História Glória Eterna - Capítulo 20


Escrita por:

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Cedrico Diggory, Cho Chang, Colin Creevey, Draco Malfoy, Fleur Delacour, Harry Potter, Hermione Granger, Personagens Originais, Remo Lupin, Ronald Weasley, Sirius Black, Viktor Krum
Tags Cedrico Diggory, Harry Potter, Hedric, Hogwarts, Sagrados 28, Torneio Tribruxo
Visualizações 144
Palavras 3.911
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Poesias, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pessoinhaaaaaassssssss... pra quem ainda não desistiu de mim, olá, eu voltei mais de dois meses depois, mas voltei, às 04h da manhã COM ESSE FRIO DESGRACENTO DO INTERIOR DE SÃO PAULO. Claramente é dormindo cedo assim que se diminuiu ansiedade, né, não? Mas queria avisar-lhes que estou melhorzinha, tô conseguindo escrever e para mim funciona tipo remedinho...
Cof... Cof.... esse capítulo também deu quase 8mil palavras, aí eu pensei "amas não quero!", então dividi ele em dois.
Essa semana mesmo eu posto a parte II.
Nas notas finais deixei o link da música que estendeu a mão para minha inspiração nesse capítulo. (Para @timeoftime que pediu a Playlist, não montei ela, né? Mas não me esqueci do seu pedido, vou fazer mais isso de deixar músiquinhas).

Enfim...
Boa leitura! Espero que gostem!

Capítulo 20 - Capítulo 19 - Você me bagunça (part.I)


Narrador: Cedrico

23 de junho de 1995, Sexta-feira à noite

Prendo a respiração antes de poder sentir o cheiro e tomo todo o líquido de dentro da caneca, mas o gosto horrível do remédio fez parecer completamente falsa aquela coisa que dizem sobre não sentir o cheiro e o gosto diminuir.

– Obrigado! – digo quando Hagrid pega a caneca da minha mão, mas não é novidade ele não responder pra mim. Eu hein, nem fiz nada pra ele.

Me afundo um pouco mais no sofá quando ouço batidas na porta da cabana, não precisava de muito para saber o que viria depois disso. Hagrid saiu, fechando a porta e Harry tirou a capa.

– Ele tem que ir fazer as atividades noturnas dele, mas não quis te deixar sozinho.

Dou um sorrisinho irônico para Harry ao ouvi-lo.

– Legal da parte dele te mandar aqui para brigar comigo.

Estendo meu braço, me esticando um pouco para pegar o pano sobre a mesinha, colocando ele em minha testa, voltando a me afundar de novo no sofá e fechando os olhos.

– Cedrico, você pode parar de ser tão mal agradecido assim? Ele está te ajudando.

– Mas ele fica falando na minha cabeça.

Harry revirou os olhos.

– Será que é por quê ele pode perder o emprego por isso?

– Ah, por favor, Dumbledore nunca mandaria ele embora.

Harry ficou em silêncio por algum tempo, mas estava me observando.

– Você é muito mimado. – senti ele puxando o pano da minha mão. – dá esse negócio fedorento aqui. – soltei o pano e o olhei, arqueando as sobrancelhas.

– Eu não sou mimado!

– Não, eu que sou. – disse, se afastando de mim.

Harry andou até a pia, fechei os olhos novamente só ouvindo o barulho da água escorrendo e alguns segundos depois o pano estava sendo segurado contra minha testa de novo.

– Você está mais quente do que hoje à tarde.

Respiro profundamente mais uma vez, não mereço essa chatice não.

 – Tá doendo, briga comigo não, por favor. – falo em um tom como se eu estivesse sofrendo muito, mas sem deixar de sorrir.

Ele sorriu olhando para o lado e balançando a cabeça.

– Você não presta muito, sabia?

– É você quem não resiste. Tenho nada com isso. – falo, com meio sorriso canto que ele retribuiu aproximando o rosto de meu pescoço, a respiração quente dele com seus lábios roçando levemente em meu pescoço, fez arrepiar e como em uma resposta involuntária eu sorri. A expressão que Harry fez depois de minha reação, não precisava de palavras para eu saber que ele pensou “você também não resiste”, mas o que ele disse foi:

– Tá precisando de um banho, não acha?

O encaro, apertando levemente meus olhos e empurro a cabeça dele pra mais longe de mim.

– É sua tentativa de me fazer ir pra enfermaria?

