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História Gemütlichkeit - Capítulo 2


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Notas do Autor


se não for para sumir por meses e atualizar no meio da madrugada eu não quero skdjdkdkd mas JURO que dessa vez além da correria da faculdade e trabalho, tive mais um fator: o projeto ituño, que consumiu todo meu tempo. p quem não viu, foi um vídeo LINDO de aniversário p a itzi que eu ajudei a organizar (https://www.instagram.com/p/CBjaRu6lWfU/), vão la assistir, duvido que se arrependerão
bom, gemütlichkeit era p ser apenas uma one mas eu tenho várias que escrevi p meu squad landara e como a primeira foi mt bem aceita, estou fazendo um experimento p ver se devo postar as outras. se der ruim eu excluo e finjo que nada aconteceu ok
bora ler

Capítulo 2 - Mono Rojo


Ao landara.

 

Após ser recepcionada pelos assaltantes, muito bem diga-se de passagem, ao entrar no Banco Nacional da Espanha, Raquel foi imediatamente tirar aquele disfarce de policial que era totalmente inadequado para um dia tão quente. Por mais que soubesse de cor e salteado a planta do prédio, não pôde deixar de se impressionar durante o caminho até o banheiro – onde ficavam os monos rojos – porque era real até demais que ela realmente conseguira se livrar da polícia e deu um sorriso sacana ao imaginar a reação de Alicia e Tamayo. Ao chegar, antes mesmo de procurar por um que lhe servisse, já tirou as pesadas roupas pretas que já principiavam a sufocar-lhe e, ficando apenas de calcinha e sutiã, deu passos mecânicos em direção aos uniformes vermelhos porém algo a paralisou no meio do caminho. Quiçá o vermelho vivo que somado àquele calor agoniante a fazia sentir o próprio suor seco no corpo. Se retorceu, sentindo cada ossinho estralando. Puta merda ela estava o pó do pó. Foi em direção ao espelho e reparou bem nas olheiras, na pele cansada, no cabelo seboso. Alícia desgraçada, nem para passar um mísero shampoo a seco. 

Sabia que a partir do momento que cruzasse aquela porta vestida de Dalí, não teria um momento de paz – conseguia escutar o Sergio falando: descanso só o eterno. E por mais que estivesse cansada não precisou raciocinar muito para concluir que aquela banheira a sua frente era tudo o que precisava. Olhou para o relógio que havia recebido junto com o rádio e marcou exatos 10 minutos. 

10 minutos para ela incorporar a Lisboa até o fim.

O fim.

Fosse um reencontro com Sergio, fosse com a morte.

Nos dois casos, um caminho sem volta.

Foi deixando a lingerie cair no chão. Ligando a torneira, pegando o shampoo, condicionador, sabonete, toalha, tudo que estava à disposição para ser usado.

Por dez minutos sua única preocupação era se sentir tão limpa a ponto de poder voar de tão leve.

E vendo a vida a cobrando impaciente se seria preciso acorrentá-la para que ela seguisse seu destino, levantou-se, secou-se e começou a procurar entre os vários macacões um de tamanho P e foi quando bufou frustrada: nenhum, nenhunzinho. Olhou para os pés descalços e procurou um par de botas 36 e mesmo resultado: nada. Que merda, pensou, todas as mulheres – com uma dorzinha aguda no peito lembrou de Nairóbi – eram bem mais altas que ela, mesma coisa para os homens que também estavam bem longe de possuir o corpo magro de Lisboa.

Não querendo perder muito tempo com isso, utilizou seu rádio para entrar em contato com alguma mulher. Resultou que Tóquio estava com Estocolmo no térreo e uma das duas já viria ajudá-la. Em poucos minutos alguém batia na porta. 

– Ulála! – Exclamou surpresa Tóquio ao chegar e vê-la coberta apenas com uma toalha – agora entendo por que o professor ameaçou me tirar do assalto caso eu interrompesse vocês dois de novo.

Raquel respirou fundo e ignorou, por mais que já não se incomodasse com este comportamento, sabia que Silene é o tipo de pessoa que se precisa impor limites a cada cinco minutos.  

– Tóquio, aqui não estão todos – apontou para o vestuário – eu mesma verifiquei e não há os que compramos para mim.

