História Goner - Capítulo 14


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Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Menma Uzumaki, Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Itaizu, Menhina, Sasunaru
Visualizações 229
Palavras 2.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bem, acho que vocês já devem estar se acostumando com minhas demoras. Dessa vez, o que me atrasou além do bloqueio foi a vida adulta (vestibular, documentações, responsabilidades maiores, pouco tempo), sinto muito.

Espero que gostem do capítulo e me perdoem ❤️

Capítulo 14 - Cores


Fanfic / Fanfiction Goner - Capítulo 14 - Cores

Naruto não estava acostumado a ser acordado por conta de sua audição. Nada natural, ao menos. Talvez se fosse o ressoar de um canto de um passarinho ou um gatinho miando, ele até entenderia.

Mas realmente não estava habituado com alarmes nem nada “alarmante”, até porque é mais normal que acordasse com a luz do sol tocando-lhe a face – o que era um pouco difícil – do que ter um som daqueles lhe tirando a inconsciência.

Eram definitivamente batidas na porta. O osso, coberto por uma pele fina, batendo contra a madeira. Fora isso que despertara o Uzumaki naquela manhã de segunda-feira.

Seus olhos cansados demoraram a se abrir. Quando o fez, Naruto percebera que havia dormido ali mesmo, no chão da sala, com as fotografias ao redor. E quando se mexeu para poder levantar, chutou a xícara que havia bebericado na noite passada. Por sorte, estava vazia.

Suspirou pesadamente, erguendo o corpo sem pressa alguma. As batidas na porta não tinham cessado, porém Naruto estava alheio demais para se incomodar com aquilo.

Quando finalmente se levantou completamente, olhou ao redor e sentiu a tristeza o dominar. Sentia falta da família. 

Antigamente, quando esse tipo de noite acontecia, tinha seu irmão para confortá-lo e depois o guiar até a cama. Entretanto, agora que morava sozinho, tinha de acordar com a dor no pescoço e a solidão lhe incomodando.

Ainda abatido, o rapaz agarrou as chaves caídas no sofá e foi finalmente abrir a porta. Não perguntou quem era, pois receava que sua voz sairia de uma forma terrível - e também pela razão de que ele simplesmente não queria falar..

Quando passou pelo pequeno corredor, pôde ver o buraco – bem menor – no teto. Seu peito doeu com a lembrança que ele causava.

— Finalmente, dobe. — Sasuke quase xingou ao ver a figura loira em sua frente — Você demorou tanto que já estou de mau humor.

— Sasuke? — questionou, confuso, inclinando o corpo para poder ver o relógio que ficava ao lado da porta — O que está fazendo aqui às oito da manhã?

— Eu ia para a faculdade, entretanto uma coisa mais importante apareceu.

O coração do menor acelerou. Do que diabos Sasuke estava falando? Será que realmente estaria faltando aula apenas para vê-lo?

Como se estivesse procurando provas da fala dele – o que estava mesmo –, Naruto observou a vestimenta do amigo. Estava vestido casualmente; a única evidência de suas palavras era a mochila que estava despejada aos seus próprios pés.

— E eu preciso da sua ajuda para essa coisa.

O sentimento presunçoso de ser especial murchou, fazendo Naruto desviar o olhar e voltar a sua postura encolhida. Tentou disfarçar, todavia não houve muito sucesso.

E, aparentemente, o Uchiha finalmente tinha notado o desânimo do amigo. Franziu o cenho, preocupado e deixando que sua voz ficasse mais suave e baixa.

— E eu também queria ver você. — murmurou, envergonhado, sentindo as bochechas esquentarem — Eu não quero fazer isso sozinho. Queria sua companhia.

— Por quê?

— Porque eu confio em você. — explicou, dando de ombros, sendo a vez de Sasuke desviar o olhar — E você é uma coisa muito importante também.

Como resposta, o Uzumaki apenas deixou que o rubor dominasse o rosto moreno repleto de marquinhas. E, enquanto deixava o melhor amigo passar para entrar na casa, um sorrisinho também dominou seu rosto.

