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História Golpe Baixo - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Razões médicas


Fanfic / Fanfiction Golpe Baixo - Capítulo 4 - Razões médicas

7 de março de 2020

4:20 da manhã 

Depois de uma semana saindo escondido quase todos dias e voltando para a casa com o bolso cheio de dinheiro, Jace experimentou o gosto da derrota. Não adiantou nada canalizar toda sua raiva e descontar no adversário, já que esse era muito mais forte que o loiro. Então, na madrugada de sábado ele praticamente se arrastou até a casa de seu melhor amigo Alec Lightwood.

Desde que saiu de casa rumo a luta, teve um mau pressentimento. Estava tendo um dia péssimo; havia quebrado o espelho do banheiro enquanto se segurava para não gritar com Carol, as coisas não iam bem no time de futebol e Alec não foi a luta com ele porque tinha um encontro com um garoto. Então, por isso e pelas várias mentiras que contou a tia, teve de ir a pé para a luta e praticamente se arrastar de volta para a casa dos Lightwood. 

Sentia o gosto ferroso do sangue em sua boca, dores por todo o corpo e mal conseguia andar. Mesmo com a visão meio embaçada, viu a fachada da casa do amigo e acabou deixando que um sorriso deslizasse por seus lábios. Finalmente!

Como não podia apertar a campainha, tirou o celular do bolso e desbloqueou a tela. Enquanto digitava uma mensagem para Isabelle percebeu que até seu celular presenciou a força de Hunter, já que agora tinha um grande trincado no canto da tela. Será que quebrou quando ele foi atingido por um chute ou quando caiu no chão pelo nocaute?

Jonathan Wayland: voxe podr poe favoe deacer aquu eme ajufar!!!!

Digitou o mais rápido que pode e a morena não demorou a visualizar. Talvez estivesse bebendo com as amigas no quarto ou fazendo uma maratona de filmes, porque ela sempre dormia cedo.

Dois ou três minutos depois, Isabelle estava destrancando a porta. Junto com ela estavam Clarissa e uma garota que Jace não conhecia. Assim que todas viram o estado dele entraram em choque, o que podiam fazer?

— Meu Deus, Jace! Você precisa ir para um hospital.

— Não, porra Isabelle! Não! — disse entredentes e as garotas se entreolharam. Clarissa e Isabelle ajudaram ele a ficar em pé, enquanto a desconhecida saiu em busca de um kit de primeiros socorros — Quem é ela? 

— Relaxa, é minha prima. Não vai contar nada pra ninguém, deve estar louca com essa cena e se sentindo dentro de uma série da Netflix — a morena disse e riu pelo nariz em seguida. Jonathan tropeçou um pouco enquanto subiam as escadas, mas logo chegou até o quarto de seu amigo e seu corpo foi praticamente jogado na cama pelas garotas — Fica aqui com ele, eu vou pegar uma água e alguns remédios. E você sabe o que fazer quando a Victoria chegar com o kit né?

— Claro — Clarissa disse e forçou um sorriso. Com alguns cursinhos que já fez e tendo conselhos de sua mãe enfermeira, a ruiva sabia se virar caso acontecesse alguma coisa. 

Jace passou as mãos pelo rosto e gemeu logo em seguida, aquela não foi uma boa ideia. A garota caminhou cuidadosa até ele, tocando-o com cuidado no braço. O toque suave surpreendeu o rapaz, fazendo-o olhar para ela.

— E então, é bom ver minha cara toda estourada?

— Aquilo foi uma... brincadeira — disse num sussurro, referindo-se a conversa que tiveram outro dia dentro do carro — Por que está fazendo isso, Jace? Olha só pra você... Isso... Ai eu não sei nem o que dizer.

— Eu também não sei o porque de fazer isso — murmurou, chamando a atenção da garota. Como ele não sabia o motivo disso? Então além do TEI ele também era um suicida? — É o que trás alívio para a minha mente caótica, Clarissa. Eu luto para perder o medo de lutar, se é que isso faz sentido.

— Faz — sussurrou em resposta. Ela sabia sobre a história dele e do pai, sempre foi amiga da Amanda e sabia de tudo que aconteceu.

— De qualquer jeito, acho que estou prestes a morrer. Meu corpo todo dói.

— Elas já devem estar voltando. Tem alguma coisa que eu possa fazer pra te ajudar? — perguntou solidária, sentando-se ao lado dele na cama. Jace engoliu em seco e observou a garota diante dele, notando o pijama totalmente indecente.