– Não. Só dizendo mesmo que tá precisando de um banho... Hum... Faz o quê? Dois dias que você tá nesse sofá? Daqui a pouco junta mosca.

– Ah, cala boca! – desvio meu rosto para o lado, respirando fundo e puxando discretamente o gola da minha camisa para cheirá-la.

Só ouvi uma risada alta vinda dele.

Tão desgraçadinho!

Depois de duas horas... bom... aquela altura já havia passado da meia-noite e a gente já tinha conversado tudo que nosso humor permitiu, eu peguei o livro da mesinha enquanto ele decidiu que a parede estava muito divertida de olhar. Dou um sorrisinho ao vê-lo abaixar a cabeça com tudo por ter dormido sentado e acordar assustado por conta do movimento.

– Oi. – falo.

– Ah, oi. – disse, passando os dedos nos olhos por de baixa dos óculos.

– Deita aqui. – falo, fechando o livro e jogando ele na mesinha, indo um pouco pra trás no sofá, dando espaço na frente.

– E se eu encostar no seu pé?

– Não vamos pensar no pior. Hagrid só volta umas quatro da manhã.

– Se eu encostar não chora.

– Talvez eu chore.

– A ideia foi sua. – ele disse, se levantando.

– Não me faça mudar de ideia.

– Você não mudaria.

Sorri quando ele se deita à minha frente, colocando os óculos em cima da mesinha, deixo meu pé bem pra trás, sofá da casa de um rapaz grande como Hagrid é bom por isso.

– Provavelmente não. – digo, passando meu braço por sua cintura, o abraçando e ajeitando meu corpo contra o seu.

– Desistiu de ler?

Dou uma leve assentida.

– É, acho que sim. Não consigo me concentrar.

– Hum... – senti o quadril de Harry se movendo contra o meu e dou um sorrisinho. Eu sei, está muito errado eu estar com o pé aberto e ficar felizinho com essa bundinha esfregando em mim, eu sei que tá errado, mas eu não estou sentindo dor agora e é a bundinha magrela do Harry, né?

Só controlo minha animação com isso porque nem momento, nem lugar propício pra isso, além de que tenho certeza que o movimento dele não foi pensando nisso.

Ainda bem que ele não consegue ler minha mente.

– Hermione ficou surpresa quando me viu trazendo esse livro pra você.

– Hum? – demorei alguns segundos para processar o que ele disse. – ah, por quê? – pergunto olhando para o livro sobre a mesa.

– Ela disse que Orgulho e Preconceito é romântico demais até pra ela.

– Ah, eu não acho. É clássico romântico, mas a protagonista é ótima. Tenho certeza que fui como ela em outra vida.

– Ah, é?

– Claro, bem mulher revolucionária com um crush todo poucas palavras e muita responsabilidades tipo o Mr. Darcy.

Harry riu.

– Entendi, bem sua cara.

– Óbvio. – falo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Retribui ao sorriso que ele deu, foi só eu passar meu braço por de baixo do pescoço dele e começar a puxar levemente seus fiozinho de cabelo que ele dormiu e eu não demorei muito mais do que isso.

 

24 de junho de 1995, Sábado de manhã, dia da Terceira Tarefa

Meu coração parecia que ia voar para fora de minha boca enquanto eu corria de algum tipo de luz, não sei dizer o que era, apenas sabia que precisava correr dela o mais rápido possível e aí, em seguida, senti meu corpo ser chacoalhando e aquela imagem sumiu, me fazendo abrir os olhos.

– Cedrico!

– Ah! Quê?! – minha voz saiu meio alta.

– Acho que você estava sonhando.

Coço meus olhos, distinguindo melhor a imagem de um Harry Potter à minha frente, me movi no sofá para me ajeitar melhor como um ser humano normal, mas aquela dor forte muito bem conhecida e presente nos últimos dias subiu por minha perna.

– Pega a poção. – falo com a voz meio falha, apertando meus olhos.

No segundo seguinte virei o vidrinho em cima dos cortes que agora estavam parecendo como se meu tornozelo tivesse sido dilacerado e o sangue tivesse secado... é, crianças, se algum bicho morder vocês, não o chutem, tem o risco dele não soltar e rasgar sua pele.

Respiro fundo sentindo a dor diminuir e estendo o vidrinho para o Harry.

– Obrigado.

– De nada. – ele disse, se sentando no espaço do sofá que ele estava deitado antes. – se fossemos trouxas não seria fácil assim, sabia?

