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História Give Me Love II - Klaroline - Capítulo 25


Escrita por: MelAccola

Notas do Autor


Boa madrugada, minhas lindezas.
Espero que gostem do capítulo. :)

P.S - Quem eu ainda não respondi o comentário irei responder amanhã, ou seja, hoje mais tarde. Haha.

Capítulo 25 - Almoço desastroso.


Fanfic / Fanfiction Give Me Love II - Klaroline - Capítulo 25 - Almoço desastroso.

 

 

Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2022.

 

“Eu me lembro de anos atrás

Alguém me disse que eu deveria tomar

Cuidado quando se trata de amor, eu fiz

... Eu fui descuidado, esqueci, esqueci

... Tudo o que tínhamos se foi agora

Diga a eles que eu estava feliz

E meu coração está quebrado

Todas as minhas cicatrizes estão abertas

Diga a eles o que eu esperava que fosse impossível

... Deixar de amar é difícil

Cair na traição é pior

Confiança partida e corações partidos...”

— Impossible (James Arthur)

 

POV Klaus:

Aurora de Martel, a ruiva que me proporcionou momentos excitantes estava em Nova York, e parada na minha frente, me olhando com animação.

— O que você está fazendo aqui? — O brilho nos olhos dela a denunciavam; ela estava adorando o nosso reencontro.

— Família, e você? — Respondi breve.

— Trabalho, vim resolver algumas coisas para o meu pai.

Aurora era filha de um dos maiores donos de construtoras dos Estados Unidos. Ela era formada em engenharia, e pelo pouco que ela tinha me contado sobre o seu ofício dava para perceber que ela era o braço direito do pai.

— Pretende ficar quanto tempo aqui? — Quis saber mais.

— Duas ou três semanas, e você?

— Era para eu já ter ido embora, mas minha filha quis ficar mais tempo, então acho que só retorno para NOLA no mês que vem.

— Filha? Nem sabia que você tinha uma filha. — Ela comentou surpresa.

— Ah, vou encarar isso como um elogio, já que suponho que você deva estar pensando que eu não tenho idade para ter uma filha, e ainda por cima adolescente. — Falei divertido, e ela escancarou um belo sorriso.

— Não foi isso que eu disse, é que você não tinha mencionado isso nos nossos encontros.

— Porque não tivemos muito tempo para conversar... — Interrompi a frase sugestivamente, para que ela continuasse.

— Afinal estávamos ocupados demais fazendo outras coisas. — Ela completou, me olhando com uma malícia bem evidente.

— É, muitas coisas. — Lambi os lábios ao relembrar as noites quentes que eu e ela protagonizamos. Ela abaixou a cabeça e soltou um riso abafado. — Vai fazer o que mais tarde? — Questionei.

— Por que? Quer me levar para outro encontro? — Ela arqueou uma das sobrancelhas, me olhando com uma expectativa vibrante.

— Talvez, preciso te pagar um café. — Falei, olhando para sua blusa azul royal, que estava com uma grande mancha de cafeína.

— É, precisa mesmo. — Ela também olhou para a peça de roupa e logo em seguida me encarou. — Mais tarde eu já tenho compromisso, vou encontrar um amigo.

— Amigo? — Perguntei, desta vez eu que levantei uma sobrancelha para ela. Não que eu estivesse com ciúmes, porque nesse contexto isso não me cabia, apenas estava curioso.

— Você não combina muito com ciúmes, Sr. Mikaelson. — Ela observou.

— Você fala isso porque não sabe do meu passado, não sabe quantas vezes eu já agi como um babaca com a minha ex. — E até numa conversa com outra mulher Caroline invadia a minha mente. Loira do caralho!

Aurora soltou uma gargalhada gostosa, daquelas que chama a atenção em qualquer lugar, o que me instigou a ri junto com ela.

— O Lucien é só meu amigo mesmo. Fiquei sabendo que ele é dono de algumas casas noturnas por aqui e resolvi visitá-lo.

— Lucien Castle? — Perguntei surpreso.

Fazia muito tempo que eu não via, e falava, com Lucien, a última vez foi quando causei uma enorme confusão na boate dele, por causa de Caroline, vocês devem estar lembrados, não?! Naquela fatídica noite em que ela rompeu comigo.

— Sim, você o conhece?

— Conheço, prestei alguns serviços para ele, mas faz mais de anos que eu não falo com ele.

— Então, hoje eu já marquei de ir visitá-lo, mas, amanhã eu estou livre. — Ela abriu a bolsa e vasculhou, até que retirou dela um bloquinho de papel e uma caneta. — Esse é meu número, me ligue. — Ela me deu um pedaço de papel com o número de celular dela anotado.

— Combinado, acho que posso compensar o estrago que fiz na sua blusa com um jantar. — Pisquei para ela, que me retribuiu com um imenso sorriso.

— Agora preciso ir, até amanhã, Klaus. — Aurora se aproximou de mim, e beijou minha bochecha. Ela saiu andando apressada, e claro que eu não deixei de reparar na bela bunda dela, que balançava para lá e para cá.

— Merda, você está ferrado. — Alertei a mim mesmo.

Aurora era uma mulher muito linda, e seu físico chamava atenção. Nunca tinha me interessado por ruivas, as loiras eram meu ponto fraco, mas confesso que ela tinha chegado para me desafiar.

Encerrei minha caminhada e decidi pedir um táxi. Minha cabeça não estava mais tão distraída, agora eu tinha alguém para ocupar minha mente, e quem saiba futuramente o meu coração.

 

(***)

 

POV Caroline:

Depois que sai da casa de Hayley e Elijah dirigi para o meu apartamento, mas no caminho dei uma passadinha no Central Park, para arejar as ideias. A pergunta que Klaus me fez no carro, se eu amava Jackson, tinha me pegado de surpresa, e ainda estava ecoando na minha cabeça. Como ele podia ser tão invasivo a esse ponto? E ainda por cima tinha me deixado com essa dúvida. Eu nunca tinha falado as três palavrinhas para Jackson, aquelas palavras que especificam o tanto que você gosta de alguém. Eu gostava de Jackson, e estava feliz com ele, mas não podia dizer a ele uma coisa de que eu ainda não tinha certeza.

Caminhei mais um pouco, sentindo o vento gélido de Nova York atingir meu rosto. Depois de pensar por muito tempo, e andar, eu resolvi ir para casa. No fundo eu sabia que estava evitando encontrar com Jackson, mas eu não poderia evitar ele para sempre, e afinal de contas fui eu quem estava indo atrás dele todos esses dias, por que justo agora que ele estava disposto a conversar eu estava recuando?

Entrei no meu carro e dirigi calmamente, escutando uma música zen, o que contribuiu muito para minha ansiedade esvair. Assim que cheguei no meu apartamento Jackson já estava lá, preparando algo na cozinha.

— Oi. — Ele parou o que estava fazendo e veio até mim, me recepcionando.

— Oi. Tudo bem? — Perguntei, retirando meu casaco, e o pendurando no hall de entrada, assim como a minha bolsa.

— Não, mas vai ficar. — Jackson pegou em uma das minhas mãos e me guiou até o sofá, onde Spike estava e veio correndo deitar no meu colo. Jackson se sentou de frente para mim e começou a falar:

— Car, primeiramente eu quero te pedir desculpas. Eu não deveria ter de dado um gelo, eu deveria ter agido como um adulto e resolvido as coisas por meio de um diálogo.

— Você não precisa se desculpar por nada, se tem alguém que deve fazer isso sou eu. Eu sinto muito por ter esquecido de me encontrar contigo para conhecer a sua mãe, eu estou me sentindo péssima com isso, e estou disposta a me redimir.

— Você não precisa se desculpar, eu entendo que você está com a cabeça cheia; com as coisas da empresa, com a volta do seu meio-irmão... mas eu sou humano, eu não consigo fingir que está tudo bem. — Ele estava sendo sincero, e bastante compreensível, até mais do que eu seria se estivesse no lugar dele.

— Eu sei, e me sinto mais péssima ainda, pois você está sendo um namorado perfeito, e eu sou toda cheia de defeitos e com uma vida totalmente desajustada.

— Ninguém é perfeito, todos nós temos falhas. Eu sei que ele foi muito importante na sua vida; e que nunca vai deixar de ser, porque ele é da sua família, ele estará para sempre na sua vida, e se eu estou contigo eu te aceito do jeito que você é, com todas as suas bagagens, com seus anseios e receios, eu quero fazer com que o nosso relacionamento dê certo, eu estou disposto a ser o cara que você precisa. — As palavras de Jackson tocaram profundamente o meu coração. Ele me queria, mesmo com tantos percalços no caminho, mesmo com o passado entrelaçado ao meu presente ele queria me manter ao seu lado. Impossível não se comover com tamanho carinho, amor... ele me amava, eu não tinha dúvidas disso, e também não tinha dúvidas de que ele era o cara com quem eu poderia ser feliz.

