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História Geração quebrada - Capítulo 2



Notas do Autor


Primeiro capítulo atrasado da fic yeaahhhh

Mas brincadeiras a parte, quem me acompanha pelas atividades sabe q a faculdade tá me merendando esse semestre (e em todos os outros tbm). Mas enfim, com segui trazer mais um pouco dessa fic! E dessa vez com nomes!

Espero q não esteja confuso demais. Agradecimentos especiais a @Kenylan e @Ghostprincess66 pela betagem e LC dessa fic sem futuro.

Até às notas finais!

Capítulo 2 - Não vou mentir, isso me assustou


Uma pressão demoníaca era exercida sobre o peito da nossa protagonista. Tudo queimava por dentro, inflamando seus ossos e principalmente seus pulmões. A familiar sensação do afogamento, com a água salgada arranhando sua garganta, tomava seu ser. 

Girando sobre o ombro direito, ela cuspiu aquele líquido translúcido que podia separá-la da vida e da morte. Sua visão ainda estava turva, mas a audição começava a voltar, as grossas gotas do mar escorrendo junto aos cabelos negros. Logo, quando a sombra parada ao seu lado se moveu, o típico som de tecidos se esfregando chegando às orelhas furadas, o pulo que a morena deu foi visível. 

Cavando a areia da praia enquanto se levantava, a oiran se afastou o máximo possível do que quer que fosse o ser ao seu lado. Uma espada surgiu na sua mão, empunhada diretamente para a entidade desconhecida, certa intenção assassina moldando a lâmina. E, para sua infelicidade, o vulto nem mesmo estava ligando para ela.

Ao passo que seus olhos se acostumavam com a iluminação precária, os ouvidos se atentaram à discussão que se seguia à frente. Duas visagens estavam paradas lado a lado, uma diferença de altura de quase meio metro entre eles, porém, com roupas semelhantes, seguindo o mesmo estilo formal e industrial. 

Os saltos de bico fino se enterravam na areia, tirando os centímetros preciosos que aquela mulher desejava. Seus longos cabelos negros caíam em cachos pelas costas, pingando no colete também preto com detalhes em azul bebê. A camisa social, segurada firmemente por uma gravata neon e calças coladas, grudava em sua pele por causa da água. Todavia, o principal de sua imagem era a cara de pouquíssimo amigos que fazia. 

Semblante completamente ignorado pelo rapaz de braços cruzados a encarando. Dois metros, talvez mais, de um adulto esguio, ondulados cabelos loiros e tatuagem abaixo do olho direito; um pequeno pentágono invertido, em linhas firmes e escuras. Seu rosto também não parecia feliz com o decorrer dos atos, sendo expressado claramente em seus olhos castanhos revirando a cada palavra proferida dos lábios grossos da moça. 

— Você é um animal! Qual a porra do seu problema? Seu fodido do caralho! — gritava histérica a mulher, dando tapinhas estalados no braço branco do comparsa. Os palavrões ainda assustavam a espadachim, que aliás, já arregalava os olhos para ambas as figuras desconhecidas. 

As orbes do mais puro bronze fitaram a imagem da jovem de Wano, certa preocupação ocupando o brilho nervoso das pupilas dilatadas e que ignorava a existência da companheira. Um dedo do meio pálido e cheio de cicatrizes foi apontado para a moça, logo a calando e acentuando a ansiedade nos trejeitos da cortesã. 

— Bem..? — Monossilábico e direto, o rapaz loiro mal moveu os lábios quando dirigiu a pergunta à pessoa que pingava sobre a areia, o kimono florido encharcado da água do mar. 

Uma interjeição de dor preencheu a noite quando o dedo apontado foi mordido. Completamente sem educação, a mulher ao seu lado empurrou-o logo depois de desencravar os dentes da preciosa mão de médico. Passos desajeitados e soterrados de areia se aproximaram. 

