História Glass Bridge - Capítulo 40


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Jikook, Namjin, Sope, Taekook, Taekookmin, Taeminkook, Vkookmin, Vmin, Vminkook, Yoonseok
Visualizações 704
Palavras 6.524
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Agradecemos aos 317 favoritos e a todos que comentam!!! :D


Para mais informações ou se quiserem bater um papo com as autoras,
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Capítulo 40 - Capítulo 40


Hoseok estava feliz. A biblioteca havia sido produtiva e eles haviam descoberto que existiam alguns registros sobre todos os nascimentos que envolvessem licantropos – tanto reais quanto bastardos –, no arquivo da cidade e no outro dia tentariam ir no local e quem sabe teriam alguma nova dica, afinal Jung antes não tinha um príncipe ao seu lado, que poderia pedir os arquivos confidenciais sem nenhum problema.

– Hoseok, você realmente vai ficar seminu na minha frente? – Yoongi perguntou, focando em outros cantos do quarto, menos no namorado. – Assim fica difícil para mim, Seokie.

– Eu estou experimentando roupas, Yoongi. É o primeiro baile que eu vou.

– Por falar em roupas! Eu tenho algo para você. – o loiro disse. – Espero que você goste.

– Yoongi! Eu disse que não queria mais presentes!

Yoongi balançou a mão, como se ignorasse a fala do outro e foi até o closet, pegando a caixa que havia deixado lá. Seu objetivo era entregar no aniversário do outro ou em algum dia especial, mas um baile parecia a ocasião ideal para o presente.

– Vamos, abra.

– Eu me sinto mal, Yoongi. Você já me deu tantos presentes e eu não te dei nada.

– Desculpa… eu não quis fazer você se sentir mal, Seokie… E você está errado se acha que nunca me deu nada. Você é meu namorado e não há alegria maior que você possa me dar.

 – Céus, como você é brega! – o dançarino murmurou, puxando a caixa das mãos de Yoongi para tentar disfarçar o rubor em suas bochechas. – Você me mima demais, ai, ai.

O escudeiro se sentou na cama, novamente ignorando Hoseok somente de cueca pelo quarto. Ele não queria ignorar, claro, mas não podia chegar atrasado no baile. Então, do colchão, ele observou o vidente abrir a caixa com cuidado, tirando o laço e o papel de presente de forma que não rasgasse, afinal Jung odiava desperdiçar as coisas.

Hoseok não soube o que dizer ao puxar o tecido delicadamente e se deparar com a saia negra com o fundo florido que ele experimentara no outro dia.

– Eu disse para você não comprar, Yoongi! – o moreno murmurou, os olhos se enchendo de lágrimas por alguma razão desconhecida.

– Você não gostou? – o outro questionou, alarmado ao identificar o tom choroso do dançarino.

–  É óbvio que eu gostei, idiota! É perfeita, mas… – Hoseok estava sem graça de aceitar tantos presentes do loiro e amar cada um deles tanto quanto ele amava a companhia de Yoongi.

– Nada de ‘mas’, se você gosta é o que importa.

– Eu odeio você – o moreno murmurou, puxando o outro pela gola da camisa e encerrando o espaço entre eles com um beijo. – Como… eu pude encontrar você?

Hn?

– Yoongi, você é o namorado perfeito – afirmou o dançarino, novamente beijando os lábios do outro. – Tipo, como você… Como você não tinha alguém?

 – Eu estava esperando por você.

O dançarino não conseguiu falar nada e simplesmente puxou Yoongi para novamente beijá-lo. Ele sabia que o outro estava sendo romântico, mas aquilo significava muito para Hoseok, afinal ninguém nunca o esperou. O vidente sempre era o de fora, o andarilho sujo que as pessoas viravam para o outro lado, por mais que não estivesse pedindo por dinheiro e sim em busca da sua família. Haviam sido momentos difíceis, mas Jung acreditava que já estavam para trás, afinal mesmo que partisse, haveria alguém o aguardando e torcendo para que logo voltasse.

Min estava atrasado e ele sabia disso, no entanto quando Hoseok o empurrou contra o colchão, ele nada fez para o parar, somente aproveitando os beijos do dançarino, que pareceriam exatamente saber o que queria, principalmente quando Yoongi sentiu os lábios do outro indo para o seu pescoço, traçando um caminho molhado pelo local.

– Quando voltarmos deste baile, prometo fazer um bom uso da saia, okay? – Hoseok murmurou contra o pescoço de Yoongi, deliciando-se com a maneira com que a derme sensível do loiro se arrepiava. – Você é tão lindo, Yoon…

Hm… Uh.

– Oh, você está… – Hoseok perguntou, saindo de cima de Yoongi, que parecia envergonhado, pronto para ficar de pé, mas foi impedido pelo dançarino. – Ei, é bom saber que posso causar essas reações…

– Eu… … preciso te confessar algo, Seokie – falou Yoongi, buscando um travesseiro e colocando em cima do colo, o que fez o vidente rir baixo, mas logo parar e acertar a postura ao perceber que o outro parecia querer lhe contar alguma coisa séria. – Eu sou virgem.

– Sério?! – o outro questionou alarmado, mas se refreando ao notar o desconforto de Yoongi. – Desculpa! Não é uma coisa ruim! Não é isso… Eu só estou surpreso porque, bem porque você é você. Yoongi, você é lindo! Eu estou falando sério.