— Você não precisa tentar ser nada, você já é o cara de que eu preciso e quero. Eu nem sei o que eu fiz para merecer um homem tão incrível como você... eu te prometo que vou me dedicar mais a nós, a você, eu quero muito que o nosso relacionamento dê certo. — Segurei o rosto dele e colei nossos lábios, automaticamente senti as mãos dele no meu rosto e na minha nuca. Quando nossas línguas começaram a interagir Spike latiu, nos atrapalhando. Eu e Jackson rimos.

— Eu te aceito até com esse cachorrinho do mal. — Jackson apontou para Spike, que continuou olhando o moreno com um olhar psicopata.

— Spike é terrível. — Falei divertida. — Sabe, estou pensando em aproveitarmos a noite assistindo aquele documentário de que você tanto queria, o que acha? — Propus.

— Acho uma excelente ideia, e depois eu me disponibilizo a te fazer uma ótima massagem. — Ele piscou para mim.

— Acho justo.

Jackson levantou e me pegou no colo, me pegando desprevenida.

— Mas primeiro eu acho que tanto eu quanto você precisamos de um banho, certo?! — Sabia que não era exatamente banho o que estava se passando na cabeça dele.

— Certíssimo. — O beijei, enquanto sentia ele caminhar comigo, nós levando até o banheiro.

 

(***)

 

Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2022.

 

— Como ela está gata. — Jackson passou por mim e rodeou minha cintura com seus braços.

— Estou básica. — Dei de ombros, mas o olhar dele, que estava sendo refletido pelo espelho, era de adoração.

— Não, você está lindíssima, como sempre. — Ele beijou meu ombro, enquanto suas mãos tocavam a minha barriga por cima do tecido da blusa.

— Você que é um namorado muito babão, que vive me enaltecendo. — Observei, virando meu rosto para ele e lhe dando um singelo beijo.

Eu e Jackson fomos para a sala; eu para pegar minha bolsa, e ele para se jogar no sofá e procurar algo na TV para assistir, já que no dia de hoje ele estava de folga.

— Jackson, no domingo você está de folga, pensei em levarmos a sua mãe para almoçar, ou prepararmos algo para ela aqui mesmo, o que acha? — Eu estava animada, e curiosa, para conhecer a minha futura sogra.

— Minha mãe está em Chicago, só retorna no final do mês. — Ele explicou.

— Poxa, que pena. — Fiz um bico enorme para ele, que balançou a cabeça e riu.

— Mas por falar em domingo eu tenho uma proposta para lhe fazer.

— Pode me pedir o que você quiser, e eu vou dizer sim. — Fui até ele e me sentei no seu colo, abraçando seu pescoço e lhe dando vários beijos no rosto.

— Lembre-se que você já aceitou. — Ele disse e me encarou. Notei em seu olhar um pouco de receio, mas decidi obedecer o meu instinto e manter minha palavra, concordar com o que quer que ele estivesse tramando. — Pensei que nesse domingo poderíamos fazer o almoço e convidar a sua família e amigos, o que me diz?

— Claro, eu vou amar ter a casa cheia, faz um tempo que não recebo todos aqui. E também estou com saudades do desnaturado do Kol e da Davina. — Imediatamente minha mente começou a elaborar o cardápio perfeito para receber meus convidados.

— Mas quando eu digo família eu também estou incluindo o Klaus e a filha dele. — Automaticamente meus pensamentos – que já estavam na sobremesa que eu serviria – travaram, e todo o meu corpo tencionou.

Eu ouvi direito ou entrei em uma dimensão paralela?

— Pela sua cara eu estou achando que é uma má ideia.

— Não, não é uma má ideia, eu só não esperava que você estivesse incluindo ele no convite.

— Car, como eu te disse ontem; eu te aceito como você é, com todas as suas bagagens, ele sempre vai estar na sua vida, então eu não posso pedir para você exilar ele, o que posso fazer é tentar conviver com ele de forma educada. Não estou querendo ser amigo dele, apenas aprender a conviver de forma pacífica, e acho que um almoço com todos presente será um bom começo.

Ok, ele estava querendo receber na minha casa, que era praticamente a nossa casa, o meu meio-irmão, que era o meu ex. Cacete, onde mais eu acharia um homem tão maduro e sensato quanto ele?

Sem dizer nada eu tasquei um beijão nele.

— Puxa, acho que isso é um sim. — O sorriso dele estava de orelha a orelha.

— Você é um namorado perfeito, e eu sou muito sortuda por ter você na minha vida. Eu estou muito feliz que você consiga ser maduro a tal ponto, mas eu não sei se o Klaus será. — Eu conhecia bem o Britânico que eu convivi por alguns meses, sabia que ele era orgulhoso e que não seria nenhuma surpresa se ele recusasse o convite.

— Você acha que ele não vai aceitar?

— Eu acho que ele vai utilizar de uma desculpa muito boa para não comparecer.

— Car, a minha parte eu estou fazendo, agora se ele quer tornar as coisas difíceis eu não vou implorar, eu apenas quero deixar tudo em pratos limpos.

— Vamos fazer o seguinte; eu vou até o apartamento dele e faço o convite, para ele e a Hope. Pode ser?

— Claro. Mas se quiser que eu vá junto eu posso ir.

— Eu acho melhor não, porque é capaz dele interpretar as coisas de outra forma. Eu vou lá e convido eles, mas não hoje, porque eu tenho muita coisa do trabalho. Talvez amanhã cedo eu passe por lá. — Me levantei do colo do meu namorado e caminhei até a porta, com Jackson e Spike atrás de mim.

— Tchau, tenha um ótimo dia de trabalho. — Jackson desejou, me dando um beijo gostoso.

— Tchau, bebê. Mais tarde a mamãe está de volta, e se comporte com o Jackson. — Agachei e me despedi de Spike, que como era de praxe ficou chorando. Eu conseguia ouvi o choro dele até do elevador. Meu coração ficava apertadinho sempre que eu tinha que sair sem ele.

 

(***)

 

POV Klaus:

Depois de um jantar delicioso e bem agradável, eu e Aurora andávamos pelas ruas, em direção ao meu apartamento. Quando liguei para ela e combinei o encontro em um restaurante sofisticado eu não tinha pretensão de levá-la ao meu atual endereço, óbvio que eu estava com segunda intenções, mas já tinha em mente qual seria o hotel mais próximo para passarmos a noite, mas a companhia dela me fez tão bem que por algumas horas eu esqueci que minha vida amorosa sempre estava fadada ao fracasso. Então, eu quis levá-la para o meu apartamento, para construir com ela um grau a mais de intimidade. Eu só estava rezando internamente para que Hope já estivesse dormindo, pois não sabia ao certo como apresentar a ruiva a minha doce adolescente.

— Uau, esse prédio é bem elegante. — Aurora comentou enquanto subíamos pelo elevador.

— Ele é um dos melhores da região. — Informei, e ela assentiu.

Assim que abri a porta da entrada demos de cara com Hope, que estava zanzando pela sala de pijama. Ela me olhou, depois olhou para Aurora. A cara da minha filha era de total surpresa.

— Hope. — Pigarreei. — Essa é a Aurora.

— Prazer. — A ruiva estendeu a mão para Hope que correspondeu, bem receptiva, mas eu deveria saber que isso não duraria por muito tempo.

— Quais são suas intenções com meu pai? — Hope falou sem rodeios, e eu senti minha face pegar fogo.

— Hope! — Chamei a atenção dela, e Aurora achou graça.

— Não, eu preciso saber o que ela pretende com o Sr. Olha, eu já vou avisando que meu pai é um cara sério, um partidão, então é bom que você saiba que estando com ele é como se estivesse ganhado na loteria, e eu não quero que você o faça sofrer, por isso preciso saber se você está de fato interessada nele, ou só quer diversão. — Minha filha pediu exigente.

Pelo amor de Deus, onde fica o buraco mais próximo para me enfiar?

— Aurora, mil perdões, eu não sei nem o que te dizer. — Falei a Aurora, que esbanjava divertimento em seu rosto. — Hope, sua projeto de adolescente, para de me fazer passar vergonha, quem é o pai da relação aqui sou eu, e não você. — A repreendi e ela me encarou com cara feia.

— Eu não posso deixar você entregar seu coração de bandeja para a primeira que você conhecer, eu preciso aprovar. E para seu conhecimento eu já sou adolescente. — Ela me respondeu autoritária, colocando as duas mãos na cintura.

Meu Senhor, me dê paciência, porque é hoje que eu vou bater pela primeira vez nessa menina.

Antes que eu desse um castigo para a abusada da minha filha Aurora me interrompeu:

— Hope, eu e seu pai somos apenas bons amigos. Não estamos envolvidos romanticamente, apenas estamos aproveitando a companhia um do outro. Você não precisa se preocupar se vai haver corações partidos, porque o bacana da nossa relação é isso; não estamos sobre pressão, estamos apenas curtindo o momento. — Ela explicou, e confesso que ela soube muito bem usar as palavras. Acho que eu não teria explicado melhor.

