se arrumar e Chan Yeol o esperou para que seguissem para a piscina. O chão gelado debaixo de seus pés o fazia arrepiar inteiro e era divertida a sensação de correr pela casa mais uma vez, como já tinha feito milhares de vezes. 

Do lado de fora, o Sol agraciava o dia forte e quente, perfeito para um banho de piscina. Chan Yeol aproveitou que estava na área de serviço e depois de deixar as coisas nas cadeiras espalhadas pelo quintal, foi pegar o que tinha separado para fazer um churrasco. Tinham comprado carne, vegetais, queijos, pão de alho, o arroz tinha sobrado do dia anterior. Estava contente de poder fazerem uma refeição como não faziam desde o início do isolamento social. Eram só os dois ali, mas isso era mais que suficiente e ele sentia falta de poder passar um tempo com o Byun que não fosse só jogando. 

Baek Hyun entrou na água primeiro. Estava fria, mas ele sabia que se fosse esperar para entrar não entraria nunca e justo por isso pulou na piscina ao invés de entrar pela escada. Chan Yeol também trouxe para a área algumas garrafas com água com gás, refrigerante e bebidas aleatórias para que pudessem curtir um pouco mais. Além daquilo tudo, a música já estava rolando na caixa de som o mais velho, que havia trazido de casa. Estavam em uma legítima festa de duas pessoas e aquele era o ambiente mais confortável em que podiam pensar em estar. Amavam o ambiente doméstico e como podiam se divertir sozinhos daquela forma. 

Tinham amigos fora dali, é claro, tanto da faculdade quanto do estágio, mas nenhum deles era tão próximo dos dois quanto eles mesmos. Se tinha Chan Yeol, tinha Baek Hyun porque eles eram pague um leve outro. Era interessante como se consideravam bro's inseparáveis. Como eram parceria fechada, “tmj p tudo mlk”, mexeu com um apanhou do outro. E não foram poucas as vezes que se meteram em confusão. 

Baek Hyun como quase estrela do time de basquete, era amado por muitos e também odiado por outros então apesar de conversar com todo mundo de forma amigável, não eram todas as pessoas que gostavam de si e de sua facilidade para fazer amizade. E não havia uma desculpa como homofobia, somente o fato de ter uma posição de destaque no colégio era o suficiente para ter rumores. 

Chan Yeol sempre esteve com Baek Hyun nesses momentos. Desde quando estavam no auge do campeonato até o ano em que perderam na semifinal e não levaram o troféu anual para casa. Também estava com ele em todas as festas dadas por Zhong Chenle, o calouro animado que gostava de dar festas em quase todo final de semana.

Não podiam esquecer da vez em que Chan Yeol ficou preso no telhado porque queria ver as estrelas depois de cinco latinhas de cerveja, mas acabou sendo resgatado pelo caminhão de bombeiros depois de ficar com medo de sair de lá e chorando feito um bebê. Quem o levou para casa, naquele dia, foi Baek Hyun e o ajudou a tomar banho para que tirasse aquele porre todo. Dormiram os dois no chão da sala porque Baek Hyun estava igualmente podre, ele só não tinha subido no telhado junto porque não tinha mais forças.

Também teve a vez em que Baek Hyun bebeu todas em uma festa de outro estrangeiro calouro e terminou a noite com um total de sete foras e três bocas beijadas (ou desentupidas, fica a critério). E ele só tinha tomado foras por ter pedido para ficar com as garotas ao mesmo tempo e na frente de todas elas, o que também resultou em uma camiseta molhada de mé, um chute no saco e dois tapas na cara um de cada lado. Naquela noite, Baek Hyun também tomou todas e foi Chan Yeol quem limpou vômito dos dois no banheiro dos Park.

O que acontecia ali eram pequenas demonstrações de afeto, de um modo que eles se sentiam próximos a cada acontecimento ainda que não percebessem de cara. Era só amizade e continuaria sendo, ainda que agora, depois de adultos, tivessem começado a reparar um no corpo do outro. Já tinham passado por muitas situações e visto diversos corpos de mulheres e tinham visto os seus próprios também, mas nunca haviam parado para prestar atenção como estavam fazendo por aqueles dias e até mesmo pouco tempo antes de entrar na piscina.   

