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História Gossip Girl - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Status: offline


A semana de Nami não foi das melhores, ela teve uma série de dificuldades com o trabalho na confeitaria, alguns pedidos trocados fizeram com que os clientes retornassem com reclamações. Sanji estava preocupado, pois nunca viu a amiga cometer um erro no trabalho. Além disso, ela parecia bastante reclusa e não queria falar sobre o assunto.

Nami concordou em tirar o resto do dia de folga, era ainda quatro e meia da tarde, quando sentou-se num banco de uma praça com o celular na mão, segurando-se para não clicar no link que haviam enviado no grupo de conversas que fazia parte. Vivi a orientou que não clicasse, pois não valia a pena, mas Nami precisava saber o que estavam falando dela na internet.

E então ela bateu o dedo na tela do celular e o blog de fofocas carregou. Uma fotografia dela estava em destaque, ao lado uma de Robin, faziam comparações sobre suas roupas e os valores de cada peça. Assim como tratamentos estéticos e suposições sobre suas casas e salário. Nami sequer sabia que Robin possuía um apartamento em seu nome e uma casa de campo na Inglaterra, também não sabia que ela possuía uma carteira de motorista para dirigir até mesmo caminhões.

Por Deus, como eles sabiam tanto da vida dela? Até mesmo o valor que pagou em uma viagem na Disney. Não era possível que a rede de contatos desse blog fosse tão grande que eles conseguiam descobrir tudo isso.

Nami nunca foi na Disney, não possuía carro nem imóveis em seu nome, com um salário baixo que não pagaria (segundo o blog) o perfume francês que Robin usava. Francamente, aquilo era para ferrar com a mente dela. Obviamente não abriria mão de Robin por não poder dar de presente para ela um monociclo, como Zoro fez no último Natal. Achava aquela comparação ridícula, mas o pior de tudo era ter que ser acusada de alpinista social.

Eles poderiam enfiar onde quisessem títulos e fama, Nami não precisava estar nas sombras de ninguém para ser alguém que fazia diferença no mundo. Infelizmente, não era o que muitas pessoas acreditavam, e isso vinha refletindo em suas relações próximas.

Na escola estava cada vez mais nítido que as garotas se afastavam dela na hora do almoço, na Educação Física e até mesmo no clube de matemática. Mas o pior de tudo foi ter sido chamada na diretoria da escola e ameaçada pela diretora sobre seu comportamento. Aquela palavra a machucou de tal forma, que Nami não soube o que dizer no momento. Era acusada de violar as regras da escola, colocando o nome da Constance Billard School em evidência num site de fofocas, com a alegação de que "a escola promovia o homossexualismo”*.

A cada palavra que a diretora falava, a cada termo incorreto e preconceituoso que ela dizia, Nami sentia vontade de vomitar. Ela deu um show de falsas interpretações e termos errôneos quanto ao relacionamento dela com Robin. Aliás, relacionamento esse que ainda sequer existia de fato, elas não namoravam. Sequer estavam se encontrando nos últimos dias. Robin vinha sendo requisitada pela equipe de expedição da mãe que precisavam dela como tradutora ou algo do tipo.

Nami nunca se sentiu tão frágil e sozinha como naquele parque.

Ela se levantou e foi para casa. Nojiko preparou algo para ela beber, enquanto a enchia de frases motivadora. Quando Bellemere chegou em casa, Nami não pode esconder mais o que estava acontecendo.

— Eu vou procurar um advogado e ver até onde esse discurso homofóbico vai. Não vou permitir que você estude num lugar como esse, não mesmo. — Bellemere andava de um lado para o outro na sala. — Nem que eu vá até lá e esfregue a cara daquela vaca no chão.

— Mãe, isso não vai resolver nada. — Nojiko falou, tentando manter a calma.

— Eles receberam denúncias de alguns pais preocupados com suas filhas que estudam comigo na mesma sala. — Nami desabafou, os olhos fixos na televisão desligada. — Essas garotas nem falam comigo, mal tive contato com elas, não é como se eu fosse contagiosa.

Bellemere sentou no sofá, segurando a mão da filha.

— Você não vai se deixar abater porque esses merdas hipócritas pensam que estão no comando. — Ela acariciou o rosto da filha em seguida, o tom de voz completamente diferente, mais amoroso. — Eu te amo muito filha, e tenho muito orgulho de você, ouviu?

— Obrigada, vocês são a melhor coisa da minha vida. — Nami foi abraçada pela mãe e pela irmã, renovando as forças.

