História Gone With The Wind - Capítulo 2


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Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Aurélio Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurieta
Visualizações 507
Palavras 1.889
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Verão


Três meses depois. 

Era uma linda manhã de sol na fazendo Bittencourt no Vale do Café. Os pássaros cantavam, o sol brilhava, os funcionários da fazenda já haviam começado suas respectivas atividades. Tudo fluía normalmente como deveria ser. Exceto que isso sucedia apenas no exterior da fazenda. No seu interior, da noite para o dia as coisas haviam mudado muito quando se tratava de uma certa Rainha e um certo futuro Barão.

Julieta acordou com um pequeno raio insistente de sol que atravessava uma fresta das pesadas cortinas de seu quarto. Com o tão impertinente raio em seu rosto, manteve os olhos fechados e virou-se de lado. Dormiria um pouco mais. Seu corpo estava extremamemte relaxado mas ao mesmo tempo exausto. Havia tido um sonho tão bom. Não era a primeira vez que isso acontecia, mas dessa vez parecia tão real. Sonhou que se entregou completa e inteiramente a Aurélio. O sonho fora tão real que não queria abrir os olhos e confirmar o inevitável de sempre, que havia apenas sido mais um dos muitos que já havia tido no qual ela acordava e confirmava que fora só um sonho e ela continuava sozinha em sua espaçosa e fria cama. Sem ele para aquecê-la e tornar o sonho realidade. 

 

A Rainha do Café já estava resignada e pronta pra abrir os olhos e encarar a frustração de seus desejos, quando sentiu um leve e prazeroso desconforto entre suas pernas e logo em seguida que também estava nua. Abriu os olhos e como uma enxurrada vieram todas a sensações e lembranças da noite passada. Não. Não havia sido um sonho. Havia sido real. Havia amado e permitiu-se ser amada como nunca antes. Buscou imediatamente por Aurélio ao seu lado e ele já não estava. Juraria que se não fosse pela bagunça dos lençóis, não teria acreditado que de fato ele havia estado naquela cama. E principalmente que ele tivesse protagonizado tal sonho junto dela. Mas ele havia. Tanto quanto ela.

 

Julieta sentou-se na cama e teve a confirmação da noite que se passou pelos quatro cantos do quarto. Seu elegante vestido preto que vestia na noite anterior amassado e jogado num canto. Um de seus sapatos se encontrava perto da cama, e o outro ela já não tinha ideia. A calça e os suspensórios de Aurélio pendiam esquecidos em seu divã. Sua lingerie se encontrava no meio da cama. Uma clara prova de que sim, havia sido verdade. E perto de seu travesseiro encontrou a camisa de Aurélia. Não resistiu e a cheirou. Aquele cheiro tão dele, do seu homem misturado com o dela, a extasiava a ponto de fazê-la perder os sentidos. Mas afinal de contas, onde estava o dono da camisa e que ousou deixá-la na manhã após finalmente sacramentarem seu amor? Ja sentia falta dele ali. Se é que era possível, era como se da noite de ontem pra hoje, a necessidade que sentisse dele perto dela houvesse aumentado exponencialmente. Se tranquilizou acreditando que ele provavelmente tinha ido rapidamente a seus aposentos recolher algo. 

 

Para ser sincera, Julieta não sabia se a ausência de Aurélio lhe causava alívio ou aflição. Sem sombra de dúvida, não havia se arrependido de absolutamente nada do que fizeram ontem. Mas de certa forma agradeceu esses minutos a sós com ela mesma para poder reorganizar-se emocionalmente depois do furacão de emoções que passou ontem. Emoções e sensações. 

Apesar dos horrores conjugais que havia passado com falecido senhor Bittencourt, e no casamento sem amor que haviam compartilhado, a Rainha do Café nunca fora ignorante nas temáticas do amor entre quatro paredes. Quando jovem, era uma ávida leitora de romances e se perdia em devaneios no meio das páginas de seus livros imaginando quando chegaria sua vez de sentir e viver o amor e tudo que ele envolvia. Inclusive fisicamente. Flaubert, Hardy, as irmãs Brönte e Maupassant a haviam instruído com palavras e uma enorme riqueza de detalhes. Disso não podia se queixar. 

