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História Gonna Get Caught - Capítulo 6


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Notas do Autor


Voltei!
Esse capítulo está bem mais agitado, então espero que gostem.
Deem risada e sintam ódio junto comigo <33

Capítulo 6 - Atingido por Yeh Shuhua (PT:II)


Vocês já passaram por aquele momento onde não se consegue nem mesmo se mexer e toda a sua vida passa pela sua frente, e você pensa “esse é o meu fim”? Porque é exatamente como eu estou agora, e seria confortante saber que não estou sozinho nesse mundo.

Tenho uma multidão olhando para a cara e esperando que eu diga algo, após Shuhua fazer a sonsa e sorrir falso, me parabenizando e perguntando se eu gostaria de dizer alguma coisa. Eu simplesmente parei ali, com a boca aberta, chocado e pensando que minha vida social — que já não é lá aquelas coisas — está enterrada, a sete palmos da terra e que eu vou ser apedrejado e humilhado em praça pública.

Oh, Deus, por que me colocaste na Terra para ser humilhado?

Eu ficaria super de boas sendo só mais um espermatozoide jogado no lixo como os outros milhares que se foram no meu lugar, ou até mesmo aqueles que não encontraram o útero da minha mãe na corridinha. Eu daria tudo para ser um deles agora!

Sinto alguém me cutucar, e finalmente acordo para a vida real, apesar de ter perdido minha alma quando aquela louca fincou as unhas no meu ombro. Me viro e encontro Seonghwa me olhando curioso, oferecendo o microfone e me encorajando a falar alguma coisa.

Rodo meu olhar pelo parque, tentando ter algum sinal de Jongho, mas nada daquela criança aparecer. Me resta ir com o fluxo.

— Eu venci, né. Obrigado aí, pessoal. — digo rapidamente e devolvo o microfone para Seonghwa, que parece me achar o maior esquisito. Errado não tá.

Quando vou me retirar do palco, algum demônio que sabe-se lá de onde veio, estoura a porcaria de uma bexiga, me assustando e me fazendo tropeçar na beirada do palco improvisado, que por sorte não era tão alto. Mas não me impediu de me esborrachar no chão, batendo o rosto na grama na frente daquele monte de pessoas.

Solto um gemido de dor, e escuto risadas de algumas pessoas, inclusive daquela praga de garota que parece o satã querendo me assombrar.

Eu realmente vim a Terra para ser chacota.

— Está tudo bem? — Alguém com a voz suave fala comigo, mas estou tão zonzo que não a reconheço.

Balanço a cabeça em concordância, mas não a tiro da grama, vai que estejam gravando, né, não quero ser viral no youtube, já não basta o que a Shuhua vai fazer comigo.

E eu achando que o dia ia correr tudo certo. Já dizia Lady Gaga: Foi uma ilusão perfeita.

O ser que me perguntou se eu estava bem, me puxou pelo braço, me ajudando a levantar, mesmo contra minha vontade. Não quero mostrar minha cara nunca mais.

Assim que estou de pé, tirando a sujeira do meu cabelo e rosto, tocando meu nariz para ver se estava tudo certo com o bichinho depois da pancada que levou. Eu prezo muito pelo meu nariz. Vejo Seonghwa, com a mão ainda em meu braço, me olhando fixamente.

— Tá olhando o quê, esquisito? — digo, com um bico nos lábios. Qual é, acabei de levar um empurrão da vida.

— Ah, apenas verificando se está tudo bem. — fala simpático.

Que enfie a simpatia no cu.

Me solto de sua mãe com certa brutalidade e saio daquela multidão me olhando como se eu fosse uma piada.

Verificando se estou bem, mereço. Levei a maior queda em frente de um monte de gente, é claro que eu estou ótimo, seu tonto. Vontade de falar um monte para aquele falsificado do caralho, enfia a bondade onde o sol não bate, e devolva aquela amiga infeliz dele para o inferno que ele pertence.

Me estressei.

— ‘Tá resmungando igual um louco aí, por quê? — Me assusto DE NOVO, com a voz de Jongho vindo do além.

— Veio de onde, desgraça?! — exclamo, claramente bravo.

Jongho arregala os olhos e levanta a mão em rendição.

— Fica calmo, garotão. Deu tudo certo! — Diz orgulhoso, e eu o encaro com sangue nos olhos.

— Certo? A demônia da Yeh só faltou arrancar meu ombro dizendo que sabia de tudo. — Ele abre a boca e arregala ainda mais os olhos.

— E ela não falou para ninguém? — Pergunta confuso.