Sasuke agarrou a mochila e entrou. Há muito tempo não entrava ali. Na verdade, olhando bem, o Uchiha percebeu que de fato nunca adentrou aquele lugar.

Provavelmente haviam se mudado para essa casa na época que Sasuke estava partindo para a outra cidade – pois o mais velho nem tivera a oportunidade de visitar o amigo nesses dias, apenas Naruto quem ia vê-lo.

— É uma bonita casa. — comentou, sem saber bem o que comentar — Acho que é a primeira vez que a vejo.

— Deve ser. — concordou, inexpressivo — Me mudei para cá pouco antes de meus pais morrerem. E você não estava aqui quando isso aconteceu.

Apesar das palavras que saíram da boca do loiro serem duras, o rapaz de olhos escuros não sentiu o rancor acompanhar nenhuma delas. E isso não o surpreendeu muito, pois Naruto sempre fora muito compreensivo. Então, mesmo que a culpa se instalasse no peito de Sasuke, o mais novo entendia que nunca fora culpa dele tudo que ocorrera em sua vida. E que nem sempre ele teria toda a atenção para si nesses momentos que a vida lhe aprontava.

Como se ambos os garotos tentassem tirar os pensamentos ruins das próprias cabeças, balançaram as mesmas quase que em sincronia. Entretanto, nenhum deles percebera o ato.

Respirando fundo e tentando sorrir, o estudante direcionou o olhar para o melhor amigo, tentando ser o mais simpático possível – apesar de realmente tenha ficado de mau humor ao esperar tanto do outro lado da porta.

— Eu poderia fazer um lanche rápido?

— Claro — Naruto concordou quase imediatamente, olhando para o relógio outra vez — Fica depois da sala. A porta fica ao lado do sofá. É só seguir em frente.

O Uchiha, compreendendo a informação, começou a caminhar pelo curto corredor até o próximo cômodo. Viu o sofá e, ao lado dele, a porta de madeira escura.

Estava indo até ela quando, acidentalmente, tropeçou em alguma coisa no chão. Olhou para baixo e viu uma caixa. Alguns retratos. Uma xícara branca. E algumas fotografias sem molduras.

Abaixou-se, intrigado por uma que parecia brilhar em verde vivo. Enquanto seus dedos não a alcançavam, pôde ver as outras – quase todas elas eram da família Uzumaki – e isso lhe partira o coração. Mais uma vez, Sasuke se perguntou: o quanto Naruto perdera sua esperança? O quanto ele se sentira perdido? Ou, olhando tudo aquilo, o pior: quantas lágrimas o loirinho havia deixado deslizar por suas bochechas marcadas noutra noite?

Finalmente os dedos pálidos alcançaram a fotografia. E se permitiu sorrir, mesmo com o coração batendo num ritmo frenético todavia extremamente melancólico.

Eram apenas Naruto e Sasuke. Crianças. No jardim da antiga casa em que os Uzumaki moravam. Lá era muito bonito. Lembrava que havia um extenso gramado e, como se não bastasse apenas a beleza verde, havia também um lago muito belo. Nunca soube se o lago era profundo ou raso.

— Ah, você já viu — Naruto apareceu, ainda aparentando estar impassível — Eu tinha esquecido de guardar as coisas. Até porque nem tive tempo direito.

— Você lembra dessa foto?

Sasuke ergueu a fotografia sem moldura numa altura em que a distância não atrapalhasse a visão do menor. O outro sorriu, também não necessariamente feliz ao enxergar o misto de cores.

— Lembro — afirmou, aproximando-se e agarrando o lado da foto que Sasuke não segurava — Éramos pequenos e despreocupados.

Observaram a foto mais um pouco. Ambos eram pequenos mesmo. Sasuke estava engatinhando para conseguir passar pelas folhas, enquanto Naruto já estava de pé, sorridente, ambos olhando na direção da câmera. Todas aquelas cores deixavam tudo ainda mais bonito.

— Mas é uma foto antiga. — murmurou o caçula, soltando a ponta que segurava. Abaixou-se e começou a guardar tudo.

