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História Girassóis de Van Gogh - Capítulo 17


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Notas do Autor


Eu voltei 😂 bom, espero que gostem 🥰 recomendo a música do capítulo - Você me vira a cabeça - Alcione.

Capítulo 17 - Você me vira a cabeça


- Então eu prefiro não ter nada. - Eu disse. - Não estou pronta para mais uma decepção.

- Bebê, não complica as coisas, hm? Nós não precisamos nos envolver a ponto de se machucar. Eu gosto desse nosso lance. - Emma disse e suspirou. - Por favor, não me faça tomar uma atitude em relação ao meu noivado, não dá, eu não posso. O problema é que eu também quero continuar te vendo, te tocando, te beijando. - Havia sinceridade em suas palavras. 

- Okay. Acho que só me resta negar qualquer sentimento além de atração que eu tenha por ti. É o mais seguro e sensato a se fazer. - Eu disse. Emma não questionou, apenas me beijou novamente, com doçura.

***

Exausta, é assim que me sinto. A minha cabeça parece que vai explodir, o meu corpo reclama, a minha alma inquieta não me permite relaxar. Limite, eu acho que estou chegando no meu limite e só preciso de paz, alguns dias afastada, sem problemas, sem amor, sem sofrer, sem trabalhar. Sim, férias seria uma ótima idéia, jogar tudo para o ar e não pensar em absolutamente nada é uma solução magnífica. Como posso me encontrar se não tenho tempo de entender aonde me perdi? Eu não sou capaz de lidar com tudo de uma única vez, Deus, vai com calma aí. Ah, os últimos acontecimentos devem ter dado um nó na minha mente, não é possível. Por que as pessoas me usam quando o assunto é sentimento? Droga! Emma me tem como uma válvula de escape e de alguma maneira me doeu ver em seus olhos tal verdade. Está certo que nós não somos nada uma da outra, mas é péssimo entender que és usado. Sinceramente, não desejo isso a ninguém. Talvez eu esteja errada, mas não vou tentar descobrir. Não posso e não quero. 

Eu odeio pegar trânsito quando o meu humor não ajuda. É só mais um ponto de estresse. Tem dias que a gente deveria poder pular, esquecer, fingir que não existiu, porque, porra! Foi foda, tenso. O melhor que a gente faz é ignorar, meu caro. O som alto é uma distração essencial para não observar o fim de tarde até que bonito. Okay, eu notei o céu se perdendo em uma aquarela e ganhando um tom escuro. Paz. Tranquilidade. Calma. Sei que são sinônimos, enfim, foi o que a mãe natureza me passou. Não foi tão ruim assim. Ainda há motivos para acreditar que vale a pena. Eu acabei sorrindo, sem mais, só deu vontade de sorrir e fingir que é isso mesmo, a vida é esses picos de loucura urbana. Não me leve tão a sério. Nem tudo precisa ser lido a risca. Ah meu caro, eu sou momentânea...

Um alívio se fez presente quando eu cheguei em casa. Lar, doce lar. Eu gosto dessa minha plenitude. Se fosse para mudar algo, seria a instabilidade, de resto, não tenho muito o que reclamar. Até que eu sou uma pessoa bacana, não muito surtada, não muito normal, sei lá, não quero pensar sobre. A única coisa que eu preciso é de descanso. Um banho quente foi simplesmente divino. Vestir uma camisa larga e uma calcinha foi reconfortante. Nada como poder se jogar no sofá, reclamar e vadiar. Agora sim, o mundo pode desmoronar lá fora que nada me atinge, tentarei lidar com o pouco que já me aconteceu e com essa dor de cabeça insuportável. Um minuto em silêncio, com as luzes apagadas e as cortinas fechadas – tudo para evitar remédios. 

Eu peguei no sono por um breve período, acordei com a porta sendo aberta. Sem falar nada, como de costume, ela simplesmente se deitou ao meu lado e me abraçou. Ruby é a parte do meu dia que eu chamo de felicidade. É como se tudo se juntasse, ganhasse sentido e as dores não tivessem importância. Uma vez eu ouvi em um filme que precisamos de algo eterno na vida, acho que a minha amiga tem esse significado para mim. Não importa o quão cruel é lá fora, o quão ruim foi a minha manhã, o quão escrotas foram as pessoas que eu esbarrei, tudo muda quando posso estar exatamente aqui, em seus braços. Não se confunda, não é nada demais, eu acho. 

Ruby me fazia carinho, em silêncio. Eu pude sentir que algo a incomodava. Dá para saber quando uma pessoa amada não está bem. É questão de conexão. Conhecendo-a o certo é esperar, ela só está tomando o seu tempo, buscando se sentir confortável e aí irá dizer. Me parte o coração vê-la mal, não gosto nenhum um pouco disso. Se eu pudesse iria protegê-la, não deixaria ninguém machucá-la, a minha paixão platônica não merece sentir dor alguma. A sua energia é tão pura. Ela é doce, gentil. Sem sombra de dúvidas que eu tenho um anjo na minha vida.

- Hoje foi um dia péssimo, eu não via a hora de poder vir para cá. - Ruby disse. A sua voz demonstrava cansaço. - Eu precisava de você, minha rainha. 

- O que te irritou, meu amor? 

- Nada em específico. Talvez seja uma desculpa para justificar a necessidade de ti. - Ela disse e sorriu. - Sei lá, mas acho que uma hora ou outra tu vai se cansar da minha companhia e vai me expulsar daqui. 

- Não diga bobagens. - Eu disse. - Eu te amo. 

- Eu também te amo. E quer saber? Vamos dançar! - Ruby se levantou e me estendeu a mão. Óbvio que eu estranhei. - Vamos lá, Regina! 