– Desculpa… Eu sei que não era o que você esperava.

– Ei, para com isso – Hoseok proferiu, buscando a mão do outro por cima do travesseiro. – Eu já disse que não tem nada de errado com isso. Céus, eu também já fui virgem, é normal.

– Eu queria ser honesto – explicou Yoongi, brincando com os dedos do outro somente para não o encarar. – Sei que Jungkook brincou com isso na floresta, mas que você não tinha acreditado… Então, se nós realmente fizermos algo, eu não serei tão bom quanto alguém que já saiba…

– Yoongi, você será melhor do que qualquer outra pessoa com quem eu já estive. Sabe por quê? Porque você se preocupa comigo de verdade. Mas isso não importa agora, okay? Não vamos apressar nada, tá bom? Vamos no seu tempo. – Hoseok sorriu, aproximando a face para beijar a bochecha de Yoongi. –  Eu realmente gosto de você, Yoon.

– Eu também gosto muito de você – Yoongi afirmou, rindo com o outro beijo que recebeu na bochecha. – Você ainda vai usar a saia para mim?

– Sempre que você quiser.

Hoseok se levantou ainda observando o loiro e suas avermelhadas bochechas. Ele era fofo e o vidente ainda se surpreendia com aquele sentimento dentro de si.

A saia acabou voltando para a caixa e Hoseok colocou uma calça e uma jaqueta, ambos pretos e de couro. Yoongi quis falar que era uma péssima ideia, já que ficaria o encarando ao invés de ser o escudeiro de Jungkook, mas no fim somente beijou o dançarino e seguiu com ele para fora do quarto. Claro, com Dawon atrás.

– Você irá ficar bem? – perguntou Yoongi, virando-se mais uma vez para Hoseok. – Vocês ainda não fizeram as pazes?

– Mais ou menos – falou o moreno, estalando a língua. – Mas eu ficarei bem. Obrigado.

E, com mais um beijo, eles se despediram, afinal Yoongi tinha que ir no quarto do príncipe buscá-lo, já que seria o seu par, como todas as outras vezes. Hoseok, por sua vez, fitou a porta de madeira e respirou fundo antes de bater, afinal mais cedo naquele dia combinaram que iriam juntos ao baile, porém não haviam realmente conversado sobre o que tinha acontecido e se realmente estavam bem com as palavras ditas.

– Hoseok? – Namjoon perguntou, sem nem saber o porquê quando abriu a porta. Quem mais seria? Ele mesmo não mais se entendia. – Hn… Você está pronto?

– Sim – respondeu o vidente, trocando o peso do corpo de perna. – Desculpa por Yoongi ter vindo pegar as minhas roupas…

– Tudo bem. Eu já entendi… – o loiro disse, mas resolveu não completar a fala, deixando no ar uma leve acusação. – Melhor irmos logo para esse baile.

– É.

Hoseok deu um passo para trás, pela primeira vez percebendo que eles ainda conversavam na porta, como dois estranhos. Aquilo era tão errado; sem abraços ou elogios, somente uma sequidão de palavras. Cansado da situação, Jung resolveu proferir algo, qualquer coisa era melhor que aquele horrível diálogo, mas uma brisa bateu no corredor do local e o vidente espirrou.

– O que… Tem algum gato por aqui… – A fala do dançarino era entrecortada por espirros e logo ele se afastou do quarto, só conseguindo respirar melhor quando Namjoon fechou a porta. – Oh, céus! Achei que eu fosse morrer.

– Você é alérgico a gatos?

– Que pergunta é essa? Você sabe que eu sou – falou o dançarino, esfregando o nariz, para em seguida xingar. – Minha maquiagem saiu?

– Você está maquiado?

– Okay, então não saiu. – falou Hoseok, aliviado. – Você por acaso arranjou um gato?!

– Ele apareceu por aí… Tem me feito companhia – explicou o escudeiro, balançando os ombros. – O único por aqui que parece se lembrar de mim.

Hoseok mordeu o interior da boca para não xingar Namjoon e respirou fundo lembrando-se das palavras de Yoongi.

– Você é meu melhor amigo, Joon. Como eu poderia não me lembrar de você?

– Yoongi…

– Ele é o meu namorado, mas você continua sendo o meu melhor amigo – afirmou o dançarino, passando a língua pelos lábios. Eles estavam andando no corredor e não era um bom lugar para conversar, mas o escudeiro não parava de andar, então ele somente o seguia. – Aconteceu alguma coisa Joon? É… por isso que você está estranho assim? Você sabe que pode me falar qualquer coisa…

– O que eu teria para lhe falar, hn? Você não é meu amigo – disparou Namjoon, parando de repente. – Antes talvez fosse, mas era por falta de pessoas interessantes.

– O quê? Você está maluco? – Hoseok questionou, com os olhos arregalados. – Joon, por favor… Aconteceu alguma coisa, né? Você está muito estranho!

– Ficar sozinho me fez perceber umas coisas, só isso – o loiro afirmou, estalando a língua. – Eu não tenho ninguém ao meu lado. Jin provavelmente arranjou outro para cama dele, você tem Yoongi e Tae… bem, Tae nem sabe que é o meu irmão e se soubesse provavelmente só se afastaria.

– Da onde você tirou essas coisas? Namjoon… Você está chorando?

