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História Golden Boy - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Capítulo 11


THEO

A força dos meus movimentos era intensa, eu entrava e saía de dentro dele com velocidade e já não aguentava mas ficar ali, a todo momento eu agradecia o fato das luzes estarem apagadas, assim não seria preciso fingir que estava gostando do que está acontecendo aqui, o homem rebolava de quatro na cama satisfeito com o que tinha e eu, bom, fingi que gozei para acabar logo com aquilo.

_Não vai gozar? -perguntei enquanto saía de dentro dele.

_Não, só o fato de ter feito um garoto como você sentir prazer é o suficiente para mim -o homem se virou, então se inclinou sobre a cama e veio até mim que estava de pé com os joelhos apoiados nela, na tentativa de me beijar.

Virei o rosto na mesma hora.

_Eu disse sem beijo -graças a deus esse babaca não insistiu.

_Tudo bem então -estava claro sua frustração com a situação, mas pra ser sincero eu não estou nem ai, não preciso mais de estrelas mesmo- eu paguei pelo aplicativo, ok? Já deve estar na sua conta. -disse ele, se referindo ao que sempre acontece no fim do programa.

Com certeza chequei meu celular para saber se ele estava falando mesmo a verdade, quando abri seu perfil no aplicativo, confirmei que o que o homem não mentia quando vi sua foto e um sinal perde escrito ''pago'' ao lado dela.

_Muito obrigado então -dei um sorriso largo, estava feliz por ter acabado com isso, e mais feliz ainda pelo idiota não ter desconfiado que não cheguei a terminar o sexo.

_Posso tomar um banho antes de ir? -o de cabelos brancos gesticulou para o banheiro com a cabeça, e sem falar uma só palavra eu confirmei sua pergunta- vem comigo? -um sorriso nada atraente foi se formando em seus lábios.

Eles nunca entendem se não formos grossos? É isso?

_Seu tempo já acabou -minha voz estava firme deixando claro que não adiantaria tentar me seduzir para conseguir algo a mais- se quiser pagar por outro encontro seria um prazer -a todo momento eu queria escutar um não saindo daquela boca.

_Não tenho mais dinheiro -respondeu simplesmente.

_É uma pena -dei um sorriso de canto- estarei te aguardando aqui até acabar então, logo o serviço de limpeza vai chegar e teremos que sair do quarto.

E sem discutir, o homem se levantou emburrado e foi fazer o que tinha que ser feito.

Esse cara é casado, e enquanto estávamos transando não consegui parar de pensar no fato de Sebastian também ser comprometido, desde que o ajudei a três dias atrás ele não entrou em contato comigo, e pra falar a verdade nem sei se quero que entre. As coisas eram mais fáceis quando só pensava que ele era um simples homem atraente que queria sexo, mas depois de descobrir que o fato de ele pagar por isso -mesmo sem precisar- está ligado ao fato de ele exigir a discrição, tudo fez sentido para mim. 

O pior é que mesmo não querendo, eu ainda desejo ele.

Sei que é errado, mas o jeito que esse homem me olhou no hospital aquele dia deixou bem claro o desejo que ele sente por mim, e seja por ego ou por qualquer outra coisa que você queira chamar, eu ainda quero foder com ele e ver quantas estrelas vou ganhar. Mesmo transando com vários homens e também com várias mulheres casadas, meu peito ainda dói um pouco quando penso na família de Sebastian, talvez seja porque eu cheguei a ver outro membro dela no hospital e ajudei a socorre-lo inclusive, não sei ao certo.

Mas não quero pensar sobre isso.

_Podemos ir então? -o senhor que havia acabado de vestir suas roupas trouxe minha atenção de volta para o que acontecia no quarto quarto.

O encarei com o mesmo sorriso padrão de sempre.

_Claro, vamos.

[...]

_Como assim garoto de programa?!? -a altura que Maggie esgoelou as palavras no pátio fez com que todo mundo a nossa volta me encarasse, e mesmo querendo socar a cara dela naquele momento, fingi que não era comigo e continuei andando até a mesa em que os meninos estavam sentados, um pouco mais a frente de nós.

