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História Goetia - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Seventh



P.O.V Park Jimin; On



 As luzes estavam todas apagadas, as cortinas negras estavam fechadas deixando tudo mais escuro e nós estávamos no porão. Eu havia cuidado dos ferimentos de Yoongi, Yuta estava certo, Jungkook havia dado uma bela surra nele.

— Não não não... Não se mova – Seokjin disse baixo para Yoongi que estava acordando da anestesia – Você está com um corte interno na bochecha, e se você se desesperar eu posso acidentalmente cortar sua língua. 

 Eu acho incrível o quão bom o coração do Seokjin é, ele estava em Seoul para ver a família e eu liguei para ele perguntando se ele poderia me ajudar em uma coisa, e ele veio; ele deixou a família dele para vir me ajudar.

— Prontinho. – Ele disse satisfeito e cortou a linha dos pontos. Yuta estava de costas mexendo no celular já que tinha horror a coisas que envolviam linhas e agulhas – Tenta não mexer muito a boca, gritar, falar, comer... Essas coisas. O que te atingiu foi um caminhão? mais um pouco e você ia ficar sem a boca.

— O que atingiu ele, pode não parecer, mas tem a força de um caminhão. Muito obrigado Hyung. – Fiz uma reverência e sorri – Me desculpe por te chamar a essa hora, me desculpe mesmo. 

— Está tudo bem cara, não se preocupe com isso. Não é como se eles ligassem para mim. 

 Seokjin sorriu de forma melancólica. Como assim “não ligavam para ele“? Ele é de longe uma das pessoas mais boas e gentis que eu já conheci. Por que não ligavam para ele?

— Bom, se você não precisa mais de mim, eu vou indo – O mais velho levantou-se e reverenciou também, rindo ao ver Yuta de costas – Eu já acabei molenga pode olhar agora –

— Eu não sou molenga Hyung. – O japonês disse baixo e se virou cruzando os braços fazendo com que Seokjin sorrisse –

— Ok amoeba, ok. Eu vejo vocês depois, e tomem cuidado com esse ai.

 O homem saiu da sala subindo as escadas em direção ao andar principal da casa. Yoongi estava tentando se soltar da maca a todo custo mas seria uma tentativa falha dele pois não adiantaria nem um pouco já que ele estava realmente muito bem preso.

— Min Yoongi... Prazer em conhecê-lo. Não acho que preciso me apresentar a essa altura do campeonato certo? – Arrastei uma cadeira até a maca onde este estivera deitado e me sentei ali, cruzando minhas pernas – 

— O que você quer de mim? – O garoto perguntou com dificuldade sempre tentando se soltar, o barulho daquelas correntes estava começando a me irritar –

— Eu não quero nada... Não de você. – Mantive meu olhar fixo no mais velho e sorri – Eu estou aqui, pelo Kim, você já deve saber o que aconteceu não é? Afinal, você leu uma boa parte da minha vida acessando aqueles dados

— O quê?! Como você sabe disso? 

— Bom, não é difícil descobrir acessar um notebook, e aquele seu namoradinho... Não é muito difícil fazer ele falar.– Os olhos do rapaz começaram a brilhar de uma forma estranha e muito... Espera... Ele está-... –

— Ele está começando a chorar? – A voz de Yuta se fez presente fazendo com que eu olhasse mais atentamente para o rapaz deitando minha cabeça para o lado podendo observá-lo melhor –

— Oh meu deus, ele está chorando. – Ri e neguei com a cabeça olhando para Yuta – Tem certeza que você pegou o cara certo? Esse é o Yoongi? 

— Até eu estou começando a duvidar depois dessa... Cara, eu apostei todas as minhas fichas em você! – O mais velho disse indignado, rindo em seguida –

— O que vocês fizeram com ele? O que fizeram com o Hoseok?! O que fizeram com ele!? – Ele aumentava cada vez mais seu tom de voz, as lagrimas escorriam cada vez mais intensas por seu rosto, suas mãos se remexiam mais desesperadamente assim como suas pernas –

— Mais alto... Vamos, grite mais alto, o mais alto que você puder – Disse também aumentando a voz e apoiei minhas costas na cadeira mordendo levemente meu lábio inferior – Isso é o mais alto que pode fazer? Esse é o mais alto que conseguiria gritar se a vida dele estivesse em risco? – Arqueei a sobrancelha e neguei com a cabeça passando a mão por meus fios – Você se lembra de como tratava ele, Min? Você se lembra da última vez que se divertiu com ele? Da última vez que saiu com ele, comeu com ele, foi ao cinema. Hm? Você se lembra? 

 O mais velho parou de gritar e olhou para mim soluçando, seu olhar estava carregado de culpa, seus lábios reprimidos, seu corpo levemente encolhido, seu rosto perdera a cor. Naquele momento eu soube que havia afetado Yoongi exatamente onde queria, seus sentimentos. 

