História Good Omens, ou Belas Maldições - Capítulo 6


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Categorias Good Omens
Personagens Agnes Nutter, Anathema Device, Aziraphale, Crowley, Madame Tracy, Personagens Originais
Tags Aziraphale, Beelzebub, Belas Maldições, Crowley, Gabriel, Good Omens
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Palavras 2.447
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Fazer uma interferência!


Castiel havia se recomposto, bom, ao menos não estava mais no teto. Aziraphale resolveu preparar um chá, já que ela recusou todas suas tentativas de comer os sushis que ele trouxera.

O telefone da loja começou a tocar e Castiel se levantou de sua cadeira, mas seu amigo a interrompeu:

—Não, não, não. Eu atendo, querida, você precisa descansar depois da descoberta que fez. — O loiro não ficou surpreso quando ela lhe contou sobre Crowley e o Anticristo, afinal, Gabriel o havia contatado antes, agora era uma questão de tempo até o demônio de óculos escuros fazer contato. — Desculpe, mas encerramos o expediente. — Falou ao colocar o telefone no próximo a orelha.

—Aziraphale — A voz de Crowley o fez suspirar. — Precisamos conversar.

—É, acho que precisamos mesmo. Suponho que se trate do...

—É — O outro interrompeu. — Do Armagedon. Sim. Em pessoa. — E desligou.

Quão engraçado.

Todos sabem que o melhor lugar para um encontro secreto em Londres é, sempre foi, no St. James’ Park. Dizem que os patos estão tão acostumados a receber pão de agentes secretos que até desenvolveram um reflexo condicionado quando os veem. O pão preto do adido cultural russo é altamente desejado pelos patos mais refinados.

—Você tem certeza de que é o Anticristo? — Aziraphele perguntou, ele estava sentado em um dos bancos, ao lado de Crowley.

—É obvio que eu tenho. Fui que levou o bebê, não é? — O outro rebateu. — Quer dizer, não fui eu que deu a luz a ele, né...a minha função foi entregar.

—Um diplomata americano. Sério? Um tanto ostentoso, é a impressão que dá. Como se o Armagedon fosse alguma espécie de espetáculo cinematográfico que se desejasse vender para a maior quantidade de países possível.

—Todos os países. A Terra e todos os reinos subsequentes.

—Nós vamos ganhar, é claro.

O demônio zombou:

—É sério que você acredita nisso?

—Mas é óbvio. No final, o Céu vai triunfar sobre o Inferno. E vai ser tudo muito adorável. — O loiro deu uma risadinha.

—Escute aqui, quantos músicos você acha que o seu lado tem, hein? De primeira linha, quero dizer

Aziraphale pareceu hesitante:

— Bom, acho que... — Começou.

— Dois — Disse Crowley. — Elgar e Liszt. E só. Nós temos todo o resto. Beethoven, Brahms, os Bachs, Mozart, o pessoal todo.

—Eles já escreveram todas as músicas que tinham que escrever.

—E você nunca mais vai ouvir. — O ruivo deu-lhe um olhar de triunfo. Conhecia o ponto fraco de Aziraphale. — Nada de Albert Hall. Nada de Proms. Nada de Glyndbourne. Apenas harmonias celestiais o dia inteiro.

—Bom, eu...— Murmurou Aziraphale.

—E é só o começo do que vai perder se ganharem. Nada de restaurantezinhos fascinantes onde todos te conhecem. Nada de comer salmão com endro. De livrarias charmosas...ai! — Crowley levou a mão a nuca, alguém lhe havia dado um tapa.

—Demônio ardiloso. — Castiel estava atrás do banco.

—Quando que você chegou aí?

—Castiel? —Aziraphale parecia ligeiramente surpreso. — Achei que ainda não ia vir.

—Tive uma mudança de coração. — A ruiva falou ao lembrar-se que precisaria tomar conta da loja na ausência dele, e interagir com todos os clientes irritantes estava fora de questão. — Vamos dizer que não consegui tirar meus pensamentos do nosso atual problema.

—Oh, entendo.

—Tanto faz. — Crowley se levantou e sinalizou para que o seguissem. — Temos só onze anos e a porra toda vai acabar.

—Linguajar. — Castiel repreendeu enquanto o seguia rumo a uma das saídas do parque.

—Vem cá, você não tem uma harpa para tocar?

—E você não tem um tridente para enfiar no seu olho?