– Que bom que não somos então, né?

Harry só retribuiu balançou a cabeça e tocou em minha testa.

– Sua febre diminuiu.

– É que você dormiu comigo.

– Ah, para!

Ri baixo e levo meus dedos até seus fiozinhos de cabelo acima da orelha dele, colocando-os para trás.

– Paro nada!

Acho que ele não tinha muita paciência para fazer algo naquele momento além de sorrir.

– Tava sonhando com o quê?

– Sei lá, tinha algo me perseguindo e eu não parava de correr.

– Ah! Pelo menos nos seus sonhos você ainda tem os dois pés.

A gente riu junto do que ele disse, mas eu revirei os olhos.

Sorri quando Harry se inclinou para frente segurando em meu queixo e retribui ao beijo, mas é claro, as pessoas sempre entram nessas horas. Deveria ser um dos dez pecados capitais atrapalhar o beijo de pessoas, principalmente nesse caso que a gente não se beija desde que eu coisei meu pé. Harry se afastou de mim na mesma hora, se levantando meio sem jeito, realmente envergonhado. Eu demorei alguns segundos para processar a ideia de que eram meus pais ali. Minha mãe parecia meio nervosinha, mas por incrível que pareça, meu pai estava aparentemente bem tranquilo.

– O que vocês estão fazendo aqui? – pergunto.

Minha mãe realmente estava brava, isso ficou claro pelo olhar que ela lançou.

– Ah, eu vim salvar seu pé para eu poder te deixar aleijado depois com minhas próprias mãos.

Viro meu rosto em direção à Harry.

– Você contou pra ela?

Ele apenas me olhou, mas antes que respondesse minha mãe já continuou:

– Claro que ele contou! Harry é praticamente três anos mais novo que você e tem muito mais juízo. Onde já se viu, Cedrico? Ficar com o pé arregaçado por que não quer perder o cargo na monitoria?! Você tem ranho no lugar do cérebro, garoto?

– Ah, mãe... um distintivo de monitor conta muito pra arrumar trabalho e...

– Enfia esse distintivo na bunda, Cedrico! – disse, me contando no meio da fala.

– Manda muito não que ele obedece, tia. – falou Patrick, entrando na cabana e sorriu para a gente.

– Quietinho. – digo, meio que sorrindo.

É, é estranho, meu pai só parecia querer rir daquela situação, é tão raro ver minha mãe brava e meu pai de boa. Diga-se de passagem, quando ela fica brava é bem complicado de lidar. Olho para Harry de novo, cerrando meus olhos.

– Não precisa agradecer.

Desvio meu olhar depois que ele diz aquilo e fico observando minha mãe abrindo a bolsa, tirando algumas coisas que eu reconhecia e outras que eu não fazia ideia do que era.

– Ah, Harry... – Patrick disse, olhei para ele também. – A Profª McGonagall está te procurando.

Ele arqueou as sobrancelhas.

– Por quê?

– Ela disse para você ir tomar café da manhã porque cada campeão vai receber a família aqui para assistir as provas.

Nossos olhares se encontraram quando ouvimos aquilo, Harry nunca falou muito sobre a vida com a família trouxa dele e eu nunca achei legal ficar perguntando demais, mas pelo pouco que falou, era muito mais do que claro que eles nunca estariam ali e foi exatamente o que ele disse, mas Patrick falou que ela o mandou ir mesmo assim. Só retribuo o aceno dele com a cabeça, ele estava relutante em sair dali.

– Ai que horror! – minha mãe exclamou ao tirar a toalha que eu tinha colocado em cima do machucado. – que merda vocês fizeram aqui?

E foi assim que eu acabei me distraindo da carinha amuada com que Harry saiu da cabana para sentir dor. Minha mãe enfiou um pano na minha boca dizendo que ela ia ter que tirar todas as poções que foram jogadas em cima dos cortes, ter que reabrir o que tinha cicatrizado porque estava cicatrizando com o veneno do cava-charco dentro e isso poderia realmente me fazer perder o pé, então com meu corpo todo soando, o paninho já não sendo capaz de abafar meus gritos e meus olhos lacrimejando, ela fez o que tinha que fazer. Não indico à ninguém.