– Então não sei – respondeu sincera – não fui a responsável por colocá-los aí.

– Fui eu – disse Estocolmo ao chegar apressada – Lisboa, esqueci de falar, não sei por que, mas os teus estão a parte em uma maleta.

– E onde está?

– No terceiro cômodo à direita neste corredor, quer que eu busque?

– Não, não, vou lá. Obrigada – colocou apenas uma das peças do uniforme policial para não andar seminua no corredor e saiu.  

Como era perto, em um instante já estava no lugar, trancou a porta para poder se trocar em paz. A maleta, prateada e grande, estava em cima de uma mesa, para sua surpresa, precisava de senha. Mecanicamente colocou a data de aniversário de Andres, ele já tivera tantos documentos falsos que era praticamente impossível alguém saber o dia correto, por isso o namorado geralmente a escolhia, mas não era.  Não muito surpresa, colocou quando ocorreu a Queda de Constantinopla, data histórica favorita de Sergio e senha de todas as plataformas de stream do casal. Porém, tampouco estava correta. Ok, ela hesitou por alguns segundos. Ele só colocaria uma data que com certeza ela saberia, mas então...? Como o calor recomeçava a lhe incomodar, voltou a estar apenas com as peças íntimas, pegou a mala e se sentou no sofá. E por mais fosse possível até escutar os assaltantes do lado de fora, uma parte sua ainda estava na carpa, com a Alicia, sinceramente nunca cogitou que pudessem se reencontrar e era inevitável relembrar todos os diálogos, riu gostoso, a amiga geralmente acertava sobre seus relacionamentos, mas desta vez, não poderia estar mais errada. Só ela sabia como o Sergio era carinhoso e romântico do seu jeito... Romântico. O pensamento fez as engrenagens de seu cérebro funcionarem a todo vapor, pensou em todas as datas especiais para os dois e podia escutá-lo dizer “comece sempre pelo começo” toda vez que ela pegava um papel e sua mente parecia se esquecer de todas as orientações para transformar aquilo em um origami.

23 de outubro. 

Bingo.

Abriu e lá estava a quantidade necessária de macacões para passar vários dias, além de dois pares de bota, mas o que a surpreendeu foi a presença de um celular. O ligou e com exceção de um contato apenas, não havia outra coisa a se vasculhar. A última vez que conversaram foi com a falsa execução e não falariam as coisas que gostariam sem total privacidade. Foi com grande ansiedade que ligou. Estava cansada, deitou-se no sofá enquanto aguardava. Olhando aquela maleta diante de si, foi impossível não ficar nostálgica.  

– Quanto?

Sergio lhe perguntou ao vê-la segurando seu pulso para poder verificar o horário no relógio do namorado. Dormiram super tarde devido ao Plano Paris, por sorte hoje apenas tinham aulas de tarde e poderiam ficar deitados até tarde. Como fazia um pouco de frio pela manhã e os dois juntos vestiam um total de zero roupas, Raquel estava deitada sobre seu peito, e o abraçava forte para se esquentar. A coberta alcançava até seu pescoço, impedindo que se percebesse que com um braço ele a segurava em si pela cintura enquanto com o outro passeava suas mãos no corpo de Raquel a fim de esquentá-la. Começava no joelho, subindo pelas coxas, até chegar em seu rosto, onde fazia uns carinhos delicados e recomeçava a trilhar aquele caminho que ele poderia se aventurar até de olhos fechados de tão bem que conhecia. Ficavam desse modo conversando, coisas sérias, coisas banais, trocando beijinhos, risadas, mais beijinhos...

– Exatos cinco minutos – ela respondeu fazendo beicinho, estava há quase duas horas o convencendo de permanecer deitados, mas ambos já estavam começando a sentir fome e estipularam que sairiam da cama exatamente às 10.