— Então vocês são amigos coloridos? Tipo amigos que transam?

— Hope! Eu vou ligar agora mesmo para sua mãe e pedir que ela venha te buscar. — Ameacei.

Essa menina não tinha filtros na boca, parecia até uma pessoa que eu conhecia bem; eu mesmo.

Merda, por que ela tinha que ser uma cópia fiel minha?

— Olha, errada ela não está. — Aurora respondeu, se segurando para não gargalhar.

— Tá bom, já entendi que é pra eu subir e dormir. — Hope veio até nós e me deu um beijo no rosto. — Boa noite, pai. Boa noite, Aurora. — Ela estendeu a mão para a ruiva ao meu lado, e Aurora correspondeu, ainda sorridente.

Hope já estava chegando no último degrau das escadas quando hesitou e se virou para nós.

— Vocês tem camisinha, néh?! — Ela perguntou num tom de preocupação e minha reação mais eficaz foi pegar a almofada do sofá e arremessar na direção dela, que saiu correndo.

— Me desculpe por isso, a minha filha é...

— Esperta? Afrontosa? Divertida? Adorável? — Aurora ria sem parar.

— Eu ia falar atrevida, mau criada e debochada, mas afrontosa resumi ela muito bem. — Falei, também me rendendo a risadas.

— Então quer dizer que o Sr. Mikaelson é um partidão? — Aurora envolveu meu pescoço com seus braços e colou nossos corpos. Devo ressaltar que um calor irradiou meu corpo todo ao sentir os seios dela se chocarem com meu peitoral.

— Vindo de uma filha não dá para acreditar muito, mas acho válido você testar o produto. — Disse, num tom muito sacana.

— Então acho melhor subirmos para o seu quarto.

— Acho uma ótima ideia. — Pisquei para ela e entrelacei minha mão com a dela, a guiando para o andar de cima.

 

(***)

 

Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2022.

 

Acordei de um sono bem satisfatório e a primeira coisa que meus olhos avistaram foram cabelos de fogo. Aurora estava esparramada na cama, deita de costas para mim. Seu corpo estava coberto da cintura para baixo, e seus cabelos todos bagunçados. Me virei de lado na direção dela, apoiei minha cabeça em uma das minhas mãos e fiquei observando-a. Flashes da nossa noite insana preenchia a minha mente, e automaticamente meu pau começava a ganhar vontade própria.

Aurora era uma mulher fascinante, possuía curvas que deixaria qualquer homem louco de tesão, e fora que ela fazia umas coisas com a língua que era surreal. A nossa noite tinha sido intensa, com um sexo delicioso, estava melhor do que quando ficamos em NOLA.

Ela começou a se mexer na cama, e em poucos segundos ela se virou para mim, se espreguiçado.

— Bom dia! — Desejei.

— Bom dia! Que horas são? — Ela perguntou sonolenta.

Alcancei meu celular na mesinha de cabeceira e verifiquei as horas.

— São 10 horas.

— Caramba! — Aurora pulou da cama e começou a pegar suas roupas pelo chão. — Preciso me encontrar com um cliente do meu pai ás 11. — Ela me informou, já vestindo a calcinha e a calça.

— Pensei que daria tempo de tomarmos um banho juntos. — Sai da cama e fui de encontro a ela, agarrando sua cintura e descendo meus lábios pelo colo dela, beijando um de seus deliciosos seios.

— Klaus, estou muito atrasada, preciso mesmo ir. — Ela falou, mas eu não dei a mínima. Levantei meu rosto e alcancei os lábios dela, lhe dando um beijo envolvente.

— Algo me diz que você não quer ir embora. — Falei provocativo, descendo meus beijos para o pescoço dela.

— Sério, Klaus. A noite a gente continua isso. — Ela me afastou e logo vestiu sua blusa.

Então ela queria mais? Eu com certeza queria. Sorri com essa constatação.

— Não dá tempo nem de tomarmos café?

— Não, preciso ir para o hotel me arrumar, sinto muito.

— Espera, deixa eu pelo menos te levar até lá embaixo. — Pedi, me referindo a recepção.

Vesti rapidamente minha cueca, calça, camisa e um chinelo. Descemos a escada praticamente correndo e logo encontramos Hope, saindo da cozinha.

— Bom dia, não vão tomar café? — Hope nos perguntou.

— Não, estou atrasada. Foi ótimo te conhecer. — Aurora disse rápido, já caminhando na direção da porta.

— Até mais, Aurora. — Hope falou alto, enquanto eu e a ruiva passávamos pela porta de entrada.

— Até.

Entramos no elevador. Enquanto ela arrumava as roupas eu ajeitava seu cabelo, que estava bem nítido que era de pós-foda.

— Você me liga mais tarde? — Aurora pediu, concentrada em sua roupa, que ainda continha partes amassadas.

— Claro, e combinamos algo. — Pisquei para ela, que sorriu em concordância.

A porta do elevador se abriu e saímos conversando sobre o que possivelmente faríamos mais tarde. Eu e Aurora estávamos passando pelo hall de entrada quando encontramos Caroline entrando.

Caroline não conseguiu esconder a surpresa que sentiu ao me ver acompanhado, e eu também não consegui conter a minha cara de quem tinha sido pego no flagra.

Eu e Aurora não estávamos de mãos dadas, mas pelas nossas vestes, cabelos e cara de quem tinha acabado de levantar era óbvio que ficava subentendido que havíamos passado a noite juntos.

— Caroline. —  A cumprimentei, o que despertou a atenção de Aurora.

— Klaus. — Caroline me cumprimentou com uma voz formal, formal demais para o meu gosto.

Aurora olhou para Caroline, e depois para mim. Silenciosamente ela me cobrava explicações.

— Essa daqui é a Caroline... minha meia-irmã. — Completei, e vi a face da minha meia-irmã se tornar mais séria.

Merda, Niklaus, você precisava dizer isso? Seu tapado. Me repreendi mentalmente.

— Prazer, sou a Aurora de Martel. — Aurora a cumprimentou toda simpática, estendeu a mão para a loira.

— Prazer, Aurora. Caroline Forbes. — Caroline a cumprimentou, com um sorriso forçado.

— Preciso ir, mais tarde nos falamos. — Aurora saiu acelerada, mas antes de sair me deu um beijo no rosto. Eu fiquei parado, que nem um poste, com os olhos vidrados na loira a minha frente, que me olhava com cara de poucos amigos.

Eu não estava fazendo nada de errado, estava apenas seguindo com a minha vida, assim como ela também estava fazendo com o Dr. imbecil, então por que ela estava me lançando olhares julgadores?

— Posso subir? — Ela perguntou, ainda me fuzilando com o olhar.

— Claro. — Abri caminho para que ela pudesse passar, e ela passou que nem um foguete por mim, esbarrando no meu ombro de propósito. Qual era o problema dela?

Solicitei o elevador, e assim que as portas se abriram eu as segurei para ela entrar, como eu sempre fazia. Subimos até o apartamento em total silêncio. Nem olhar para o lado eu estava olhando, porque fiquei com medo de que se eu executasse nem que fosse o mais simples dos movimentos ela me estrangulasse.

Abri a porta do apartamento e logo Hope apareceu.

— Pai, eu deixei para... CAR! — Hope assim que viu Caroline correu para os braços dela.

— Saudades de você. — Pude ouvi Caroline falar a minha filha.

— Também estava com saudades de você. Você encontrou meu pai lá embaixo? — Hope perguntou, olhando para a loira – que ainda estava com os braços na minha filha – e depois para mim.

— Encontrei. Encontrei ele e a amiga dele. — Percebi o total desdém que Caroline utilizou para pronunciar a palavra amiga.

— Putz, deu ruim. — Hope soltou, e logo me olhou preocupada.

— Engraçado que eu não posso ter uma amiga, mas você pode ter um namorado a tira colo. — Não consegui me conter e falei. Caroline me olhou com uma cara mais feia do que a de segundos atrás.

— Você pode ter tudo o que você quiser, Sr. Don Juan. — A loira falou entre dentes.

Porra, sério que ela ia ficar brava comigo por que eu estava com alguém?

Na verdade ela estava se precipitando, porque eu e Aurora não estávamos num relacionamento sério – como era o caso dela e do Dr. imbecil – nós estávamos nos conhecendo. Não poderia falar com convicção que Aurora ocuparia meu coração, por enquanto ela era só uma candidata.

— Veio tomar café com a gente? — Percebi que minha filha estava tendo apaziguar a situação, mas não deu muito certo.

— Inclusive você poderia pelo menos respeitar a sua filha e procurar outro local para levar suas peguetes. — Caroline falou, e óbvio que eu tinha que retrucar.

