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História Get free - Capítulo 57


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Notas do Autor


aproveitem a maratona porque eu to inspirada shauhsauhsa

Capítulo 57 - 4 anos depois


4 anos depois...

 

— Não acredito! Rosalya isso é incrível!

— Acho que eu vou chorar... — Alexy diz, limpando os cantos dos olhos.

Estamos no meu horário de almoço, sentados na grama do parque movimentado enquanto Rosa nos conta a novidade por vídeo-chamada: ela está grávida.

— Eu sei! Queria que vocês estivessem aqui... — diz, dobrando algumas peças de roupas da loja.

— Nós também, amor. Mas vamos te visitar o mais rápido possível, a gente promete — digo, abraçando Alexy que está realmente chorando do meu lado.

— Ops, tenho que ir, chegou outro cliente. A gente se fala depois — ela assopra um beijo e Alexy funga alto, murmurando um "tchau".

— Meu Deus, o que deu em você?

— Acho que eu estou de TPM ou algo assim...

Rio, tomando o resto do meu suco de laranja. Alexy veio para São Francisco dois anos depois de mim. Morgan conseguiu um emprego aqui como analista de sistemas em uma multinacional e recusar essa oferta não era uma opção, então os dois se mudaram. Alex, por outro lado, acabou partindo para a área de eventos - sua vida é exatamente do jeito que ele sempre quis: uma eterna festa. E o desgraçado é bom nisso. Todas as festas de lançamento dos álbuns da banda ficam nas suas mãos e são sempre um sucesso absoluto.

— Já vou indo, Soph. Tenho uma reunião excepcionalmente chata com esse cliente que nunca se atrasa... — ele diz, levantando e estendendo a mão para me ajudar.

— Eu também... preciso fazer umas coisas pro Nath ainda hoje.

Volto andando para a firma, que fica há alguns minutinhos do parque. Não consigo evitar o aperto no peito com a notícia de Rosa... estou muito feliz por ela, mas isso traz de volta lembranças que eu havia enterrado no fundo da memória há um tempo.

Depois que Cass voltou da primeira viagem para a Europa, não consegui encontrar o momento exato para falar sobre o bebê que perdi... e fui deixando pra depois, me recusando a tocar  no assunto. Até hoje ninguém além da minha terapeuta sabe e eu não falo - ou penso - sobre o acontecimento há anos. Todo mundo tem um capítulo que não gostaria de ler em voz alta, eu suponho...

 

Saio do elevador no andar em que trabalho e vou correndo para o banheiro. Tomei uma quantidade absurda de suco por causa desse calor e agora minha bexiga está me matando... passo pela mesa de Liv e ela sorri, se levantando para me seguir.

— O Nath precisa que você faça um resumo desse caso pra ontem, não aguento mais ele falando sobre isso... — diz, meio ofegante enquanto tenta me acompanhar.

— Eu sei, mas preciso muito fazer xixi ou é bem possível que eu exploda — abro a porta do banheiro e vou correndo para dentro de um dos boxes. Ela fica do lado de fora, rindo.

Abaixo as calças e não consigo segurar um gemido de alívio. Encaro a porta branca e absurdamente limpa, me perdendo em pensamentos que envolvem Castiel, eu e um bebê. Em como as coisas poderiam ter sido diferentes caso a criança estivesse aqui hoje... de repente, me sinto culpada por esconder isso dele. Eu preciso contar. Ele perdeu um filho também, mesmo que não saiba... tem o direito de saber.

— Sophie, você morreu aí dentro? — a voz de Olívia me traz de volta para a realidade.

— Já vou, Liv!

Abro a porta do banheiro e vou até a pia lavar as mãos, onde ela está me esperando enquanto vê alguma coisa no celular. Os cabelos longos e pretos, presos em um rabo alto, destacam o rosto delicado de Olívia - ela é a assistente de Nath desde que ele deixou de ser um estagiário e agora é o menino de ouro da firma - e do meu pai.

Ah, sobre isso. Aceitei um estágio na Davies & Associados assim que terminei a faculdade no ano passado - meu pai conseguiu me convencer, logo depois de comprar o resto da empresa e se tornar o dono integral de tudo isso.

— Ai. Meu. Deus. Olha isso — Liv coloca o celular na frente do meu rosto enquanto enxugo as mãos.