Já era hora de aparecer aqui para ver meus amigos, precisava contar para eles o que está acontecendo com minha vida do lado de fora, desabafar sobre aquela droga de homem que apontou uma arma para mim com alguém -já que quando fui contar para Helena, a única coisa que recebi foi um ''ossos do ofício, Theo''- e claro, matar a saudade deles.

_Acho que você consegue ser mais discreta que isso, filha da puta -a ruiva deu um sorriso colocando a mexa de cabelo atrás de sua orelha como sempre faz quando está com vergonha, depois entrelaçou nossos braços.

_Mas você tem noção que isso vai totalmente contra o que eu pensava que aconteceria contigo quando você saísse daqui? -estávamos mais próximos dos gêmeos, e eles nem tinham notado que eu estava aqui ainda- eu achei que você fosse trabalhar na porra de um fast food ou algo assim.

Revirei os olhos soltando o ar preso em meus pulmões, seguido de uma risadinha.

_Eu também achei, mas parece que o destino me reservava outra coisa não é mesmo?

_Mas você não acha isso perigoso? -a mais baixa me encarava com um olhar preocupado, exatamente como imaginei que seria quando contasse tudo para ela.

Dei de ombros tentando deixar minha próxima fala mais leve, mas foi em vão.

_Bom, apontaram uma arma pra mim antes de ontem -desviei o olhar e segurei para não rir, agora que já passou, chega a ser engraçado falar isso em voz alta.

_Uma arma Theo?!? -assim que as palavras saíram gritadas de sua boca e estragaram a surpresa que eu estava prestes a fazer para os meninos, os dois olharam para trás e me viram chegando.

A única coisa que pude fazer foi sorrir e acenar depois de beliscar minha irmã.

_Olha quem está aqui! -Josh se levantou as pressas e já pulou em cima de mim, tirando a namorada de perto com um empurrão.

Dei uma risada correspondendo ao abraço dele, e em seguida seu irmão se juntou para fazer o mesmo, agora estava sendo espremido por dois marmanjos. Minha irmã com certeza não perderia a oportunidade, então se juntou aos amigos.

_Tudo bem gente, agora já estou ficando sem ar -falei com a voz espremida por conta da pressão que eles faziam- para porra, eu preciso respirar.

Os outros riram, então se afastaram para me encarar.

_Puta que pariu, como assim você já está se vestindo como um patrão? -Joe me olhava de cima á baixo vendo as roupas que ganhei de presente de Eber.

Confesso que amo andar pelas ruas estiloso como estou, posso ter perdido a mansão mas ganhei muita coisa em troca.

_Está trabalhando de que para conseguir essas roupas caras? -agora quem perguntou foi Josh, confirmando que estava tão impressionado quanto ao seu irmão.

Ainda bem que não visto o mesmo tamanho que eles.

_De garoto de programa -respondeu Maggie, tirando toda chance de fazer cerimônia que eu tinha, já jogando a merda no ventilador como sempre faz.

_Nossa Maggie, eu te odeio! -dei um empurrão nela, que quase caiu rindo- Era pra eu falar isso, não acha?

A ruiva me encarou sem graça, o pior é que eu sei que ela faz por impulso e se arrepende logo em seguida.

_Mas com certeza vai falar -os gêmeos falaram a mesma coisa ao mesmo tempo, e eu amo quando eles fazem isso. Até parece que eles pensam igual- que história é essa?

Queria muito ter sentado com meus amigos, tomado um café, conversado sobre como estavam, como iam as coisas aqui na casa Foster, perguntar sobre o aborto de Maggie e só depois disso falar sobre esse assunto, mas graças a minha irmã, nossa conversa inicial foi resumida em várias perguntas sobre o que eu estava fazendo do lado de fora desses portões.

Agora que já não tinha mais nada para esconder simplesmente contei tudo, desde o momento em que sai daqui e fui agredido por aqueles homens naquela noite, até o dia de hoje, contei sobre o ranking, sobre meus amigos feitos fora desse lugar, e inclusive sobre a arma apontada na minha cabeça -o que me fez muito bem, já que fui acolhido por eles. Respondi algumas perguntas desnecessárias e outras nem tanto, e só então tive paz.