Ela soltou seu pulso e ele voltou a esquentá-la. Era impressionante como Raquel era gelada. Seus pés, suas mãos e a ponta do nariz faltavam congelar de tão frios. Na época de inverno em Palawan, Sergio permanecia por longos minutos a abraçando na posição de conchinha até que ela estivesse aquecida porque ele, em contrapartida, vivia quente. Talvez fosse o costume de sempre vestir roupas sociais, sobretudo o terno. Sua mão era tão grande que quando chegou no destino final, o rosto dela, o cobria praticamente por inteiro e se aproveitou disso para segurá-lo até trazê-lo em um beijo, quente e lento. Ela ficava ainda mais linda sob aquela luz diurna, sua pele que já era macia parecia brilhar, ele a conduziu até deixá-la totalmente em cima de si e aprofundou o beijo. O encontro das línguas a fez se remexer de prazer. Colocou as duas mãos em sua nuca, com os dedos emaranhados em seu cabelo que caia nos ombros para mantê-la parada e poder explorar cada canto de sua boca com a língua como bem entendesse. Raquel que não estava nem um pouco interessada em protestar com esse cativeiro, com os braços livres passeou a lateral do corpo do namorado, o segurando pelo quadril para poder se apoiar e o socorro.... estavam tão pertos, mas tão pertos para se encaixar. Ele percebeu o que se passava em seus pensamentos e levou uma mão a sua bunda, dando um aperto generoso e a mantendo ali. Ela entendeu o recado. Não era para sair daquela posição. Tiveram que interromper o beijo para respirar, mas se Raquel já principiava a rebolar levemente em cima de Sergio, ele não estava muito diferente, ainda que os pulmões reclamassem por ar, tamanho era seu desejo que começou a roçar seus lábios no pescoço de Raquel enquanto tentava recuperar o fôlego.

– E se arredondássemos cinco para trinta minutos? – Ela sussurrou baixinho ao sentir sua barba lhe arrepiando.

– Arredondar só faz sentido quando temos algarismos insignificantes em um núme – sentiu a mão dela o conduzindo para sua entrada. Foi impossível não arfar – pode...podemos sim.

(....)

Enquanto Raquel começava a colocar as peças íntimas, Sergio sorriu ao olhar para seu relógio e perceber que não respeitaram sequer o limite de meia hora. Ele já estava com as calças, apesar de descalço e sem camiseta. Sua namorada olhava as milhares de peças decidindo qual colocar e ele sabia, sabia que precisava ter essa conversa hoje. Durante a semana os dois estavam muito ocupados com as aulas, aos sábados praticavam exercícios e revisavam o plano e aos domingos, bom, o maior desafio era conseguir sair da cama como hoje. Postergava, postergava, mas já começava a incomodar. Raquel já percebia que ele gostaria de lhe dizer alguma coisa, mas se há algo desde que ela foi encontrá-lo em Filipinas que já tinha reparado, é na existência inúmeras coisas que ele parecia ter que criar coragem para falar, então nada de novo.

– Cariño, lá fora deve estar abafado né, você acha essa jaqueta muito quente?  

Ele se sentou na beira da cama e a chamou, indicando para ela fazer o mesmo.  

– Cariño, precisamos conversar – arrumou os óculos sem precisão, sinal de que estava um pouco nervoso –, há mais coisas sobre o Plano Paris.

– Bom e julgar pela tua cara eu não irei gostar.

Ele ficou longos segundos encarando o chão, como que tentando encontrar as palavras certas e falhando miseravelmente. Levantou-se e vestiu a primeira camiseta que encontrou. Repetiu mesmo procedimento para os sapatos. Raquel sabia o que aquilo significava. Quem conversava seminu era o Sergio, o professor precisava de sua armadura. O imitou e terminou de se vestir, pronto, agora era a Lisboa. Poderiam conversar (leia-se discutir).

– Talvez aconteça de nos separarmos durante os planos devido aos imprevistos. São nesses momentos que um de nós poderá ser pego por estarmos desprotegidos. Ok, sem pânico, basta seguirmos o que falamos e seremos resgatados. Raquel, apenas aceito que essa seja a situação possível. Eu preciso – respirou fundo e repetiu – eu preciso que você prometa que se estarmos juntos, você dará um jeito de fugir ou se a polícia te oferecer a possibilidade de me entregar caso estivermos separados, você tem que aceitar.

– Sergio!

– Raquel, eu não posso ir a um assalto sem ter a certeza disso. É como ter um calcanhar de Aquiles sabendo que você pode deixar de fazer a coisa mais inteligente pelo plano por opções pessoais. Não podemos misturar sentimentos com os planos, caso contrário não dará certo.

