História Ghost Souls - Capítulo 48


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Categorias Os Instrumentos Mortais
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jem Carstairs, Jocelyn Fairchild, Luke Graymark, Magnus Bane, Maryse Lightwood, Max Lightwood, Personagens Originais, Robert Lightwood, Sebastian Morgstren, Sebastian Verlac (Jonathan Christopher Morgenstern), Simon Lewis, Tessa Gray, Valentim Morgenstern
Tags Jace Herondale, Jem Carstairs, Os Intrumentos Mortais
Visualizações 7
Palavras 5.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


AEE AMORES!!!

Tudo bom com vocês, lindes? Ansiosos para o primeiro dos três bônus?! Isso mesmo produção, depois de algum tempo sem Ghost Souls, voltamos com bônus maravilhosos e cheirosos!


Então, só pra esclarecer tudo aqui nesse cap haha:

-> serão 3 bônus especiais;

-> eles serão postados com um intervalo de tempo de 2 à 3 semanas (isso mesmo, poderão chorar enquanto eu mergulho na escrita pra animar vocês haha) ;

-> caso tenham sugestões do que quiserem ver em algum outro bônus (olha como sou legal, abrindo espaço pra mais um bônus (4°) com participação especial de vocês, leitorxs) podem me mandar mensagens ou até mesmo escrever nos comentários as ideias de vocês que eu escrevo pra postar em seguida, mas lembrem-se, vou demorar hehe ♡

Depois dessas combinações maras, vamos à leitura. Desfrutem desse capítulo muito bem pois amei escrever ele!

Boa leitura amores!!

Capítulo 48 - A different kind of love - bônus I


Depois daquele Natal, eu comecei a lecionar na Academia dos Caçadores de Sombras nas férias de inverno, ainda no mesmo ano. Contava no meu calendário do celular que mais de 7 meses se passaram desde a minha primeira visita à Academia. Eu havia mudado interna e externamente, com isso, tinha aprendido a ter mais paciência frente aos meus alunos. 

Ainda morava no Instituto de Nova York pelo fim de semana, mas minha morada frequente havia se tornado a Academia e eu abominava isso com todas as minhas forças. Tudo era preenchido por um líquido viçoso preto, até mesmo o interior das gavetas. Com algumas dicas de Catarina Loss, uma feiticeira amiga, e da diretora Viviane Penhallow, consegui alguns panos inteiros para limpar as áreas sujas mais incomodativas. 

O mês de junho passava rápido e o clima ia mudando frequentemente até chegar ao calor insuportável do verão. A área ao redor da Academia era linda, arborizada e campestre. Sempre que eu saía do prédio secular, uma sensação suave de liberdade me preenchia. O ar fora do prédio era limpo, leve e com um diverso aroma floral. A maioria dos alunos adorava a ideia de sair do prédio para ter aula e treinamento ao ar livre. Porém, alguns alunos eram extremamente sensíveis ao cheiro das flores e, consequentemente, das abelhas que surgiam. Contudo, nada, nem mesmo as inúmeras aparições de insetos impediam meus alunos de saírem do prédio a qualquer custo. 

A manhã mais quente a qual já passei na Academia tinha começado alegre. Era o aniversário de Simon, o parabatai de Clary e namorado de Izzy, sendo assim, eu acabei por nutrir um sentimento de amizade em relação ao Caçador, uma amizade que, após alguns meses, tinha se tornando forte. No café da manhã, sentei-me como de costume na cadeira da mesa grande junto aos professores pensando no presente de Simon. Sentei-me e larguei sobre a mesa o temível prato quente de sopa. Ainda perguntava todas as noites à Catarina o motivo de continuarem a produzir esse negócio horrível. Sem palavras, a feiticeira simplesmente dava de ombros e ia para seu quarto. 

- Jade, o treinador Scarsbury pediu para você conduzir o treinamento dos novatos. Ele estará ocupado com os secundaristas. - a diretora Penhallow me avisou logo quando tirei uma orelha da minha sopa. 

