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História Gone. - Nomin - Capítulo 1


Escrita por: nominlover

Notas do Autor


Olá ^^ é, hoje a one-shot não é com smut, eu tava com uns sentimentos meio complicados ultimamente e hoje do nada me deu na telha escrever um angst. Foi bem repentino e eu não fiz muita revisão porque acabei ele bem rápido... enfim espero que gostem de ver um lado diferente meu.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Único; Eu prometo.


Fanfic / Fanfiction Gone. - Nomin - Capítulo 1 - Único; Eu prometo.

O calor da vela acesa aquecia minha mão naquele dia frio. Eu não podia deixar de proteger aquela pequena chama enquanto caminhava, se não, por um pequeno descuido, ela seria levada pelo vento. Não havia nenhum fósforo ou isqueiro comigo para conseguir acendê-la novamente, então eu precisava continuar protegendo-a, mesmo que o fogo estivesse queimando minha palma, mesmo que o caminho fosse longo e as chances da vela se apagar fossem tão altas. 

Eu ainda queria protegê-la, eu precisava proteger aquilo que me cedia aquele calor que, mesmo mínimo, ainda impedia meu coração de congelar.

Eu não podia perder aquele calor, não da mesma forma que perdi o seu.

Eu continuei a caminhada, sentindo o vento forte acertando meu rosto, sentindo o dorso da minha destra congelando. Eu estava absorto, determinado em não deixar que a vela se apagasse. Os sons ao meu redor eram apenas murmúrios, nada tiraria minha atenção da combustão daquela simples vela branca, que com a mínima das brisas ameaçava se esvair.

Meus olhos focados naquele pedaço de cera não se distraiam por nada, e por uma fração de segundos, naquela chama quente alaranjada, eu vi os seus olhos.

Suas orbes castanho-escuras que tinham aquele exato mesmo calor, fosse enquanto segurava aquele calibre 38 para defender os seus princípios ou enquanto implorava por mais, embaixo de mim, naquela velha cama de metal.

Era até mesmo parecido com aquele fogo estridente que vi em seus olhos quando você disse que me amava pela primeira vez.

As lágrimas surgiram repentinamente e embaçaram minha visão, a chama da vela era apenas um borrão enquanto o líquido quente atravessava minhas bochechas.

“Me prometa que não vai chorar quando chegar a hora.” Você me disse repentinamente uma vez, enquanto estávamos nus entrelaçados depois de uma rodada de intimidades, e eu me embriagava no cheiro da sua pele suada. 

“Nunca vai chegar a hora, não tenho porquê te prometer isso.” Eu respondi, observando seu rosto cansado de quem já havia passado por muita coisa nos seus meros 25 anos de vida.

“Por favor, Jeno.” Você disse sério, tentando desvencilhar minha mão do seu rosto. “Me prometa.”

Eu te observei por um tempo, toda a tensão no seu rosto dizia o quanto aquilo importava para você, mesmo que fosse apenas uma promessa vazia depois de uma noite de sexo. Era algo importante, e eu percebi isso. “Eu prometo, Nana, eu prometo.” Então eu te puxei para mim, usei meu polegar para amenizar aquelas linhas de expressão tensas e te beijei, como se aquele fosse o meu único jeito de selar um juramento.

Mas na verdade eu só queria transar com você de novo, porque era só quando você estava gemendo embaixo de mim que aquelas linhas de expressão desapareciam. E eu tinha a falsa sensação de que, se eu me empenhasse, talvez eu pudesse fazer com que elas desaparecessem para sempre.

Tudo que eu queria era que tudo aquilo desaparecesse, que você pudesse ser feliz e mostrar aquele sorriso despreocupado para o mundo todo. Eu queria que suas dores fossem minhas, que você não precisasse se preocupar com mais nada e apenas focasse sua atenção em si mesmo… E em nós.

“Jaemin, por favor, olhe para mim.”

As lágrimas escorreram, e antes que eu pudesse me dar conta a vela havia se apagado. Toda angústia que eu guardava dentro de mim, por conta daquela promessa idiota que você me fez fazer, transbordou em um segundo.

— Me desculpe… — os soluços e um gosto amargo pareciam sufocar minha garganta. — Nana, me desculpe.