Ainda levou uma semana para que Nami deixasse de ser assunto no blog, isso porque novos flagras e acontecimentos ‘bombásticos’ sacudiram a internet. Porém, ainda era visada pela diretora da escola. Bellemere contratou um advogado, colega dela na época da marinha, eles conversaram com a diretora numa longa reunião em que ambos os lados usaram de ameaças e muita discussão disfarçada de diálogo entre adultos. Nami ouviu metade, depois não teve mais paciência para aquilo e saiu.

Ela vinha conversando com Robin algumas vezes por dia, mas não deu todos os detalhes do que estava acontecendo. Por outro lado, Robin estava afastada de quase tudo o que dizia respeito de internet, e foi por isso que Nami decidiu não mostrar para ela as fotografias e matérias esdrúxulas.

Mas não demorou muito para que Boa intervisse naquele assunto e assim Robin a encontrou no clube de matemática. Nami estava sozinha, sentada em uma das mesas com um livro na mão. Ao vê-la, se levantou e acenou para ela, evitando a expressão desanimada.

— Porque você não me contou o que estava acontecendo? — Apesar do tom de voz ser baixo e controlado, dava para notar a alteração de Robin.

— Eu não queria incomodar com meus problemas.

— Incomodar? Nami, você jamais me incomodaria. — Ela balançou a cabeça, parecendo decepcionada e isso fazia Nami sentir-se ainda pior.

— Você está tão ocupada com seu trabalho, as matérias se acumulando, os professores te pressionando cada vez mais, eu não me achei no direito de jogar mais um peso nas suas costas. — Nami se levantou e deixou o livro em cima da mesa. — Aliás, mamãe já contratou um advogado.

— Eu soube, aliás todo mundo já sabe disso e eu sou a última a saber. — Mais um olhar de decepção foi atirado. — Também sou responsável pelo o que está acontecendo com você. Embora eu não veja mais as notícias daquele blog, isso não quer dizer que você não possa me dizer o que eles fizeram.

— Quer sabe? — Nami deu alguns passos para frente, falando com irritação, embora não estivesse brava com Robin, mas não aguentava mais aquela situação. — Eles achavam que você é maravilhosa demais para mim e insinuaram que eu devo ser boa em pelo menos uma coisa para você se interessar, e eu não estou falando do jeito que penteio o meu cabelo, já que, ao que tudo indica, eu deveria cuidar melhor do meu cabelo se quiser sucesso. — Ela passou a mão nos fios, jogando-os para trás. — É nojento demais toda essa situação.

Nami abaixou a cabeça, sentido que ela poderia explodir, quando Robin a abraçou, as duas mãos em volta de seu corpo, apertando-a com uma força necessária para o momento.

— Me perdoe por ter estado ausente durante todos esses dias. Eu deveria ter notado que algo não estava indo bem, mas acabei me jogando de cabeça nos trabalhos e nas matérias para evitar pensar no resto.

— Você não precisa se desculpar, Robin. — Nami ergueu os braços e a abraçou também. — Está mais do que certa em focar sua atenção no trabalho, o resto eu cuido.

— Não, você não vai cuidar mais disso sozinha. — Os olhos de Robin eram vivos, os cílios cheios, piscava com ansiedade, provavelmente com algo em mente. — Vou precisar falar com meu padrasto sobre isso. — Robin passou a mão no rosto de Nami, tocando os lábios dela com a ponta dos dedos. — Por favor, prometa que não vai mais me esconder nada do que acontece com você.

— Eu não sei se posso prometer isso. — Robin anuiu, não entendendo o que ela dizia. — Veja bem, eu não posso recorrer a você e seus contatos sempre que alguma coisa me acontecer.

— Mas eu quero apenas ajudar. — Ela insistiu e Nami apenas fechou os olhos.

— Não vou negar sua ajuda quando eu precisar, mas não posso achar que sempre estará lá para resolver meus problemas. — Nami ergueu o olhar, Robin usava um par de sapatos que a deixava ainda mais alta. — Por favor, me entenda.

— É um pouco difícil, mas eu vou tentar. — Robin inclinou a cabeça o bastante para que a sua testa tocasse a de Nami. — Só não quero mais ser a última a saber das coisas.

— Ok! Eu prometo que vou contar tudo para você no mesmo minuto.

— Ótimo. — Ela sorriu e Nami não poderia ficar mais feliz quando sentiu os lábios dela nos seus. O beijo não levou muito tempo pois as garotas do clube chegaram. Vivi e Kaya foram até as duas, querendo saber sobre as novidades, mas ainda não havia nenhuma nota emitida sobre o caso por enquanto, mas logo teriam notícias.

