História Ghost of you - Capítulo 1


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Categorias 5 Seconds Of Summer
Personagens Ashton Irwin, Calum Hood, Luke Hemmings, Michael Clifford, Personagens Originais
Tags 5 Seconds Of Summer, 5sos, Álbum, Fanfic, Ghost Of You, Mendws, Youngblood
Visualizações 234
Palavras 2.414
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Alguns avisos:
▶ O conto é inspirado na música "Ghost of you", da banda 5 seconds of summer;
▶ Os eventos narrados não estão conectados com eventos reais. É tudo fruto da minha imaginação mesclado à música maravilhosa do álbum maravilhoso dos meninos;
▶ Eu fiz um pequeno teaser da história, apenas para ilustrar. Estará disponível nas notas finais;
▶ Eu recomendaria ouvir a música enquanto lê a história, mas é totalmente opcional;
▶ Aproveitem a leitura e espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo único


Três batidas na porta.

Há algo no fundo da minha mente que atordoa todos os meus pensamentos enquanto me esforço para abrir os olhos. Sinto minha cabeça doer, e não consigo distinguir se o som gradativo que ecoa pela sala de estar apenas está intensificando a dor, ou se é a fonte dela. Quando finalmente abro os olhos, a claridade irrita minha visão, fazendo-me piscar algumas vezes.

Ergo meu corpo lentamente. Não possuo pressa. Contudo, a pessoa atrás da porta distribui mais algumas batidas pela madeira, declarando sua impaciência. Solto um pequeno suspiro e grito que já estou abrindo, inclinando-me em direção à mesa de centro e pegando meu celular, descobrindo que este é o responsável pelo barulho ensurdecedor. Não sei se é ligação ou despertador. Desligo e caminho até a porta.

— Você estava usando estas mesmas roupas na semana passada — Calum declara assim que me vê, o semblante sério e calmo. Como resposta, apenas dou um curto passo para trás, sabendo o que o garoto iria fazer a seguir.

Ele entra, fechando a porta atrás de si enquanto eu devolvo o aparelho ao seu lugar anterior, deitando-me no sofá. Todo o meu corpo dói, e sei que a causa são as noites mal dormidas neste sofá, mesclado ao álcool que ainda flutua vagamente pelo meu corpo.

— Você não pode mais continuar dormindo aqui — o garoto fala, sentando-se na poltrona, posicionando-se estrategicamente para conseguir analisar meu rosto.

— Eu não consigo dormir no quarto, você sabe — digo enquanto passo a mão pelo rosto, não disfarçando a exaustão. Sentia como se já houvesse tido aquela conversa antes. E talvez eu realmente tivesse, provavelmente com Michael. E depois com Ashton. Eu me sentia preso em um enorme ciclo.

— Você... — ele hesita. Assim como todos que vão falar comigo fazem. Eles hesitam. Eles analisam a minha situação. Eles escolhem cuidadosamente as palavras. — Você precisa ao menos tentar, Luke.

— Eu estou tentando — murmuro.

— Como? — questiona o moreno. — Você não toma banho há semanas. Você não troca de roupa e não sobe para o seu quarto. Você não está nem comendo! E a casa... — quando seu tom está praticamente se transformando em gritos, Calum para, suspirando fundo enquanto observa os destroços da minha residência. — Está tudo um caos, Luke.

Sento-me. Qualquer posição no sofá quando estou sóbrio parecer ser desconfortável da mesma maneira. Encaro Calum, esperando que ele diga. Esperando que ele faça os mesmos discursos feitos antes. Espero que ele descreva todas as etapas do luto assim como Michael fez. Espero que ele diga o quanto é difícil, assim como Cassandra. Espero que ele ofereça ajuda para a mudança assim como Ashton. Espero que ele diga que tudo ficará bem assim como todos.

Contudo, um dos meus melhores amigos lança-me um olhar sério e decidido, enquanto prepara e inclina seu corpo para se levantar.