Sasuke ainda observou a foto por alguns segundos, como se não houvesse nada mais importante para fazer. Sentia-se alheio, distante, pois a fotografia havia o prendido em uma eterna nostalgia. Principalmente o sorriso do loiro... Talvez Sasuke sempre tenha adorado ver aquele sorriso.

Um sorriso que se tornou tão ausente.

Suspirando, o mais velho colocou a foto na caixa de volta. O amigo havia terminado de coletar tudo, então simplesmente a fechou. Trancou todas as suas lembranças e, consequentemente, a nostalgia de Sasuke também. A fuga daquele mundo cinza sumira.

Porém, provavelmente, os dois homens presentes naquele ambiente já estivessem acostumados a isso. Talvez até já teriam aceitado que não há fuga – ou apenas um deles acreditasse nisso.

— Já que você vai fazer um lanche — o bronzeado comentou, erguendo a caixa em seu colo e colocando a xícara branca em cima da caixa — Você poderia fazer o café, por favor? Estou com fome.

— Pode ser — resmungou, agarrando a xícara antes que caísse e finalmente terminando seu trajeto até a cozinha.

Ao entrar no novo cômodo, pode ouvir o som da caixa sendo provavelmente jogada em um canto, no qual Naruto poderia ignorar e tentar provar de que nada o afetaria.

Suspirou e agarrou o celular no bolso, se preocupando momentaneamente em enviar ou verificar mensagens.

Eu estou com suas roupas e vou fazer um lanche para você. Sei que, considerando a situação, você não vai sair daí nem pra comer.

Sasuke.

E, cumprindo com a palavra, o moreno começou a procurar as coisas pela cozinha. Talvez devesse se sentir mais retraído em um ambiente novo, todavia não era capaz disso. Era a casa de Naruto.

Do seu Naruto.

Inconscientemente sorrindo com essa linha de pensamento, o rapaz sentiu-se subitamente com o humor um pouquinho melhor. Ironicamente, para melhorar, o seu loiro favorito no mundo entrou na cozinha instantes depois.

— Por que veio pra cá, Sasuke?

— Sua casa é mais perto do metrô.

— O que tem?

— Eu sempre passava por perto, já que precisava pegar o metrô para ir a faculdade.

— Qual é o ponto, Sasuke?

O moreno suspirou, virando o rosto para o outro. Notara que este havia lavado o rosto, tentando tirar o desânimo de sua expressão. Não soube dizer se funcionou.

Mas isso não era o ponto, como o amigo dissera. Por isso, Sasuke ficou em silêncio por alguns segundos, tentando pensar nas palavras certas e notou que falhara na busca.

— Meu irmão está com problemas. — explicou — Eu preciso ir até ele, mas Itachi me pediu para levar umas coisas.

— Lanche? — Naruto apontou, como se indicasse e questionasse se aquilo era uma das coisas. Sasuke apenas assentiu com a cabeça.

Apesar de saber das coisas que Itachi estava passando, o irmão mais novo nem teve tempo para poder ir vê-lo ou acompanhar seus momentos. Estava tão ocupado tentando fazer o loiro se sentir bem que havia se esquecido de que há mais coisas com o que se preocupar – não que Naruto fosse uma coisa pequena para isso.

Portanto, por esse grande imprevisto que o Uzumaki causara logo no primeiro instante que se reencontram, o mais jovem Uchiha pouco pôde pensar na esposa do irmão.

Sempre soubera de tudo que acontecia. Pois era o único apoio que Itachi conseguiria encontrar ultimamente. Desde o momento em que o sofrimento do irmão começara. Todo este tempo e Sasuke imaginou que nunca desejaria aquela dor. Para ninguém.

Infelizmente, por muitas semanas, a sensação de perder alguém – de realmente perder uma pessoa importante para sempre – o perseguiu. E ela ainda estava em seu encalço.

Na verdade, essa sensação tinha olhos azuis e lábios rosados sabor lámen.

— Sei que normalmente o hiperativo sou eu e você é o oposto — o menor comentou ao ver Sasuke depositar um prato com um sanduíche aparentemente muito bom em sua frente — Mas está um silêncio insuportável.