Sorrio quando reconheço Castiel na foto - ele está sem camisa, com uma calça preta de couro baixa na cintura, mostrando boa parte da cueca. As tatuagens cobrem seu corpo definido - e dão um toque muito mais sexy à imagem. Apesar dos cabelos soltos caídos sobre o rosto, é nítido seu sorriso safado enquanto olha para a câmera.

— Graças a Deus a gente vai se ver hoje...

— É errado passar horas imaginando seu marido pelado enquanto eu deveria estar preenchendo documentos no trabalho? — Ela era uma grande fã da Crowstorm e quando soube que eu viria trabalhar aqui quase morreu de felicidade. Nos tornamos amigas depois que Liv se acostumou com a ideia de encontrar o Cass na sala de descanso, me visitando, de tempos em tempos, ou de me ouvir reclamando do ronco dele… ela me lembra bastante o Alexy, na verdade.

— Ah, tudo bem. Eu faço a mesma coisa...

Saímos do banheiro e Olívia fica na sua mesa, na frente da sala de Nathaniel - que passa pela gente e murmura um "boa tarde" de qualquer jeito. Ela rola os olhos e sussurra quando ele entra:

— Eu acho que ele precisa de uma foda urgente. Sério, a energia negativa que emana dele tá atingindo minha aura e me deixando pra baixo.

Dou uma risada abafada e me inclino sobre a mesa dela.

— Acho que nem uma foda conseguiria resolver isso...

— Vocês duas vão passar o resto do dia falando sobre minha vida sexual ou vão trabalhar? — a voz irritada de Nath ecoa para fora do telefone em cima da mesa de Olívia - ela deve ter esquecido a coisa conectada com o dele. De novo. Na última vez o desgraçado ouviu toda a nossa conversa sobre depilação e a gente só descobriu porque ele deixou escapar uma risada quando a Liv mencionou que ainda tinha um pouco de cera grudada na bunda.

— Oh, tudo bem, a gente já terminou. Não é como se você tivesse de fato uma vida sexual pra falarmos sobre... — digo, sarcástica - Liv dá uma risada alta e me empurra para que eu saia logo dali.

Vou até a área que divido com alguns estagiários do último ano e sento no meu cubículo - muito pequeno e desconfortável, diga-se de passagem - para terminar os resumos do caso em que Nath está trabalhando.

Passo o resto do dia lendo inúmeras páginas, fazendo cópias e selecionando as informações mais importantes para que ele apresente à diretoria depois. Por mais que eu queira ajudar e goste desse trabalho, me sinto mais como uma secretária do que qualquer outra coisa. Estou formada há uns dois meses, eu sei, mas é irritante ser tratada como uma auxiliar de escritório. Sempre sou obrigada a ajudar outros advogados que estão há mais tempo, servindo como uma agenda ambulante...

— Vou fingir que não estou decepcionado por você ter me dado o cano durante o almoço... — ergo o rosto e encontro o sorriso irônico do meu pai.

— Senhor Davies, justamente quem eu queria ver hoje.

Ele rola os olhos e dá a volta para se apoiar na minha mesa.

— Você pode me chamar de pai, a gente já discutiu isso...

— E ser acusada pelos outros de ter privilégios só porque sou sua filha? Não, obrigada. — Me levanto da cadeira para ficar em sua frente. — Já que tocamos nesse assunto... eu gostaria de fazer uma reclamação.

Ele arqueia a sobrancelha, curioso e eu continuo:

— Acho que você está fazendo uma espécie de nepotismo inverso aqui. Desde que cheguei, só o que eu faço são cópias, resumos e saio por aí correndo atrás das pessoas para conseguir assinaturas... quando você vai confiar um caso de verdade nas minhas mãos?

— Sabe quanto tempo demorou para que eu entregasse um Pro bono ao Nathaniel? Um ano inteiro. — Ele se desencosta e estica o braço, apertando minha bochecha - é um gesto irritante, porque faz com que me sinta uma criança. — Prove o seu valor para todos aqui dentro, assim você vai merecer seu caso. Esse é seu primeiro ano, boneca. Vamos com calma.

Rolo os olhos e empurro sua mão do meu rosto, arrancando uma gargalhada de Harry, que caminha de volta para sua sala.

Pego as pastas com os papéis e vou até Olívia - que está lixando as unhas enquanto fala com alguém no pequeno fone em seu ouvido. Me apoio na mesa, sorrindo e ela tampa o microfone com a mão.

— Espera que eu preciso te contar uma coisa — sussurra. — Tudo bem, a Davies & Associados agradece, senhor. Tenha uma boa noite.

