História Gotham City Stories - Capítulo 16


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Categorias Batman
Personagens Barbara Gordon (Batgirl), Bruce Wayne (Batman), Comissário James "Jim" Gordon, Coringa (Jack Napier), Dick Grayson, Dr. Jonathan Crane (Espantalho), Edward Nashton/Nygma (O Charada), Harvey Dent (Duas-Caras), Jason Todd, Oswald Chesterfield Cobblepot (Pinguim), Pamela Lillian Isley (Poison Ivy / Hera Venenosa), Personagens Originais, Selina Kyle (Mulher Gato)
Tags Batman, Contos, Diversos
Visualizações 6
Palavras 1.863
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Mistério, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 16 - Império de Sangue - Parte 3


 

‘’É melhor que não chova’’, pensou ele olhando para o céu. Era uma noite de lua cheia em pleno outono. Poucas estrelas pairavam no céu naquela hora, porém ainda resistiam a sufocante escuridão ao seu redor. Elas brilhavam como se quisessem afastar as nuvens cinzentas que se aproximavam a cada minuto, e por consequência, o azar de Miguel. Ele organizara um evento na cobertura de Antonio justamente para renovar a cara das lutas. Não podia deixá-la borrar com um temporal. Seria o fim para ele caso a luta fosse um fracasso. Investira tudo o que tinha só para este dia. Fora a única solução encontrada para salvar os negócios, embora claramente não estivesse dando muito resultado. Pouquíssimas pessoas apareceram e menos ainda as endinheiradas. Todo o plano de aumentar o valor das apostas parecia ter ido literalmente por água abaixo.

E ainda tinha a ‘’questão Terry’’. Big T, como era conhecido, era uma personalidade famosa nos subúrbios de Gotham. Alto, truculento e pesado, ele ingressou no mundo do crime após ser descoberto pelo Bane. O vilão ficou impressionado com a força física do jovem, decidindo dar-lhe um lugar em sua gangue de monstros. Terry então começaria a injetar Veneno sempre que podia, o que o levou a ser hospitalizado mais de uma vez além de escravizá-lo perpetuamente. Ele agora trabalhava para os Hernandez dada a recente prisão do chefe. Era um bom lutador, com punhos firmes. Mas a dependência da droga o levara a caminhos inesperados. Terry passara a se encontrar com um padre para se reconciliar com Deus, pedindo perdão por seus pecados. Só que isso também o deixara em dúvida a respeito de seu estilo de vida. E isso significava sem mais violência. Miguel o compreendia mas não aceitava ser informado de sua desistência justo naquele dia. Terry teria de lutar. Alfonso e Diego estavam com ele para garantir isso.

Miguel saiu da varanda para a sala. O apartamento de Antonio não era grande coisa contudo, tinha um certo charme. Talvez fosse a localização, Midtown não tinha o glamour da Ilhas Sul mas chegava perto, ou então a decoração, o chão de porcelana cinza combinava bem com as paredes brancas. A melhor parte era obviamente a sala, onde a maioria das pessoas se reunia por ali segurando vinhos baratos enquanto conversavam sobre temas corriqueiros. Havia uma bela lareira de tijolos vermelhos e modernos lustres cônicos. No centro de tudo, estava Antonio Franco, o anfitrião do evento. Era rodeado por pessoas que, ou sentavam-se nas poltronas de couro ou no sofá de palete. Todas, claro, prestando atenção em seu discurso habitual. Como sempre, ele gabava-se exageradamente de ter sido um dos primeiros a investir na Amazon nos anos noventa, fato que teoricamente teria o deixado milionário. O que ele ocultava, era a venda destas ações logo no início. Fazendo-o lucrar muito menos do que poderia se as tivesse mantido. De qualquer maneira, ele sabia conduzir um público. Sorria o tempo todo, tinha boas tiradas cômicas e expressava tranquilidade através de sua cara amigável. As pessoas confiavam nele. Mas não deveriam, como Miguel bem sabia.