– Vou voltar para o meu quarto – disse o loiro, sentindo as lágrimas correndo pelos seus olhos. Ele não entendia o que estava acontecendo, somente estava cansado da sua mente e ainda mais cansado de ser sozinho. – Se perguntarem, fale que eu estou passando mal, mas duvido que alguém se importe com isso.

O loiro simplesmente se virou, apressadamente voltando para o seu quarto. Ele não estava longe do local, então antes que Hoseok o alcançasse, entrou e fechou a porta.

– Joon! Joon! – Hoseok tentou abrir a porta, mas esta estava trancada, obviamente. – Por favor, vamos conversar, Joon. Eu estou preocupado.

– Vai embora.

Hoseok conseguiu escutar a voz de Namjoon, mas essa estava abafada por conta da porta. Porém, no fundo, um gato miou.

– Joon, por favor. Tudo isso o que você falou… é tudo mentira – afirmou o dançarino, colocando a orelha na porta, tentando escutar mais alguma coisa. – Você realmente acha que Jin não te ama? Que eu não te amo? Por favor… Abre a porta.

O moreno escutou sons e em seguida a porta foi aberta. O escudeiro estava com os olhos e nariz vermelhos e não conseguia controlar as lágrimas. Estava tudo tão difícil, o mais alto não conseguia entender.

Hoseok apenas puxou o mais alto para um abraço apertado, controlando com todas as forças sua imensa vontade de espirrar.

– Eu te amo, seu grande bobalhão. Nunca mais repita essas coisas. – E então Hoseok espirrou. – Ah… desculpa.

Namjoon riu por entre o choro e voltou para dentro do quarto. Hoseok achou que novamente a porta seria fechada, mas o escudeiro voltou com o gato no colo e o colocou no chão, do lado de fora do local. Jung espirrou mais uma vez e o felino arrepiou os pelos, fez um som alto com a boca e correu, sumindo nos corredores do castelo.

– Gato estranho – comentou Hoseok, voltando sua atenção para Namjoon. – Eu posso entrar?

– Vamos para o baile… Eu já estou melhor – disse o loiro, não encarando o amigo. – Esquece isso… Não foi nada.

– Tem certeza? Podemos ficar mais um pouco…

– Não. Você vai ficar espirrando o tempo inteiro. Eu estou bem, vamos…

O vidente não gostava daquilo. Ele queria conversar e tentar descobrir o motivo do amigo estar falando aquelas coisas, mas sabia reconhecer quando Namjoon não queria conversar sobre algo, então pelo menos naquele momento, iria deixá-lo em paz, porém assim que tivesse a oportunidade, questionaria o que tinha acontecido. Afinal, havia ficado bastante preocupado com toda aquela situação.

– Joon, Jin era virgem quando vocês transaram pela primeira vez? – Hoseok disparou, doido para mudar de assunto e quem sabe animar um pouco o amigo.

– Que? Jin? – Namjoon disparou, rindo. – Que pergunta idiota. Um homem daqueles virgem, ha!

– Foi o que eu pensei sobre… hm, deixa para lá. – Hoseok não queria expor a intimidade de Yoongi assim, mesmo que confiasse em Namjoon. – Voltando… Você vai dançar comigo, né?

– Claro que não. Serei humilhado, massacrado! – rebateu Namjoon, sacudindo a cabeça negativamente. – Dance com o seu namorado!

– Olha essa! Você tem que dançar comigo!

– Nunca nem te vi!

Hoseok riu, mostrando a língua pra Namjoon, que devolveu o sorriso, mas não com tanta força quanto o de costume. O vidente queria perguntar o que acontecia, mas havia prometido a si que esperaria.

– Okay, okay… Mas vamos nos divertir, certo? – Hoseok quis saber, enlaçando o braço no do loiro.

– Claro que vamos!

A animação do escudeiro era falsa, porém Hoseok aceitaria aquilo, pelo menos até mais tarde.

 

* * *

 

Jungkook era novamente o centro das atenções e mesmo sabendo lidar com isso, sentia-se tenso com todas aquelas pessoas vindo falar com ele e o parabenizando pelo acordo, mas o príncipe somente lia aquilo como uma forma de mostrarem que ele tinha sorte por estar vivo. Poderia ser um pouco exagerado, no entanto quando a nobreza estava envolvida, palavras mesquinhas eram substituídas por sorrisos falsos e o mais novo já estava acostumado com aquela rotina.

– Kookie, nada de começar a beber de agora – falou Yoongi, retirando a taça da mão do mais novo, que reclamou. – Daqui a pouco você pode beber, okay?

– Eu não sou mais criança – disparou o moreno.

– Tudo bem, mas dadas as circunstâncias da sua situação…

O mais novo finalmente entendeu. Ele não poderia ficar bêbado, pois ainda não tinha total controle da sua sede e álcool nunca havia sido algo que ajudava as pessoas, principalmente com os dons. A conjuntura era toda irônica para Jungkook, afinal ele pretendia não permanecer sóbrio exatamente para esquecer toda aquela situação.

Sem precisar concordar com a cabeça, Jungkook se virou, indo para outro lugar, longe do bar. Ele queria ter alguém que não fosse Yoongi; amava o melhor amigo, mas um sonho bobo dele desde criança, era chegar em um baile real acompanhado da pessoa por quem estivesse apaixonado. Mas, como as coisas estavam andando, talvez aquilo nunca acontecesse.

– Olha, ali estão Namjoon e Hoseok – proferiu Yoongi, apontando para os dois que acabavam de entrar no salão. – Quer falar com eles?

