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História Gold Rush - Capítulo 5


Escrita por: CameliaBardon

Notas do Autor


boa noite ♥ peço perdão pelo atraso na postagem. O dia era ontem, mas não consegui terminar de digitar a tempo. Espero que vocês gostem ♥

Capítulo 5 - Capítulo 5


Fanfic / Fanfiction Gold Rush - Capítulo 5 - Capítulo 5

Meg virou-se para encarar quem estava sussurrando em seu ouvido. Quaisquer que fossem as palavras – ainda que estas tenham sido dadas em tom de advertência –, Meg já achava o sujeito bem menos confiável do que alguém com quem havia compartilhado três horas de aulas e até mesmo piadas internas. Respirando fundo e armando-se da melhor expressão blasé que lhe foi possível, ela replicou:

— Oh, é mesmo? E quem é que afirma isso com tamanha convicção?

Daí. Meg pôs-se a analisar a aparência do homem. Não era certo tirar certas conclusões à primeira vista, mas certas outras poderiam ser deduzidas. Ele parecia ter pouco mais do que sua idade – uns vinte e cinco, talvez? –, ao passo que suas roupas pareciam muito joviais. Monocromático, de preto dos pés à cabeça, o homem trajava uma jaqueta de moletom, calças jeans e um par gasto de tênis. Olhos castanhos com traços asiáticos e o cabelo precisava urgentemente encontrar-se com um pente. O mais desconcertante era que o homem misterioso olhava para Meg com a mesma intensidade com que ela olhava para ele.

— E então? — Meg repetiu, erguendo uma sobrancelha.

— Eu sou um amigo — ele concluiu, trocando o peso dos pés. — Diferentemente dele. Ele não está interessado em te fazer bem.

Meg abriu um falso sorriso doce. Jamais pensara que aquilo aconteceria c om ela algum dia. A vida era mesmo engraçada: Meg esperava que fosse mais um dia tedioso, e agora tinham dois homens em seu encalço. Claire teria uma noite daquelas.

— Sei... Que engraçado, eu nunca te vi por aqui — Meg abriu caminho por entre as pessoas, dando-se por satisfeita ao escutá-lo seguindo seus passos. — Que curso você faz, meu amigo?

— Nenhum. Não seja sarcástica.

— Se não faz nada, por que está aqui? As aulas experimentais acontecem às sextas-feiras, eu sinto muito.

— Eu vim para falar com você, Megara. Por favor, me dê apenas um minuto.

Meg engoliu em seco, suprimindo a vontade de virar-se e encará-lo. Não era acostumada a ser chamada, muito menos pelo nome completo. Havia algo de muito errado, porém Meg não estava disposta a dar o benefício da dúvida a um estranho que admitia ser um estranho.

— Olha, cara, existem jeitos menos assustadores de tentar sair com alguém.

O homem pareceu particularmente ofendido com o comentário.

— Eu não estou...

— Me deixa em paz, tá legal? Qualquer brincadeira que for essa a sua, eu tô a fim de ter um almoço tranquilo e um ano letivo. Então, por favor, cai fora.

Ah, agora sim. Somente Megara Meadows para ser rude e educada na mesma sentença. Claire ficaria orgulhosa para valer.

A última coisa que Meg ouviu foi o suspiro do homem. Isso quase a fez querer dar meia-volta e escutar o que ele tinha a dizer. Quase. Entretanto, Meg não era uma mulher de meias palavras. Prosseguindo seu caminho, Meg não olhou para trás.

Não sem alguma hesitação, é claro.

•·················•·················•

— Você conhece algum Nicholas?

Claire sorriu de lado, olhando-a pelo retrovisor. Meg sempre era direta, e este parecia ser um dos momentos de “fale agora ou cale-se para sempre” que seu cérebro exigia esporadicamente. Com uma mente daquelas, Claire não a julgava. Sempre em movimento, e em descanso apenas por obrigatoriedade.

— Eu não... Mas você conhece e aparentemente está intrigada.

— É... Um pouco. Ele é um aluno novo. Conversamos bastante, mas... Não sei. Estou só averiguando.

— Não precisa afastar todas as pessoas que dão oi a você, querida — Claire pontuou com carinho. — Estar vigilante não precisa significar “fechar-se para o mundo”, se não quiser.