- Tudo bem, eu assumo... - falei apertando a orelha na mesa. Ela soltou um líquido amarelo parecido com o caldo da sopa, porém com uma consistência firme e pastosa. - Diretora, creio que a senhora deva ter um conversinha com os cozinheiros... 

- Querida, essa é a quarta vez em uma semana que falo com eles... - disse arrumando seu cabelo curto preto igual ao de sua irmã, Jia, a Consulesa. 

- Espero que eles aprendem de uma vez a checar os ingredientes. Não quero ter que cuidar de uma quinta epidemia de infecção gástrica. - Catarina resmungou deixando de lado seu prato. Ela somente o pegava por já saber da insistência dos cozinheiros em relação a se manter forte e saudável através de sopa.

- Quinta? Só passei por uma... agradeço por ter ficado sem comer isso durante três dias inteiros. - comentei apontando para a sopa enquanto alguns alunos gritavam nas mesas ao fundo do Salão. 

- Um rato ou uma aranha dessa vez? - perguntou a Professora de runas e estelas, Margaret Rosewain, levantando-se da cadeira. 

- Um pedaço de rato, na verdade. - Patrick, um mundano ascendente afirmou. 

Patrick era um secundarista bonito e baixinho, tinha 17 anos e era um dos piores alunos quando cheguei na Academia, ainda no seu primeiro ano. Muitos dos Caçadores faziam piadas inesquecíveis e maldosas sobre ele. Ele ainda conseguia se esquivar das piadas ignorando a todos. Porém, tudo piorava pelo simples fato de ele ser um mundano. Após muitos dias de sofrimento eu acabei me irritando com os Caçadores de Sombras que tratavam Patrick assim. Notei, no mesmo dia em que quase agredi um Caçador que ria às custas das dificuldades do mundano, em uma das minhas caminhadas noturnas, um som abafado de choro em uma das escadas da torre leste. Era Patrick. Ele, por ser tímido e quieto, não conseguia se defender diretamente das piadas, e, sendo assim, ele vinha chorar de frustração escondido na silenciosa torre. 

Naquela noite, eu conversei com ele, contei sobre como me tratavam por nunca ser capaz de acompanhar os outros sem quase desmaiar em qualquer atividade. Contei a ele sobre todos os maldosos apelidos pelos quais me chamavam, contei a Patrick como me chamaram de escória e me bateram em um treinamento da Clave por não ter conseguido desarmar o meu adversário. Entendi que nenhum caso meu se assemelhava aos de Patrick, porém mostrei a ele que entendia sua dor, entendia a incapacidade frente às agressões e ensinei-o a se defender. Todas as manhãs, ao raiar do sol, eu lutava com ele, eu ensinava a como revidar de forma indireta, sem luta; eu ensinava a Patrick uma forma de sobrevivência que tardei a aprender. 

- Eu vou indo então. Tenho que cuidar das armas e não pretendo ver o final desse rato. - avisei apressada pegando meu caderno e indo em direção à sala de armas. 

- É o melhor a se fazer. - falou Catarina olhando para o chão desanimada antes de se levantar com uma expressão a qual indicava que o incidente com o rato na comida não era a primeira vez. 

Acelerei o passo e parei perto da janela quebrada no andar de cima a fim de respirar o ar fresco da manhã querendo me livrar da sensação estranha que a comida me proporcionava. Senti um frio repentino na espinha ao ver uma árvore da floresta se mexer demais. Alguém estava pulando dela, pensei. Fui impedida de continuar a minha vistoria pelo surgimento do espectro fantasmagórico de meu amigo.

- Você está aqui! - comentei animada o abraçando. 

- Tive que vê-la, estive preocupado esses meses em que não avisei você sobre meu paradeiro. - James Herondale riu ao me abraçar sem jeito. 

- É bom ver você inteiro, James. Você já estudou aqui, não é? Vejo que a sua reação não é das melhores... - afirmei passando a mão pela minha camiseta verde escura folgada. Ela tinha o desenho de uma coruja marrom no meio e era rodeada pelos desenhos de galhos de árvores. 