– Com licença, tem fogo? – Ele se virou para trás encontrando um homem com cachimbo na boca – Esqueci o meu em casa

Miguel puxou o isqueiro do bolso e o entregou. Era um sujeito de meia idade, com cabelos brancos nas laterais e barba bem feita. Ele acendeu o tabaco exalando extensa fumaça branca depois de agradecer. O gângster pegou o objeto de volta assim que o encarou por um tempo, sentia que o conhecia de algum lugar. O que era incomum devido a natureza das roupas do desconhecido. Alguém que vestia-se daquela forma, com terno de veludo azul, gravata borboleta e óculos quadrados, não podia ser fácil de esquecer. Possivelmente era mais desses intelectuais baratos que Antonio encontrava em livrarias velhas. Como um professor de faculdade arrogante. Miguel voltou-se para Antonio quando o estranho fez o mesmo. O anfitrião fazia alguma piada boba em relação ao atual presidente americano. Algo como crítica misturada com deboche.

– Ele sabe ser divertido, não é? – Disse o desconhecido após uma risada irônica

– Espere até ele ficar bêbado se está achando-o engraçado – Contou Miguel observando os outros convidados com desdém– Vai morrer de rir

– Rapaz, minhas festas seriam muito mais animadas com ele no comando – O cheiro do tabaco finalmente tomou conta do ar

– Você faz funerais? – O estranho riu novamente, só que com mais intensidade dessa vez, quase como se forçasse

– Jack Thompson – Apresentou-se ele estendendo a mão amigavelmente. Miguel girou para trás a fim de cumprimentá-lo – Muito prazer

– Miguel Hernandez – Respondeu sem sorrir, fitava os olhos azuis-claros de Thompson– O prazer é meu

– Ah, Antonio falou de você – Disse ele tirando o cachimbo da boca – É o homem que organiza estes eventos

– Algo assim – Miguel cruzou os braços quando respondeu – E você?

– Compro coisas aqui, vendo outras ali… – Declarou despretensioso. Falava como se não ligasse para o próprio trabalho mas demonstrava o contrário ao gesticular – Nada demais

– Também é investidor como o Antonio ali? – Deu ênfase no ‘’investidor’’ quando falou. Thompson sorriu zombeteiro

– Oh, não, jamais peguei algo tão grande quanto a Amazon – Desviou brevemente o olhar enquanto gesticulava com as mãos – Meu foco está nos negócios pequenos muito embora eu admita querer ampliar os horizontes hoje em dia. Afinal, quem consegue viver em tempos de crise como estes?

– Sei como é, também quero mudar meu negócio – Disse Miguel apreensivo. Desconfiava da simpatia de Thompson, então decidiu entrar no jogo – Na verdade já o estou mudando

– Te desejo sorte – Quando disse aquilo, Miguel finalmente o reconheceu, e amaldiçoou-se por ter demorado tanto – Deus sabe como precisamos de homens corajosos nesse país

– Para falar a verdade – Comentou Miguel para a surpresa de Thompson. Chegara a hora de atacar – O evento de hoje não é nada para o que estou planejando

– Jura? – Thompson parecia ter entendido que Miguel sacara seu jogo – E tem como ficar melhor que isso? Estamos em Midtown!

– Tudo pode melhorar – Pela primeira vez naquela noite, ele sorriu – Não posso dizer nada mas envolve Bruce Wayne.

– O playboy? – Perguntou com desprezo – Conheço gente muito mais rica do que ele

– Mas ele cobra barato – Retrucou Miguel encarando Thompson. O investidor riu debochado desviando o olhar – Aposto que seus amigos não são tão generosos

– É tudo uma questão de perspectiva…

Diego apareceu do outro lado da sala antes que pudesse continuar a conversa. Estava na saída do corredor suando com os olhos arregalados em busca de Miguel.

– Tenho que falar com meu irmão – Miguel estendeu a mão decepcionado por não continuar a conversa – Foi um prazer

– O prazer foi todo meu – Respondeu Thompson com um olhar misterioso e sorriso cheio de malícia

Miguel atravessou o cômodo endurecendo a postura. Por sorte, o restante dos convidados não o percebeu pois certamente ficariam amedrontados com tamanha imponência. Diego liderou o caminho pelo corredor principal até o quarto de Antonio. Lá dentro, Terry sentava-se abraçando os joelhos de cabeça baixa enquanto Alfonso fumava com o corpo inclinado para fora da janela. A cena era um tanto ridícula, em parte porque o irmão de Miguel debruçava-se quase caindo, em outra porque havia um troglodita cabisbaixo. Alfonso logo percebeu a entrada dos dois, fitando-os com cara de poucos amigos. Ele cruzou os braços cerrando os punhos enquanto esperava pelas ordens de Miguel.