_Porra, se você conseguiu isso tudo sendo feio assim, quando eu sair vou fazer muito dinheiro então -Josh tinha acabado de levar um tapa de sua namorada quando disse isso, e eu ri.

É simplesmente mágico a forma que eles normalizam tudo, estava morrendo de saudades deles.

_Bom, agora posso saber como vocês estão? -encarei os três sentados na mesa comigo enquanto apoiava meus cotovelos em cima da mesma. E por um instante, pensei que não deveria ter feito essa pergunta. 

O olhar dos três baixou, encarando a mesa e ninguém disse mais nada.

_Gente, o que foi? -insisti- O que está rolando que eu não sei?

Será que o aborto não deu certo? Ou é algo ainda pior?

_Deu tudo certo lá na clínica, né? -perguntei mais uma vez quando não tive a resposta anterior.

_Sim, claro que sim -respondeu Maggie, mas ainda com sua voz baixa- deu tudo certo lá, consegui resolver tudo com a ajuda da megera, mas não é por isso que estamos assim.

_É pelo o que então? -já estava começando a ficar preocupado.

Assim como antes, ninguém disse nada.

_Fala logo Maggie, merda! -agora quem gritou foi eu- Na hora que tem que desembuchar de uma vez você fica enrolando!

_Vamos ser transferidos -quem respondeu não foi minha irmã, e sim seu namorado.

Demorou um pouco para eu conseguir processar o que tinha acabado de ser dito.

_Que história é essa? -não estava entendendo nada- Transferidos para onde?

Joe viu que seu irmão não iria responder mais nada, então coçou a cabeça, juntou coragem e continuou por ele.

_Para outro estado -sua voz estava tão triste quanto a dos outros dois.

E QUANDO ELES IRIAM ME CONTAR ISSO MESMO?

_Gente -respirei fundo tentando manter a postura, não era isso que eu estava imaginando escutar da boca deles- como assim transferidos para outro estado? Que merda foi que vocês fizeram? -calma era uma coisa que faltava em minha voz enquanto eu falava.

_Nós não fizemos nada... -agora quem falou foi Maggie- É bem pior que isso pra falar a verdade.

_Me explica o que está rolando então! -bati a mão na mesa chamando a atenção dos três.

Se isso for algum tipo de brincadeira deles, é de longe a pior a se fazer.

_Vou resumir para você -olhei para Josh novamente assim que escutei sua voz- estava tudo bem aqui, até que a polícia chegou do nada e levou a megera com eles, depois disso descobrimos que essa casa iria fechar, e que todos os órfãos aqui dentro seriam distribuídos para outros estados.

_Como assim fechar? O que rolou? Não quero saber de resumo amigo, me fala o que aconteceu de verdade! -estava claro que eu precisava de respostas.

_Bom, pelo o que eu sei -continuou ele quando calei a boca e o deixei falar- ela foi presa por estar contrabandeando parte da verba que recebíamos do governo, não só ela como outras pessoas da organização -isso explica como as coisas aqui sempre foram essa bagunça e ninguém nunca fez nada- está sendo tudo investigado, mas claro que ninguém vai falar nada pra nós.

_Escutei os caras no corredor dizerem que alguns órfãos a denunciaram, falando sobre abuso e tudo mais -agora quem fala era Joe- mas não acho que isso seja verdade.

_Nem eu -completou minha irmã- ela nos ajudou muitas vezes quando precisamos, mesmo sendo aquela sem coração que sempre foi, nem consigo pensar que essa mulher seria capaz de fazer algo assim com um de nós.

_Mas eles não podiam simplesmente ter prendido ela e a substituído por outra pessoa? Por que diabos fechar esse lugar? Vocês vão pra onde se não tinha vaga para transferência antes de eu sair daqui?

Os três respiraram fundo, o silêncio tomou conta da mesa por alguns segundos, mas foi quebrado pela ruiva quando começou a falar:

_Theo, nós sabemos tão pouco quanto você -ela segurou minha mão do outro lado de mesa e apertou a mesma, fazendo carinho em meus dedos- nós iríamos te falar quando estivesse indo embora, assim não ficaria um climão chato justamente no momento que temos para nos rever.