— Perdoe meu irmão chato, meu nome é Sora, e o seu? 

As luvas de couro sombrio foram estendidas para a oiran, ambas as mãos em um convite para chegar mais perto. 

— Kuina… 

— Um nome tão lindo quanto a dama que o carrega. — Puxou a espadachim, fazendo uma reverência longa logo depois. — Aquele destrambelhado é o Ro, ele é médico, pode dar uma olhada em você se quiser.

O homem até abriu a boca para contestar a oferta da irmã, mas achou inútil discutir com ela. Aquele serzinho oito anos mais novo era um dos motivos da sua vida ser um caos completo; era impossível encontrar alguém que aguentasse o tranco das loucuras que a morena baixinha se metia. Bom, os últimos acontecimentos deixavam isso muito claro. 

Pela obrigação moral de ser o filho mais velho, cruzou mares procurando a camarada, achando-a em uma delegacia decrépita. Pelo menos estava com o plano em dia, utilizando aquele tempo apenas para descansar antes de voltar a ativa. Podia ter arrancado aquele serzinho engravatado antes? Até podia, mas quem iria imaginar a insurgência anarquista que brotaria enquanto jantava num telhado qualquer? Que empenho sair de seu berço esplêndido sem a real necessidade.

— Creio que não será apropriado senhora, já incomodei demais — respondeu polida, curvando o corpo para frente. 

Kuina estava entendendo bulhufas da sua sorte de encontrar o casal. Todavia, tinha fugido daquela cela sem maiores danos, podendo voltar ao seu trabalho como prostituta; agora em outra ilha pois nem em sonho ansiava reencontrar os marinheiros que a prenderam. Por isso, revestida dos bons modos, agradeceu mais uma vez, logo se ajeitando para partir. 

Espada presa à cintura, kimono amarrado na frente e costas muito bem cobertas, a moça de Wano se virou — não sem antes dar tchauzinho para a nova amiga. Precisava sair daquela porção de terra o mais rápido possível, mas apenas depois de limpar cada pessoa que podia reconhecer seu rosto na cidade. A última coisa que queria era um cartaz de procurado com sua foto. 

E foi sumindo na mata que Ro finalmente pôde entender o olhar resplandecente que Sora dava para a outra morena. 

— Ah não! Nem começa! — disse em tom baixo, mas duro. 

— Eu não disse nada ainda! — reclamou, puxando as mangas da camisa até os cotovelos. 

Deu dois passos para a frente, admirando as costas cobertas pela sobrecasaca desaparecem no breu da noite. "Os crisântemos ficariam lindos na minha cozinha", pensou a chefe despretensiosamente, claramente já matutando sobre o futuro das duas. Não entendia os motivos, porém certa conexão e simpatia brotava no peito quando pensava nela. 

— Você ainda vai ser minha Kuina.

— Ai que dó dessa guria. 


Uma garoa fina e chata caía, molhando o sobretudo de couro. 

Bem atrás de você, um som esquisito preenche a noite. Algo como uma massa disforme caindo nas poças de lama, espirrando água para todos os lados. Mas seu olhar não está nela, e sim no garoto à sua frente. 

Bem vestido, com os melhores trajes vitorianos que possa encontrar, em tons escuros e detalhes imperceptíveis no breu da madrugada. Os cabelos escuros grudados nas têmporas pela chuva, ou então são costeletas marcantes, você não sabe dizer. Sua única certeza é a beleza inerente que seu sorriso doce transmite. Oh, e o terço vermelho pendurado no pulso. 

— Sabe, eu gosto dessa vida. Sair, caçar, exterminar pragas… e depois voltar para casa, ler meus livros e estudar línguas antigas… eu realmente gosto disso.

Sua voz preenche a clareira, reverberando por entre as árvores. Ela não é grossa como se espera de uma figura sombria e solitária, mas faz questionar a idade da criatura que presencia. Os trejeitos delicados e calculados, um verdadeiro nobre de criação, passam uma sabedoria que não se reflete no corpo ampulheta, magro ainda que tenha quadris largos. 