— Amanhã, nós iremos te ajudar a arrumar a casa — declara. — Ashton, Michael e eu. Eu entendo que não é fácil, Luke. É uma perda. E sei que Clifford já te explicou todos os passos de como o luto funciona. Pois bem, é hora de dar mais um passo, está bem? — ele caminha em minha direção, distribui dois tapas fracos em meu braço e sorri brevemente. — Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Quando Calum se aproxima da porta, alegando que na sacola há comida, abre-a e desaparece, meus olhos estão lacrimejando.

Há uma sacola em cima da poltrona, onde o garoto estava sentado. Não havia percebido o momento em que ele havia deixado o pacote ali, mas pego-o e caminho até a cozinha. Assim como todos que me visitam, há congelados para poucos dias. Levando em consideração em minha alimentação, consigo manter os mantimentos por duas semanas, talvez até mais.

Enquanto bebo a água da torneira, buscando em minha mente onde estava os comprimidos para dor de cabeça, meus olhos encontram uma caneca em cima da bancada. Há uma marca de batom na borda do recipiente, menos evidente a cada dia que se arrasta. Sei que há café lá dentro. Nem tão doce, nem tão amargo, mas sempre quente demais para conseguir ingerir sem queimar a língua ou fazer uma careta.

No momento em que estas memórias atropelam minha mente, sinto a obrigação de fechar os olhos em uma tentativa de varrer todos esses pensamentos e lembranças para fora. Meu coração começa a acelerar, porque sei que estou me afundando cada vez mais nestas exatas memórias, que por sua vez, parecem cada vez mais distantes.

Sua voz se torna, aos poucos, um eco longe de mais de onde estou. E se tento caminhar pela casa, ainda assim não consigo localizar onde o timbre se encontra mais alto e onde sua risada soa mais viva. Seu cheiro também parece sumir. Sua imagem também, transformando-se em pedaços que fogem de mim e que não deixam que eu tente juntá-los.

Então, pego-me parado ao pé das escadas. Eu sei que lá em cima há tudo que preciso para ter sua imagem em nitidez de volta à minha mente. É onde está o cheiro impregnado nas roupas e nos lençóis. É onde está suas fotos e onde está grande parte dos nossos diálogos. É onde está a maior parte dela.

Agarro o corrimão. Meus pés pressionam degrau por degrau, lentamente. O ranger da madeira é o único som que ecoa pela casa, e depois de tempos, não consigo distinguir que isso me traz conforto ou angustia.

A porta do quarto está entreaberta. Embora o corredor não seja tão extenso, o caminho até a última porta do corredor é longo e angustiante. Quando minhas mãos finalmente tocam a madeira gélida, empurro-a lentamente.

Está tudo intacto, da mesma maneira que foi abandonado. Os lençóis estão bagunçados em cima da cama. Há algumas peças de roupas esparramadas pelo chão e fotos espalhadas pelas paredes. Aproximo-me cautelosamente, meus olhos perseguindo a sua imagem sorridente e esperançosa enquanto encarava a câmera.

Uma das gavetas do guarda-roupa está aberta. Em poucos passos, aproximo-me a tempo de notar que se trata da gaveta dela. Algumas blusas estão emboladas, como se houvesse experimentado as peças e desistido, largando ali mesmo. Dentre cores claras, há uma peça preta encolhida entre as outras. Com os dedos trêmulos, puxo a então camiseta.

— Era a minha camiseta favorita — escuto. Viro-me rapidamente, encontrando ela sentada na beirada da cama. Seu rosto é inexpressivo enquanto suas mãos estão apoiadas em seus joelhos, os olhos fixos em mim. Ela está usando as mesmas roupas que estava usando quando saiu de casa pela última vez. — Você se lembra desse dia? — ela abre um pequeno sorriso. — Eu estava usando esta camiseta quando fugi de casa — seus cabelos negros balançam com o vento que escapa pela janela. Semicerro os olhos, como se tentasse enxergar através de seu corpo. — Eu nem ao menos sou fã de Led Zeppelin.

Sinto o tecido pesar em minhas mãos. Abaixo o olhar, encontrando o letreiro da banda me encarar de volta. Visualizo facilmente a imagem da garota usando a camiseta, uma mochila nas costas enquanto corria em minha direção. Seus olhos brilhavam de emoção.