A resposta dela pegou Aziraphale de surpresa, mas Crowley deu um meio sorriso:

—Não usamos tridentes.

—E nós não tocamos harpa. — Aziraphale rebateu. — Quer dizer, tem um ou outro que gosta.

—Que seja, a gente tem que trabalhar junto.

—Não. — O outro recusou.

—A gente ta falando do fim do mundo, não de uma tentação ridícula que eu pedi para você me ajudar quando estava naquele festival em Edimburgo. Não pode me dizer não.

—Não. — O anjo insistiu.

—Castiel, fala com ele. — O ruivo olhou para a garota. — A gente pode fazer uma coisa. Eu tive uma ideia.

—Não estou interessado. — Aziraphale colocou o outro anjo ao lado dele. — E não a envolva nisso.

Castiel revirou os olhos e observou que se aproximavam do Bentley preto estacionado em local proibido, inclusive, havia um guarda multando-o. De repente, sentiu uma energia familiar, quase como se fosse uma presença...

—Vamos almoçar, então? — Crowley sugeriu fazendo o anjo loiro parar de andar.

—Perdão? — Aziraphale piscou.

—Bom, eu te devo um almoço de...

—Paris. De 1793.

—Isso. O Reinado do Terror. — O demônio lembrava daquela época com certo nível de prazer. — Aquilo foi coisa nossa ou de vocês? — Abriu a porta do Bentley.

—Eu não lembro. — Aziraphale franziu o cenho e foi na direção do banco do passageiro. — Comemos crepes!

—Hum... — Crowley olhou para o outro anjo parado na calçada, ela parecia fora da realidade, olhando para o humano de uniforme.  — Você vem?

A voz dele atraiu a atenção dela, e calmamente, a ruiva virou a cabeça na direção do demônio de óculos escuros:

—Desculpe?                           

—Almoçar! — Exclamou Aziraphale, agora mais animado.

Castiel franziu o cenho, mas depois sorriu:

—Não obrigado. Não quero comer. Vejo vocês depois.

—Tem certeza? — Seu amigo questionou, estranhando um pouco o comportamento dela.

—Sim. Afinal, eu quase não como.

—Tá. — Dando de ombros, Crowley entrou no carro, mas ele observou-a pelo retrovisor antes de dar a partida.

Castiel revirou os olhos quando o bloco de notas que o guarda de trânsito preparava sofreu uma combustão espontânea quando o Bentley disparou pela rua. Inesperadamente, o homem começa a mudar de aspecto e os olhos verdes do anjo se arregalam quando reconhecem o tom de violeta.

—Ah, Aziraphale — Gabriel suspirou tirando seu disfarce. — Sempre andando com a escória.

Ele parece bem...

Revê-lo, após tanto tempo, era estranho para o anjo, e quando este olhou em sua direção, Castiel sentiu-se congelada, quase como se estivesse tendo o que humanos chamam de enfarte.

Gabriel não parecia contente, apesar de andar devagar, era possível sentir o desgosto exalando de seu ser. Ele quando passou ao lado da ruiva, inconsciente de como a fazia estremecer, inconsciente de sua existência, pois o arcanjo ainda não podia vê-la.

Dando um suspirou de alívio, a outra sussurrou:

—Paciência, irmão...                                          

De repente, Gabriel parou de andar e virou-se, olhando em volta, podia jurar que tinha ouvido algo, mas acabou por ignorar e seguir seu caminho. O que ele não sabia, era que estava sendo seguido.

Após o almoço, Aziraphale e Crowley fizeram seu caminho para a livraria.

—Eu tenho algumas garrafas muito boas de um excelente Châtauneuf-du-Pape em casa. — O anjo começou. —Peguei uma dúzia de caixas em 1921 e ainda tenho algumas para ocasiões especiais. 

—Ai — O outro resmungou. — Acho que vocês não são muito chegados em vinho no céu, não? Não vai ter mais Châtauneuf-du-Pape lá em cima, nem Whisky Single Malt.  Ou um coquetel todo fresco com guarda chuvinha.

—Crowley, eu já falei que não vou ajudar. Não estou interessado. Isso é um encontro social. Eu sou um anjo, você é um demônio. Somo inimigos hereditários. Permanecerás atrás de mim, seu demônio sórdido. — Parou em frente a porta de sua loja. — Demônios primeiro.