- O que deu em você? - Eu me levantei, segurei em sua destra e sorri. - Pelo menos vai colocar uma música? - Ela fez um gesto negativo. - Como não? A minha imaginação não é muito boa, capaz de tu ir no gingado da salsa e eu curtir um funk. 

Não era uma mentira, a minha vibe é um pouco diferente. Eu gosto de brincar, se divertir, quebrar a tensão que possa vir a existir, evitar conflitos, entender os fatos e temer a entrega. É complicado estar no meu lugar. Ser uma pessoa fácil e dada pode gerar problemas. Em relação a quê? A não resistir, a não ser racional. Ah meu caro, eu sou feita de paixões. 

- Não se preocupe, eu prefiro dançar uma sofrência raiz, para te puxar para bem perto. - A sua voz saiu num tom rouco, o seu olhar intenso me causou arrepios. Vamos ignorar as reações. Nós começamos num ritmo nosso, devagar, fechamos os nossos olhos, eu deitei com a cabeça em seu ombro e a minha amiga cantarolou baixo, sem mais. São momentos como este que não devem cair no esquecimento.

- Eu sou a tua vaidade, Ruby? - perguntei, me referindo ao verso que ela acabara de dizer, fazendo-a rir em descrença. - Oh, pelo visto sim. - eu acabei fingindo decepção. 

- Regina Mills, o objetivo aqui é te seduzir e te ter só para mim. - Ela disse de forma quase convincente. 

- Mente mesmo, quem sabe uma hora eu não acredito. 

O meu celular tocou, antes que pudéssemos prosseguir com a zoeira. A minha melhor amiga fez um gesto para eu atender, mas não era do meu interesse não. Okay, okay, vencida pela insistência. Ai que droga. Porra, cara. O que ela quer? O que ela pensa? Emma estava chorando e pedindo por ajuda. Naquele instante a bagunça voltou a ser primordial na minha alma. Deus, me fizeste trouxa? Não é possível. Tem tanta coisa envolvida e ao mesmo tempo eu nem sou parte disso. Tem como reescrever essa parte no livro do destino? Não que eu queira apagá-la, talvez o noivo dela, a sogra, enfim. Eu desliguei o telefone após pedir para ela ficar calma e dizer que sim, que poderia chamar um táxi e vir.

- O que houve, minha rainha? - Ruby perguntou ao notar a minha expressão preocupada.

- Longa história. Essa mulher que me ligou vive um relacionamento abusivo, creio que sofre violência, mas não quer desistir de se casar. Parece dependente da situação, não acredita que pode superar a realidade em que está. E o foda é que ela é genial, está a frente do projeto mais importante da empresa. Tem um futuro brilhante. Emma não precisa do noivo, não do jeito que pensa. Droga! Eu só queria que ela pudesse se ver do jeito que eu a vejo.

- Você mais do que ninguém sabe como é difícil sair de relações tóxicas. Talvez a moça não tenha a quem recorrer. Na pior das hipóteses, pode estar sendo ameaçada. Eu não sei ao certo qual o elo de vocês, só não se machuca, meu amor, por favor. Bom, acho que não seria bom para ela ter contato com terceiros agora. Eu te amo, fica bem, até amanhã. - A minha amiga disse, beijou o meu rosto e se despediu. 

***

Não demorou para que Emma chegasse com o filho que dormia em seu colo. Droga, isso não pode ser comum, não pode se repetir assim, uma hora pode acontecer o pior. A piori nada foi dito. A bela mulher levou Henry até o quarto de visitas e o colocou na cama, depois voltou para a sala. O seu vestido tinha um pequeno rasgo. Ela não iria chorar, não agora, ainda tinha orgulho e não iria contradizer a sua fala de mais cedo. Mais uma vez estou presenciando a sua rotina nada agradável. Foda-se  as razões, não posso continuar colaborando, mas também não dá para negar ajuda. O problema é que por mais que eu diga mil e umas coisas, não serei ouvida. Eu respirei fundo, contei até dez e a abracei. Eu gosto de tê-la por perto, de sentí-la em mim.

- Vem, eu vou pegar uma roupa para você e uma toalha. Toma um banho quente, tenta relaxar. Se quiser conversar eu vou te ouvir. - Eu disse. 

E assim foi feito. Logo a loira saiu do banheiro, com os cabelos molhados e os olhos inchados, possivelmente chorou no banho. Nós fomos para o quarto, nos deitamos e ficamos um tempo em silêncio. 

- Um ex cliente me procurou sem aviso. Jones chegou na hora em que o idiota me beijou a força. Primeiro o meu noivo agrediu o homem. Mas depois ficou com raiva dizendo que foi traído. Às vezes ele fica nervoso, não é sempre, tem dias que sua companhia é agradável. Ele não teve culpa de ter perdido a cabeça. Esse é o preço a se pagar por ter sido prostituta. - Emma suspirou. - Não foi de propósito, bebê. Jones não é ruim, mas os babacas não me deixam em paz. Quando a gente estiver morando junto será diferente.

- Nada justifica o que ele fez. Se não fosse ruim teria te defendido e pronto, e não levantado a mão para ti. Não é a primeira vez e se não der uma basta, não será a última. - Silêncio. - Você diz que eu não entendo, certo que sou mais nova e que vivo outra realidade, mas já passei por um relacionamento que me destruiu. E acredite, eles não mudam, não vale a pena. 

- Me beija? - foi tudo o que ela disse. Não teve como negar. Eu a beijei. Não houve pressa. Foi intenso, causando-me arrepios e arrancando gemidos baixos. - Obrigada. - Ela disse ao finalizar o contato com um selinho e se aconchegou em meu mim.


















Notas Finais


Críticas são bem vindas 🥰


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