Pondero antes de responder, porque até agora ela não abriu a boca. Isso só pode ser sinal de coisa ruim.

— Não, ela não disse nada.

Novamente me perco em meus pensamentos, porém não durou muito porque recebi um tapa na cabeça.

— Para de pensar nisso. Conseguiu o que queria. Agora eu quero ir jogar alguma coisa.

Ele saiu me puxando mesmo com meus protestos falando que queria ir embora, pois minha cota por aqui já deu. Mas como essa criatura não tem uma gota de respeito por mim, mandou eu calar a boca e me obrigou a entrar em um dos times de basquete.

Vejamos bem, eu tenho 1,71 de altura, sou só os ossos e totalmente sem coordenação para quaisquer tipo de esporte; e estou no meio de ogros e ogras com quase o dobro da minha altura, Jongho não é tão alto, mas, pelo menos, é forte. Eu sou só um saquinho de osso. Meu cérebro apenas apita ‘zona de perigo, fuja para bem longe. Zona de perigo’.

Fiquei parado, só desviando quando algum deles passava por mim, até que alguém jogou a bola em minha direção, e meu único reflexo foi me afastar para o lado e deixá-la cair no chão, onde provavelmente alguém do outro time pegou porque começaram a me xingar. Por pouco não fui massacrado.

Depois de dois minutos de jogo, vendo que Choi está entredito no jogo, me afasto devagar e discretamente até que estou fora e longe deles. Finalmente posso suspirar aliviado e em minha zona de segurança.

Começo a andar pelo parque, já está quase anoitecendo e os postes acendendo, o que torna tudo mais bonito, claro, se não fosse por essa gente correndo para todos os lados e bolas voando para lá e para cá, além da barulheira insuportável que insistem em fazer. Caso não fosse pela bagunça seria ainda mais bonito; o ar seria mais puro e tranquilizante andar por aqui sem se preocupar em ser pisado.

Entediado de andar sem rumo por ali, me sento em um dos bancos e fico observando as pessoas, não trouxe meu celular com medo de ser roubado, então só me resta ficar sentado num banco de concreto com cara de ‘quero morrer’ assistindo as pessoas se divertirem. Gostaria de saber me divertir como eles, mas minha diversão está em coisas geralmente calmas e com poucas pessoas. Tipo uma noite de jogos com Jongho e Mingi; comer e falar mal das pessoas com eles, fazer piada com os dois, e ser alvo de zoação também. Quando eles me fazem ir de piadas ruins e me lembram que eu sou ridículo por montar planos para Seonghwa, e quando me recordam que, independente de tudo, sempre estarão lá por mim. Esses momentos me divertem como nenhum outro.

Fui tirado dos meus bons pensamentos quando uma garota parou na minha frente. Pelo vestido lilás e as sapatilhas cor de creme, pude saber quem era. Eu realmente não tenho um minuto de paz.

— O que você quer aqui, garota? — pergunto, sem paciência.

Sei que devo ser gentil com a garota, mas sei que ela vai me foder de qualquer jeito, então só vou poupar meus esforços.

— Você não deve falar assim comigo, Kim. — Bufo, ainda sem olhar na cara dela. Mas quem disse que isso fez ela ficar quieta? — Sabe, eu pensei em aproveitar o microfone todas aquelas pessoas para te desmascarar e fazer você ser motivo de zombaria pelo resto de sua vida. Ai eu pensei: eu posso apenas me aproveitar disso. Eu te conheço muito bem, Hongjoong, mais do que você acha. E, se depender de mim, ser feito de chacota por aquelas pessoas não vai chegar perto do que eu vou fazer com você. Eu te avisei para não mexer com o Seonghwa.

Levanto meu olhar para encará-la, e em seu rosto tinha tanto deboche que eu até cogitei que ela estivesse brincando, mas seu tom de voz não parecia com o de alguém que está só de zoação. E penso que sim, eu devo me preocupar.

 

•••

Depois de trinta minutos sentado naquele banco, pensando nos eventos azarados que se passam na minha vida, vi Shuhua subindo naquele palco improvisado, que agora estava enfeitado com várias lâmpadas em volta, e chamando a atenção de todos quando as luzes se acenderam e a garota apareceu.

— Boa noite! Estão todos se divertindo? — E recebeu um coral de “sim” como resposta. — Para encerrar nossa noite, vou pedir para que todos encham os balões que estão entregando. Façam um pedido do fundo do coração de vocês e os estourem com as mãos logo em seguida. Tudo bem? Vamos começar.

Beleza, está definitivamente na hora de ir embora. Me levanto nas presas para ir embora, mas uma mão me segura. Seonghwa, novamente.