— Será que você pode me dar um beijinho para melhorar? — perguntou fazendo bico e Clary riu baixinho. Era muito atrevido, não perdia a oportunidade de provoca-la nem numa situação dessas — Qual é, Clarissa. É por razões médicas.

A ruiva encarou os olhos dele, coisa que sempre lhe chamou atenção. Sua tia Cassie tinha um husky siberiano com heterocromia, e Clarissa achava o cachorro a coisa mais linda que já tinha visto em sua vida. Até ver Jace Wayland e seus olhos. Droga.

Inclinou-se e controlou o peso de seu corpo, não queria encostar nele e o machucar mais ainda. Colou seus lábios nos dele e lhe deu um beijo calmo e lento, o que fez o rapaz ter arrepios. Que boca mais gostosa ela tinha!

Quando ela se distanciou, ele precisou mordeu os lábios para sentir o gosto dela novamente.

— Não passou, eu preciso de mais — sussurrou nervoso e sentou-se na cama, ignorando completamente a forte dor abdominal que veio com esse ato. Levou sua mão até o pescoço dela, puxando-a para mais um beijo. 

Izzy tinha convencido sua prima de catorze anos de que estava tudo bem e ela só precisava dar um curativo no amigo. E enquanto caminhava pelo corredor com o kit em mãos, pode ver Jace beijando ferozmente sua melhor amiga. Diante da cena, Isabelle quase derrubou a caixa e gritou, mas precisou se controlar por conta do horário. 

Clarissa ainda estava surpresa pelo ato do rapaz, mas não negou o beijo. A boca dele tinha gosto de menta e sua língua sabia exatamente como se mover. Ela se perguntou o que mais aquela boca podia fazer, mas acordou de seus devaneios quando separou seu corpo do dele e escutou seu gemido de dor.

— Espero que tenha melhorado. Eu vou buscar o kit — disse atordoada e se levantou rapidamente. Quando estava no corredor, deu de cara com sua amiga, ainda incrédula com a cena que tinha visto.

— O que foi isso? Clarissa do céu! — Isabelle disse num sussurro animado.

— Cale a boca, Isabelle! — pediu e viu a amiga morder os lábios — Não consigo acreditar nisso, olha aqui — disse estendendo o braço, mostrando para a morena sua tremedeira nervosa.

— Pare de agir como uma virgemzinha! Pega esse kit e vai pra lá agora — ordenou, entregando a caixa branca nas mãos da amiga — Eu não quero você de volta no meu quarto tão cedo, entendeu?

— Isabelle, ele está machucado. E eu não consigo não agir como uma virgemzinha porque eu sou uma — a garota disse nervosa e viu sua amiga revirar os olhos.

— Tanto faz, agora vai cuidar dele — disse e Clarissa bufou alto, virando-se para voltar para o quarto — Aproveita que também tem camisinha ai, viu? — disse maliciosa e a ruiva segurou-se para não gritar de maneira histérica no meio do corredor.

Jace mantinha seu olhar fixo na porta, e deu um pequeno sorriso quando a viu voltando para o quarto com uma caixa em mãos. Seu short de pijama era curto e deixava sua bunda quase a mostra, enquanto a blusa tinha um decote V. Aquilo devia ser considerado um pecado grave.

A garota estava em silêncio, apenas abriu o kit e analisou tudo o que tinha dentro (realmente tinha camisinhas).

— Acho que vai ser muito legal brincarmos de médico — disse malicioso e ela revirou os olhos. Umedeceu um algodão com água oxigenada e começou a passar pelos machucados do garoto, fazendo-o gemer.

— Tente se distrair, porque vai doer muito.

— Acredite, seu pijama é uma ótima distração — disse, fixando o olhar no busto da garota. Clarissa revirou os olhos e segurou o rosto dele com firmeza, fazendo-o olhar para ela.

— Não quero que me trate como um objeto só porque eu sou uma mulher, Jonathan. Eu sou muito mais que isso, tá legal?

— Eu sei que sim — ele disse e mordeu o lábio em seguida, segurando o gemido de dor — Eu sei que você adora biologia e detesta matemática. Já vi você no treino de natação e percebi que nada muito bem, devia estar no time.

— E o que estava fazendo lá? Queria ver umas garotas de maiô? 

— Não. Estava matando aula, as vezes eu gosto de explorar ambientes diferentes e observar diferentes situações. Me acalma — sussurrou. Clarissa sentiu um espasmo, nunca tinha visto o loiro falar algo tão íntimo — Na verdade, você me acalma.