- Passei um dos melhores e piores anos da minha vida aqui. Sei de muitos lugares limpos e sem ratos, se quiser visitá-los um dia. - falou sorrindo e colocando as mãos nos bolsos de seu paletó. 

- Desejo somente um banheiro em que eu não ache o pedaço de uma barata quando tomo banho. - resmunguei antes de começar a caminhar com James. 

Ele me contava suas experiências na Academia, alguns lugares secretos em que eu poderia até mesmo plantar algumas sementes sem ser engolida por musgo preto, alguns banheiros limpos, algumas magias para limpar e desinfetar o meu quarto e, acima de tudo, passagens secretas para ir até Idris e comprar comida descente. 

James não era um rapaz rebelde, como se acreditava, mas sim, muito quieto, recluso, confiável e leal. Estava sempre ajudando os amigos e família em qualquer situação, e sempre era acompanhado de um livro para ler. Eu admirava sua presença e suas indicações literárias.

Estávamos a caminho do jardim quando ele parou em frente a uma pedra. James chutou a rocha e pude ver uma mancha de terra preta desgastada, como se tivesse sido batida por muito tempo por alguma pessoa furiosa e forte. 

- A terra ainda absorve a minha magia. Aqui eu me transformei pela primeira vez em uma sombra. - falou olhando para a lama quase ressecada. Tive a impressão de vê-lo bravo, mas compreendi tal reação; afinal, ele tinha se mostrado uma aberração perto dos Caçadores de Sombras antigos. 

- Você está mais ligado à Academia do que pensei. - sussurrei virando para a árvore rapidamente após ouvir um grito. 

James se assustou e saiu do transe momentâneo. Começou a correr atrás de mim antes de se desmaterializar e aparecer abaixo da árvore. 

- Eles estão machucados! - James me avisou. 

- O que estavam fazendo na árvore?! Ainda não aprenderam a cair de uma simples árvore sem se machucar?! - repreendi os meninos mesmo sem saber quem eram. 

- Vou ajudar você com eles. - James se agachou ao lado do rapaz moreno e virou-o calmamente. 

- Como dói... - gemeu o rapaz. 

- Simon Lovelace? O que diabos você estava fazendo?! - gritei furiosa quando vi seu rosto alegre repleto de dor. 

- Eu encontrei ele nos galhos e estava dando algumas dicas para uma melhor aterrissagem. - resmungou tentando se levantar. 

- Quem estava tentando... Patrick? O que estava fazendo ali em cima? - perguntei após ver o corpo moreno de Patrick se virar. 

- Treinando... eu estava treinando meu pulo... Seu irmão nos ensinou a como fazer isso ano passado mas ainda continuo caindo sobre meus braços... - Patrick se desculpou. 

- Se quisesse treinar mais, poderia ter me pedido, eu te ajudava sem Scarsbury saber. Agora que ele sabe que você estava treinando, torço para ele não contar isso para o restante da turma. - comentei ajudando o garoto a se levantar. Não quis ser dura nas palavras, mas foi inevitável o medo surgir nos olhos do rapaz e a vergonha em meu peito.

- Estávamos todos treinando. Não se preocupe, Jade. Está tudo bem... - Simon falou enquanto olhava aterrorizado para o seu cabelo que estava sendo tocado por James. 

- Venham comigo antes que os professores saiam. Todos comigo, agora. - pedi aos rapazes. James parou de tocar no cabelo de Simon rindo por minha repreensão. 

Voltamos até a enfermaria, nesse horário vazia. Simon e Patrick sentaram-se nas macas enquanto eu enrolava seus braços em bandagens. Patrick só precisava de uma atadura, já Simon precisou ter seus arranhões limpos e cobertos por bandagens. 

- O que está fazendo aqui, aliás? - perguntei ao Caçador quando me sentei na cadeira fofa a sua frente arrumando meus cabelos curtos. 

- Queria relembrar você de hoje... Não sabia se Mary ou James tinham a avisado, mas mudamos o local do jantar, vamos fazer algo no Instituto pois aparentemente Luke me avisou que o Jade Wolf estará ocupado pelos lobisomens em um evento especial. - Simon falou rapidamente ao mesmo tempo em que batia em sua camiseta a fim de limpá-la da sujeira. 

