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História My Ghost - Capítulo 3


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Notas do Autor


Séculos depois e eu volto, foi mal...
Caso vc não lembre essa é aquela fanfic que o Michael é um fantasma de alma que precisa recorda-se do nome para poder descansar. Emi é uma jovem de 16 anos que aos poucos se tornou sua "amiga"/invasora de casas e La velle, John e Liz são fantasmas poltergeist (habitam objetos).
Desculpa a demora, aconteceu muita coisa nesses últimos dias.

Capítulo 3 - Isso te assusta?


Fanfic / Fanfiction My Ghost - Capítulo 3 - Isso te assusta?

Os dias que se sucederam na mansão Haught  agora eram carregados de ânimo pelas visitas periódicas de Emi que aparecia de quatro a cinco vezes na semana.

Por mais distante que Ghost estivesse com relação a invasão, aos poucos se acostumava e de alguma forma gostava daquilo. Sentia que havia vida em todas as vezes que a garota falava ou que sua risada se espalhava entre os corredores. Mesmo que não admitisse a si próprio, algo em si começa, lentamente, a crescer.

Por outro lado, Emily gostava de principalmente de passar boa parte do seu tempo na cozinha vendo como Liz se saia usando aqueles objetos da idade da pedra, ou, quando estava mais disposta, se propunha a ajudar Lavelle a limpar algum dos cômodos enquanto o francês cantava e dançava “como as pessoas do seu país”, ele dizia, embora Emily tivesse certeza que ninguém mais dançava daquele jeito a séculos em nenhum canto do mundo.

Quase nunca resistia aos pratos mirabolantes da chef Liz e as suas súplicas para que almoçasse todos juntos. E sem que percebesse, não podia evitar de pensar que ali, ao redor daquela mesa com seus amigos poltergeist e Ghost, em que comentavam sobre o dia, o clima ou o quanto o Amo deveria reformar o jardim dos fundos, aos poucos, tornava aqueles seres seu lar.

Mas naquela específica quinta-feira de primavera ela estava colhendo alguns legumes na horta junto com John atrás da casa. Emi acabará por descobrir que era dali onde tiravam boa parte dos suprimentos. Era um dia especialmente quente naquela época do ano e Emi sentia a camisa branca pregando-lhe ao corpo, devido ao suor depois do serviço enquanto carregava uma cesta recheada de batatas e algumas folhagens a pedido de Liz.

-Vou deixar aqui em cima, está bem? -Perguntou entrando pela porta de trás que dava acesso direto a cozinha e colocando a bandeja que carregava em cima da uma bancada.

-Claro, aí está ótimo. - o jarro falou acenando positivamente enquanto mexia em uma panela fumegando no fogão a lenha. - Vá descansar querida, você parece cansada.

-Liz tem razão senhorita, pode deixar nós cuidamos de tudo a partir daqui – John começou a  tentar empurrá-la de volta para fora do cômodo que estava abafado devido ao vapor da sopa. - Você já fez o suficiente por hoje.

-Tem certeza que não querem ajuda? - relutante continuou no mesmo lugar embora realmente estivesse fadigada.

-Vá querida – Parando de mexer o caldo, o jarro desceu da cadeira que estava e foi ajudar o reloginho a expulsar a jovem da sua cozinha – Não quero que seus pais pensem que anda fazendo trabalho escravo.

-Eles nem sabem de que estou aqui Liz!- disse rindo enquanto cedia em direção a porta – faço isso por que quero.

-Tudo bem, mas não queremos você aqui agora, você precisa se divertir.

-Eu me divirto com vocês, juro- choramingou sendo deixada do lado de fora da casa com as mãos em súplica. - Não aguento mais ouvir as música do Lavelle, vou estrangulá-lo a qualquer momento.

-Ele canta mal, não é ?– John riu, enquanto Emi revirou os olhos só de lembrar, mas logo entrou na risada com o amigo.

-Mal é um elogio pra voz dele, é péssimo!

Mesmo insistindo em permanecer na cozinha cedeu aos pedidos dos amigos após Liz sugerir que desse um passeio pelo quintal. Acatando a sugestão resolveu que era a melhor ideia e agora andava entre uma pequena estradinha dos fundos, esta que era coberta por árvores bordo com as folhas ainda verdes e que arejavam aquela manhã quente.