– Vamos…

Jeon tinha a mínima vontade de ir conversar, mas se esforçou a isso, afinal os amigos não tinha culpa dele estar com aquele estranho humor. Afinal, tivera uma tarde divertida, mesmo que somente tivesse ficado na biblioteca, mas depois que entrou em seu quarto, se sentiu mal e solitário e pelo visto o sentimento não havia o abandonado.

– Jungkook, isso tudo é incrível! – proferiu Hoseok, encantando com todos os cantos que colocava os olhos. – É tudo tão surreal… Me sinto até um príncipe. – Hoseok riu assim que terminou de falar. – Eu sei, é bobo.

– Talvez não seja... – Yoongi falou, mas Hoseok pareceu não entender, então ele mudou de assunto. – E vocês dois… Já fizeram as pazes?

– Sim – respondeu o escudeiro mais novo, com um sorriso sem graça. – Eu só estava em um dia ruim…

– Fico feliz que tudo tenha dado certo – afirmou Yoongi.

– Vocês brigaram? – Jungkook quis saber, finalmente prestando atenção na conversa. – Eu… não sabia.

– Não foi nada demais, Kookie – garantiu Hoseok, com um sorriso. – Acontece… Brigas mostram que realmente nos amamos…

– Deve ser por isso que Jungkook e eu vivemos brigando – comentou Yoongi, arrancando uma risada de todos.

Jungkook ria, mas não se sentia no clima para isso. Ele queria beber e quem sabe aliviar um pouco todos os seus problemas. O príncipe sabia que não era uma boa coisa, mas sempre havia sido covarde e assim optara sempre por esquecer ao invés de enfrentar seus medos.

A rainha chegou pouco tempo depois ao baile e depois de toda a pompa e reverência, ela ocupou o trono de monarca e Jungkook foi para o seu lado, como príncipe. Naquele local era mais fácil para o príncipe beber e foi isso o que fez, ignorando os olhares irritados de Yoongi.

– Boa noite a todos.

A voz de Somin fez Jungkook voltar a realidade. Por que a irmã estava discursando? Ele não se lembrava de terem conversado algo sobre aquilo, afinal não havia preparado nada para falar se fosse necessário.

– Estou aqui hoje para celebrar a volta do meu irmão, o príncipe Jeon, que provou que seu título de Bravo é verdadeiro – Somin falou, dando um sorriso ao mesmo tempo que apontava para Jungkook, que ainda estava sentado no trono. O mais novo a olhou com uma mistura de preocupação e curiosidade. – Ele enfrentou inimigos, foi essencial para que o acordo de paz com o reino Kim fosse assinado e ainda se manteve humilde com as suas conquistas. – A rainha sorriu, buscando a mão do irmão e o fazendo ficar de pé. –  Uma salva de palmas para o príncipe Jeon Jungkook!

Jungkook não gostava da atenção, mas ainda assim se viu agradecendo as palmas com um rápido reverenciar; muitos príncipes não faziam aquilo, mas o jovem gostava de mostrar respeito ao povo assim como mostravam a ele.

No meio das palmas um grito foi escutado, seguido por vários outros da mesma pessoa. Hoseok não estava acostumado com bailes reais e para ele somente aquelas aclamações estavam sendo muito sem graça, então por isso Jung começou a gritar o nome do amigo, chamando atenção para si.

– Kookie! Kookie!

Da onde estava, o príncipe conseguiu ver Namjoon tentando alertar Hoseok, mas o vidente claramente não se importava, continuando a gritar. Jungkook olhou preocupado para a irmã, afinal ela poderia achar ofensivo. No entanto, ela tinha um leve sorriso no rosto, logo disfarçando quando percebeu que estava sendo observada. Então, o Jeon deu um rápido aceno para Jung, que aproveitou para jogar um beijo no ar. O dançarino poderia não entender – ou não ligar –, para toda a etiqueta envolvida, mas era divertido assisti-lo quebrando todas as regras possíveis.

A rainha levantou a mão direita, pedindo silêncio de todos e Hoseok se calou, pois Namjoon o cutucou com força. Somin então bateu duas vezes a mão no alto e três moças, com vestidos dourados entraram no local, com bandejas. Jungkook nada entendeu e procurou Yoongi, que estava atrás de si, mas o escudeiro estava tão perdido quanto ele.

– O príncipe Jungkook me ensinou algo esses dias; na verdade ele me fala isso há um tempo, mas eu sempre o ignorei. – Somin riu e foi acompanhada por todos. Jungkook realmente achou graça da piada da irmã. – Jungkook sempre me disse como eu deveria confiar mais nas pessoas, pois nem todas queriam somente o meu dinheiro e poder – explicou. – Eu demorei para acreditar nisso, até o meu irmão me contar tudo o que ele passou durante esse tempo que esteve fora… Jungkook está aqui hoje, pois abriu mão do seu status e pediu ajuda, confiando nos que lhe estenderam a mão. E isso é uma atitude digna de um príncipe muito sábio. Nossos pais estariam orgulhosos.

O mais novo concordou, sentindo as lágrimas encherem seus olhos. Somin estava fazendo todo aquele discurso por conta de toda a insegurança em relação ao lado dele que agora era vampiresco. A rainha estava momentaneamente abrindo mão do seu status e se mostrando sensível, somente para prová-lo que ali era o local dele. Jungkook estava sem palavras quanto aquele ao de amor.