Durante esse período, Castiel havia retornado ao Céu, ficando um pouco surpresa com algumas mudanças que ocorreram durante sua ausência. Claro, a modernização dos humanos contribuiu para isso, por isso muitos anjos usam roupas cujo design é moderno e sofisticado. Não era isso o que Gabriel apreciava na humanidade? As roupas?

Estar aqui é como estar em uma empresa, cheia de gente rica.  

A ruiva balançou a cabeça e continuou seguindo seu irmão mais velho pelos corredores brancos até chegar em uma sala bem iluminada, cheia de janelas grandes e totalmente limpas.

—Gabriel — Michael começou ao recebê-lo. — Finalmente.

—Encontrou Aziraphale? — Perguntou Uriel.

—Sim, ele está com o demônio Crowley. — Gabriel informou fazendo os outros esbouçarem um olhar de nojo.

Ele nem é tão ruim assim.            

Castiel cruzou os braços, afinal, quantos demônios estão descontentes com o Armagedon?

—Tem certeza que podemos confiar em um anjo com Aziraphale? — Questionou Sandalphon. — Quero dizer, nós todos sabemos que ele é... bem...

—Mole? — O moreno de olhos violetas riu. — Sim, convenhamos que Aziraphale é uma decepção em muitos sentidos...

—Mas? — Michael arqueou a sobrancelha.

—Mas ele ainda é um anjo. Ainda é um de nós. Talvez não o mais rápido, ou forte, mas acredito que, com o incentivo certo, ele se unirá a nós na Grande Batalha entre Céu e Inferno.

—Você ficou tão arrogante, irmão. — Castiel balançou a cabeça em reprovação.

Gabriel franziu o cenho e olhou para trás, mas não viu nada ali, entretanto, isso chamou a atenção de Michael:

—Algum problema?

—Achei que tinha ouvido alguma coisa. — Gabriel voltou-se para seus amigos. — Mas vamos em frente... — Estalou os dedos e um aparelho apareceu na sua mão. — Transformei esse objeto trivial em uma ferramenta de observação angelical. Assim podemos ver o que Aziraphale está fazendo.

—Então vamos espioná-lo? — Sandalphon piscou.

—Não, vamos observá-lo, Sandalphon, observá-lo.

—E qual a diferença? — Sandalphon reclamou, mas Uriel lhe deu uma cotovelada. — Ah, observar...certo.

—Agora, só preciso ver como liga. — Gabriel começou a analisar o aparelho.

Castiel se aproximou e agarrou a mão dele, impedindo-o de seguir adiante com seu plano. Gabriel sentiu uma onda de choque e soltou o objeto de supetão que se espatifou no chão logo em seguida.

—Gabriel? — Michael o olhou com preocupação.

—Essa coisa me deu um choque — O outro zombou. — Tecnologia humana barata.

—Com licença — De repente, um anjo desconhecido entrou na sala. — Temos um problema na Escócia, alguém invocou uma criatura infernal.

—Ah, que ótimo. — Michael suspirou.

—Vamos cuidar disso. — O arcanjo de olhos violetas começou pegando o objeto quebrado e entregando-o ao recém-chegado. — Joga isso fora para mim, por favor. Obrigado.

Naquela noite, após a Sra. Dowling e a Sra. Young e seus respectivos nenéns deixarem o prédio, um raio atingiu o Convento da Ordem Faladeira, incendiando o teto da sacristia. Ninguém ficou gravemente ferido pelo incêndio, mas ele prosseguiu por algumas horas, causando um estrago razoável. O instigador do fogo espreitava no topo de uma colina próxima e observava as chamas. Ele era alto, magro e um Duque do Inferno. Era a última coisa que precisava ser feita antes de seu retorno às regiões inferiores, e Hastur a fizera.

Enquanto isso, no Soho de Londres, um anjo e um demônio haviam bebido por seis, sem parar.

—E qual é...qual é... a questão mesmo? — Aziraphale perguntou em estupor de bêbado.

—A questão é... — Crowley deu um arroto. — Golfinhos! Essa é a questão. Cérebros grandes, cérebro — Sentou-se no sofá e jogou os óculos para o lado. — Grande pra caramba! Isso sem alar nas baleias, aquilo é uma cidade de cérebros.

—O Kraken. Hum. Monstro feio. — O loiro fez bico. — Ele deve subir para a superfície bem...no final. Quando o mar ferver.