- Ninguém havia me avisado, na verdade. O sinal do celular está bem limitado aqui e Mary não me respondeu ainda. Obrigada por ter vindo até aqui para me falar só isso. - comentei rindo ao me levantar da cadeira e indo até a porta checar a movimentação do pessoal. 

- Um Instituto? Não quero me intrometer na conversa mas ouvi muita coisa a respeito deles, acho que a maioria dos detalhes foi inventada... afinal vocês tem salas de tortura para Caçadores dos quais vocês não gostam? - Patrick perguntou arrumando seus cabelos morenos e relativamente longos, até abaixo de suas orelhas.

- O de Londres deve ter umas três no porão. - James Herondale falou enquanto rodopiava a cadeira à minha direita. Os rapazes haviam desistido de perguntar sobre as movimentações estranhas e somente acompanhavam com os olhos as cadeiras se movendo sozinhas.

Olhei para o fanstasma brava. Parei bruscamente a cadeira e James me dirigiu um olhar triste, porém seu sorriso indicava perigo. Ele se levantou da cadeira parada e foi até a outra que estava perto de Patrick. O menino se assustou com o barulho enferrujado da cadeira e me olhou preocupado. 

- Não é nada demais. - falei dando de ombros. - E, pelo que eu sei, não temos uma sala de tortura. Se realmente tivéssemos uma, eu já teria usado ela há muito tempo. 

Simon engoliu em seco e se levantou. Patrick acompanhou os movimentos do mais velho com calma, como se estivesse estudando o Caçador Ascendente a sua frente. Sorri com cautela e dirigi todos para fora da sala afinal eu tinha que aterrorizar os novatos em cinco minutos. 

Simon seguiu até o jardim junto de mim e dos alunos do primeiro ano. Patrick tinha ido para a aula especial, uma palestra que seria fornecida por Tessa. Cada aluno atrás de mim estava com as roupas do uniforme e se moviam com medo, analisando meus movimentos. Simon se sentou na grama quando cheguei a frente dos estudantes, iniciando, assim, o treino físico matinal. 

- Bom dia a todos. Hoje eu estou substituindo o treinador Scarsbury já que ele está acompanhando os alunos do segundo ano no momento. Sintam-se aliviados por estarem comigo nessa manhã. E não se preocupem com piadas maldosas ou punições pesadas vindas de mim. Avaliarei vocês individualmente hoje com Arco e Flecha, luta corporal e, por fim, cada um lutará com uma arma escolhida contra mim ou contra o colega que eu indicar. Todos já me conhecem, então... alguma pergunta? 

Olhei para cada um, havia cerca de 30 alunos e nenhum deles sequer se moveu. Achei que eles tinham entendido tudo, mas o medo no olhar deles era inegável. Me senti na obrigação de acalmar a todos. 

- Não irei machucar vocês. Só quero que cada um daqui saia desse jardim como um guerreiro. Não importa o conceito que vocês têm sobre o que é ser guerreiro, mas para mim, ser guerreiro é ser alguém solidário e bravo, alguém que ajude o outro na pior hora, alguém que trabalhe em equipe e individualmente bem. Quero que todos se lembrem das diferenças entre vocês, muitos são mais rápidos e aprendem rápido, outros são mais lentos e devem praticar mais. Isso não é uma fraqueza, ser lento na hora de aprender, na verdade garanto que é assim que se aperfeiçoa a luta, com tempo e calma. Caso precisarem de ajuda, conversem com alguém que tenha entendido, e caso sejam tímidos demais para isso, podem vir falar comigo no final da aula ou na biblioteca.

Nesse momento, notei quem era mundano e quem era Caçador. Todos eles, mundanos, me olharam do mesmo jeito. Aliviados e compreendidos. Já os Caçadores me olharam arrogantemente como se as minhas palavras os estivessem atrasando. 

