História Glass Bridge - Capítulo 67


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Jikook, Namjin, Sope, Taekook, Taekookmin, Taeminkook, Vkookmin, Vmin, Vminkook, Yoonseok
Visualizações 633
Palavras 3.507
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Agradecemos aos 473 favoritos e a todos que comentam!!! :D

AVISO DE GATILHO: Abuso infantil (passado), Suicídio.

Para mais informações ou se quiserem bater um papo com as autoras,
nos sigam no Twitter: @giseledute | @isidoroka ;)

Capítulo 67 - Capítulo 67


Jungkook seguiu para dentro dos escombros e Yoongi seguiu para onde Jaehwan disse que visto um suspeito seguir.

O caminho o levou para parte de trás do castelo onde existia a horta que abastecia o palácio, o galpão de ferramentas dos jardinagem e os canis. Atrás das pequenas construções era o acesso a floresta. Se alguém tentasse fugir, aquele seria o caminho mais óbvio.

Porém, deveriam ter guardas naquela área. Na confusão, todos deviam ter corrido para dentro da construção para ajudar; o que confirmava sua teoria de que havia sido trabalho interno.

Yoongi olhou em volta mais uma vez, vendo a torre caída e a cerca farpada no alto do muro depois das construções. Somente alguém muito habilidoso ou com dons específicos conseguiria pular de uma altura tão alta e escapar sem lesões.

Ou a pessoa está machucada do outro lado.

O loiro sorriu, antes de dar vários passos para trás e correr. Dando um rápido impulso, Yoongi bateu pé no telhado do canil e com velocidade pulou por cima do muro, evitando a cerca.

O escudeiro não havia calculado muito bem e por isso bateu no tronco de uma árvore, porém agilmente, utilizou um dos galhos para apoiar o pé e com um outro salto, caiu agachado no chão. Aquilo era fácil para ele devido ao seu treinamento, mas será que era para a pessoa que implantara a bomba? Min esperava que não.

Demorou exatamente dez minutos de corrida para Yoongi escutar um gemido de dor que não provinha de um animal de quatro patas e sim de uma pessoa. Ele então se virou e começou a andar na direção oposta do som, afinal era daquela forma que aprendera em seu treinamento: surpreenda o inimigo.

E foi isso o que fez, logo transformando seus passos em silenciosos movimentos que pareciam nem tocar no chão de tão leves que eram. Daquela maneira, o escudeiro deu a volta no local, escalando uma árvore sem problemas e seguindo por outras, até encontrar seu inimigo.

O homem estava escorado em um tronco de árvore, com uma arma apontada para frente e a mão na barriga. Estava ferido.

Yoongi pulou de onde estava, derrubando o homem no chão, para com rapidez chutar a arma para longe do indivíduo e a pegando em seguida. Depois de conferir que não tinha risco de ser atingido por uma bala, afinal poderia ser uma espécie de armadilha, o escudeiro levantou o rosto e fitou o inimigo, arfando assim que reconheceu o olhar que conhecia como se fosse seu próprio. Aquilo não podia estar acontecendo!

– Woozi?!

Jihoon ainda tinha a mão na barriga e respirava com dificuldade, enquanto encarava o irmão com o olhar cheio de cinismo.

Yoongi parecia não entender o que estava acontecendo, afinal o que o irmão estava fazendo ali? Jihoon sempre havia sido irresponsável e contra leis, mas um atentado contra dezenas de pessoas? Aquilo somente poderia ser uma piada doentia do universo; Min não podia acreditar.

– Irmão.

Havia ódio na fala do mais novo, porém não do tipo que se tem por um inimigo ou alguém que nunca gostou, mas sim do tipo que é construído ao longo de anos de convivência, muito parecido com um fungo em uma parede que não se dá atenção dias, meses e anos, até que ele esteja tão grande que nada o impede de continuar crescendo e crescendo até estar em toda a casa. O sentimento doentio que o rapaz tinha dentro de si foi alimentado por décadas, até se tornar aquela inveja proeminente que era visível para todos que dessem atenção para Jihoon por mais que alguns segundos.

– O… o que você fez?

– Ah! Está decepcionado? – Jihoon questionou, dando um sorriso de lado, cínico. O gesto fez a pele de Yoongi sentir um arrepio.  – Vai me falar que sou mesmo um merda que deveria morrer?

– Não se faça de vítima! – disparou Yoongi, dando um passo à frente ao mesmo tempo que apontava o dedo indicador na direção do mais novo. – Eu quero saber o que você fez?!

– Coloquei as bombas e aí?