— Vamos Yoongi, eu te fiz uma pergunta, me responda. – Me levantei e afastei a cadeira que estava sentado e coloquei as mãos no bolso da calça – 

— E-eu... Não... Nã-não lembro... – Ele disse baixo, abaixando a cabeça – Eu...E-eu não fa-faço idé-idéia 

— Você não lembra? – Passei internamente a língua pela bochecha e olhei para o chão rindo desacreditado
  O quão filho da puta ele era para esquecer a última vez que passou um tempo com o próprio namorado? –

— Sabe o que é pior nisso tudo? Ele fez tudo, tudo, por você... Ele implorou até o último momento para que nós não machucássemos você, e você ao menos sabe qual foi a última vez que passou um tempo com ele... Ele se sacrificou por você. – Tirei do bolso uma pequena caixinha revestida com veludo vermelho e uma corrente simples de prata – Você reconhece isso, não reconhece? Essa corrente – Soltei as mãos do rapaz e mostrei-lhe mais de perto a corrente – Eu sei que você conhece. 

 Este havia voltado a chorar, as lágrimas molhavam sua camiseta. Ele segurava a corrente em sua mão e a apertava contra seu peito, de cabeça baixa, soluçando alto, mesmo que estivesse preso. Ele fazia tanto esforço para trazer a corrente para perto que provavelmente seus pulsos ficariam machucados. Senti meu coração se partir em milhares de pedaços ao ver essa cena, eu já havia passado por isso e eu sabia exatamente como doía. Por um momento, você sente seu coração ser sufocado, é como se uma parte de você, a parte que completa você, te deixasse sozinho, é como se tirassem o seu mundo. 
 

– Vocês tinham algo sério, Yoongi? Bom, se não tinham acho que passariam a ter – Joguei a pequena e simples caixinha de veludo também na maca junto ao outro – Tudo isso... É culpa sua, Min. Se você tivesse ficado quieto, se você fechasse a boca, nenhum de nós estaríamos aqui, e você estaria chorando nesse momento, mas você choraria de felicidade, você estaria feliz com o Hoseok.
Mas você estragou tudo; por um garoto. Um garoto que te fez sangrar e ao menos ligou para saber se você estava vivo. E não se preocupe, eu não vou te matar, eu vou te deixar vivo para que possa lembrar todos os dias do que você fez. – Observei-o por uma última vez e coloquei minhas mãos novamente nos bolsos da calça me dirigindo ao corredor que daria-me acesso ao piso superior –


{...} 


— Você está arrependido, não é? – Yuta perguntou encostado no batente da porta da cozinha e eu olhei-o de soslaio –

— Não... Por quê? Eu pareço estar? – indaguei com a voz embriagada. – 

— Sim e não — Pude ouvir os passos largos do maior se aproximando cada vez mais – É arrependimento e mais alguma coisa, acertei? 

— Não, eu não estou arrependido – Preenchi novamente o pequeno copo com a bebida alcoólica e virei de uma vez –

— Você vai mentir para mim? Quer mesmo fazer isso? – O rapaz parou ao meu lado encostando-se na pia. Ele usava uma regata branca e seus fios avermelhados estavam presos em um rabinho desajeitado e frouxo fazendo com que alguns de seus fios ficassem sobre seu rosto, mesmo ainda presos –

— Eu não estou mentindo... Eu só... Eu não sei explicar... Sabe? Eu sinto que não queria ter feito aquilo, mas também sinto que eu deveria bater no Yoongi até ele perder a consciência... De novo. 

— Isso se chama arrependimento e raiva, eu te conheço melhor que qualquer um, Jimin-ssi – O garoto deitou sua cabeça para o lado e se abaixou levemente – Você lembrou dele, não foi? 

 Em poucos segundos meus olhos já lacrimejavam, meu corpo tremia e minha voz falhava, eu estava tendo outra crise de choro. E como sempre, Yuta estava lá. A verdade é que ele sempre estivera do meu lado, tanto para coisas boas como coisas ruins, tanto para situações alegres como para situações melancólicas ele sempre estava ali. O garoto do cabelo vermelho rapidamente me tomou em seus braços, ele fizera isso com rapidez mas ao mesmo tempo seus toques eram como plumas. Seu abraço era firme, mas não sufocante, algumas frases como “eu estou aqui por você” e “vai ficar tudo bem” foram proferidas contra meu ouvido e sua mão esquerda fazia um carinho aconchegante e confortável em meus fios. 
Minhas incessantes lágrimas molhavam a camiseta que este usava, minha cabeça apoiada em seu ombro permitia que minha narina fosse invadida pelo perfume gostoso do mais velho.

 Eu me sentia seguro, eu me sentia em casa. Acho que por todos esses anos, aquele lugar onde eu estava nunca fora meu lar, eu não tinha vontade nenhuma de permanecer ali mas eu não conseguia sair.

— Hyung? – Chamei baixo pelo rapaz e olhei-o mantendo contato visual direto –

— Hm? 

— Você nunca ficaria bravo comigo, não é? 

— Não Jimin-ssi, eu nunca nem conseguiria ficar bravo com você 

— Nem se... Eu fizesse algo que provavelmente te deixasse desconfortável? 

— Nem se você me deixasse desconfortável. Mas por que está me fazendo esse tipo de pergu-...

 Antes que ele pudesse acabar a frase, toquei levemente seu rosto acariciando ali e tomei seus lábios em um selinho, que a cada segundo se intensificava tornando-se um beijo intenso. Suas mãos continuavam me segurando mas não havia nenhum tipo de malícia ou outros interesses em seus toques. 
 
 Agora, neste exato momento, eu descobri porque nunca consegui sair daquele lugar por mais horrível e cruel que fosse. 
 
Meu lar estava ali. 

Yuta era meu lar. 



P.O.V Park Jimin; Off



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