– Ótimo então, professor, me prometa então que você não fará uma loucura como se entregar caso eu seja capturada e eu prometo a mesma coisa.

Ele ficou em silêncio fervendo de ódio por ser contrariado.  

– Ande, professor, por que você não promete? Por favor, seja racional, mostre que você não é um sentimental que nem eu!

Silêncio. Mal podiam se encarar. Ele se martirizava irritado por ter insinuado que ela poderia ser uma brecha no plano. Ela sabia que lá no fundo Sergio só queria protegê-la a seu modo, mas era muito injusto pedi-la algo impossível, que nem mesmo ele poderia prometer e ainda culpá-la por colocar motivos pessoais acima do plano sendo que literalmente todos os assaltantes possuíam suas próprias motivações para estar naquele mosteiro. Abaixou um pouco a guarda, ela era testemunha de como o namorado passava horas em claro tornar um plano cheio de pontas soltas em perfeito e como a perspectiva de perdê-la o assustava.

– Não faz sentido cobrarmos coisas que não podemos cumprir – resmungou baixinho.  

Ele respirou fundo e voltou a encará-la. Não havia raiva, orgulho ferido ou qualquer sentimento similar, apenas tristeza e ressignificação. Não estava surpreso com sua resposta.

– Não estaria em paz se não tentasse ao menos te convencer, Raquel.

Ela segurou suas mãos. Respondeu com a voz também melancólica:

– Eu sei, mas você precisa respeitar as decisões que eu tiver.

Ela abaixou a cabeça, mas concordou, ainda que com um nó na garganta.

– Raquel, você confia de que farei o impossível para tirá-los do Banco, sã e salvos?

– Sergio? Que pergunta, é claro!

– Então isso eu preciso que você me prometa. Caso contrário eu não terei condições de iniciar um plano que por si só já é suicida – ela o escutava atenta – se acontecer alguma coisa com um de nós dois, significa que já não é tão seguro o lado aqui de fora. É difícil locomover-se de um esconderijo para outro e durante esse tempo muita coisa pode acontecer no Banco. Então, eu imploro que se você for pega pela polícia, ao te resgatar não é inteligente que voltemos para comandar o assalto juntos. Você sabe que as chances de nos encontrarem novamente são grandes.

Ela sabia que ele estava certo. Ser pego desestabiliza, a pessoa começa a deixar rastros e a polícia fareja erros. Bastava lembrar como foi apenas questão de tempo para encontrá-lo de novo e de novo depois que descobriu a real identidade do Sergio durante o primeiro assalto.

– E por isso eu quero te colocar dentro do Banco, Raquel.

Ela paralisou. Desde o começo ficou claro de que não era apenas por amor, ela tinha seus motivos para querer fazer justiça ao sistema e se comportava como todos os assaltantes, sem regalias ou privilégios, ainda que os anos sendo policial lhe proporcionasse muito mais experiência em determinados assuntos. O plano era intelectualmente inferior ao anterior, fazia mais sentido que ela ficasse comandando ao lado de fora porque o próprio professor teria dificuldades em fazê-lo sozinho devido ao escasso tempo de preparação. Era uma mulher de ação, é verdade, mas desde que percebeu que não a convenceria de permanecer em Palawan, Sergio abraçou a ideia de mantê-la próxima de si, como se pudesse protegê-la debaixo de suas asas. Por isso que pronunciar aquelas palavras lhe exigia um esforço tremendo.

– Você já deixou bem claro que não abandonará o plano sob nenhuma hipótese. Então quando te tirar da polícia, a colocarei no lugar mais seguro possível e acredito ser o Banco.

Foi a sua vez de encarar o chão. Realmente não esperava por aquilo. O sentiu a segurando pelo maxilar e a virando lentamente para ele.

– Quero o mais seguro para você. Ainda que seja longe de mim.

Raquel se aproximou lentamente de seu rosto e encostou suas testas. Fechando os olhos e pensando como aquilo afetaria sua vida se viesse a se concretizar.

– Sejamos francos, Raquel, dependendo do dia de assalto eles já podem estar cansados e desanimados, talvez até desacreditados. A tua presença poderá ajudá-los a ter mais ânimo e nunca é demais alguém lá dentro ajudando com os reféns, o ouro, a manter a ordem...