Yoongi não reconhecia aquela pessoa à sua frente, afinal o homem que tinha os olhos fixos não era o seu irmão que havia visto crescer brincar com seus brinquedos e lhe sorrir sempre que podia. A personalidade torcida e mesquinha tinha surgido após anos, quando o escudeiro não mais conseguiu alcançar o mais novo e tudo o que fazia acabava por o afastar. O loiro não sabia onde havia errado.

– Você matou e feriu dezenas de pessoas!

– Todos que trabalham para a coroa, não faz diferença nenhuma…

– Como não faz diferença?! Você iniciou uma guerra, Jihoon! – Yoongi praticamente gritou, respirando fundo em seguida. – Você tem noção do que fez?! Do crime que cometeu?

– Eu fiz pelo bem da nação…

– De que nação?! Nossa nação estava prosperando, Jihoon! Nossa rainha estava fazendo acordos que melhorariam o nosso reino e você colocou uma bomba dentro do castelo!

Yoongi estava gritando, pois estava frustrado, com raiva e preocupado, pois seu irmão ainda sangrava a sua frente e o futuro era incerto.

– Sua rainha! Aquela puta é sua rainha!

– O que ela tem fez, hn? Te tirou da porra da prisão? Aceitou o meu pedido de clemência por você? Eu deveria ter escutado Somin quando ela disse que meu irmão não era o honrado da família!

Jihoon provavelmente iria tentar retrucar alguma coisa, mas uma tosse o cometeu e não demorou para sangue sair por entre seus lábios. Yoongi se desesperou, aproximando-se do irmão e amparando-o.

– Sua criança burra! – o mais velho xingou. Conseguia sentir as lágrimas em seus olhos, pois ele sabia que Jihoon não iria se salvar daquela vez. – Olha o que você fez…

– Eu queira que… você tivesse morrido na explosão; foi o único motivo pelo qual aceitei o trabalho.

– Trabalho?

– Não importa agora…  

Os braços de Yoongi ainda estavam na cintura do irmão, mas a mente do loiro estava longe; ele só conseguia pensar nos pais e tentar descobrir o motivo de tudo ter acabado daquela maneira.

Jihoon tivera o mesmo que ele, as mesmas oportunidades, a mesma criação e o amor dos pais, então qual era a explicação para comportamentos e pensamentos tão diferentes? O escudeiro talvez nunca soubesse a resposta, pois seu irmão mais novo estava mal, cuspindo sangue e coberto de suor, isso sem contar os olhos que não pareciam fixos em nenhum lugar. O loiro conhecia aqueles sinais, pois havia os vistos há uns meses. A constatação o apavorou.

– Quem te injetou o soro?

– Quê?

– O soro… Os seus sintomas… Te injetaram algo, certo?

– Não me injetaram nada! – disparou Jihoon, empurrando o irmão com força; não era muita, mas Yoongi ainda assim se afastou. – ‘Tá com medo de que eu seja mais forte do que você, hn?

– Mais forte?

– Sim… Me deram essa seringa… – proferiu o mais novo, puxando o objeto de plástico de dentro de um dos bolsos do casaco e o jogando no chão – Falaram que se eu me machucasse, era para usar, mas que um dos efeitos era uma super força…

– Seu idiota! Eles te queriam morto para não falar nada.

– Você… mente!

–  É? Cadê a sua super força? Eu não te derrubei? Ainda posso derrubar, por sinal – disse o loiro, passando a mão pelo cabelo. Ele estava nervoso. – Eu conheço um antídoto… Vamos… Venha comigo.

– Não, não! Eu não quero dever nada a você, Yoongi! – Jihoon não tinha forças para se livrar do irmão mais velho e Min o soltou quando o ouviu chorar e tossir outra vez. – Eu odeio você!

– Tudo o que fiz foi te amar e te proteger a vida toda! – Yoongi gritou. Ele estava magoado com aquele tratamento que recebia há anos do irmão, afinal o que tinha feito de errado? Amá-lo desde a primeira vez que colocou os olhos nele, quando só tinha quatro anos? Respeitá-lo mesmo quando este lhe jogava palavras de ódio? Ajudá-lo a sair de situações que qualquer outro não conseguiria? Tirá-lo da prisão? Céus, não conseguia entender. – Me diga onde errei! Eu preciso saber!

Jihoon não respondeu, apenas tossiu mais e mais sangue para o desespero de Yoongi, que voltou para perto do caçula ignorando os braços que o tentavam afastar.

– Você não me deve nada, Jihoon! Você é meu irmão e sempre vai ser minha obrigação te proteger, mesmo que você não me entenda, mesmo que você me odeie.