- Não me olhem assim, vocês não são melhores do que ninguém enquanto eu estiver dando essa aula. - falei decidida antes de pegar minha lâmina serafim não abençoada. - Vamos começar então. Corram por 5 minutos ao redor do jardim e depois peguem um arco e flecha. Todos começem dessa linha aqui. - sinalizei à marca feita pela minha lâmina no chão. - Todos começarão no mesmo tempo e do mesmo lugar. Vão. 

Ordenei e meus alunos logo começaram a se aquecer. Simon sorria fracamente. 

- Você é mesmo uma boa Caçadora, não só lutando, mas em termos de justiça. Sua luta é válida como os rebeldes de Star Wars. 

Dei de ombros sem entender a referência e segui os alunos até o ponto final. Treinei a todos com Arco e Flecha por uma hora. Todos os alunos eram ágeis, até mesmo Nai, uma menina pequena e baixa que mais se assemelhava a uma criança do que uma adolescente de 17 anos. Fiquei orgulhosa do desempenho de todos, os Caçadores estariam em boas mãos com essa nova geração. Com meu arco e flecha na mão empunhados, ensinava à todos como arremessar a flecha caso fossem atacados por cima e precisassem atirar do chão, agachados. 

- Agora quero ver vocês, um por um, fiquem um do lado do outro, com um espaço de um braço entre vocês. Deitem-se e mirem com os braços, não levantem o peito do chão mais do que necessário. Por favor, façam. Se precisarem de ajuda, levantem a mão que irei ajudá-los. - avisei antes de cada aluno se posicionar no campo de treinamento. Por surpresa, todos obtiveram sucesso nessa tarefa sem precisar me chamar. Eu, ocasionalmente, corrigida a postura dos alunos, mas fora isso, os alunos se saíram muito bem. 

Após o manejo do arco e flecha, direcionei os alunos até o treino com armas. Cada um escolheu a sua de acordo com a facilidade já conhecida por eles mesmos através dos treinos de Scarsbury e, divididos em duplas, alguns por afinidade e outros por destreza, começaram a repetir os movimentos que ensinei-os. Nai se mostrava mais forte do que qualquer um ali, incrivelmente sua imagem infantil era desmentida pela sua força e agilidade. 

- Muito bem Nai, tente levantar mais um pouco o seu braço e abaixar o ombro quando desferir o golpe por baixo. - sinalizei à menina do meu lado. 

Ela fracamente sorriu e refez o movimento de acordo com meu conselho. 

- Isso, muito bem. - falei à dupla de garotas a minha frente. Enquanto Nai atacava bem, Gwen defendia rapidamente os golpes. Gwen era alta e corpulenta, intimidava a todos mas era uma ótima menina, estudiosa e corajosa, sempre ajudava Nai quando necessário e sentia uma aproximação bonita entre as duas. 

Deixei com que cada um aperfeiçoasse os ataques e golpes após trocar as funções dos alunos, quem defendia agora atacava e vice versa. Orgulhosa com os resultados, anunciei a última parte do treinamento. A luta. 

- Não fiquem ansiosos demais, ninguém irá me machucar hoje. E ninguém irá machucar o colega, também. - avisei sobressalente já que notei os olhares malvados de Travis, um Caçador da família Whitelaw que era tendencioso a brigas e discussões frequentes. 

- Jade, não machuque eles também. Eles são só alunos, e eu sei como todos sofrem por tentar melhorar e alcançar um nível bom e confortável para si. - Simon falou sentado na grama fresca do jardim. Ele tinha medo de que eu viesse a machucar os alunos com minha força, porém eu não tinha o direito de usar meus socos ao meu favor contra alunos que devem aprender a lutar e não a se traumatizar. 

- Fique tranquilo, todos aqui sobreviverão a essa luta de hoje. Talvez alguns possam voltar com o orgulho ferido, e nada mais. - avisei sorrindo sarcástica para os alunos, principalmente Travis e Harriet, prima de Travis e uma Caçadora extremamente fútil, sempre rebaixando outros alunos para se sentir superior. 