Ele sabia que Raquel não era medrosa ou algo do tipo. O professor tinha consciência de que a Lisboa era alguém racional e compreendia a necessidade de tudo aquilo. Qualquer assaltante aceitaria como apenas mais uma ordem, entretanto, quem conversava eram Sergio e Raquel, com ele tentando demonstrar como lhe doía profundamente a perspectiva se afastar dela, como tinha medo de que algo ruim lhe acontecesse. Raquel que também tinha os mesmos receios, o acariciou no rosto enquanto ele tentava continuava tentar disfarçar o quão triste estava com a situação:

– Você sabe como será difícil tirá-los de lá. Não posso me dar ao luxo de cometer um erro, por mais idiota que seja. Se algo acontecer conosco, não poderemos focar em salvá-los se estivermos muito ocupados tentando nos proteger e prontos a fazer qualquer ato heroico pelo outro a qualquer momento. Teríamos muito sangue em nossas mãos. Não podemos prometer que não iremos fazer um ato de loucura se algum imprevisto acontecer, mas podemos prometer que evitaremos as circunstâncias que levariam a repetir esse ato de imprudência. Então, eu prometo que, se for eu o capturado, você decidirá aonde me alocar. Se julgar que minha contribuição física será mais importante que a intelectual, me coloque dentro do Banco.

No fundo, os dois sabiam que se ela estivesse junto dos assaltantes, mesmo se o Sergio tivesse que mover montanhas, ele daria um jeito de salvá-los.

Não havia outra coisa a se dizer.

– Eu prometo que, se for capturada, você decidirá aonde me alocar. Se julgar que minha contribuição física será mais importante que a intelectual, me coloque dentro do Banco.

A repetição de suas falas fez os dois rirem e quebrar um pouco o mal estar instaurado.

– E há outra coisa.... – ela fez cara de descontente, achando que já tinham encerrado o assunto –, não é nada demais, mas se você entrar no Banco e o Palermo tiver que ser punido, o que há no mínimo 99,99% chances de acontecer, já que ele é mais instável que o Berlim, você assume o comando do assalto.

Raquel riu alto.

– Mas o coloque em algum cargo de liderança logo após você, para que ele aceite de bom grado a punição. É algo que já conversamos e, assim com o Berlim, ele entende que não pode falhar como líder e sofrerá as consequências caso contrário.

– Nairóbi que vai amar se isso acontecer. Ela que sempre quis o matriarcado.

Os dois sorriram largo. Sergio estava tão aliviado de finalmente terem conversado sobre. Ela percebeu que ele estava com os ombros mais relaxados, fisionomia também.  

– Você guardou isso por bastante tempo, hein – ele concordou com a cabeça –, há algum motivo especial para ter falado logo hoje?

– Bom, especial não, mas os uniformes chegaram ontem e confesso que isso me deixou mais ansioso.

– Ontem? E por que você não distribuiu a eles?

– Porque chegaram junto aqueles revólveres que você comprou e gostaria de verificar antes se estão conforme queríamos. Pensei em fazer tudo de uma vez.  

Realmente. Comprar as coisas no mercado negro ou com nomes falsos impediam que simplesmente colocassem no correio para devolver. Sergio verificava pessoalmente praticamente tudo, sobretudo por ser perfeccionista e se assegurar de que atendia às expectativas.  

Finalmente saíram do quarto, com direito a ouvir certas piadinhas no corredor. Raquel disse enquanto ria:

– Aonde você estava com a cabeça ao ameaçar a Tóquio de expulsá-la caso nos interrompesse novamente? Agora eles achavam que só sabemos transar e dar aulas.

Ele corou, mas riu junto, envergonhado.

– Eles vão esquecer, fique tranquila.

Comeram e depois foram verificar os revólveres. Estavam em uma das salas do mosteiro junto com várias outras tralhas, entre elas as caixas com os monos rojos. Com as armas estava tudo ok e Raquel não se aguentava de curiosidade, começou a procurar pelo seu macacão. Eles compraram vários para cada pessoa justamente por banho não ser regra e sim exceção, para não os deixar incômodos com o próprio suor. Botas alguns pares caso acontecesse algum imprevisto. Não foi difícil encontrar o seu. O único P de todos aqueles. Sergio, correspondendo ao entusiasmo da namorada, começou a procurar pelo seu também, para o espanto de Raquel, não que duvidasse que ele não cumpriria com sua palavra de ir ao Banco caso ela fosse sua decisão, mas porque jamais o imaginou vestido de Dalí.