Aquilo poderia ser considerado um divisor de águas. Eles não estavam apaixonados, nem nunca estiveram. Assim como se pudessem palpitar, provavelmente nunca estariam. Eles só estavam se sentindo atraídos e não havia mistério nisso, a não ser de como lidar com essa atração sendo que sempre pagaram de héteros a vida toda um para o outro. 

Baek Hyun, se perguntado porquê olhava as costas de Chan Yeol de uma forma tão hipnotizada enquanto ele assava a carne, não sabia responder. Era uma atividade como qualquer outra, embora o Park parecesse meio atrapalhado tentando um churrasco meio brasileiro, mas ele parecia tão bonito fazendo aquilo de bermuda, com os cabelos molhados para trás e com o rosto completamente coberto de protetor solar. 

O que ele não sabia era que Chan Yeol estava atrapalhado e sem foco porque preferia ficar secando o as curvas do amigo do que prestar atenção na comida que estava fazendo. Em um momento em que a música já tocava alta para os vizinhos, a carne estava no caminho de ficar pronta e eles estavam apenas de bobeira sentindo o sol bater em seus corpos, seus olhares se cruzaram e eles mantiveram o contato por mais tempo do que de costume. 

Como um flerte silencioso.

Mas eles não sabiam exatamente o que aquela encarada significava, só que sentiram seus corpos reagindo àquilo como se fosse uma provocação mútua.

~

Depois do lanche era como se fosse hora de descanso, então não era um problema que ficassem em silêncio, só aproveitando a companhia um do outro. Não era estranho, eles apenas se sentiam confortáveis em silêncio também, não precisavam tagarelar o tempo todo, ainda que amassem fazer isso. 

Estavam os dois deitados na cama de Chan Yeol, mexendo em seus próprios celulares. E, como de praxe, das últimas semanas, não estavam jogando e, sim, no chat do jogo falando com quem tirava o sono e fôlego dos dois há algum tempo. 

As risadinhas ecoavam baixas no quarto. Eles estavam realmente concentrados em seus aparelhos, ao ponto de quase esquecer que estavam compartilhando o ambiente.

 

“Hoje eu vim para a casa de um amigo. Finalmente uma festinha depois de meses de quarentena” CandyB

 

Nossa, tudo o que eu queria. Eu só curti piscina tranquilo mesmo” Wuotalaifu

 

“Também estava na piscina” CandyB

 

“Você já pensou em transar na piscina?”Wuotalaifu

“Ou na água, da na mesma” Wuotalaifu

 

“Eu já fiz uma vez, no ensino médio, em uma festa de um amigo meu”

“Foi insano de bom, mas depois também nunca mais, acho que a garota tava com vontade na hora e curtiu, mas o aftermath foi meio ruim pra ela porque entra água em tudo”  CandyB

 

“Eu ainda tenho vontade, pode ser só uma masturbação, eu já tô satisfeito” Wuotalaifu

 

“Eu não me importaria de te chupar embaixo d’água” CandyB

 

“Tu anda bem ousado”

“Eu gosto”

“Não que esteja reclamando, só percebi que vc tá mais solto” Wuotalaifu

 

“Eu me sinto assim também” CandyB

 

“Deixa eu perguntar um negócio” Wuotalaifu

 

“Manda, broh” CandyB

 

“A gente já tá há bastante tempo se falando, né?”

“Eu não sei se você vai concordar, e se for o caso fica de boa, fica só de ideia msm” Wuotalaifu

 

“Você quer meu número pessoal?” CandyB

 

“Como você sabe? KKKKKK” Wuotalaifu

 

“Porque eu quero o seu” CandyB

 

“Acho que tá na hora, né?”