Mas o clima está tão chato que está palpável.

_Acho que não adiantou -meus olhos já estavam lacrimejando com a ideia de ter minha única família morando em um estado longe de mim- vocês sabem se pelo menos vão para o mesmo lugar? 

Eles negaram com a cabeça e uma lágrima escorreu dos meus olhos.

_Ainda não sabemos de nada, talvez isso tudo passe, eles de fato substituem essa mulher e tudo fica bem como estava antes -Joe estava prestes a chorar também- mas até onde sabemos, é isso que vai rolar.

Não quero ter eles tirados de mim.

_E quando vai ser isso? -limpei outra lágrima que escorria enquanto falava.

_Mais uma vez, não sabemos -a risada que saiu da boca de Josh não foi feliz- mas estou rezando para que seja depois de completarmos nossos dezoito, assim podemos sair daqui e resolver as coisas por nossa conta.

_Nossa sorte é que essa parte judiciária demora muito -minha irmã como sempre estava esperançosa- então de fato temos uma chance de continuar aqui com você -um sorriso se formou no canto de sua boca, e mais uma vez a mexa foi colocada atrás de sua orelha- não gosto de pensar em ter você longe de nós.

_Muito menos eu -respondi- mas essa droga tem que acabar bem!

O final de tarde foi bom, independente dos assuntos no início dela. Estaria mentindo se falasse que não ficamos tristes com a situação, mas nos esforçamos para tentar esquecer de tudo e curtir nosso dia juntos, como fazíamos antes.

Os meninos mataram aula para passar o dia todo comigo, fomos até o mesmo lago de sempre e ficamos lá fumando e conversando sobre todo tipo de coisa, ninguém mais tocou no assunto dos programas e eu também não insisti, não quero ficar voltando nisso toda vez, até porque nem sei se continuarei trabalhando lá por muito tempo.

Depois de matar a saudade da minha família, eles tiveram que pegar o escolar do pessoal que estuda a tarde e voltar para a casa Foster, e eu, bom, fui seguir meu rumo para o prédio de Helena, que nem ficava tão distante assim de onde estava.

Não consigo imaginar como seria meus dias sem esses três pra me atazanar, saber que eles podem ir para longe de mim faz meu peito doer e meus olhos lacrimejarem logo em seguida. Nunca fui muito bom com despedidas, e acho que isso não vai mudar com agora, mas prefiro pensar positivo e achar que tudo vai ficar bem.

[...]

Meu dia foi tranquilo, mas ainda sim foi cansativo, meu corpo estava exausto depois de tudo o que aconteceu e minha mente só trabalhava a favor de pensar em como meus amigos poderiam se safar dessa droga de transferência.

Estava caminhando enquanto escutava música nos fones de ouvido e não demorou muito para que eu estivesse na esquina do prédio, encarei Jefrey, que se mantinha parado na calçada esperando seu transporte, ele me olhou e acenou com a mão, tirei um dos fones para ouvir o que o homem falava e fiquei feliz por ter feito isso.

_Bom te ver, Theo! -disse o guarda roupa ambulante- Não sabia que estava aqui hoje.

Dei um sorriso largo.

_Pois é, passei o dia todo fora -fui me aproximando dele e parei quando fiquei ao seu lado- já está indo embora?

_Sim -respondeu- peguei mais tarde hoje, mas minha caçula está passando mal, tenho que ir para casa cuidar dela, conversei com Daskalaski e ela me liberou -ele estava de fato um pouco preocupado, mas só percebi isso agora.

_Melhoras pra ela -ele sorriu com o que eu disse.

_Obrigado meu amigo, logo logo ela fica bem. É só uma virose.

_Odeio viroses -Jefrey riu quando eu disse isso- são as piores.

_Eu que o diga, sempre caio de cama quando pego uma.