– E, ao pedir ajuda, ele fez amigos. E damas e cavalheiros, Jungkook não para de falar deles! – proferiu a rainha, rindo juntamente com todos no salão. – Então, peço a esses amigos para virem aqui, na frente de todos. Por favor, Jung Hoseok, Kim Namjoon e claro, o eterno companheiro do meu irmão, Min Yoongi, venham aqui.

Hoseok teve o impulso de segurar na mão de Namjoon, porém o mais alto se soltou e segundos depois o vidente se lembrou como o reino Jeon era preconceituoso e conservador, então com todos os olhos em cima deles, os dois seguiram para a parte mais alta do salão, onde ficavam os tronos. 

Para a surpresa de todos, as bandejas que as moças traziam tinham medalhas de honra e todos arfaram alto, afinal aquele tipo de condecoração ia somente para pessoas muito importantes para o reino e nunca antes na história Jeon um escudeiro havia ganho a insígnia, que dirá dois, isso tudo sem contar um andarilho, que provavelmente era a pessoa mais risonha do salão.

O jovem príncipe somente abraçou Somin quando todos já estavam de volta à diversão, pois ela havia feito aquilo tudo para provar que ele era importante, que não seria um problema que os afastariam; eles eram irmãos, amavam-se e tinham um ao outro. Era o suficiente.

 

 

Hoseok olhava para a camisa, fitando a medalha de honra ali pregada. O vidente estava tão feliz que nem se importava com os olhares estranhos que recebia por Dawon estar em seu ombro. Ele era honrado! Que se danem os outros.

– Hoseok, sua boca vai rasgar – Namjoon comentou, também rindo. O caso do loiro era mais relacionado à bebida, afinal havia perdido a conta de quantas taças de champanhe havia bebido. – Eu não acredito que sou o primeiro escudeiro a ganhar uma dessas!

– Tecnicamente, você recebeu por segundo…

– Ridículo! – reclamou o mais alto, mostrando a língua para o dançarino. Realmente havia bebido bastante. – Você está assim todo bobo só porque o seu namorado também recebeu uma medalha – comentou. – Ih, falando no indivíduo…

O vidente levantou o olhar e viu Jungkook e Yoongi se aproximando deles. Com um sorriso nos lábios e antes de pensar qualquer coisa, o dançarino estava abraçando o namorado. Dawon, como sempre, previu segundos antes e voou para algum ponto alto do salão.

Boo! Eca! – proferiu Jungkook, com o polegar apontando para o chão, um claro sinal de desaprovação. – Arranjem um quarto!

Hn… Jungkook? – Namjoon perguntou, segurando no braço do príncipe já que o rapaz errou um dos passos e parecia cair para frente. – Wow, ei, ei… Opa, acho melhor parar de beber um pouco, hn?

– Dança comigo? – Jungkook disparou a pergunta, aproveitando que o escudeiro mais alto o segurava para levar os braços até o pescoço de Namjoon. – Hein? Dança comigo?

– Não? – Namjoon falou, sabendo que havia soado como uma pergunta. Para o alívio do escudeiro mais novo, Yoongi já estava próximo a Jeon, puxando-o delicadamente. – Kookie, eu… É melhor você dançar com uma moça.

– Foda-se essa porra hétero! – gritou Jungkook, fazendo os amigos se assustarem. – Eu gosto de pau!

Jungkook! – o escudeiro mais velho proferiu, sentindo o próprio coração disparar. O príncipe não podia falar aquelas coisas. – Vamos lá para fora, agora!

Yoongi sabia que tinham escutado o que Jungkook havia dito, mas não tinha coragem de olhar para os lados, então somente arrastou o príncipe para fora, sendo seguido por Namjoon, Hoseok e claro, Dawon.

– Então… Qual de vocês… vai transar comigo? – Jungkook perguntou, sorrindo ladino. A voz do rapaz estava arrastada e alguns soluços eram escutados no meio das frases. – Quem vai me agradecer por essas medalhas... de forma apro-apropriada?!

– Ele é tão fofo, mas escandaloso – Hoseok proferiu, rindo baixinho. Talvez seja melhor levarmos o menino para o quarto dele.

– Sim! Vamos todos para o quarto! Para que um se eu posso ter três, hn?

– Ninguém vai transar com você, moleque – Yoongi falou, bufando. – Sua irmã vai te matar, já ‘tô até vendo. E eu vou perder a minha medalha!

Hoseok riu mais uma vez, dessa vez acompanhado por Namjoon. Kim ia comentar algo, quando o vidente espirrou.

– Ai, gato desgraçado – comentou Hoseok, olhando em volta. – Cadê essa peste?

– Ninguém quer transar comigo – reclamou Jungkook, agora fungando. – Vocês têm nojo de mim!

– Cala a boca, Kookie – falou o loiro mais velho, segurando no braço do amigo.

– Kookie. Ninguém aqui tem nojo de você – Hoseok afirmou, sorrindo docemente, mas o outro não pareceu convencido.

– Então eu não sou bonito o suficiente? – choramingou o mais novo, virando-se então para Namjoon. – Você não me acha atraente, Joon?

Namjoon se sentiu encurralado. O que deveria responder àquela pergunta? Afinal ele não queria incentivar um bêbado ou de alguma maneira piorar a situação.

– Kookie, eu tenho noivo – respondeu o mais alto, tentando disfarçar. – Por que você não vai descansar um pouco? Clarear a mente?