Devia ter trago um livro, refletiu enquanto caminhava observando o caminho que se estendia. Além das árvores havia também pequenas vegetações que cresciam e forma densa, mas que ao contrário das folhas da frente da casa eram vivas e aparentemente bem cuidadas, se assemelhando ao jardim à inglesa que mesmo selvagem era bonito de se ver. Quando tinha sorte, conseguia avistar alguns animais de pequeno porte entre todo aquele mato.

-É quase mágico. -com olhos fechados e respirando fundo falou em voz alta.

-Eu discordo - Ghost pronunciou surgindo ao seu lado. Emily gritou enquanto se afastava do homem com a mão no coração devido ao susto e respirando com força agora.

-Você é louco? -gritou com raiva. O fantasma não entendeu a garota.

- Louco? Por que acha isso? -sua voz permanecia calma.

- Isso não se faz, você me assustou! -apertou a mão ao peito que aos poucos se acalmava - desde quando você está me seguindo?

-Eu estava ali em cima -apontou para uma das árvores e Emi observou que na outra mão ele carregava um livro -Você que começou a conversar.

-Eu estava falando sozinha Ghost! - O fantasma levantou uma das sobrancelhas observando que ela ainda estava nervosa e aparentemente por sua culpa.

-Então você que está louca -concluiu. - Se sente bem? -Perguntou, inconsciente da  nova sensação de preocupação que surgiu dentro de si.- Hoje deve estar quente por isso está delirando e…

-Eu não estou delirando - ela ainda gritava - Olha, - levou uma de suas mãos ao rosto tentando se acalmar e depois voltou a encarar o fantasma como se falasse com uma criança -eu estou bem o.k?

-Tem certeza? Você está vermelha e estranhamente... molhada? - Seu rosto mostrava a dúvida, enquanto as feições de Emi relaxavam com a situação.

-Isso é só suor - esfregou as costas da mão na testa. -Isso acontece quando fica muito quente. É uma reação do corpo. - O fantasma acenou em entendimento enquanto a observava com curiosidade. 

-É como chorar - deduziu -Se sente triste?- Emi riu da sua inocência. 

-Não, a gente chora quando… - logo começou uma longa explicação detalhada sobre algumas das formas de secreção humana e se divertiu com a cara do fantasma ao explicar do xixi, mesmo o fantasma sendo sempre pálido, sabia que por dentro estava completamente ruborizado e isso a fez dar uma boa gargalhada.

-E isso? Quando acontece? -indagou apontou para o sorriso em seu rosto - Você faz isso o tempo todo.

-Sorrir? - ele acenou e Emily sentiu um pouco de pena do homem que parecia realmente não entender nada dos humanos. -Hum a gente sorrir quando está feliz. Muito feliz.

-Feliz? Como é estar feliz? - a garota não respondeu, não sabia o que dizer.  Como é possível viver assim? internamente se perguntou encarando o chão e refletindo sobre o homem à sua frente. Quis sumir naquele instante constrangida com a sua alegria que provavelmente o fantasma nunca conhecerá. - Como é? -Ele insistiu.

-É como…- ela remexia o pé um pouco nervosa - é difícil explicar, mas é como...como -olhou para os lados tentando achar uma resposta, aquilo parecia uma de suas aulas existenciais de filosofia - um abraço! Isso, um abraço bem quentinho aqui dentro - Emi apontou para o peito de Ghost, mas sem tocá-lo, já que não era permitido. O fantasma assentiu em compreensão embora ainda estivesse duvidoso da resposta da garota.

Ghost nem sabia qual era a sensação de ser abraçado, mas de alguma forma, compreendeu o que aquela garota na sua frente queria dizer. Ela o encarava com uma certa expectativa, parecendo desejar que ele a entendesse ao mesmo tempo em que se transmitia uma espécie de calor (algo completamente novo para o fantasma). Pelo menos foi o nome que ele deu a sensação que sentia sobre a sua pele.

A intensidade dos olhos de Ghost também não ficava para trás. Emi sentia como se admirasse uma obra de arte barroca em que tudo nele contrastava com o fundo , estava embriagada e consumida pela complexidade dos traços. E mesmo depois de ambos tomarem consciência que se encaravam, continuaram quase que hipnotizados um pelo outro. 

Para Emily, por algum motivo, o olhar do fantasma agora lhe parecia mais carregado e algo dentro de si não permitia que desviasse. Enquanto Ghost sentia uma dúvida crescente. Tinha certeza que já tinha visto aqueles olhos, como a sensação de um deja-vu.Teriam continuando assim por um bom tempo se um bicho não tivesse aparecido entre as folhas e com o barulho desviado a contemplação de ambos. 