Aposto que os olhos por detrás dos óculos de sol também passariam uma sensação conflitante. 

— Conhece o estrangeiro? — diz, se levantando da pedra onde descansava as pernas e reavia o chapéu no chão. — Creio que não, mas nunca é demais perguntar, não é mesmo?

A risada sonora e pueril preencheu a noite. Como se respondesse, o barulho de algo se remexendo nas poças voltou, dessa vez gelando seus ossos. Não era apenas um animal passando, era algo repetitivo e estagnado debaixo da chuva, assim como o encantador adolescente dono dos seus olhos. 

— O principal do meu pensamento é bem simples. É sobre como a vida é sem sentido. E ainda que a vida seja absurda e completamente sem sentido, me sinto apegado a ela. Preso em um dia a dia previsível mas ao mesmo tempo aberto a milhares de possibilidades.

As botas caras e de cano alto atravessaram a clareira, silenciosas, como se seu dono não tivesse peso algum. Passos que nem mesmo pareciam incomodar os montantes de lama pelo trajeto, o rapaz parecendo limpo de forma sobrenatural em meio a tanta sujeira.

A garoa ainda precipitava sobre si, encharcando o cabelo negro na altura do ombro, riscando as lentes vermelhas dos óculos. Um deslumbre prata cruzou a noite, mas logo foi escondido quando o sobretudo voltou ao seu lugar de origem. Ele já se agachava em direção ao foco dos barulhos molhados que ouvira.

— Não existe um propósito no nascer, ou então no viver. Fazemos nossas escolhas e é isso aí, a única coisa que justifica elas são os nossos sentimentos verdadeiros, muitas vezes resumidos ao amor e a revolta. — Quase como uma aula de filosofia existencialista, ele maneava as mãos pálidas em direção ao ser estirado no chão. 

Ossos retorcidos, pele arroxeada e olhos humanos demais. Onde estaria o pescoço daquela matéria estranha? Nunca saberíamos, contudo, recebia um olhar cálido do menino, ainda que unhas retorcidas nascessem das vértebras alvas aparentes. Ou então que um líquido viscoso escorresse por aberturas laterais onde deveriam existir braços. 

E o rapaz, provavelmente religioso pela quantidade absurda de cruzes estampadas na roupa, mirava complacente a criatura deformada. Não foi preciso encarar seus olhos para descobrir isso, o sorriso entregava o carinho que sentia pela coisa amorfa. 

Sim, guarde esse nome. Amorfa.

— É sempre bom sentir revolta, só precisa canalizar ela para o lugar certo e bum! Você acha um motivo bom o suficiente para morrer. Pode-se nascer e viver em vão, mas acabar em um caixão sem um propósito bem definido não é do meu agrado, sou mais exigente até com isso. — Os dedos limpos alcançaram a protuberância no peito da massa humanoide, próximo de onde um rasgo cheio de dentes tremia pelo frio da chuva. 

Quem sabe o medo estivesse no ser e não no garoto, todavia, creio que não seja importante. A entidade estirada na lama não poderia fugir ou caçar ainda que quisesse, dado a falta de uma perna e os ossos quebrados na outra. Nem mesmo o uniforme branco que utilizara em um passado próximo estava intacto… 

— Seríamos bons amigos, sabia? — soltou com um suspiro, puxando um punhal prateado do colete finamente bordado.

— Só que você ainda não está pronto para essa conversa, quem sabe outro dia possamos bater um papo, né? Prometo que não vai doer muito até lá. 




Notas Finais


É isto crianças, semana q vem é glitter and crimson e quem sabe eu não desisto dessa fic aqui kakaksksks

Até depois pessoinhas!
Com muito amor
Simba
(。・ω・。)ノ🖤🖤


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