– Não preciso de nada seu – disparou o moreno, cuspindo o sangue acumulado em sua boca na bota do escudeiro. – Você é um lixo… Deu para estar onde está… Foi por isso que nunca me deixou tentar ser escudeiro? Porque para eu ter um cargo bom teria que transar com o velho rei? Acha que eu não conseguiria?

– Que merda você está falando agora?! Eu não fiz nada disso! Eu não transei com ninguém para chegar no meu cargo, sua peste de boca suja! – Yoongi ralhou, puxando o garoto ainda mais para si, tentando fazer com que ele se colocasse de pé o máximo que podia.

– Foi por isso que você chegou em casa chorando naquele dia, não foi? – Jihoon sussurrou, provavelmente estava ficando mais difícil para ele falar na medida que perdia mais e mais sangue. –Você não deixou ninguém o tocar por semanas…

– Para agora! Para de falar!

– É por isso que você é gay, hn? Gostou do que teve?

Yoongi começou a chorar, sem conseguir se controlar.

– Está chorando por que eu descobri o seu segredinho, Yoongi?

– Cala essa boca, Jihoon! Você não sabe de nada! Nada! – O escudeiro não conseguiu levantar o irmão e chorar ao mesmo tempo, então não foi surpresa quando os dois foram ao chão outra vez. – Eu... quero te ajudar… Meu amigo fez o antídoto…

– Para de tentar me salvar! Eu não quero nada de um sujo como você! – disparou Jihoon, novamente empurrando o irmão. – Aquele seu namorado sabe o que você fez? Ele também sabe das suas noites com o príncipe lá?

Yoongi só percebeu o que fez quando sentiu sua mão queimar. Ele havia desferido um tapa contra a face do irmão caçula; um tapa que havia doído mais nele que no próprio Jihoon.

– Eu não fui para a cama com ninguém para ter o meu cargo. E se o impedi de se alistar na academia foi para não sofrer o que eu sofri, sua peste ingrata! Eu não queria um velho imundo o tocando como aconteceu comigo! É isso o que queria ouvir, Jihoon? – perguntou o mais velho. – Que eu fui molestado na academia? E que por não querer que você sofresse o mesmo eu o impedi de se alistar! É por isso que você me odeia tanto?!

– Isso… é mentira. Você que quis…

– Eu tinha nove anos! Nove! – Yoongi não mais controlava as lágrimas. Sua mente estava cheia de lembranças do que tinha acontecido e dos dias seguinte, quando havia tentado esconder, mas quando percebeu que não estava fazendo um bom trabalho, escondeu-se no quarto e lá ficou até sentir-se um pouco melhor. – Como pode dizer essas coisas para mim? Eu sofri por anos… Ainda sofro. Era me machucar que você queria? Parabéns, conseguiu.

– Você está mentindo! – Jihoon gritou para então gemer alto de dor e mais sangue escapar de seu ferimento na barriga. – Eu… Eu não… Diz que é mentira!

– Por que eu mentiria sobre isso? Foi um professor nojento que tive… – o loiro explicou, apertando os olhos para de alguma forma expulsar aquelas lembranças. – Isso não importa mais… Eu só quero te ajudar, Jihoon. Por favor, vem comigo. Você vai tomar aquele antídoto e me falar quem te contratou. Somin é uma boa pessoa; você não precisará ir para julgamento popular…

– Por quê? Eu disse que te odeio! Eu te odiei por anos, por…. por…

– Você é meu irmão – afirmou o loiro, levando a mão até o ombro do mais novo. – E eu te amo.

Jihoon então chorou ainda mais e Yoongi se aproveitou daquele momento de fraqueza do caçula, para o colocar de pé como podia e começar a puxá-lo para onde a junta médica estava acampada.

– Yoon… Yoon…

– Vamos conseguir atendimento para você… Eu converso com a rainha mais tarde – disse o loiro, passando uma mão apressada no rosto. – Dará tudo certo… Dará tudo certo…

Yoongi repetia as palavras para si, pois ele não tinha realmente certeza se tudo daria certo. Somin era sim misericordiosa, mas o que Jihoon fizera não havia perdão. Sinceramente, o escudeiro não ficaria revoltado se mesmo com os nomes dos envolvidos, a rainha o mandasse para um julgamento popular que, nos últimos anos, era praticamente um sinônimo para morte.

– Yoon?

– Sim?

– Não estou me sentindo bem…

O loiro virou-se na direção do irmão, percebendo os espasmos em seu corpo. O rapaz suava e o sangue escorria por seus lábios. A visão fez Yoongi arfar e sentir seus olhos novamente se encherem de lágrimas. Jihoon estava morrendo.