— Anotado, Caroline. Da próxima vez eu levo a Aurora para o motel mais próximo. — Falei ironicamente.

— Acho bom, porque a Hope não é obrigada a ficar presenciando esse tipo de coisa.

— Gente eu acho... — Hope novamente tentou intervir, mas eu não deixei, eu precisava responder Caroline a altura.

— Então se a Hope não é obrigada a ficar presenciando certos tipos de coisa o Spike também não é.

— O quê? O que o Spike tem a ver com a situação? — Ela me perguntou confusa.

— Tem a ver que ele é a criança que reside na sua casa, e ele não é obrigado a ficar vendo você e o Dr. imbecil se pegarem.

— Em primeiro lugar; ele tem nome, o nome dele é Jackson.

— Sei, sei, como se para mim fizesse diferença. — Fui andando para a cozinha, com a intenção de deixar Caroline na sala, mas ela veio atrás de mim, falando sem parar.

— Em segundo; o Spike entende que o Jackson faz parte da minha vida agora. — Ouvi ela afirmar que o Dr. imbecil era fixo na vida dela me irritou, e eu tomei uma postura da qual eu não queria.

— Caroline, então eu acho bom você se colocar no seu lugar. Em primeiro lugar; a Aurora não é uma peguete, se você quer que eu respeite o seu namorado, acho bem justo você começar a respeitar as pessoas com quem eu saio. Em segundo; você está na minha casa, me dando ordens como se fosse algo minha, eu não vou na sua casa para ficar te falando onde você deve ir ou deixar de ir com o seu namorado.

— Gente, pare de brigar vocês dois, isso... — Hope mais uma vez tentou falar, mas desta vez foi Caroline que não deixou.

— Você está errado em uma coisa, Niklaus, eu sou algo sua, sou sua meia-irmã, como você encheu a boca para me apresentar para a sua amiguinha.

— Ah, e você queria que eu falasse o que? Querida Aurora, essa é a Caroline, minha ex-mulher, o amor da minha vida, que agora é minha meia-irmã. — Falei debochado, e ela se enfureceu mais.

— Faça o que você quiser, maninho.

Caroline virou as costas e caminhou em direção a porta de entrada, passando por ela e batendo-a.

Imediatamente Hope me deu um tapa no ombro.

— Ai! — Reclamei, passando a mão no local.

— Você tinha mesmo que falar que ela era sua meia-irmã? — Minha doce menina revirou os olhos, e quando eu estava pronto para lhe responder ela continuou: — Para de ser bobo e vá atrás dela.

— Eu não. — Assim que respondi levei outro tapa.

— Porra, o que acontece com vocês que só sabem me bater?

— Pra ver se o Sr. toma jeito. Vai logo atrás dela. — Hope pediu, ou melhor, mandou.

Sai murmurando vários palavrões. Optei em ir pelas escadas, para ganhar tempo. Assim que sai na rua vi Caroline atravessando, indo em direção ao seu carro.

— CAROLINE! — Gritei, e ela nem se deu ao trabalho de virar. Corri até ela e uma forte buzina ecoou pelas ruas. O veículo quase me atropelou.

— Você é maluco? Você quase foi atropelado. — Ela falou assustada.

— Se eu morresse a culpa seria sua. — Falei espontâneo, e por um curto momento ela suavizou a expressão, mas logo a cara brava dela ficou em evidência.

— Tenha um bom dia, Niklaus. — Ela desejou, destravando a porta do motorista, mas assim que ela a abriu eu a impedi, fechando a porta novamente.

— Isso é ridículo. — Falei, e ela nada falou, apenas ficou me olhando. — Olha, vamos tentar ser maduros e civilizados, Ok?! Você está com outra pessoa, está seguindo em frente, e eu também tenho o mesmo direito, não tem o porquê você ficar com ciúmes.

— O quê? Eu não estou com ciúmes. — Ela praticamente gritou.

— Está sim. — Insisti, vendo o rosto dela ficar vermelho conforme o seu olhar se tornava raivoso.

— Faça-me rir, Niklaus. — Ela debochou, e cruzou os braços, encarando um ponto cego. Niklaus, ela sempre me chamava pelo nome quando estava brava comigo.

— Vamos parar com isso, isso não é saudável.

— Desde quando você é o sensato da relação?

— Desde sempre, oras. — Dei de ombros, e um sorriso discreto apareceu nos lábios dela. — Ra, ra, pelo menos eu fiz você rir. — Comentei vitorioso.

— Não estou rindo, quem disse que eu estou rindo? — Caroline novamente fechou a cara.

Porra, ela é muito cabeça dura quando quer.

— Vamos parar com isso, vai. — Pedi, pegando nos braços dela, que ainda continuavam cruzados.

— Você tem razão, me desculpa, eu não tenho o direito de me meter na sua vida. — Ela falou baixo, e eu assenti com a cabeça.

— Mas, o que você veio fazer aqui? — Perguntei, e na mesma hora ouvimos a voz de Hope.

— Ufa, vejo que vocês se acertaram, já posso ficar aliviada de não ter a próxima guerra mundial.

Tanto eu quanto Caroline rimos.

— Então, eu vim convidar vocês para almoçarem na minha casa no domingo.

— Eba, com certeza iremos. — Hope já foi logo aceitando.

— Ei, não é bem assim. Quem vai estar nesse almoço? — Perguntei.

— Todo mundo. — Ela deu de ombros, e eu semicerrei os olhos para ela, indicando que eu sabia que tinha mais.

— Todos os seus irmãos, amigos, eu, o Spike, e o Jackson. — Por fim ela citou o nome de quem eu não queria ouvir.

— Obrigado pelo convite, mas nós não vamos.

— Pai.

— Você acabou de falar que precisamos ser maduros e civilizados, então, acho uma ótima oportunidade de você demonstrar isso.

— Eu também acho. — Hope opinou e eu lancei um olhar mortal para ela.

Eu odiava quando elas duas se juntavam para ficarem contra mim.

— Você pode até levar a Aurora. — Caroline fez um esforço tremendo para pronunciar o nome da mulher que eu tinha passado a noite sem fazer cara feia. Ela estava sentindo o mesmo que eu quando se tratava do namoradinho dela.

— Vamos pai, por favor. Faz tempo que eu não encontro todos os meus tios juntos. — Hope juntou as palmas das mãos e me olhou com cara de pidona.

— Eu não sei.

— Vai ser só um almoço, não vai durar mais que 2 horas. — Caroline começou a me olhar do mesmo modo que minha filha estava me olhando.

Duas contra um, isso era um tremendo roubo.

— Vou pensar, mas não garanto nada. — Falei contrariado.

— Ele vai sim, Car. — Hope piscou para Caroline, que logo foi abraçá-la.

— Amanhã passo aqui para te buscar para irmos ao shopping.

— Combinado. — Hope a abraçou novamente.

— Até, Klaus. — Ela me olhou e eu assenti, abrindo a porta do carro para ela.

Eu e Hope permanecemos na calçada, até que Caroline se distanciasse com o carro.

— Não acredito que você me obrigou a aceitar a almoçar com ela e o Dr. imbecil.

— Pai, não fala assim do Jackson. Ele é um cara legal, me tratou super bem, e além de tudo é lindo.

Quase infartei ao ouvi essas palavras saírem da boca da minha filha.

— Se a sua definição de lindo é ter uma carinha mais ou menos, então tá. — Me fiz de ressentido, até porque eu estava ressentido, e ela balançou a cabeça negativamente.

— Pra mim ele é lindo, mas não mais lindo que você. — Ela piscou para mim, e novamente ela me ganhou. Essa garota era muito esperta, sabia exatamente o que fazer para me ter na palma da sua mão.

A abracei e atravessamos a rua juntos.

— E eu não acredito que você falou no meio da discussão que a Caroline é o amor da sua vida. — Hope disse enquanto subíamos pelo elevador.

— Tá doida? Claro que eu não disse isso. — Merda de língua solta que eu tenho.

— Disse sim.

— Disse não. Eu estou achando que isso é excesso de cera no ouvido, acho bom você limpar. — Tentei me sobressair, mas não adiantou.

— Me engana que eu gosto. — Ela passou por mim e se jogou direto no sofá.

Eu sabia que ela me infernizaria o resto do dia com o que eu tinha falado para Caroline. Droga! O jeito era torcer para que Caroline não tivesse notado.

 

(***)

 

Domingo, 20 de Fevereiro de 2022.

 

POV Caroline:

Hoje era o dia do almoço na minha casa, onde todos já tinham confirmado presença, inclusive Klaus e Hope.