Meus alunos se posicionaram em uma linha, um do lado do outro empunhando suas armas. Peguei minha Lâmina Serafim e segurei a arma indicando com a cabeça para que Patrick desse um passo a frente e lutasse comigo. Como eu não invoquei nenhum nome divino, a Lâmina Serafim se mostrava sem uso, sendo apenas uma espada normal. 

Patrick engoliu em seco ficando em minha frete. Ele empunhou sua espada respirando fundo. 

- Pronto? - perguntei arrumando meus óculos para que não caíssem. 

- Sim... - sussurrou ele, apesar de sua voz ter saído em um simples sussurro, sua expressão era firme e decidida. Por isso, avancei. Patrick defendeu o golpe dando alguns passos para trás. Nai o tocou nas costas, incentivando-o. Patrick voltou e atacou com dois golpes fortes que, facilmente, defendi. Alguns alunos estavam nervosos e prenderam a respiração quando um dos meus golpes quase cortou o ombro de Patrick, que, com agilidade, desviou da Lâmina e alcançou minhas costas, desferindo um golpe. Com rapidez, virei e atingi a Lâmina de Patrick fazendo-a voar até a grama perto de Simon. O aluno me olhou surpreso e incerto. Sorri de leve e o liberei. Ele tinha entendido o propósito da aula e estava se ajudando ao defender os golpes mais fortes. 

Após algumas alunas que ne surpreenderam, foi a vez de Travis. Ele era mais alto do que eu, e nunca fui considerada baixa, sempre tive uma estatura maior do que a média, sendo até maior do que alguns meninos. Porém Travis tinha 2 metros de altura. Isso não me amedrontava, na verdade, me preocupava; se ele não aprendesse a ser ágil e veloz com uma altura dessas, Travis estaria em perigo nas batalhas. Seus movimentos de esquive seriam lentos e ele poderia se ferir seriamente. 

- Vamos lá? - perguntou arrogante passando a mão pelos cachos ruivos. 

- Vamos logo com isso. - comentei ao empunhar minha lâmina. 

Travis logo atacou, me surpreendendo. Sabia que ele viria com tudo, mas não tinha percebido a intensidade da sua vontade de lutar comigo até agora. 

- Por que você está assim, Travis? - perguntei ao avançar pela grama desferindo golpes que eram muito bem defendidos pelo meu oponente. 

- Assim como? Estou só sendo o melhor aluno, como de costume. - falava parado. Entendi no momento que Travis não conseguia lutar e articular um pensamento simultaneamente. Travis era uma máquina regida por raiva e por superioridade. 

Parada também, abaixei minha Lâmina causando uma movimentação agitada entre os alunos. 

- Travis, você está agindo por impulso. Por que tenta tão arduamente se mostrar o melhor mesmo quando todos já sabem que você é bom? 

- Eu não seu bom, sou o melhor e você está aqui para lutar comigo e não para me dar um sermão. - rugiu antes de me atacar com vários golpes rápidos. 

Eu defendia todos os ataques, até investir contra ele de forma abrupta e fazer o Caçador recuar com um ombro cortado. 

- Levante o braço quando for defender seus ombros, o oponente notará uma brecha e o machucará. Deixe a espada se movimentar levemente, não pressione suas mãos com força.- avisei o menino irritado. 

Travis me olhou furioso antes de avançar. Com um forte golpe, ele bateu em meu braço sem a Lâmina com o cabo de sua espada. Inflei meu peito e parti para cima dele. Ataquei o menino de diferentes direções. Ele estava irritado e lutava bem, porém eu deveria fazer com que ele aprendesse a canalizar a raiva antes de lutar contra alguém porque excesso de fúria em mente poderia fazê-lo se desconcentrar. Segui com alguns golpes até atingi-lo com o cabo de minha lâmina na mão e fazê-lo soltar a arma. Nesse momento, ele parou estático e ficou me olhando. Todos estavam perplexos com a nossa luta. Ela tinha sido árdua, cansativa. 

- Muito bem, por hoje é só. Dispensados. - avisei aos demais. Travis permaneceu olhando sua mão que agora sangrava pelo pequeno corte. 

