1. Spirit Fanfics >
  2. Gnossienne - Imagine Doyoung >
  3. V - folie à deux

História Gnossienne - Imagine Doyoung - Capítulo 5


Escrita por:


Capítulo 5 - V - folie à deux


Dizer que Kim Doyoung tinha uma veia obsessiva era subestimá-lo, e foi exatamente isso que Taeyong pensou ao entrar no quarto do mais novo. Ele estava cercado por uma pilha de papéis, afundado em pesquisas para sua tese de conclusão de curso (que ainda estava longe, como ambos sabiam, mas que não saía da cabeça dele desde o primeiro dia de faculdade), e nem sequer percebeu que alguém havia entrado em seu quarto. Era uma cena até mesmo engraçada de se observar: era um dia perfeito de verão, céu azul, sol brilhando e um calor infernal, e eles eram os únicos do grupo de amigos que estavam no dormitório; Yuta foi o primeiro a sair, logo cedo, e aos poucos, todos os demais o acompanharam, alguns para aulas de verão, outros para se divertirem, e nesse momento, Lee Taeyong se preparava para sair para almoçar, até se lembrar que não havia visto um amigo em especial desde a noite anterior… Um amigo que definitivamente estava precisando de companhia e uma distração.

— Ei, melhor aluno da universidade. Vai mesmo passar o dia enfurnado no quarto? — o mais velho falou.

Isso assustou Doyoung, que não esperava ninguém; nem tinha ouvido a campainha, ou nada do tipo… Estava tão distraído e imerso em suas pesquisas que não percebera que tinha companhia. — Ah, eu não te vi chegar, hyung. Estou ocupado agora.

O outro se sentou na cama, após afastar algumas folhas: mitologia grega, o assunto preferido do futuro historiador, o que arrancou um pequeno sorriso de Taeyong; apesar de os dois viverem brigando, tinham uma amizade forte o suficiente para resistir anos e anos, e perdurar pela faculdade ainda que estivessem em cursos diferentes. Quando ninguém estava olhando, os dois amigos sabiam ser gentis um com o outro, até. — Coisa do seu TCC? Já te falei, relaxa, nós ainda temos tempo… Você não precisa fazer tudo agora, você sabe. Muita coisa aconteceu noite passada, e está tudo bem em querer fugir disso, mas não é uma atitude saudável. Não dá para fugir de tudo para sempre.

— Não é para o meu TCC… E eu não estou fugindo de nada. — Doyoung respondeu, com um suspiro cansado. Tinha passado a manhã toda lendo todos os livros e artigos que pensava serem úteis até achar o que procurava, que se encontrava em suas mãos agora: ele entregou a folha ao amigo, que leu o título do artigo: “Tântalo, o primeiro filicida e pai do canibalismo” — Tântalo foi recebido em um jantar com os deuses do Olimpo, onde roubou ambrosia e néctar e espalhou o segredo dos deuses. Desejando ganhar mais favores dos deuses, ele matou, esquartejou e cozinhou o próprio filho, Pélope, oferecendo-o aos deuses em um banquete. Apenas Deméter, completamente desorientada pelo rapto da filha Perséfone por Hades, comeu um pedaço dele. O primeiro ato de canibalismo da história, o pecado original.

Passando a mão pelos cabelos, o mais velho fechou os olhos, imaginando com um certo temor onde ele queria chegar. — Você não deveria mexer nessa história. É um ninho de vespas e você está cutucando com um graveto, uma hora elas vão voar na sua cara, estou falando… 

— Querendo ou não, eu já estou metido nessa história até o pescoço. Além do mais… — o outro disse, puxando o celular e abrindo uma mensagem, exibindo a tela do celular — Olha isso daqui. Recebi hoje, de um número privado. “Não se meta onde não é chamado”... É sobre Park Jisung, eu sei.

Taeyong imediatamente se tornou mais sério, ajeitando sua postura, ato este que fez com que o historiador se lembrasse de seu irmão mais velho, com uma ponta de saudade. Conhecia bem aquela postura. — E a polícia sabe disso?