— Você está destruído — ela solta de repente, chamando minha atenção.

— E a culpa é sua — retruco em resposta, deixando a camiseta de volta à gaveta e levantando-me com dificuldade.

— Você não pode me culpar por ir embora, Luke — seus olhos escuros estão me encarando e encontro dor em suas írises. Pergunto-me, silenciosamente, se há dor em minhas írises quando as pessoas me encaram.

— Você me deixou sozinho — caminho em direção à porta. Antes de sair, viro meu corpo em sua direção. Ela já está em pé há poucos metros de onde estou. — Você foi embora e me deixou em uma casa que não tem nada além que as suas memórias — acuso. — A merda de uma casa vazia.

O ranger dos degraus retoma aos meus ouvidos conforme volto ao primeiro piso. Contudo, não é mais o único som que ecoa pela casa.

— Ir embora nem sempre é uma escolha — a garota insiste. Deixo a camiseta em meu ombro enquanto caminho em direção à cozinha, sentindo-a seguir meus passos. — O que você queria que eu fizesse? Mudasse o percurso das coisas?

— Você poderia tentar — murmuro. Abro os armários. Não há nada além do que recipientes vazios e alimentos próximos à data de validade. Solto um suspiro pesado, andando até a geladeira e pegando uma garrafa de bebida pela metade. Quando viro em direção à garota, ela me encara, séria. Seus olhos intercalam entre meu rosto e o teor alcoólico em minhas mãos trêmulas. — Ótimo — bufo e devolvo à garrafa para a geladeira.

— Eu sempre deixo o remédio para dor de cabeça no armário em cima da pia — e movimenta seu queixo delicadamente em direção ao armário.

— Não use o presente — resmungo. — Você sempre deixava o remédio.

Abro o armário, lembrando-me das vezes que ela inclinava seus pés até a ponta dos dedos para conseguir alcançar primeira prateleira. Encontro a cartela de remédios contendo pouco menos da metade de comprimidos. Desembrulho um deles e coloco na minha língua. Bebo mais água da torneira.

Retomo silenciosamente para a sala e deito-me no sofá. Pelo canto do olho, consigo notar que seus passos são calmos até a poltrona, onde ela senta e me encara, assim como Calum fez. Assim como todos fazem. Dessa vez, contudo, tento ignorá-la. Fecho os meus olhos e pressiono minhas pálpebras, mergulhado em uma tentativa falha de fazer a dor de cabeça passar mais rápido. E, com sorte, fazer todas as dores que sinto passarem mais rápido.

Após algum tempo, abro os olhos. Não sei se passou minutos ou horas, mas ela ainda está encostada na poltrona. Os olhos fechados enquanto seus braços abraçam suas pernas. Analisando seu semblante calmo e ingênuo, consigo facilmente me lembrar o porquê me apaixonei por ela.

— Por que você não coloca alguma música? — questiona, abrindo os olhos devagar.

— Qual música você quer? — questiono-a de volta.

— Eu gosto daquela — ela franze o cenho, como se tentasse lembrar. — Aquela que sempre colocávamos quando estávamos brigados e queríamos fazer as pazes um com o outro, lembra? — ela solta uma risada fraca, quase nostálgica.

Inclino-me, pegando o meu celular. A bateria está quase pela metade, então pego o carregador em cima da estante da televisão e conecto-o à tomada. Deslizo meu dedo pela tela, ignorando todas as mensagens e possíveis ligações perdida. No aplicativo de músicas, meu dedo corre automaticamente para a música marcada como favorita. A melodia começa, e deixo o aparelho telefônico no chão.

Quando a voz calma e melancólica começa a declamar a letra, viro-me para ela, encontrando seus olhos perdidos em algum ponto fixo. Seus dedos passam delicadamente pelas mechas onduladas de seu cabelo, ajeitando-os para atrás da sua orelha. Lágrimas estão deslizando pelas suas bochechas. Ela suspira fundo e me encara.