Ficamos conversando ali no passeio enquanto o transporte dele não chegava, o guarda roupas me mostrou foto de suas duas filhas e elas eram simplesmente a coisa mais linda que já vi na terra, bochechudas e com os olhões arregalados.

Depois de alguns minutos conversando com Jefrey um carro parou perto de onde estávamos e ele entrou no veículo me deixando lá sozinho, esperei até que o motorista saísse dali e então rodei meus calcanhares, indo em direção a entrada do prédio. O clima estava um pouco frio e eu me arrependi de não ter trazido um casaco comigo quando saí hoje mais cedo.

Estava pronto para colocar os fones novamente e me perder na música, mas escutei alguém chamar por meu nome antes que eu o fizesse.

_Theo! -me virei na mesma hora e dei um sorriso quanto vi Sebastian batendo a porta de seu carro, para depois dar a volta pela frente do mesmo, caminhando até mim as pressas.

_Posso te ajudar? -agora eu já tinha tirado os dois fones para prestar ainda mais atenção.

O mais alto deu um sorriso, parando bem próximo de mim, naquele momento uma onda de calor percorreu meu corpo e o frio foi esquecido por alguns segundos. Como antes, tive que erguer o olhar até conseguir encarar seus olhos.

_Acho que pode -um sorriso malicioso surgiu naqueles lábios e meu corpo queimou pela segunda vez- podemos conversar fora desse lugar por um instante? Ou será que está ocupado?

Olhei as horas no celular para tentar disfarçar um ''sim'' muito rápido, eram quase dez da noite. Guardei o aparelho no bolso, voltei a encarar os olhos do homem a minha frente e disse:

_Podemos, vamos para onde? -ergui uma sobrancelha animado com a ideia, me esforçando para não deixar isso muito claro.

Mesmo não querendo assumir, eu estava gostando de vê-lo aqui novamente, e seja lá o que ele queira fazer, estou disposto desde já.

_Então vamos, entra ai no carro -sem ligar muito para o que viria depois de suas palavras, Sebastian se virou, voltando para o veículo, destrancando o mesmo e entrando logo em seguida.

Sem ter muito o que fazer, fui atrás.

[...]

Achei que ele me levaria para algum motel ou coisa do tipo, mas acabamos parando o carro na frente de um café não muito longe  de onde estávamos. Ele desceu do veículo e se sentou dentro do estabelecimento, em uma mesa um pouco distante das demais enquanto eu o acompanhava a todo momento.

O atendente veio até nós e sem me consultar Sebastian pediu dois cappuccinos para ele, e a sorte dele é que esse é meu café preferido.

_Então, por que estamos aqui mesmo? -perguntei assim que o garoto saiu de perto de nós.

Achei que nesse momento, eu já estaria gemendo.

_Tenho uma proposta pra te fazer -ele sorriu de lado e ajeitou sua roupa, depois colocou os cotovelos sobre a mesa e fitou meus olhos por tanto tempo que tive que desviar o olhar com vergonha.

Esse cara mexe muito comigo.

_E do que se trata? -o atendente voltou com os cafés bem rápido.

Sebastian esperou o garoto nos servir e sair dali para então continuar falando.

_Você gosta da vida que tem, Theo? -o homem levou a xícara até a boca, e deu um gole longo no liquido quente, me fazendo questionar como ele fazia isso sem se queimar todo por dentro.

_Sim -respondi sem entender muito bem- o que quer dizer exatamente com isso?

Uma risadinha saiu de sua garganta quando a xícara pousou na mesa novamente.

_Então gosta de ser um garoto de programa?

Não estava esperando por essa pergunta, e agradeci por já ter engolido o cappuccino quando a escutei, não sei o que aconteceria se estivesse com a boca cheia.

_Por que essa pergunta?

O homem revirou os olhos impaciente.

_Você sabe responder uma pergunta sem ser com outra garoto? -fiquei com vergonha quando percebi que estava fazendo o que ele sempre diz pra não fazer.

_É mais forte que eu -ele deu uma risada, agora se divertindo com a resposta, então esperou um pouco até eu perceber que teria que responder de um jeito ou de outro- bom... -comecei- Não acho que gostar seja a palavra, mas é o que está me dando dinheiro.