– Yoon… T-tem algo errado… – o caçula proferiu outra vez. Yoongi conseguia sentir as unhas mal cortadas se apertarem em sua pele de maneira dolorosa. – R-raiva…

– Não… Aguenta mais um pouco – pediu o escudeiro, aproximando-se mais uma vez do irmão. – Eu te carrego. Isso ‘tá bom para você?

– E-Eu t-te o-odeio…

– Eu já entendi essa parte, agora vamos!

– Você… é nojento.

A raiva e a loucura. Yoongi se lembrou que era um dos efeitos colaterais do soro em humanos e naquela velocidade o loiro não teria muito a quem salvar, pois seu irmão estava partindo bem diante dos seus olhos e não sabia como proceder naquela situação. O escudeiro somente queira sentar e chorar até toda aquela dor ir embora.

Foi quando a força de Jihoon se tornou mais intensa. Yoongi gritou, afastando-o.

– C-corre! – O mais novo foi capaz de murmurar. Ele estava com a cabeça baixa e em pé, se apoiando nas próprias pernas, a respiração pesada e descompassada. O escudeiro não sabia o que fazer, nem se mexer se mexeu direito. – Eu disse para você correr! Inferno!

– Jihoon?

– C-corre.

– Não vou te deixar assim…

– Foi sempre assim com você, né?! Querendo fazer a coisa certa! – gritou o mais novo, observando o irmão desaparecer da sua visão. Tudo se tornava vermelho e ameaçador sob seus olhos. Não existia mais floresta e Yoongi, somente ódio. – Ah! Ahhhh!

Yoongi teve tempo apenas de desviar da investida de Jihoon, mas o rapaz estava mais rápido do que o costume e logo recuperou o equilíbrio atacando-o outra vez.

– Woozi, para já com isso! Para!

O moreno não falava, somente jogava seu corpo para cima de Yoongi. Eram braços, pernas e dentes; qualquer golpe que vinha em sua mente, era desferido no mesmo instante contra o escudeiro.

Jihoon parecia sentir dor e ódio em intensidades desconhecidas. O rapaz rosnava e tentava agarrar qualquer parte do corpo de Yoongi. Era desumano, bestial.

Min conseguiu empurrar o caçula e em um movimento quase instintivo retirou a arma do coldre, mirando contra o irmão, que parou, respirando com dificuldade.

 – Yoongi! Faça! Você sabe que precisa fazer!

– Jihoon, tem tratamento… Eu posso te ajudar.

– Não dá mais tempo, Yoon! Não dá… Eu sinto! – o mais novo gritou, outra vez como se alguma coisa estivesse rasgando sua pele de dentro para fora. – Faça!

– Não posso… Sou fraco – afirmou o escudeiro, abaixando a arma. – Você é meu irmão… Não sou capaz de te machucar.

– Eu vou te matar! – gritou o mais novo.

– Mata…

O moreno fechou os olhos e apertou as unhas nas palmas, pois estava realmente sendo difícil se controlar, afinal o soro adentrava em cada célula sua e de algum modo lhe dizia que deveria matar todos que entrassem na sua frente. Era fome, raiva, medo, ódio e revolta, tudo misturado em um único corpo e emergindo ao mesmo tempo, tomando conta de tudo que um dia foi Min Jihoon.  

O mais novo investiu contra Yoongi outra vez e os dois se embolaram no chão em uma luta estranha até que Jihoon conseguiu se colocar por cima do irmão mais velho. Antes que pudesse se controlar, o mais novo utilizou as unhas para ferir os braços do loiro que gritava para ele parar com aquilo de uma vez.

Com um grito agonizante Jihoon finalmente parou com as investidas. Trêmulo o mais novo buscou a mão de Yoongi que ainda segurava a arma e levou o cano gélido até a lateral da própria cabeça.

– Faça! Faça agora!

– Não posso... Não… Ainda dá tempo do antídoto... Por favor, Jihoon! Por favor!

O moreno estava realmente mais forte que Yoongi e com um simples puxão na mão do irmão, retirou a arma do escudeiro, que gritou quando o mais novo posicionou o cano contra a sua têmpora direita.

– Larga essa arma, Jihoon!

– Desculpa por tudo – disse Jihoon. Suas mãos tremiam e Yoongi estava com medo de se movimentar para retirar a arma das mãos do irmão e isso fazer com que o mais novo disparasse acidentalmente contra si. – Nada disso é sua culpa.

– Jihoon, pense nos nossos pais! Por favor, não faça isso!

– Eu não te odeio.