— Po-por que? — perguntou surpresa e ele riu baixinho.

— Você não tem medo de mim. Sei que te provoco muito, e confesso que queria ter seu auto controle.

— É realmente invejável, né? — perguntou rindo e ele balançou a cabeça positivamente.

— Sei lá, você é diferente.

— Você acha?

— Eu tenho certeza, Clarissa. Você quer a felicidade de todo mundo, e as vezes acho que acaba colocando os interesses alheios acima dos seus — disse, surpreendendo ainda mais a ruiva. Como ele podia dizer aquelas coisas com tanta firmeza? Eles não eram amigos, nunca conversavam além das provocações e ele não a conhecia de verdade — Eu sei, você está se perguntando “como ele sabe de tudo isso?”. Eu só sei, Clarissa. Mas devia saber que as vezes é bom ser egoísta.

— Não consigo.

— Devia tentar, não pode deixar que sua mãe controle sua vida pra sempre.

— Cala a boca — murmurou e ele abriu os olhos e inclinou-se para olhar ela — Você não pode me dizer nada disso como se me conhecesse de verdade. Você não me conhece.

— Que seja — balançou os ombros, indiferente — Obrigado pela ajuda.

— Eu ainda não terminei.

— Por favor, sai daqui — pediu, passando as mãos pelo rosto. Sentia seus nervos a flor da pele, e sabia que estava prestes a explodir.

— Não saio até terminar isso. E se você surtar aqui comigo, eu juro que ligo para um manicômio clandestino. Você não curte coisas ilegais? Então — disse firme, voltando a atacar os cortes em seus braços com água oxigenada.

— Ta doendo pra caralho — quase gritou — Que inferno, Clarissa. Dói muito!

— O que você quer que eu faça, hein? Ninguém mandou você se meter nisso, todos tentaram te avisar — disse. E sua fala engatilhou um turbilhão de memórias.

Jace conseguiu se lembrar das vezes que Carol gritou com seu pai por chegar assim de suas lutas e apontou para ele, dizendo que Michael precisava deixar de ser inconsequente porque tinha um filho pra criar. E ele conseguia ouvir a voz de seu pai dizendo “É por isso que eu faço essa porra, Carol. Quando eu olho para ele, quase surto. Ele é igualzinho a Celine” e aí as lágrimas vinham.

E elas vieram para Jonathan também, o que assustou profundamente a garota diante dele.

— O que foi? Ai meu Deus, Jace. O que foi? — perguntou desesperada. O rapaz sentou-se na cama e puxou-a para um abraço, descansando sua cabeça no ombro dela em seguida. Ele pode sentir o cheiro gostoso do shampoo dela, com certeza era de óleo de côco.

Jonathan fechou os olhos com força, tentando fazer com que as lágrimas parassem de cair. As mãos de Clarissa estavam agora em seu cabelo, fazendo um carinho gostoso na tentativa de acalma-lo.

— Você quer que eu fique aqui? — perguntou arqueando as sobrancelhas. Seus dedos finos tocaram as bochechas dele, secando as lágrimas — Por razões médicas, claro — disse e o rapaz riu pelo nariz.

— Tudo bem — murmurou e colou seus lábios nos dela em um selinho. Voltou a deitar na cama de Alec e esperou que ela terminasse os curativos. Depois disso, deitaram-se juntos e Jace a abraçou por trás, distribuindo beijos pelo cabelo dela e sentindo seu cheiro gostoso.

“I know you're the reason I believe in life

eu sei que você é a razão pela qual eu acredito na vida

What's the day without a little night?

o que é o dia sem um pouco da noite?

I'm just tryna shed a little light

eu só estou tentando espalhar um pouco de luz

It can be hard

pode ser difícil 

It can be so hard

pode ser muito difícil 

But you gotta live right now

mas você precisa viver agora”  — 1-800-273-8255, Logic (feat Alessia Cara e Khalid)


Notas Finais


espero que estejam gostando
resolvi trazer esse bônus pra vocês hoje, mas resolvi que as postagens vão ser as quartas!!
e aí meninas, como ta a quarentena de vocês? eu estou tendo algumas dificuldades pra lidar com isso... juro pra vcs, eu to no terceiro ano, tinha tantas expectativas... sei la to meio mal e muito ansiosa
mas enfim, é isso. se cuidem por favor, lavem bem as mãos, evitem aglomerações e cuidem dos seus velhinhos!! ate quarta


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