– Eu não quero clarear nada! Eu quero você!

O escudeiro parecia à beira das lágrimas de desespero ao fitar o rosto choroso de Jungkook, mas para sua sorte ele não precisou responder nada, pois Yoongi tomou conta da situação.

– Kookie, por favor. Não faça isso.

Então, com certa dificuldade o escudeiro conseguiu levar Jungkook para o quarto. Deixando o loiro mais alto e Hoseok para trás.

Hey… Você está bem?

– Eu… não queria magoá-lo – proferiu Namjoon, suspirando fundo. – Isso é culpa minha…

– Joon, não é nada sua culpa.

– É sim… Eu o incentivei – falou o mais alto, abaixando o olhar. – Eu sou mesmo um bosta!

– Namjoon! Claro que não. – Hoseok se adiantou, buscando o rosto do amigo com as mãos, fazendo-o olhá-lo, sem desviar para outro lugar. – Você é humano, acontece. Você gostou da atenção, só isso.

O escudeiro encarou Hoseok e o vidente notou os olhos do outro se modificando, de tristes para raivosos. Jung tentou falar alguma coisa, mas sentiu dois fortes baques em seus braços e ainda em choque sentiu a dor lhe atingir enquanto Namjoon saía com raiva, deixando-o para trás sem entender o que de tão errado havia falado.

Hoseok começou a andar na direção do amigo, mas o gato preto surgiu ao mesmo tempo que Dawon piou alto. O felino passou pelas pernas do vidente e correu atrás de Namjoon, entrando no quarto antes que o escudeiro fechasse a porta.

A coruja pareceu perceber como o dono parecia perdido, ainda sem entender ao certo o que tinha acontecido e por isso deu um voo rasante, pousando no ombro de Jung.

– Dawon, que merda acabou de acontecer?

A coruja piou.

– É, melhor voltarmos para a festa.

E, ainda confuso, o vidente se virou, voltando para o salão, somente para beber um pouco e quem sabe descobrir o porquê de tudo estar tão estranho naquele castelo.

 

* * *

 

Yoongi suspirou alto após acender as luzes do quarto de Jungkook ao mesmo tempo que o segurava. O rapaz achava muita graça de algo, que o escudeiro nem queria saber o que era. Odiava ver o melhor amigo naquele estado, mas certas coisas não conseguia impedir, afinal na frente de outras pessoas, o outro era um príncipe e ele um simples empregado.

– Vem, vou te colocar na cama…

– Cama – falou o mais novo, rindo baixo. – Eu gosto de cama.

O loiro revirou os olhos e com cuidado levou Jungkook até a cama, soltando-o aos poucos até ter certeza que o rapaz estava deitado.

– Yoon… Hoseok sabe que você é virgem? – perguntou o mais novo, rindo em seguida.

– Vai dormir, pirralho – falou o loiro, seguindo para a cadeira do local e cruzando os braços logo depois de se sentar. – Vou ficar aqui até você pegar no sono.

– Eu não quero dormir – proferiu Jungkook, com agilidade se sentando em seus joelhos, encarando o loiro. – Deita comigo?

– Esquece essa ideia, Kookie. Vai dormir.

– Por favor? Eu estou carente, Yoongi – proferiu o mais novo, com uma voz baixa. – Deita aqui comigo… Podemos dormir abraçadinhos...

– Hoseok está me esperando, Kookie, e você está bêbado. Te conheço bem demais para saber que você vai se grudar em mim e não me soltar a noite toda.

Agora foi a vez de Jungkook bufar, estalando alto a língua. Por que ninguém o queria? A companhia dele era assim tão ruim? Então, já que não era por bem, seria com a Força, afinal o plasma de Yoongi era tão saboroso. Ele queria provar um pouco.

O rapaz impulsionou as pernas para o chão e pela primeira vez percebeu que ainda estava de sapatos. Então, sob o olhar de Yoongi, chutou-os para longe, em seguida retirando o seu paletó, deixando somente a camisa.

Porém, o olhar do mais novo de alguma maneira gerou um alerta no escudeiro, que se pôs de pé ao ver o melhor amigo se aproximando com sua recém adquirida velocidade vampiresca. O que Jeon estava fazendo?

– Para com isso, Jungkook! Eu não estou de brincadeira!

– Você é o meu escudeiro. É o seu trabalho me servir – afirmou o príncipe, vendo o amigo arregalar os olhos. – Se não for por bem, irá ser por mal.

– Jungkook, se você se aproximar, eu irei te socar.

– Você é proibido de me ferir, Yoongi… Perderá a mão direita se me machucar…

O moreno sorria ladino e Yoongi sentiu toda sua espinha gelar. Aquele não era Jungkook. Não era o seu melhor amigo ou o seu protegido. Ele não conseguia reconhecer Jeon naquele sorriso.

– Kookie… Por favor. O que deu em você?

– O que deu em mim? Eu cansei – respondeu o príncipe, dando mais um passo para trás. Yoongi não admitiria em voz alta, mas estava com medo, pois se necessário, não sabia se teria força machucar Jungkook. – Anda logo, Yoongi. Eu já falei que é uma ordem.

– Não… Por favor, se você me morder outra vez eu vou viciar… – disparou o escudeiro, dando um passo para trás, mas batendo na escrivaninha. – Jungkook, esse não é você. Te fizeram alguma coisa? Vamos resolver juntos, eu prometo.