Sebastian pareceu ouvir exatamente o que queria.

_E se eu te ajudasse a ganhar dinheiro de outra maneira?

O quê? Como assim? Será que achei um suggar?

_E como faria isso? -dei mais um gole no café com as sobrancelhas arqueadas, esperando a resposta.

_Bom -ele se ajeitou mais uma vez na cadeira- serei direto com você porque não gosto de ficar rodeando o assunto -enquanto ele falava eu podia sentir minha ansiedade dando sinal de vida- minha mulher e eu precisamos de alguém para olhar nosso filho, e acho que você poderia fazer isso.

Mais uma vez, não era o que estava esperando escutar.

_Eu? -minha pergunta foi idiota.

_E por que não? -lá se foi mais um gole de sua xícara.

_Não sei se consigo cuidar de crianças -pra ser sincero, não conseguia nem pensar direito.

O mais alto deu de ombros, como se nem tivesse escutado a minha desculpa. Sim, era uma desculpa.

_Acho que você se sairia muito bem -seu corpo foi pra frente e então Sebastian se apoiou sobre a mesa, se aproximando de mim.

Depois uma de suas mãos deslizou por baixo da mesa e parou em minha coxa, apertando a mesma com um pouco de força. Congelei com aquela atitude, mas isso não foi o suficiente para ele parar.

_Acredito que não será difícil achar uma babá para Derek caso não queira a função, mas acho que é uma chance de sair dessa vida -continuou enquanto passeava com os dedos em minha perna- se o problema é dinheiro, saiba que pagamos muito bem, até mais que deveríamos.

O que eu falo agora?

_O que eu teria que fazer exatamente? -querendo ou não, continuar me deitando com homens mais velhos, que nem se quer conseguem me causar uma ereção sem a ajuda de uma pílula não é muito bem meus planos para o futuro.

Mais uma vez ele pareceu escutar exatamente o que queria, e tive a confirmação quando sua mão soltou minha perna e suas costas voltaram de encontro a cadeira. E lá se foi mais uma gole de seu café.

_Você teria que morar na nossa casa -a tranquilidade em sua voz me deixava com um pouco de medo. 

Ele sabe a proporção que isso pode tomar? E se a mulher dele descobrir?

_Temos um quarto para funcionários -antes mesmo que eu perguntasse, ele já tinha respondido- e você poderá ficar lá, comer e usufruir de tudo que tem na casa enquanto estiver trabalhando para nós.

_Mas e se sua mulher descobrir alguma coisa? -não tinha como não perguntar.

Sebastian soltou o ar de seus pulmões dando uma risada tão baixa que quase não escutei, ele realmente estava muito tranquilo.

_Você vai contar? -e mais uma vez aquele olhar dominador foi lançado sobre mim.

_Não, de forma alguma -respondi as pressas- só acho que seria desconfortável saber que me deitei com o marido dela.

_Acho que você se acostuma com isso -o ultimo gole foi dado, então sua xícara voltou para a mesa vazia- isso é um não?

_Não! -respondi de imediato- Mas posso pensar no assunto?

Sua mão liberou minha perna debaixo da mesa e suas costas voltaram de encontro a cadeira.

_Na verdade, não -um sorriso se formou novamente em seus lábios e eu fiquei hipnotizado por ele durante alguns segundos- precisamos de alguém para começar com urgência, minha mulher não está mais em condições de cuidar do nosso filho, está fazendo tratamento e terapia, tempo é algo que não posso te dar agora.

Droga, o que eu faço?

_O que me diz? -insistiu o homem, assim que viu que eu não falaria nada.

_Posso pelo menos conversar com Daskalaski antes? -e lá estava aquele sorriso vitorioso em seu rosto novamente.

De alguma forma, sinto que Sebastian sabe de cada passo que eu vou dar, e mesmo me assustando com a ideia, eu gosto disso.

_Na verdade, deve -tomei mais um gole do meu café, que já estava morno quando chegou ao fim- até porque não quero problemas. Mas se conheço Helena bem, ela vai aceitar numa boa.