E, com essas palavras ainda entre eles, Jihoon apertou o gatilho, caindo em seguida para frente, em cima de Yoongi, que tinha os olhos arregalados enquanto sua mente não processava o que tinha acabado de acontecer.

– J-Jihoon?

Yoongi não se mexia, somente sentindo o peso do corpo do mais novo sobre si ao mesmo tempo que as lágrimas iam escorrendo por seus olhos. Ele não conseguia se movimentar para constatar o que já sabia: seu irmão era o culpado pelas bombas e havia acabado de se matar na sua frente.

– Woozi? Me responde…

Um líquido quente escorria pelo pescoço de Yoongi e o escudeiro sabia que era o sangue do irmão, mas parte da sua mente lhe negava tudo aquilo; aquela parte lhe dizia que era uma espécie de brincadeira, que o moreno não havia retirado a própria vida e sim somente desmaiado por conta do soro.

– Lembra quando você tinha cinco anos e caiu brincando com um colega? – perguntou o loiro, fitando as folhas da árvore que parecia cobrir todo o céu, retirando o azul, deixando todo o lugar escuro. – Você chorou tanto... Eu te falei que tudo ficaria bem… Vai ficar Jihoon, vai ficar…

O escudeiro ficou naquela posição, fitando as folhas das árvores e observando como elas pareciam sempre cair depois de um tempo que ele as fitava. Talvez fosse coincidência ou o ciclo da vida, mostrando-lhe que a morte era inevitável para todos, porém no tempo da natureza, que após alguns anos de existência terrena, decidia qual era o momento de aquele ser tornar-se uma simples poeira no universo.

Daquela maneira, o loiro continuou por minutos ou talvez horas, pensando sobre o tudo e o nada. Talvez permanecer naquele manto de folhas fosse o que precisava para processar toda a dor que borbulhava de seu coração, não o transbordando, mas sim parada, esperando o momento certo para estourar e levar a face sem expressão de Yoongi para um mergulho de sofrimento.

As folhas iam tornando-se mais escurecidas ou era a noite que estava chegando, Yoongi não tinha certeza, porém não parecia fazer diferença, pois permaneceria ali, ao lado de Jihoon, onde deveria ter ficado desde o primeiro momento. Nada daquilo teria acontecido se tivesse sido um bom irmão.

Era noite quando Yoongi viu uma ave dar alguns voos rasantes e piar alto ao pousar em um galho, para segundos depois descer e ficar próximo ao escudeiro, fitando-o, como se tentasse desvendar sua mente. O loiro nunca a entenderia por completo, tinha certeza daquele fato.

– Yoongi! Céus! – A voz chegou ao ouvido do loiro, contudo ele não se mexeu, mesmo quando uma luz forte de lanterna o cegou por uns instantes. – Yoongi?

O loiro não respondeu, mesmo quando foi retirado o peso em cima do seu corpo e ele foi colocado sentado, com duas mãos lhe passando pela cabeça, pescoço e braços, até a pessoa respirar aliviada.

– Yoon? Fala comigo – pediu a voz, pela primeira vez vendo o escudeiro piscar em sua direção. – Eu só vi quando aconteceu, Yoongi. Me perdoa, eu não sabia… Eu teria evitado.

O escudeiro não conseguia falar; ele apenas envolveu Hoseok em um abraço e chorou, pois era a única coisa que conseguia aliviar o aperto que ele estava sentindo em seu peito.

– E-ele colocou as bom-bombas, Seokie… Ele me o-odiava tanto q-que co-colocou as bombas!

Shhh, ele não te odiava, Yoon – falou o vidente, apertando os olhos para o fragmento da visão que tivera, com as últimas palavras de Jihoon. Hoseok não costumava ter visões tão específicas, mas atualmente elas estavam mais comuns. – Ele estava confuso e perdido, mas não foi sua culpa.

– Ele é o meu irmãozinho, Seokie! Eu deveria protegê-lo!

– E você protegeu, Yoon! Até o fim, tudo o que você fez foi protegê-lo.

Hoseok garantiu, beijando a testa do escudeiro que soluçava completamente desolado com a perda. O moreno então puxou o namorado para cima e o colocou em suas costas, deixando Yoongi envolver os braços em seu pescoço enquanto ele o segurava pelas pernas.

– O co-corpo, Seokie…

Shh… Vai ficar tudo bem, eu prometo.

Yoongi esperava que Hoseok estivesse certo. 


Notas Finais


Gostaram do capítulo? Divulguem a fic!
E, por favor, deixem comentários com as suas opiniões; amamos lê-los.

Até amanhã ;*


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