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História Gosto Amargo. - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Eu estou escrevendo essa fic, como se minha vida dependesse disso ahahaa
To muito ansiosa pra poder colocar aqui para vocês tudo o que eu já pensei pra essa fic.
Esse capitulo ficou um cadinho maior, porém esta muito foooofooooo e eu amei escrever.
Sei que o ritmo aqui é meio lento, mais já já coisas começarão acontecer.
Espero que curtam

Capítulo 3 - Capítulo 3


Fanfic / Fanfiction Gosto Amargo. - Capítulo 3 - Capítulo 3

Não demorou muito para que Mikasa entrasse na loja carregando uma pilha de arquivos. Empurrou a porta meio sem jeito me fazendo rir da cena, ela conseguia ser adorável, quando estava de boca fechada.

-Eu não quero nem saber, você vai pagar todas essas viagens de Uber. – ela veio até o balcão m fuzilando com um olhar assassino.

-Oe, oe. Você não vai colocar isso aqui – apontei para os documentos -Leve lá para aquela mesa dos fundos onde se sentou da outra vez. Eu já tô indo.

Ela bufou.

-“Ok, Boss”. – usou seu melhor sotaque para me sacanear.

Preparei dois chás, antes de retirar o avental, dobrá-lo e  deixa-lo embaixo da bancada.

-Isabel vou pedir que assuma aqui, se precisar de mim avise.

-Oooook – ela gritou daquele jeito energético.

Peguei as duas xícaras e caminhei até Mikasa. Ela já estava com o computador ligado mexendo em alguma coisa. Me sentei de frente para ela e peguei a primeira pasta com arquivos. Ao lê-lo constatei que Erwin amava de dar casos fiscais, segui o estudando  e fazendo anotações em um bloco de notas. Empurrei as anotações para Mikasa que me olhou sem entender nada.

-Quero informações sobre este CNPJ. Quero saber até onde você consegue ir, pirralha.

Ela sorriu aceitando meu desafio voltou a digitar no notebook. Seus olhos estavam focados, e ela parecia se divertir com o objetivo que lhe foi dado. Ela sorriu no exato momento em que um filete de sol tocou seu rosto. E pelo inferno, como ela era linda. Seus olhos acinzentados faziam contraste com a pele alva, os lábios pequenos pintados por um batom rosa emolduravam seu rosto angelical. O nariz pequeno e arrebitado dava um ar inocente a ela, e abaixo do olho uma cicatriz ainda vermelha. Fiquei curioso.

-O que te fez escolher direito? – ela me direcionou outro olhar confuso -Aquela sua desculpinha na entrevista não colou comigo.

-E do nada um interesse?

-Quero conhecer mais minha estagiária? Não posso? -a provoquei.

-Não era minha primeira opção de curso. Mas era o mais rentável  -sabia que era verdade, pois senti um pouco de tristeza em sua voz.

-E qual era a primeira opção?

Ela parou de digitar, tomou um gole do chá antes de continuar a falar, sabia que ela iria revelar algo surpreendente, pois demandava sua atenção total.

-Filosofia. Eu queria dar aulas na minha antiga cidade, cheguei a começar o curso, mas as coisas saíram dos trilhos e tive de mudar os planos.

-O que te trouxe à Trost? – Eu não estava sendo delicado, isso parecia mais um interrogatório do que uma conversa. Ela pareceu não se incomodar com o tom, na verdade sentia que ela queria falar sobre aquilo.

-Se eu dissesse que foi um fim de relacionamento você acreditaria?

-Foi ele que te fez mudar de curso? -era muitos fácil juntar as peças agora.

-Sim e não. Ele não me obrigou, mas decidimos que seria o melhor para o nosso futuro, esse que não chegou a se concretizar. -Havia melancolia em sua voz.

-Você ainda o ama – não era uma pergunta, tomei um gole de meu chá. Sabia que tinha sido invasivo, não esperava uma resposta.

Ela suspirou pesado.