Em meio aquilo tudo, eu não sei dizer exatamente quando, mas Harry apareceu ali com Sra. Weasley e Gui Weasley, a dor estava tanta que eu nem conseguia prestar atenção naquela beleza ruiva de cabelo comprido com um dente pendurado na orelha como se fosse brinco. É, eu sei que eu não presto muito, como o Harry disse, mas assim dá pra entender como estava doendo.

Meu braço escorregou mole do sofá, assim como todo meu corpo, eu parecia não ter muito mais forças, pelo não até ter meu tornozelo apertado com força, o que me fez sentar rapidamente pelo susto, era o Patrick apertando.

– É, parece que não vai ser hoje que vai perder o pé. – ele disse, sorrindo de canto.

Mas é, não tinha mais nenhuma dor ali.

Eu só tive que aguentar por algum tempo minha mãe acompanhada da Sra. Weasley dizendo sobre o quanto eu sou irresponsável, sobre o quanto ter filhos garotos é difícil e aí a Sra. Weasley falando sobre como criar a Gina é muito mais fácil e umas coisas assim que mães falam, mas não pude deixar de sorrir porque as duas me olhando como se quisessem me bater foi engraçado.

Dou um sorrisinho para Harry quando ele se senta à minha frente.

– Pode levantar já, princesa.

Reviro os olhos meio que sorrindo e me sento no sofá, olhando em volta, meu pai ficou falando sobre alguma coisa com o filho bonitão da Sra. Weasley que eu não sabia o que era e não estava muito interessado.

– Cadê o Patrick? – pergunto, olhando para Harry.

– Ali fora conversando com o Jorge.

– Desde quando ele está aqui? – falo, meio que sorrindo.

– Desde a hora que seus pais chegaram, não percebeu?

– É... não.

– É... acho que os dois se dão bem.

Sorri de canto, encarando o Harry.

– O Jorge tá afim dele.

A surpresa no rosto dele, me fez rir.

– O Jorge é... tipo... sério?

– Bom... não sei o que ele é ou deixa de ser, sei que claramente ele quer algo com o Patrick.

– Aah... realmente não somos exceções de nada. – vi um leve sorrisinho se formando no rosto dele.

– Eu te disse.

Depois daquilo tudo, quando eles pararam de falar e Hagrid chegou, agradeci à ele e eu estava mesmo conseguindo andar. Eu amo minha mãe, mesmo que ela reclamando todo o caminho de volta para a escola estivesse me fazendo questionar isso.

– Que bom que você está bem! – Profª Sprout disse quando chegamos ao salão principal e me abraçou. – Credo, Diggory, você está precisando de um banho. – ela falou e eu sei que foi sem a intenção de me ofender, foi apenas na livre espontaneidade de Pamona Sprout, mas a risada alta que o Harry deu, me fez ficar vermelho... pelo menos minha pele pareceu queimar, então estava vermelho.

– Eu te disse. – ele falou baixinho para mim, só virei um tapa na nuca dele porque eu precisava responder algo para me sentir melhor.

– É, eu estou indo resolver isso, professora. – falo, meio sem jeito, meio que rindo.

– Ótimo. Mas não pense que você passou livre dessa, depois vamos conversar sobre.

Apenas sorri para ela como se não fosse nada, não tinha o que eu falar, sei que ela gosta de mim, mas também sei que ela não ia deixar isso passar em branco mesmo, se descobrisse. Ela bateu com a luva em Patrick quando ele foi abraçar ela e elogiar dizendo que estava com saudades, foi bonitinho a carinha de vergonha dela, mas nisso eu já estava com vontade de sair correndo para tomar banho. Consegui descer para o dormitório depois de alguns minutos, que agradeço aos céus por estar vazio. Meus pais foram andar com os Weasleys e Patrick desceu comigo. Ele pareceu uma criancinha feliz tocando a música da Hufflepuff no barriu.

– Ei! – chamo assim que saio do banho, pegando minha camisa de cima da cama e jogando em direção ao rosto dele. – O John tem mania de colocar umas coisas estranhas nessa cama, sem contar os altos peitos que ele solta. Se eu fosse você não ficava aí não.

Patrick tirou a blusa do rosto e se sentando na cama, disse:

– Essa cama era minha e eu também já fiz coisas estranhas aqui, então tudo bem.

Mas se levantou e andou até a minha cama, se sentando e segurando meu travesseiro em cima de suas coxas, ele não assume, só que tem um ser bem nojentinho dentro dele.

Abro o malão vendo logo em cima a camisa da terceira prova, dou um pequeno sorriso olhando para o nome Diggory escrito na parte de trás com uma estrela vermelha em baixo.