-Acho que tem alguma coisa ali -Emily apontou para os arbustos que constantemente balançavam fazendo um som forte. Um esquilo gigante, felpudo e laranja  pulou de uma moita de grama e saiu correndo passando entre eles que observaram o animal se distanciar em direção a casa Haught.

O peso do constrangimento dos olhares caiu entre ambos e quando se olharam novamente não sabiam o que fazer ou onde colocar as mãos. O que diabos foi aquilo?  o fantasma se perguntou enquanto remexia seu livro e, embora não soubesse, estava nervoso. Podia jurar que já tinha a visto antes.

-É… eu acho que eu já vou voltar - Emi sentiu seu rosto corar, por algum motivo se sentia envergonhada agora  -Liz deve estar precisando de ajuda -começou a se afastar do homem e ir em direção a casa novamente. Queria fugir, queria entender sua mente confusa.

-Espere -Ghost gritou quando ela já estava a alguns passos dele já de costas, ela se virou um pouco nervosa por dentro e sentido que suas mãos começavam a suar. Ele se aproximou em uma marcha lenta e com o rosto inexpressivo de sempre ficando novamente a alguns centímetro de Emi- Quando eu estou com você… - levou uma das mãos onde se localizava seu coração - sinto um abraço aqui dentro.

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-Terra chamando! - uma velinha cruzou a visão perdida de Emily que pela milésima vez revivia a mesma cena. Seu rosto corou e ela tampou sua face com as mão tentando esconder o rubor. -O que aconteceu Cheri? Está passando mal? -Pergunto o pequeno castiçal enquanto a menina balançava a cabeça tentando espantar as lembranças ao mesmo tempo que negar a indagação do amigo.

-Devem ser as provas na escola -John falou enquanto preparava a mesa para o almoço. Ao fundo o Amo entrava silenciosamente. - São por essas coisas que sou grato por não ser mais um humano. Só de pensar me dá calafrios...se bem que o mestre não é tão pior que tudo… - Emily e La Velle remexiam a cabeça e arregalaram os olhos tentando avisar o amiguinho, mas esse nada percebeu -Como não concordam comigo? Agora mesmo estáva Emi e você estavam falando de como ele é tão grosseiro e não ajuda nos serviços… - a garota levou a mão a testa e o candelabro deu um longo suspiro vendo a burrada do amigo. John sentiu um frio na espinha- O Amo está atrás de mim não é? - lentamente o reloginho virou-se para a entrada da sala de jantar e sorriu amarelo. Lá estava Ghost com seus trajes diários, mas com o rosto mais pesado e com os braços cruzados.

-Não dê ouvidos a ele mon Seigneur - La Velle pulou da mesa e correu dando saltinhos até o fantasma. - é apenas uma brincadeirinha nossa.

-O almoço está na mesa queridos -Liz gritou, entrando com um carrinho de rodas carregando de comida. Ela estava animada, mas percebendo o clima tenso e o olhar frio do mestre parou no meio do caminho até a mesa - o que que tá pegando? -sussurrou para Emi, que teria achado graça da senhora usando uma das expressões que ensinará, mas o momento não permitia.

Todos os músculos da garota estavam paralisados, um frio em sua barriga crescia a cada segundo que  Ghost a encarava. Parecia estar nervoso com ela, e ela quis gritar, pedir que não acreditasse. Sentiu medo. Suas mãos suavam e sua perna começou a tremer sem que percebesse, enquanto seu coração mais parecia uma britadeira.

-Não acho que eu seja a melhor companhia para o almoço hoje. - tornou-se uma fumaça que logo desintegrou, já não estando mais ali.

-Ai céus! Eu estou morto! -John choramingou, encolhendo-se.

-Eu não o vejo tão raivoso assim a anos -Liz comentou. -O que vocês fizeram? Emi? Emily, você está bem querida? - agora sua voz tomava um tom preocupada -Meninos me ajudem, ela está pálida. -querida olhe pra mim.

Mas ela não o fez, sentia um medo inconsciente de perdê-lo, algo parecia ter se quebrado, mas não sabia o que. Conhecia aquela sensação, mas ela não erar sua.

-Não posso deixar ele fazer isso de novo  - falou se levantando subitamente e correndo. Não entendia a reação do seu corpo, nem o que falava, mas de algum modo sentia que aquele momento já acontecerá.

-O que está fazendo?- John gritou vendo ela sair. -Do que ela estava falando sobre “ ele fazer isso de novo”? -Voltou a se dirigir aos colegas que encaravam a porta ainda em choque.