- Travis? Cuide dos ferimentos antes aue infeccionem. E além disso, não deixe que sua raiva o consuma, use-a para seu bem, canalize ela para sua espada e atinja seus inimigos com precisão, não precisa pensar em nada mais, apenas se certifique de usar a espada sem hesitar como fez hoje. - falei enquanto me aproximava do rapaz. Notei que ele encarava o chão e seus olhos brilhavam mais do que o normal. 

- Não me diga o que fazer... eu tentei ser o melhor... eu tentei e você me diz isso, para lutar sem hesitar?! - raivoso, o menino me olha nos olhos. 

- Travis, não tente ser o melhor dos melhores caso você possa se machucar. Nunca ultrapasse seu limite. Você é um ótimo Caçador e deve aprender a lutar sem... - iniciei uma frase mas logo fui interrompida. 

- Você foi a melhor mesmo quase morrendo duas vezes! Eu posso ser o melhor, e eu vou ser... eu vou... - Travis estava tão cansado, tão pressionado que caiu de joelhos no chão. 

Aproximei-me de seus corpo caído e toquei em seus ombros. 

- Você não é Jade Herondale, você é Travis Whitlaw, você deve ser você mesmo sem querer ser outra pessoa. Você é especial e único, cada um daqui é único de sua forma. Não se pressione para tentar ser outra pessoa. - falei calmamente. Nesse momento entendi o porquê de Travis ter lutado tão fixamente, ele queria ser como eu, um traidor? Um doente? Um monstro? Travis era um bom Caçador e deveria trilhar seu caminho sozinho mesmo que guiado por outras pessoas. 

Mais calmo, ele se levantou, me olhou e respirou fundo. 

- Eu serei o melhor, com certeza. Não preciso ouvir suas palavras, só quero que todos um dia gritem o meu nome em glória. - falou limpando sua testa suada com a mão alva. 

- Não queira ser o monstro o qual eles temem e abominam, garoto. Passei por muita coisa, fui de escória à uma sobrevivente, seja o melhor, Travis mas almeje o sucesso com humildade. Ninguém nunca o apoiará caso você não mude. Ninguém irá querer um herói esnobe. Ninguém irá querer outro monstro. - comentei áspera. Travis pareceu se chocar ao ouvir minhas palavras. Ele apenas queria ser o herói do povo, mas, apenas queria ser o maior, sem ajudar devidamente o espírito de bondade e humildade que em todos deve existir. 

- Eu não quero ser um... um monstro. Quero salvar pessoas e quero que elas gostem de mim. Eu quero... ser humilde um dia, eu quero ser como você um dia, quero salvar a todos como você fez... - falou muito mais calmo. Seu tom de voz era terno e nem parecia o rapaz exaltado de antes. Toquei em seus ombros de leve e sorri. 

- Você vai salvar muitas pessoas, Travis. Com toda a certeza, mas me prometa que sempre lembrará de se por no lugar das outras pessoas as quais você salvou. Sempre pense em como elas sofrem e em como você fará esse sofrimento acabar. Sempre tenha em mente que: apesar de ter sucesso, sua vida e sua felicidade devem estar em primeiro lugar. - comentei. - Vá descansar agora, respire e pense um pouco no que falamos ok? 

Ele assentiu com a cabeça e seguiu para dentro do prédio. Voltei meu olhar até Simon que me encarava surpreso.

- É isso o que você pensa? Você se considera um monstro? - perguntou ele se levantando do chão e me acompanhando até a entrada do prédio. Já era quase meio dia e deveríamos ir almoçar. Caminhávamos calmamente pelos jardins.

- Muito mais do que isso. Fui, um dia, um monstro terrível, e agora tenho que tomar cuidado para não me transformar nele de novo. 









[...]








A noite estava fresca porém quente. Tinha voltado ao Instituto pelo fim da tarde para me arrumar antes das 20:00h. Mary estava sorrindo feliz para mim quando cheguei, felizmente haviam permitido que ela morasse comigo na Academia até o final do ano. Essa foi a primeira semana em que ficamos separadas na Academia pois ela teve que viajar até o Instituto de Dublin para resolver os problemas da sucessão do novo diretor. 