— Eu não quero ir embora, Luke — murmura, assustada.

Lágrimas estão correndo pelas minhas bochechas também.

— Então não vá — aproximo-me da garota, estendendo minha mão em sua direção. Assisto seus dedos tocarem a palma da minha mão. Sinto seu toque gélido, minha mente tão atônita que não consigo perceber o momento em que seu corpo levanta, posicionando-se em frente ao meu. — Por favor, não vá.

Junto nossos corpos e sua mão toca gentilmente meu ombro enquanto a minha contorna sua cintura. Damos alguns passos para os lados, tentando buscar o nosso próprio ritmo. Aos poucos, a música se torna gradativa, as vozes aumentando a intensidade até chegar ao refrão. Conduzo a dança, lembrando-me que não sou bom nisso. Mesmo assim, a garota me entrega um sorriso sincero, notando os meus esforços. E pego-me perguntando como ela sempre conseguiu ver o bom em mim, mesmo quando tudo ao meu redor estava em destroços.

E pego-me perguntando como conseguirei seguir em frente sem isso.

— Não é doido? — ela murmurou de repente, os olhos encarando-me com firmeza e ternura. — Somos tão jovens e tão burros para saber coisas como o amor?

Encaro-a. Essas palavras rodopiam ao redor da minha cabeça. Balanço a cabeça, bruscamente e rapidamente enquanto percebo o que está acontecendo, enquanto as lágrimas continuam a cair pelo rosto da garota, enquanto ela ainda força um sorriso. Repito incontáveis vezes negações, sabendo exatamente o que está prestes a acontecer.

— Não é doido? — a garota diz, de repente, após bebericar um longo gole de seu café em sua caneca favorita. Como resposta, ergo a sobrancelha para ela, esperando que termine a sentença. — Somos tão jovens e tão burros para saber coisas como o amor?

— Eu não acho que há idade ou grau de inteligência para saber sobre o amor — comento, encolhendo os ombros. — Você só precisa sentir — caminho em sua direção e beijo o topo de sua cabeça. — Preciso ir! Nos vemos depois! Não sinta minha falta, hein! — corro em direção à porta, sabendo que estou atrasado para a reunião. Enquanto fecho a porta, escuto-a gargalhar.

— Por favor, não vai embora — suplico, sentindo minha voz falhar em cada palavra pronunciada em desespero. — Por favor, por favor, por favor. Você não pode me deixar! Você não pode ir embora!

Ela sorri fracamente e se inclina em minha direção. Seus lábios tocam minha bochecha, depositando um beijo na região e sinto minha pele formigar com seu toque. Quando seu rosto retoma ao meu campo de visão, ela murmura:

— Você vai ficar bem, Luke.

Fecho os olhos. Estou chorando. A música termina e logo começa novamente, em um ciclo infinito até que eu pare a reprodução manualmente, mas não me movo para pausá-la. Levo minhas mãos até meus cabelos, sentando-me no sofá. Aperto minhas pálpebras. Diversas lembranças passam em minha mente com pressa. Cada sorriso. Cada dança. Cada palavra dita alto ou em sussurros, em momentos de raiva ou de pura alegria. As últimas palavras da garota parecem dançar ao ritmo da música pelo cômodo, por toda a casa.

Grito. Sinto meu corpo doer. Minha cabeça, meus ombros, minhas costas, meu peito. E não importa por mais quanto tempo eu continue gritando, a dor não vai embora. Não importa quanto tempo eu implore para que ela fique, ela sempre vai embora. Continuo gritando até sentir minha garganta doer. Até não houver mais nada que faça eu continuar chorando.

Deito, os olhos ainda fechados.

O mundo ao redor parece rodopiar diversas e diversas vezes, como se eu estivesse preso em um carrossel. Sempre saindo de um ponto de partida e girando, girando, girando até parar no mesmo ponto que eu saí. Preso em uma melodia quebrada. Preso em uma casa vazia com memórias de um fantasma.

Três batidas na porta.


Notas Finais


▶ Teaser: https://youtu.be/l7Hq2x0By5c

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