— O quê? — digo, quando ela aperta o botão para desligar.

— Você não vai acreditar no que eu encontrei na sala do Nath enquanto fazia uma purificação espiritual...

Dou uma risada alta, sem conseguir me controlar. A Liv sempre entrava escondida na sala dele quando tinha certeza de que Nathaniel não voltaria tão cedo e fazia uma limpeza de energias negativas usando vários mantras e cantos - às vezes até incenso.

— Você sabe que se um dia ele te flagrar lá dentro, provavelmente vai te deixar desempregada... — ela rola os olhos. — Mas o que era?

— Uma calcinha! E aquela moça do financeiro tinha acabado de sair de lá... — prendo os lábios, segurando um sorriso. — Isso é ultrajante. Sexo no local de trabalho... e ele tem a audácia de chamar minha atenção quando eu estou pintando as unhas no meio do expediente.

— E por que isso te incomoda tanto, Livie? — digo em um tom malicioso.

— Não incomoda, é só que...

Ela arregala os olhos negros e eu viro para trás. Nathaniel está voltando para a sala e não parece nada feliz. Nós o seguimos com o olhar até ouvi-lo batendo a porta com força.

— Bom, já vou indo. O Cass chega daqui a pouco e eu preciso aproveitar a chance de transar com ele sem ser por celular... — ela sorri e se inclina para me dar um beijo no rosto.

Enquanto me afasto, escuto a voz irritada de Nathaniel saindo do telefone:

— Olívia, por que minha sala está com cheiro de queimado?

Olho para trás e ela sorri para mim, respondendo alto para que eu escute:

— Foi só um dos estagiários que botou fogo num filtro de café na sala de descanso, nada sério...


 

Volto para casa e me jogo na cama com um gemido de alívio. Ergo a perna e abro o zíper da bota preta de salto, que esmagou meus dedos por várias horas e faço movimentos circulares com o tornozelo para aliviar a dor. Repito o processo no outro pé e já fico um pouco melhor... Puxo a meia calça preta das pernas, jogando a peça no chão.

Ouço barulhos no andar debaixo e reconheço a risada escandalosa de Mike. O ensaio deve ter terminado... abaixo um pouco a saia preta - o que não adianta muito, porque ela já é bem curta por si só -  e penteio os cabelos com os dedos antes de descer.

Entro na sala e vejo Castiel tomando uma garrafa inteira de água de uma vez. Ele está todo suado e tem a camiseta pendurada ao redor do pescoço. Mordo o lábio, fitando suas costas largas - agora cobertas pela tatuagem de um dragão chinês vermelho, rodeado por chamas de fogo que dão uma impressão demoníaca ao animal. Acordar com Cass de costas para mim nos primeiros dias era sempre um susto...

Ele se vira e nossos olhares se encontram. Vou até ele e abraço sua cintura. Cass se abaixa para me dar um beijo profundo, enterrando a mão livre em meus cabelos, explorando minha boca com sua língua gelada - senti-lo assim é o suficiente para que meu interior se contraia de desejo e meu corpo inteiro se arrepie. Em outras palavras: já estou molhada pra caralho.

—  Pelo amor de Deus, tem gente comendo aqui... — A voz de Mike nos interrompe, abafada por causa da boca cheia.

Cass dá uma risada e se afasta, me segurando pela cintura.

— Cada um mata sua fome de um jeito... —  diz, lambendo os lábios e lançando um olhar provocativo para mim. —  Vou tomar um banho e já volto, amor. O Mike comprou pizza... 

Assinto e me sento ao lado de Michael no sofá, enquanto o ruivo sobe as escadas.

—  Às vezes parece que você não tem casa —  pego um pedaço de pizza e dou uma mordida grande.

—  Eu tenho, docinho —  Mike se estica e apoia o pé na mesa de centro. —  Mas meu sofá não é tão confortável quanto esse...

Rio, balançando a cabeça. Ele pega outro pedaço, devorando em questão de segundos e solta um arroto alto o suficiente para que os vizinhos ouçam. Eu dou uma cotovelada de leve em suas costelas.

—  Michael!

Dá um sorriso debochado e se encosta no sofá, em um suspiro aliviado.

—  Cara, a pizza do Golden Boy é incrível... —  eu concordo com a cabeça, lambendo a ponta dos dedos. — Merda, tenho que ir.

— Tão cedo? Por quê?