No dia de ontem, sábado, eu tinha passado a tarde toda com Hope. Fomos ao shopping e fizemos várias coisas típicas de garotas; fomos ao cinema, compramos roupas, andamos em alguns brinquedos, jogamos boliche, e a melhor parte: comemos. Sair com a minha ex-enteada era diversão garantida. Eu voltava a ser adolescente e a maior parte do tempo passávamos rindo. Durante o nosso passeio ela me confidenciou como estava indo as coisas com os garotos, e com seu amigo Landon, que falando nisso ela já tinha beijado. Eu jamais esquecerei dela me contando com um ótimo humor sobre seu primeiro beijo e amasso. Que o Klaus nunca saiba que eu sei dessas coisas, e a aconselho. A mãe de Hope, Camille, também é bem mente aberta nesse quesito, e até já tinha a levado no ginecologista. Hope também tinha me contado que estava num site de relacionamento, e eu a alertei sobre os diversos perigos que esses sites traziam, mas ela era bem esperta.

Quando fui levar Hope de volta para o apartamento de Klaus eu o encontrei saindo. Ele não entrou em muitos detalhes, e eu também não quis prolongar a conversa, porque pelo jeito que ele estava arrumado ele estava saindo para encontrar a ruiva, a Aurora.

Confesso que saber que ele estava com outra mulher me deixava bem magoada, e com ciúmes, mas eu não tinha esse direito. Eu estava namorando, e ele também precisava seguir em frente. Era esperado que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, mais no fundo eu ainda não estava preparada para ver o homem que foi meu, e que ainda ocupava grande parte do meu coração, se envolvendo com outra.

No dia em que o vi pela primeira vez com Aurora eu me descontrolei, e eu fiquei cega de ciúmes. Óbvio que eu não admiti a ele que eu estava tomada por esse sentimento, e jamais admitiria, mas eu me conhecia perfeitamente bem para saber que era esse sentimento traiçoeiro que eu estava sentindo dentro de mim.

Aurora era uma mulher bonita, pareceu simpática, e talvez fosse por esse motivo que eu estava mais magoada. Porque ela era alguém interessante, alguém que poderia sim conquistar ele e ser sua companheira. Pensar nisso me dava náuseas, e fazia uma forte dor acertar o meu coração.

— Ei, Hayley, Elijah, Rebekah e Stefan já estão subindo. — Jackson apareceu no quarto e me informou.

Eu estava tão distraída que nem tinha ouvido o som do interfone tocar.

— Vai recepcionando eles que eu vou calçar minha sandália e já vou. — Avisei, sentando na ponta da cama e começando a colocar meu salto branco.

— Você tá preocupada. — Ele analisou, vindo até mim e se ajoelhando na minha frente.

— Eu só estou com receio de como será a dinâmica entre você e o Klaus. — Falei sincera.

— Car, eu vou ser extremamente educado e receptível, vai depender dele ser recíproco.

— É disso que eu tenho medo. — Revelei e Jackson esbouçou um sorriso, o que me deixou a vontade para fazer o mesmo.

— Vai dar tudo certo. — Ele depositou um beijo na minha cabeça e levantou, indo para sala.

Não demorou muito e o som da campainha ecoou, e logo em seguida vozes familiares foram ouvidas.

— Só assim para vocês virem aqui. — Cheguei na sala surpreendendo os dois casais, que estavam sentados no sofá, e Jackson que estava em um puff.

— Sabe que o nosso tempo é muito corrido, mas reconheço que estou em falta contigo, minha parceira de negócios e de vida. — Rebekah foi a primeira a se levantar para vir me cumprimentar. Logo após foi a vez de Hayley, Elijah e Stefan.

O interfone tornou a tocar, e imediatamente eu o olhei. Jackson levantou rápido e atendeu. Meu coração batia mais rápido que uma zabumba, e a expectativa de ser Klaus aumentava.

— O Damon, a Elena e a Josephine estão subindo. — Jackson avisou.

— Minha amada sobrinha está chegando. — Stefan se animou, mas Rebekah lhe deu um tapa na coxa.

— Não se esqueça que a Hope também é sua sobrinha, e logo ela também estará aqui.

— Não esquenta, o coração do tio Stef é grande e cabe todo mundo. — Ele fez um gesto com as mãos engraçado, tentando demonstrar o tamanho do seu coração, o que fez todos nós rirmos, inclusive ele.

Ah, eu amava reunir a minha família e compartilhar de ótimas risadas.

— O mais interessante do almoço chegou. — Damon chegou anunciando, com a filha no colo.

— Ah, até parece, a mais interessante do almoço é essa bebê aqui. — Já arranquei Josephine dos braços dele, que sorriu ao meu ver. Ela era tão linda, uma gracinha.

Damon e Elena cumprimentaram os demais, enquanto eu trocava algumas palavras com a bebê Salvatore. Mas logo ela foi tirada dos meus braços, por Stefan. E depois ela foi parar nos braços de Hayley, depois de Jackson, depois de Elijah, Rebekah... era sempre assim; Josephine tinha que ficar um pouquinho no colo de cada tio, porque senão dava briga, e Damon e Elena davam Graças a Deus, pois era o momento que eles tinham para descansarem.

Novamente o interfone tocou, e foi a vez de Damon se apressar e atender. Ele não disse nada, apenas foi até a porta e a abriu, esperando quem quer que fosse. Todos estavam distraídos conversando, e eu também estava participando da conversa, mas de olho na porta. Mas para a minha decepção era Kol, que chegou acompanhado de Davina, Enzo e Bonnie.

— Chegou o docinho da festa. — Kol disse convencido, o que fez algumas pessoas revirarem os olhos.

— Cadê o Matt? — Jackson questionou, enquanto o grupo de amigos que haviam acabado de chegar cumprimentava os que já estavam acomodados no sofá e tapetes da minha sala.

— Ele estava atolado com o trabalho, e infelizmente não conseguiu vir, ele pediu desculpas, Car. — Enzo nos avisou.

Matt tinha concluído o curso de Educação Física, e com uma parte da grana – que ele tinha ganho na loteria – ele estava montado uma academia. Mal podia esperar para ser a cliente dele.

— Diz ai, Car, qual vai ser o cardápio de hoje. — Damon perguntou, curioso.

— Torta de climão. — Kol respondeu divertido, o que fez boa parte do pessoal rir, menos eu e Jackson.

— Há, há, muito engraçado, Kol. — Lhe lancei um olhar bravo e Elijah, sendo o único sensitivo percebeu, e tomou partido.

— Respondendo a sua pergunta, Damon, eu ajudei a Caroline e o Jackson em algumas coisas, posso falar o que fizemos? — Ele olhou para mim e para meu namorado, e nós concordamos com a cabeça. — Teremos saladas variadas, arroz de forno, lasanha de beringela, nhoque de mandioquinha ao molho pesto, talharim ao molho branco, vitela ao molho de vinho tinto, para quem aprecia uma magnífica carne, beringela recheada e um mix de legumes e frutas assados.

— E a sobremesa? — Rebekah indagou.

— Teremos cheesecake, mouse de chocolate e sorvete de pistache com frutas vermelhas. — Jackson respondeu.

— Mano, por que vocês não nos convidam para almoçar toda semana aqui? — Kol perguntou, arrancando mais risada dos nosso familiares.

— Kol, se manca, com toda certeza você levaria a Car e o Jackson a falência. — Hayley se pronunciou, sendo apoiada por Rebekah e Davina.

Em poucos segundos os grupos se separaram, ficando nítido o clube dos homens e das mulheres. Os homens estavam na sala, conversando sobre o último jogo de futebol, enquanto eu e as mulheres estávamos sentadas na varanda, onde seria o nosso almoço.

— Car, você está apreensiva pela presença do Nik? — Rebekah chegou perto de mim e perguntou baixinho.

— Está tão na cara assim?

— Isso é normal, é a primeira vez que ele vai estar com todos nós reunidos, e ainda mais com outra pessoa. — Então ela já sabia que ele estava com outra? Traíra.

— Desde quando você sabe que ele está namorando? — Estreitei meus olhos para ela, que deu uma risada amarela.

— Desde ontem a noite, quando Hope foi no meu apartamento.

— A Hope não consegue segurar a língua, é igual o Kol. — Comentei.

— Igualzinha. E a propósito ele não está namorando, eles só estão se conhecendo melhor. — Minha meia-irmã loira piscou para mim. Como se isso amenizasse o fato de que ele realmente tinha alguém do lado dele.

— Não importa, ele merece ser feliz e tem todo direito de encontrar alguém e seguir em frente. — Mal terminei de falar e o interfone tocou.

Cacete, tinha que ser ele. Era ele.

Jackson atendeu o interfone, e como se meus pés tivessem vida própria eles me levaram imediatamente para o lado do meu namorado.

— O Klaus está subindo. — Jackson me disse assim que colocou o interfone no gancho.

Senti um arrepio subi pela minha espinha. Era agora. Eu precisava vestir o sorriso mais falso da minha vida para recepcionar ele e a ruiva.

Respirei fundo e caminhei até a porta, sendo acompanhada por Jackson, quando a campainha tocou. Automaticamente o falatório cessou, e quando olhamos para trás todos – sem exceção de ninguém – estavam nos olhando, querendo saber o que aconteceria daqui para frente.