Ficou parada, admirando-o. Ele sorriu envergonhado e começou a verificar o macacão, mas para sua surpresa, após alguns segundos ele apenas guardou novamente no plástico e ia colocá-lo na caixa quando ela o questionou:

– Sergio? O que você está fazendo?

– Como assim, cariño? Já verifiquei o que queria.

– Como?

– Ah, o alinhamento de fibras, a textura do tecido, o alinhamento do zíper – ele se defendeu confuso – esse tipo de coisa.

Ela riu gostoso. Era tão ele dizer esse tipo de coisa.

– Sinto em informar que você está errado, professor, é assim que se verifica uma roupa nova.

E começou a se despir lentamente, sem deixá-lo de encarar por nenhum momento. Ele observava peça por peça indo ao chão e quando começou a ver pele, disse nervoso:

– Alguém pode entrar, Raquel....

– E ser expulso do assalto? – Brincou – além disso, não estou fazendo nada demais, apenas provando minha roupa para saber se o tamanho está bom.

Ele não protestou, continuou a observá-la, quantas vezes já a tinha imaginado vestida de Dalí? Um riso roco saiu de sua garganta ao perceber que um de seus maiores fetiches seria realizado. Quando ela apenas ficou com as peças íntimas, começou a colocar a parte da calça, subindo lentamente e se demorando propositalmente nas coxas, mas não se cobriu da cintura para cima. Sentou-se em uma das cadeiras que havia no local e começou a colocar as botas. Todos seus gestos eram calculados para serem sexy e estava conseguindo perfeitamente. Já devidamente calçada, começou a colocar a camiseta preta, a numeração P fazia o tecido delinear perfeitamente a curvatura dos seios e da cintura. Ele simplesmente não conseguia ignorar suas curvas, e para sua surpresa, Raquel levantou-se e foi em direção em sua direção, aproximando-se o suficiente para que ele ouvisse seu sussurro convenientemente rouco:

– Acho que preciso de ajuda, professor.

Ela estava linda. Perfeitamente linda. E por mais que tanta beleza o fizesse até se esquecer como respirar, começou a colocar seus braços dentro do macacão. Raquel estava tão próxima que ele podia sentir sua respiração quente e não conseguia ignorar o fato que ela mordia constante o lábio inferior enquanto o encarava. Sergio continuava com a atenção em seu corpo. Nunca que pareceu tão difícil simplesmente colocar uma roupa! Quando faltava fechar o zíper, subiu lentamente até sentir seus olhares se encontrarem. Ela nunca jamais se acostumaria com o modo que ele a olhava, totalmente apaixonado. Não resistiu e sorriu de doer a bochecha. Ele apenas foi capaz de murmurar:

– Raquel.....uau! Você está.... estonteante! Você de vermelho é simplesmente...uau!

Ela gargalhou, passou os braços ao redor de seu pescoço e disse, com os lábios bem próximos:

– Também gostei. Se eu entrar no Banco, a primeira coisa que farei será colocar.

– E a primeira coisa que faria quando você saísse seria tirar – ele disse malicioso, devolvendo as provocações.

Ela arqueou as sobrancelhas, divertindo-se com a mudança de postura:

– Não esperava outra coisa – e começou a desamarrar lentamente o nó de sua gravata, anunciando com tom inocente: – estou te ajudando, agora você que precisa se unir à resistência – e lhe deu um selinho.

Sergio sorriu e aceitou a ajuda para tirar as roupas. Assim como ela, vestiu o uniforme de Dalí sem tirar os olhos da namorada e Raquel precisava morder os lábios com força para se aguentar até que ele estivesse totalmente vestido, mas enquanto finalizava ao subir o zíper, percebeu que valeu a pena. Quanto mais ela o encarava, mais sexy ficava aos seus olhos. Ele não conseguira tirar os olhos de sua boca e não foi com surpresa que a sentiu acabar com aquela distância entre os dois, beijando-o com desejo. Sergio a segurou pelas coxas, a pegando no colo, ela rapidamente aproveitou para sussurrar:

– Não façamos barulho. A primeira regra aqui é nada de relações pessoais.

