História Gotham City Stories - Capítulo 15


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Categorias Batman
Personagens Barbara Gordon (Batgirl), Bruce Wayne (Batman), Comissário James "Jim" Gordon, Coringa (Jack Napier), Dick Grayson, Dr. Jonathan Crane (Espantalho), Edward Nashton/Nygma (O Charada), Harvey Dent (Duas-Caras), Jason Todd, Oswald Chesterfield Cobblepot (Pinguim), Pamela Lillian Isley (Poison Ivy / Hera Venenosa), Personagens Originais, Selina Kyle (Mulher Gato)
Tags Batman, Contos, Diversos
Visualizações 8
Palavras 1.746
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Mistério, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


''When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down
One by one I've seen em fall
Some just don’t show up at all
I’m just here to fight the fire
Oh a man ain’t a man 'less he has desire
And the walls come down
And the walls come down
When the walls come down
When the walls come down''
Walls - Kings Of Leon

Capítulo 15 - Império de Sangue - Parte 2


 

 

Miguel encarava o hotel através da janela do escritório. Ficava do outro lado da rua, quase cem metros de onde estava. O sol do meio dia batia fazendo-o brilhar por suas janelas. Ou o que restou delas. Quebradas ou fechadas por pedaços de madeira, estavam num estado deplorável. A pintura também não fugia muito disso. Outrora bege, agora descascava-se como um morto em decomposição. Isso nas melhores partes pois o restante da tinta fora usado de tela para pichadores ocasionais. O pior, entretanto, ficava na entrada principal. O letreiro, ‘’ Grand Hearst Hotel’’, teve partes roubadas, quando não destruídas. Abaixo dele, a antiga recepção parecia ser a entrada para o inferno. Toda suja e vandalizada pelos anos de abandono e maus-tratos.

Era difícil acreditar que tudo fora diferente quando criança. Ele nunca entrara lá mas sabia que grandes personalidades hospedavam-se diariamente nas luxuosas suítes. Os jornais sempre falavam disso. De Michael Jackson a Nancy Reagan. O Hearst havia sido o centro da alta sociedade de Gotham. Não era difícil ver pilotos da Fórmula 1 dirigindo Rolls Royces nas noites de sábado. Porém isso tudo foi antes do governo descobrir que o Hotel era só um disfarce para lavar dinheiro ilegal. Tudo mudou a partir daí. O dono fugiu para o exterior, os sócios foram presos e os funcionários demitidos. Uma empresa até tentou comprar o lugar para revitalizá-lo mas não deu certo. As ilegalidades combinadas com a má fama afundaram de vez o lugar.

Ele se afastou da janela sentindo um desconforto repentinamente. Não fazia bem lembrar do passado. Principalmente se tratando de lembranças tão vívidas como aquelas que o Hearst trazia em seu semblante. Miguel foi para perto da escrivaninha onde sentou-se na poltrona. Acomodou o corpo antes de pegar nos papéis. Eram relatórios em sua maioria. Cheios de números altos e códigos para dificultar a compreensão do texto por quem não devesse ler. Miguel os analisou durante alguns segundos. Marcou em azul os itens importantes com a caneta e grifou em amarelo o que seria cortado. Mesmo assim, aquilo não o agradou nem um pouco. Sabia que lutava contra a falência e muito provavelmente pela vida.

O crime é uma fábrica que não pode parar. E a de Miguel estava bem próximas de fechar. Primeiro porque perdera seus dois melhores lutadores em menos de um mês, um foi preso por sonegação de impostos e o outro se matou após perder o filho pequeno. Segundo porque estava gastando demais. Reformara a casa, comprara um restaurante e aumentou o salário de todos. A realidade é que Miguel planejara uma grande mudança e sofrera com o azar. Muito mais do que imaginava. Os cálculos de Alfonso previam no máximo mais um mês antes de uma crise. Dali em diante, medidas deveriam ser tomadas. Aumentar a taxa das lutas, diminuir o suborno, encontrar um novo ringue… Inúmeras possibilidades se apresentavam mas nenhuma que garantisse o poder dos Hernandez em Heath.