É, parecia que não era só eu quem estava apreensiva com a presença de Klaus e Jackson no mesmo ambiente.

Abri a porta e lá estava ele; todo charmoso, vestindo uma calça e camisa preta, munido de um vinho que eu julgava ser caríssimo.

— Boa Tarde! — Jackson o cumprimentou, esticando a mão para ele, e para minha surpresa Klaus correspondeu, sem pestanejar.

— Boa Tarde. — Ele respondeu, e logo em seguida olhou para mim. — Você não disse o que eu deveria trazer, então eu trouxe um vinho. — Ele falou diretamente para mim, me mostrando a garrafa.

— Foi muita gentileza da sua parte. — Respondi, mas não deu muito tempo para que eu aprofundasse a nossa conversa, pois Hope já veio me abraçando. Depois de me dar um abraço de urso, como ela mesmo falava, Hope cumprimentou Jackson com o mesmo abraço, e notei Klaus fazer uma careta discreta. Típico de Niklaus Mikaelson.

— Entrem. — Jackson deu espaço para que Klaus e Hope entrassem, e assim eles o fez, chegando na sala e sendo recebido por todos.

Instantaneamente eu me virei para trás e olhei para o corredor, mas não havia ninguém, nem sombra de Aurora. Será que o envolvimento deles já tinha acabado?

— Falta mais alguém? — Jackson me perguntou, estranhando o porquê eu estar do lado de fora. Eu não tinha contado a Jackson que Klaus estava com outro alguém, e nem que eu tinha estendido o convite para mais uma pessoa, na verdade quando eu estava com Jackson eu procurava evitar ao máximo qualquer assunto que fosse relacionado a Klaus.

— Não. Vamos iniciar o almoço. — Pedi, entrando e fechando a porta.

Chamei a atenção de todos e conduzi-os até a varanda. Todos foram se acomodando na mesa. A mesa que eu tinha na minha varanda era daquelas que não tem cadeiras, e sim bancos. Eu sempre quis uma mesa dessas, para comportar uma família grande, que eu tinha planos em construir, e por obra do destino eu ganhei uma imensa família. Seria a primeira vez que parte do meu sonho estava sendo realizado: pois todos estavam reunidos, sentados na minha mesinha para partilhar de uma agradável refeição. Assim eu esperava.

Não sei se foi propositalmente, mas Klaus acabou sentando de frente para Jackson, e eu estava ao lado de Jackson, de frente para Hope.

Elijah pediu a palavra e quis fazer uma oração antes de começarmos a comer. Ele agradeceu pela vida de cada um que estava presente, e demonstrou sua satisfação em consegui reuni a família inteira. Damon também quis dizer algumas palavras, e falou basicamente as mesmas coisas que Elijah, mas frisou seu agradecimento em ter amigos e uma família tão maravilhosos.

Todos começaram a se servi, e observei que Klaus continuava sentado, apenas passando os olhos pelas inúmeras travessas de comidas.

— Pode comer, tudo foi feito com ingredientes veganos, menos a vitela, claro. — Informei, ganhando a atenção de Klaus.

— Era esse o meu receio. — Ele falou baixo, deixando seu sorriso a mostra.

— Amor, quer que eu faça seu prato? — Jackson perguntou, e eu estranhei, porque ele nunca tinha usado esse adjetivo para me chamar. Notei o olhar de Klaus sobre nós.

— Eu faço, pode deixar, obrigada. — Dei um beijo rápido no rosto dele e levantei, indo até o outro lado da mesa para pegar arroz.

Assim que todos encheram o prato nós começamos a comer, e o silêncio reinava, tudo o que se ouvia era os barulhos dos talheres. Rebekah – que não gostava de ficar quieta por muito tempo – perguntou algo a Elena sobre Josephine e a partir dai desencadeou vários assuntos.

— Barbie Lora e Stef, vocês estão com a agenda vazia para o primeiro fim de semana de Abril? — Damon perguntou a Rebekah e Stefan.

— Por que? — Stefan questionou.

— Porque eu e a Elena estamos pensando em fazer uma segunda lua de mel, e queríamos que vocês ficassem tomando conta da Josephine.

— Nem pensar. Vocês não vão marcar nada para o primeiro final de semana de Abril. — Rebekah logo protestou.

— E por que não? — Elena franziu o cenho para ela.

— Porque é a data que queremos que seja o nosso casamento. — Stefan falou.

— Finalmente a nossa maninha vai desencalhar. — Kol soltou, e Rebekah lhe tacou o guardanapo, já que estava sentada de frente para ele.

— Quero aproveitar que a Hope está aqui, e o Nik, e quero casar em Abril.

— Sabe que mesmo que eu não estivesse eu viria para o seu casamento. — Klaus falou, pela primeira vez, e todos o olharam.

— Eu sei, mas supondo que você vá ficar aqui até Abril, assim como a Hope me informou, eu já uno o útil ao agradável. — Bekah piscou para o irmão, que assentiu.

— Vai ficar até Abril em Nova York? — Jackson perguntou a Klaus, e todos olharam para meu namorado.

Eles não estavam fazendo questão de esconder o quanto era estranho a aproximação do meu namorado com o meu ex.

— Esse é o plano. — Klaus respondeu breve.

— Só vai ficar porque eu insisti, porque por ele já estaríamos em NOLA. — Hope falou, e Klaus a olhou em repreensão.

— Isso tudo é por conta da Caroline? — Enzo perguntou da ponta da mesa, e todos nós o olhamos perplexo. — O quê? Foi uma pergunta inocente. — Ele tentou se defender.

— Não, Lorenzo. Eu tenho muitas coisas para fazer em NOLA. Minha vida não gira em torno da Caroline. — Klaus respondeu sereno, porém não deixou de dar uma alfinetada em Enzo, ou seria em mim?

— Amor, você experimentou essa salada, está divina. — Jackson tentou focar em outra coisa, e me mostrou uma travessa de salada bem verde, que ele e Elijah tinham preparado.

— Parece estar ótima. — Elogiei, com a boca enchendo de água.

— Tem rúcula, cebola, alface, ervilha, manjericão...

— Ela não gosta de manjericão. — Klaus falou baixo, interrompendo Jackson. O tom de voz dele foi o suficiente para que todos ouvissem.

Merda, o almoço estava indo por água a baixo.

Jackson me olhou, esperando que eu falasse algo.

— Eu não sou muito fã de manjericão, mas eu vou experimentar a outra salada. — Expliquei, levantando para pegar a outra opção de folhas.

— Desculpa, eu não sabia. — Jackson pediu.

— Eu sabia. — Klaus murmurou, e novamente a atenção foi para ele.

— Claro que você sabia, você conviveu mais tempo com ela. — Jackson respondeu, mas mantendo a postura, e a calma.

— Talvez isso não seja pelo tempo, e sim pela intensidade da nossa conexão. — Klaus replicou, e eu já estava vendo a hora do almoço se tornar um ringue de galo.

— Óbvio que vocês tem uma conexão forte, afinal vocês são meios-irmãos. — Jackson, que estava levando quase tudo na esportiva mudou sua postura, e percebi seu maxilar travar.

Klaus o olhou com uma certa irritação, e eu tive que pensar rápido.

— Damon, conte como você pediu a Elena em casamento. Acho que tem alguns homens precisando de incentivo. — Mudei de assunto, olhando diretamente para Enzo e Kol. Quase intimando os dois a pedirem a mão de suas namoradas em casamento. Kol riu, e Enzo engoliu em seco.

— Eu sou ótimo com pedidos de casamento, a Elena ficou mais gamada em mim depois daquela noite. — Damon começou a contar, se gabando.

Por poucos minutos eu pude desfrutar de uma refeição agradável, sem conversas cheias de alfinetadas. Mas foi por pouco tempo.

Damon estava sendo o centro das atenções, falando todo convencido sobre a proposta de casamento a Elena.

— Tio Damon, e foi onde? — Hope perguntou, curiosa.

— Foi em Bali.

— Uau, você levou a tia Elena para lá?

— Eu não, seu pai que pagou uma viagem para todos nós. — Damon entregou risonho.

— Pai, você nem me levou. Quando foi isso? Eu também quero ir para Bali. — Hope já estava toda animada com a hipótese.

— Meu amor, eu ainda não sabia da sua existência, fomos a Bali no final do ano de 2019, quando eu e a Caroline casamos. — Novamente o silêncio reinou no ambiente.

Ele tinha que citar esse acontecimento.

— Foi uma viagem incrível. Foi lá que eu comecei a ficar com a sua tia. — Stefan continuou, puxando a atenção para ele. Aleluia.

A conversa sobre o relacionamento de Stefan e Rebekah, e sobre o casamento, fluía. Mas Klaus e Jackson não estavam prestando atenção na conversa, eles estavam muito ocupados encarando um ao outro.