— Eu sei... Sei disso. Ainda assim, é melhor. Mas ele parece legal. Eu acho.

Claire reprimiu um riso em respeito à confusão mental dela. Então, com cuidado, acrescentou:

— Você acha?

— É, quer dizer... Eu estava achando uma ótima ideia, mas... Algo me diz que ele parece legal demais. Se eu contar pra você, você não vai acreditar. Foi muito estranho, parecia uma brincadeira de mau gosto.

— Pensei que estivesse cansada da rotina, querida.

Meg riu baixinho, ajeitando-se no banco. Seu desconforto era indiscutível, porém Claire torcia para que fosse apenas a atração inusitada que estivesse deixando-a desnorteada. Entretanto, era uma bênção e uma maldição ter um elo forte como aquele com Meg. Claire conseguia enxergar que não era apenas isso.

— Tem razão. Hum... Depois disso, outro cara me parou no meio do corredor e disse que eu não deveria confiar nele. E depois ele disse que não estudava nada lá e que só tinha ido lá para me dizer aquilo. Ele me chamou de Megara, Cleo... Como se soubesse quem eu sou, além do meu nome. E-eu não sei explicar, de verdade, mas... Foi intenso.

Claire engoliu em seco, apertando mais as mãos no volante.

— E esse cara místico e misterioso te deu algum nome?

— Disse que era um amigo. Eu não queria dar um voto a ele sem antes falar com você. Fiz bem?

Algo nas palavras dela fez o coração de Claire aquecer-se. Meg confiava a vida à Claire, mas num sentido bem mais abrangente do que apenas como sua protetora. Apesar de o assunto trazer uma preocupação consigo, Claire deixou-a de lado por um minuto para sorrir de escanteio.

— Fez. Fez sim, querida. Confio no seu julgamento, mas se quiser que eu fique de olho...

— É uma boa ideia — então, Meg passou a narrar com riqueza de detalhes a aparência dos dois. Conforme falava, Claire agarrava-se cada vez mais ao volante. Meg não soube interpretar o sinal como sendo apreensão ou reconhecimento. Por via das dúvidas, Meg indagou: — Te diz alguma coisa?

Claire hesitou por alguns instantes.

— Hum... Não, nada. Tudo bem, amanhã eu chego o estacionamento.

— Ok. Toma cuidado, tá legal?

— Eles que tomem cuidado comigo — Claire riu com maldade. — Estou fazendo batata gratinada para o jantar. Isso te consola por enquanto?

Meg assentiu, estampando no rosto um sorriso de orelha a orelha.

— Ah, Cleo, você é a melhor de todas.

 

O problema é que Claire não era e jamais seria a melhor de todas fora dos âmbitos de cozinha e proteção estabelecidas por Meg. Apesar do carinho maternal que nutria por Meg, sempre que lhe servia algum prato ou a levava para a faculdade, Claire enxergava a sujeira em suas mãos. Ela preferia não tomar ciência se a sujeira era real ou apenas parte de sua paranoia, mas ainda assim era algo que lhe tirava o sono.

Fosse como fosse, assim que Meg ia dormir era que o trabalho de Claire começava. Dava-se início a uma série de verificações: luzes desnecessárias apagadas, portas trancadas, torneiras sem goteiras e proteções armadas e carregadas. Claire, então, rondava a casa feito um cão de guarda, à procura de algo que esperava sinceramente não encontrar.

Meg já estava debaixo de sua asa há quase vinte anos. Em quase vinte anos, nenhuma ameaça havia chegado perto das duas. Então, para compensar o tempo, logo apareciam dois de uma vez.

Claire respirou fundo na tentativa de conter os nervos. Todos os seus esforços de equilibrar as verdades e as mentiras de Meg – afinal, certas vezes a ignorância era mesmo uma bênção – estavam comprometidas. Podia ser apenas uma coincidência, mas no mundo em que vivia acreditar em coincidências era praticamente escolher cegar os próprios olhos.

Com um, Claire conseguia lidar. Nada que uma ameaça com um canivete não resolvesse. Agora, com o outro...

Claire estava tentando aprender a lidar com ele há pouco menos de cinquenta anos.


Notas Finais


e eis que o plot chega!


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