-Eu acredito que ninguém deixa de amar outra pessoa totalmente. É impossível esquecer alguém que fez parte da sua vida, que ajudou a formar quem você é. Porém isso é totalmente diferente de querer estar com essa pessoa. Hoje tenho maturidade para dizer que a gente não esquece, mas ressignifica. Eu gosto dele, tenho carinho, porém não desejo estar perto. Me faz mal, me machuca, então eu criei um espaço entre nós.

Eu estava chocado, isso na melhor das expressões. Relacionamento era um assunto fora da minha alçada, nunca havia tido nada sério com ninguém. Mas o discurso de Mikasa exalava maturidade e sinceridade. Não sabendo muito bem como encerrar o assunto apenas mudei o enredo.

-Você deveria ter escolhido dar aulas. Tem uma boa oratória. – ela sorriu com o elogio e eu tomei mais um pouco do meu chá para esconder a queimação de minhas bochechas ao receber o sorriso dela. -Por que filosofia?

Pronto, essa era a deixa que ela precisava para relaxar e começar a falar sem parar, e eu queria ouvir cada palavra dela.

-Eu me conheci quando estudei filosofia. Não só mim mesma, mais também as coisas ao meu redor. Eu aprendi a questionar, a debater, ir atrás dos significados até que descobri que NÃO EXISTE VERDADE. – Ela gritava tão sincera e falava com tanta empolgação que eu não ousei interrompê-la, e sorri junto com ela – Sei que parece confuso, e é, mas é tão bom. E poder passar esses questionamentos e críticas a frente deve ser o maior barato.

-Mas você não faz o que quer Mikasa, você faz o que precisa. Constatei.

As palavras dele me pegaram eu cheio. Acreditava que ele estava apenas fingindo me ouvir por educação, já que eu tagarelava como uma loca quando empolgada, mas quando aquela análise sobre mim saiu de sua boca eu não tive resposta. Não podia desmenti-lo por que eu sabia que aquilo era verdade.

-Já que gosta tanto de questionamentos eu vou deixar um meu a você - descruzei as pernas e a encarei -O que você realmente quer Mikasa?

*

O que eu realmente quero?

Essa frase não saiu da minha mente por duas semanas inteira. Estava sim inquieta com ela, sabia que talvez não encontraria uma resposta definitiva, mas o pior de tudo era lembrar dos olhos azuis acidentados me fitando, como se pudesse ver minha alma.

Depois de muito refletir sobre o assunto, e fazer organogramas coloridos para chegar à causa de minha inquietude conclui que Levi era sim capaz de enxergar através da minha cabeça superior, talvez fosse um super poder dele, ou mais provável, ele nem fosse desse planeta, explicaria parte de seu comportamento. Deixando a zueira de lado,  Levi me via de uma maneira que nem mesmo eu conseguia enxergar, e isso me assustava, pois dava a ele um pode sobre mim que beirava o sobrenatural. Eu havia dado esse poder a apenas uma pessoa em minha vida, e ela havia destruído meu coração e meu psicológico.

Tentei mudar minha postura com ele no trabalho, mas o clima informal em trabalhar dentro de uma cafeteria não facilitava meu progresso. Pelo contrário, ele se mostrava mais inclinado a me conhecer, e eu bobona e tagarela sempre caia em seus charmes. Tanto que eu já sabia que seus chás favoritos sempre levavam hortelã, conseguia sentir o cheiro no hálito dele toda vez que nos aproximávamos. Ele media 1.60 e odiava que os outros o zoassem por isso. Ele tinha dois irmãos de criação Isabel e Farlan, ambos trabalhavam na cafeteria dele. Erwin e Hange eram seus melhores amigos desde pequenos, e após o falecimento de seus pais tomaram para si o lugar de cuidadores dele, ele dizia odiar, porém sorria sempre ao falar dos amigos.

É, parando para analisar agora, eu não havia conseguido resultado nenhum em tentar ser indiferente a ele. Pelo contrário, me sentia cada dia mais conectadas.

Entrei na cafeteria carregando a pilhas de documentos para análise daquele dia, o sininho tocou e Isabel me encarou preocupada.

-Levi não veio hoje Mikasa. Ele não te avisou?

Apoiei os papéis no balcão e procurei por alguma mensagem de Levi e nada.

-Não.- bufei estressada. -Vou ligar pra ele.