Meus joelhos cederam e eu caí no concreto gelado da calçada, a multidão que no início me cercava já havia me deixado para trás há muito tempo, eu estava andando muito lentamente para proteger a vela, eu fiquei sozinho de novo, e no fim a chama ainda assim se apagou.

— Eu não consegui… — eu solucei, dessa vez pouco me importando se pareceria um fraco, apertei a vela apagada contra o meu peito. — Não consegui te proteger.

A verdade é que eu era um fraco.

Eu sempre fui um fraco.

“Tente de novo, eu sei que você consegue.” Você me encorajou sorrindo, enquanto se aproximava para posicionar a arma corretamente na minha mão.

“Respire fundo e segure o ar, vai te ajudar a mirar.” Eu senti seu corpo sobre o meu, enquanto você falava diretamente no meu ouvido. “Então mire, lembre-se de ser fatal, assim você economiza balas.” Você tomou as rédeas, não é como se eu realmente estivesse prestando atenção no alvo de madeira, aquele cheiro doce do seu perfume de baunilha misturado com pólvora vindo diretamente nas minhas narinas me desconcentrava. “Na cabeça, ou no peito. Tente chegar o mais perto possível de um dos dois e então…” Eu ouvi você prendendo a respiração e uma fração de segundo depois o barulho ensurdecedor do tiro atravessou meus tímpanos.

Mas nem mesmo aquele barulho alto abafou o som acelerado do seu coração. Você não gostava do que fazia, mas não tinha escolha, e eu sabia disso.

“Ha! Headshot, baby.” Você disse sorrindo quando a bala atravessou a cabeça do alvo de madeira, rapidamente se afastando de mim e colocando sua máscara brincalhona para esconder o medo que abalaram aquelas chamas nos seus olhos.

O barulho de tiro ecoou pela minha mente enquanto as lágrimas encharcavam o colarinho do meu moletom. Aquele sorriso falso da lembrança se distorceu para a expressão de alívio que ainda me assombrava todas as noites.

Eu vi novamente a chama se apagando, como se a vela que eu segurava contra o meu peito fosse novamente você, naquele chão frio de concreto que estava encharcado com o seu sangue.

O tiro foi fatal, mas não foi do seu calibre 38 que ele saiu.

No meio do galpão escuro a única coisa que podia ser ouvida eram gemidos de dor e angústia, mas eles não eram seus.

“Jen, você prometeu não chorar.” Você disse com um tom fraco enquanto usava seu polegar sujo para acariciar minha bochecha.

O toque foi quente, você ainda estava quente e eu queria me segurar naquele calor como se fosse a minha última esperança de vida.

“Não… Era pra ter sido eu, não você…” Eu disse enquanto observava seu rosto ameno, que não tinha mais nenhuma daquelas preocupações desenhadas em linhas de expressão. “Por que, Jaemin? Por que você me salvou?”

“Jen, por favor.” Você disse com um sorriso, como se todas as suas forças estivessem sendo usadas para conseguir me dar aquele último resquício da sua felicidade. “Eu já perdi tudo o que eu tinha, você acha que eu aguentaria perder você também?”

“E quanto a mim?” Meu grito ecoou, eu precisava deixar que toda aquela ansiedade que se acumulava no meu peito saísse. “Como eu viveria sem você? Como eu…” Meu olhar caiu sobre minhas mãos que tentavam falhamente estancar o sangramento no seu peito, eu chamei a emergência naquele dia, mas eles eram incompetentes e ainda não haviam chegado.

“Você é forte, eu sei que você consegue. Eu me lembro de tudo que você me disse que faríamos quando tudo isso acabasse, então…” Você tossiu um bocado de sangue, mas não havia nenhuma expressão de dor em seu rosto e seus olhos pareciam lutar para se manterem acesos. “Por favor, vá fazer tudo isso por mim, Jeno, por nós.”

“Como… Como eu faria… Sem você, nada vai fazer sentido… nada…” Eu tentei me manter forte, não queria parecer um bobo na sua frente, mas eu não conseguia impedir as lágrimas de caírem.

“Apenas me prometa que vai seguir em frente por mim.” Você me disse com aquele olhar de alívio, como se a bala no seu coração não houvesse causado dor e sim a extinguido.