– Vocês dois saiam – Alfonso acatou de imediato mas Diego não entendeu – Tentem atrasar a luta por alguns minutos

O gângster ficou algum tempo olhando para o lamento de Terry. Após alguns segundos, decidiu roubar um pouco do uísque de Antonio. Andou até a cabeceira da cama onde o velho Johnny Walker esperava em meio a gins e vodcas importadas. Encheu um copo todo para si, bebericando a borda para diminuir o excesso. Caminhou de volta em direção ao lutador e sentou-se ao seu lado, apoiando as costas na cama. Deu uma boa golada antes de falar qualquer coisa. O uísque desceu seco pela garganta. Porém quando ia fazê-lo, notou que o grandalhão rezava baixinho. Era uma prece simples mas cheia de palavras melosas. Miguel a compreendeu de imediato, sua mãe costumava fazê-la quando criança antes de pô-lo para dormir.

– … e perdoai-me pela desgraça que incitei nos homens – Continuou Miguel para o choque de Terry, o lutador ergueu a cabeça de boca aberta – Não é o único que sabe rezar

– Então você conhece a palavra do Senhor – Ele assentiu bebericando o copo enquanto olhava reto para a parede

– Digamos que eu e ele já fomos próximos – Achou curioso haver uma televisão desligada refletindo-os num espelho negro – A dona Hernandez nos apresentou quando eu tinha quatro anos. Ela sempre foi muito mais chegada a Ele do que eu.

– Não posso lutar, Don Miguel. – Explicou Terry sendo claramente ignorado – Deus não quer isso de mim

– Por que diz isso?

– Eu ignorei os sinais quando estava na gangue do Bane e os ignorava quando comecei a lutar por você – Disse ele recordando-se do passado – Esse estilo de vida não é para mim. Demorei a perceber que minha missão é outra

– E o que quer fazer? – Perguntou ele sincero – Ajudar os pobres? Cuidar dos necessitados? Amparar crianças órfãs? São causas nobres mas quero saber como as realizará

– Não sei ao certo – Admitiu Terry – Mas farei algo que não use meus punhos.

– Qual o problema dos punhos? – Rebateu Miguel – Acha que boxeadores não vão para o céu por causa de alguns socos? Por acaso já ouviu falar de Jules Moon

– Nunca

– Bem, Moon era uma lenda dos pesos pesados nos anos 70 – Contou ele enquanto encarava Terry – Acabava com todos os adversários em menos de um minuto. No entanto, ele vinha de uma família católica fervorosa que desaprovava completamente seu estilo de vida. Então, depois de uma luta suada contra Jake LaMotta, ele perdeu o título de campeão. Sua mãe logo foi na imprensa declarar que era castigo pela violência que Moon causava. Sabe o que ele respondeu?

– Não – Os olhos deles brilhavam diante da história

– ‘’Mesmo perdendo, eu venço. Crianças de todo mundo terão o que comer por causa da luta de ontem, meu salário de derrotado é o suficiente para encher as bocas das pessoas que minha não consegue salvar com seu discurso moralista’’ – O lutador parecia ter ficado arrepiado – Os fins justificam os meios, Terry. Você quer ajudar as pessoas mas nunca vai conseguir sendo quem não é. Nossas vocações nos trazem fortuna, cabe a nós decidir no que gastá-las.

Terry parecia ter entendido embora não demonstrasse. Olhava para o chão em busca de respostas quando viu a mão de Miguel estendida para erguê-lo. Conflituado, ele ainda refletiu por um tempo até agarrá-la. Mas quando o fez foi como se renascesse. O grandalhão deprimido logo tornou-se o gigante enfurecido para a satisfação de Miguel. Em poucos segundos, Terry estava no ringue como o demônio agressivo que era. A história de Moon o motivara a derrotar seu oponente com todo esforço que conseguia. Uma pena que tudo fora inventado por Miguel. Mas ele próprio não se condenava. Era como uma parábola, a usava para demonstrar um ponto de vista. Pouco importava se havia verdade nela ou não. A mensagem tinha sido captada. Os fins justificavam os meios, literalmente.



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