O príncipe não respondeu, apenas caminhou em direção à Yoongi até conseguir o encurralar contra a parede. Uma de suas mãos foi até a nuca do escudeiro, que prendeu a respiração em antecipação pelo pior e fechou os olhos com força.

– Vai embora – Jungkook sibilou, entre dentes. – Yoongi… Vai embora.

Yoongi abriu os olhos e fitou a face transformada de Jungkook; o príncipe estava com as presas amostra e os olhos vermelhos. Ele estava pronto para morder e sabe-se lá fazer mais o que com o melhor amigo. O moreno, naquele momento, estava usando toda a sua força para não fazer nada com Min.

– J-Jungkook?

– C-corre.

O escudeiro tentou se mexer, mas a mão de Jungkook ainda o prendia pela nuca, no mesmo lugar. O príncipe parecia ter um luta interna e Min queria desesperadamente ajudar, porém a força de Jeon não se comparava à sua; nunca se compararia.

Jungkook mostrou as presas e voltou a sorrir ladino. Yoongi temeu o que poderia acontecer e tentou lutar, mas Jeon se aproximou do seu pescoço e sem alternativa, ele deixou, fechando os olhos com força.  

O loiro aguardava algum outro movimento do mais novo, mas ao invés disso apenas ouviu um piado alto e em seguida o grito de Jungkook, que se afastou dele com rapidez, tropeçando no tapete do quarto.

– Coruja desgraçada!

Yoongi correu para fora do quarto. Ele não queria fazer aquilo, pois sabia que tinha algo de errado com Jungkook e com conversa poderia descobrir o que era, mas o príncipe estava claramente fora de si e mesmo sendo bom no que fazia, sabia que não conseguiria vencer contra Jeon, ainda mais com o vampirismo adicionado à questão.

Quando o escudeiro parou de correr, percebeu que estava no salão onde o baile acontecia e um pouco tarde demais, notou que Dawon o havia levado até ali. Sentindo-se perdido, olhou em volta e nesse momento alguém lhe segurou no braço. Min virou pronto para se defender, acreditando ser Jungkook, porém era Hoseok, com um olhar preocupado.

Sem se importar com o que as outras pessoas poderiam pensar, o moreno envolveu o namorado em um abraço apertado. Não sabia como, mas algo estava errado. Algo definitivamente estava errado com Yoongi.

– Po-podemos ir p-pro quarto, por favor?

Hoseok nada falou, somente segurou Yoongi contra si e juntos foram para o quarto, em silêncio, mas o vidente conseguia sentir o namorado tremendo ao seu toque. Ele estava preocupado, pois naqueles dias que se conheciam, sabia que o escudeiro não se afetava com pouca coisa.

Já dentro do quarto, Yoongi nada falou, somente foi até a cama e após jogar os sapatos em algum canto, encolheu-se no colchão, nada falando. Hoseok não sabia se deveria ou não se aproximar, então optou por dar distância ao namorado e por isso se sentou na única cadeira do local.

Porém somente conseguiu ficar no lugar por um minuto, logo voltando a se levantar e seguindo para a cama, sentando-se na beirada, um pouco afastado de Yoongi.

– Yoon… Você quer conversar? O que aconteceu?

– Eu quero dormir – murmurou o loiro, encarando a parede oposta. – Dawon está aqui?

Hm… Não. Ela… Ela saiu. Provavelmente foi caçar.

– É perigoso. Você… pode chamá-la ou algo do tipo? – Yoongi tinha a voz fraca e Hoseok queria mais do que tudo abraçá-lo, mas não achava ser uma boa ideia. – Por favor…

Hoseok concordou com a voz baixa e se levantou, indo até a janela do local. Eles estavam no quinto andar, era o corredor real, acima deles somente a sala do trono. Aquilo ainda era tão estranho para o vidente, mas deixando aquelas questões para um outro momento, o dançarino assobiou alto, duas vezes, escutando um piado em resposta. Não demorou muito para Dawon posar em seu braço.

– Prontinho, Yoongi – falou Hoseok, tentando parecer animado quando notou que o loiro o olhava, ainda deitado na cama. – Não precisa mais se preocupar com Dawon.

Dawon piou e saiu do braço do dono e foi até a cama, pousando perto do rosto de Yoongi, observando-o de perto. O loiro sorriu e esticou a mão, desajeitadamente conseguindo fazer um carinho no animal.

– Obrigado – falou o escudeiro, sentindo um bolo na sua garganta. – Eu não sei como você sabia, mas… obrigado.

A coruja picou carinhosamente os cabelos loiro de Yoongi, piando baixinho. Hoseok não estava entendendo nada, mas sentia vontade de chorar.

Havia acontecido alguma coisa com Yoongi.

Jungkook.

Foi quando o pensamento cruzou a mente do dançarino pela primeira vez.

Era loucura, certo? Jungkook nunca faria algo no tipo. Mesmo bêbado. Não. Não podia ter acontecido.

– Ele... – A frase queimou na língua de Hoseok no instante em que ele a proferiu. – Jungkook… Ele… Yoon… Ele se alimentou de você?

– Não. Eu vou dormir – falou Yoongi, não olhando para Hoseok. – O dia foi longo e eu estou cansado.

– Eu vou matá-lo! – Hoseok proferiu. Seus olhos estavam arregalados e a respiração pesada. Yoongi conseguiu ver o brilho dourado no olhar do namorado. – Jungkook está morto!