“Lá dá pra mandar mais fotos e dá pra mandar áudio” Wuotalaifu

 

“Dá pra fazer chamada de vídeo também. Quer dizer, se você quiser ver minha cara feia?” CandyB

 

“A minha também não é das melhores”

“Mas vamos tentar. Bom que a gente pode comentar de jogo também sem notificação pra encher o saco” Wuotalaifu

 

“Pois é, véi”

“Nossa, eu odeio essa merda”

“Peraí vou mandar link” CandyB

[CandyB mandou um link] 

 

Baek Hyun tinha muita experiência com flerte porque já havia feito aquilo várias vezes com várias garotas e mesmo que os aspectos comportamentais de um garoto fossem diferentes, depois de se acostumar, ele se sentia confortável e era só alegria e sucessagem. 

Mas nada estava o preparando para o momento seguinte em que Wuotalaifu respondeu que já estava entrando no link. O rapaz entrou no app, já mandando um singelo “Oi” antes de tudo carregar, então não conseguia ver a tela completa e só o que tinha mandado. 

Ouviu o barulho do baque surdo do telefone caindo no tapete e olhou para o colega de quarto da noite, petrificado, quase sem cor no rosto, as mãos gelando no mesmo momento. Os olhos já grandes abertos de um modo completamente assustado, como se tivesse visto uma assombração e Baek Hyun ao menos conseguia sustentar o olhar, sabendo exatamente com quem estava falando. 

Era informação demais pra pouco tempo. Ele tinha acabado de descobrir que seu melhor amigo de anos, seu irmão de criação, seu parceiro de todas as horas era exatamente o mesmo cara que vinha flertando anonimamente por mais de um mês e futuro candidato a melhor amigo virtual.

Mas Chan Yeol poderia tomar um posto que já era seu? 

Os dois continuaram em silêncio durante alguns segundos, tentando digerir aquela merda toda sendo jogada no ventilador, mas não havia palavras, só um olhar preocupado e outro perdido. Nenhum dos dois fazia ideia de como nunca tinham desconfiado porque eles agiam como na vida real. 

Pela primeira vez, o Park fechou os olhos em descrença e ansiedade, tentando incansavelmente pensar em algo para falar que não assustasse Baek Hyun, a postura do amigo agora sentado na cama estava indecifrável e, por um segundo, Chan Yeol considerou que aquela amizade havia acabado. No exato segundo seguinte, a resposta veio quase automática e inconsciente: se existia algo que ele não podia perder era o carinho, o respeito e a amizade do moreno ao seu lado. 

Por instinto falou a primeira coisa que veio a cabeça, sem sequer conseguir formular algum começo de conversa decente, mas o que saiu foi muito mais primitivo e instintivo do que estava calculando. Ele só queria que Baek continuasse ali consigo.

— Baek Hyun… — disse baixo.

Mas aquilo só fez o mais velho se levantar com pressa e pegar suas coisas sem nem prestar atenção no que fazia, saindo do quarto correndo, deixando ao Park somente o barulho da porta da frente batendo com força. 

Chan Yeol tinha visto de relance os cantinhos da boca bonita curvados para baixo, ou seja, além de puto, triste e irritado, ele também estava decepcionado. E Chan Yeol não estava nem um pouco diferente. Mas além de tudo estava muito surpreso. Ele nunca sequer pensou que o mulherengo Baek Hyun também pudesse ou gostasse de se envolver com rapazes e isso não era nenhum pouco ruim.

Passou as mãos pelos cabelos de forma nervosa e suspirou frustrado relembrando da cena patética que tinha acabado de acontecer. Deixaria para ligar ou mandar mensagem mais tarde porque ele sabia exatamente que Baek Hyun era uma pequena fera e não era para se cutucar com vara curta. 

E enquanto ficasse ali ele podia pensar em algo para tentar resolver o tamanho da merda em que tinham se metido.

 


Notas Finais


yey
o próximo é o último capítulo, eu espero não esquecer porque estou no meio da matéria do tcc e nem comecei a escrever, então eu to só o desespero
obrigada quem chegou até aqui hehehe nos vemos na próxima
preparem a caipirinha que vem limonada por aí


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