Geralmente Mike dorme no sofá sem nossa autorização e eu só descubro no outro dia. Na primeira vez que isso aconteceu eu desci do quarto enrolada na toalha e quando o vi na cozinha dei um berro tão alto que o Castiel veio quase rolando pelas escadas. Meu choque foi tão grande que a toalha acabou caindo e o Mike me viu completamente pelada, coisa que ele gosta de trazer à tona com uma frequência irritante.

— Tenho uma coisa...

— Hum... "uma coisa", é? — estreito meus olhos para ele.

— Não é da sua conta, ruiva — se levanta do sofá e me dá um beijo na testa antes de sair pela porta.

 

Cass aparece alguns minutos depois e se senta do meu lado enquanto eu devoro um pote de sorvete. Me olha com uma expressão divertida no rosto, segurando um sorriso.

— O quê? — digo, mastigando um pedaço de chocolate.

Ele limpa o canto da minha boca e lambe os dedos.

— Você é tão linda...

— Se o seu rosto não fosse tão importante pra sua carreira eu te daria um soco agora — sua risada me contagia e eu levanto para levar o pote vazio até a cozinha - não acredito que comi tudo isso sozinha. Talvez eu esteja um pouco ansiosa.

Volto para a sala e sento em seu colo, apoiando a cabeça no ombro de Castiel. Ele enterra o rosto no meu pescoço e dá um beijo demorado que me arrepia. Seus braços envolvem todo o meu corpo e ele me aperta, esmagando minhas costelas.

— Senti sua falta o fim de semana todo... de você me falando sobre o trabalho e eu fingindo que entendo — sussurra em meu ouvido. Rio, beliscando seu braço.

— Senti sua falta me falando de como o timbre da sua nova guitarra é incrível até eu cair no sono, porque não sei absolutamente nada disso...

— Quando você fala assim até parece que eu sou um nerd de guitarras...

— Você não é tão descolado e fodão quanto as pessoas pensam, rockstar.

— Por favor, não espalha isso por aí.

Tiro seus braços da minha cintura e me viro, sentando de frente para ele. Mordo o lábio, hesitando por alguns segundos. Castiel me fita com seus olhos cinzas e parece que todas as palavras deixam minha boca. Encosto minha testa na dele, sentindo sua respiração quente acariciando meu rosto e fecho os olhos. Isso vai ser mais difícil do que eu pensava.

— Vou tomar um banho... — sussurro.

— Eu te acompanho — ele se levanta comigo no colo e eu aperto as pernas em seu corpo para não cair.

— Você acabou de sair do chuveiro... — ladeia um sorriso e aperta minha bunda por cima da saia enquanto subimos as escadas.

— "Eu te acompanho", significa: "vou te foder no chuveiro como se fosse a última vez das nossas vidas, baby".


 

Castiel está dormindo profundamente, com o som calmo da sua respiração se espalhando pelo quarto silencioso. Fico de lado para encará-lo, me apoiando no cotovelo, sem tirar minha perna de cima dele e tento não me mover muito. Passo os dedos pela sua bochecha devagar, para não acordá-lo, sentindo a barba por fazer me arranhando de leve. Sua pele iluminada pela luz da lua que entra pela janela aberta faz com que ele pareça um anjo, com seu rosto definido e seus traços marcantes, mas delicados ao mesmo tempo...

Deslizo a ponta dos dedos pelo seu pescoço, descendo até a clavícula e seu peito definido, traçando os desenhos das suas tatuagens espalhadas. Ele dá um gemido rouco e coloca a mão em minha coxa, que está em sua barriga.

— Você não devia estar dormindo? — diz, ainda com os olhos fechados - sua voz de sono faz com que um sorriso involuntário se forme em meus lábios.

Eu me sento na cama, puxando o lençol para cobrir meu corpo sem roupas e dou um longo suspiro. Castiel abre os olhos devagar e faz o mesmo, se encostando na cabeceira. Ele estende o braço e coloca a mão em meu rosto, acariciando minha bochecha com o polegar.

— Tenho que te contar uma coisa, mas não quero que você me odeie... — sussurro. Minha voz é tão baixa que não tenho certeza se ele conseguiu ouvir.

— Eu nunca seria capaz de te odiar e você sabe disso.

 

 

"Tryna push this problem up the hill

When it's just too heavy to hold

Think now is the time to let it slide." 

                    ​Let it Go - JAMES BAY

 


Notas Finais


o próximo vai ser tenso, se preparem


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