“Não… Por favor, eu preciso de você.” Meu coração queria explodir, como se a bala tivesse atingido a mim, como de princípio, e não a você. “Jaemin, por favor, olhe para mim.”

“Jeno, meu Lee Jeno…” Você respirou fundo e prendeu a respiração, como se estivesse prestes a atirar. “Eu te amo...” Você fez uma pausa e me olhou profundamente com aquela expressão branda e um meio sorriso, aquela chama ardente dos seus olhos balançava. “Pra sempre.” Foi o seu último suspiro, acompanhado de uma única e pequena lágrima que escorreu pelo canto dos seus olhos.

Como realmente uma bala aquilo me atingiu, fatalmente no peito. Enquanto eu observava aquela chama nos seus olhos finalmente se apagar, e aquele calor, que seu polegar deixava em minha bochecha, se esvair, eu percebi que aquela era a expressão de alívio que eu nunca tinha visto, a expressão despreocupada que eu sempre prometi dar à você.

Eu me dei conta que o seu desejo sempre foi morrer, que tudo que você queria era que o seu sofrimento acabasse de uma vez. E naquele momento eu queria matar, não aquele filho da puta que atirou em você, ele havia sido o meu primeiro headshot e o seu corpo já estava frio há bastante tempo.

Eu queria matar a mim mesmo.

E eu o teria feito, com aquela mesma arma que um dia você me ensinou a “como ser forte”, se não fossem aqueles policiais e paramédicos incompetentes chegando bem no momento, eu teria partido com você.

E aquele “Pra sempre.” se tornaria realidade.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto a cera frágil da vela quase se quebrava em meu abraço. Eu não poderia acendê-la mais, eu não tinha como acendê-la, assim como eu não podia te trazer de volta. O calor da vela se foi tão rapidamente quanto o seu, e o fogo que já havia me queimado um dia, agora não existia mais.

— Eu também te amo… Jaemin. — eu disse o que queria ter sido capaz de te responder naquele dia. — Eu te amo, eternamente…

Nada mais tem sentido sem você.

Eu nunca mais serei capaz de te ver sorrir.

E eu não sei se consigo manter aquela última promessa.

Eu estava novamente largado no concreto gelado, mas agora minhas mãos não estavam manchadas com o seu sangue, meu corpo não sustentava mais o peso do seu. E eu não tinha mais aquele seu último suspiro para me agarrar e fingir que na verdade aquilo não passava de um pesadelo. Que eu logo acordaria ao seu lado naquela kitnet minúscula, com a sua respiração quente na minha nuca.

Mas isso nunca aconteceu, e depois que os paramédicos declararam sua morte, a realidade me atingiu como um bloco de concreto. E eu não sei se sou forte o suficiente para carregar o fardo de não ter conseguido salvar você, de não ter conseguido proteger o meu único amigo, o meu único motivo… o meu único amor.

Eu só queria ser aquele cara forte que você achava que eu era, mas na verdade, eu sou apenas mais um covarde, Na Jaemin.

Então, por favor, volte para mim, me ensine a ser forte de novo.

Volte, me abrace, me aqueça. Me deixe ser egoísta apenas dessa vez, eu preciso de você.

— Eu preciso de você… por favor… — eu me encolhi contra meu próprio corpo, na esperança que meu próprio calor conseguisse aquecer o coração que você abandonou.

— Ei, tá tudo bem? — uma voz disse acima de mim, tocando meu ombro e me fazendo engolir o choro. — Vi que ficou para trás e decidi voltar.

— Está. — eu respondi, secando meu rosto molhado com a manga do moletom. — Não precisa se preocupar.

Me levantei, tentando não encarar o homem de terno ao meu lado, ele tinha algum tipo de olhar de preocupação. Não queria parecer fraco, Jaemin me pediu para não chorar, eu não podia decepcioná-lo mais uma vez.

— Sua vela se apagou? — ele perguntou, observando a vela, agora molhada de lágrimas, apertada entre os meus dedos da mão direita. — Quer acender com a minha?

Assim que ouvi aquela frase, eu finalmente me virei para encará-lo.