Recuar agora significaria dar espaço para outros tomarem o bairro que ele tanto lutara para chefiar. E estes vinham de todas as partes. Desde dentro do bairro até nos vizinhos. Abaixo de Heath era Bowery, território do Pinguim, Maroni e Falcone. Acima também não era muito melhor, Roman Sionis, o Máscara Negra, reinava absoluto em Park Row, Amusement Mile e Distrito Industrial. Era uma questão de tempo até os inimigos absorverem-no em seus impérios malditos. Isto quando não havia o Batman por perto para estragar tudo. Porém a sorte de Miguel se dava no Coringa. Ele escapara recentemente do Asilo Arkham, então era quase certo que a maioria dos criminosos ficassem em paz enquanto ele estivesse solto. Ou mais encrencados por talvez terem de lidar com um psicopata louco como ele.

A porta foi batida duas vezes.

– Pode entrar – Disse Miguel colocando a mão direita no rosto. Não dormira muito na noite anterior e agora sentia as consequências

Dois homens entraram em fila. Um era o mesmo jovem que anunciava os vencedores das lutas. Ele entrou primeiro mas não se sentou, permanecendo de pé com as mãos no bolso. O outro era um pouco mais velho, tinha a cabeça raspada, um cavanhaque bem definido e a pele morena. Vestia-se formalmente com paletó e calça. Entrou estendendo a mão para Miguel, que a apertou num cumprimento.

– Don Miguel – Disse ele respeitosamente

– Raul – Devolveu Miguel – Espero que tenha trazido boas notícias

– Não são tão boas quanto eu gostaria … – Admitiu ele desviando o olhar

– Diego, quero que você vá com Alfonso até o Highway – Contou Miguel bebendo um gole de uísque

– Eu? Por que? – O jovem ergue as sobrancelhas

– Ele vai te explicar no caminho – Miguel encheu seu copo e mais um para Raul – Vá logo antes que eu mude de ideia

– Beleza! – Ele saiu do escritório sorrindo de animação

Raul riu baixinho da comemoração de Diego depois de bebericar seu copo. Miguel pouco expressou se estava contente ou não, preferindo manter-se sério em seu trono acolchoado.

– O garoto vai pirar assim – Falou Raul despretensiosamente – Ele veio reclamando que era esnobado por você desde que me pegou no aeroporto

– Meu irmão não sabe ficar sem falar – Naquela hora, Miguel se arrependeu de ter dado mais responsabilidade a Diego – É um dos seus defeitos. Agora, me diga, por que Alejandro não virá?

– É um pouco complicado… – Raul deixou o copo na mesa, não surpreendeu-se nem um pouco pela previsão de Miguel estar certa – Eu tentei convencê-lo a vir mas não deu certo. Ele está muito amedrontado para sair de Juarez.

– O Cartel não tem poder aqui – Afirmou ele

– Eu sei, acredite, tentei dizer isso a ele – Miguel coçou a cicatriz – Falei que não teria nada a temer aqui conosco, que poderia trazer sua família tranquilamente para cá…

– E o que ele respondeu?

– Quer um acordo entre você e Humberto – Dessa vez foi Miguel quem desviou o olhar. Encarou o hotel novamente como fizera minutos atrás cerrando os punhos – É única forma dele vir

– Me submeter aquele imbecil seria fraqueza e praticamente suicídio – Explicou ele fitando os letreiros sem piscar – O Batman vai ser o menor dos meus problemas se eu começar a vender cocaína aqui. Não, tem que haver outro jeito

– Eu sinto muito, Don Miguel – Disse Raul em tom meloso – Mas foi tudo que pude fazer

– Pode ir – Raul levantou-se de cabeça baixa

– Vou estar na cobertura de Antonio se precisar de mim – Disse ele antes de sair

Alejandro Muñoz era uma lenda no México. Se tornara campeão dos pesos médios no boxe aos vinte e um anos além de ter batido o recorde de nocautes três anos depois. Suas lutas eram as mais assistidas durante seus tempos áureos e seus adversários tremiam ao ouvir seu nome. No entanto, a fama trouxe algumas más companhias. Assim, o grande campeão de Tijuana, herói não só da cidade como do país, tornou-se um viciado. A carreira de Alejandro logo teve um fim, forçando-o a mudar-se de Los Angeles para Juarez a fim de sustentar seu vício e pagar as dívidas que contraíra. Miguel sabia que ele ainda podia dar a volta por cima. Bastaria um tempo longe do Cartel e da cocaína que o ‘’Touro de Ferro’’ ressurgiria. Talvez até com Miguel como empresário. Certamente seria um negócio mais proveitoso do que gerenciar velhos e fracotes em lutas clandestinas.

