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História Gold Rush - Capítulo 6


Escrita por: CameliaBardon

Capítulo 6 - Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Gold Rush - Capítulo 6 - Capítulo 6

— Valerie Bowman, se eu não te conhecesse tão bem, diria que está apaixonada.

A dita cuja, que ocasionalmente atendia pelo nome de Valerie Bowman, ergueu os olhos do livro que dizia estar lendo. Seus olhos verdes cintilaram em pleno flagra. Veronica ergueu uma sobrancelha e um sorriso ladino. Não precisava escutar qualquer afirmação quando suas ações falavam alto daquela forma. Era mesmo uma bênção e uma maldição ter um elo tão forte assim com alguém.

— Que bobagem. Eu estou lendo.

Para reforçar sua afirmação, Valerie virou uma página com uma determinação notável. Seus olhos cerraram-se no processo.

— Sei... O livro está de cabeça para baixo — Veronica comentou num tom de voz indiferente.

Valerie arquejou, virando o livro automaticamente para si para verificar.

— Não está!

— Ainda assim, você precisou virar para ver, não é?

Droga, a menina é esperta.

Valerie sentiu as bochechas rasgando-se em tons de vermelho, enquanto Veronica parecia muitíssimo entretida em rir de seu constrangimento. Após morder o lábio, Valerie suspirou.

— Apaixonada, eu não digo. Mas é verdade que eu fiquei meio mexida. Tinha algo nele, Ronnie, algo tão... Forte, tão intenso. Era como uma força magnética que me obrigava a ficar perto e a desejar mais e mais. Ronnie, eu... Jamais senti uma coisa dessas. É assustador.

— Atração fatal — Veronica riu com maldade. — Ele era bem bonito, eu não tiro a sua razão. Deu o seu número pra ele?

— O de casa e o do trabalho. Até agora nada.

— Ai...

— É, eu sei. E se ele for daquele tipo de cara que diz que vai ligar e aí desaparece no mundo...?

Veronica negou com a cabeça, franzindo a testa para pensar sobre o assunto. Em poucos instantes, veio o veredito.

— Acho que não. Se ele fosse, não teria ficado caidinho por você e nem levado a sério as minhas ameaças.

— Eu não sei se esses são parâmetros confiáveis...

— São sim e fique quieta. Às vezes ele só está ocupado e você está se desesperando à toa. Doris Day já disse: que sera, sera.

Bem, não dava para negar a palavra de Doris Day, dava?

Quando estava prestes a suspirar e voltar a fingir que iria ler, o telefone ao lado de Veronica tocou gritantemente dramático. Ambas levaram um sobressalto, arquejando ao olhar o aparelho como se fosse um sinal apocalíptico. Talvez fosse, afinal de contas.

— Atende! — Valerie cuspiu as palavras em completo desespero. E arrumou os cachos, como se fosse possível vê-los através de uma ligação. — Você é boa nisso.

Veronica revirou os olhos.

— É um telefone, não uma piranha — dito isso, Ronnie retirou o aparelho do gancho e apoiou o microfone no ombro. — Oi? Ah! Oi, Laurel!

Laurel? Algum dia desses, eu morro de tanta expectativa desperdiçada na vida, estou dizendo.

— Não, desculpe, hoje não vai dar — Veronica continuou a conversa unilateral na perspectiva de Valerie. Com pouco interesse, Ronnie enrolou o fio nos dedos enquanto ouvia a resposta da amiga. — É, não. Eu falei pra minha mãe que hoje iria estudar, então se ela não me vir com o nariz enfiado nos livros eu tô frita. Desculpe. Fica pra próxima?

Valerie afundou-se no sofá, degustando a amargura da decepção. Ora, ela podia dar-se ao luxo de ser dramática uma vez ou outra...

— Tchau — com um sorriso, Veronica devolveu o fone ao gancho e sentou-se com pouca cerimônia ao lado da irmã. — Desculpe. Não era o seu príncipe encantado. Mas tenho quase certeza que a Laurel tem um irmão, se quiser desistir.

Então, a maior parte da tensão dissipou-se no ar. Permitindo-se rir um pouco, Valerie recostou-se na irmã e sorriu sozinha.

— Mas saiba que se eu cruzar com ele na rua eu vou encher ele de porrada. Eu avisei e minhas palavras não são vazias, mocinha.

Valerie sorriu.

Agora, sim. Ela não se importava de ficar sozinha nessas condições.

•·················•·················•

O pessimismo de Valerie durou pouco tempo. Com a ajuda da irmã – e, é claro, muitas matérias da coluna de relacionamentos da Cosmopolitan –,  Valerie conseguiu encarar o fato de que não precisava ficar esperando pela boa vontade de um homem. Apesar de ser um homem lindo e provavelmente raro em meio aos homens de Miami Beach em plena 1969 – existiam homens bons naquele ano? –, ela o ignorou assim como foi ignorada.