– Caramba! É mais bonito do que todos os uniformes da Lufa-Lufa que eu já tive. – falo.

Patrick meio que riu e assentiu.

– Realmente, mas é que assim... uniformes da Lufa-Lufa, vamos concordar, né? Eu amo essa casa, só que...

– É... isso é... – meio que sorrio ao dizer aquilo e jogo a camisa em cima da cama para pegar outra camisa, meio cedo para me arrumar para a prova.

Coloco a calça antes de tirar a toalha de minha cintura, para depois colocar uma camisa qualquer.

– Você é ridiculamente gostoso. – ouço Patrick dizer isso em um tom baixo, como se estivesse pensando alto.

Assim que termino de passar a cabeça pelo buraco da blusa, o encaro. Por dentro até fiquei desconfiado daquilo, mas por fora dei um sorrisinho de canto.

– Se isso for um flerte, fico triste em te avisar que veio tarde demais.

Ele riu de forma abafada.

– Cedrico, você sairia correndo se algum dia eu desse bola para você de verdade.

Ri alto ao ouvir aquilo.

– Lógico que eu sairia correndo. Meus sentimentos de irmão por você não me deixaria fazer nada, mas não é mentira a parte que esse elogio “ridiculamente gostoso” se encaixa à você.

– Se você diz... – ele deu de ombros.

– Ah, o Jorge também acha.

– É, eu percebi. – ele falou meio que rindo e balançando a cabeça.

– E o que você acha disso?

– Não sei... a gente tem tantas coisas em comum que às vezes até assusta.

Arqueio as sobrancelhas e dou um sorrisinho.

– Credo!

– O quê? – ele me olhou meio que sorrindo.

– Como eu posso ser próximo à alguém que se acha parecido com um dos gêmeos Weasley?

– Vocês levam richa de quadribol pra vida real mesmo.

– Lógico! – ri baixo e dei de ombros. – mas sei lá, não deveria ser um problema vocês terem muito em comum.

– Não, na verdade, não acho que seja... é só que...

– É só que? – pergunto.

– Tem algo de errado comigo, parece faltar algo.

– Algo de errado tipo você preferir o piruzinho do Jorge do que o excesso de orifícios da Julia?

Ri ao sentir o travesseiro bater contra meu rosto.

– Eu não acho que ela tenha excessos de orifícios, não foi por isso que terminei com ela e nunca vi o piruzinho do Jorge para saber.

– Talvez seja isso que te falta.

– O quê? Ver o piruzinho do Jorge?

– Exatamente! – respondo meio que rindo e fecho o malão com um certo esforço.

– É... sei lá, para você tem tanta diferença assim?

– De homem e mulher?

– É, tipo isso...

– Ah, eu não sou nenhum expert em sexo para eu poder te dizer algo assim, mas sei lá, até o beijo de um garoto é diferente, eu entendo porque as pessoas gostam de mulheres, entendo mesmo, o ser feminino é muito bonito, mas com homens, eu me sento mais livre para tocar de uma forma mais grossa e ser tocado da mesma forma, o cheiro mais forte e isso é na parte sexual da coisa. Sei lá, todo o resto faz mais sentido também.

Ele ficou me olhando e depois deu uma risada baixa.

– Você é bem gay mesmo.

– É, eu sei... – respondo, meio que sorrindo.

– Seria tão mais fácil me sentir assim. – arqueio as sobrancelhas ao ouvi-lo. – Sei lá, só não gostar de garotas. Poder encaixar o meu jeito de ser com ser só gay seria mais fácil.

Ri ao ouvir aquilo e o encaro.

– Ah, meu Deus, que sofrimento! Eu sou um cara que gosta de mulheres, puts! O que vou fazer agora? – ri de novo balançando a cabeça.

Ele riu também e pegou o travesseiro que joguei nele.

– Isso foi bem problema de garota branca, né?

Ri e assenti.

– Totalmente. Mas ok... tem algum motivo para você achar isso que tá mais fácil ser gay?