-Cheri tem estado tão estranha esses dias...

No salão Emi saltava os degraus da escada de dois em dois como se sua vida dependesse desse momento, ela pisava forte até o quarto do amo, mas ainda não habituada ao tamanho da casa e ao segundo andar entrou no corredor errado e se perdeu entre as salas e os diversos quartos. Mas não desistiu, estava  quase chorando de desgaste, cansaço e frustração quando, entre o labirinto de corredores, aquele que ela procurava materializou-se a sua frente.

-Eu estou tentando ler - sua voz era rígida e cortante, e seu rosto impassível pelo incômodo do barulho de seus passos . Emi não sabia o que fazer, não sabia por que ele estava com tanta raiva ou porque precisava desesperadamente encontrá-lo naquele momento. De qualquer forma não havia ar suficiente em seus pulmões e ela curvou-se apoiando em seus joelhos em busca de fôlego.

-Só um segundo - fez sinal com as mãos indicando para esperar. Ghost por um leve instante se preocupou, mas sua raiva pela situação anterior ainda não permitia qualquer demonstração, então apenas colocou suas mãos no bolso da calça slim. - Eu..- puxou o ar - Eu sinto muito  - O fantasma arqueou uma das sobrancelhas ouvindo a jovem -não quis ofender o senhor nem a sua hospitalidade, eu realm… - Uma risada irônica, sem que Ghots percebesse, escapou-lhe entre os dentes.

-Acha mesmo que isso me incomodou? - Emi se assustou com o tom cínico da sua voz e o como seus olhos que agora eram um preto profundo - Acha mesmo que dou a mínima para o que você diz? -Ele deu um passo à frente a intimidando e ela recuou como numa dança em que se via presa e hipnotizada naquele olhar. Ele continuou avançando, queria assustá-la de verdade agora.

Sua raiva não vinha dos comentários que fizerá, mas do medo que ele lhe causou. Pode ver em sua face que ela sentiu medo. Medo dele. Estava com raiva de si mesmo, do que era. Mesmo que eu a veja  como uma amiga (a palavra soou estranha em seus pensamentos), não muda o fato de que sou um monstro.

Emily agora estava quase que batendo as costas contra a parede, Ghost estava tão próximo  que era possível sentir seu cheiro de orvalho e o ar pesado que sempre o acompanhava. O coração da menina batia rápido, estava assustada com as atitudes do amo, com as reações do seu próprio corpo e, principalmente, com medo de que se ele chegasse mais próximo de si e encostasse na pele da mortal pudesse se machucar.

- Isso te assusta? - perguntou enquanto se abaixava um pouco para ficar cara-a-cara com Emi -De quem você está com medo criança? -Os olhos da garota lacrimejaram e se encheram enquanto todo seus corpo em sinal de perigo gritava para que corresse dali, mas ela não o fez.

-Por que vocẽ é sempre tão infantil Mi…!? Mi.. - A palavra sumiu em meio ao seu grito. Não conseguindo completar sua fala. Os olhos do fantasma se arregalaram percebendo que ela tentava falar seu nome.

-O que você disse? -gritou em desespero- Fala! - Emi se encolheu fechando os olhos com medo, não sabia o que havia dito, por um segundo sentiu que não era mais ela no comando das suas ações, mas voltava a si aos poucos.

-E..eu não sei -choramingou, nunca o viu tão amedrontador como agora. Eu não disse nada, pensou.

-Pelos deuses! -Ghost se afastou com um passo largo para trás e passou a mão em seus cabelos tentando voltar a sanidade. - Eu sabia, sabia! - falou sozinho. Era ela. Tinha que ser. Encarou a menina que encolhida e frágil daquela forma mais parecia que iria despedaçar a qualquer momento e algo em si também se quebrou. Estava com vergonha de si mesmo e ao mesmo tempo eufórico com a suspeita de um nome. 

Mi… quantos nomes devem existir com essas iniciais? Queria gritar, bater nas paredes, quebrar algum móvel como sempre fizerá  antes daqueles sapatos vermelhos cruzarem a sua sala. Queria envolver Emily em seus braços.

-Eu devo ir - falou com medo de sí próprio e do que se passava em sua cabeça, pulverizando-se em busca de fugir daquele olhar assustado.

Não vá -Emi mesmo depois daquilo tudo quis dizer, mas já era tarde.


Notas Finais


Obrigada por ler, pfvr não desista dessa história pq eu fico enrolando, juro que não faço de propósito.


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