Tomei um banho, me vesti com uma calça jeans azul e uma camiseta regata de seda amarela. Calcei meu all star branco dado de presente por Maryse, sequei rapidamente meus cabelos curtos, até as orelhas, e segui pelos corredores do Instituto calmamente antes do horário previsto. O jantar começaria às 20h e ainda eram 19:20h. 

Estava no corredor que me dirigia até a estufa. Ao chegar perto da porta de vidro já podia notar o aroma forte de flores e ervas. Sorri de leve com a saudade crescendo em meu peito. Adentrei a estufa reconstruída pela guerra. Ela havia ficado maior e agora agregava uma quantidade absurda de flores, árvores e ervas medicinais. Vi alguém sentado na escada e me assustei de leve. Fixei meu olhar no Caçador e notei ser James. Não o via há cinco meses, desde a última vez em que voltei ao Instituto. Ele estava como sempre: deslumbrante e misterioso. Ele, após vagar o olhar pelas flores adornando a escada, notou a minha presença e sorriu animado. Um sorriso puro. De dentro do coração. 

- Você voltou. Que bom te ver inteira. - falou ele se levantando do degrau e vindo até mim. 

- Felizmente viva. É bom te ver também. - falei apertando a mão do Caçador a minha frente. Surpreendentemente, James me puxou de leve para um abraço apaixonado cheio de saudades. Pude sentir seu perfume fraco impregnar minhas narinas e me remeter ao dia em que tudo se começou: nosso encontro no lago Lyn. 

Me separei dele e, ainda me acostumando a nossa proximidade, sorri desajeitada. Ele fez o mesmo rindo divertido antes d eme dar um beijo calmo e rápido. 

- Senti sua falta nesses meses. - sussurrou perto ao meu ouvido. 

Senti um arrepio percorrer minha espinha e passei minhas mãos pelos seus cabelos negros, prendendo meus dedos entre os fios. Sorri antes de olhá-lo. 

- Eu também. Senti falta de seu sorriso, de sua música... 

- Agora poderemos aproveitar o fim de semana antes de você voltar à Academia de um jeito novo. - falou sugestivo e ri incrédula. 

- Jeito novo? A que jeito você estaria se referindo? - sorri antes de James me levar à escada. 

- Em que você está pensando?... Vamos logo, não pense bobagens. - falou subindo comigo até o segundo andar da estufa, onde tinha uma redoma nova de vitral cobrindo o local. 

James tocou com sua estela em um pedaço de pedra enfeitiçada e logo sorriu.

- Não me olhe assim, observe essa beleza.

- Estou observando. - comentei antes de ouvir o barulho da redoma se abrindo mostrando o céu noturno com algumas poucas estrelas. 

- Essa beleza é ocasional, aproveite bem dela. - disse me abraçando por trás. Toquei em suas mãos notando o céu noturno aquecer meu coração. 

- James! Vamos descer, o jantar já está sendo servido. Olá Jade! - Alec gritou do andar de baixo. 

- Já estamos indo. Olá Alec. - respondi rindo. 

Ouvimos um murmúrio antes de Alec deixar a estufa. Sorri de leve para James.

- Obrigada por me mostrar isso. - pisquei para ele que riu tímido. 

- Devemos vir aqui mais vezes. - replicou passando as mãos por sua camiseta social escura. 

- Com certeza. Ah, lembrei de algo! - comentei enquanto descíamos as escadas de mãos dadas. Era a primeira vez em que fazíamos isso abertamente e me sentia quente e segura com James por perto.

- Diga. - incutiu ele enquanto passávamos pela porta de vidro que nos abria ao corredor no qual já era possível ouvir as vozes animadas dos convidados.

Sorri animada antes de perguntar:

- No Instituto de Londres há realmente salas de tortura no porão?





Notas Finais


Por hoje é só amores, vejo vocês em algumas semanas!

Comentem as sugestões e o que acharem desse bônus maravilhoso haha.

Um beijo no coração de cada um(a)


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