O fato de ele conhecer Helena me intriga ainda mais.

_Mas por que eu? -tive que perguntar.

_Theo -a reação que ele teve foi de impaciência- sinceramente isso não vem ao caso agora, mas se te deixa feliz em saber, gostei da atitude que teve quando se propôs a me ajudar com Derek sem nem ao menos conhece-lo.

Agora quem escutou o que queria foi eu.

Fiquei calado por uns instantes, tentando pensar no que falar, eu tinha que tomar uma decisão aqui e agora, e a sensação que estava sentindo no momento era a mesma que senti quando Helena me chamou para trabalhar com ela.

Inclusive, a resposta foi a mesma:

_Tudo bem... -soltei as palavras com medo e o sorriso que estava estampado no rosto de Sebastian só piorava a situação- Começo quando?

Com um gesto de mão, ele chamou o atendente indicando que queria a conta, o garoto se aprontou com os papeis e começou a caminhar em nossa direção.

_Assim que conversar com Daskalaski e avisar que não trabalhará mais com ela -disse enquanto o garoto não chegava.

Esperei até que o atendente saísse novamente para poder falar, se ele fez isso da primeira vez, provavelmente esperaria que eu fizesse dessa. Mesmo eu insistindo em pagar meu café, Sebastian fez isso por mim. Então o garoto saiu feliz com a grande gorjeta que havia ganho, ele se levantou e mexeu no bolso de sua camisa.

Que por sinal, caía perfeitamente em seu corpo, com certeza feita sob medida.

_Toma, esse é meu numero -ele me estendeu um cartão, que o peguei e guardei no bolso sem nem se quer olhar como era- me liga assim que resolver as coisas com ela, enquanto isso resolvo tudo com minha mulher, ok?

_Ok -foi a única coisa que consegui responder.

[...]

Fiquei calado pensando no que tinha acabado de fazer durante todo o caminho de volta e Sebastian não se deu o trabalho de quebrar o silêncio em momento algum, o som do carro estava ligado e agradeci por isso, já que se não fosse a música, o clima estaria muito mais estranho do que já está.

Ele parou o carro na frente do prédio, exatamente no mesmo lugar que antes e esperou até que eu o encarasse para poder começar a falar.

_Não precisa ficar tenso -sua voz continuava tranquila- você vai se sair bem.

_Só não posso ser uma babá de duas estrelas -ele riu com minha resposta.

_Acredito que não será. Derek é um garoto fácil de lidar e você vai adorar conhecer ele de verdade -as portas do carro destravaram e eu tirei meu cinto- não demore para me ligar, ok? Se não terei que contratar outra pessoa.

Respirei fundo.

_Tudo bem, amanhã cedo eu converso com Helena sobre isso e já te ligo.

_Ficarei esperando -respondeu simplesmente.

E sem nenhum beijo, nenhuma mão em nenhum lugar eu saí do carro. Sebastian não tentou fazer nada comigo esse tempo todo e a cada minuto que passei ao lado desse homem pude sentir que meu corpo pedia por ele novamente.

Caminhei até a entrada do prédio e só escutei os pneus do carro cantarem quando entrei pela porta. Meu dia com certeza não foi nem um pouco parecido com o que imaginei que seria, primeiro descobri que meus amigos que são minha única família estão prestes a serem transferidos para outro estado, e agora tem o Sebastian, que apareceu aqui e ao invés de pedir por um encontro, me ofereceu uma oportunidade pra sair dessa vida.

Minha cabeça estava muito confusa, a ficha ainda não tinha caído. Não sei como vou conversar com Daskalaski amanhã, não sei como ela vai reagir e se o que estou fazendo é realmente certo. Ir trabalhar na casa do homem que tirou minha virgindade, com a mulher e o filho dele morando debaixo do mesmo teto que eu não me parece a melhor coisa a ser feita.

Meu deus, o que estou fazendo com a minha vida?

 

Notas Finais


THE JIRIPOCA IS GOING TO PEW

Leitores fantasmas, sintam-se á vontade para contar o que estão achando da fic! Quero trocar ideia com vocês também e não mordo, viu?


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