Algumas garotas estavam mais afastadas e Robin notou a drástica mudança de comportamento delas, até antes da competição das olimpíadas de matemática, a relação com Nami era de amizade, mas agora estavam ignorando-a completamente. E ela não poderia simplesmente achar aquilo certo.

— Vamos almoçar juntas hoje? — Robin falou.

— Você não está estudando para as provas? — Nami perguntou, preocupada, Robin vinha passando a maior parte do tempo ocupada com matérias que precisava de nota e trocava o almoço por estudo na biblioteca.

— Posso garantir uma folga pelo menos hoje, não vai me fazer mal, não é? Afinal de contas, eu tenho uma ótima professora de matemática. — Ela piscou, divertida.
 

O almoço era um dos momentos em que as alunas do colégio desfilavam com seus grupos marcando territórios, ou simplesmente usando suas influências para conquistar novos territórios. Isso não significava apenas uma guerra de egos dentro da escola, mas fora dela também.

Estava em jogo as férias de verão e festas badaladas. Convites para semana de moda, ou pré-estreias disputadas. Em alguns casos, conhecer pessoas importantes até mesmo a pedido dos pais. Era imprescindível que algumas famílias continuassem unidas, e seus filhos deveriam garantir tal laço temporal.

Boa Hancock possuía pais influentes pela grande empresa de importação que comandavam, muitos pais de suas colegas fariam de tudo para ter acesso a grande frota de navios que aportavam com facilidade pelo mundo, era um negócio indispensável, por isso muitas famílias davam o braço a torcer por eles não terem nascido no país.

E muitos iam engolir o fato de Boa ser a presidente do comitê estudantil ao qual trabalhava no momento para criar uma série de palestras com diversos convidados para conversar sobre assuntos como a internet tóxica, sexualidade e gênero, e outros assuntos interessantes para o momento em que viviam.

A mesa que ela estava, possuía dois lugares reservados. Quando Robin chegou para o almoço acompanhada de Nami, Boa acenou para as duas, indicando o lugar a sentar.

O almoço em si foi tranquilo, não havia tanto olhar enviesado como imaginaram, mas a indignação era evidente.

— Você está bem? — Robin perguntou, haviam terminado de almoçar já, e estavam conversando sobre as palestras que Boa organizava.

— Sim, eu só estou aqui pensando em uma coisa.

— E o que é?

— Eu não sei bem como devo te chamar. — Ela apertou os lábios, inclinando a cabeça levemente, quando apoiava o queixo na mão sobre a mesa. Robin estava sentada a sua frente, os cabelos soltos e jogados para trás, usava um vestido de cor neutra e alças largas, com uma gargantilha no pescoço.

— E quais são as opções? — Robin apoiou os cotovelos em cima da mesa, inclinando o corpo para frente.

— Podemos continuar como amigas, e eu vou poder dizer “Aquela ali, em cima do dromedário nervoso, é minha amiga”, ou posso dizer “é minha namorada”. — Nami esperou até que ela falasse alguma coisa, mas Robin apenas a olhava fixamente, com um sorriso preso nos lábios. — Se tiver alguma sugestão, eu estou aceitando.

— Estou em dúvida. — Robin disse por fim.

— Será que é tão difícil assim escolher?

— Não sei, dromedários são muito dóceis. — Robin possuía uma expressão séria ao falar.

— Sua besta, eu estou falando sério. — Nami esticou a mão apenas para acertar um tapa na mão de Robin.

— Esse é um pedido de namoro formal?

— Preciso mesmo responder a pergunta?

— Eu queria ter feito isso antes, mas estava receosa. — Ela apoiou a cabeça numa das mãos, encarava Nami com seus olhos azuis intensos, sem pressa, apenas divagando enquanto o refeitório esvaziava com o sinal recém tocado.

— Já sentiu essa sensação de estar prestes a conseguir algo que deseja muito, mas está tão longe do alcance de suas mãos que você tem medo de esticar o braço?

— Sim. — Robin fechou os olhos por alguns instantes. — Mas eu espero que você não tenha medo, pelo menos não de mim, que estou aqui, ao alcance das suas mãos, basta você esticar o braço.

— É você está... você não é um cometa. — Nami estendeu a mão, segurando a de Robin com carinho.


Notas Finais


Só um detalhe: a palavra homossexualismo* foi adicionada na narrativa como o termo usado pela diretora. O correto é homossexualidade, mas a diretora nesse momento usou o termo errado propositalmente.
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