Busquei o número de Levi e deixei chamar. Ele demorou 5 bipadas para me atender.

-Cadê você? – perguntei estressada.

-Pirralha, qual o problema? -  a voz dele estava baixa, fraca e fanha. Parecia doente e cansado.

-Não vai me dizer que tomou um pé ontem, passou a noite chorando e esqueceu de mim? – aproveitei o momento para provoca-lo, eu nunca perdia uma oportunidade quando a via.

Escutei uma risada nasal esquisita do outro lado da linha.

-Como se fosse fácil esquecer você – meu coração falhou uma batida, e nem sabia o porquê- Deixei recado com a secretária, mas parece que vocês não se encontraram. Não estou muito bem, está dispensada por hoje.

Como assim não está bem? Um aperto diferente se fez em meu peito e não pensei dias vezes antes de ameaça-lo.

-Me manda seu endereço.

-Não precisa disso.

-Se você não me mandar eu vou pegar com alguém, Isabel Erwin, qualquer um.

-Eles não fariam isso.

-Quer apostar? – escutei um resmungo inaudível antes dele falar.

-Já te enviei pirralha.

-Não morra antes de eu chegar. – desliguei sem me despedir.

Peguei um táxi direto para o apartamento de Levi, levando comigo toda aquela papelada importante. O prédio não era muito longe, assim que sai do carro e toquei o interfone o porteiro liberou minha entrada. Subi pelo elevador até a cobertura. Parei em frente a uma das 2 portas do corredor e toquei a campanha, escutei a voz de Levi pedindo para entrar.

Girei a maçaneta e entrei, poderia dizer que o apartamento enorme , claro, limpo cheiroso e organizado me chocaram, mais ao encarar a figura de Levi jogado no sofá , com um cara de morte, tirou o meu chão. Tentando mascarar o desespero e a preocupação em minha voz optei em fazer piada.

-Você está um bagaço.

-Obrigado pela parte que me toca – ele tirou o braço de cima dos olhos e me encarou com um vinco na testa. Seus olhos estavam carregados de olheiras escuras, denunciando uma noite mal dormida. -Eu não acredito que você trouxe trabalho pra cá.

-Era isso ou largar essa papelada na cafeteria, e se eu fizesse, você me mataria.

-Mataria mesmo -ele deu um leve sorriso – Pode deixar no escritório, segunda porta a direita.

Segui pelo corredor apontado, entrei na sala espaçosa cheia de prateleiras e livros, tive uma vontade imensa de olhar seus títulos, mas um Levi a beira da morte me preocupava na sala. Antes de sai, olhei mais uma vez ao redor e sorri ao ver dois porta retratos sobre a mesa, ele com os irmãos e outra foto dele com Erwin e uma mulher que eu acreditava ser a Zoe.

Quando voltei para sala Levi estava tentando se levantar.

-Pode parar aí. Fica deitado e me diz o que você está sentindo.

Ele me encarou incrédulo, cruzei os braços mostrando que não desistiria da minha ordem. Ele bufou se jogando de volta no estofado macio.

-Eu tô sem fome, enjoado, minha cabeça parece que vai explodir, meu corpo pesa uma tonelada, e estou tremendo como se fosse inverno.

Me aproximei dele, ajoelhei ao lado do sofá e levei minha mão até sua testa. Ele não impediu meu movimento, mas observava cada mínima ação que eu fazia. Constatei óbvio, estava com febre. Apesar de quente a pele dele era macia, os fios de cabelo que roçaram em minha mão eram sedosos e tive vontade e poder afundar meus dedos por toda extensão de sei cabelo escuro. Segurei minha vontade e o olhei, seus olhos focados nos meus, tão próximo, me abalou. Engoli seco antes de em afastar.

-Você está com febre, provável que seja uma gripe, e das fortes. Se não cuidar pode ficar pior. O que você andou aprontando?

-A única coisa que faço é manter esse apartamento limpo.

-E você limpa a noite? Com água?

Ele olhou feio não querendo dar o braço a torcer, e assumir que estava errado. Desviou o olhar do meu como uma criança. Achei graça e não contive o riso.