De repente, ouviu o som de alarmes estourarem no ar. No reflexo, Miguel tirou a pistola Colt 1911 da gaveta. Seus dois seguranças, Luis e Federico, que vigiavam o lado de fora do escritório, entraram na hora. Eles falaram com o chefe mas foram ignorados. Miguel aproximou-se veloz da janela para verificar o que tinha acontecido. Deu uma olhada rápida na rua até perceber os dois motoqueiros parados em frente a joalheria. Estavam ao oeste de seu escritório, uns duzentos metros, não mais. Carregavam submetralhadoras enquanto provavelmente aguardavam seus comparsas. Miguel voltou-se para seus capangas subitamente. Infelizmente, também portavam pistolas como ele. Era o preço da arrogância. Não havia jeito, tinha que descer lá e resolver a situação.

– Me sigam! – Ordenou ele já andando para fora do escritório

Os três percorreram o corredor até as escadas. Desceram fazendo o som das escadas misturar-se com clamores desesperados do andar debaixo. Miguel atravessou o salão sentindo os olhares angustiados dos clientes em si. Escondiam-se debaixo das mesas junto com garçons. Ele os ignorou correndo até a porta principal. O maître, que estivera abaixado o tempo todo atrás do balcão, levantou-se com uma espingarda na mão. Miguel o agradeceu por lembrar-se da arma e a pegou no ar. Ele espionou a joalheria pelos vidros da porta antes de avançar. Os dois motoqueiros vigiavam a rua com as armas prontas para serem descarregas, escondiam o corpo em roupas escuras e capacetes fechados. Miguel pensou por um momento, seria difícil pegá-los desprevenidos. Certamente já esperavam aquela reação dele. Talvez tivessem até alguém do outro lado da rua para surpreendê-lo.

Tiros começaram a voar no mesmo instante em que ele abriu as portas. Miguel seguiu seus homens fazendo uma ópera infernal de chumbo. Os assaltantes revidaram com uma chuva de balas. Em poucos segundos, não restava mais nada do vidro ou da porta. Luis precipitou-se ao negligenciar o campo de visão dos inimigos. Foi atingido três vezes, urrando antes de cair morto, ao passo em Federico cruzava a rua depressa. O segurança tomou cobertura num beco ao passo em que encarava o patrão esvaziar o pente da pistola. O capanga foi astuto ao perceber que Miguel não aguentaria muito tempo. Então, deu as caras atirando como um louco. Morreu na mesma hora. O sangue espalhou-se por seu terno branco até virar uma nova textura.

Roncos de motores invadiram o ar, os bandidos estavam fugindo. Miguel recarregou a M12 com o coração acelerado. Ele correu até o meio da rua puxando o gatilho incessantemente. Para frente e para trás, uma bala caía e outra entrava. Os criminosos responderam com tiros descontrolados, queriam afastá-lo de qualquer maneira. De repente, foi acertado no braço. A força do tranco o levou ao chão. Mesmo assim, Miguel ergueu-se de joelhos e disparou uma última bala. A pontaria foi certeira. Um dos assaltantes caiu da garupa com uma mala que caiu aberta no chão. Joias se espalharam pelo asfalto enquanto a quadrilha escapava. Miguel levantou-se desnorteado. Sangue escorria do ombro até sua mão mas ele não se incomodou. Ao invés disso, preferiu olhar a rua ao seu redor. Três corpos jogados na rua, uma joalheria roubada e a polícia chegando. Tudo isso em seu bairro.

 



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