Pela postura um tanto desanimada, era bastante óbvio que essa ameaça velada recebera muito menos atenção do que deveria. — Sabe, mas não levaram a sério, claro. Para eles, pode ser um trote ou alguém falando sobre outra coisa, eles não têm provas suficientes para rastrearem o número de quem fez isso. E a única pessoa que pode me ajudar agora, que deve ter tanto interesse quanto eu nessa situação, bem, eu só sei o nome, e não tenho a mínima ideia de como procurá-la agora.

(...)

Às vezes, o destino se compadece de nossas tramas humanas, tão ínfimas e desimportantes se comparadas com a vastidão do universo. Esse era o caso de Doyoung: Mark chegou da aula de Psicologia Forense animado, e bateu na porta para procurar o resto dos amigos; ele havia tentado todas as outras portas antes, mas apenas na do moreno houve alguma resposta. E a primeira coisa que ele disse era de interesse de todos: — Eu acho que sei quem pode ajudar a polícia, hyung. — o jovem falou, com um sorriso imenso no rosto — Moon Taeil, meu professor de Psicologia Forense.

— Tudo bem, que história é essa? Desde quando um professor universitário pode ser um detetive? — Taeyong perguntou, cético. A animação de Mark era difícil de conter, e ele definitivamente havia pulado algumas etapas importantes da história.

— Escuta, eu estava na aula, e hoje falamos de serial killers. Tudo bem até aí, certo? Mas aí uma garota perguntou especificamente sobre a morte de Kim Yerim e Park Jisung… Sobre a motivação do serial killer, para tentar entender como ele age, e como ele escolhe as vítimas. Se tem uma pessoa que pode saber o que esse maluco quer, essa pessoa com certeza é Moon Taeil!

Aquilo imediatamente despertou a atenção do historiador, que conseguia imaginar apenas uma pessoa em todo campus que teria a audácia de perguntar sobre um caso de duplo homicídio ainda em investigação… Uma pessoa que também não tinha nenhuma restrição em subir, às dez da noite, uma trilha deserta onde uma pessoa havia sido assassinada há menos de uma semana cujo assassino ainda estava à solta. — Me diz o nome dessa garota… Por acaso era Kang Jiyoon?

O canadense foi pego de surpresa. — É, acho que é isso aí. Espera, ela deve estar no grupo da turma… A gente criou um, sabe como é, para compartilharmos anotações… — ele explicou, enquanto procurava pelo tal grupo no celular; seria fácil encontrá-la porque tinha uma característica bastante distinta, olhos de cores diferentes, o que definitivamente chamava a atenção. Não foi tão difícil assim quanto imaginava: em poucos minutos, um nome e uma foto se destacaram em meio a tantas outras — É ela. O tipo de rosto que não se esquece, não é?

Kim Doyoung empalideceu ao ver a foto. Impossível não reconhecê-la, é claro, mesmo que no escuro da floresta, não pudesse distinguir seu rosto tão bem assim, havia alguma coisa que era facilmente reconhecível naquele rosto, talvez uma aura perceptível mesmo por fotografia. — Você pode me passar o número dela, Mark? É por uma boa causa, eu prometo.

Ele suspirou, sentindo-se um tanto dividido. Uma rápida olhada para Taeyong confirmou que essa seria uma péssima ideia, que serviria apenas para solidificar a já existente paranoia de Doyoung, como uma folie à deux, mas já era tarde demais para voltar atrás. Eu e minha maldita boca, Mark pensou… — Beleza, mas hyung, para todos os efeitos, eu não tive nada a ver com isso, beleza?


Notas Finais


Oi, gente! Capítulo novo, a partir de agora é que as coisas começam a pegar fogo, hehe.

Eu tô aqui de quarentena só na tristeza, nem parece que eu estava querendo férias há tão pouco tempo kkkkk.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...