Rindo pelo nariz por um ou dois segundos, o moreno sorriu levemente, de uma forma que quase ninguém notaria. Mas é claro que, se tratando de Naruto, ele notou – infelizmente, isso turbinou algo em seu peito.

— Eu só estava pensando.

— Em quê?

Aproveitando a deixa, o loirinho agarrou e em seguida mordeu o sanduíche. Como sempre, seu amigo nunca errava, nem mesmo uma receita bobinha e simples como aquela.

— Eu não quero perder você.

Por sorte, não se engasgou. Contudo, a massa do pão e o restante dos ingredientes desceram lentamente por sua garganta. Hesitante, o menor olhou nos olhos escuros que sempre lhe ofereceram conforto. Sasuke realmente era seu porto seguro? Ou seria sua âncora – algo que, apesar de oferecer tamanha segurança, apenas o afundava cada vez mais?

Mordendo outro pedaço e tentando formular uma resposta boa o suficiente e o menos negativa possível, o loiro continuara sentindo sua garganta travada demais para falar. Talvez fosse pelo clima instável que se instalara entre os dois depois daquela noite no hospital.

Ainda pensando demais e sentindo os olhos que sempre foram a marca da família Uchiha em si, Naruto engoliu mais uma vez.

Olhou para Sasuke, permitindo que o sorriso cínico dominasse sua feição por um instante.

— Você não muda nada, Sasuke.

E, mais uma vez, o Uchiha não entendera o sentido da frase. E o olhar que o amigo lançou dizia de forma clara: não pergunte, é o melhor.

•••

Havia sangue em suas roupas. Em sua pele, conseguira remover com sabão e água. Todavia, o desesperado homem não se sentia limpo. Na verdade, não sentia nada.

Estava apenas o desespero alimentando o coração, como um combustível que não parecia acabar. O desespero sequer o deixava respirar.

Havia perdido a noção do tempo, até mesmo de suas ações. Pois em um instante parecia estar tudo bem, e agora tudo estava perdido.

Itachi sentira seu telefone vibrar na cadeira ao lado, mas não sentira vontade de conferir o que era. Observar suas mãos pálidas e trêmulas já era o suficiente.

A lembrança recente de sua esposa passando mal a ponto de tossir sangue ainda revivia em seu cérebro, como uma prova do quão incapaz ele poderia ser para aquela situação.

Estava ali, no corredor de um hospital, sabendo que a mulher que amava estava no quarto a sua frente. Provavelmente repleta de tubos e agulhas.

Não havia reunido coragem para vê-la.

“Sinto muito”, disseram, “Logo nada mais poderá ser feito.”

Sentia-se tão inútil quanto os métodos que estavam utilizando para salvar Izumi. O desolado Uchiha já havia compreendido que iria perdê-la.

E então, tão subitamente quanto a recaída de sua amada, lágrimas caíram pelo rosto cansado. Seu corpo tremia e sua cabeça doía de tanto pensar na possibilidade de perder a única mulher que realmente amou.

A família dos sonhos de Itachi deixara de existir. Juntamente com toda sua esperança e seus propósitos. Não encontraria sentido em nada. Estava tudo absolutamente sem cor.

Pois, mais uma vez, Uchiha Itachi sentia-se sozinho.


Notas Finais


E é isso aaaaa

Gente, o capítulo talvez não tenha muito impacto quanto eu queria mas o foco era apenas todos os demônios que esses personagens enfrentam, sabe? E o quão fortes eles são por sempre tentarem melhorarem, mas às vezes, chorar e desistir não te faz menos forte, né?

No próximo capítulo, acho que vamos voltar ao normal, sem o excesso de melancolia. :c

Espero realmente que tenham gostado!!!!

Não se esqueçam de comentar ❤️

P.S: no capítulo passado, quando menciono a cena da família Uzumaki na casa nova, eu coloquei sem querer que os avós que chegaram com o Menma... Eram os vizinhos, gente!!! Os Uchiha!!!! Eu confundi, desculpa KSOAPKSOAPKSOAP

P.S²: CARALHO PORRAAAAA TUDO ISSO DE FAVORITO E VISUALIZAÇÃO, EU VOU EXPLODIR DE AMOR ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️


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