Era um homem jovem, talvez regulasse de idade comigo, ele tinha cabelo castanho e usava um terno completamente preto. Ele fazia o mesmo que eu alguns minutos atrás, protegendo a chama da vela com uma das mãos, enquanto a estendia na minha direção.

Eu não pude negar, não conseguiria, no fim eu sempre fui alguém muito carente, e ter alguém fazendo o simples gesto de oferecer a própria vela, para que eu pudesse reacender a minha, era algo muito significante para mim. Como se alguém estivesse me oferecendo uma segunda chance, para ser melhor e não deixar que aquela chama se apagasse de novo.

— Obrigado… — eu disse assim que reacendi aquela pequena vela, voltei a protegê-la com a palma da minha mão sentindo meu coração esquentar levemente.

— Sem problemas. — ele sorriu me convidando a seguir em frente. — Então… Você é algum conhecido do Jaemin?

Engoli em seco, ouvir o seu nome sendo dito pela boca de outro alguém sempre fazia meu coração doer ainda mais, como se uma dose de realidade caísse sobre mim toda vez.

— É… Algo assim. — eu respondi, encarando a vela para que ele não fosse capaz de observar a angústia que transbordava dos meus olhos.

— Eu sou amigo de infância dele, na verdade eu, ele e outros quatro amigos éramos um grupinho durante todo o ensino fundamental e médio. — ele soltou um riso anasalado, enquanto observava o chão, como se estivesse revivendo boas memórias enquanto andava. — Foi tão repentino, nós nem conseguimos nos ver uma última vez… — ele suspirou. — Fazem cinco anos desde a última vez.

— Cinco anos? — eu perguntei meio incrédulo, mas percebi que talvez tivesse usado um tom um pouco rude. — Er… me desculpe.

— Não, está tudo bem, não precisa se desculpar, eu sei que é bastante tempo. — ele virou o olhar e me encarou por um tempo com um sorriso ladino. — A gente sempre brincava que nossa festa de reencontro acabaria sendo um enterro, mas eu não achava que seria literalmente. — ele soltou um riso triste, antes de se virar para mim com um olhar meio envergonhado. — Desculpa, acho que eu falei demais, isso não foi exatamente apropriado…

— Não, tá tudo bem, isso é algo que ele com certeza daria risada. — eu respondi o interrompendo, observando a vela na minha mão lembrei daquele olhar brincalhão que você sempre me dava quando fazia alguma piada ácida.

— É, com certeza. — ele respondeu com certo alívio na voz.

— Por que você voltou? — eu perguntei repentinamente, meu coração gelado falhando uma batida.

— Hum, bem. Eu e meus amigos reparamos que você era um dos únicos jovens além de nós por aqui, e você é o único usando moletom e não um terno e, bem… — ele se enrolou com algumas palavras como se estivesse tentando não dizer nada de errado, nesse momento eu percebi que ele tinha um certo sotaque, como se tivesse morado fora da Coréia em algum momento.

— E eu estava parecendo bem abalado encarando a vela. — eu completei sua frase e ele apenas concordou em silêncio, eu não estava tentando exatamente esconder minha angústia enquanto protegia aquela vela, então não me impressionava que ele havia reparado. — O Jaemin sempre me dizia que não gostava dessas formalidades e que se caso… algo acontecesse… ele gostaria que eu estivesse vestido como ele me via no dia a dia, então… — eu parei de falar, percebendo que estava me expondo demais e que novamente meus olhos estavam se enchendo de lágrimas.

— Você realmente amava ele, não é? — ele me perguntou, num tom meio retórico, então eu simplesmente assenti levemente e não me forcei a responder. — Como ele estava?...Nesses últimos anos?

Eu demorei um pouco para responder e diminuí os passos, digerindo a pergunta antes de respondê-la.

Como você estava, Nana? Acho que nem mesmo eu sei realmente.

— Ele estava bem… Na medida do possível, eu acho. — eu respondi por fim. — Ele estava sempre sorridente tentando colocar todo mundo pra cima, mas muita coisa acontecia também… — eu soltei um baixo riso triste, observando novamente a vela que agora nem mesmo ameaçava se apagar. — No fim ele sempre pensava mais nos outros do que em si mesmo.

Eu engoli em seco com a memória daquele grito estridente, o barulho do tiro e você se jogando na minha frente para me proteger. Por que você tinha que ter esse coração tão bom?