-Vou ligar pra farmácia e pedir pra entregar um remédio pra febre, enquanto irei fazer um chá pra você.

-Nem pensar que você irá mexer na minha cozinha. Está limpa.

-Você tem duas opções, me diz onde estão as coisas ou eu descubro sozinha.

-Tsc – o desconforto era notável em seu rosto e eu me senti vitoriosa – Pirallha.

Segui para a cozinha seguindo as intrusões dele. Tudo estava tão impecável que era desconfortante quebrar o equilíbrio do ambiente. Com muito cuidado encho a chaleira e a depositei sobre o fogo. Peguei os potes de vidro onde as ervas eram armazenadas, preparei o sachê com elas e esperei a água ferver. Quando o apito soou passei a água para a xícara junta as ervas e Levi até a sala.

Ele ainda estava deitado, deixei a xícara sobre a mesinha de centro no mesmo momento que ganhei um olhar mortal de Levi, ignorei dando de ombros e sorrindo, ajudei que ele se sentasse. Ficar assim tão próxima dele era perigoso, o contato de nossas peles enviava chiques para meu corpo, e eu não sabia lidar com eles.

Aí primeiro gole do chá as sobrancelhas sombras dele se juntaram em uma carreta horrível.

-Isso está muito amargo.

-Bom que combina com a vida – ele riu da minha frase e voltou a tomar o chá.

-Você não serve mesmo para seguir ordens, nem mesmo uma receita.

-Eu prefiro dar as ordens. – juro que quando pensei na resposta eu não esperava que ela saísse tão provocativa dos meus lábios.

Senti o corpo dele se enrijecer ao meu lado. Estávamos ainda muito próximos, conseguia sentir o valor da pele dele em mim, seus olhos brilhavam em um tom mais vivo de azul, e os meus buscaram os lábios dele, semi cerrados. Ambos nos movemos um pouco para frente, buscando diminuir o espaço entre nós.

Já estava fechando meus olhos quando o interfone tocou. Pulei assustada e corri para longe dele. O interfone tocou de novo e fui atender.

-A encomenda chegou – o porteiro anunciou.

-O-obrigada, estou descendo.

Voltei para sala e Levi estava na mesma posição me encarando com expectativa. Agora era oficial, ficar perto de Levi Rivalle era um perigo para minha santidade.

-Vou buscar seu remédio na portaria.

Ele concordou e eu saí daquela sala. Foi ótimo tomar um ar e colocar a cabeça no lugar, por mais que a última cena não saísse da minha memória. EU IRIA BEIJA-LO.

Voltei para o apartamento, ele não havia se movimentado, apesar da xícara estar vazia sobre a mesinha de centro. Peguei água para ele e ofereci o lhe antitérmico. Não falamos nada, até eu me oferecer para leva-lo até seu quarto. Ele nem ao menos tentou negar, devia estar cansado demais. Deixei que ele se apoiasse em mim e o guiei até a cama. O cheiro dele era um mistura de perfume amadeirado com sabonete, definitivamente era um homem muito higiênico.

Assim que ele se jogou na cama eu o cobri com o edredom, peguei o termômetro que havia comprado com o remedeio e aferi sua temperatura, 40.2°C, estalei a língua preocupada.

-Estou prestes a morrer? – ele perguntou deitado sobre o travesseiro.

-Você não ousaria morrer e deixar que minha vida na empresa fosse fácil – ele riu concordando. – Porém sua temperatura esta muito alta. Vou esperar aqui até o remedeio fazer efeito, se não melhorar vou te levar par ao hospital ,e ai será agulha no bumbum. –

Gargalhei como olhar que ele me deu, se não achasse que ele era um alien, diria que Levi sentia medo de agulhas.

-Fica tranquilo, vaso ruim não quebra ‘boss’. Vou ficar estudando na sala, você aproveita pra dormir. Te acordo antes de ir.

-Se quiser – ele virou o rosto para o outro lado – Pode estudar aqui no quarto, usa a mesa de vidro.

Sorri como convite dele, e foi impossível dizer não à ele.


Notas Finais


Desculpe se teve algum erro de português.
Espero que tenham gostado e deixem suas opiniões hahahha
Até o proximo.


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