Entretanto, ao conhecer o pai de Camilo e sua brutalidade começou a desconfiar seriamente se tudo que os famosos escritores românticos que fizeram parte de sua adolescência descreviam sobre o amor e seus atos e consequências, poderia ser verdade. Com o falecido só havia conhecido a vergonha, a repulsa e principalmente a dor. Seu mínimo prazer (alívio principalmente) somente existia em relação ao monstro quando ele por intervenção divina bebia demais e não tinha forças nem para executar seus abusos ou quando não voltava para casa depois de uma noite de devassidão. Não achava possível que um ato descrito nos livros como tão belo e pleno poderia na realidade causar sentimentos tão horríveis como os que ela sentia. Isso até

noite passada. 

Na noite passada os livros se provaram verdade. Aliás, pra ser bem sincera, o que havia vivenciado na cama com Aurélio não se comparava a nada que os livros ou até mesmo pessoas já haviam dito sobre o ato de se entregar ao amor. O que vivenciou foi mais, muito mais. Ele lhe proporcionou o amor e o prazer em toda sua plenitude, em medidas que ela nunca havia imaginado. 

Nesses últimos três meses, Julieta havia brigada com Aurélio, viajado com Aurélio, conversado com Aurélio, jantado com Aurélio e até mesmo dormido (apenas) com Aurélio. Mas ao homem que esteve com ela ontem na cama, ela definitivamente ainda não tinha sido apresentada. O Aurélio amante.

Nos beijos e carícias mais calorosas que haviam trocado nessas últimas semanas, Julieta não era ingênua o suficiente para não perceber o desejo ardente que ele sentia por ela. Mas apesar disso, ainda sim sentia uma parte dele reservada, como se ele estivesse segurando algum impulso ou desejo profundo a fim de não assusta-la já que ele conhecia e compreendia suas limitações. Intimamente e no seu inconsciente sempre desejou provar esse lado oculto e ser a mulher que provocasse manifestação de tal lado. Mas sentia medo. Apesar de o desejar com todas as forças, temia não corresponder à altura quando ele finalmente soltasse todo o desejo e amor que continha dentro dele. Entretanto, ontem a Rainha do Café finalmente sentiu que seu próprio desejo por Aurélio não só era maior que o medo, como talvez já estivesse ultrapassando o dele próprio. E assim resolveu arriscar. 

Julieta não seria sincera se dissesse que ao sentar em seu colo e beijar seu pescoço, não tivesse sentido uma certa insegurança. Se sentiu como uma adolescente inexperiente e por dentro implorava que não estivesse enganada em respeito aos sentimentos dele. Que ele a desejasse assim como ela o desejava e que não a rejeitasse. Afinal de contas, mesmo apesar de suas palavras de conforto, ela ainda se sentia uma mulher quebrada. Manchada. Porque profundamente Julieta ainda não se sentia digna e achava não merecer tamanha sorte de ser amada por ele. Quando ele hesitou então, a Rainha do Café desejou morrer e fugir daquele quarto. Havia se enganado. Foi tudo uma ilusão. 

Ele sentindo isso, segurou sutilmente seu queixo e olhou profundamente em seus olhos a puxando para mais perto de si. E ao olhar nos olhos de seu homem, seus olhos penetrantes e que haviam escurecido como se anunciassem uma tempestade, a Rainha viu amor, apreciação e um imenso desejo. Ele não hesitava porque a queria de menos, e sim porque a queria demais. Seu coração transbordando de felicidade diante de tal constatação não viu outra saída que não fora entregar-se e pela primeira vez ela obedeceu plena e cegamente apenas seus instintos. 