— Ele sempre foi assim, não me surpreende. — ele me respondeu, também com um sorriso triste. — Queria ter estado mais presente, nós éramos tão unidos até mesmo quando terminamos o ensino médio, mas depois de um tempo cada um seguiu seu caminho e nós só nos afastamos.

— Tenho certeza que ele ainda guardava um carinho muito grande por vocês, ele sempre teve um coração enorme, sempre estava acolhendo todo mundo. — eu disse, tentando não pensar muito naquele rosto bonito e sorridente que havia aberto os braços para mim sem nem pensar duas vezes. — Mas afinal, qual é o seu nome?

— Ah, me desculpe, no fim acabei nem me apresentando. — ele deu uma risada sem graça e me olhou. — Mark Lee, muito prazer, e você?

— Lee Jeno. — eu respondi sorrindo. — Fico feliz que tenhamos nos dado bem.

Ele apenas sorriu e assentiu e nós seguimos a rua jogando algumas conversas casuais fora. No fim eu acertei, ele era coreano-canadense, havia nascido no Canadá e se mudado para a Coréia quando era criança, quando terminou o ensino médio foi com os pais para os Estados Unidos e se graduou por lá. Mark era realmente muito gentil, senti meu peito se aquecer um pouco descobrindo mais sobre o passado de você e seus amigos, Nana.

No fim eu senti o meu peito se contorcendo novamente quando chegamos ao cemitério, o caixão estava aberto pela última vez, apoiado para as últimas despedidas. Havia um pouco mais de uma dúzia de pessoas ali em volta, afinal, apesar de ser tão acolhedor, você não tinha tantas pessoas confiáveis ao seu redor.

Senti uma mão no meu ombro, e olhei para trás apenas para encarar Mark com um sorriso encorajador. — Vai lá se despedir, depois se quiser pode vir conhecer o resto dos garotos.

Eu assenti, tentando controlar a tristeza que deixava um gosto amargo na minha boca quando ouvia a palavra “despedir”. — Claro, quero muito conhecer os outros. Muito obrigado, Mark.

Ele assentiu compreensivo e se afastou, parecia que todos ali só estavam me esperando para te levar embora para sempre e isso partiu ainda mais meu coração.

Eu me aproximei do caixão, antes eu realmente não queria te ver ali deitado sem vida, por isso a princípio eu não viria ao velório, mas no fim das contas eu precisava de um último adeus. Precisava te ver ali para ter certeza que você não voltaria, por mais que doesse.

Apesar de inchado, seu rosto continuava lindo, como na noite da primeira vez que eu te abordei naquele bar.

“Cerveja? Que tipo de homem sem classe é você? Ei, vê pra mim duas doses de Whisky!” Foi o jeito que eu cheguei para conversar com você, eu tinha te achado o cara mais lindo de lá, e eu nem imaginava o quanto eu te acharia ainda mais bonito depois de te conhecer.

A gente acabou a noite se pegando no banheiro por sugestão minha e você não poderia perder a deixa.

“Banheiro? Que tipo de homem sem classe é você? Vamos, eu pago um motel.”  Você riu alto enquanto me empurrava contra o azulejo gelado.

Naquele momento eu já te achava incrível, com aquele cabelo bagunçado e a respiração ofegante enquanto me devorava com os olhos. Você instigava cada pedaço de mim, me fazia te querer com cada célula do meu corpo.

— Oi, Nana. — eu finalmente disse, quando as pessoas em volta do caixão se afastaram para nos dar mais privacidade. — Você realmente se foi, não é? Idiota, foi você quem disse primeiro que nunca me deixaria. — eu disse sorrindo tristemente, involuntariamente eu senti as lágrimas queimarem meu rosto gelado.

Eu estiquei a mão e toquei nas suas. Geladas. Meu coração se quebrou mais uma vez, como se ele já não estivesse estilhaçado em milhões de pedacinhos, a dor nunca cessaria, eu sabia disso.

— Eu vou sentir sua falta, você sabe disso, não é? — eu tentei, com todas as forças não soluçar. — Por quê?… Por que você não pode voltar pra mim?