— Já está indo embora? — Pergunta, suavemente. — Shuhua é louca, ele inventou isso do nada, mas parece legal.

— Eu realmente preciso ir. Sai da minha frente. — Sou grosseiro, pois não estou em posição de ser educado.

Mas percebo que é tarde demais, quando a voz da garota começa uma contagem do três. Antes que eu pudesse me ver livre daquilo, barulhos de balões estourando explodem em meus ouvidos, me fazendo empacar no lugar, e minha respiração se agitar rapidamente, e é como se eu não estivesse conseguindo respirar, mesmo puxando e soltando o ar incontrolavelmente.

Me sinto tonto, minhas mãos soam e aquele barulho parecia nunca acabar, me deixando apavorado a cada minuto que se passa. Escuto a voz de Park falando comigo, mas estou ocupado demais tentando parar a dor em meu peito e lembranças vagas que me atingem, mesmo que eu não consiga distinguir o que se passa na minha cabeça. Uma náusea me atinge, deixando-me cada vez mais fraco e perdido. Não escuto os barulhos em meus ouvidos, mas em minha cabeça é como se eles ainda estivessem explodindo sem parar, fazendo-a doer.

Simplesmente caio nos braços de alguém.

 

•••

— Ele só deve estar de drama, seus idiotas. — Escuto uma voz, vindo de fundo, como se estivesse longe.

— Cala boca, sua nojenta.

— Oh, sou Hongjoong, uma donzela indefesa que caiu nos braços do príncipe. Oh!

— Lei Maria da Penha que me perdoe, mas eu vou chutar essa sua cara, desgraçada!

As vozes continuam, porém agora todas confusas e agitadas.

Abro os meus olhos, enxergando tudo embaçado no primeiro segundo, mas logo estou vendo nitidamente, e a cena acima de mim é… Caótica.

Jongho e Shuhua trocando farpas, com o garoto quase voando em cima dela; Seonghwa mandando os dois ficarem quietos e se acalmarem; Mingi e Yunho discutindo se eu morri, e outra garota desconhecida gravando tudo.

— O que diabos aconteceu? — Sussurrei, mas deve ter sido alto o suficiente para todos pararem a confusão e vierem correndo para cima de mim.

— Ele acordou! — Gritou a garota desconhecida, e continuou a filmar.

Então veio uma enxurrada de ‘você está bem’ e perguntas de como eu estou me sentindo, vindo dos meus amigos.

— Alguém pode me dizer o que aconteceu? — Quase gritei, fazendo todos se calarem.

— Você caiu no chão igual banana podre. — Obrigado pela solidariedade de suas palavras, Jongho.

Mas fui vingado pela cotovelada que Song deu nele.

As memórias de minutos atrás vêm com tudo em minha cabeça. Olho para Shuhua, que tinha um sorriso sarcástico direcionado a mim, aproveitando que nenhum dos meninos estavam vendo.

— Está bem mesmo. Kim? — Seonghwa me pergunta, e eu apenas aceno com a cabeça, assim como fiz mais cedo. Ainda estou tentando digerir tudo.

Percebo que tinha várias pessoas a nossa volta, um bando de curiosos. Eu queria ter realmente morrido, porque me polparia de tudo isso.

Que humilhação!

— Sua pressão abaixou de repente. Você parecia assustado.

— Ele tem globofobia, Park. — Mingi responde por mim. — Quando os balões explodiram ele teve um ataque de pânico, e dos fortes.

— Globofobia? Medo de balões? Que piada! Tem medo de mais o quê? Palhaços? Número três?

— Alguém tira essa garota da minha frente? — Jongho grita. Ela apenas revira os olhos, se retirando. — Vou arrancar o aplique dela com os meus dentes. — Mingi dá tapinhas em seu ombro, falando para ele manter a calma.

— Acho melhor seus amigos te levarem para casa, Hongjoong. Precisa descansar. — Park me ajuda a levantar, faz uma reverência e logo vai atrás de sua amiga, acho, pois foi na mesma direção.

Os garotos sorriem, querendo me passar conforto, e eu sorrio em seguida, para mostrar que estou bem. É como se fosse um código nosso.

Agora percebo que Yeh realmente não estava brincando. Ela me conhece mais do que eu penso, só não sei como foi tão baixa a ponto de mexer comigo psicologicamente da forma que ela fez, é nojento e cruel. Acredito que ela pode ser capaz de muito mais.

Eu preferia ser humilhado em praça pública.


Notas Finais


Obrigada por lerem até aqui.
Espero que tenham gostado, chuchus
Até semana que vem <3


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