Ele riu alto enquanto a tombava em um sofá esquecido no canto. Cobrindo seu corpo com o dele.

(...)

Raquel suspirou ao ver que já era a segunda vez que ligava até cair no caixa-postal. Afastava todo pensamento negativo. Ela sabia que o Sergio tinha um milhão de coisas, talvez simplesmente não estivesse próximo do celular e mesmo se tivesse, talvez os libaneses não estivessem conseguindo interceptar, impossibilitando que ele atendesse. Colocou o aparelho em cima do sofá e começou a se vestir. Seguindo a mesma ordem que daquele dia e fechou os olhos, imaginando que ele a estivesse ajudando e quando os abriu, nunca na vida quis tanto ver aquele sorriso bobo e rendido bem na sua frente. Poder lhe acariciar a barba enquanto os olhos dos dois brilhavam, beijá-lo até precisar de ar... pegou o celular e ligou ansiosa. Dava voltas enquanto esperava, mas nada. Respirou fundo e resolveu deixar um caixa-postal. Já havia demorado muito e os outros assaltantes precisavam dela e ainda necessitava contar para Palermo sobre ela ficar na liderança. Guardou o celular na maleta, travou novamente e saiu. Queria ver os reféns, soubera da acusação de Manila e gostaria de ver o rosto do filho da puta do Arturo Román. Enquanto descia as escadas, pensava se tinha se esquecido de algo, repassava cada palavra em sua mente, e fazendo anotações mentais do que falar quando pudessem por fim conversar a sós. Riu abobada, sentia-se uma adolescente apaixonada:

– Cariño, sei que você deve estar ocupado, mas eu queria que você soubesse o mais rápido possível que.... – Respira fundo, ao lembrar da declaração de amor do Sergio – que eu também quero passar o resto da minha vida com você. Nunca estive tão apaixonada e só a perspectiva de você escutar essas palavras me faz sentir borboletas no estômago como uma adolescente boba – ri envergonhada, mas feliz – e quando eu te ouvi falando que ia se entregar por mim, foi a concretização de todas aquelas palavras lindas que você tinha me falado e eu sei que quis parecer durona, mas a galinha é testemunha de que nunca sorri tanto em todos estes anos. Falei que você tinha fodido a minha vida, mas a verdade é que eu estava acostumada a ver tudo em preto e branco e quando você chegou eu passei a ver tudo com cor – a garganta começa a denunciar que algumas lágrimas já estão descendo – e Sergio, o modo que você trata a Paula, como cuida da minha mãe, como é carinhoso comigo... sei que você demorou para falar, mas eu nunca duvidei que você me amava e saiba que eu também te amo e …. muito. Vamos acabar com este assalto logo porque já estou com saudades, ok? – Fingiu uma voz brava e desligou.

Sergio escutava cada palavra e tinha que se controlar para não chorar. Ela o amava e também queria que os dois vivessem juntos para sempre! Ele nunca duvidou, obviamente, mas ouvi-la dizendo palavra por palavra fez com que seu coração acelerasse e se não fosse pela presença desagradável de sua indesejada visita, teria atendido na primeira chamada e se declarado para ela novamente. Tentou se mexer na cadeira na qual estava amarrado, mas a dor do tiro na coxa esquerda que ela deu quando ele se negou a cooperar o fez ranger os dentes. Alicia que estava sentada a sua frente, segurando o celular em suas mãos, disse com deboche e asco:

– Não sei por que você parece tão surpreso, eu não estou. Ela sempre teve uma queda com filhos da puta. 


Notas Finais


𝑒𝒶𝒾 𝑔𝒶𝓁𝑒𝓇𝒶 𝑜𝓆 𝒶𝒸𝒽𝒶𝓇𝒶𝓂 𝓈𝑒𝓇𝒶 𝓆𝓊𝑒 𝓂𝑒𝓊 𝓇𝑒𝓉𝑜𝓇𝓃𝑜 𝓋𝒶𝓁𝑒𝓊 𝒶 𝓅𝑒𝓃𝒶


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