—É disso que eu tô falando! Mar borbulhando! Com golfinhos, baleias, tudo virando bouilab...bouilab..como é mesmo? Ah que se foda, sopa de peixe! E não é culpa deles. É a mesma coisa com os gorilas. Eles vão olhar para cima e dizer: Opa, o céu ficou vermelho! As estrelas estão caindo. O que estão colocando nas bananas hoje em dia?

—Nas bananas eu não sei, mas no álcool... — Castiel apareceu no meio da sala fazendo-os saltar.

—Castiel! — Aziraphale tentou se levantar, mas tropicou nos próprios pés. — Por onde você andou?

—Castiel! — Crowley fez o mesmo. — Fala pra ele que quando tudo isso acabar, vocês vão ter que lidar com a eternidade! — A voz dele afinou tanto na última sentença que parecia um disco arranhado.

—Crowley! — Castiel reclamou esfregando os tímpanos.

—Eternidade? — O loiro se apoiou na cadeira.

—Não vai ser tão ruim no começo, mas não vai ter Stephen Sondheim em suas noites eternas, isso eu garanto. — O ruivo pegou o exemplar do livro. — No entanto, eu tô ligado que o seu chefe é bem chegadinho na A Noviça Rebelde. — A essa altura, Aziraphale estava fazendo uma careta de repugnância. — Já pensou ter que passar a eternidade vendo isso?

—Como eu vim parar com dois idiotas? — Castiel perguntou retoricamente.

—Ah não, Castiel, não azeda não. — Crowley cambaleou para o lado dela apontado o dedo indicador para o nariz da mesma, no entanto, no momento em que encostou, um pequeno raio o repeliu. — Au! — A surpresa em sua face fez um sorriso brotar nos lábios do anjo de olhos verdes. — Que agressividade.

—Vocês podiam ficar sóbrios? Por favor? — A garota pediu.

—Tem razão, não consigo lidar com isso bêbado.  — Aziraphale concordou e fechou os olhos.

—É, eu também. — O demônio o imitou.

Castiel olhou para todas as garrafas na mesa, elas estavam se enchendo novamente. O processo durou dois segundos, talvez três.

Crowley fez careta com a sensação de secura veio logo depois, mas ele não foi o único.

—Bom, agora podemos voltar a tratar do assunto com mais clareza. — A ruiva sentou-se no sofá e Crowley juntou-se a ela.

—Não tem muito o que ser discutido. — Seu melhor amigo se ajeitou na cadeira a frente. — Não posso interferir no que o divino planejou, nem você.

—E quanto a interferir no que o diabo planejou? — O demônio começou. — Vocês não sabem se me impedir, numa dessas, de repente, faz parte do divino. Porque, na boa, o seu dever é deturpar cada plano maligno, sempre.

—Bem... — O loiro parecia concordar com esse fato.

—Se tem uma artimanha, vocês desmascaram, não é?

—De modo geral. Na verdade, encorajamos humanos a fazer a coisa...

—Tá, mas olha, o Anticristo já nasceu. Mas a criação que é o importante. As influências. As influências do mal, vão ficar comigo. E eu acho que seria bem ruim se alguém me fizesse falhar.

—Colocando assim — Castiel começou. — O Céu não poderia objetar se ele estivesse tentando impedir você.

—Não. É uma estrelinha na lição de casa.

Os anjos se olharam antes de entrar em consenso e Aziraphale estendeu a mão para Crowley, que aceitou de muito bom grado:

—Vamos ser meio que padrinhos, sei lá. Supervisionando a criação dele. Se a gente trabalhar direito, ele não vai ser mau, e nem bom. Apenas normal.

—Como um ser humano. — Castiel apontou. — Agora eu sei como você tentou Eva, você é bom com as palavras Crowley.

Crowley deu-lhe uma piscadela.

—Pode dar certo. — Aziraphale sorriu, mas qualquer um podia sentir o pânico e o desespero por trás dele. — Seremos padrinhos. Meu Deus, que inferno!

—Está no inferno é questão de costume. — E Crowley piscou para ele também fazendo o sorriso bizarro morrer.

Castiel limitou-se a segurar a risada.

Quais as chances de tudo dar certo?

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Notas Finais


Obrigada pela paciência pessoas, e desculpem a demora, ainda não tenho meu Pc, mas continuamos aqui.
Obrigada pelos comentários e os novos favoritos.
Bjs.


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