Ao menos, foi o que ela pensou que era.

Na sexta-feira da semana seguinte, quando estava saindo do trabalho, Valerie estava pronta para retomar a rotina de jogar a bolsa no lado do carona, jogar o cinto de segurança desleixadamente ao redor do corpo e escolher meticulosamente uma fita para acompanha-la no trajeto de vinte minutos até em casa, uma voz desconcertantemente familiar alcançou seus ouvidos.

— Ei, my Valleri!

Valerie Bowman, a dita cuja, interrompeu seus passos para olhar para o dono da voz. Naquele dia, ele estava parcialmente monocromático; apenas a blusa era de um mais claro que o restante das peças cinza que compunham o visual. Foi impossível não erguer uma sobrancelha em completa descrença.

— Mas oras! O que está fazendo aqui?

— Eu vim levá-la para tomar um sorvete — Sebastian sorriu de lado, enfiando as duas mãos nos bolsos da calça. — Se quiser, é claro.

— E você me achou aqui como?

— Eu liguei para o número de trabalho que você me deu... Não foi você quem atendeu na ocasião, mas foi o suficiente para escutar a introdução: “Tribunal Distrital de Miami Beach, boa tarde, em que posso ajudar?”. E aí foi fácil chegar até aqui para fazer uma surpresa, uma vez que eu já tinha o endereço.

Bem, isso é bem menos místico do que a coincidência boba de termos nos esbarrado por acaso, não?

— Entendi...

— Desculpe não ter ligado para o seu número pessoal... Eu confesso que estava com um pouco de medo da sua irmã atender e me dar um fora — e então, ele riu fraco, coçando a nuca. Valerie achou-o adorável naquele momento. — E andei um pouco ocupado, então pensei que seria uma boa ideia vir aqui no último dia antes do final de semana. Fiz mal?

Valerie negou com a cabeça, mordendo o lábio inferior para mascarar toda a extensão de sentimentos que haviam a arrebatado com apenas alguns punhados de palavras. Sebastian era mesmo uma incógnita para o seu pobre coração. Felizmente, Valerie gostava de um bom mistério.

— Gosto de sorvete — foi a concessão final, seguida de um sorriso de escanteio. — Mas vamos de carro que eu não posso deixar ele aí senão o guincho some com ele.

Sebastian riu de sua escolha de palavras, e o fez jogando os cabelos lisos para trás com destreza. Valerie invejava-o nessas ocasiões.

— Por mim tudo bem. Vou ter minha primeira aula musical hoje?

— Ah! Claro, eu tenho umas fitas no carro, a gente pode ouvir no caminho!

Sebastian adentrou o carro como quem nunca viu um veículo na vida. Tudo lhe era interessante, apesar do calhambeque já ter visto dias melhores. Valerie permaneceu olhando de escanteio, escondendo o sorriso que começava a brotar do canto de seus lábios. Infelizmente – ou, quem sabe, pudesse vir a tornar-se um “felizmente” em breve? –, ele flagrou-a bem no momento em que Valerie iria virar-se para conferir o porta-luvas.

— O que foi? — Sebastian indagou com um sorriso constrangido. — É um clássico, vale a pena ser observado de perto... Pareço um bobo, não é?

— Pelo contrário... Pela sua animação eu fico até triste de ter pagado uma pechincha por ele!

— Não tem como evitar. As coisas novas chegam e eventualmente as menos novas vão perdendo o seu valor até se tornarem velhas e obsoletas.

— E não quer dizer que perdem sua beleza? — Valerie completou, erguendo uma sobrancelha e um sorriso ladino.

Sebastian fitou-a com insistência. Após alguns segundos em silêncio, ele comentou:

— Ou você lê mentes ou eu sou terrivelmente previsível... Prefiro sinceramente acreditar na primeira opção, do contrário nem todo sorvete do mundo vai comprar uma boa impressão sobre mim!

Valerie deu a partida no carro, logo depois abrindo o porta-luvas para procurar uma fita. A risada que se seguiu foi completamente contagiante, despontando surpresa aos ouvidos de Valerie. Não estava nada habituada a sentir-se agradável e divertida, mas...

Era muito bom. E muito estranho, também. Era como se houvesse algum tipo de energia pairando no ar, envolvendo-a como uma dança. E, como mandava o ditado, a recomendação era dançar conforme a música... Não era?

— Para a sua sorte ou para o seu azar, Sebastian, eu sou uma pessoa que se impressiona com muita facilidade.

— Bom saber... Na próxima vez que te levar para sair, vou procurar ser bem mais original do que te levar para tomar um sorvete.

Valerie poderia pontuar seu comentário pretensioso. Entretanto, por um dia, ela decidiu que um pouco de confiança não faria mal.

— Combinado. Vamos indo?



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