Yoongi se assustou, sentando-se na cama. Hoseok não podia se descontrolar naquele momento.

– Seokie, por favor. Não aconteceu nada. – Yoongi afirmou, ficando de pé vagarosamente. – Foi um mal-entendido. Jungkook… hm… Só ativou o vampirismo por um momento, não foi nada.

– Você está mentindo!

– Por favor, você não pode atacá-lo – O escudeiro falou, aproximando-se de vez do namorado e o segurando com cuidado. – Eles vão te matar se você encostar nele.

– Eu não me importo!

– Seokie, não aconteceu nada. Eu acho que ele tentou me beijar, só isso. Não acho que ele ia me morder – o loiro afirmou, engolindo a seco. Ele não queria se lembrar daquilo, pois aquele não era o Jungkook que ele conhecia. – Acho que foi o veneno, sei lá… Jungkook não parecia ele mesmo.

Hoseok respirou fundo e levou a mão a bochecha de Yoongi, vendo o namorado se entregar ao toque. Era óbvio que o escudeiro estava mais abalado do que parecia, mas Jung conseguiria esperar até ele estar pronto para conversar.

– Eu estou aqui, okay? – proferiu o vidente, com um sorriso fraco, os olhos não mais dourados. – Se você quiser conversar… Eu… Você quer ir embora? Nós damos um jeito.

– Não… Ele precisa de mim, Seokie… Tem algo errado com ele. Eu sei que tem! Jungkook não é assim.

– Você quer ir conversar com ele agora? – o moreno questionou, vendo o outro balançar a cabeça negativamente. – Tudo bem… Quer ir dormir?

– Sim… Estou muito cansado.

– Que tal um banho? – Hoseok perguntou, com um sorriso fraco no rosto. – Ou uma banheira? Eu posso preparar algo refrescante e relaxante para você, Yoon.

– Eu aceito o banho… – proferiu Yoongi, com um sorriso fraco. – Você também virá?

– Eu tomo depois, não se preocupe.

Yoongi se apaixonava cada vez mais por Hoseok e não sabia explicar como aquilo acontecia. O vidente queria lhe dar espaço, por mais que eles viessem tomando banho juntos naqueles últimos dias, afinal já haviam se visto nus e a vergonha não estava mais presente na relação deles.

– Então, eu… – o escudeiro falou e parou, parecendo perdido por um momento. – Vou lá… Desculpa.

– Não tem nada do que se desculpar.

O loiro conseguia ver que Hoseok realmente queria dizer aquilo, então se sentiu melhor enquanto ia para o banheiro. O vidente então se sentou na cadeira, sentindo Dawon ir para o seu colo, coisa que ela sempre fazia quando sabia que o dono estava tenso ou preocupado.

– Dawon… Como você sempre sabe das coisas, hn? – perguntou o vidente, fazendo carinho na coruja. O animal fechou os olhos e bicou delicadamente os dedos do dançarino. – Obrigado, meu bebezinho.

De repete, suas visões que tivera na floresta fizeram sentido para Hoseok. A primeira, que Jungkook sempre morria e em seguida Yoongi se matava não virou realidade, pois atravessaram para o reino Jeon a salvo. O rapaz levara um tiro, mas não havia mais perigo de morte, tanto que nunca mais o vidente sonhara com tal coisa. A outra visão era do beijo entre o namorado e o príncipe. Não era um beijo, era uma mordida no pescoço, em um quarto escuro e agora tudo fazia sentido. E, graças a Dawon, esse futuro não se tornara realidade. Jung sentia-se mais calmo ao saber que sua coruja também protegia as pessoas que ele amava.

Depois daquele momento, Yoongi saiu do banho e Hoseok seguiu para o banheiro. Quando o vidente voltou, Min dormia encolhido, com Dawon pousada na cabeceira da cama, como se o protegesse. O dançarino sorriu e foi para a cadeira, pois não sabia se o escudeiro queria alguém com ele na cama, então achou aquela a melhor opção; já havia dormido em lugares piores, não seria um problema. 

Hm… O que você está fazendo aí?

Hoseok olhou surpreso para Yoongi, que o encarava com o rosto amassado. Era adorável.

– Eu vou… ler um pouco antes de dormir.

– Seokie, eu estou bem. Vem deitar, hm? Preciso de um pouco de abraço para dormir – o escudeiro murmurou, ensaiando um sorriso cansado enquanto dava leves batidinhas no lado vazio da cama. – Eu sinto sua falta.

– Mas eu estou bem aqui – falou o moreno, levantando-se e seguindo para a cama. – Como você pode sentir falta de mim?

– Não sei, eu só sinto – afirmou o escudeiro, vendo o outro se acomodar do seu lado. – Eu gosto muito de você.

Com um sorriso nos lábios, Hoseok beijou Yoongi, que murmurou mais alguma coisa romântica antes de encostar a cabeça no tronco do vidente, afirmando que aquele era o melhor travesseiro que podia existir.

– Eu também gosto de você – falou Hoseok, por fim, fechando os olhos.

Daquela maneira, os dois dormiram, sabendo que tinham um ao outro e a Dawon, que estava atenta ao seu posto, velando o sono dos namorados.


Notas Finais


😬😬😬

Gostaram do capítulo? Divulguem a fic!
E, por favor, deixem comentários com as suas opiniões; amamos lê-los.

Até amanhã ;*


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