História Gorjeta - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, LGBT, Orange, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Um original levemente baseado na música 10% (Maiara e Maraísa).

Capítulo 1 - Capítulo Único


Olhei para o garçom com raiva quando ele aumentou, nada discretamente, o volume da TV do bar que tocava um DVD de sertanejo “sofrência”. Ele fingiu não me ver. Respirei fundo e virei mais um copo. Já tinha bebido tanto que a vodka tinha parado de queimar minha garganta, descia como uma cerveja.


-Mais uma, senhorita?


Aquele sorriso cínico do garçom me enfureceu, mas não tinha forças para brigar. Estava tão bêbada e arrasada que estava quase deitada em cima da mesa, caindo da cadeira.


-Você sabe que sim.


Ele saiu rapidamente, provavelmente imaginando o valor que ia ganhar com os 10%. Minha conta deveria estar exorbitante, mas nada me importava naquele momento. Desbloqueei a tela do celular pela milésima vez e suspirei, triste.


-Nada…


Eu esperava uma ligação, uma mensagem, qualquer coisa dela. Eu precisava que ela viesse atrás de mim, eu precisava de algum sinal dela, algum sinal de que ela ainda me amava. Mas não recebi nada. Aparentemente, só eu me importava com aquele “amor”.


Comecei a ouvir as músicas do DVD, tentando beber mais devagar. Aquilo só piorou minha situação, todas as músicas me lembraram dela.


-Ah, não, essa não!


Falei alto, atraindo a atenção de algumas pessoas. Aquela música! A terceira do DVD. Ela era especial. Era impossível eu ouvir e não lembrar daquela noite especial. Era impossível não lembrar dos sorrisos, dos gemidos, dos suspiros. Era impossível não lembrar de nós fazendo amor, se resolvendo na cama, durante a noite inteira. Fechei meus olhos e tentei não chorar, virando o restante do copo na boca. Como em um passe de mágica, o garçom apareceu do meu lado.


-Mais uma?


Consegui me erguer o suficiente para olhá-lo nos olhos com a cara mais ameaçadora que consegui fazer.


-Só mais uma, a saideira. E dá ‘pra trocar esse maldito DVD?!


Ele me olhou não me levando a sério, já que provavelmente era a vigésima saideira que eu pedia.


-Claro. Mas não tenho autorização para trocar o DVD, outros clientes estão gostando.


Ele apontou discretamente para um grupo que cantava a música aos berros, rindo. Os invejei, aquela alegria era algo que eu não sentia há muito tempo.


-Ok, então só a saideira e a conta, por favor.


O garçom saiu. Olhei novamente meu celular, que não tinha saído da minha mão hora nenhuma desde que tinha chegado naquele bar. Novamente, nenhuma ligação.


“Se nosso amor fosse uma ligação, seria um engano. Infelizmente, a ligação durou tempo demais.”


Finalmente eu tinha percebido que tinha sido usada, enganada. Era só um objeto sexual, onde ela se satisfazia e me jogava no fundo de um armário até sentir vontade de me usar de novo. Eu fui tão idiota de me apaixonar! Porque, justo por ela?! Porque justo por aquela mulher poderosa, famosa, rica e hétero?


-Aqui está, senhorita. Sua conta.


Paguei sem olhar. O garçom sorriu abertamente com a gorda gorjeta. Guardei o troco no bolso, mas congelei quando minha mão encostou em um papel. O convite. Sim, ela tinha tido a audácia de me convidar para o casamento, mesmo tendo “terminado” comigo minutos antes. Não sei porquê ainda não tinha rasgado aquele papel estúpido, aquela hora a cerimônia devia estar terminando.


Tirei o convite do bolso. Ele estava amassado, mas ainda estava lacrado. Não tive coragem de abrir, ver o nome dela junto com o daquele cara me doía. Literalmente me doía, como se alguém me desse um soco no estômago. O olhei com nojo e finalmente resolvi abrir. Precisava dar essa última olhada antes de jogá-lo fora.


“Nenhuma surpresa. Clichê, como toda a vida de aparências que ela mantém.”


Me levantei para jogá-lo fora quando um pedaço de papel caiu do envelope em cima dos meus pés. O peguei, curiosa.


“Estou me casando com ele, e sei que você não está feliz, mas meu grande amor é você. Eu só terminei porque fiquei com medo dele descobrir, mas eu ainda te amo. Por favor, não desista de nós.”


Foi como uma bomba explodir no meu peito. Eu estava furiosa. Ela continuava jogando comigo e me usando! Eu tinha que fazer algo para me vingar. Uma ideia louca passou pela minha cabeça. Corri até o meio da rua e pedi um táxi, com o convite na mão. Era perto, talvez ainda desse tempo, não era tão tarde assim. Casamentos sempre atrasam, não é?


-Chegamos, deu…


Não deixei que o motorista falasse, apenas joguei uma nota alta nele. Sabia que a corrida não deveria ter dado nem metade daquele valor, mas aquilo não importava. Saí correndo do carro e fui até a calçada da igreja. Não sabia se ela ainda estava lá, mas parecia que sim, ouvia muito barulho de lá de dentro.


-Recebam agora o mais novo casal!


Ela saiu de lá agarrada com ele, rindo. Meu coração doeu levemente. Subi as escadas antes que os outros convidados viessem. Ela me olhou, completamente chocada, ele, com ódio.


-Não ouse tentar estragar meu casamento, ou eu…


Revirei os olhos e estendi a mão, o parando.


-Relaxa. Eu só quero falar com ela.


Ergui o papel. Ela empalideceu.


-Eu cansei de você me usar como um brinquedinho sexual, ok? Cansei de ser usada por você, cansei de ser seu cachorrinho, estando sempre aos seus pés. Você não me ama! Você ama o que eu faço com você na cama, o que esse inútil aí nunca vai ser capaz de conseguir fazer. Você ama eu ser submissa a você, você ama brincar com meus sentimentos. Mas agora acabou!


Joguei o bilhete para cima e ele pegou, curioso. Ela ficou ainda mais nervosa quando ele começou a ler. Uma pequena multidão de convidados se amontoou na porta, curiosos com o que estava acontecendo. Me virei para ele quando ele terminou de ler.


-É isso mesmo, sua amada esposa está te traindo comigo desde o começo do namoro de vocês. Sua relação é falsa, só para ela manter as aparências de hétero. E também… você é fracasso na cama e fora dela, não é nenhuma surpresa ela não estar satisfeita com você. Você é tão frouxo que me dá dó.


Ela caiu ajoelhada no chão, chorando. Me abaixei a frente dela.


-Eu não ia fazer isso se você não tivesse me usado tanto. Se você me quisesse de verdade, você me assumiria. Você não me ama, nunca me amou.


Me levantei e desci as escadas, com todos me olhando, inclusive ela. Finalmente rasguei o convite e o joguei em uma lixeira próxima.


-Até nunca mais!


Saí sem olhar para trás. Apesar da bebedeira, da tristeza, eu me sentia leve. Eu estava livre, finalmente livre daquele relacionamento abusivo. Fechei um pouco mais da minha blusa de frio e sorri. A noite estava linda. E eu não estava falando só da lua.



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