Os momentos que se seguiram então, Julieta jamais poderia contar com exatidão. Mesmo naquela manhã, seu corpo ainda se arrepiava involuntariamente lembrando do calor e do prazer que sentiu nos braços do filho do Barão. Aurélio que até então parecia calmaria, na cama se mostrou tempestade. Era um amante exigente. Mapeou seu corpo e catalogou todas as suas reações como um estudioso com afinco em descobrir tudo o que lhe era de direito. Não deixou jamais Julieta ser uma mera participante no ato. A queria sempre ativa e acima de tudo que sentisse prazer do início ao fim. Era altruísta. Apenas se deixava sentir prazer ao constatar que ela estava sentindo também. A olhava e tocava com devoção, mas ao mesmo tempo lhe mostrava que não era somente amada, senão também profundamente desejada. Naquele momento Julieta havia então finalmente experimentado e sido foco principal do lado que Aurélio havia guardado até então. Um lado dominante, exigente, estimulante mas ao mesmo tempo gentil e carinhoso. E tinha que confessar, o amou e o desejou mais (se é que era possível) ainda depois de conhecer tal lado. Mais uma antítese trazida à sua vida por esse homem. 

Se amaram então mais duas vezes naquela noite. E Julieta ainda naquela manhã não sabia dizer se preferiu a lentidão e o romantismo da primeira vez ou da urgência e o erotismo das duas próximas vezes. Aurélio parecia ter uma sede insaciável do corpo dela. Sede que ela se vangloriou em matar e saciar-se também. Mesmo exaustos eles ainda se queriam perto, não importava o quão próximos. Nunca bastaria. Dormiram então apenas ao amanhecer, aos primeiros raios de sol. 

Com essas divagações na cabeça, um calor no coração e um leve sorriso no rosto Julieta se levantou da cama e foi se vestir. Havia quebrado muitas barreiras na noite anterior mas ainda não se sentia pronta pra ser vista nua por Aurélio em plena luz do dia. Só de imaginar tal coisa ruborizou-se. Vestiu uma camisola negra e sentou-se em sua penteadeira a fim de tentar domar os cabelos emaranhados. Ao sentar-se, o rosto que a olhou de volta parecia o de outra mulher. Tinha as bochechas coradas, os traços do rosto mais leve, a pele mais viva. Os lábios mais vermelhos. Sem contar que parecia carregar um sorriso que ela nem mesmo conseguia controlar. Nunca fora de admirar sua própria beleza. Afinal de contas não havia o porquê nem para quem ser bela. Mas o rosto refletido naquela espelho estava lindo e radiante. E era assim que ela se sentia por dentro também. 

Mas logo uma ruga de preocupação tingiu sua testa. Onde estaria Aurélio? Estava demorando a retornar. Sua demora já começava a lhe preocupar. E então de repente, a Julieta insegura e assustada surgiu de novo. Apesar de ter aprendido a reconstruir sua autoestima após conhecer o amor de Aurélio, a mesma ainda se encontrava frágil. E se ele houvesse se arrependido? E se ela não houvesse correspondido às suas expectativas? Aurélio havia sido casado, não seria anormal que ele a comparasse com seu primeiro amor. E se ele achasse que toda a espera não havia válido a pena? Lágrimas quentes vieram no canto de seus olhos só de cogitar tal possibilidade. Na luz do dia, coisas que parecem tão simples à noite sempre se mostram mais complicadas. Ou menos atraentes. Julieta não suportaria se assim fosse. 

Em sua distração em se torturar não notou a porta de seu quarto abrindo e o filho do Barão entrando com um bandeja de café e uma bela rosa vermelha em mãos. 

Com a sintonia adquirida entre os dois, mesmo sem vê-lo, conseguiu sentir sua presença. Como se uma brisa quente tivesse adentrado seu quarto.

Através do espelho, cruzou de imediato seu olhar com o dele.

Chegara a hora de descobrir se seus torturantes pensamentos tinham, de fato, fundamento.



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