— Ei, para. — Toquei discretamente na coxa de Jackson, por baixo da mesa, e pedi. Ele me olhou e assentiu com a cabeça, elevando sua atenção para Stefan.

O assuntou foi do relacionamento de Stebekah – como Hope tinha apelidado o casal de tios – para viagens, e Enzo estava falando sobre sua última viagem com Bonnie, que tinha sido para China, onde eles praticaram vários esportes radicais.

— Já imaginou, a gente na China? Seria surreal. — Jackson falou, me olhando.

— Seria mesmo, estamos precisando espairecer um pouco.

— E poderíamos pular de bungee jump, que nem o Enzo fez com a Bonnie.

— Ela tem medo de altura. — Klaus entrou no meio e nesse momento Jackson explodiu.

— Cara, a namorada é minha, eu que deveria saber o que ela gosta ou tem medo.

— Exatamente. A namorada é sua, você que deveria saber, mais pelo visto não sabe de nada. — Klaus respondeu ríspido.

— Para vocês dois. — Pedi.

— Eu te convidei para ser legal com você, porque pensei que poderíamos agir civilizadamente, mas estou vendo que me enganei.

— Cavalheiros, vamos encerrar o assunto por aqui. A proposta do almoço não era essa. — Elijah pediu.

— Deixa Elijah, o almoço está super interessante. — Kol retrucou, se apoiando na mesa para olhar para Klaus e Jackson.

— Cala a boca, Kol. — Ouvi Davina repreender o namorado.

— Eu que me enganei vindo até aqui. — Klaus largou o guardanapo na mesa e se levantou.

— Você vai embora? — Hayley perguntou.

— Não precisa disso, Niklaus. — Elijah também se levantou da mesa.

— Precisa sim, acho que já não sou mais bem-vindo aqui. — Klaus encarou meu namorado com um certo desdém. — Vamos Hope. — Klaus a chamou, caminhando até a sala.

— Não era para acontecer isso. Não era. — Falei a Jackson, que não disse nada.

Levantei da mesa e fui atrás de Klaus e Hope.

— Car, eu sinto muito, eu queria ficar mais, mas...

— Mas você vai embora comigo, porque eu sou seu pai, vamos. — Klaus ordenou. Vi pela primeira vez medo nos olhos de Hope.

— Custava você se comportar pelo menos uma vez? — Questionei possessa.

— E custava você colocar o seu namoradinho na coleira? — Ele questionou debochado, com um imenso ressentimento ecoando de seus olhos.

— Você que começou, você estragou tudo! — Meti o dedo no peito dele.

— Eu não vou discutir com você sobre isso, porque qualquer coisa que eu diga não vai adiantar, porque eu sempre sou o errado da história. — Ele falou cheio de mágoa, me olhando duramente.

— Car, depois eu te ligo. — Hope me deu um breve abraço e se afastou, ficando ao lado do pai.

Klaus continuou me encarando, esperando algo de mim, mas tudo o que eu poderia falar ou fazer nesse momento era xingar ele pelo papelão que ele tinha feito durante o almoço todo.

Spike veio correndo para os pés dele, mas eu impedi que o cachorrinho chegasse perto dele. Peguei Spike no colo, e Klaus franziu o cenho para mim.

— Vai proibir ele de me ver também? — A mágoa dele já tinha ultrapassado todas as barreiras, era nítido no olhar dele o quanto ele estava me odiando nesse momento, e essa constatação doeu.

— Ele é meu cachorro, e eu posso proibir ele de ver quem eu bem entender.

— Engraçado que a poucos dias atrás você se referia a mim como pai dele, as coisas mudam rápido demais pra você. — Sabia que ele não estava se referindo só a Spike quando disse sobre as coisas mudarem para mim.

Antes que eu tivesse a chance de respondê-lo Hope pegou na mão dele, e o puxou.

— Vocês só vão se magoar ainda mais, vamos embora, por favor. — Ela pediu, o olhando com os olhos marejados.

Klaus me direcionou um último olhar e saiu. Bati a porta, sentindo o ar faltar, e uma terrível dor no estômago me atingir,  como se eu estivesse acabado de levar um soco. Me virei, ainda com Spike no meu colo, e todos os meus convidados já estavam na sala, me olhando com cara de pena.

— Eu acho que é melhor irmos embora. — Enzo disse, já se despedindo de Jackson.

— Mas nem comemos a sobremesa. — Indaguei, colocando Spike no chão.

— Car, não tem mais clima para isso. Acho melhor deixar você e o Jackson sozinhos. — Bonnie opinou.

Aos poucos um a um dos nossos amigos e familiares foram se despedindo, e indo embora. Por último ficaram Damon, Elena e Josephine. Josephine brincava no tapete com Spike, enquanto Damon ajudava Jackson a retirar as comidas da mesa e Elena estava me fazendo companhia, mas até o presente momento não tinha falado nada.

— Car, eu sei que não é a melhor hora para te pedir isso, mas com o intuito de alegrar você um pouquinho eu queria saber, na verdade eu e o Damon queríamos saber se você gostaria de ser madrinha da Josephine? — Elena perguntou, e automaticamente meu coração recebeu a dose de felicidade diária que precisava.

— Claro que eu gostaria, mais que pergunta, é óbvio que eu vou adorar estar mais presente na vida dessa baixinha. — Desci do sofá e me sentei no tapete, ficando ao lado de Josephine, que logo veio para meu colo.

— Sabe que madrinha é uma segunda mãe, néh? — Elena perguntou, com um sorriso bobo nos lábios.

— Claro que sim. Eu vou amar e cuidar dela como se fosse minha, quer dizer, mais ainda, porque eu já faço isso. — Comentei, e o brilho nos olhos da minha amiga se intensificaram mais.

— Você e o Stefan serão ótimos padrinhos.

— Eu e o Stefan? Aaah, seremos incríveis com ela. Mas vocês deveriam escolher outra pessoa para ser o padrinho dela, o Stefan é muito ciumento quando se trata dessa pequena. — Comentei divertida. Eu adorava encher o saco do meu amigo falando que a bebê Salvatore preferia a mim do que ele.

— Na verdade o Stefan não era a primeira a opção, mas a pessoa acabou recusando, então. — Elena explicou triste, e na minha mente um nome ficou em evidência; Klaus.

— Me diz que não era o Klaus. — Pedi, e Elena arregalou os olhos quando se tocou do que tinha feito.

— Car, a última coisa que eu queria fazer era tocar no nome dele, ainda mais depois desse almoço desastroso.

— Por que ele recusou? — No fundo eu já tinha uma ideia de qual era o motivo.

— Você. Ele disse ao Damon que não queria ter um laço tão importante como esse com você. — Ouvi isso me entristeceu de uma forma sem precedentes, que sem que eu percebesse uma lágrima solitária escorreu do meu olho.

— Car, me desculpa. — Elena mais que depressa me abraçou, deixando a filha entre nós.

— Não, está tudo bem. Eu vou ficar bem. Eu vou. — Repeti como se fosse um mantra, mais a realidade era outra, eu estava despedaçada por dentro. Ele não queria ter mais nenhum elo comigo, ele tinha recusado um convite importante para o amigo só para não ter que ficar ao meu lado, só para não ter que suportar a minha presença, e uma mistura de raiva, tristeza e descontentamento começou a imergi dentro de mim.

— Vamos? — Damon se aproximou, e quando viu a minha face se assustou. — Caralho, não sabia que você tinha ficado tão mal com tudo o que aconteceu no almoço.

— Damon, olha a boca, a Josephine está presente.

— Desculpa, amor. — Damon deu um beijo na bochecha de Elena, e tocou na lateral do meu rosto.

— Não estou assim pelo almoço, é por outra coisa, mas a Elena te conta no caminho. Acho que agora eu preciso conversar com o Jackson. — Pedi, olhando rapidamente para a varanda e vendo que Jackson estava retirando a toalha da mesa.

Me levantei, ainda com Josephine nos meus braços e acompanhei meus amigos até a porta. Me despedi deles e fui de encontro a Jackson, que agora estava no sofá, me esperando.

— Me desculpe por perder o controle, mas é que ele me provocou e eu não tive como ficar calado. — Ele logo falou.

Eu não falei nada, apenas sentei ao lado dele e tentei segurar minhas lágrimas, mas o turbilhão de sentimentos que estava ecoando de dentro de mim transbordou e meu choro saiu. Imediatamente abracei Jackson, que me apertou em seus braços.

— Me desculpa. Se eu soubesse que tudo isso ia te fazer se sentir desse jeito eu jamais teria o respondido, ou nem convidado ele eu teria. Eu tive uma ideia idiota, e fui imaturo ao entrar no jogo dele. Me perdoe.