Eu apertei suas mãos, como se talvez te transferindo o mínimo de calor te trouxesse de volta. Sua expressão aliviada nunca deixou seu rosto depois que eu a vi da última vez, eu não sei como me sentir em relação a isso.

— Eu acho que no fim das contas você sabia que eu não ficaria sozinho, não é? — eu perguntei repentinamente, olhando para cada pedacinho do seu rosto, querendo decorar todo e qualquer detalhe que talvez eu tivesse deixado passar. — Os amigos que você me falou tantas vezes… Você sabia que eles estariam aqui por você e me confiou a eles. — eu ri baixo, secando as lágrimas com a manga do moletom. — Sempre pensando em tudo, sr. Na Jaemin, tão do seu feitio.

Tudo que eu queria era poder te segurar nos meus braços, te abraçar, te sentir uma última vez, mas eu não podia fazer isso, eu não podia fazer mais nada. Você já não estava mais aqui, e eu ainda não queria acreditar nisso, eu ainda estava agarrado no frágil fio do seu último suspiro, eu não queria te deixar ir.

— Eu vou cumprir a promessa, vou viver por nós, eu te prometo. Eu preciso limpar meu nome na polícia primeiro, você sabe, mas… — eu apertei sua mão ainda mais forte e soltei um riso anasalado, esperando que o tempo parasse e eu pudesse conversar por mais tempo com você, mas eu sabia que já era hora, você precisava descansar. — Mas por favor, espere por mim, onde quer que você esteja… Eu preciso que você espere e que possamos ter aquele nosso “pra sempre” algum dia.

Então eu me abaixei no caixão e me aproximei do seu rosto, era estranho não sentir aquela sua respiração quente em mim, então eu depositei um beijo casto na sua testa e te observei de perto uma última vez. — Eu te amo, Nana. — Eu disse, ainda esperando que você abrisse os olhos e dissesse que também me amava, mas eu sabia que isso nunca mais aconteceria, que eu nunca mais ouviria essas palavras e nenhuma outra de você. — Pra sempre. — Eu sussurrei, para que ficasse apenas entre nós.

O caixão foi fechado e você se foi pra sempre.

Mesmo que em meu coração eu ainda acreditasse que chegaria naquele pequeno kitnet e te encontraria cantarolando enquanto cozinhava umas panquecas para o nosso café da tarde. No fundo eu ainda me prendia numa falsa esperança de que era tudo um sonho, e que eu ainda acordaria com o seu cheiro doce de baunilha me embriagando.

Eu me virei e vi o grupo de cinco pessoas me observando ao longe, Mark estava entre eles e sorria para mim eu fui na direção deles, no fim das contas eu ainda tinha um pedaço de você comigo.

Independente de tudo, você sempre estaria aqui comigo.

A vela que estava na minha mão havia se apagado em algum momento e eu nem percebi, eu olhei por um tempo para ela, a cera havia derretido um tanto e ela já não era perfeita, mas eu queria guardá-la pra mim, então a enfiei no bolso. Agora eu sabia que mesmo que a vela se apagasse eu teria alguém para oferecer o próprio fogo para acendê-la novamente para mim. Mesmo que esse fogo não fosse o seu, você fez questão de me deixar pessoas de confiança para fazer isso por você.

No fim das contas você sempre pensou em mim, não é? Seu garoto bobo, deixando para trás esses amigos incríveis quando me disse que não tinha mais ninguém e não aguentaria me perder? Por que você é assim tão teimoso, Na Jaemin?

Então algo na minha visão periférica chamou minha atenção. Uma borboleta-azul se aproximava, voando contra o vento, ferozmente com suas frágeis asas tentando ganhar da força da rajada. Ela voou ao meu redor e logo foi pousar nas rosas que foram deixadas para você. Eu não pude deixar de sorrir. Você sempre teve esse mesmo espírito livre, sempre indo contra tudo que tentava te impedir de alcançar seus objetivos.

E eu acho que é isso que eu amo tanto em você, meu Nana.

Espere por mim, desfrutaremos da eternidade juntos algum dia, eu sei que esse não foi realmente o fim.


Notas Finais


Enfim, foi isso :) Espero que tenham gostado, dêem feedback nos comentários me incentiva bastante ^^ até a próxima! sz


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