– Sim. Eu gosto de mulheres, talvez eu até goste de homens, mas o problema não é esse. O problema é isso que você disse, o toque grosso, o cheiro forte... Cedrico, eu tenho nojo disso tudo. Eu me excito com mulheres, mas quando eu me excito é aí que me lembro que tenho um pau e sinto nojento por isso. Aí ao mesmo tempo em que eu me atraio por mulheres, eu gostaria de ser como elas, mas em nenhum momento eu realmente sinto nojo de homens, é só como se fosse nojento... eu ser um... entende? Eu ser um homem é nojento! Cara... isso é bizarro! Eu terminei com a Julia porque eu não podia corresponder às expectativas dela sobre ter um namorado, não dá pra dizer pra uma garota “ei, eu gosto de te chupar, mas se você quiser dar, eu vou ter vontade de chorar porque não gosto do meu pau” e mesmo que eu fique com homens, que eu seja passivo, que eu não use meu pau, mesmo assim eu vou gozar por ele e sentir nojo do mesmo jeito. Cara, tranquilamente eu responderia as cantadinhas do Jorge, mas pra quê? Como a Julia, ele também espera de mim um homem, um homem viadinho, mas um homem e como eu correspondo à isso se eu tenho nojo de ser o que todo mundo vê quando me olha? – tudo que ele disse começou a sair quase como se ele estivesse precisando gritar aquilo há muito tempo.

Ouço tudo aquilo e fico o encarando, acho que nem pisquei, só sei que ri, ri de nervoso mesmo e coloquei minhas mãos por meu rosto.

– Melhor pedir para Deus abençoar o corpo porque a cabeça já tá destruída. – falo ainda rindo e ele acabou rindo também.

– Eu sei!

Ele abaixou a cabeça quando eu abaixei, por algum tempo fiquei olhando para o chão, pelo menos antes de processar tudo aquilo e conseguir falar:

– Olha... eu não faço ideia de como seja se sentir assim. É oposto do que eu sinto, meu problema sempre foi com o outro corpo ser feminino e não com o meu ser masculino, mas uma coisa eu sei, são horríveis essas imposições do que é ser homem e do que é ser mulher porque algumas pessoas só não irão se encaixar. Você não é louco por isso, sinceramente eu não achei que fosse possível alguém se sentir assim, mas... bom... quando eu tinha doze anos e comecei a perceber que eu gostava do que esperam que as meninas gostem, parecia que eu era o único no mundo a ter esse problema porque naquela época você tinha quinze anos e mesmo que fosse um pouco diferente dos outros meninos, ainda assim vivia cheio de namoradinhas pela escola e eu não tinha essa vontade, só fui descobrir que eu não era o único no mundo quando o Olívio me beijou, quatro anos depois de eu perceber que não sou como os outros meninos. Não sei se isso vai acontecer com você, mas sinceramente, talvez você não seja o único no mundo que pode se sentir assim, só acho que você deveria tentar entender melhor o que sente e parar procurar um nome que te defina. Eu sei como é bom se encaixar em algo, se a minha atração por garotos não fosse chamada de "gay", talvez eu demorasse um pouco mais para entender o que sou, mas no fundo todas essas coisas não passam de sentimento, você pode até não ter o conforto de poder se definir como algo, mas não pode ignorar o que sente por essa falta de definição.

Ele deu um sorrisinho, ainda olhando para baixo.

– Acho que isso de você ser gay fez de você uma pessoa melhor, talvez não pensasse essas coisas senão fosse.

Assenti levemente.

– É, eu também acho. – sorri. – ah, vem cá. – o abraço.

Por um bom tempo ficamos em silêncio... não acho que tinha muito mais o que falar, mas ainda assim ele disse:

– Obrigado!

Continua [...]


Notas Finais


Deixa eu dar ênfase sobre ser transexual em 1995 ;^; e por estarmos falando de 1995 que não fiz as falas terem termos ou super explicações, mas caso alguém tenha fico confuso e queira entender, deixa eu explicar rapidamente aqui:
Patrick nasceu no corpo de um homem, mas ele não se idenfica com isso, no português que tem essa divisão de gênero, tipo "alto", "alta", o mais confortável para Patrick seria chamar pelo feminino e não pelo masculino, mas como estamos falando de 1995, as pessoas não tinham essa consciência. Nem todo transexual se sente como Patrick, com esse nojo do próprio corpo, mas no caso de Patrick, é o que acontece, um sentimento individual, não regra. E Patrick se sentir mulher não muda o fato de gostar de mulheres ou de homens, aí no caso, Patrick gosta dos dois mesmo, só não tem certeza disso ainda.


A música:
https://www.youtube.com/watch?v=xmDzOJnzfkw&list=RDxmDzOJnzfkw&start_radio=1


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...