Eu não conseguia dizer nada, pois lágrimas incessantes escorriam por meu rosto. Eu estava expondo para fora tudo; o desastre que tinha sido o almoço, o ciúmes que eu sentia em saber que ele agora poderia ser conquistado por outra, a decepção em saber que ele queria – mais uma vez – distância de mim. Tudo, absolutamente tudo estava entrelaçado, contaminando cada entranha da minha alma, me tornando a pessoa mais inútil da face da terra.

 

(***)

 

POV Klaus:

Após o fiasco que foi o almoço na casa de Caroline eu fui para o meu apartamento e tive uma conversa longa com Hope. Primeiro de tudo eu pedi desculpas para minha filha, pois tinha sido rude com ela, e ela jamais merecia ser tratada dessa forma. Ela tentou fazer com que eu ligasse para Caroline; para conversar, para acertar as coisas, mas eu estava tomado de ressentimento por ela, e não seria uma boa hora para tentar acertar as coisas.

Quando fui até a casa de Caroline eu realmente queria que fosse um almoço pacífico, queria rever todos os meus irmãos e amigos reunidos, queria partilhar de um bom momento com eles, mas ao ver o Dr. imbecil ao lado dela, a chamado de amor, esfregando na minha cara que ela agora era dele, e que dali para frente ele seria a felicidade dela aquilo me cortou o coração e uma onda de ciúmes me atingiu em cheio, fazendo o pior de mim vir à tona.

Me arrependo de ter estragado o almoço de todos, sinto muito por ter a magoado, mas não me arrependo de nada do que eu disse aquele moreno metido a namorado perfeito. Eu deveria era ter levado Aurora, e ter esfregado na cara de Caroline que eu também estava acompanhado, mas, eu quis bancar o empático, se colocar no lugar dela, e só me lasquei.

A noite Elijah me ligou e pediu que eu fosse jantar no apartamento dele e de Hayley. Como eu não estava muito afim de ouvir sermões, que eu sabia perfeitamente que meu irmão mais velho iria me dar, eu optei por levar Hope até o apartamento deles, porque ela insistiu muito, e voltei para o meu apartamento, com a ilusão de ter ao menos um jantar em paz, mas ao chegar na porta de entrada do prédio eu avistei Caroline, sentada no banco, e já pude prever que minha noite não seria tão calma quanto eu pensei.

— O que você está fazendo aqui? — Questionei sério.

Ela não havia percebido a minha presença, e tomou um susto ao ouvir minha voz.

— Vim te fazer uma pergunta. — Ela também me respondeu séria, se levantando do banco.

— Então faça logo. — Pedi sem paciência.

— Por que você não aceitou ser padrinho da Josephine? — A pergunta dela me pegou de surpresa, e eu engoli em seco.

Com certeza o linguarudo do Damon tinha dado com a língua nos dentes. Cretino!

— Porque eu não quis. — Respondi rápido. — Se era só isso já pode ir embora. — Me virei para entrar no prédio, mais ela me impediu, segurando meu braço.

— Não. Me responde porque você não quis, tem que ter um motivo.

Tinha, ela estava coberta de razão, mas eu não era obrigado a contar a ela.

— Não devo satisfações a você sobre as minhas escolhas. — Me desvencilhei da mão dela, mas continuei parado, a encarando.

— Você é um covarde, um tremendo covarde. — Ela começou a bater no meu peito, descontrolada.

— Para, Caroline. — Pedi, mas não surtiu efeito.

— Você não quis ser padrinho dela só para não ter um elo comigo, só para não ter que esbarrar comigo em festas, em reuniões familiares, diz, foi por isso, não foi? — Ela suplicou, me olhando com uma raiva enraizada em suas órbitas azuladas.

— Você não tem ideia do que está falando.

— Tenho sim. Você e eu não podemos mais ficar juntos, eu segui em frente, e você está seguindo, mas a Josephine é somente uma criança, ela não pode pagar por uma coisa que tem a ver comigo. Fique com raiva de mim, desconte em mim, mas não nela.

— Eu vou entrar, porque eu não estou afim de discutir com você. — Virei as costas e estava me sentindo até que vitorioso por não perder as estribeiras com ela, mas, eu deveria saber que Caroline Forbes era mestre em atormentar meu juízo.

— Você disse que as coisas mudam muito rápido para mim, mas é o sujo falando do mal lavado, porque ao meu ver você já não tem nenhuma consideração por mim. — Ela estava totalmente enganada, e agora eu estava disposto a lhe falar com todas as letras o porquê ela estava completamente enganada.

— Você quer saber porque eu neguei o apadrinhamento da única filha do meu melhor amigo? É isso que você quer saber? — Questionei, já alterado.

— É. Seja corajoso ao menos uma vez e me fale a verdade de uma vez por todas.

— VOCÊ, CAROLINE! VOCÊ. — Gritei, e ela na hora se calou. — Porque se eu aceitasse ser o padrinho da Josephine com você isso implicaria em te ver frequentemente, em ter que encontrar você em todos os aniversários, prêmios escolares, formatura, primeira comunhão, em inúmeras conquistas dela.

— E você não queria isso, não queria me ter por perto, já entendi, obrigada pela sinceridade. — Ela ia sair, mas desta vez foi eu quem a peguei pelo braço.

— Isso mesmo, eu não quero te ter por perto, porque ter você ao meu lado, ver você é uma eterna lembrança de que minha felicidade nunca estará completa, de que a mulher que eu quero que seja minha nunca poderá ser. — Despejei toda a minha verdade nela, e vi uma incerteza pairar sobre os olhos dela.

— Eu tentei, eu juro que eu tentei, mas eu não consigo te enxergar com os mesmos olhos que vejo a Rebekah e a Elena, eu não consigo ser o seu irmão. Eu tenho saudades de nós, eu te desejo, e sei que isso é totalmente inapropriado, mas eu ainda te amo.

— Para, fica quieto. — Ela pediu, recuando, mas eu me aproximei mais.

— Eu ainda amo você, com cada polegada do meu coração, com a mesma intensidade... mesmo quando eu não quero eu amo você, cada vez mais, e eu não posso conviver com isso, não posso estar presente na sua vida dessa forma.

— Então você vai se afastar? É isso? Você vai me dizer adeus e nunca mais vai voltar? — O desespero emanava dos olhos dela, e meu coração apertava, se partia.

— Eu não posso viver com você amando outra pessoa, sendo amada por outro homem. Eu tentei Caroline, mas não consigo, eu estou mentindo para mim mesmo.

— Eu tô te pedindo pela última vez; não vá embora, não me deixe.

— Eu não posso mais me tortura desse jeito, eu preciso te esquecer, e eu só vou conseguir fazer isso arrancando você da minha vida.

— Se você for embora agora, não precisa voltar nunca mais. Eu soube conviver sem você, aprendi a aturar a sua ausência; e foi doloroso, foi insuportável, mas se eu tiver que passar por tudo aquilo de novo eu nunca mais quero ver a sua cara, nunca mais quero saber de você. — Os olhos dela me transmitiam uma certeza que me apavorou, mas mesmo que ela me odiasse para sempre, mesmo que ela me banisse da vida dela, eu precisava ser egoísta ao menos uma vez e pensar em mim; eu precisava deixar ela para trás, e deixar com que ela fosse feliz, sem a sombra de Niklaus Mikaelson na sua vida.

— Adeus, Caroline.

Falei e sai, a deixando sozinha na entrada do prédio.

Mal virei a esquina e lágrimas começaram a brotar dos meus olhos, inundando todo o meu rosto. Sentei no chão da própria calçada e me acabei de chorar, sentindo meu coração mais uma vez ser estraçalhado, partido em mil pedações.

Deixar ela seria a coisa mais difícil que eu faria, mas também poderia ser a mais altruísta. Talvez eu estivesse agindo por impulso, por puro ego ferido, mas no fundo eu sabia que para ela ser completamente feliz com outra pessoa, e eu também, era preciso não haver fantasmas do passado nos rondando, precisávamos recomeçar do zero.

 

 


Notas Finais


Xii, e ai, o que acharam do capítulo?
Teve várias tortas de climão, não foi?!
Aurora e Klaus, o que vocês acharam? Será que esse casal vai ir pra frente?
E a Hope bancando o pai da relação? Eu amo essa garota.
Caroline conhecendo Aurora, xiii, alguém foi pego no flagra, não é Sr. Niklaus Mikaelson?!
Jackson teve boa intenção ao propor o almoço, mas nada saiu como o esperado.
E esse final; será que o Klaus vai manter a sua palavra e vai se afastar de vez da Car?

Próximo capítulo teremos; Uma personagem ressurgindo das profundezas do inferno, Klaus indo ou não para NOLA, e um terrível contra tempo, que pode acabar de vez com o romance do nosso casal principal.

Até semana que vem.
Xoxo.

P.S - Obrigada por todo apoio e carinho que venho recebendo, vocês são demais!!

• Músicas:
- Klaroline no final do capítulo. (James Arthur – Impossible)


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